sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO, BLOGUINHO! 4 ANOS

Lolinha de férias em Canoa Quebrada, duas semanas atrás

No começo da semana este humilde bloguinho que vos fala fez quatro anos de vida. Minha primeira postagem foi em 23 de janeiro de 2008 (os posts de antes desta data foram escritos antes do blog existir, por isso quase não têm comentários). De lá pra cá, um monte de coisa aconteceu. Na época em que comecei o blog eu fazia doutorado-sanduíche em Detroit. Depois voltei pro Brasil, escrevi a tese, defendi, estudei prum concurso, fiz e passei no concurso, e desde março de 2010 sou professora de Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Ceará (vai fazer dois anos já, incrível!). Outro dia estive pensando em como este blog vem sendo escrito por uma mesma pessoa (moizinha) em três lugares tão distantes: Detroit, Joinville, e Fortaleza.
Eu mudei muito também. Continuo com o mesmo maridão (que me acompanhou em todas essas cidades lindas), com o mesmo corpitcho redondo, com o mesmo gato amarelo deslumbrante. Continuo sendo de esquerda e contra preconceitos, como sempre fui, desde que me conheço por gente, mas eu não era tão feminista antes de começar este blog. Certo, me considero feminista desde criancinha, só que antes meu feminismo não era muito estruturado ou pensado. Tive que me autoanalisar e rever vários conceitos, adequar vocabulário (por exemplo, antes do blog eu não sabia que não se deve mais usar homossexualismo, e sim homossexualidade), aprender. E tem sido ótimo. Exaustivo, às vezes, porque post diário não é fácil. Mas ótimo mesmo assim.
De 2008 pra cá, o blog tem crescido muito, sempre. No início eu não fazia a menor ideia e perguntava se mil visitas em dez dias era um bom número. Hoje o blog tem, em média, mais de 5 mil visitas por dia, e umas 8,500 pageviews (até o começo de fevereiro chega a 5 milhões de pageviews no total). Em outubro de 2010 comemorei pelo blog ter chegado a um milhão de visitas; no final de agosto do ano passado, os 2 mi. Esta semana passou de 3 milhões. Tem também 2,450 posts (1,918 escritos de 2008 pra cá), e 80 mil comentários que, se dividos por 1918, dá uma média de 41 por post (fora aqueles que são deletados -- ano passado finalmente aprendi a apagar trolls). Agora o blog tem 3,429 seguidor@s (eram 1,155 no ano passado). E meu Twitter, 7,351 (eram 1,728 em janeiro de 2011).
Isso tudo faz com que eu costume dizer que este é um dos maiores blogs feministas do Brasil. O que não significa que seja o melhor, e muito menos o porta-voz do feminismo (nunca me coloquei como porta-voz de coisa alguma), apenas um dos mais visitados, mais comentados, e mais atualizados (no sentido de ter posts todo dia). Só.
Mas esses números todos me deixam feliz e orgulhosa, porque é um trabalhão fazer o blog, porque eu atraio pessoas altamente qualificadas (e loucos desvairados também, mas em proporção infinitamente menor), e porque eu sinto, a julgar pelos emails, tweets e mensagens que recebo, que influencio algumas pessoas, principalmente as jovens, e que ajudo a fazer pensar. O feedback é enorme e positivo, e é desse convívio que eu me alimento (fora um chocolatinho de vez em quando).
Na realidade, houve três momentos em que o blog realmente cresceu. Ele ficou um tempão (mais de um ano, entre 2009 e 10) oscilando entre as 35 mil e as 40 mil visitas por mês. E o salto pras mais de 60 mil se deu em setembro de 2010, quando finalmente entrei no Twitter (o Twitter realmente ajuda a divulgar um blog. Hoje, 12% das visitas chegam ao meu blog através do Twitter, não necesariamente do meu perfil no Tw. Mas quase 19% vem do Facebook, e olha que ainda não tomei coragem de entrar no FB!). Depois o blog ficou meio ano nas 80 mil visitas, até que foi a 95 mil, em maio do ano passado. E no mês seguinte, em junho, veio um recorde que dificilmente será batido, o de 327 mil visitas num mês. Isso por causa do Marcelo Tas, que ameaçou me processar. E, ok, por minha causa, que em vez de me acovardar e dizer “Sim senhor, vou já remover o post que te ofendeu”, decidi contar toda a história. Em julho, mês que eu e muita gente tirou férias, o número despencou (98 mil visitas), mas, de agosto pra cá tem se mantido numa média de 150 mil visitas por mês (com um pico estranho de 260 mil em outubro). O que eu vejo como um número formidável pra quem escreve sozinha, sobre assuntos que contrariam o senso comum, e sem receber dinheiro pra isso.
Pois é, dinheiro. Grana. Bufunfa. Ao contrário do que juram alguns detratores -- que sou filiada ao PT (não sou, nunca fui; sou eleitora do PT, assim como dezenas de milhões de brasileiros), ou que recebo dinheiro do governo (recebo pra lecionar numa universidade federal, como, aliás, milhares de professores, não pra escrever o blog; inclusive, duvido muito que o governo saiba da minha existência) --, posso dizer que blog não deixa ninguém rico. Em dezembro de 2009 instalei o único anúncio aqui no blog, que é este do Submarino ao lado. Daquela data até dezembro de 2010, recebi do Submarino R$ 1,034, uma média de 80 reais por mês. Funciona assim, pra quem não sabe: a pessoa compra qualquer produto pelo Submarino clicando aqui pelo blog, e uma porcentagem que varia entre 2% e 8% do valor vem pra minha conta, geralmente uns meses depois. Em 2011 vocês foram muito mais generos@s, e eu ganhei R$ 2,368 no ano (média de 197 por mês). Sou muitíssimo grata a vocês, e espero que continuem comprando por aqui, mas ainda não será desta vez que poderei me aposentar e viver do blog. Fora essa gaita (pedi um sinônimo de dinheiro pro maridão, e ele só podia me passar essa gíria jurássica, claro), também ganho alguns mimos adicionais, como os chocolates da Aiaiai, as assinaturas de revista da LisAnaHD, e um ou outro livro da mão das próprias autoras. Mas o principal mesmo é o carinho de vocês.
Carinho este que se manifesta nos muitos convites que tive para dar palestras em 2011. Entre palestras, mesas redondas e debates, foram dezesseis dos quais participei. Os pontos altos foram Mossoró (minha primeira palestra sobre feminismo na vida), UnB, USP e Unicamp. Sou doutora e tal, mas tenho ciência que fui chamada mais pelo alcance do blog que pela minha produção acadêmica. E em todos os lugares fui super bem tratada. Pra 2012 já tenho três atividades marcadas: 11 de fevereiro estarei em SP para o Campus Party, 6 de março na UFRJ para uma aula inaugural, e 12 de março para uma palestra na Faculdade de Direito de Franca (SP). Me chamem que eu vou (desde que as atividades não coincidam com minhas aulas na UFC, e desde que despesas com passagens e estadia sejam pagas). Também fica o convite para quem é de Fortaleza para participar do meu curso de extensão Análise dos Preconceitos na Mídia. É aberto a tod@s. Começa em março, na UFC.
Ah sim, não posso me esquecer jamais de falar dos guest posts. Adoro publicá-los, porque eles quase sempre trazem uma vivência diferente da minha. E vocês mandam textos com uma variedade gigantesca de temas -– autoaceitação, abuso infantil, aborto, a exaustão do automóvel, autismo, lesbianismo, liberdade, sistema de saúde, linguística, ativismo, câncer, racismo, massagem tântrica, educação, entre tantos outros (aí embaixo colocarei os posts mais comentados do ano passado, e vocês verão como vários guest posts estão entre eles). Em 2011 publiquei 82 guest posts, e já tenho mais vinte agendados. Minha admiração e gratidão por eles são imensas. Sei o quanto o blog perderia sem essas tantas vozes.
Por tudo isso é que o blog me dá prazer e vontade de prosseguir. É verdade que, com o aumento da popularidade, aumenta também o número de haters e trolls. É verdade também que não me lembro de antes na minha vida ter recebido ameaças de morte. E em 2011 foram várias. Mas é como me perguntou, assustada, uma colega e amiga: “Vale a pena?”. Eu respondi: “Valeria a pena desistir de escrever por conta de alguns malucos?” Então continuo, cada vez com mais garra.

Eis os posts mais populares do ano passado, em número de comentários:
Liberdade relativa: Marcelo Tas quer me processar - junho, 1065 comentários

CQC anti-amamentação, vai pra PQP - junho, 612 com.
Como não conquistar as mulheres - dezembro, 447 com.
Guest post: Relacionamento aberto, o amor fora do padrão - Dária, dezembro, 390 com.
Mascu jura que mulher só gosta de cafa - dezembro, 390 com.
Meu feminismo é meu pastor e nada me faltará - setembro, 352 com.
Padrões que se repetem sempre - agosto, 332 com.
Guest post: Ateofobia, negação da lógica ateísta e incitação à intolerância - Robson, out, 321 com.
Guest post: O parto que não pertence à mulher - Nanda, outubro, 318 com.
Blog de ódio divulgado e denunciado à exaustão - dezembro, 318 com.
Os pró-vida querem que os pró-escolha morram - setembro, 317 com.Guest post: Especismo deve ser tema de todas as lutas - Deborah e Patricia, julho, 313 com.
Rafinha se demite e já vai muito tarde - novembro, 313 com.
Rafinha suspenso do CQC por ofender gente que importa - outubro, 303 com.

Guest post: Fiz um aborto e não sofri - Walx, fevereiro, 294 com.
Qual a maior abominação? Ser gay ou comer moluscos? - outubro, 291 com.

Feio é o seu racismo - novembro, 287 com.
Masculinistas são frustrados. Palavra de mascus - agosto, 283 com.

Vamos tornar grosserias na rua inaceitáveis - janeiro, 280 com.
Sobre assédio e discriminação na sala de aula - outubro, 265 com.
As poses das superheroínas - dezembro, 261 com.
Ninguém mais acredita em evolucionismo - setembro, 254 com.

O pensamento vivo (modo de dizer) dos masculinistas - fev, 248 com.
Guest post: Quero ser uma gordinha bem resolvida - Marília, novembro, 246 com.
"Meu caso virou minha causa", diz Rhanna - outubro, 240 com.

Grosserias na rua? Ninguém merece - outubro, 228 com.
A eterna parada dos sem noção - junho, 224 com.
"O mundo é assim", diz colunista sobre caso de racismo - dez, 224 com.
Tá tudo dominado - outubro, 218 com.
A ciência explica os casais felizes para sempre - novembro, 215 com.
Como decidir se um filme é ou não feminista? - outubro, 212 com.

Mulher, esse ser irresponsável que só quer abortar - janeiro, 210 com.
Assim me diz a bíblia - abril, 205 com.
Homem, sua vez de lutar contra a violência - dezembro, 203 com.

Guest post: Não quero ser uma ativista limpinha e cheirosa - Deborah, junho, 202 com.
Tenho tanta inveja da Gisele quanto ela tem do meu doutorado - outubro, 195 com.
Politicamente incorreto não é transgressor, Rafinha - maio, 194 com.

Guest post: Engravidei duas vezes - Anônima, abril, 192 com.
Qual a diferença entre sanctos e outros mascus? - dezembro, 192 com.
Fantasia de halloween tamanho único - outubro, 191 com.
Respostas as minhas acusações mais frequentes - junho, 181 com.
Piadas de estupro podem ser engraçadas? - junho, 178 com.
Guest post: Violência sexual e falta de empatia - Anônima, março, 177 com.
Inveja da Gisele? Vergonha de quem se recusa a pensar - set, 176 com.

Guest post: Silêncio danoso em torno do vaginismo - Anônima, agosto, 174 com.
Guest post: Como o machismo limita a vida de um homem - Rubens, março, 173 com.
Não basta ser machista. Tem que ser racista também - setembro, 173 com.

A terrível história da líder de torcida estuprada - junho, 170 com.
Como a propaganda combate a Aids - dezembro, 170 com.
A lei Maria da Penha vs. os homens retrógrados - agosto, 169 com.
Homexplicanismo, merecimento, e pedestais desmoronando - novembro, 168 com.
Padrões que prejudicam atletas para popularizar o esporte - julho, 166 com.
Insultos politicamente corretos para usar contra as mulheres - dezembro, 165 com.
Culpado por atropelamento? Pedestre, claro - outubro, 162 com.
Entrevista com Dani, moça atacada na boate em boate em BH - outubro, 160 com.
Guest post: A PM na USP não protege as mulheres - Frente Feminista, novembro, 156 com.

Seja homem: explore sua masculinidade - outubro, 155 com.
Estado laico, quero um pra viver - agosto, 154 com.
Letícia e os machistas ridículos - setembro, 148 com.
Troll fest de lógica linear dos mascus - março, 150 com.
Guest post: Invadindo um espaço que não me pertence - Deborah, novembro, 150 com.
Estrangeiros notam que Brasil mudou. Avisem os brasileiros - setembro, 147 com.
Guest post: Eu sempre gostei de mulher - Susanna, setembro, 143 com.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

GUEST POST: MACHISMO E APOLOGIA À TRAIÇÃO NUM COMERCIAL DE CERVEJA

Enganar a mulher é a maior diversão

O Robson, do blog Consciência, pediu para que este guest post fosse publicado rapidamente, antes que um comercial de cerveja ridículo (mais um!) saísse do ar. Assim como em outros guest posts (que são, para quem não sabe, posts escritos por outras pessoas, não por mim), não concordo com tudo que está escrito neste (vou deixar vocês adivinharem com o que não concordo, pra não influenciar ninguém). Mas concordo que o comercial seja machista.

Machismo, ridicularização do amor e apologia à traição conjugal são comuns em propagandas de cerveja. E não foi nada diferente no comercial em que a Skol divulga sua promoção, intitulada “Operação Skol Folia” (veja aqui o comercial).
Além de reduzir a frangalhos a beleza e a essência romântica da música de Aerosmith, "I Don’t Want to Miss a Thing", e do próprio filme Armageddon, ali parodiado, o comercial chama a atenção pelo seu caráter bastante machista e pró-traição: enquanto a mulher se abala ao saber que vai passar um tempo, talvez a vida toda, longe de seu amor por causa de uma suposta guerra e fica em casa pensando nele, zelando pela vida do amado e temendo sua morte (porque militarismo e guerra são sempre violência e morte, e sou ativamente contra a existência de forças militares), o “soldado” vai para o carnaval e a trai covardemente, sambando e flertando com mulheres “gostosas” e “aproveitando a vida” na farra em contraste com a vida de privação de sua namorada/noiva/esposa.
Ao fim da “guerra”, o comandante e um soldado vão à casa da mulher, que, ao gesto do comandante, se abala ao acreditar inicialmente que seu amado morreu, mas o soldado faz o gestinho de curtir carnaval. Nisso a expressão da mulher é covardemente omitida.
E o machismo da propaganda é triplo. Primeiro porque rebaixa as mulheres duas vezes, através de dois arquétipos: primeiro coloca a mulher como a dona-de-casa que não tem o direito de curtir a vida (ao contrário do seu cônjuge macho), e em seguida mostra-a como brinquedo sexual, como a “gostosa” sem sentimentos que diverte os homens ao ser bolinada. Segundo porque propagandeia aos homens heterossexuais a crença (ou valor cultural) de que é “bom demais” trair sua companheira, jogar fora anos de amor que ela lhe deu em troca de alguns dias de carnaval e usar outras mulheres como se elas fossem meros brinquedos feitos para bolinar ou fazer sexo.
Comerciais desse tipo, além de legitimar uma cultura de objetificação/submissão da mulher e banalização da traição conjugal, deixa aquel@s, mulheres ou homens, que realmente sabem o que é amar e ser amad@, ferventes de raiva, até por empatia à mulher que foi trocada pelo carnaval pelo marido. Aquelas mulheres que sabem o que é se despedir dos seus amados por causa de uma missão militar e sequer saber se voltarão a ver os rostos deles, incluindo muitas brasileiras cujos companheiros foram enviados ao Haiti ou ao Líbano, certamente estão ferventes de raiva desse comercial. Porque ele faz pouco caso do sentimento delas; trata seu amor como algo desprezível, muito menos importante do que poucos dias de folia.
Imagine-se então, mesmo não sendo algo realmente verossímil, o triplo golpe para a mulher: a) ser separada de seu amor, com ela temendo que seja para sempre; b) no final descobrir que foi enganada, já que seu companheiro não foi para nenhuma missão, mas sim para a folia traí-la; c) tomar conhecimento, estarrecida, que seu amor é um cafajeste que usa mulheres como meros objetos sexuais, incluindo ela própria.
Profana-se ali algo sagrado para milhões de seres humanos: o amor legítimo, o compromisso do coração, o pacto mútuo de fidelidade e proteção. Exalta-se como valor cultural o abandono da companheira pelos seus homens, mesmo que não haja qualquer pacto de relacionamento aberto -– e isso, em inúmeras culturas, incluindo a ocidental, é traição, é violação do pacto conjugal. É não só um acinte ao valor do pacto de fidelidade como parte do amor de relacionamentos não abertos, como é antiético, já que causa sofrimento intenso à mulher, frustração com a vida, descrença no amor, depressão, solidão.
E ainda impõe-se à mulher papéis extremamente desfavoráveis, como já foi dito, através desses dois arquétipos: o primeiro da dona-de-casa que não tem os mesmos direitos de diversão que o seu homem e deve aceitar que foi traída -– dada a omissão do sentimento, reduzido à total irrelevância, da mulher do comercial; o segundo da mulher-objeto “gostosa” que vai ao carnaval seminua para divertir sexualmente homens solteiros ou traidores.
Esta propaganda, ao meu ver, merece intervenção do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), portanto desde já convoco vocês leitor@s a denunciá-lo. Porque não basta todo o mal que o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas faz para a sociedade, ainda temos que ver uma bebida alcoólica sendo promovida com triplo machismo, apologia à traição conjugal e desrespeito aos sentimentos, incluindo milhões de casais verdadeiramente apaixonados e tantas mulheres que temeram perder (ou mesmo perderam) seus amados homens em guerras ou “missões de paz”?
Modelo de mensagem a enviar para o CONAR: "A referida propaganda, para divulgar sua promoção de carnaval, investe no machismo, no incentivo à traição e no desrespeito ao sentimento das mulheres companheiras de militares em missão. O machismo aparece três vezes: [pode ser citado o que eu já disse no post]. Portanto, venho pedir providências em relação ao referido comercial".
Dados a serem colocados no formulário de reclamação: Veículo de comunicação: televisão. Emissora: Globo. Data: 17/01/2012. Hora: em torno das 13h (ou, se você assistiu à propaganda em outra emissora, data e/ou horário, coloque os seus próprios dados).

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

TUDO QUE SEI DOS INDICADOS AO OSCAR 2012 EU VI NOS TRAILERS

E os indicados para melhor ator são...

Ontem saíram os indicados ao Oscar 2012... e parecia tudo grego pra mim! (melhor não fazer essa piada agora que um dos maiores diretores gregos, Theo Angelopoulos, morreu atropelado enquanto filmava a trajetória da crise na Grécia). Ano passado deve ter sido o ano em que fui menos ao cinema em toda a minha vida. Não porque não quis, mas por falta de tempo mesmo. Pretendo reverter esta situação. Faz parte das minhas resoluções de ano novo encontrar tempo pra tudo. Mas ainda tenho um mês pra ver todos os indicados. A cerimônia do Oscar será dia 26 de fevereiro. E daqui a pouquinho anuncio o meu fantástico bolão do Oscar, agora em sua 24a edição! Espero que tod@s vocês participem. Ano passado teve um? Não lembro direito. Ahá, é porque eu só acertei 14 das 20 categorias. Quem ganhou o bolão pago foram três hereges empatados, Gabriel, Júlio César, e Alexandra (16 acertos cada). E no bolão não-pago, que contou com 189 participantes, a Lucrécia não só ganhou sozinha como bateu o recorde de acertos num bolão (18!). Humpf! Bom, assim que o Júlio César bolar um formulário pra gente poder apostar, volto a falar do bolão. Tá em suas mãos, Julinho!
Sobre os indicados, não vi quase nenhum dos filmes até agora, e sequer tinha ouvido falar da maioria. Triste, eu sei. Pra começar, achei sacanagem que a academia poderia ter indicado dez filmes, mas só indicou nove. Por que não agradar inúmeros fãs e incluir a última parte de Harry Potter? Não custava nada, atrairia mais público, faria menos gente reclamar. A ideia de indicar até dez filmes (ao contrário de apenas cinco, como foi feito durante décadas) é justamente a divulgação, tanto das produções em si quanto da cerimônia.
Tô demorando pra escrever este post porque antes queria ver os trailers. Então, agora que os vi, vamos às adivinhações de sempre. Primeiro sobre os nove indicados. O Artista, filme mudo sobre a transição do cinema mudo pro falado no final dos anos 1920, é o favorito. Ganhou pencas de prêmios em festivais, e foi indicado a dez estatuetas. Seu único paréo parece ser A Invenção de Hugo Cabret (que recebeu o maior número de nomeações, onze). Ambos estream no Brasil em fevereiro, e preciso ir reservando dinheiro pra ver Hugo em 3D. O filme é em 3D, sobre 3D, e é visualmente lindo.
Cavalo de Guerra vai ser um filme do Spielberg que devo deixar passar (se tem uma coisa coisa que odeio mais que guerras é animais servindo em guerras. Sem falar que qualquer filme com cavalos, cachorros e gatos me causa ataques de choro. Quase chorei no trailer de Cavalo!).
O Homem que Mudou o Jogo tem interesse apenas por render uma indicação com chances pro Brad Pitt ganhar seu Oscar, mas, de resto... é sobre baseball (que considero muito mais legal que aquele outro esporte alienígena, futebol americano).
Vi o trailer de Os
Descendentes semanas atrás e não gostei. Mas agora o revi sabendo que é um filme do Alexander Payne (que tem seu próprio ritmo) e tô com muita vontade de assistir ao longa, que é sobre o George Clooney, mais lindo que nunca, se entendendo com as filhas. Tão Forte e Tão Perto conta a história de um menino que perde seu pai no ataque às Torres Gêmeas. E é do Stephen Daldry, que deve estar pra entrar no Guinness, porque todos os filmes que faz acabam sendo indicados ao Oscar (este é o quarto; antes, vieram Billy Eliot, As Horas e O Leitor).
Árvore da Vida, sinto muito, não tive desejo de ver. Estou sem paciência pro Terrence Malik desde Além da
Linha Vermelha, que achei chatérrimo (se bem que sou fã de Terra de Ninguém e, menos, de Cinzas do Paraíso).
Histórias Cruzadas, sobre uma moça branca que ajuda empregadas negras a escrever um livro no hiper racista sul dos EUA dos anos 60, parece ser mais sobre uma branca e suas boas intenções que sobre as trabalhadoras negras. E esse modo de abordagem está cada vez mais suspeito e inaceitável (alguém lembra de Um Grito de Liberdade, que falava da vida do ativista sul-africano Steve Biko, mas era na verdade sobre um jornalista branco? Pois é. Se na década de 80 isso já não descia bem, imagine hoje).
Meia Noite em Paris foi o único da lista de indicados a melhor filme que vi. É adorável e tudo, mas não é o tipo que ganha Oscar.
A corrida pra melhor diretor vai ser disputada. Talvez Scorsese (por Hugo) leve alguma vantagem, mas ele não ganhou sua primeira estatueta ontem? (tá, foi em 2007, pelo ótimo Infiltrados). O francês Michel Hazanavicius era um ilustre desconhecido antes de O Artista, mas seu filme é favorito, e feito pra pessoas que amam cinema. Alexander Payne já merece um Oscar faz tempo (são dele Sideways, Confissões de Schmidt, Ruth em Questão, e meu preferido, Eleição). Woody tem sua estatueta pra adornar a lareira, mas já faz décadas que ele ganhou (por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, em 77). E a condição de eremita de Terrence Malik, que completa 40 anos de carreira e apenas seis filmes, pode ser ímã pra um Oscar.
Pra atriz a briga também será acirrada. A instituição Meryl Streep, por A Dama de Ferro, ou Michelle Williams, em sua segunda indicação consecutiva? Margaret Thatcher ou Marilyn Monroe? O último ano em que uma atriz mais velha ganhou foi em 95 (Susan Sarandon, por Os Últimos Passos de um Homem). Hellen Mirren, em 2006, é a exceção à regra. As vencedoras da última década e meia foram todas atrizes jovens, com menos de 40 anos na época: Helen Hunt, Gwyneth Paltrow, Hilary Swank (duas vezes), Julia Roberts, Halle Berry, Nicole Kidman, Charlize Theron, Reese Witherspoon, Marion Cotillard, Kate Winslet, Sandra Bullock, Natalie Portman. Isso põe Michelle Williams na frente (e tem o lado sentimental, d'ela ser a viúva do Heath Ledger). Mas Streep, apesar de ser recordista em indicações (esta é sua 13a para melhor atriz, fora as quatro para coadjuvante), foi vitoriosa só no longínquo ano de 1983, por A Escolha de Sofia. Tá na hora de levar mais uma, né? Glenn Close, outra veterana, pode tirar alguns de seus votos (ela interpreta uma mulher que se passa por homem em Albert Nobbs). Viola Davis, por Histórias Cruzadas, pode até surpreender, mas sua personagem nem parece ser a principal na história. E Rooney Mara, por Os Homens que Não Amavam as Mulheres, deve ficar grata com a indicação. É a zebra da categoria.
E o que dizer da disputa para melhor ator? Brad Pitt (num papel que, a julgar pelo trailer, lembra Jerry Maguire, versão sem mulheres) é um desses caras legais, admirado pelos colegas, e que nunca ganhou. Gary Oldman não é tão querido, mas também nunca ganhou. Há dois quase desconhecidos na jogada, o francês Jean Dujardin (com grandes chances por ter levado o Globo de Ouro por O Artista), e o mexicano Demián Bichir, que em A Better Life faz um imigrante pobre nos EUA. Acho que vou apostar no George Clooney. Ele já ganhou, mas foi na categoria de coadjuvante, por Syriana, em 2005. E, além de ter recém dirigido um filme elogiado (Tudo pelo Poder), é o tipo de cara que a academia adoraria eleger pra qualquer coisa, inclusive pra presidente.
Pra atriz coajuvante há duas atrizes concorrendo pelo mesmo filme (Octavia Spencer e Jessica Chastain por Histórias Cruzadas), mas a vantagem é de Spencer (numa trama que teoricamente é sobre a luta das negras, convém lembrar que há negros em Hollywood, né, Oscar? E também pelo papel, que é mais aguerrido). Outra que chama a atenção é Melissa McCarthy, a gorda da comédia Missão Madrinha de Casamento. Não sei como esse filme foi ainda nomeado a roteiro original. Parece ser um Se Beber Não Case pra mulheres que gostam de clichês. E ainda é ofensivo ao Brasil! As moças em questão pegam uma infecção alimentar após comer numa churrascaria brasileira. Meio como o México foi difamado no primeiro Sex and the City, quando Charlotte engole uma gota d'água durante o banho num resort cinco estrelas mexicano e passa muito mal. Vai pastar, Hollywood.
Pra ator coadjuvante tampouco há grandes favoritos. Talvez Christopher Plummer por Toda Forma de Amar. É um astro velhinho que nunca ganhou Oscar e, ademais, seu personagem (que assume ser gay após décadas de casamento com uma mulher) merece destaque. Mas Max Von Sydow, outro astro velhinho (ambos têm a mesma idade, 82 anos) que nunca ganhou, vai lhe tirar votos. Nick Nolte tem 70 anos, nunca ganhou, e pode atrair o voto de simpatia por conseguir recuperar sua carreira depois de ser preso por dirigir embriagado (certo, isso já faz dez anos, mas Nolte ainda é lembrado pelo incidente). Só que O Guerreiro parece ser um filme menor. O irlandês Kenneth Branagh é um velho conhecido do Oscar. É um dos dois únicos atores não americanos a ter sido indicado para diretor e roteirista, além de ator (o outro é Roberto Benigni, glupt). De repente ele leva (eu gostava mais dele quando ele era casado com a Emma Thompson). Quem destoa mesmo é Jonah Hill, por ser novinho e gordinho. O menino de Superbad interpreta um nerd naquele filme de baseball.
Outras categorias dignas de nota neste post já mega longo? O Brasil ficou de fora de novo pra melhor estrangeiro, mas, convenhamos, alguém realmente acreditava que Tropa de Elite 2 seria indicado? Adoro o filme, mas ele não tem o perfil. O favorito desde já é o iraniano Separação. Recomendado especialmente pros loucos que acham que o divórcio está acabando com a humanidade.
A categoria de animação foi surpresa, porque o vencedor do Globo de Ouro, Tintim (que estou tão pra lá de Bagdá que andei chamando de Rin Tin Tin), sequer foi indicado. E nem Carros 2, que é da sempre premiada Pixar. Nunca ouvi falar de nenhum dos nomeados, tirando Kung Fu Panda 2 e Gato de Botas (sério? O trailer é péssimo). Rango é estrelado por um camaleão com a voz do Johnny Depp. Um Gato em Paris e Chico & Rita têm os desenhos mais bonitos. O último parece ser o único para adultos. Torço por ele, que, apesar de ser espanhol, tem a mãozinha do estúdio brasileiro Lightstar.
A presença brasileira no Oscar vai ficar restrita a uma das duas canções indicadas (só duas?). “Real in Rio”, da animação Rio (gostei do trailer fofinho), é de Sergio Mendes e Carlinhos Brown. Brown deve cantar lá na cerimônia. Qualquer genro do Chico Buarque tem a minha total admiração.
E comece a responder a enquete ao lado sobre sua preferência pro Oscar.