segunda-feira, 21 de novembro de 2011

FEIO É O SEU RACISMO

Ontem, 20 de novembro, foi o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Se temas como racismo e orgulho negro não são discutidos com a frequência com que deveriam neste país em que não somos racistas (imagina se fossemos!), pelo menos perto da data eles precisam ser trazidos à tona. É obrigatório.
Pra mim um tópico sempre interessante é o racismo velado que existe por trás das convenções de beleza. Poucas pessoas assumem que foram e continuam sendo condicionadas a achar que o belo é ter olho claro, cabelo liso e de preferência loiro, traços “finos”, e pele branca com um pouco de bronzeado. A galera que acha sexy os lábios carnudos da Angelina Jolie parece achar horríveis os lábios carnudos de tantos negros. Mas essa gente nunca assume seu racismo. Diz apenas que é uma total coincidência não gostar de negros. É só seu gosto pessoal, puxa vida! Que, obviamente, não sofre influência alguma do meio onde vive!
Outro dia vi a prévia de um documentário americano chamado Dark Girls (Meninas Escuras). Nele, uma mulher negra diz se lembrar de pedir pra sua mãe colocar alvejante na água da banheira, para que ela pudesse embranquecer. Outra negra conta que os negros americanos preferem negras mais claras, e fazem divisão entre mulher pra transar, e mulher pra casar (só as menos escuras). Claro, porque os negros também fazem parte de uma cultura que prega que a beleza é clara. E isso se aprende desde criancinha. O comediante Chris Rock decidiu fazer o documentário Good Hair (Cabelo Bom) depois que sua filha de seis anos chegou da escola perguntando por que ela não tinha cabelo loiro e liso, como deveria ter se quisesse ser bonita (e que menina não quer ser bonita? Faz parte da nossa lavagem cerebral de todos os dias).
Ano passado vi um documentário de 17 minutos, The Colour of Beauty (A Cor da Beleza; veja aqui), que acompanha uma modelo negra nas suas tentativas (a maior parte frustradas) de conseguir trabalho. Os dados são que 87% das modelos no New York Fashion Week são brancas, a maior parte loiras. 6% são asiáticas, e 6% são negras. Mas as negras são o mais brancas possível. Um agente as descreve como “brancas banhadas em chocolate”. Elas devem ter as mesmas características das brancas e serem clarinhas. Nada de nariz ou lábios grandes ou cabelo afro. E quanto ao corpo, se tiver bumbum ou quadril um pouquinho maior, tá fora. Não há diversidade nas passarelas da moda, sabemos disso.
Aqui no Brasil, país em que até em Salvador (onde 80% da população é negra ou parda) comercial de margarina é protagonizado por loirinhos escandinavos, o Ministério Público instituiu, em 2006, uma cota obrigatória de 10% de modelos negras. Os estilistas chiaram. Além do manjado “não somos racistas”, alguns chegaram a dizer que a cor negra não combinava com uma indústria de roupas luxuosas. A cota de 10% acabou ficando mais como “sugestão”. E sugestão pode muito bem ser ignorada. Na São Paulo Fashion Week deste ano, por exemplo, quase todas as marcas só tinham modelos brancas. As marcas mais inclusivas traziam duas negras num batalhão de 26 modelos.
Enquanto isso, um grupo de ativistas negras protestava do lado de fora, exigindo que a cota fosse aumentada para 20%, para que o Brasil parasse de fingir ser o fiel proprietário de uma beleza suíça. Cantavam elas: “Eu vi a luta, estava lá, SP Fashion Week não deixa negro entrar!”. Que frescura, né? Afinal, se mal vemos negros nas passarelas, no concurso Miss Brasil (nenhuma candidata negra; até a Miss Bahia era loira, mas tingiu o cabelo de castanho porque sentiu vergonha), nos comerciais, em qualquer lista de mais belos, é porque... hum, por que mesmo? Ah sim, deve ser o gosto pessoal de toda uma nação!
Já faz um tempinho, uma leitora minha, a D, lembrou que, quando era criança, participou de um concurso de beleza na escola. Numa festa, os meninos montaram uma passarela de cadeiras para que as “meninas bonitas” desfilassem, sendo saudadas com gritos de aprovação pela plateia masculina. Conta D: “Eu, achando que os padrões não eram tão rígidos assim (afinal, vários adultos já tinham me dito que eu era uma criança 'bonita'), e ávida por ter aquela aprovação e me confirmar como parte do grupo das 'bonitas', me arrisquei a desfilar, com meus cabelos longos cacheados e minha 'cor de jambo'. Subi na tal passarela e logo a abandonei aos gritos de 'sai daêee', 'nega da favela', 'cabelo pixaim', etc. Naquele momento eu entendi o significado de MUITO feia. Era a questão da cor que definia tudo. E a questão da cor estava intrincada com a questão de classe. Ser feia era ser negra, ser negra era ser pobre”.
Bom, se este depoimento e os três documentários não te convencerem que o padrão de beleza é racista, sempre temos aqueles vídeos de cortar o coração em que os pesquisadores pedem pra crianças negras de três, quatro anos apontarem qual é a boneca feia (é a negra), qual a boneca burra (é a negra), qual a boneca má (é a negra). No final, a criança tem que dizer com qual boneca mais se parece, e ela sabe que é com a negra. Como deve ser crescer com uma autoestima dessas? Crer que a pele que habitamos é inadequada tem força pra afetar todas as nossas atividades. Odiar a própria aparência rapidamente se espalha para odiar o próprio ser, em tudo que ele representa (não só na sua aparência).
O Dia da Consciência Negra é uma data pertinente pra nos lembrarmos daquele slogan dos anos 60 que, a meu ver, não deveria ter saído de moda: black is beautiful. E serve para pensar no Zumbi, um herói nacional que lutou pela liberdade. Já passou da hora da gente se livrar das nossas amarras. Ao adotarmos um padrão único de beleza, todos saímos perdendo.
Mas, se todas essas evidências não adiantarem, fica a dica: não use mais o discurso de “gosto pessoal” pra justificar seu racismo. Fica feio.

293 comentários:

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Marilia disse...

Lola, a desconstrucão dessa ideia de que é tudo gosto pessoal é difícil, sabe. Tento isso com meus alunos, mas é complicado para eles entenderem que o ideal de beleza é construído de fora para dentro, não o contrário.

Como todo processo educativo, leva tempo, mas rende frutos, mesmo que seja a discussão!

Precisamos de mais e mais discussões a respeito disso.

Um p.s.: moro em uma cidade notadamente reconhecida pelas suas mulheres lindas! Adivinha só? Todas de cabelo liso ou alisados. A maioria de pele branca e muitas de olhos claros. E maquiadas, muito maquiadas.

cabanadeinverno disse...

Essa lógica toma proporções maiores quando há "vitórias" negras.

Digo, por exemplo, da Leila Lopes. O fato dela ser Miss não indica uma mudança na desigualdade política e econômica por etnias, só indica que negros estão entrando na lógica racista de cabeça.

http://cabanadeinverno.wordpress.com/2011/10/19/feministas-leila-lopes-e-ser-levado-a-serio-na-democracia/

Pcesar disse...

Lola, não tenho qualquer pretensão de formar opinião. Tenho meus negócios , conheço minha personalidade, meus gostos pessoais, minha vida. Não sou um garotão. Ocorre que tenho gosto e necessidade: na questão do gosto não curto amizades com negros. Não me sinto à vontade. E não há razão, exceto pelo que ocorreu quando lutei no Vietnan e percebi que o fogo amigo , deles, era muito forte. No campo profissional você precisa encontrar uma negra ou um negro muito educadoos e bonitos e cultos para colocar em sau empresa. E não tenho culpa se esse produto é raro. Não trabalho na África. Assim, mesmo, não ajo, com eles ou elas, de forma diferente do que fqaria com uma outra pessoa qualquer, seja branca, negra alpina, japonesa, tailandesa, chinesas, sergipana , baiana, etc., porque o ser humano deve ser respeitado verdadeiramente. E tanto que os próprios seres humanos devem executar suas escolhas. Onde tenho um apartamento , em New York, atualmente tem em frente um a praça e uma Disco frequentada apenas por negros. branco não entra. Eles te olham feio e no comércio circundante voc~e é atendido por último , e de cara feia, embora pague com o mesmo dólar que os demais. Então, de fato, cada um tem sua opinião sobre o assunto, mas não creio que seja verdade que a coisa do racismo parte apenas dos brancos. No mundo inteiro existem diferentes formas de racismo...

aiaiai disse...

texto lindo, ñ tem nem o que comentar.

Queria aproveitar para recomendar a tod@s a leitura do livro Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves. Eu li por recomendação do Alex Castro e nem sei como agradecer a ele por isso. Aproveitem! Tá em promoção no submarino:

http://migre.me/6cOm0

A Ana Maria Gonçalves é também autora de um dos melhores artigos sobre racismo que eu já li:

http://migre.me/6cOjj

Lord Anderson disse...

É, a Marilia disse tudo, esse tipo de reeducação leva tempo e tem que enfrentar os obstaculos dos que ficam ofendidos quando falamos em racismo.


Infelizmente tem aparecido muita gente que se orgulha de seus preconceitos.


Hoje mesmo no trabalho ja tive que ouvir minha diretora (totalmente branca), falar que essa data é inutil e que são os negros que descriminam...

Assim fica dificil ter esperança na humanidade.

Dri Caldeira disse...

Eu nunca reparei na cor das pessoas. Somente em como elas tratam as pessoas e o mundo ao redor dela. Já namorei negros. Me casei com um branco, loiro, e separei. Namoro um negro atualmente. Mas nunca me influenciei pela cor da pele de ninguém. Fico pasmada com declarações como a de Pcesar que reclama do tratamento que os negros dão à ele no bairro onde ele vive, mas se vê no direito de dizer q os negros não são bons profissionais. Que para eles conseguirem alguma coisa no campo profissional eles tem de ser extremamente lindos inteligentes, mas, PASMEM, é raro encontrar um negro assim. Lamentável, só tenho a lamentar por uma pessoa assim. Enquanto existirem pessoas segregacionistas como esse Pcesar os negros continuarão a ser tratados como animais. Só os bonitos terão vez. O resto, que se recolham às suas insignificâncias. É como dizer q um negro só serve pra ser esportista ou fazer trabalho braçal!!! Nossa, q decepção. Os brancos que não concordam com esse tipo de atitude tem de se insurgir contra essas atitudes preconceituosas. Se eu fosse sua funcionária Pcesar, com prazer mandaria vc ENGOLIR a minha vaga de emprego!!

Sara disse...

ok, na maior parte dos casos pode mesmo ser racismo, mas não pode em alguns casos ter realmente a ver com gosto pessoal?
Tenho um amigo que se sente muito mais atraído por garotas branquissimas, baixinhas e magrinhas, ele não acha as negras feias, sentre atração por elas tambem, só que gosta muito mais desse perfil que descrevi. Me custa muito ver racismo nesse amigo, ele não é um idiota, muito pelo contrário, é militante de movimentos sociais, e defende veementemente a igualdade de todos independente de gênero, cor, prefência sexual ou classe social, talvez seja um racismo inconsciente,não sei, o que vocês acham?
(Só para constar, me sinto muito mais atraída por negros do que por brancos,isso é preferência pessoal e evidentemente não é racismo...)

Relicário disse...

Eu simplesmente odeio racismo, e Lola assim como vc se identificou feminista aos 08 anos, eu me lembro de ser anti racista desde que me conheço por gente. E no meu caso minha criação pouco ajudou, meus pais por uma certa ignorância faziam piadas racistas, e eu cresci ouvindo isso, e nunca, jamais consegui achar graça no racismo, eu insisti em levantar a bandeira da igualdade e hoje me sinto feliz por perceber como todos em minha volta modificaram suas opniões sobre isso. Nada me tira mais do sério do que classificar alguém como bom ou ruim, feio ou bonito em virtude da cor da pele...

Por isso reeducar é necessário, como Marília disse, e reeducar todos, brancos, negros, adultos e crianças, para a aceitação das diferenças e a valorização do ser humano, para a construção de um mundo onde o feio e o bonito sejam realmente apenas "gostos pessoais".

Talita disse...

Oi Lola,

Comecei a ler seu blog há pouco tempo mas já li vários posts e tenho gostado muito e concordado com grande parte deles. Gostaria de dizer que admiro muito esse seu trabalho, que pelo que li tem ajudado muitas pessoas a lidarem com questões de aparência e autoestima, ele tem feito com que eu reflita bastante também, muito obrigada!

Gostaria de dizer algumas coisas sobre esse post:
Sou negra, filha de pai negro e mãe branca, tenho a pele parda(sabe, muito clara se comparada a familia do meu pai e muito escura se comparada a da minha mãe)e traços negros: nariz chato, cabelo crespo...
Vivia numa luta com o meu cabelo, não achava ele um crespo tão bonito, por causa disso faço relaxamento a cada dois meses pra dar uma ajudada e deixa-lo exatamente como gosto, ainda crespo e armado, mas de um jeito que eu possa controlar. Daí vem meu primeiro comentário: entro nas lojas e logo que peço produtos pro meu cabelo já ouço uma chuva de "esse é ótimo pra hora da chapinha, fica lisinho", "esse aqui vai baixar bastante o volume", atéee a pessoa entender que não quero fazer chapinha e nem deixa-lo mega baixo vai um tempo viu, parece anormalidade querer manter o cabelo mais natural.
Nariz, o meu nariz foi/é um problema também...quando mais nova pensava que assim que tivesse idade e dinheiro suficientes faria uma plástica, ainda bem que não tinha condições de fazer plásticas naquela época por que hoje acho uma ideia bem tonta, não tem nada de errado com o meu nariz, ele continua fora dos padrões de beleza que a maioria das pessoas aprecia, mas não me deixa feia de jeito nenhum. E daí vem meu segundo comentário: leio um blog bem de menininha, dicas de moda e etc e lá tem uma sessão "o que eles pensam" com posts semanais de meninos falando o que acham das coisas e num desses posts era pra falarem das paranoias femininas, entre elas os tipos de nariz e entre eles o nariz chato, e eles tentando ser bem políticos falando que não ligavam pra isso e nem pra aquilo, mas quando chegou no nariz chato eles abertamente falaram que era algo que eles não gostavam...um monte de coisas eram "normais" menos o coitado do nariz! Aí a gente vê que tudo isso que você escreve tem razão, as pessoas estão muito acostumadas com um tipo/padrão de beleza e nem percebem que estão.

Gostaria de dizer outra coisa, em resposta a um comentário que já li aqui e que com certeza terá companhia: Sim, não são só os brancos que tem preconceito, os negros também tem. Todos os seres humanos independentemente da sua cor são propensos a terem defeitos, mas esse tipo de argumento é muito pequeno pra usar numa discussão dessas. Parece que as pessoas querem apagar os conflitos o tempo todo pra continuarem se enganando e não terem que enfrentar seus preconceitos(sim, TODOS negros e brancos e homens e mulheres) temos nossos preconceitos e precisamos sempre lembrar que eles existem pra poder combate-los.

Dri Caldeira disse...

Eu valorizo os comentários de quem passa pelo problema, não por quem assiste a ele. Eu mesma, namorando um negro não passo pelos problemas q ele passa. É fácil ser branco e falar q compreende, q se solidariza com a questão do racismo. Dificil é carregar a bandeira e lutar pra acabar com ele. Importante o depoimento da Talita.

Bruno S disse...

Antes que comecem os relatos de A, B ou C não são racistas, mas acabam tendo mais tesão em meninas branquinhas e tal, devemos lembrar que o debate sobre racismo não deve se focar em convencê-los a mudar seus gostos.

O foco, me parece, que deve ser procurar o porquê do padrão dominante de culto a beleza branca e no esforço que deveremos fazer para não reproduzi-lo.

O problema não é você gostar de moças brancas. O problema é você e todos os seus amigos preferirem as branquinhas.

Rebecca disse...

Oi Lola!

Concordo com a aiaiai, esse post tá lindo mesmo!

Lembrei de uma caso de um amigo me contou, em que ele pegou um ônibus aqui no Rio de Janeiro em que alguns meninos negros do subúrbio estavam falando alto, com gírias e, segundo o trocador, estariam intimidando os demais passageiros. Na verdade, o que intimidava os passageiros e o trocador era a cor da pele dessas crianças.

O trocador mandou então que os meninos ou sentassem no fundo do ônibus, ou fossem embora. Os meninos escolheram a primeira opção.

O meu amigo disse que então foi também para o fundo do ônibus e conversou com os meninos, disse que aquilo era crime e que há muito pouco tempo os EUA faziam a mesma coisa com os seus negros, os segregavam nos ônibus, escolas, boates e etc.

Tem um outro caso muito curioso também. Uma amiga minha trabalha em uma empresa petrolífera na área de comunicação interna. Ela é estagiária, e a equipe tinha que dar sugestões para a música tema da festa de fim de ano. Ela, do alto da sua ingenuidade, sugeriu "Aquarela do Brasil", do Ary Barrso. Eis que a música foi VETADA, pois um dos seus versos é "Meu mulato inzoneiro. Vou cantar-te nos meus versos". Isso porque, segundo a diretoria, a empresa tem sua sede no sul do país, e os funcionários de lá não iam se identificar.

Porque né, negro no sul? Não pode, não tem, e não entra. Essa mesma empresa emprega milhares de pessoas em todas as regiões do país.

Quer dizer, num país como o Brasil, onde a maioria da população é negra/parda, nós continuamos a negar o nosso povo. Até quando?

Paola disse...

Acredito q o problema não é o gosto pessoal das pessoas.

O problema é mascarar o preconceito se escondendo através de uma desculpa esfarrapada, dizendo q não é preconceituoso não, é só o seu gosto....

miss m disse...

Sinto isso na pele desde a infância. Sou negra, tenho pais negros,avós idem, apesar das pessoas frequentemente acharem o contrário. Minha mãe é descendente de negros de cabo verde e, olha que "engraçado": os negros de cabo verde eram vendidos como "negros decorativos". Normalmente eram melhores tratados e vestiam roupas melhores e faziam serviços "mais leves" de casa, por que eles eram literalmente, objeto de decoração dentro da casa, e era símbolo de riqueza e prestígio tê-los.E porque isso?Simplesmente porque eles tinham os traços diferentes dos negros das outras áreas da a´frica, traços esses mais parecidos com os brancos.E por isso, eles eram considerados bonitos.
Traços esses que eu herdei, diga-se de passagem.Sou negra, tenho olhos puxados, lábios mais finos, nariz fino e arrebitado. E escuto elogios e louvores a essa característica desde a mais Tenra infância. Um número incontável de pessoal já vieram me dizer que eu sou bonita por que eu sou negra e "tenho traços de branco". "não tenho nariz de batata" ou "beição".Que provavelmente eu tenho brancos ou índios na família, é claro. E criança, eu achava aquilo muito esquisito.Minha mãe é politizada e me criou a par das questões do negro e racismo, então eu pensava que era estranho as pessoas me acharem bonita por "não parecer negra".Qual era o mal de se parecer negra afinal?
Ah, mas isso que eu era bonita por ser "negra" com "traços de branco" ainda eram para seres mais evoluidos.Porque alguns, nem sequer negra eu era.Eu era morena. Afinal, minha cor era tão escura assim,não tinha "traços de negro" só meu "cabelo que era ruim", mas de resto né?
E isso se repete, dia após dia.A cada lugar novo que chego, é batata me perguntarem sobre isso, ou alguém louvar os meus traços por conta disso. Um eufemismo legal é dizer que eu tenho beleza exótica também.Minha mãe é advogada, e uma vez, recebeu duas clientes aqui em casa.Na saída, uma delas falou alto e em tom de elogio:vocês duas são bonitas, mas ela(apontando para mim) é mais bonita ainda do que você.Minha mãe respondeu claro, ela é mais jovem.A cliente mais que depressa não, é o nariz.(o meu é menor e mais afilado que o da minha mãe....)

Liana disse...

Lola, gostei bastante do texto. Importante divulgar este tipo de mensagem. O que eu ouço de gente dizendo que eu ficaria tããão mais bonita se alisasse meu cabelo que é cacheadão ou me dando dicas de maquiagem para "afinar" o nariz. Minha mãe, na maior boa vontade, me deu de presente de aniversário uma coisa bem inútil para mim, um kit com secador, prancha e sei lá mais o que. Coisa delouco ver que o povo se preocupa tanto com essas coisas, quando eu mesma não tô nem aí. Hoje em dia eu ignoro solenemente.

Tem gente que quer e vai passar a vida toda sendo preconceituoso, é preciso aceitar isso. Melhor é focar em quem tem boa vontade e quer contribuir. São essas pessoas as agentes da mudança, o resto se contenta em ser pedra no meio do caminho.

Com crianças e adolescentes, é mais complexo. Contrapor as más influências não é fácil. Às vezes, gastamos mais tempo tentando anular isso do que criando um ambiente no qual elas possam desenvolver seus potenciais. Isso cansa e é contraproducente. A sociedade precisa se mobilizar mais em torno disso, só temos a ganhar.

Leandro Santiago disse...

Ok, mas falar que "Negro é a cor da beleza" pode. Dizer isso é dizer que quem é negro possui a cor da beleza. Logo, quem não tem a cor da beleza (negra) não é belo.

Quanto à questão da cota das modelos, achei uma basta duma besteira. Não gosta que os desfiles tenham só gente branca ou que todas modelos sejam brancas? Não vá nestes desfiles. Ignore-os; ignore as marcas de roupas ali expostas. Exigir que o governo, o eterno "pai de todos" obrigue as empresas de moda a colocar "gente negra" lá só pra satisfazer uma cota imposta é fogo.

"E agora, na passarela, ela, que não sabemos o nome, mas que colocamos para desfilar só para cumprir uma meta do governo, vestindo uma roupa... que não importa no momento, já que só importam as das modelos brancas e de cabelos loiros e lisos".

Eu particularmente adoro cabelos enrolados de muitas mulheres negras. Acho que combina com seu corpo. Não que seja de minha "alçada", mas acho feio querer alisar só para ficar parecido com a Gisele. Não que vc deva se conformar com o que um mero acidente da natureza (vc ser filho dos seus pais) te causou. Se for necessário mudar alguma coisa do seu corpo para vc ser feliz, vá em frente. Se não for para isso, provavelmente é patológico.

No mais, concordo com a autora.

Trícia disse...

AMEI o post, Lola, e posso falar de boca cheia: o racismo NUNCA me pegou! Acredite quem quiser. O meu bisavô materno era alemão (Tilman), e a mulher dele, brasileira, era racista até a medula, ô bicho ruim, viu?
Tive uns 4 ou 5 namorados negros e achava uma delícia nenhum deles adotarem o termo "escurinho", chocolate, moreno, eles se referiam a si mesmos como NEGROS, e todos (ai, meu Deus!) eram liiiiiindos! Eu adoro negros desde criança, acho o sorriso de um negr@ a coisa mais linda desse mundo; fui considerada rebelde por causa desses namorados, pode? Todos trabalhavam, estudavam, eram super bom caráter, mas a minha família queria morrer (a bisa mulher do alemão, nem se fala!) quando eu aparecia com algum numa festa de família hahahahaha O mais engraçado é que o bis (alemão) adorava esses namorados. Tinha um percussionista por quem ele tinha um apreço especial (o bis adorava um tamborzinho, e eu também!) e, mesmo depois de terminarmos o namoro, os dois trocavam idéias, se visitavam... enfim... Meu ícone de beleza masculina são Will Smith e Luís Melodia, se aquele negão canta no meu ouvido sou capaz de passar TODAS as minhas senhas prá ele, suspiro...
Bem, quero inmdicar um livro excelente:
Feia - Constance Briscoe
Dêem um googlada nele, tem vídeos da Constance no yoputube também. O pior ali, nessa que é uma estória real, é que a agressão, o assédio moral partia da própria mãe da Constance, amabas negras.
Leiam, vcs vão gostar!
Lola, um show este post, viu?

Victoria disse...

aaaah fiquei feliz com esse post! Fiquei esperando voce postar ontem! hauhuaauh

Sou negra e sei muito bem como é ver os outros esconderem o racismo por trás do que eles chamam de "preferencia pessoal", é difícil achar homem que leve mulheres negras a sério, do tipo pra namorar e levar pra conhecer os pais. Triste não. Acho que as mulheres negras infelizmente ainda tem o esteriótipo de mulher fácil pra uma noite só. Isso atrapalha muito o meu dia-d-dia. Tem gente que não acredita. Acha que eu estou inventando. É tão triste não ver modelos negras em capas e na mídia de maneira geral. As pessoas ficam esperando que vc saiba dançar, sambar, e coisas assim. Meu Deus!!! Como podem ser tão preconceituosas e não perceberem! Estou no quarta ano de Economia de uma univerisade pública, e tenho que ouvir esse tipo de coisa de gente que eu nem conheço, é só pra isso que eu presto? O pios são as cantandas, sempre relacionadas a Carnaval, Globeleza, chocolate, as coisas mais estúpidas do mundo! Honestamente, me ofende!

Fiz um mini-texto no meu blog dizendo essas coisas, a quem interessar: http://victoria-diz.blogspot.com/2011/11/20-de-novembro-consciencia-negra.html

Obrigada, pelo post!
Beijos!

Jéssica disse...

Uma pergunta para as negras (e negros) que comentaram:

Comparar a pele negra com chocolate é ofensivo?

Eu adoro chocolate, acho que todos gostam, por isso não achei que poderia ser uma ofensa. É uma curiosidade sincera.

Paula disse...

Como soteropolitana, te digo que essa coisa de "negro é pobre, branco é rico" é bem mais forte em Salvador. É uma reprodução praticamente perfeita dos tempos das sinhazinhas e das senzalas, só salva um ou outro negro que conseguiu ascender (minoria total). E o Brasil inteiro vê Salvador assim, teve uma vez que eu, fora da Bahia, dizendo que era de Salvador (sou pálida), uma pessoa estranhou e perguntou se eu era descendente de senhor de escravos!! OI?

May disse...

Lola, tudo bem, concordo, a noção de beleza é racista.
Mas eu tenho um problema com isso. Quer dizer que se eu não acho uma negra mais bonita que uma branca eu sou racista imediatamente?
Existe gosto pessoal, apesar de muitas vezes ele ser uma desculpa.
No meu caso, prefiro homens de pele clara e cabelos e olhos escuros. Sou loira, de olhos azuis e pele claríssima e me adoro. Não vejo nada de errado em gostar da minha aparência e não vejo nada de errado com minha preferência não ser por homens negros.
Mas você pode dizer que é racismo.
Será?
Será que é sempre assim?
Às vezes me pego pensando nesse lado, se você gosta das coisas que a "sociedade má" prega, você está errado, mesmo que não seja por racismo, afinal, o que seria das loiras se, de repente, todos gostassem das negras? Seria a mesma coisa, mas ao contrário. Penso ser impossível não existirem pessoas que gostem de loiras apenas por gosto pessoal. Mas não, não o país inteiro, concordo. :)

Liana disse...

Jéssica, eu não acho que a comparação em si seja ofensiva. Sei lá, eu penso em chocolate (com no mín 70% de cacau) quando vejo o Taye Diggs :) Mas eu evito fazer certos tipos de comparações na cara das pessoas, até porque é chato ouvir sempre as mesmas coisas (tipo, "você vem sempre aqui?"). Eu sei que a pessoa pensa que tá me dizendo algo de original, mas provavelmente aquela é a 12107359ª vez que eu escuto isso. Essa de me chamarem de globeleza e ficar batucando esperando que eu comece a sambar é coisa comum. Eu olho para a pessoa como se ela fosse um ET.

Eu acho que se temos intimidade com uma pessoa, aí vamos ter uma noção maior de que tipo de brincadeira podemos fazer com ela, mas se é uma pessoa qualquer, o bom senso diz que é melhor evitarmos tomar certas liberdades. O interessante é que quem me conhece não faz, só ouço essas coisas de estranhos.

Bruno S disse...

May,

leia o meu comentário anterior.

Sugiro também esse texto do Alex Castro

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/16/o_racismo_nao_e_um_problema_individual/

Eliz Batista disse...

Querida Lolla, adorei o post, conheci o blog através da minha filha (Carol), e vou deixar meu depoimento sobre o assunto.
Sou negra, tenho 38 anos e mãe solteira.
Fui mãe aos 17 anos(imagine, negra, mãe solteira e adolescente). Sempre sofri preconceito pela minha cor, cor da minha familia etc... Na hora de procurar emprego, sempre me direcionavam para as vagas considerada para os menos favorecidos(domésticos) nada contra, mas eu queria mais. Perdi n vagas de emprego por disputar com pessoas de cor branca, não era considerada "bonita" (eu me acho linda). O preconceito esta aí na cara de todos, na tv personagens negros tem pouco espaço, na moda e etc... Só não ve quem não quer. Venci, minha filhota esta quase formada(psicologia) eu continuo solteira(mesmo me achando) e continuo na batalha para mostrar que sou capaz, sou inteligente, sou a melhor vendedora da loja em que trabalho atualmente, mas tenho que trabalhar sempre em dobro para mostrar que sou tudo isso que faço questão de frizar sempre, que todos somos iguais e devemos ter tratamento de iguais, independente de cor,religião e etc...

Blanca disse...

Esse seu texto deveria ser lido em escolas. Desde a Classe de Alfabetização.

E Miss, ótimo comentário. Isso de beleza exótica é algo que muito reparo. Negras consideradas bonitas por aí têm traços mais finos e cabelo não crespo.

Blanca disse...

Lola e comentaristas: Vocês já viram aquela imagem de um bebê negro de olhos azuis? A frase que vem acompanhada dele é sempre "o bebê mais bonito do mundo".

Cuma? Porque olhos claros é uma característica que "só" pessoas brancas podem ter. Daí o guri, negro, nasceu com olhos azuis - característica branca - e é o mais bonito do mundo.

Se seus olhos fossem castanhos, pessoal não tava nem aí. Ia ser mais um "neguinho da favela", "pobre", "feio". Etc.

Foto do menino aqui: http://www.sosnoticias.com.br/wp-content/uploads/2011/04/negro_olhos-azuis-2.jpg

Natasha disse...

Oi, May!
Então, fiquei pensando no teu comentário e acho que o problema é que na sociedade que a gente cresce é muito complicado separar o que é realmente gosto pessoal do que foi plantado em ti, sabe?

Acho que se não fosse tão martelado esse padrão único de beleza e esse preconceito todo, aí sim a gente podia acreditar realmente em opinião pessoal...

EdFurtado disse...

Aham, tem muito racismo velado, mas é bem fácil desse véu ser levantado. Eu me interessei por uma guria uma vez, muito querida e tal, mulata. Minha mãe ficou muito preocupada, meus amigos também. Nunca tinha me percebido que todos a minha volta eram racistas. Foi um choque. Não sei como isso vai mudar, todos falam em educação, mas acho que é mais profundo que o intelecto, enquanto tu não olhar pro negro e ver,sentir que é um ser humano como você mesmo, não vai acabar o racismo.

Dri Caldeira disse...

Meu primo Orfeu se casou com uma negra linda e que também é um ser humano maravilhoso. A família inteira se apaixonou pela Cida. Eles tiveram 4 filhos. A primeira faleceu ao nascer. Orfeu Filho, é negro. A mais nova Bruna, tem a pele mais clara do que a do irmão mais velho, mas é negra. Entre eles nasceu Diogo. Branquinho, gordinho, de cabelos negros e lisos. Pois bem, quando viajavámos de ônibus, ela carregava Orfeuzinho no colo e eu levava Diogo. Nenhum motorista me pedia os documentos do menino, mas TODOS, INCLUSIVE OS NEGROS pediam os documentos dela e do filho. Isso é que me incomoda, a disseminação dessa nojeira. É natural achar normal não gostar de sair com negros, nem de não ter amigos negros no seu círculo de amizades. NÃO, NÃO É NORMAL, NEM NATURAL, NEM ACEITÁVEL QUE AS PESSOAS SEJAM ASSIM!!

aiaiai disse...

voltei só pra re recomendar o texto do alex, postado pelo Bruno. É escandaloso de tão claro!

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/16/o_racism

aiaiai disse...

Opa, link certo para texto do alex:


http://migre.me/6cV7W

Ginger disse...

Eu não sei Lola o que pensar a respeito da questão do gosto pessoal, pq se for olhar por esse lado que todo mundo que não acha pessoas negras bonitas, automaticamente são preconceituosas, então muita gente que não é preconceituosa a principio vai ser considerada racista???

Não entendi....desculpa se estou parecendo troll, mas é uma coisa que eu ainda não processei, vc sempre fala disso mas eu não encontro uma equação.

Bom, mas o que me incomoda de verdade é ver pessoas preconceituosas que usam das suas amizades e parentescos com negros pra dizer que não são racistas sabe?

Elas até convivem com um! (como se isso fosse questão de mérito), essas pessoas ainda não aprenderam que não precisam gostar, precisam é respeitar.


Não sei se meu comentário vai parecer meio ogro, sorry

taty disse...

Que a sociedade impõe um padrão cultural de beleza, e que esse padrão é pele clara, magra, de preferência com olhos azuis, eu não questiono.
Mas como podemos mudar isso?
Ficar exaltando a beleza dos negros? Será que ajuda? Sinceramente não sei.
O que eu acho que impede o racismo é, como falou alguém num posts anterior, é quando você sequer se dá conta da cor da outra pessoa.
Sabe, eu não me dava conta da cor de pele das pessoas. Se alguém mencionasse algum conhecido como "aquele negro", eu até parava pra pensar "è mesmo, ele é negro", pois era algo que realmente não me chamava a atenção.
Até o dia em que um grupo de negros me fizeram mudar de lugar num ônibus (isso foi nos EUA e entendo o post do Pcesar, pois nos EUA o racismo é forte dos dois lados) e teve uma vez que levei pedrada de um negro, enquanto ele gritava "Sua branca F.D.P." (isso foi aqui no Brasil).
Poxa, eu passei a fazer esta diferenciação entre negros e brancos, pois é óbvio que tais episódios me marcaram.
Por outro lado, se eu, em apenas duas situaçoes na minha vida, me senti humilhada e discriminada por conta da minha cor da pele, imagine como devem se sentir os negros que são discriminados várias vezes?
Esses dias eu vi o documentário Olhos Azuis, que fala sobre essa dciriminação e o quanto ela influencia nas crianças. Recomendo.
Pra mim, a base para acabar com o preconceito está na educação das nossas crianças. E, pra isso, é preciso que elas vivam numa sociedade onde os negros e brancos convivam (talvez aí haja a necessidade de cotas) e onde a cor da pele não faça qualquer diferença.
Bjs!

aiaiai disse...

O joel bueno fez vários posts hoje em homenagem a negras e negros que temos que homenagear sempre. Vejam pelo menos este, sobre Abdias Nascimento, um intelectual que se fosse branco estaria todos os dias nas páginas dos jornais, mas como era negro, era ignorado pela elite desse país racista.

Leiam o poema dele q o joel postou e depois tenham coragem de dizer que não somos racistas.

http://migre.me/6cVMT

cabanadeinverno disse...

May e todas as outras pessoas que tem "amigos não-racistas que gostam de branquinhas europeias":

Sim, isso é racismo, mas não é consciente. Essa preferência é fruto da própria coerção social em relação à definição da beleza.

O fato de não ser agressivo não implica em não ser racismo.

Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Barros disse...

Racismo, tá ai um tema polêmico. Mesmo, nós mestiços, que somos vítimas de preconceito classe-cor, as vezes nos vemos como algozes de racismo. Tá na cultura, e é isso que temos que trabalhar e desconstruir. Onde está o meu preconceito? É o que me pergunto sempre.
Sou mameluca por parte de mãe, mas fui criada na caucasiana família do meu pai. Então cresci ouvindo: "qdo vc fizer quinze anos, o papai vai te dar um plástica no nariz" que não é afilado como dos tios e irmãos. Cresci me achando mto mto feia. E isso até hoje continua sendo um trabalho de auto aceitação. Mas hoje me orgulho dos meus traços por serem meus, únicos... Não os modificaria por nada.
Mas é um processo lento e difícil. E como disse no começo, mesmo sendo vítima de racismo, já me flagrei cometendo deslizes racistas. Olhando o mundo com o comprometido e viciado padrão de beleza. É uma carga muito grande impregnada na cultura da gente, e por isso um trabalho muito mais difícil. E o racismo não apenas contra o negro, mas o mestiço em geral. Num país de incontáveis tons de pele, onde fica difícil definir quem é o que, o considerado bonito é o branco, ou o mais parecido com o branco possível.

May disse...

Bruno S., eu entendo completamente o teu comentário e esse texto. Aliás, não sei se transpareci mas acho perfeito.

O meu problema é... Ao tentarmos "curar" o racismo das pessoas(ou seja lá que termo podemos usar, corrigir, retirar, exterminar), podemos acabar sendo preconceituosos com quem apenas tem um gosto pessoal.

É um comentário apenas filosófico.
É a mesma lógica, se duas pessoas, uma branca e uma negra se apresentam para uma vaga e eu contrato a branca, sou imediatamente racista ou algo na branca pode ter me apelado mais? Carisma, identificação, forma de se portar, etc. Mesmo que os currículos sejam iguais, nunca duas pessoas serão iguais, claro.
Não, não é sempre assim. Nem na maioria das vezes. Mas poderia ser.
E a linha entre preferência e racismo fica borrada.
Onde moro, a maioria da população é branca. Somos descendentes de alemães, mesmo os negros andaram "se misturando" com os alemães e gerou uma população bem clara. Há uma lenda urbana que uma vez vieram pessoas do MEC ou algo assim e disseram "nunca vi criança loirinha de olho azul, ranhenta, na favela.". Mas me dói pensar que essa criança, por ser branquinha, tem menos chance de entrar na faculdade que o negro de mesma condição social, pois as cotas beneficiam cor da pele. E isso, não é um racismo horrível, também?
Menosprezando o negro, que "não consegue" entrar na faculdade sozinho e abandonando o branco "que se vire"...
Aliás, só encerrando, sou 100% a favor de cotas por situação social. Se a "grande maioria" dos negros é de baixa renda, porque a cor da pele precisa ser especificada nesse tipo de incentivo? (especialmente em questão de faculdades)

A.H.B. disse...

Isso porque os brasileiros não se consideram racistas.
Em aulas de antropologia sobre as questões raciais no Brasil, um dos assuntos que mais se dá enfoque é como políticas públicas da Era Vargas criaram essa impressão de "cordialidade brasileira" e "democracia racial", então muitos estrangeiros (e brasileiros!) acham que não existe racismo aqui, porque há miscigenação e não há segregação institucional. Porém, ao realizarmos análises demográficas e observarmos as condições sócio-econômicas dos brasileiros agrupados por cor de pele, vemos que este é sim um país que excluí e oprime as pessoas baseado em sua cor de pele.
Já passou da hora de abandonarmos mitos raciais sobre o Brasil e cobrarmos medidas efetivas de inclusão social e combate ao preconceito por parte dos órgãos oficiais.
-
Aliás, é engraçado como o preconceito das pessoas surge quando são acossadas. Numa dessas aulas sobre racismo no Brasil, eram discutidas questões de linguagem racista (por exemplo, termos de desqualificação, que nem "cabelo ruim" ou "essa situação está preta") e uma senhora - branca - vira para o professor - negro, um dos poucos na USP - e faz a seguinte pergunta: "Meus filhos tinham um amigo e nós chamávamos ele de Negrinho, mas era carinhosamente. Aí não tem problema, né?"
Acho que nunca senti tanta vergonha alheia. Essa mentalidade de senhoril colonial realmente precisa ficar no passado da história brasileira, com urgência.

May disse...

cabanadeinverno - É justamente o que quis dizer.
Então NINGUÉM pode preferir loiras ou brancas SEM ser racista?
E homens negros que preferem apenas negras... São gente fina e não são racistas? (no sentido de discriminarem uma "raça" em favor de outra)
Dois pesos, duas medidas.
ERRADO.
Pessoas de qualquer cor podem preferir pessoas de qualquer cor. PORÉM o "mundo todo" ou o "país todo" terem a mesma preferência, aí sim, é racismo, claro.
Mas não. Não venha me dizer que uma ou outra pessoa não é preferência pessoal.

Raquel disse...

Eu sou loira, origem alemã, família toda clara e loira, meus filhos são loiros, e vejo muito racismo.
Quando era criança as vezes eu e uma amiga moreninha (não era negra, só morena) aprontávamos e sempre quem levava bronca era ela, eu não, só me liguei do motivo depois de grande.
Sempre elogiam meus filhos por serem lindos, uma vez uma moça mulata com a filha no colo disse que meu filho era criança mais bonita que ela já tinha visto na vida, elogiei a filha dela, mas ela continuou insistindo que meu filho era criança mais bonita que ela já tinha visto, loiro cabelinho de anjo...
Ontem uma amiga me passou o link para votar na bb dela no concurso bb hipoglos, dai resolvi dar uma olhada nas fotos, dos 10 mais votados, quando eu vi, todos eram brancos, 7 com olhos claros e olhado as fotos a maioria eram de bbs brancos, tinham alguns poucos negros...

May disse...

CITAÇÃO DE OUTRO COMENTÁRIO ****e faz a seguinte pergunta: "Meus filhos tinham um amigo e nós chamávamos ele de Negrinho, mas era carinhosamente. Aí não tem problema, né?"
Acho que nunca senti tanta vergonha alheia. ***

Tínhamos um amigo na escola. Todo mundo chamava de "Negão", ele pegou como apelido, nunca achou feio - ele era negro e o aumentativo parecia legal.
Me chamaram de "Alemoa Batata" a minha infância inteira. Nunca curti, mas se eu citasse isso como preconceito racial, acho que ririam de mim...

Arnold disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
cabanadeinverno disse...

May -

Racismo não é simétrico. Depende da linguagem e não de uma suposta matemática morfológica.

Sempre tem aqueles que falam do dia que foram pra favela e algum negro o chamou de branquelo.

O significado simbólico de ser chamado de branquelo é o mesmo de ser chamado de nego? São as mesmas razões histórico-sociais que fazem o branquelo ser branquelo e o nego ser nego?

Racismo é relação de dominação (político-social-econômica), não pode ser reduzido à falta de ética. Se é relação de dominação, só é racismo enquanto for da raça "superior" pra "inferior". O contrário não é verdadeiro, o contrário não é a mesma violência simbólica (apesar de poder ser um tipo de violência simbólica).

Priscila disse...

Tudo o que você gosta é resultado das experiências e influências que você teve do meio social.'Gostos pessoais' não são inatos. Você não nasce gostando de determinada cor, você é ensinado a gostar de determinada cor.É claro que estes 'ensinamentos' são passados de maneira implícita.Como?O marido da Barbie é branco,os heróis dos desenhos infantis são brancos,os mocinhos das novelas são brancos,o príncipe das princesas são brancos (até o cavalo é branco kk),os heróis dos livros de romances destinados à crianças e adolescentes são brancos,o papel de parede decorativo são de bonequinhos brancos,Deus e Jesus são brancos.É claro que vou fantasiar um romance com o mocinho lindo da novela,do livro.Vou encontrar algum garoto parecido na vida real.Nem sabemos o porquê é quase que inconsciente, pois você não é o que você axa que é. Você é resultado de uma série de estímulos e influências absorvidas ao longo da vida. Se balancearmos estas influências provenientes do meio social, iremos contrubuir para formar uma nova geração com uma multiplicidade de gostos, pois cada um irá formar a sua subjetividade de maneira mais livre, ao invés desta ser determinada pelo meio.
Determinismo:
* Você só admirou e teve contato com pessoas brancas, logo, você terá uma maior inclinação à gostar e admirar pessoas brancas.
* Você só admirou e teve contato com pessoas negras, logo, você terá uma maior inclinação à gostar de pessoas negras.
Liberdade:
*Você teve contato tanto com pessoas brancas e negras, assim como conheceu figuras ilustres de ambas etnias, logo você terá uma maior liberdade para formar seu gosto pessoal, sem se basear no determinismo imposto pelo mundo.Pois o mundo forma e cria as pessoas a gostarem de determinada coisa. Nem nisso temos liberdade, mas achamos que temos. Ilusão...

cabanadeinverno disse...

"Tínhamos um amigo na escola. Todo mundo chamava de "Negão", ele pegou como apelido, nunca achou feio - ele era negro e o aumentativo parecia legal.
Me chamaram de "Alemoa Batata" a minha infância inteira. Nunca curti, mas se eu citasse isso como preconceito racial, acho que ririam de mim..."

Belo exemplo: o racismo não depende da forma como a "classe inferior" interpreta, ele é objetivo. É até melhor que aceite o símbolo de maneira passiva, aí não há conflito.

Muito pelo contrário, a violência em te chamar de Alemoa, não é de mesma base daquela em que seu amigo foi agredido (apesar de ter assimilado a agressão - seja lá por qual motivo). Não há relação de dominação na sociedade atual brasileira, em termos gerais, em cima da branca europeia ou do branco de cabelos lisos e negros.

É óbvio que dentro dos grupos sociais naõ dá pra ser tão afirmativo, pois pode haver maneiras diferentes de significar as coisas. Dentro de cada grupo haverá relações de dominação iguais ou diferentes das relações da sociedade, mas não anulam as relações "oficiais" de dominação.

Dayane Ok. disse...

Eu acho engraçado quando eu digo que meu cabelo é crespo e as pessoas tentam me consolar, tipo "Não é crespo Day, ele é grosso!" Nâo, meu cabelo é crespo!Pode não ser o mais crespo do crespo, mas é crespo, cheio, cacheado e lindo!Amo meu cabelo sendo crespo! Claro, quando eu era mais nova, era bem complexada com meu cabelo1Até já relatei aqui (ontem, por exemplo) em cm eu comecei a arrancà-los por sofrer na escola com uma turma de garotas que me perseguiam e diziam "Aff!Que cabelo ridículo, é grosso!Pq vc não alisa esse cabelo ruim?".
Eu tbm fico brava em ver cm minha família é racista, incluindo minha avó, que é negra, mas AI DE QUEM chamar ela de negra!Ela é moreninha!Quando comecei a namorar, a primeira coisa que ela quis saber era se meu namorado era negro. Meu namorado é moreno, cabelos cacheadinhos e ela já olhou meio "torto". Não pensem mal da minha avó, ela é uma pessoa maravilhosa, mas infelizmente a sociedade soca goela abaixo que negros não são bonitos, mesmo que com "indiretas", e ela infelizmente vestiu isso, o que é muito triste.
Sou descendente de Polones, Ucraniano, Português, Espanhol, índio e negro.E eu amo essa minha mistura!Amo a forma que eu sai de td isso! Sou muito mais as tradições nordestinas da minha avó que toda essa carga cultural européia que carrego, já que sempre fui mais próxima a arte popular e tudo o mais.

A.H.B. disse...

May - a "cabanadeinverno" respondeu a questão. Não existe racismo reverso simplesmente porque as pessoas brancas nunca foram oprimidas por sua cor de pele.
Bem pelo contrário, povos europeus foram chamados para viver no Brasil como um projeto de "esbranquecer" a população.
Daí que é necessário reconhecer oficialmente que houve racismo deliberado durante a "construção" do Brasil e tomar medidas para resolver os efeitos de décadas de segregação "velada".

Bruno S disse...

May,

esclarecendo algumas coisas.

1 - Sobre cotas raciais. Elas existem porque comparando filhos de famílias brancas e negras de mesma faixa de renda, os filhos das famílias negras têm menos oportunidades.

2 - Sobre o apelido de seu amigo, a intimidade e o carinho de vocês com ele demonstra que não era racismo. O racismo é percebido quando boa parte dos meninos negros acaba recebendo apelidos que o identificam pelo seu tom de pele. Todo mundo já conheceu um "negão", um "pelezinho", um "chocolate" entre outros.

3 - Sobre a parte do "curar" não existe isso de cura. O que, acho eu, podemos fazer é trabalhar a reflexão de que em muitos de nossos atos "sem maldade" podemos estar repetindo hábitos preconcietuosos sem nos dar conta.

May disse...

cabanadeinverno - logo, eu que me ferre se me ofendi quando, propositalmente, me ofenderam e me excluiram por muitos anos. O que interessa é que nacionalmente a maioria dos brancos tende a pensar que os negros são inferiores e só esse racismo é válido (says who?)? E é assim que se perpetua um preconceito, senhoras e senhores.
Ou seja, se ngros têm preconceito contra brancos é apenas defesa. Se brancos têm preconceito contra negros é racismo, é "relação de dominação (político-social-econômica)" etc etc?
Não seria a forma correta de "eliminar" o racismo pregar que todas as formas de discriminação são erradas? Não seriam as vítimas de preconceito as primeiras a serem contra isso?
Eu não fui pra favela e me chamaram de branquela. Eu fui chamada assim durante toda minha infância e boa parte da adolescência. Até uns 13 anos eu tenho certeza.
E não eram negros. Eram todos. Brancos e mulatos e negros juntos. Aparentemente não se bronzear (fico vermelha) é um crime maior que ser negro - ao menos entre as pessoas que eu conheci. Entre meus colegas de escola, que faziam com que eu aprendesse a fazer trabalhos em grupo sozinha, lanchar sozinha e fingir que não precisava de amigos. Aliás, na única vez que ousei me declarar para um menino ouvi um não "porque ela é muito muito branca". Legal, bonito. Me fez super sentir de uma classe superior.
Não entendo porque os defensores dos direitos dos negros precisam menosprezar outros preconceitos para se sentir justificados. Me parece que todos saem do mesmo buraco - a falta de conformação com o padrão - e devem ser conforontados e eliminados.

Dayane Ok. disse...

Ah, mas não desprezando a cultura Européia, mas eu realmente sempre me atrai por coisas de raiz mais nordestina, negra, etc.

May disse...

Bruno S -
1 - Concordo que às vezes possa ser um quesito a mais. Mas não aceito que seja o único quesito.

2 - concordo. Por isso acho que não se pode dizer que todo apelido é preconceito e todas as pessoas agem assim.

3 - Concordo, não é.. cura. A palavra correta. Mas correção, pelo menos diminuição, nas gerações futuras.

Ah e vou me retirar da discussão. Estou começando a soar como troll e não gosto disso. Só tentei argumentar, mas aparentemente ninguém quer discutir a questão, querem apenas concordar.

cabanadeinverno disse...

May -

Então, eu não disse que é defesa. Eu disse que é outro tipo de violência simbólica e o preconceito racial não é subjetivo...

Eu também não falei que seu sofrimento possa ter sido menor, mas disse e reafirmo, a violência que vc sofreu não pode ser classificado (dentro da nossa sociedade) como racismo por não haver relação de dominação pela cor. Não importa se foi proposital ou não... A violência é outra.

Também, em nenhum momento, classifiquei verticalmente as violências, só fiz questão de definir, neste caso, horizotalmente, ou seja, classificar conforme suas causas histórico-sociais, sem estabelecer hierarquia.

Eu não duvido que foi uma merda ter alguém te enchendo o saco por N motivos, nem tento botar e culpa em vc, não deveria ter enchido seu saco por conta disso, porém, (em termos gerais) não é racismo.

Dayane Ok. disse...

May,

Eu sempre fui a única loira em meio as minhas amigas. Chegou uma época que se tornou insuportável! Elaviviam enaltecendo o fato de serem morenas. Sempre diziam "Ah, sou gostosa, sou morena!", "Morena neh?Fazer o que!", "Vc acha que ele ia olhar pra vc tendo a morena aqui do lado!". Tipo, se eu falasse pra elas "Vc acha que eles iam olhar pra vcs,tendo uma loira aqui do lado?", seria uma racista de marca maior!felizmente, nunca me liguei pra essas picuinhas delas. E ah, elas não eram morenas, eram negras!As p´roprias não se aceitavam!
Tbm não concordo com isso de o fato de vc sim, sofrer muito, ter sido discriminado te dê o "direito" de agredir de volta"Ainda se fosse seu agressor, ótmo, mas as pessoas taxam todos os brancos, todos magros, todos ricos ou seja o que for e começam a atacar!Não acho isso certo, não acho que um erro justifica o outro!O negócio, cm vc disse, é tentar acabar com o preconceito de tds os lados!

Leila Silva disse...

Gente,

Credo com esse Pcesar, até cliquei no perfil dele de curiosidade, me perguntei se era brasileiro (?!), não que ache que brasileiros não sejam racistas, mas achei um tanto diferente. No perfil está escrito que ele é:
"Apenas um seromano normal !"
Talvez ele seja mesmo um ser humano normal, muito infelizmente. Quando leio uma coisa dessas fico só imaginando uma pessoa negra lendo também, pqp, deve doer viu? Como uma pessoa pode se considerar acima de outras pq nasceu branca? Como alguém disse ai eu fiquei pasma! Que tristeza.

Dayane Ok. disse...

"Ah e vou me retirar da discussão. Estou começando a soar como troll e não gosto disso. Só tentei argumentar, mas aparentemente ninguém quer discutir a questão, querem apenas concordar."


Ah, cm eu sei o que é isso!Tem posts que infelizmente não dá pra discutir, pois se vc discordar, vc é um troll reacionário!

Dayane Ok. disse...

"a violência que vc sofreu não pode ser classificado (dentro da nossa sociedade) como racismo por não haver relação de dominação pela cor. Não importa se foi proposital ou não... A violência é outra.""

Pq não é racismo????
O que é racismo pra vc?

Dayane Ok. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Liana disse...

Num post sobre racismo contra negros, ouvir um branco (e portanto privilegiado) reclamando de meia dúzia de vezes em que se sentiu despretigiado não me suscita muita empatia. Principalmente em se tratando de um assunto que é uma chaga social e que não é tão discutido quando devia. Sorry. Essa realmente não é uma boa hora para expor isso. O timing do povo às vezes é péssimo.

Moema G. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dri Caldeira disse...

Fica muito simplista a discussão se ela ficar só no ambito das preferências pessoais. Eu saio só com brancos, sou racista, eu saio com negros, sou uma pervertida. E muito engraçado também os brancos apresentando soluções pro racismo. Solução pra quem cara pálida? Pra vc continuar a justificar a opressão q vc comete seguidamente contra negros, índios ou qualquer outra minoria?? Algum branco que postou comentários aqui já perdeu um emprego por ser negro, ou foi diminuído e humilhado pela cor da pele? Racismo ao contrário? Isso não existe. O que existe é uma tentativa, eu acho, do negro em ser aceito pela sociedade. Terminei um namoro com um dos meus namorados negros, q me disse, com a maior tranquilidade q namorava comigo pq eu era branca e ele queria filhos mais brancos do que os do irmão dele. O VTNC q eu gritei na cara dele pode ser ouvido bem de longe.

Dri Caldeira disse...

Olha a Moema, tentando parecer uma revolucionária a favor das minorias:..."A namorada do meu filho é afro- descendente; sem contar a aparência que é das melhores, tem gosto e compostura prá se vestir, é magra,"... mais uma q se encaixa no post de ontem, sobre aceitar-se ser gorda. Será q essa nora q caiu do céu fosse gorda feito eu, ela seria tão bem vinda pela Moema?

Alana disse...

Eu acho uma pena não ter mais modelos negras nas passarelas. A pele escura vai bem com a maioria da cores, e destaca as roupas de um jeito magnífico. Alek Wek, Angelique Deng, Oluchi Onweagba, Kinée Diouf... Todas lindas de morrer, e excelentes modelos.

taty disse...

Moema G.,
"Taty, o padrão cultural de beleza global coincide com o padrão cultural dos países desenvolvidos, ricos, educados, viu?"

Eu concordo totalmente com isso. Você entendeu que eu disse o oposto?
Desculpe, não entendi seu comentário direcionado pra mim.

cabanadeinverno disse...

Dri Caldeira!

Tá aí, um exemplo de violência simbólica, de racismo, do negro para ele mesmo e de machismo ao te utilizar como máquina da prole (porém, uma máquina sofisticada, oras, é branca).

Isso acontece quando a própria linguagem hegemônica é absorvida por aqueles que são diminuídos. É como o empregado que chama o patrão de "anjo", por pagar os salários em dia, ou a mulher que "entende" o stress do marido, que bate nela de vez em quando, mas só de vez em quando e etc.

Dayane Ok. disse...

Jesus Amado ¬¬!Começou!

Liana ( e essa frase de cima não foi pra vc),

claro, ninguém está falando aqui que o preconceito que sofremos por sermos brancas se compara a todo o sofrimento histórico, social e td o mais que o negro sofreu.Só expomos o que tbm já passamos.
A May, pelo que parece, sofreu bastante com isso. Isso não deveria ser dimiuído.
Mas com certeza, o preconceito que o negro sfre, Putz!Nem se compara ao que falei que acontecia comigo!Não mesmo!

Liana disse...

Um curta sobre a Geledés, Instituto da Mulher Negra.

Roxy Carmichael disse...

"Aparentemente não se bronzear (fico vermelha) é um crime maior que ser negro" may, você realmente acha que pode participar da discussão com um argumento desses? de repente esse argumento seria válido numa sociedade em que brancos fossem revistados pela polícia em cada esquina, ou ainda se te olhassem feio dentro de uma loja qualquer só por você ser branca, ou ainda se você nunca na sua vida tivesse visto uma mulher super branca em papéis protagonistas em novelas, comerciais de tv, desfiles de moda, blockbusters no cinema, se o seu país fosse o maior mercado para os produtos de beleza para encrespar os cabelos, um país onde cabelo liso e loiro fosse instantaneamente taxado de "cabelo ruim". que tal argumentar dessa forma se você durante os quatro anos numa universidade de prestigio jamais tivesse tido um professor branco, ou ainda colegas de sala de aula brancos. ou talvez se na escola você só estudasse a historia da áfrica, e tivesse apenas uma aula sobre história da frança, da inglaterra, e no caso do brasil, se a historia só falasse sobre o zumbi e tivesse apenas uma aula falando muito rapidamente sob qualquer figura pública branca. se todos os homens que você conhece, gostassem apenas de garotas negras. se houvesse pouquíssima oferta de maquiagem para mulheres brancas e recentemente o mercado estivesse se voltando para a pele branca já que sempre se concentrou na pele negra. ai cansei...

Dri Caldeira disse...

E, Cabana de Inverno, o q mais me doeu, é que eu era profundamente apaixonada por ele. Mas ele só me queria pela cor da pele. Isso até hj não me desce pela garganta!!

taty disse...

Ops, esclarecendo: Eu não concordo com o "educados".
Eu concordo que é imposto um padrão de beleza da elite, etc.
Mas não que apenas eles sejam os educados, civilizados, bons, etc.

May disse...

(("Aparentemente não se bronzear (fico vermelha) é um crime maior que ser negro" may, você realmente acha que pode participar da discussão com um argumento desses? ))

Desculpe por nào escrever tudo timtim por timtim.
NO AMBIENTE EM QUE EU ME ENCONTRAVA, no meio que eu me inseria, no meio das pessoas que conviviam comigo, nas duas escolas que passei entre os 5 e 13 anos. Nesses ambientes era, sim. Os negros da escola (apesar de poucos) eram bem aceitos e conviviam felizes e amigavelmente. Eu não.
Sim eu sei que não é a realidade no país inteiro, nem no estado inteiro. Mas era a minha realidade até os 13 anos. Eu era complexada pelo meu tom de pele, pois achava horrível. Tentava me bronzear a todo custo. Hoje vejo que a realidade é diferente. Mas foi a minha realidade. E só isso que estou querendo relatar.

cabanadeinverno - desculpe se surtei (acontece). Entendo o que queres dizer, só acho que é uma questão de identificação de palavra que não é, exatamente, necessária. Gosto de classificar todo preconceito como vil e grotesco, dos piores aos menos destrutivos.

""Continue na luta contra o imperialismo esquerdista May "" - Beijo, amor, não alimento trolls.

Deize disse...

A Roxy Carmichael encerrou a questão. Parabéns!

Liana disse...

Tudo bem, Dayane. O que eu quis dizer é que quando estamos tratando de assuntos como homofobia, machismo, racismo etc não faz lá muito sentido ver um branco, ou um homem, hetero se lamentando, sabe.

Esse é um bom momento para prestigiar a conversa e falar sobre o assunto em pauta. Inclusive que do ponto de vista de um branco, homem, hetero etc. Afinal, o assunto deve estar na boca de toda a sociedade. Falar sobre o assunto, sim; se lamentar na condição de privilegiado, não. Não faz sentido no momento.

Uma das coisas mais comuns é que quem faz parte de algum grupo discriminado, não tem voz. Tem muitos estudos interessantes falando sobre como os grupos privilegiados usam a língua e o discurso para dominar e espelhar seus valores, ainda que nem todos se deem conta disso. É o que acontece, por ex., quando num grupo onde a maioria é mulher, só os homens falam, sobre seus assuntos, sobre o que eles acham que é uma mulher, enquanto as próprias quase não tem a oportunidade de falar e só escutam.

Sem muito esforço, quando percebemos, a conversa migra novamante para esses grupos e suas questões. Escutar o outro é importante e procurar perceber como nos sentimos com suas opiniões, como isso afeta nossa percepção do nosso próprio dia-a-dia em comparação ao dessa outra pessoa que vive uma realidade específica de discriminação. É mais profícuo num post como este.



Fica triste comigo, não heim. Se sabe que eu gosto de você. :)

karina disse...

May e Dayane, não se façam de vítimas. Não venham com esse papinho de que aqui quem discorda é troll, ninguém quer discutir, blábláblá. Isto não é verdade. Várias pessoas argumentaram, e muito bem, foram até didáticas, postaram links para textos, etc. Vocês não querem entender a perspectiva que elas colocam. Simples assim.

Bruno S disse...

May e Day,

não há interesse de ninguém aqui (eu acho) de diminuir suas histórias de bullyng, mas acho que talvez tenham falhado no timing.

Mal comparando, não seria muito diferente disso se num post onde se relatasse situações de opressão que as mulheres sofrem algum (ou alguns) dos homens que aqui comentam fizesse um desabafo sobre ter sido oprimido pelas mulheres.

AnaLu Oliveira disse...

Lola, parabéns pelo texto!

AnaLu Oliveira disse...

Concordo com tudo que você disse.
Já vivi quase todas essas situações que você citou em seu post. E pra ajudar outras negras que passam por esse absurdo, criei um blog de moda só para negras.
Depois, confira lá www.modadenegona.blogspot.com

abraços

Lorraine McFly disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lorraine McFly disse...

Lola, a Caros Amigos publicou um artigo no site tratando sobre a persistência do racismo no Brasil. Ainda não terminei de ler, mas vim correndo te contar porque acho que tem tudo a ver com o seu post!
Aqui está o endereço:
http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/noticias/2146-artigo-mostra-a-persistencia-do-racismo-no-brasil-e-propoe-formas-de-supera-lo

Beijo :*

Moema G. disse...

Taty,aproveitei seu post como gancho para o meu, pois vc disse que não questiona o padrão de beleza nórdico...acontece que esse padrão coincide com outros valores NÃO corporais, entende? Mudar o padrão cultural de beleza no Brasil é fácil. É só acabar com o apartheid racial.

Algo semelhante acontece na India. Os indianos do norte são mais claros ou brancos mesmo e ditam o padrão de beleza e status social para todo o país...aí toca as mulheres (e alguns homens) a usarem cremes embranquecedores...e vc vê que fora a cor, os indianos têm o mesmo fenótipo de norte a sul, inclusive aqueles cabelos lisos maravilhosos...

Por 'educado' eu quis dizer intruído, escolarizado, formado.


bjs

Moema G. disse...

http://www.youtube.com/watch?v=OjBlZl8RON8

O que vcs acham de a 'raça' branca ser nada mais do que uma mutação genética (não adaptativa) chamada albinismo?

Yukimeru disse...

Sabe, esse negócio de falar que "tem preferência" já começa errado.
Quando é que as pessoas vão aprender que não precisa ter preferência em nada?

Gosto de tudo. Não é possível que as pessoas achem tão difícil encontrar beleza em todos os tipos (cor, altura, peso, etc) de pessoa. Porque pra mim, no final, o importante é a pessoa ser humana (não no sentido de espécie).

Isso tudo, curiosamente, me lembra Machado de Assis. Ele martelou muito nessa coisa do "auto-engano". De que você primeiro tem que se convencer de que sua atitude está certa, dobrando os conceitos éticos e morais para o que melhor lhe apetecer, e uma vez enganando a si mesmo, você tem confiança o bastante pra dar seus discursos, porque você acredita de fato no que está falando.
E isso é inconsciente, mas é uma coisa que todos fazem.

Isso de dizer "tenho preferência xis", a meu ver, é uma espécie de auto-engano, pra esconder os próprios preconceitos.

elen mars disse...

negar q no brasil há racismo é mentira deslavada.
mas há sim,a questão de gosto pessoal,eu me sinto mais atraida por negros e morenos ( e japoneses tb ) e conheço várias pessoas q são assim.

eu já vi varios concursos de beleza ,em que tem uma menina negra q é mil vezes mais bonitas q as demais e sempre quem ganha é a loirinha.

eu sinceramente,n sei pq elas perdem seu tempo nesse tipo de coisa,se eu fosse negra nem me daria ao trabalho,pq é obvio só as deixam participar pra ninguém dizer q eles são racistas.

Daniela Rodrigues disse...

Olha, falar de racismo é complicado pra mim. Tenho a pele clara, cabelos castanhos, descendente de italianos por parte de mãe. Meu pai é bem moreno, sendo que sua família migrou da Bahia para São Paulo há algumas gerações. Há dois meses, quando ele me visitou aqui na Suiça, onde moro, muita gente o confundiu com indiano - e realmente ele parece um. Apesar disso, desde pequena eu o vejo fazendo piadinhas racistas. Sempre em tom de brincadeira, mas que pra mim nunca tiveram a menor graça. Quando era criança eu escrevia no meu diário que meu pai era um homem malvado porque me impedia de ir nos bairros onde havia "muito preto fedido e maconheiro".

Não sei se foi uma forma de reação à isso, mas desde muito pequena eu me sinto negra. Tenho muito mais do que empatia pela causa. Apesar da minha pele clara, eu sinto um amor e uma admiração sem tamanho pela cultura negra. Como feminista, participo de vários grupos de mulheres negras, corais negros etc. E sempre, sempre achei os negros mais bonitos que os brancos. Black is beautiful, pra mim, representa muito mais que um conceito afirmativo, mas é a mais pura verdade. Nunca vou achar um homem branco mais atraente que um negro. E não consigo entender mulher que diz não se sentir atraida por homem negro! Como? Eu não trocaria um Will Smith por Brad Pitt e Gianecchini juntos!

Amo a música negra, amo a culinária, a dança, a cultura de modo geral. Tenho TANTO orgulho de ter sangue negro correndo nas minhas veias que às vezes até fico triste por não ter nascido negra. E isso desde pequena.

Então, falar de racismo, pra mim, é muito complicado, porque eu simplesmente não consigo entender a mente de um racista. Compreendo os fatores históricos, ideológicos envolvidos na formação do racismo, mas quando lido com uma pessoa racista é como se eu estivesse diante do fracasso completo do nosso projeto de humanidade.

Caramba! E esse Pcesar que comentou no início? "Ocorre que tenho gosto e necessidade: na questão do gosto não curto amizades com negros. Não me sinto à vontade". Ahhhh, morre diabo!

Bom, já estou perdendo as estribeiras, melhor parar por aqui.

Mulheres negras, você são LINDAS! Homens negros, vocês são os MELHORES! E isso não tem nada a ver com a minha militância em nada - é apenas a minha OPINIÃO PESSOAL! (Lola, preciso de análise. Sou racista ao contrário? rsrs).

Moema G. disse...

Daniela, brasileiros e indianos são como primos não muito distantes...

adorei seu post.

bjs

Dri Caldeira disse...

Daniela, me desculpe, mas é muito fácil se sentir negra, tendo pele branca e cabelo liso. É fácil tb se sentir negra ao ouvir a música, ao tomar parte da cultura. É inominável a dor que um negro deve sentir ao ser discriminado e duvido q branco algum, por mais bem intencionado e interessado que possa estar, consiga se colocar no lugar do negro discriminado. Sinto muito, sei que é sincero seu relato, mas as coisas não funcionam aqui no Brasil assim. Não sei como são na Suíça, mas no Brasil, se alguém vê um negro vindo na sua direção, na mesma calçada, à noite, atravessa. Os pais ao colocarem medo nos filhos dizem que o homem do saco vai pegar. Daí apontam pra um negro morador de rua. A coisa é bem mais cruel, complexa e insuportávelmente sem solução aparente no momento.

Claudia disse...

O seu post me fez lembrar de um trabalho que fiz com meus alunos, ano passado nesta mesma época. Pegamos várias revistas e folheando, percebemos como era pequena a quantidade de modelos negros nas publicações. Os alunos, surpresos, nunca imaginaram que houvesse um racismo tão velado nos meios publicitários. Valeu uma boa reflexão em classe.

Daniela Rodrigues disse...

Dri, eu concordo com você. Claro que eu jamais sentirei na pele, como um negro a sente, a dor da discriminação, e nunca - nunca poderei dizer que sei o que é isso. Meu amor, respeito e admiração pela cultura negra tem, claro, muitas limitações. Mas eu posso dizer com toda sinceridade desse mundo que isso me dói muito também, me toca de maneira muito profunda. Como disse, é empatia, e algo a mais.

LLembro que, ao chegar na Suiça estava com um amigo negro numa estação de metrô quando uma mulher branca e loira se aproximou. Ela me pediu informações e eu expliquei que não falava francês. Meu amigo, que mora aqui há 15 anos, se ofereceu gentilmente para ajudá-la. Ela começou a gritar com ele, histérica, dizendo que ele não ousasse lhe dirigir a palavra. Fiquei tão chocada, nunca tinha visto algo assim no Brasil. Quando estávamos juntos, numa praça, ou qualquer lugar público, a cada meia hora alguém se aproximava desse meu amigo perguntando se ele tinha drogas pra vender. Justo ele, uma das pessoas mais caxias que eu conheço, um gentleman... Foram situações que me corroeram por dentro, mas não seria hipócrita a ponto de comparar o meu sentimento ao dele.

Também comprei briga no site da Folha de SP porque as pessoas não se conformavam com o fato da modelo Isabeli Fontana estar namorando o filho do Bob Marley (negro feio, maconheiro e fedido, diziam), principalmente depois dela ter ficado um bom tempo com o Falcão, vocalista do Rappa. Diziam que era "o fim do mundo", que ela tinha uma "responsabilidade moral" por ter nascido branca e linda e que tinha que dar o exemplo para as outras meninas. Quando eu disse, nos comentários, que adoro homens negros quase fui virtualmente linchada.

Então, essas coisas me deixam extremamente triste, decepcionada mesmo com a humanidade. E me ferem - dentro das minhas limitações de mulher branca da periferia, claro.

Bem, é isso.

Moema, obrigada. Beijim (de mineira, rs) pro cê também.

Drica Leal disse...

Sei que não tem a ver diretamente com o post, alguém me explica quando foi que "nordestino" virou uma raça ou etnia? Que eu saiba, quem nasceu na região Nordeste do Brasil tem a mesma formação étnica que predomina na maioria dos brasileiros (mistura de europeus, índios e africanos), mas sempre ouço ou leio gente sobretudo do sudeste se referindo a nordestinos como uma etnia à parte no país.

Quem nasce no nordeste brasileiro traz nos genes predominantemente a mesma mistura de negros, europeus e índios que basicamente forma um brasileiro médio. E nunca é demais lembrar que foi pelo Nordeste que esse povo brasileiro que hoje é reconhecidamente fruto dessa mistura entre brancos, indígenas e africanos (não vou discutir agora em que termos ocorreu essa mistura) surgiu. Sinceramente não entendo quando vejo um paulista, carioca, etc, se referindo aos nordestinos como uma etnia distinta dentro do Brasil.

Dri Caldeira disse...

Daniela, eu não tenho solução pra nada nem para os meus problemas, mas acredito que o q vc fez nos casos q vc postou é a coisa certa a se fazer: quem não aceita essa coisa, seja branco, amarelo, vermelho, azul, cor-de-rosa, tem de insurgir contra o racismo! É vergonhoso que no século XXI, um ser humano q se diz preocupado com os rumos do homem na terra, veja negros sendo oprimidos pelo simples fato de serem negros, não se insurja contra isso! Pode parecer utópico, mas compro brigas além da minha nesse sentido. Quero acreditar que todos seremos felizes, em um futuro bem próximo. Um grande abraço!

A.H.B. disse...

Drica Leal: raça não existe biologicamente (há vários livros de antropologia sobre isso, é só procurar), dito isso o caso do Nordeste é que no período da República Velha, o governo brasileiro fazia levantamentos raciais da população baseado em conceitos do século XIX, que utilizavam uma ciência distorcida para justificar que haviam raças em um sentido biológico. Inclusive essa pseudo-ciência foi utilizada para justificar que o Brasil era atrasado por ter permitido miscigenação. Daí houveram essas políticas de imigração branca em massa que foram continuadas pelo Estado Novo. (Se quiser, posso indicar uma bibliografia sobre o tema)
Acredito que essa maneira de falar sobre o Nordeste e os nordestinos tenham a ver com velhos preconceitos que permaneceram na maneira de se expressar dos brasileiros, principalmente no Sudeste, devido ao grande êxodo rural que houve na década de 1970.
Sabemos ser uma das regiões do Brasil com cultura mais rica e distinta, mas isso é completamente separado de alegações preconceituosas sobre o povo ou o caráter desse povo.
Então, é isso: acho importante, ao falarmos de "raças" e "etnias", sabermos que estas são construções sociais e estão vinculadas à culturas. Alegações sobre a relação entre personalidade, atitude e cor de pele não possuem qualquer evidência científica.

A.H.B. disse...

Ah, correção: Sabemos que o Nordeste é uma das regiões do Brasil com cultura mais rica e distinta, mas isso é completamente separado de alegações preconceituosas sobre o povo ou o caráter desse povo.
_
E, complementando: não, não há uma "raça" nordestina. Essa qualificação racial, como falei, foi criada por pesquisadores racistas da República Velha.

Francisca disse...

O mais absurdo desse preconceito é que todo mundo tem ascendência negra! Até a Xuxa deve ter antepassados negros. Já está comprovado que o Rio Grande do Sul teve(tem) uma significativa parcela da população afro-brasileira.

Se o governo fizesse o teste genético que indica ascendência para selecionar os candidatos às cotas nas Universidades, teríamos que fazer uma escala entre os candidatos. Entraria quem possuísse ascendência predominante afro. Muitos gente de pele escura não ia entrar. Inclusive porque muitos dos povos indígenas que habitavam o Brasil eram escuros e tinham traços mais fortes.

Porém, o povo ignora isso e continua a dizer barbaridades. Certa vez, um conhecido meu disse que não queria o playstation preto. Ele: Não gosto de coisa preta. Game, gente, roupa! Nada! Eu: Por que? Ele: Porque são feios!

Eu não sabia se jogava o videogame na cara dele ou tentava argumentar! A questão não é ele achar mais bonito o aparelho branco, mas achar horroroso uma coisa ser escura! Pior ainda quando essa "coisa" é uma pessoa!

Agora, sim, também existe racismo contra brancos. Em menor proporção, mas existe. Hoje todo mundo diz que a cor da tua pele te enquadra numa raça e que isso significa que você é diferente dos que não são da sua cor de forma física, psíquica e intelectual. Então, é natural que os negros comecem a hostilizar os brancos também, mas nunca vi um negro dizendo que acha os brancos horrorosos! Nem que isso é apenas um gosto pessoal.

Eu, sinceramente, não entendo porque classificar as pessoas pela cor da pele. E por que não pelo formato das orelhas?

Logo, ia ter gente dizendo: "Eu não tenho preconceito contra pessoas de orelhas grandes, acho feio, sabe, e nunca tive relações com pessoas assim, mas é só uma questão de gosto pessoal. Prefiro quem tem orelhas pequenas!"

A.H.B. disse...

Francisca: então, o problema não é ter ascendência de europeus, asiáticos ou africanos. O problema é que nossa sociedade classifica as pessoas qualitativamente por conta de cor de pele, como esse conhecido seu que você citou.

O projeto de cotas "raciais" em universidades e empresas está apenas observando que a sociedade discrimina por cor de pele e propondo uma solução imediata, enquanto o racismo não é exterminado da mentalidade da população.

Por exemplo, a Xuxa pode ter uma avó negra, isso não importa porque as pessoas estão vendo uma "loira de olho azul", daí ela não vai ser parada pela polícia por conta da cor-de-pele, ou perder uma chance de emprego, etc.

Drica Leal disse...

A.H.B:

Então é isso. Acho muito estranho que o povo do sudeste, sobretudo do eixo Rio?São Paulo, ignore completamente que o povo nordestino teve uma formação ética, digamos, tão mestiça quanto a maioria dos brasileiros. Se ter a pele branca é o que conta para esses sudestinos como fator de superioridade, eles deveriam visitar certas cidades no sertão nordestino onde só tem gente branca de olhos claros. Aqui na Bahia, por exemplo, a miscigenação a princípio só aconteceu no litoral, que era onde os índios viviam e onde os africanos escravizados eram concentrados nas plantações, etc. Pelo sertão da Bahia existem cidade onde apenas algumas famílias portuguesas ou espanholas foram morar e como lá não existiam as atividades econômicas escravocratas e nem índios, até hoje as populações dessas cidadezinhas são predominantemente brancas. Aliás, em todo o Nordeste, em algumas cidades antigas e mais isoladas, esse fenômeno ocorreu e por isso tem cidadezinhas pelo sertão cheias de loiros de olhos claros. Será que certos sudestinos mestiços se achariam inferiores a esses nordestinos de origens puramente europeias?

Marcelo disse...

"A galera que acha sexy os lábios carnudos da Angelina Jolie parece achar horríveis os lábios carnudos de tantos negros. Mas essa gente nunca assume seu racismo."

Achei infeliz essa parte do post. Justamento por causa da palavra 'parece'.

A Lola está chamando de racista quem ela 'acha' que é racista.

Drica Leal disse...

*formação étnica

A.H.B. disse...

Drica Leal: só espero que as regiões não comecem a disputar quem é mais "branco", porque a noção de "brancura" é construída socialmente e acho que só teria efeitos negativos para a discussão, visto que continua contendo juízos de valor sobre a cor de pele dos indivíduos.

Se quiser ver uma discussão mais profunda sobre a questão do racismo e inclusão social no Brasil: "Uma abordagem conceitual das nocões de raça, racismo, identidade e etnia" e "Preconceito de cor e racismo no Brasil" - ambos autores são professores do departamento de Ciências Sociais da USP.
-x-
Para uma bibliografia mais extensa, recomendo os trabalhos disponíveis nessa editora: Ed. Kitabu

Luiz Prata disse...

No espetáculo Parem de Falar Mal da Rotina, Elisa Lucinda critica, com bom-humor, a ditadura da chapinha, que de forma quase hipnótica induz ao pensamento monobloco de que "cabelo bom é liso".
Frases de Elisa:
"Eu não sou contra a escova. Eu sou é a favor da escolha".
"Por que meu cabelo é ruim? Por acaso ele fez algum mal?"
E ainda completa dizendo que ruim é o cabelo que "abandona o barco" antes da hora (leia-se: cai). Algo do tipo: "Poxa, a gente passou a vida inteira junto e você se vai assim, sem mais nem menos? Não foi esse o combinado".
Outro texto dela sobre o tema:
http://www.escolalucinda.com.br/alira/2010/11/23/pensamentos-de-um-cabelo-bom/

Lucia disse...

Nos anos 80 a mulherada do CNDM fez e publicou uma pesquisa sobre os livros escolares no Brasil. Não lembro certinho mas era mais ou menos assim, de todas as ilustrações encontradas, 1000, por exemplo: 500 de homens brancos. 300 de mulheres brancas. 150 de homens negros e 50 de mulheres negras.
E daí era o seguinte, dos 500 homens brancos, 400 de pasta 007 indo trabalhar, 100, se dirigindo aos seus carros.
Das mulheres brancas, 200 na cozinha com os filhos ou dando aula, 200 cozinhando ou varrendo a casa.
Dos homens negros, 100 no campo e o resto entre uniformes policiais ou de capacete de construção.
Das mulheres negras... bom, vocês devem imaginar... Sempre com uma touca branca na cabeça e fazendo serviço caseiro.
Nunca mais li nada sobre o assunto e muito menos me dei ao trabalho de olhar os livros de escola mais recentes... Se tiver havido alguma mudança nessas imagens, acredito que vá chegar um momento em que a própria indústria da beleza vai ter - não sem muito sangue e ranger de dentes - que abrir o leque.
No entanto, mais importante que só a imagem bela ou não, é a mensagem subliminar sobre o papel de homens e mulheres na sociedade.
Espero sinceramente que isto esteja mudando definitivamente.

A.H.B. disse...

Lucia: muito interessante. Dei uma pesquisada no google e encontrei um artigo que utiliza as informações do CNDM que você comentou. Aqui.

A.H.B. disse...

Laurinha: aliás, "febre da selva" ou "jungle fever" é um termo racista usado nos EUA para referir-se a relacionamentos "inter-raciais".

Lucia disse...

A.H.B. esse texto que você linkou já é de 2009, o que espero signifique que o assunto está vivo e que estão de olho!

Dayane Ok. disse...

Dri,se vc se referiu a mim (ou só tentando esclarecer esse ponro se dei a entender mal a mais alguém), disse que me sinto mais atraísa pelas pessoas do Nordeste pq minha avó é Nordestina e cm vc mesma disse
"E nunca é demais lembrar que foi pelo Nordeste que esse povo brasileiro que hoje é reconhecidamente fruto dessa mistura entre brancos, indígenas e africanos", já que a outra parte da minha família reside no Sul, onde a cultura Européia é muito mais forte.

Dayane Ok. disse...

Karina"
"Vocês não querem entender a perspectiva que elas colocam. Simples assim."

Fico besta em cm as pessoas pensam que sabem ler pensamentos aqui!

Liana:

Eu não estou brava com vc, de maneira nenhuma!rs.Entendo a importância do post.

Bruno S:

O mesmo que escrevi pra Liana.

Dani Cavalheiro disse...

Pras brancas que acham que preconceito contra branco é racismo:

Racismo é histórico, é dominação, é luta de classes, é um dominando (social, economica e politicamente) o outro. Racismo não SÓ é ser zoada na escola. É construção social.

Roxy Carmichael disse...

may,
na escola se você usa óculos, vão te chamar de quatro olho; se você é gordo, vão te chamar de baleia; se você é magro, vão te chamar de perna de saracura; se você é ruivo vão te chamar de ferrugem; se você tem nome estranho vão te zoar pelo seu nome, se você é muito alto vão te chamar de varapau; se você é baixo vão te chamar de toquinho de amarrar jegue, quer que eu continue ou já deu mais ou menos pra entender onde eu quero chegar?as crianças são um tanto quanto cruéis, mas na essência, estão só reproduzindo um discurso que é o discurso da intolerância com a diferença. no mundo "adulto" não é que essa intolerância desapareça como um passe de mágica, simplesmente (alguns) adultos filtram mais o que vão dizer. me diga você se alguém vai trocar de calçada ao ver uma pessoa de óculos. me diga você qual é o padrão hegemônico nas passarelas se não as (muito) magras. que tal me dizer se algum policial vai revistar um jovem que encontra na rua no meio da madrugada só por ele ser ruivo. que tal o dono de uma loja optar por não contratar uma funcionária com curriculum invejável só por ela ter um nome estranho. então assim, sem querer ser "insensível" ao seu "drama" infantil: não me venha com xurumelas.

Caroline Cardoso disse...

Pessoal,
não li TODOS os comentários, porque parei no do/a cabanadeinverno que, para mim, resume tudo e vou transcrevê-lo a seguir:
*
*

"Racismo não é simétrico. Depende da linguagem e não de uma suposta matemática morfológica.

Sempre tem aqueles que falam do dia que foram pra favela e algum negro o chamou de branquelo.

O significado simbólico de ser chamado de branquelo é o mesmo de ser chamado de nego? São as mesmas razões histórico-sociais que fazem o branquelo ser branquelo e o nego ser nego?

Racismo é relação de dominação (político-social-econômica), não pode ser reduzido à falta de ética. Se é relação de dominação, só é racismo enquanto for da raça "superior" pra "inferior". O contrário não é verdadeiro, o contrário não é a mesma violência simbólica (apesar de poder ser um tipo de violência simbólica)."
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*
EXCEPCIONAL! EXCELENTE! É isso que precisamos entender.
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É muito fácil um branco dizer que não existe racismo, ou que "optar" por um/a namorado/a negro/a é questão de "gosto pessoal".
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*
Para entendermos bem essa questão e como o discurso condiz com toda uma questão de dominação branca europeia, basta prestarmos bastante atenção às piadas. Quando queremos disfarçar nosso preconceito, contamos uma piada, que geralmente ressalta uma característica que consideramos fraqueza ou defeito no outro. Veja bem: NO OUTRO, nunca em nós. É a mulher, é o careca, é o português, é o gay, é o nordestino, é o flamenguista, é o pobre, é o favelado, é o negro, é o fusca, e por aí vai. Isso é a tal violência simbólica de que falou o/a cabanadeinverno. ;)
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Se liga, pessoal! Fiquem espertos com o racismo impregnado em nós, em nossos discursos, em nossas atitudes e em nosso "gosto pessoal"! :D

Roxy Carmichael disse...

jovem dayane:
se você entende perfeitamente que a sua situação com suas amigas nem se compara ao preconceito que os negros sofrem no país, como disse "claro, ninguém está falando aqui que o preconceito que sofremos por sermos brancas se compara a todo o sofrimento histórico, social e td o mais que o negro sofreu", fica a pergunta: qual a relevância mesmo da sua experiência com suas amigas aqui nesse post?compartilhar o seu drama independente do tópico do post?desculpa só não ficou muito claro pra mim o que exatamente isso de a suas amigas se auto-afirmarem diante de você tem a ver o racismo e a exclusão social, econômica e cultural de milhões de negros no brasil (e no mundo, diga-se de passagem)

Débora disse...

Oi Lola.
Concordo com tudo que vc escreveu.
Essa desculpa de "gosto pessoal" é ridícula.
Minha família é de origem italiana e quando meu tio resolveu casar com uma negra foi um bafafá.
Lembro da minha avó falando a mulher dele na maternidade: Só me faltava um neto negrinho mesmo!
As pessoas são muito preconceituosas sim, e isso muitas vezes não aparece de forma clara. Elas são condicionadas à isso.
É triste ver o concurso do bebê hipoglos. E quando falamos nisso as pessoas ainda dizem que estamos exagerando.
Eu não sou negra, mas desfilo meus cachos com orgulho.
Também fico com um negro e até agora a unica atitude preconceituosa que presenciei foi de uma amiga (também negra) perguntando como ele fazia pra se sustentar na universidade, já que nossos cursos são integrais e não trabalhamos. Ela perguntou somente à ele.
Muitas pessoas acham alguns negros bonitos, mas como vc disse apenas aqueles que tem "traços finos". Pra acabar!
Acredito que estamos melhorando na questão do preconceito com a pele negra, mas na dos padrões de beleza estamos cada vez pior.
Beijo Lola.

Caroline Cardoso disse...

Ah, gostaria de ressaltar que ontem, fazendo uma pesquisa na internet para encontrar as maiores cantoras negras da história, adivinhem o que encontrei? Quase NENHUMA MULHER NEGRA! A maioria que aparecia era de homens negros.
*
*
Lembrei de um debate do MVBill e do Gog aqui em Brasília, promovido pelo SINPRO-DF, mês passado, em que eles foram questionados sobre a presença das mulheres no hip-hop. Nooooossa! MVBill ficou vermelho e superenvergonhado. Ele disse que um dia ele descobriu que o hip-hop era machista e que, a partir de então, começou a enturmar a irmã dele no grupo. Mas, percebam, mesmo entre os grupos militantes existe a discriminação, porque são atitudes arraigadas em nós. Precisamos de conhecimento, educação e esclarecimento para entendermos todo o contexto sociopolíticohistórico em que estamos inseridos e o que/como podemos fazer/ser para que as diferenças sejam aceitas e os direitos sejam realmente os mesmos para todos.
*
*
Indico a leitura da tese de doutorado de Ana Lúcia Silva Souza - Letramentos de Reexistência: culturas e identidades no movimento hip-hop, defendida em 2009, transformada em livro e editada pela Parábola Editorial este ano. É um trabalho primoroso sobre a legitimação dos rappers como agentes de letramentos. LEIAM porque é muito bom!

Boa noite! ;)

Aline disse...

Engraçado, ontem estava falando disso no twitter. Uma pessoa que eu conheço disse que não namora negros e jamais teria um filho com um. Por que quer clarear a família e não escurecer...
Sabe o pior de tudo? Ela é negra.

Eu conheço uma mulher que tem duas filhas, uma de cada pai.
Ela vivia dizendo que gosta mais da filha mais nova por que por ser mais clara ela é mais bonita, mais inteligente, mais limpa, e blablabla.
E ela é mulata.

Como pode? Uma mãe descriminar seus filhos? Alguém ter preconceito contra sua própria raça?

As vezes eu digo que queria ter a cor da pele da minha avó, que sai no sol e não fica vermelha. Minha vó não é negra, é filha de um negro com uma italiana típica. O pai dela também era italiano, mas da calábria, uma região que tem muitos negros. Ela tem cabelo bem encaracolado(é errado falar pixaim? ) e pele morena. Meu pai é moreno, meus tios e tias tem cabelos cacheados. Meu avó era português.
Da parte da minha mãe todos italianos, menos um bisavó que é filho de italiano com índio.
Ou seja, uma baita mistura.
não acredito que em um pais onde somos pura mistura alguém posso ter tanto preconceito. Até mesmo contra si e contra seus iguais.
Não eram essas as pessoas que mais deveria lutar para serem aceitos e tal?

Aline

carolpd disse...

Quem acha que branco sofre racismo está indo no mesmo nível de pensamento de gente que acha ok fazer "Parada do orgulho hétero".

Roxy Carmichael disse...

aline,
acontece que muitas vezes o oprimido replica a lógica do opressor. a mulher machista, o pobre que odeia pobre, o negro que odeia negro. aqui mesmo no blog, uns posts atrás a lola falou sobre a criança que sofre violência que depois perpetua a violência contra outras crianças.

LisAnaHD disse...

"Eu não trocaria um Will Smith por Brad Pitt e Gianecchini juntos!"

-- Pudera, esses dois dando entrevisa só falam besteirol... qdo falam alguma coisa inteligente foi pq alguém lhes escreveu o texto e eles decoraram...

". . . alguém me explica quando foi que "nordestino" virou uma raça ou etnia?"

-- Pra ver até onde vai a ignorância de uns muitos sobre seu próprio povo...

". . . as pessoas não se conformavam com o fato da modelo Isabeli Fontana estar namorando o filho do Bob Marley (negro feio, maconheiro e fedido, diziam). . . "

-- E se esqueceram da filha do Chico Buarque casada com Carlinhos Brown??? Esse pessoal é mesmo de lascar, hein?

Tive um amigo de apelido Nêgo, na boa... na família dele eram todos brancos e ele nasceu fisicamente parecido aos irmãos com a diferença de ter a pele assim como Caetano Veloso... outra amiga tinha/tem o apelido de Preta, veio de família mistura com negro e branco e ela se parecia à cantora Simone e tb se chamava Simone, mas todos a chamvam de Preta e tudo bem. Nêgo veio de família rica; Preta se fez rica estudando Informática e obtendo bom emprego.

Entre os hispanos negra y negrita são apelidos carinhosos... como gorda y gordita... alías eu era magra e loira e meus namorados argentinos de chamavam de negrita ou de gordita rica... outras vezes de flaca (magra). De qq forma, há situações em que é arriscado passarmos julgamento... a filha do Gil Gilberto é Preta Gil...

Bem, eu fui a favor de elimanarem termo racista da literatura infantil de Monteiro Lobato... e sou autêntica no meu ponto de vista, pois livro dele que eu estava lendo há décadas eu ia riscando totalmente as palavras que me soavam ofensivas a crianças ou que pudesse fomentar racismo entre crianças... e claro que estou considerando o contexto.

LisAnaHD disse...

Aline, que eu saiba não é errado falar cabelo pixaim a menos que de uns tempos pracá passou a ter conotação ofensiva.

Aliás, qual a diferença entre cabelo encaracolado, cabelo cacheado, cabelo ondulado? É tudo sinônimo? Pois eu entendo que o cabelo pixaim é o cabelo 100% afro.

Dayane Ok. disse...

Roxy querida,
Eu estava conversando com a MAY, falei isso direcionado a ELA por dizer que tbm já passei por situações semelhantes. Arelevância foi toda voltada a ela.BNão se preocupe, não teve nada a ver com o post e muito menos com vc.

Roxy Carmichael disse...

obrigada dayane por esclarecer a minha dúvida!beijão!

Moema G. disse...

Roxy Carmichael disse...

" aline,
acontece que muitas vezes o oprimido replica a lógica do opressor. a mulher machista, o pobre que odeia pobre, o negro que odeia negro. aqui mesmo no blog, uns posts atrás a lola falou sobre a criança que sofre violência que depois perpetua a violência contra outras crianças."


Roxy, isso se chama dupla consciência.

Robson Fernando de Souza disse...

Não sei se vocês concordariam comigo, mas seria da hora se criassem um site especializado em beleza negra e mulata. Seria um grande desafio a essa sociedade de preferências racistas de beleza.

Hoje praticamente não se trabalha no Brasil a apresentação da beleza negra/africana/mulata. Seria excelente alguém, de preferência de movimentos negros, criar um site como eu descrevi acima. Poderia servir pra introduzir à sociedade brasileira, tão acostumada com a beleza branca como padrão único de beleza, a um segundo padrão.

Francisca disse...

A.H.B.,

Eu entendo bem o que você falou sobre a construção social do conceito de raças e também sobre os aspectos sócio-históricos da segregação. Todavia, eu penso que é justamente esse conceito que gera o preconceito.

Racismo, pra mim, é considerar o outro diferente por questão de cor e hostilizá-lo por isso. Conheço pessoas que não frequentam certos lugares em Nova Iorque e outras cidades dos EUA, porque são espaços em que um homem branco não deve ir, muito menos sozinho.

Porém, aqui, eu tenho uma amiga branca cuja mãe é negra. Como você diz, ninguém a discrimina por isso, mas a mãe dela tem orgulho da filha branca. Já tentei explicar a ela que isso é um besteira, porque a filha dela tanto pode ser branca como negra. Aqui, no Brasil, nós julgamos apenas a cor da pele, então ela é branca. Porém, em outros países, as pessoas também são classificadas pela sua ascendência e ela poderia ser considerada negra. Nem preciso dizer que essa senhora me acha maluca, né?

Pra mim, enfatizar essa ideia de raças só reforça essa segregação e por isso não concordo com as cotas que usam esse critério. Cotas para os alunos das escolas públicas estaduais faria mais sentido. Porém, num sistema onde o mérito acadêmico, supostamente auferido pelo vestibular, é o centro da questão, selecionar as pessoas por outros critérios pode gerar mais discriminação.

Enfim, não estou dizendo que as cotas não possam funcionar. Tenho visão monocular e algumas pessoas falam que eu devia usar isso em concursos públicos, mas acho um absurdo, porque há pessoas que são realmente cegas e necessitam dessas cotas.

Eu também não entraria numa cota para mulheres, se houvesse uma. Porém, isso é uma questão minha, pessoal. Não quero dizer que as outras mulheres não poderiam entrar.

http://souferrofundido.blogspot.com/ disse...

Lola,eu sou negra. Família mista, mãe branca, pai negro.
Tenho traços,como dizem, de branco:boca pequena, nariz fino,cabelo "quase liso"e cor preta.Sou a mais escura da família.

Estudei alguns anos em escolas particulares e, bem, muitas vezes eu era a única com este biotipo nestas escolas!Minha estratégia para não ser maltratada era maltratar antes.

Por anos inverti todo o racismo, e quando um branquinho me paquerava,por exemplo, me adiantava dizendo coisas ofensivas a sua cor.

É claro que isto escondia um complexo bem forte, na verdade, medo de ser agredida.Coincidência ou não, a verdade é que nunca fui, pelo menos não verbalmente.

Mas embora as pessoas dissessem que eu era bonita, nunca acreditei. Houve uma novela global em que a Isabel Fillardis fazia um papel de uma moça sedutora (chamava Ritinha), foi a primeira vez que vi alguém com meu perfil na tv, e quando me chamavam pelo nome da personagem na rua ficava bem feliz.

É engraçado em um país como o Brasil a televisão ser tão nórdica!É bastante prejudicial a quem ainda está em processo de formação da personalidade.

Conheço negras absolutamente bem resolvidas em relação a aparência, mas, por incrível que pareça, são de classe social mais baixa. Minha família é de classe média, meu bairro é branco, sempre foi,então em quem vou me espelhar?E minha filha?

Faço 30 anos ano que vem, e só agora consegui deixar a chapinha de lado e assumir meus cachos....

A aceitação precisa vir de nós, negros.Sinto falta de maior união entre minha raça.

Não gosto da miscigenação porque desune os negros. Na minha casa mesmo, meu irmão tem a pele clara, com traços mais finos que vários brancos...pergunta pra ele se ele é negro?

Se não houvesse miscigenação no Brasil, o racismo seria mais óbvio, os negros reagiriam mais, a mídia seria obrigada a mudar.

Este racismo velado 10% de cota é o que dói mais.E a negrada acha que tá ok...somos só 10% da população, né?

Obrigada pelo lindo post.

Moema G. disse...

Robson, quem entende de beleza negra são as africanas. Dá uma olhada na South Africa Fashion Week e veja como elas se produzem. Não tem prá ninguém...rs (Só faltaram os turbantes e as estampas lindíssimas
busque 'south africa typical dresses' Moda negra não é só fantasia de baiana não, viu?

A.H.B. disse...

Francisca: estou ciente de que em outros países a pessoa é classificada por ascendência, porém estava focando a questão no racismo como ocorre no Brasil.
E sabemos que aqui há essa qualificação por cor de pele, que faz com que certo grupo de pessoas - cujo tom de pele é mais escuro - seja discriminada em vários âmbitos da sociedade e, vivendo em uma sociedade que funciona segundo um modelo econômico capitalista/liberal, tenham menos oportunidades. Visto que não somos capazes de mudar esse sistema repentinamente, vejo as cotas - sejam raciais, de gênero ou sócio-econômicas - como um paliativo para o problema que a lógica de mérito dos vestibulares, concursos e entrevistas de emprego não será capaz de suprir.

Além disso, acredito que deveríamos testar o modelo antes de descartá-lo. Assim como fazer análises comparativas com outros países que adotaram sistemas de cotas - EUA e África do Sul, por exemplo - e procurar observar resultados a longo prazo.

A.H.B. disse...

Esse texto apresenta pontos interessantes sobre as políticas de ação afirmativa em benefício da população negra do Brasil: Link.

Belezas de Kianda disse...

de fato a referência de beleza para a maioria das pessoas é a estética do branco, do europeu. por isso, tantas mulheres negras perseguem esse ideal de beleza e os homens negros tb preferem mulheres mais claras.

dizer q uma determinada cor ou forma é feia, é racismo sim. e o própio negro se vê feio ou menos bonito q o branco. ele aprendeu dessa forma e seus pais assim pensavam tb, e seus avós...

discutir sobre isso é um passo importante para uma mudança. é importante para o negro rever esses conceitos e tentar ver-se de forma diferente do branco, mas não inferior ou mais feio.

beleza é questão de gosto sim, mas gosto é algo q se constói, q se adquiri a partir de padrões culturais a qual a pessoa está sujeita desde que nasce.

é preciso q o homem e a mulher negra aprendam a se verem de outra maneira, de modo a valorizarem-se, e ensinarem aos seus filhos q suas características físicas são também belas.

Roxy Carmichael disse...

até que enfim!
"belezas de kianda" até que enfim você apareceu! eu não aguentava mais o papinho furado do "meu amigo é super legal, super progressista, mas só gosta de garotas branquinhas e isso não é racismo" ou ainda "mas sou racista só porque acho uma mulher branca mais bonita que uma mulher negra?" (sorry may).
espero que com seu comentário, cristalino de tão claro, possa esclarecer de uma vez por todas: "beleza é questão de gosto sim, mas gosto é algo q se constói, q se adquiri a partir de padrões culturais a qual a pessoa está sujeita desde que nasce."
bravo!

Denise disse...

Não concordo com essa afirmativa de que preferencia não existe e é apenas cultural. Claro que preferencia existe e tem a ver com muitos fatores incluindo o cultural, o social, e o biológico. Eu sempre me senti atraída pelos mestiços, e aí? É errado? Menos, né?
E agora algo que tem me incomodado ultimamente... vamos deixar um espaço para quem discorda da idéia principal sem ataques ofensivos ou violentos? Considerando que as pessoas aqui costumeiramente pregam a não violência, cair de pau em quem discorda e apresenta opiniões, fatos e vivências diferentes, é no mínimo hipocrisia. Existe uma grande diferença entre as pessoas que discordam dos trolls e com um pouquinho de analise é muito fácil de identificar quem é troll e quem não é. Então, querem matar a opinião de quem discorda com grosserias não é uma forma muito inteligente de discussão. Além do que, um diálogo onde as pessoas só concordem é muito pobre de idéias, não acham?
Eu gosto de ouvir outras idéias, contrarias as minhas ou complementares as minhas. Idéias contrarias à principal fazem com que a gente pense mais na questão. Então que tal praticarmos a tolerância e deixar que as pessoas se expressem, perguntem, questionem, sem agressividades? Não é isso que a gente quer, a diversidade?
Quanto a questão da beleza branca como o padrão, quem não gosta deveria boicotar o meio que propaga essas idéias, não acham? Considerando que esse meio é um meio doente, que vive e lucra se alimentando da baixa estima das mulhers, seja ela gorda ou magra, negra ou branca, nova ou velha (hum.. Vamos falar da discriminação que as mulheres mais velhas sofrem...?), etc...está mais que na hora da gente se rebelar contra essas imposições.

Dayane Ok. disse...

DENISE, SUA LINDA!!!!!!!!

Obrigada!Muito obrigada por ter escrito tudo isso!

http://pedacosdela.blogspot.com/2011/11/mais-desabafoesse-nem-nome-tem.html

Sem mais.

Dayane Ok. disse...

Eu só estou perdendo a vontade de comentar aqui a cada dia, só isso.
Cansada de gente insegura que tem que se fazer valer por meio de agressões e grosserias. É inacreditável que um blog com abordagens que enfoquem o tempo todo sobre o preconceito, a falta de tolerância e td o mais, tenha pessoas assim.

Rosangela disse...

O meu comentário está atrasado mas eu vou postá-lo assim mesmo:

Eu sei que a intenção é manter elevado o nível do debate mas, me desculpem, permitir que esta caixa de comentários se transforme em um espaço para pessoas brancas reclamarem do racismo dos negros é um pouco demais, hein!?
Em que planeta vcs vivem, caras pálidas? Os negros ganham menos, a maior parte dos favelados é negra, o negro não é considerado bonito, o negro é sempre ladrão até que se prove o contrário, o número de atores negros de destaque na televisão brasileira são contados nos dedos de uma única mão, não é improvável que a própria mãe de uma criança negra não a considere bonita, crianças negras são as menos adotadas, um negro entrando em uma loja cara sempre receberá olhares enviezados ou de surpresa, uma das explicações populares para o fato de Nossa Senhora Aparecida, padroeira nacional, não ser branca é que ela estava suja quando foi encontrada pelos pescadores sei lá onde... São tantas as situações horrorosas pelas quais uma negra(o) passa desde a mais tenra infância... Sinto muito, mas eu não posso me condoer de, um dia, outras crianças terem chamado uma menininha branquinha de cabelos dourados como o Sol - sempre comparações bacanas! - de batata baroa ou sei lá o quê. Mesmo porque isso pode ser apenas inveja de criança rejeitada, inveja pueril de quem não tem aquilo que percebe tão cobiçado. Quando criança eu formava um grupo de cinco amigas muito próximas: uma loira de olhos verdes, uma branca de olhos imensos e cabelos pretos e lisos e três pardas de cabelos encaracolados. Depois de adulta é que eu fui perceber como as 3 últimas meninas devem ter sofrido caladas todas as vezes que éramos paradas na rua e ouvíamos elogios derramados sobre a beleza das primeiras, principalmente da loirinha. E quando éramos adolescentes e, em um shopping de SP, uma repórter de uma revista pediu pra tirar foto da gente pra uma reportagem e colocou as duas brancas na frente e posicionou as 3 pardas escondidas atrás das araras de roupas? E a minha amiga doutoranda em História, negra e gorda, um mulherão maravilhoso em todos os sentidos, que mesmo com excelente formação nunca conseguiu dar aula nos colégios frequentados pela elite paulistana? É só coincidêncis? Eu posso entender a sensação tenebrosa de ser excluído, rejeitado pelo grupo de amigos mas passar a mão na cabeça de um privilegiado que se aproveita de um pequeno incidente para reclamar do sistema de cotas raciais, da perseguição a brancos, heteros, magros, whatever!, não dá mesmo!

Denise disse...

Entendendo a nova e mais elaborada definição da palavra racismo como discriminação racial mais poder (que eu hesito em aceitar completamente pois isso abre a porta para um monte de interpretações), a minha pergunta é: qual a raça dominante no Brasil? Os brancos de olhos azuis, os mais os menos brancos (e aí a coisa é muito fluida) de cabelos e olhos castanhos, os morenos tão tão brancos de cabelo liso, quem? Em um país onde a miscigenação é tão grande, qual é o setor com poder?
Em países como os EUA, onde a miscigenação não é tão extensa (ainda) e onde os grupos étnicos se separam muito definidamente é fácil identificar, mas quando a mistura é grande eu acho um pouco complicado.
Bom, fica a pergunta e espero sem ataques...

Francisca disse...

Souferrofundido,

Sério, você é contra o casamento de pessoas com cores diferentes? Como o do teu pai com tua mãe?

Nos EUA, nos anos 60, muitos estados forçavam a integração escolar, mas se recusavam a abolir as leis que proibiam o casamento inter-racial. Um absurdo! Não que segregar estudantes não seja algo idiota, mas proibir o casamento porque os noivos tem cores distintas é muito pior.

A.H.B.,

Eu só discordo desse discurso que diz que o mérito não pode servir para selecionar, porque isso transparece que os negros selecionados pelas cotas terão necessariamente menos mérito que os outros alunos.

Certa vez, numa discussão, uma moça que defendia as cotas falou: "Os negros precisam de cotas, porque nem com anos de estudos eles conseguiriam se igualar aos alunos brancos."

Nem acreditei! Isso é preconceito, mas ela, que é branca, nem percebe.

No Cefet-CE, na minha época, tinha cotas para alunos das escolas municipais, mas eles passavam um ano recebendo reforço e se submetiam a um difícil processo de seleção. Só quem atingia uma determinada pontuação era admitido.

Isso é mesclar mérito com cotas e funciona. Os alunos oriundos desse sistema tinham nível similar a nós, que haviamos sido aprovados pelo sistema tradicional.

Porém, como já afirmei, sou contra cotas baseadas em questões raciais, porque penso que elas contribuem para reforçar a ideia de raças biologicamente definidas. Uma ideia mostruosa!

Como diz um amigo meu: "O racismo não apenas desejou destruir o povo judeu. Antes, ele convenceu a todos que os judeus formavam um grupo racial específico, apartado-nos das outras pessoas."

denise disse...

O que se pode fazer Lola pra que o racismo desapareça de vez do mundo, o relato dessa garota "D" é doloroso e o video das crianças são de cortar o coração.
O que se pode fazer pra descontruir isso?

denise disse...

Lendo os comentários quero dizer que adorei o que a Belezas de Kianda fez, pra mim os negros tem muitas qualidades inclusive fisicas que devem sim ser ressaltadas, não ficar tentando imitar os brancos, alisando cabelos, se vestindo igual, ja vi muitas negras usando roupas etnicas maravilhosas, e ha muitos penteados lindissimos especiais para cabelos dos negros, pode não ser muito mas é um modo de se rebelar contra a midia que exclui, e mostrar pra nossas crianças a beleza dessa raça.
Tambem adorei o cometário da Francisca, acho que cotas por criterio de raça apenas, num pais tão miscigenado como o nosso não faz sentido, eu mesmo conheço gente que esta se beneficiando disso e é tão "negro" como eu.

aiaiai disse...

aproveitando a pergunta da Denise "o q se pode fazer para acabar com o racismo":

primeiro passo: admitir q ele existe, que está dentro de todos nós, que nos faz agir de forma diferente mesmo quando não desejamos fazer isso. Não sou eu ou você ou fulano que é racista. É a nossa civilização que é racista pois foi construída com base no racismo. Há menos de 200 anos a classe dominante (nobres, burgueses e religiosos) não considerava pessoas de pele negra como pessoas. Usavam esses seres como animais de trabalho e justificavam isso com base apenas na cor da pele desses seres.
A partir dessa base histórica dá para compreender porque os negros são a maioria dos pobres no brasil e em todos os países onde ouve escravidão. Dá para compreender a situação de crise permanente nos países da áfrica negra também.
Enquanto brancos viviam as custas do trabalho negro, acumulavam riqueza e conhecimento graças ao esforço dos escravos, os negros eram excluídos completamente da vida. Eles eram apenas animais de trabalho.

Diante dessa perspectiva histórica, é impossível falar em meritocracia. Que mérito tem uma pessoa branca que teve saúde, educação e vida privilegiada desde o berço (berço este criado a partir da exploração de outras pessoas) frente a uma pessoa negra que viveu desde sempre sem nenhum desses privilégios? Como comparar? Não dá!
Por isso as cotas são urgentes. Temos que dar sim alguns privilégios àqueles que não tiveram nenhum privilégio para que possamos no futuro falar em comparação.
Outro ponto positivo das cotas é que eles permitirão criar uma massa de pessoas negras com educação e formação para que, no futuro, as crianças negras e brancas entendam que negros e brancos são iguais. Hoje, não temos isso. Quando vemos uma pessoa negra pensamos em pobreza e quando vemos uma branca pensamos em riqueza. É isso que precisa ser quebrado.

Dica final: estudem a história da escravidão. É a raiz de todos os problemas que enfrentamos hoje. Só compreendendo a crueldade do que foi realizado no passado, poderemos lutar para reparar essa crueldade e construir um mundo de igualdade.

denise disse...

aiai eu tenho um vizinho que nunca desconfiei que fosse negro, sua esposa é branca de olhos claros, seus filhos são loiros de olhos bem claros também, pois fiquei sabendo que ele voltou a estudar esta fazendo faculdade de administração de empresas, como eu sabia que eles estavam com problemas financeiros fiquei surpresa, ai sua esposa me disse que ele havia ganhado uma bolsa por cota racial.
Eu também tenho descendência negra na minha família meu avô era filho de negro com branco, acha justo que eu reivindique cotas para mim ou para minhas filhas?

denise disse...

Talvez o que vc propõe é cotas para a aparencia não para raça, aqui no Brasil a população é muito miscigenada, eu mesma tenho uma filha que nasceu mais morena que a outra que ja é bem clara.

Caroline Cardoso disse...

Pessoal,
só um esclarecimento: racismo é a discriminação e o tratamento desigual, injusto ou violento contra pessoas de raças ou etnias diferentes. Não se limita apenas aos negros, ok?
*
Preconceito é o prejulgamento, uma opinião ou uma ideia preconcebida a respeito de alguém ou de algo sem reflexão necessária, sem posicionamento crítico.
*
Discriminação é o ato de segregar, de humilhar, é a ação advinda do preconceito, ou seja, é a ação que resulta da ideia preconcebida sem criticidade, sem reflexão, sem conhecimento.
*
Denise, acho que acabar com preconceito é complicado, difícil, mas devemos tentar fazer isso via ideias, via conhecimento. Muitas vezes as pessoas discriminam as outras por pura falta de conhecimento, porque vão na onda da maria-vai-com-as-outras. É o caso das religiões e do gênero, só pra citar dois exemplos.
*
No fundo, todos os nossos preconceitos advêm de construções socioculturais ao longo de séculos de história. E ainda existe a questão biológica, que contribui para que nosso lado animal, muitas vezes, fale mais alto e para que enxerguemos o "diferente" como o "inimigo". Mas isso é errado do ponto de vista do desenvolvimento intelectual que temos hoje. Não nos gabamos de termos inteligência? Então devemos usá-la para aumentar nossos conhecimentos, nosso pensamento crítico, nossa tolerância, nossa aceitação, para entendermos que ninguém é melhor do que ninguém.
*
O melhor de todas as discussões e debates é aprender. Sempre. Aprender e colocar em prática o que aprendeu. Não acham? Então, vamos aproveitar oportunidades como esta para aprender, para nos posicionar sem atacar os outros, vamos realmente colocar em prática aqui nosso lado humano e não nosso lado animal, de querer subjugar o/se sobressair ao outro. Isso se chama respeito. Que tal?

Bom dia, galera! :D

denise disse...

Eu sou favoravel as cotas sociais, mas as baseadas em raças, aqui no Brasil não faz muito sentido.

taty disse...

"Outro ponto positivo das cotas é que eles permitirão criar uma massa de pessoas negras com educação e formação para que, no futuro, as crianças negras e brancas entendam que negros e brancos são iguais."

Aiaiai,
Eu concordo com você.
E acho que quem é preconceituoso, não vai mudar.
Por isso eu acredito que o caminho para acabar com o preconceito está com nossas crianças: fazê-las conviver normalmente, brancas e negras, não sendo dada qualquer ênfase com relação à cor da pele. Para tanto, as cotas são necessárias para a inclusão dos negros.
No entanto, ficar ressaltando a beleza negra, ficar criando sites, revistas da "raça" negra, pra mim, é ficar evidenciando algo que não deveria ter qualquer importância.
É chamar a atenção pra algo que a criança sequer se dá conta.
Vou citar o que ocorreu com minha filha: Ela disse que gostava de um menininho da escola, e quando ela foi me mostrar o menininho (tinham umas 10 crianças brincando, e ele era o único negro) e ela falou: "É aquele ali brincando com a bola". E eu: "Mas qual deles". E ela: "Aquele ali de camiseta azul".
Ela poderia ter dito: "É aquele ali moreninho", etc. Mas não, pois a cor não era algo que chamava a atenção para ela. Não era algo relevante. Não era algo que o diferenciava.
No entanto, depois dela ver uma revista na banca só de negros, elas passou a questionar se a pessoa era branca ou negra.
E eu citei casos em que fui agredida por negros, pra mostrar que eu também passei a ter consciência a respeito da cor da pele das pessoas após estes episódios. Que até então, para mim, não me chamava a atenção.
Então, quando um negro ressalta sua cor da pele, usa camiseta "100%black", etc, eu não acho ofensivo para com os brancos, também acho que não seja preconceito, mas eu acredito que é perpetuar o próprio preconceito contra os negros, pois é ressaltar algo que não deveria ter qualquer relevância.
Lembrando que eu penso sempre nas crianças, na educação destas. Sendo que as crianças, a princípio, não fazem esta diferenciação.
Posso estar equivocada. Talvez haja a necessidade de ficar ressaltando a beleza negra, para a autoestima das crianças negras. Mas, a princípio, eu acho prejudicial, por ressaltar algo que não deveria ter qualquer ênfase.
Bjks!

MARIA, L.P. disse...

Meus queridos,

quando falamos em racismo, não podeos desconsiderar a peculiaridade de que no Brasil vivemos 300 anos de escravidão negra, e mais 70 anos de racismo científico, no pós abolição.

Preconceito, é uma coisa, e tenho certeza de que todos já sofreram, mas o racismo tem uma bagagem cultural e histórica que não pode ser ignorada.

cabanadeinverno disse...

Eu cheguei a fazer um post no meu blog -

http://cabanadeinverno.wordpress.com/2011/11/22/racismo-simetria-na-pratica-racista-e-srta-morello/

É curto e etc.

Juliana disse...

http://bebehipoglos2011.com.br/galeria

página inicial: 35 crianças
1 negra, 1 oriental e 11 que possuem nitidamente os olhos claros.

sem mais.

Seastar disse...

Olá Lola! Obrigada por mexer nesse vespeiro. A presença do padrão eurocêntrico de beleza e de comportamento não é mera assombração de um passado colonialista e a ideologia do branqueamento ainda permeia a maioria das escolhas desse país que sonha em ser algo que não é: " branco, branquinho como leite". Ainda sentimos verdadeiro incômodo, quando não medo - como no caso relatado sobre o cobrador - de comportamentos e atitudes que não se encaixam nesses parâmetros. Assim quando negros conversam alto e riem em grupo - o que é ainda mais ameaçador para o racista - são percebidos como perigosos e aí vem todo o desfecho desastroso que já conhecemos. Esse problema realmente afeta e deixa marcas difíceis de remover em crianças e é na idade escolar que a coisa começa a tomar corpo. Por isso ressalto aqui a grande e urgente necessidade de termos educadores sensibilizados e preparados pra desenvolver a educação em termos de gênero e raça nas nossas instituições de ensino. Mas, como professora do Colégio de Aplicação da UFSC - Florianópolis - ainda me vejo em ações solitárias contra o que diz respeito ao racismo.
De volta ao assunto que você apontou, a beleza no país ainda reflete o ideal colonialista (que imita o colonizador) de achar que tudo que é melhor é europeu. Assumir uma identidade brasileira é assumir tudo o que o colonialista não quer: a cor, o quadril, o gesto, a fala e o modo de se perceber e de se fazer. Gostaria de apontar, em face aos comentários que dizem que é uma questão de gosto pessoal, que realmente pode ser preferência, química ou algo assim, mas que permear escolhas no campo profissional, nas capas de revista, nos concursos de beleza e no acesso a quaisquer outros setores é sim, um ato discriminatório e violento. Além do mais, precisamos estar conscientes de que somos construídos socialmente. Nada é natural. Aprendemos tudo no nosso grupo social. E é preciso que nos questionemos constantemente sobre como e porque pensamos,agimos e escolhemos as coisas.Concordo quando vc, Lola, fala que o "Black is beautiful" jamais deveria ter saído de moda pois no Brasil ainda nos vemos enfrentando os mesmos problemas que o movimento da Negritude (iniciado nos anos trinta por estudantes caribenhos e africanos na Europa)apontou e combateu através da Literatura.
E se falarmos de cabelo, então! Todas de cabelos lisinhos e compridinhos... Não tem muito espaço para criatividade e para liberdade... Padrões...
Para finalizar, deixo a dica da escritora, professora e socióloga canadense Althea Prince "The Politics of Black Women's Hair" que fala sobra o impacto emocional que a experiência com os cabelos tem na vida de meninas e mulheres negras. E ainda o maravilhoso "The Bluest Eye" de Toni Morrison. Oxalá as futuras gerações sejam de mulheres brancas, negras, nativas e asiáticas livres de imposições e excessos em torno da beleza.

Aoi Ito disse...

Taty, infelizmente a sua idéia cai pro "ué, não existem raças humanas... Então parem de chamar atenção pra sua raça!". Sim, realmente, raça não deveria importar. Mas importa. Então os "culpados" são os negros, que ressaltam sua raça para lutar contra a sociedade que os odeia? Ou os brancos, que não precisam ressaltar sua raça já que o mundo é feito deles para eles? Não vejo nada de errado com ressaltar sua raça quando se é perseguido pela sociedade, marginalizado, odiado. É a mesma coisa que falar "sou mulher SIM". Uma criança poderia facilmente diferenciar uma mulher de um homem pela roupa diferente que eles estariam usando no momento, mas seria tolice pensar que todos e todas as crianças vão pensar do mesmo jeito.

Sexo, assim como raça, não deveria importar. Mas importa. Então, ressaltar a raça ou o sexo é não fugir, é lutar de frente, é mostrar que não tem vergonha. Seguir como se nada tivesse acontecido, na esperança de que isso vá magicamente transformar a sociedade não funciona, se do outro lado estão nos batendo e socando para nos diminuir sempre.

Liana disse...

Algumas pessoas comentaram que o ideal é que não ouvesse qualquer menção a cor da pessoa, ou outra característica física qualquer, pois fazendo isso estamos chamando atenção para uma coisa que sequer seria percebida por certas pessoas, principalmente crianças.

Entendo a argumentação e num mundo ideal isso seria verdade. Não vivemos num mundo ideal, o racismo ainda é muito presente, principalmente na vida da criança negra. Se você não evidencia que a discriminação existe, essas pessoas vão continuar sendo alvo dela, outras vão continuar reproduzindo, outras vão continuar ignorando e nada se resolve. Não adianta lamentar a perda da inocência.

É como falar que "feminismo não é mais uma boa abordagem, vamos falar em humanismo". Não, isso não serve. Precisamos rotular isso, se não as pessoas são incapazes de reconhecer e lidar com o problema.

Alguns podem falar "mas aí estamos ensinando crianças a olharem de forma distinta o coleguinha negro e o coleguinha branco". Não, estamos munindo essa criança de ferramentas para entender que ambos os colegas vivem um realidade distinta e que, direta ou indiretamente, isso nos afeta a todos enquanto sociedade.

Temos que viver no presente, é isso o que temos, é a sociedade em que vivemos, o racismo existe. Não adianta tentar diluir a questão, nem desfazer rótulos, se ao virar a esquina, o coleguinha negro vai ver seu pai sendo chamado de macaco ou coisa parecida, se os próprios coleguinhas repetem o que ouvem pai e mãe falando em casa. É real para quem sofre, há uma platéia assistindo.

Além do que, dizer que seria melhor não falar da cor negra é tolice, pois nossa sociedade subliminarmente dá um imenso destaque a cor branca. Isso já acontece sem que precisemos fazer algo em especial. É como as coisas funcionam.

cabanadeinverno disse...

Isso!

Retirar o rótulo e ignorá-lo, sob o pretexto de, desta maneira, acabar com a descriminação é só reproduzir as relações atuais.

Ou seja, enquanto eu não falo do negro, do racismo, enquanto eu não utilizo a camiseta 100% black, enquanto eu não rotulo o problema (seja de qual forma for), eu estarei reproduzindo o racismo, já que a própria linguagem é racista.

Tauana disse...

ótimo post, Lola!

não li todos os comentários então não sei se deram essa dica, mas mesmo assim aí vai: http://www.youtube.com/watch?v=Tnrh7KRMiU8
esse é um documentário sobre uma professora que faz um workshop sobre racismo (e outras formas de opressão baseada em características sobre as quais as pessoas não tem controle) separando os participantes com base na cor dos olhos e criando uma atmosfera de repressão para aquelas pessoas que possuem olhos azuis. Vale muito a pena! quando o vi pela primeira vez foi um soco no estômago a questão de que todo mundo está envolvido e se você permite que alguém seja racista com outra pessoa você está também contribuindo para a manutenção do racismo.

vi algum comentário sobre a raça ser humana, então, só pra reforçar, quando se fala na questão racial não se fala de raças biológicas, mas do conceito socialmente conrtuído de raça, que é ligado específicamente ao fenótiopo de cada um/a, à aparencia.

uma anedota, que um professor contou: uma professora de ensino médio, a única negra na escola, lia uma revista só com pessoas negras quando uma colega de trabalho chega e lhe diz: "essa revista é racista!". Quando a professora que lia a revista perguntou o porque dela dizer aquilo ouviu a resposta "porque não tem pessoas brancas aí". A professora então pegou algumas revistas tipo Claudia, que estavam por ali e convidou a colega a procurar pessoas negras representadas. Não encontraram nenhuma. A professora que dizia que aquela revista cheia de pessoas negras era racista ficou espantada (surpreendentemente). Não me lembro o restante da fala da professora negra, que tentou explicar um pouco sobre como funciona o racismo no brasil, mas o fato é: a professora branca se sentiu incomodada por ver uma revista só com pessoas negras e nunca parou para pensar que normalmente as revistas, comerciais, programas de tv tem só ou quase só pessoas brancas! aí falam: "é, mas tem o Lazaro Ramos". Ok, tem ele e quem mais? Um negro e quantos/as brancas?

enquanto a representatividade de pessoas negras, índias e de outras identidades pouco visibilizadas na mídia for mínima ou quase nula o preconceito contra essas populações vai continuar sendo enorme e o padrão de beleza continuará os excluindo.

é isso.. agradeço o post, Lola!

aiaiai disse...

ignorar a diferença é o que reforça o racismo. De novo,

primeiro passo para acabar com o racismo: admitir q ele existe, que está dentro de todos nós, que nos faz agir de forma diferente mesmo quando não desejamos fazer isso. Não sou eu ou você ou fulano que é racista. É a nossa civilização que é racista pois foi construída com base no racismo.

Ana Clara Telles disse...

Me desculpa, Taty, é bem provável que não tenha sido sua intenção, mas o seu comentário ficou parecendo para mim um "tudo bem a pessoa ser negra, ela só não precisa MOSTRAR isso pras pessoas!".

Tipo, quê?

Roxy Carmichael disse...

eu acho ótimo quando alguém vem sustentar um argumento, dizendo que tem fatores biológicos envolvidos. ou ainda equiparando os fatores culturais aos biológicos. acho curioso quando alguém vem pedir civilidade, porque todos tem direito a discordar, a expressar suas opiniões. se realmente todo mundo tem direito de discordar e expressar as suas opiniões, que tal dar voz e respeitar a expressão do neo-nazista? ao homofóbico? não, essa comparação não é exagerada. os homofóbicos dizem não se importar com os gays e dizem: só não entendo porque eles são escandalosos, porque querem aparecer. ou seja, se eles reproduzissem um modelo entendido como binário (homem vs mulher) da sexualidade heteronormativa, tudo bem, ninguém iria se ofender, quem sabe porque não iam reconhecer um gay de um hetero. nã é ua questão apenas de parecer gay, ou parecer negro. é uma questão de assumir-se assim pra toda uma cultura que tá o tempo todo borrar você. é tão difícil assim de entender, gente? agora, eu também posso ficar ofendida com o conteúdo de muitos comentários por aqui, de gente que NÃO é vitima de racismo, querendo equiparar as suas experiências de qualquer natureza, muito específicas a uma ESTRUTURA social racista. acho que TODAS as mulheres aqui se sentiriam ofendidas, se estivessemos debatendo um post sobre violencia contra a mulher, vamos supor, o caso da garota que teve o braço quebrado por um homem num club, e chegasse algum homem e dissesse: "poxa, mas o cara foi rejeitado pela garota, ninguém gosta de ser rejeitado". É a mesmíssima coisa que tá acontecendo aqui com as pessoas que estão tentando argumentar que são brancas e sofrem violência (física ou simbólica) por serem brancas!Sofrer violência todo mundo pode sofrer, uma coisa muito diferente é violência de gênero. Outra coisa é a violência racista. Então por favor quem tá pedindo pra expressar sua opinião e defender racismo biológico (sim porque a questão do "gosto pessoal" está ligada a racismo sim, por favor vamos cortar com a hipocrisia)ou ainda defender outras formas de racismo como aquele sofrido por garotas jovens, ricas, loiras de olhos azuis: por favor, peço que não insulte a minha inteligência.

Isadora disse...

Acho complicado isso de gosto pessoal. Nuca tive nenhuma queda por homens negros assim como eu sempre dizia que não gostava de homens brancos e loiros (como eu, que sou [muito,muito] branca, loira e de olhos claros). Seria racismo meu, ainda nesse caso? Sou humana e sei que muitas vezes temos racismos que nem identificamos, por estarmos tão habituadas com eles. Acho que o problema no "gosto pessoal" é quando ele deixa de ser só pessoal. Daí é que vemos pessoas não contratando negros, não dando as mesmas chances. Nesse caso, deixa a esfera pessoal. Ou também usar o "gosto pessoal" pra rebaixar e humilhar negros, como vários relatos das leitoras daqui, principalmente na infância, onde ainda não aprenderam ainda a "mascarar" os preconceitos, como faz toda a sociedade. É triste.

Mas também é triste ver gente aqui que luta contra racismo desvalorizando outros tipos de racismo.

Só sentindo na pele pra ver como acontece. Já comentei que sou (muito, muito) branca, loira, de olhos claros E moro no RS o que pra todos seria um perfeito padrão de beleza.

Estudei até a 3ª série numa escola luterana, onde 95% das crianças eram muito brancas, de descendência alemã, como eu. Fora dali, eu sempre tive amigos de tudo quanto foi jeito (negro, branco, tinha amiguinha surda, tinha uma amiguinha negra e portadora de HIV que nenhuma amiga minha queria chegar perto, estimuladas pelos seus pais ignorantes). Pra mim, eu era igual.
Eis que na 4º serie me mudei pra escola pública do meu bairro. Fiz amizade logo de cara com uma mulata e me adaptei ao lugar mais diversificado. Mas lá não tinha muitos loiros, lá eu era diferente. Foi a partir daí que lembro das primeiras piadinhas... "barriga de lagartixa" "bronzeado de apartamento" "loira burra" "fantasma". Foi aí que parei de usar saia, short, roupa curta qualquer. No verão eu usava calça e tênis, o verão INTEIRO. Sentia calor, mas também me sentia horrorosa, eu era branca de mais. Até hoje quase não uso roupa curta, mesmo lidando melhor com o assunto. Uns dois verões atrás eu peguei insolação grave, por querer ficar com uma cor “normal”. Passei mais de um mês bem mal por conta disso. A partir daí mudei completamente minha forma de pensar.
E se as pessoas mascaram seu preconceito contra negros, saibam que ninguém mascara seu preconceito contra brancos. Já passou um negro de bicicleta por mim em um dos poucos dias que eu estava de roupa curta e gritou, em plena avenida “vai pegar uma cor!”. Lembro que morri de vergonha, voltei pra casa com muita raiva, parei de usar roupa curta de novo. Vi que no meu intimo eu não achava que ser muito branca era feio, mas até hoje cada a vez que saio de roupa curta alguém comenta e faz piada. TODA a vez. Aprendi a achar que se comentavam e reparavam tanto, devia ser uma aberração. E são vários os preconceitos, as piadinhas, as frases e a maioria das pessoas desconhece, acha que não é tão assim.

O mais engraçado, é que as pessoas comentam como se fosse anormalidade ser tão branca, anormalidade tu não querer se bronzear no verão e continuar branca. É o mesmo que sempre acharem que as negras tem que alisar o cabelo, como se não fosse natural ou possível o cabelo ser bonito E crespo. Como se fosse um problema a corrigir.

E eu não tenho lei pra dizer pras pessoas que gritam na rua, , que te ofendem na tua cara, que colocam apelidos, que olham torto, são racistas. Não foi uma ou duas vezes como vi comentarem aqui no blog. Essas coisas acontecem TODO o dia. Se falam, dizem que racismo mesmo é o que os negros sofrem. Creio que ser humilhado pela tua cor da pele desde criança, criar complexos por isso, não deva ser diminuído, desvalorizado, seja qual for a cor da pele. É fácil ver textos “glamurizando” o fato de ser loira, branca, nórdica, quando na realidade não é bem assim. É até meio raso a maneira como falam desse padrão.

daltonismosocial disse...

Fui a um casamento esses dias. A noiva tem aquela beleza de padrão europeu: pele MUITO branca, nariz arrebitado, olhos verdes e cabelo escuro. Naquela coisa meio brega de discursos o noivo disse o seguinte: "sua pele branca e pura...". Pensei então em qual seria o oposto imediato disso. É chocante como a construção dos conceitos numa língua carrega preconceitos, não é? A mudança tem que ser feita em absolutamente todos os níveis mesmo.

karina disse...

Então tá, Dayane, tô profundamente comovida com todo o racismo sofido por você. Realmente comovida. 100% branca mode on.

taty disse...

Eita!
Primeiro, eu não acho de forma alguma que os culpados pelo racismo sejam os negros. (Só se eu fosse uma estúpida pra pensar assim, pois seria inverter completamente a História e a lógica).
Também não acho que os negros não tenham que denunciar o racismo. Muito pelo contrário. É indiscutível a necessidade de denúncias de discriminação, movimentos de inclusão, etc.
É que eu acredito que quem é racista não vai mudar, pois infelizmente isto já está tão impregnado na pessoa, que é impossível mudar o pensamento e comportamento de um adulto, salvo raríssimas exceções. (Repito: isso não quer dizer que o racismo não deve ser denunciado).
Então, eu acho que essa educação, essa quebra do racismo, tem que ser voltada para as crianças. E eu acredito que pra elas, realmente, a princípio, a cor da pele não importa. As crianças são livres de racismo. E que para que elas continuem assim, é necessário criar meios que elas convivam entre si.
No meu entender, o melhor caminho para acabar com o racismo, é proporcionar que as crianças cresçam num ambiente onde haja o efetivo convívio e onde a cor da pele não importe e onde esse tipo de discriminação não seja tolerado (como nenhum outro).
Isso não implica em não ensinar para a criança que não há discriminação. Há várias formas de discriminação (não só contra negros).
No entanto, uma coisa é demonstrar a existência da discriminação para a criança. É um processo na qual ela está incluída, e incluída como transformadora dessa sociedade, também lutando contra a discriminação. No entanto, revistas e sites voltados apenas para negros fazem com que a criança branca fique excluída desse processo. (Atenção: não estou dizendo que ela sofrerá de racismo por causa da existência de revistas e sites voltados para negros. Também NÂO estou dizendo que ela sofrerá preconceito, que a criança branca será excluída da sociedade por ter revistas, sites, lugares só para negros. Não é isto!) Eu estou dizendo que quando se cria algo voltado para negro, ressalta a beleza negra, diferencia da beleza branca, PARA A CRIANÇA, você a exclui desse processo de transformação, pois você a diferencia das crianças negras. Continua a segregação e continuaremos com duas sociedades: uma de negros e outra de brancos.
Repito: Isso não implica em evitar dizer que o racismo existe. A denúncia contra o racismo deve ser feita sim.
E sim, é um processo a longo prazo. É pro futuro. Talvez 2 ou 3 gerações. Eu sou otimista em imaginar esse “mundo ideal” como a Liana ressaltou. Mas sou pessimista em achar que essa realidade racista será mudada em pouco tempo. E mais pessimistas ainda quando se querem mudar os adultos.
Bjs a todos!

Roxy Carmichael disse...

gata, ninguém aqui tá querendo diminuir sofrimento de ninguém. estamos só querendo esclarecer que uma coisa é intolerância com a diferença: que TODOS sem exceção já foram vítimas, por ter opinião política diferente - uns foram inclusive mortos por isso - , por ser ateu, gisele bundchen seguramente foi chamada de perna de saracura na escola, enfim com aquilo que escapa ao padrão de "normalidade". tem um autor muito interessante chamado goffman que diz que o único individuo que nao tem motivos pra ter vergonha de si é o homem branco, heterossexual, urbano, de países do norte, pai de família, que fez curso universitario, que tem um trabalho bem remunerado e que tem o tipo físico condizente com alguém que tem êxito nos esportes. agora convenhamos que isso é uma parcela bem restrita da população mundial.
agora sofrer qualquer tipo de intolerancia é bem diferente de violência de gênero e violência racista. a primeira está relacionada a uma estrutura patriarcal e a segunda a uma estrutura racista, ou seja, o fato de você ser homem e branco e sofreu algum tipo de intolerancia, não quer dizer que exista racismo contra as pessoas brancas. então não entendo porque num post sobre RACISMO, feito especialmente no dia da consciência negra, tem um monte de gente contando as suas experiências pessoais que não tem a ver com o tópico do texto e reinvidicando pra si o status de subalterno! pedindo algum tipo de condescendência. será que dá pra pensar um pouco fora do umbigo?porque assim, estamos falando de estruturas. dito isso, é um insulto qualquer pessoa dizer que sofre com racismo por ser branca. o que seria o MESMO que dizer que sofre preconceito por ser heterossexual. ou ainda o mesmo que dizer que sofre preconceito por ser rico. ou ainda que sofre preconceito por ser homem. deu pra entender?e sinto muito, mas quem fala em "gosto pessoal" tá querendo tirar o seu da reta. vi um monte de gente falando aqui assim: ah, mas eu gosto de branco e não sou racista. racista é o país inteiro. acontece que o país inteiro é formado justamente por individualidades, por individuos com gostos pessoais (que coincidentemente, coincidem, mas claro é só uma coincidência!) teve gente aqui falando que ninguém pode culpar um rico pela desigualdade social, um branco pelo racismo etc. eu digo que não só pode, como DEVE. isso diz respeito a todos nós e aos nossos "gostos pessoais".

Cândido disse...

Oi, Lola!
=]

Leio seu blog já faz muuuiiiitos meses, gosto muito dos seus textos, mas nunca havia comentado nada, mas hoje vim falar um pouquinho pq essa questão do racismo sempre foi algo muito presente na minha vida.

Bem, sou filha de pai negro (por mais que todo mundo adore dizer que ele é "só um poquinho mais escuro" ¬¬) e mãe branca.
Nasci super branquinha, com sardas e um cabelão MARAVILHOSO, bem cacheadão,crespo, que quando criancinha era loiro e com o tempo foi escurecendo, chegando na adolescencia a ter todas as cores e tamanhos possíveis dada a minha "rebeldia"...hahahah... de não me render aos alisamentos constantes a que era pressionada por minha família de pai (pasmen...a negra..) a fazer. Não tenho traços tão afilados como da minha mãe, na verdade sou a cara do meu pai.
Tenho uma irmã mais escura e um irmão da minha cor. Todos de cabelos crespos.
Quando era criança não conseguia entender muito bem como a família do meu pai que era negra odiava tanto o fato de eu e minha irmã termos "cabelos de negros", e no meu caso sempre vinha junto com o "não sei como tu tão branca nasceu com esse cabelo ruim de nêgo". Tipo, pra minha irmã era de se esperar pela cor, MAS EU...um absurdo e que deveria ser corrigido assim que eu crescesse um pouco com um alisamento. E pra o meu irmão, ah! era só raspar, né? ¬¬
Sempre me sentia mal quando ia passar os fins de semana na casa dessa minha família.

Fui crescendo, estudando e aprendendo sobre a história da escravidão negra no Brasil e então fui entendendo que esses tipos de visões, comportamentos, atitudes da minha família era herança da nossa sociedade escravocrata.
É como alguém já disse em alguns comentários: eles nem sonham que são racistas, eles sempre perseguiram um ideal de beleza branco a vida inteira, e eles não vão mudar.
O que tento fazer hoje é educar meus priminhos mais novos a não repetirem esse tipo de comportamento.

Era muito ruim escutar das pessoas quando saia com meu pai: "nossa, essa menina é tua filha? tem certeza?"...era pela cor? era duvidando da minha mãe? horrível. Meu pai deve ter sofrido muito por isso.
Um tempo desses fui na casa de uma amiga e ao me apresentar ao seu pai ele me perguntou de quem eu era filha (coisa de cidade pequena...hahaha)e quando eu disse de quem eu era ele falou "mentira! tu é filha daquele nêgo feio? pode não..."
Péssimo, né? Sempre fico sem jeito, mas algo que sempre me surpreende é que quando as pessoas descobrem que meu pai é auditor fiscal da fazenda ele fica "moreninho" ¬¬...sei...
Essa questão da "morenidade" é bem complexa, mas explica muitas situações de racismo velado.
(Ler Gilberto Freyre com um olhar bem critico sobre sua "democracia racial" e o "mito da morenidade" é bom pra entender algumas situações. Jessé Sousa tbm consegue explicar a partir de uma leitura bem particular de Freyre como se deu a "modernização" do Brasil, muito interessante a explicação dele pra que a gente tenha absorvido somente alguns aspectos do que vem a ser modernidade ocidental (racionalidade, estado, etc)e como a questão racial, principalmente do negro ficou nisso tudo).

Cândido disse...

continuando (...)

Olha May, eu entendo mesmo o seu relato, eu sou considerada branca, (mas pra mim é até muito confuso, pq eu tenho características negras, o cabelo, o nariz, o quadril...)Escutei muito "aquela branquela", "Branquela do cabelo ruim", " Galega Sarará" em tom discriminatório e por aí vai, é realmente muito ruim...é como se existisse uma cor exata pra se ser, um cabelo exato pra se ter, quando não existe.
Dia desses uma colega minha disse "aaaaah, mulher mas tu é BRANCA DEMAIS" com tom de deboche,e eu perguntei "de que cor vc acha exatamente que eu deveria ser? existe realmente uma cor? já sei! NÃO MUITO BRANCA, MAS TBM NÃO MUITO NEGRA, NÉ? Tipo, TUA COR? MORENA COR DE JAMBO, né assim no Brasil? aaahhhh tá...entendi..."
Ai entra mais uma questão da morenidade, singular, particular e brasileira?
Discutir isso é pano pra manga num país tão miscigenado como o nosso.

Passei boa parte da minha infância e adolescência desejando ter nascido mais escura ou então ter nascido com o cabelo mais liso do mundo pra que pelo menos minha família me deixasse em paz.
Mas não foi assim, foi como a mistura do amor dos meus pais quis, eu sou a fusão de um casal inter-racial, que muitas vezes nem tem noção do que significam, mas eu sei, e sei como meu pai sofre preconceito até hoje, racial, social, que só é amenizado pq ele é hoje um "homem rico".
May,não acho que você sofre preconceito racial, no que diz respeito a essencia e significado que essa palavra assume em nossa sociedade, acho que tanto eu quanto vc sofremos bullying, mas preconceito racial não.

Nosso país é imenso, é multi-racial e não tem uma "identidade brasilis", que eu até hoje fico muito, muito triste quando ainda vejo gente falando "aquela branquela azeda" ou então alguém chega pra mim e diz "mas tu é branca demais! vai pegar um sol! nem parece que é cearense", ou então alguém ainda chama meu pai de "nêgo feio", "nêgo safado" e por aí vai...
Eu fico triste, sabe?
Pq eu acho que não se consegue fazer igualdade ridicularizando o "dominador", isso te iguala ao dominador, ninguém precisa se valorizar a partir destas atitudes. Num dos posts passados disseram que Robert de Niro falou que "MULHER NEGRA É MULHER DE VERDADE"... Sinceramente, achei isso feio, viu? discriminatório.
Minha mãe é branca, mas é extremamente de VERDADE, a cor dela ou da minha avó que é negra não define o caráter não. O que define isso são suas atitudes.
Ainda que seja seu gosto pessoal, seja ele por um nórdico ou por um africano, não se pode falar uma coisa dessas e achar que é "luta por igualdade".
A gente não pode tornar a luta por direitos, por igualdade, em palco pra "compensar o passado" e julgar seres humanos assim.
Valorizar não é menosprezar os outros.Não se pode inferiorizar achando que assim está valorizando. Vamos ter cuidado com isso também. E falo isso pra qualquer causa.

O negro é lindo! É lindo sim!
Que continuemos valorizando o negro e querendo mudar o mundo!

Ana Clara Telles disse...

Gente, acho que vocês estão confundindo racismo com bullying.

Quando a gente é criança e adolescente, a gente é chamado de leite azedo, balofa, olívia palito, macaco, tetão, entre tantos outros nomes, e, para mim, isso é só uma coisa: bullying (horrível, por sinal, eu já passei por vários antes de ligar o 'f*-se'). Isso acontece porque, de alguma forma, você está 'fora dos padrões': você não é magra o suficiente, você não é gostosuda o suficiente, você não é branca o suficiente, você não é bronzeada o suficiente.

Mas racismo é outra coisa. Das pessoas que aqui estão reclamando de terem sido discriminadas por serem brancas 'leitosas' (já fui chamada disso também), uma pergunta: quantas vezes te chamaram para uma estrevista de emprego mas não te contrataram porque você é branca? Quantas vezes você fez alguma besteira no trânsito (como todo mundo faz) e alguém xingou pela janela: 'tinha que ser branca!'? Quantas vezes já viram você com seus amigos igualmente brancos na rua e trocaram de calçada?

Pois é. ISSO é racismo.

A questão da beleza é a mesma coisa. Algumas pessoas já pressupõem que, se você é negro, você é feio, a não ser que tenha traços 'finos' e 'simétricos' (olhos claros também contam); e acham que, se você é branco, você tem tudo para ser bonito, a não ser que você não tenha traços 'finos' e simétricos'.

Entendem a diferença? ISSO, para mim, também é racismo.

Roxy Carmichael disse...

e claro, ser chamado de "bronzeado de apartamento" é realmente tão, ou quiçá, mais ofensivo que ser chamado de macaco, ou de negro de merda, ou de negro imundo.
tô contigo karina, tá difícil tentar convencer as jovens brancas e magras que o mundo não começa e termina nelas. vamos apoiar o movimento afirmativo das jovens brancas e magras que tá precisando de representatividade, especialmente nas passarelas, um contexto luxuosíssimo que movimenta milhões de dólares por ano, vamos lutar para que elas sejam representadas especialmente nos produtos culturais de massa (novelas, blockbusters, imagina só ninguém quer se identificar com a bella, a heroina do filme mais visto do ano, todos acham ela uma "fantasma" outro insulto bastante agressivo), especialmente na publicidade, é raríssimo ver em comercial de margarina, que é onde mais aparece o conceito de família bonita, feliz e saudável, uma família bem branca. o próximo passo é apoiar a causa dos ricos! depois apoiaremos a causa do homens e por fim, a causa dos heterossexuais. só depois disso poderemos dizer que eliminamos esse câncer terrível que é o preconceito.

karina disse...

Háháháhá Roxy, tô dentro. Já mandei fazer uma camiseta pra cada dia da semana. 100% branca (2af), 100% hetero (3af) 100% classe média que paga seus impostos (4af) 100% formada em universidade pública federal que conseguiu tudo graças exclusivamente a seus esforços pessoas (5af), 100% esbelta (6a feira), 100% motorista (sábado). Faltou domingo porque não sou homem...

Tatiane disse...

Isso me lembrou um fato uns meses atrás. Somos estudantes universitárias e moramos em uma república. Um dia, as amigas da rep e eu fomos até um barzinho. Éramos um grupo de 4 mulheres.Um homem se aproximou e começou a conversar com uma.Então, pouco tempo depois, o colega dessa cara chegou junto também em uma tentativa clara de abordar uma outra amiga, a L. Nossa, a L. começou a conversar com a gente compulsivamente, emendando um assunto atrás do outros; numa tentativa clara de não deixar o rapaz abrir a boca. A outra moça e eu, que estávamos à mesa com ela, ficamos meio deslocadas com a metralhadora verbal da L. Percebemos, já que era bemmm nítido,a hostilidade dela com o rapaz. Ele ficou tão constrangido, que saiu de perto de nós. Perguntamos para a L. por que aquela hostilidade toda, por que ela não deixou ele nem abrir a boca. A resposta dela? "_Sou a favor da miscigenação".
Ela é uma moça mulata, bem magrinha, lembra vagamente uma personagem que a Taís Araujo fez recentemente chamada Helena. E o rapaz em questão era negro...
E comecei a prestar atenção que ela só fica com loiro de olhos claros, pessoas que não têm esse padrão de beleza ela nem conversa. Reparei também que ela, quando cita a mãe que é negra, faz questão de dizer que a mãe dela é uma negra muito bonita, como se, por ser negra, a mãe dela tivesse obrigação de ser bela... Sinceramente tive um pouco de pena dela, sabia que ela era complexada com a magreza, mas não sabia que com sua própria cor também. Ela sempre cita que quando estava na escola, em um escola onde a grande maioria era branca (ela era a única mulata a turma) era frequentemente chama de "linguicinha queimada". Deve ser dae que surge o complexo, né...

Cândido disse...

aaah, eu errei uma palavra. onde se lê "A gente não pode tornar a luta por direitos, por igualdade, em palco pra "compensar o passado"...NÃO É COMPENSAR O PASSADO, e sim, SE VINGAR do passado.
Pq qualquer governo que seja comprometido com justiça social nesse país tem que COMPENSAR, VALORIZAR e fazer de tudo pra que este segmento da sociedade seja incluído. Sou a favor das cotas pra o ensino superior e programa sociais específicos.

Denise disse...

Até agora ninguém me respondeu como tratar a questão da miscigenação no Brasil e relacionar com o racismo. É óbvio que o racismo existe, não tem como discutir isso. Porém, a questão é somente os negros sofrem o racismo por causa da escravidão? E os índios? E os mestiços? Até que ponto o mestiço sofre racismo? Como a gente determina até que tom de pele se sofre racismo? É uma questão de cabelo? De bronzeado? De posição social? De legitimidade?
Posso dizer que minha mãe, que nao nasceu tão escura quanto meu tio, sofreu mais discriminação que ele pois ela não era legítima. Até de entrar em escola ela foi barrada. Meu tio, no entanto, negro, 'foi para a Alemanha com bolsa de estudos e sempre teve melhor situação tanto social quanto financeira. Talvez isso seja um caso pontual? Mas será mesmo no Brasil?
Será que aqui as pessoas também não são barradas e discriminadas simplesmente por serem, por exemplo, da periferia, branco, mestiço ou negro?
Eu acho que o racismo no Brasil vai muito mais além do que simplesmente a cor da pele, especialmente por que no Brasil isso é muito fluido. Eu mesma já fui considerada branca, parda e mulata. E aí? Sofri racismo quando fui mulata, mas não quando fui branca?
Meu cabelo era bem enroladinho antes da quimioterapia, aí eu sofria racismo? Agora que alisou depois que cresceu (para minha tristeza), deixei de sofrer racismo?
O mesmo tio negro casou com uma suéca branquíssima e de olho azul. Então ele é racista porque preferiu uma branca? Ou ele é isento de ser chamado de racista por que é negro?

Denise disse...

Eu não sou a favor de cotas sem mérito. Sou a favor de cotas como oportunidade. Em vez de reservar vagas para pessoas desprivilegiadas que mal sabem ler e escrever, vamos reservar vagas, ou dar bolsas para as crianças desprivilegiadas em escolas decentes? Vamos montar cotas? Beleza. Mas nas escolas de ensino fundamental e médio. Em universidade vamos reservar cotas, beleza, mas para quem atingir ó mínimo necessário. E vamos reservar cotas para quem precisa e não para quem seja simplesmente afro-descendente.
A prima do meu marido, branca de olho verde é afro descendente. Ela sofre racismo e é desprivilegiada? Claro que não! Mas ela entrou na universidade com o sistema de cotas pois o pai dela é da Tunísia, África.
E se for cor da pele? Aí também é questão de percepção. Eu se passar 1 mês na praia, fico bem mulata. Posso provar que sou afro-descendente. Eu preciso de cotas? Claro que não!
Mas a menina pobre da favela que não é negra precisa de ajuda. Só que ela que não tem pele tão escura não vai ter nenhuma oportunidade. Ela é menina, pobre, de favela e não é negra e não é de beleza branca, é mestiça (como, de passagem, é a maioria dos brasileiros). Então ela não vai ter estudos decentes (se tiver algum, não vai ter oportunidade e não vai entrar no sistema de cotas. Vai continuar pobre e seus filhos pobres.
A questão do Brasil é de cor sim, mas não apenas de cor...
Deu para ver a injustiça?

Roxy Carmichael disse...

denise me desculpa, mas você propõe uma complexidade que na essência, não existe na sua argumentação. várias pessoas relataram aqui situações de negros com comportamentos racistas. da mesma forma que existem uma grande maioria de mulheres que sustentam atitudes machistas. infelizmente nem todas as mulheres são feministas, e infelizmente nem todos os negros sã ativistas que pedem respeito e oportunidades iguais aos negros. isso acontece porque a sociedade é muito matizada, não existem só opressores brancos e oprimidos negros. não existem só opressores homens e oprimidas mulheres. o que existe é uma macroestrutura que sustenta posições de hegemonia e subalternidade. não te chama a atenção que o censo revele um número que negros que não correspondem ao que a gente vê na rua, talvez pelo fato de que as pessoas não gostam de se assumir como negras?você já viu algum texto falando sobre o quão cômico é, pra não dizer trágico, a resposta das pessoas ao censo?é uma variedade de tons e de referencias que beira o absurdo!a questão do gênero é a mesma coisa: não existe um extremo mulher, e um extremo homem. e sim, uma infinidade de matizes entre esses extremos. e isso não diminui a questão brutal da violência de gênero, assim como a miscigenação também não elimina a estrutura racista da nossa sociedade. só torna tudo bem mais complexo. então parece que todos seus questionamentos aparecem quando algum elemento escapa a lógica binária que você mesma tenta impor. (porque aqui não vi ninguém impondo esse binarismo)
a sociedade brasileira deixa de ser machista por termos eleito uma presidente mulher?a sociedade brasileira deixa de ser machista por seu tio ter tido oportunidades de estudos?que bom que você entendeu que seu exemplo é muito pontual, e me poupou de te lembrar isso.

Roxy Carmichael disse...

não deu pra ver injustiça não porque na sua argumentação a moça branca de olhos verdes vai ser contemplada com a vaga e a moça mestiça da favela não vai ser. acho que não hein. entendo que seja confuso, mas não nos exemplos que você deu, sorry. quer um exemplo?dois irmãos gêmeos em brasília, um deles entrou pelas cotas e o outro não. em todo caso sinto muito, mas sou a favor, seria realmente ótimo se essa medida viesse associada a medidas reais para melhorar o ensino público e assim colocar a todos em pé de igualdade numa disputa por uma vaga na universidade.

Marcos Godoi disse...

Sobre esta questão do padrão de beleza do colonizador, tem uma cena bem interessante na séria "Roma", da HBO: como os romanos morenos de olhos castanhos, um personagem loiro de olhos claros é discriminado devido a sua ascendência "barbára" (germânica). Bem ilustrativo de como estes padrões de beleza são construídos, e não mera questão de gosto.

Isadora disse...

Acho ignorante a forma como colocam aqui a questão do racismo, ainda mais vindo de pessoas que se dizem contra discriminação.
O que ainda não caíram na real é que tanta segregação só trás mais segregação. O branco não pode ser discriminado, porque isso é ridículo.
São tipo de pessoas que acham que o feminismo só atinge às mulheres, assim como o racismo só aos negros, um pensamento bem simplista, ao meu ver.
Ninguém aqui está querendo, acredito eu, desvalorizar a bandeira dos negros, de lutar contra o preconceito ou dizer que não sofrem discriminação ou até igualar o preconceito que a etnia negra sofre por séculos com casos isolados de discriminação com brancos. Meu objetivo era dizer que a questão do “padrão de beleza” referente ao texto da Lola era muito mais complexa. O “fora do padrão” existe e muito mais pessoas sofrem com isso do que os negros, gordos, etc. É questão de abrir um pouco a mente, de parar de segregar ao pedir a não-segregação.

Denise disse...

Pois é Roxy,

Eu discordo de você. Acho muito injusto que alguem branco de olho verde entre na cota por ter pai africano, mas a morena clara da favela não tenha a mesma oportunidade. Assim como acho errado um irmão ter cota e o outro não. E o pior ainda se os dois forem de família não pobre.
A questão do racismo no Brasil é complexa. Querer simplificar a ponto de transformar tudo em questão de tom de pele é abrir a porta a mais injustiças ainda.
A solução não é tirar as oportunidades de quem teve a desgraça de nascer pobre e branco (ou mestiço) na favela. A solução é dar igualdade de oportunidades a quem precisa.

Denise disse...

A questão do padrão de beleza só pode ser mudado quando os consumidores mudarem.
Eu não compro revistas da moda pois acho que elas são racistas. Na hora uma quantidade X de pessoas fizerem isso a ponto de impactar a indústria, isso vai começar a mudar.
Eu me recuso a alisar cabelo, acho horroroso, diga-se de passagem. Mas os produtos e as escovas mágicas continuam bombando. O consumidor continua perpetuando a imagem da beleza européia como a beleza padrão. O que, por sinal, é uma perfeita estratégia dessa indústria e meio doente. Quanto mais gente quiser atingir um ideal que não existe (brasileiro com beleza européia, mulher magérrima, etc etc) mais eles vão lucrar. Percebeu? Somos nós os consumidores que temos que mudar essa indústria doente. Juntem-se a mim, hehehe. Não comprem revista de moda, não se maqueiem todos os dias, digam não a depilações obrigatórias, fim ao alisamento do cabelo, fim aos saltos altos exagerados, vamos reconsquistar o nosso lugar e vontade em vez de obedecer cegamente a imposição da tal moda.

denise disse...

Minha xara to contigo em quase tudo, só n abro mão do meu batonzinho de cada dia rrrssss.

Belezas de Kianda disse...

nossa, tá um festival de racismo aqui!

racismo consciente é uma gangrena social e racismo inconsciente é um câncer. qual o pior?

Dayane Ok. disse...

Só para esclarecer um pouco:

Entendi o que é racismo. Eu não sofri racismo e nunca vou sofrer racismo.

Ponto.

Satisfeitas?

E eu sou uma privilegiada!pq sempre me acharam linda, sempre fui bem vista, sempre me ouviram e eu sempre estive a um patamar acima dos outros! Sim, eu admito que estpu exagerando, que na verdade, só menti pra chamar a atenção!E que emu comentário sobre ser zuada por ser branquela foi direcionada a todas as pessoas dessa caixa de comentário, não só a May! Vcs tem todo o direito de atearem fogo em mim se quiserem! (era isso que vc queria que eu dissesse no meu blog, "Anônima" que eu sei bem quem é?pq vc não fez cm a Karina e deu a cara a tapa? Sua confiança só vale aqui, onde vc é cercada de pessoas que vão apluadir op que vc diz? pq se fez anônima no meu blog? Que belo exemplar de pessoa politizada vc é!E ah! Não sou classe Média, fofinha. Sou Pobre mesmo, moro na favela. E sou branca!Oh , meu Deus! Cm uma branca pode ser pobre e morara na favela?Vc deve estar chocada com isso1).

Dayane Ok. disse...

"Só para esclarecer um pouco:

Entendi o que é racismo. Eu não sofri racismo e nunca vou sofrer racismo.

Ponto."

E isso não foi irônico, isso foi verdade. Obrigada as pessoas bem esclarecidas que não precisam rodas a Baianaa e tear fogo pelas ventas por me mostrarem isso.

Obrigada a quem tem vergonha na cara de não postar Anônimo tbm.

Dri Caldeira disse...

Meu cabelo é excessivamente liso, um cocô. Quando eu casei precisei usar uma folha de gelatina incolor, olha q mico!! O dia em q eu ver uma negra, gorda, com os dentes de cor natural, cabelo carapinha na capa da Marie Claire, Cláudia, Nova, Elle e outras dessas revistas caras e inúteis. Não uso produtos Dove, Pantene, Elseve, pq só usam negras qdo fazem propagandas pra produtos especificamente feitos para serem usadas por negras. Não voto nesse concurso idiota da Hypoglós, pq não vi ainda nenhum concorrente negro. A Veja não tem negros entre seus articulistas. A Carta Capital tb não tem. Orlando Silva Jr. era o único Ministro negro no governo Dilma q não respondia pela pasta das políticas raciais. É, eu namorar um negro, não me faz defensora da condição dele, mas não consumir essas coisas e reclamar seguidamente à elas, acho q ajuda um pouquinho...

cabanadeinverno disse...

"A questão do padrão de beleza só pode ser mudado quando os consumidores mudarem."

Muito pelo contrário. É a "lógica do consumo" que perpetua o racismo.

Essa lógica é, em si, branca. Digo, é como comprar revistas de moda só com mulheres negras. Sinceramente? Pra mim, a revista é uma revista de moda com mulheres brancas de cor negra.

Dri Caldeira disse...

Os direitos são iguais cabana. Se temos 12 meses no ano, pq só temos uma negra p/ ano na capa dessas revistas? Ou nos editoriais. as modelos negras são sempre bem mais claras do que a maioria da pop. negra no Brasil. Uma revista deve representar o povo do país onde ela é publicada, não incentivar o ideal europeu de beleza. Se nossa maioria é negra, q sejam coerentes essas publicações.

Caroline Cardoso disse...

Denise,
a questão do "boicote" a revistas e mídia racista nas entrelinhas, que você levantou, é bem complexa, pois os consumidores consomem a moda embranquecida/embranquecedora (inclusive os negros/as negras) de um mercado que só vende porque tem quem compra e esse ciclo alimenta e é alimentado pelo racismo.

Acredito que o mais eficaz é tentarmos a via da educação, do conhecimento, da informação e de ações afirmativas a curto prazo para dar os devidos direitos aos que foram alijados do sistema, seja por motivos econômicos, seja por motivos raciais.

Sou a favor das cotas, mas não abro mão de exigir uma escola pública de qualidade, porque quem frequenta a escola pública no Brasil é o pobre. Sendo assim, infelizmente não há investimento suficiente para que a escola seja de qualidade a ponto de possibilitar aos seus estudantes ascensão socioeconômica. Também deve haver programas e políticas de investimento nas comunidades mais pobres a fim de afastar as crianças e os jovens do vício, do trabalho infantil e escravo. Há muitos trabalhos de ONGs que dão certo: profissionalizam, educam e afastam do crime e da violência (por exemplo a OELA - escola de lutheria da Amazônia http://www.oela.org.br/).

Mas o Governo brasileiro tem de se mover, tem de investir em profissionalização, educação, esportes e lazer, especialmente para as crianças e os jovens pobres, que, em sua maioria são negros e, por isso mesmo, voltamos àquela sua questão inicial.

Eu acredito na educação como uma das formas de ascensão social, de minimização do preconceito e da discriminação, principalmente porque eu sou um exemplo disso.

;)

Li disse...

Concordo com a Ana Clara Telles. Tenho uma prima que era a única loira, branca de olhos azuis da escola onde estudava. O restante era negro/moreno. Obviamente ela sofria bullying, mas também era a única considerada linda, "deusa" e etc. Hoje, perguntei a ela como ela via tudo isso e ela disse não se importar, porque está dentro dos "altos padrões". E sempre que ela me contava as agressões eu notava que os alunos a agrediam como meio de se impor, de mostrar que quem era menos ali era ela. Mas querer comparar esse tipo de agressão com a que uma pessoa negra passa pela vida inteira é complicado. Sei que há preconceito vindo de todos os lados e para todos os lados. Negro, japonês, "branquelo", mas de uma coisa eu sei. Preferiria mil vezes ser estar na pele da "branca azeda". Mas é isso, você só consegue se identificar com a situacão quando passa por ela.

Paty disse...

Branco alto e de olho claro é o meu tipo sim.Gosto desse jeitop tipo de Brad Pitt

Sou casada com um francês de Nice que é assim. não é nada bonito, mas como sou muito apaixonada para mim ele é. Desde que o conheci há 15 anos que só gosto desse tipo de home., antes até me atraia por morenos. mas agora quando vejo um homem de olhos claro sempre lembro dele.

sou racista por isso?Para vcs spou sim, mas para mi sou apenas uma mulher que ama

Esse é o meu gosto e pronto.

cabanadeinverno disse...

Dri, eu sei. Meu ponto é que a lógica do consumo é intrinsecamente racista. É como a Miss Leila Lopes. Ela é uma negra que quebrou a lógica racista ou uma negra que entrou na lógica racista?

Dri Caldeira disse...

Cabana - ela entrou na lógica racista! Ela tem traços afilados, de cabelos alisados... usou produtos de marcas q não se utilizam de negras em suas propagandas. Teve seu lado positivo a vitória dela claro, mas eu xinguei muito babaca q disse: Até q por ser negra, ela é linda.

Dayane Ok. disse...

"Então tá, Dayane, tô profundamente comovida com todo o racismo sofido por você. Realmente comovida. 100% branca mode on."

Lógico, pq eu fçar mil vezes do meu CABELO CRESPO e assim cm a Cândido, ser chamada de Branquela Sarará mostra o quao 100% branca mode on eu sou!

Acorda, filha!Faça uma aula de interpretação de texto que vc ganha muito mais!

MARIA, L.P. disse...

Alguém perguntou sobre a relãção da história com o racismo, escrevi meu TCC em História sobre o Racismo Científico no Brasil, um movimento teórico baseado no determinismo biológico, iniciado no na década de 1870, caindo em desuso com a democracia racial, na década de 1940. Como mov teórico, ele foi discutido com os 'pensadores'do país, formadores de opinião. Particularmente, ainda vejo este discurso na universidade, apesar de teóricamente superado. Quem estiver interessado em saber mais, entre em contato, posso enviar meu trabalho para a leitura e esclarecimento.

Sobre as cotas, durante muito tempo a legislação do país proibiu que os negros frequentassem a escola. Pra mim, ai já é um bom motivo.
Mas para os desinformados, dentre os critérios de cotas para negros, entra o critério de escola pública e renda também. Eu não me encaixo nesses critérios, pois estudei em escola privada - ou seja - não tenho direito a cota, mesmo que negra. Mas esta mesma cota reserva a outras mulheres negras, como eu, que não tiveram a oportunidade de passar pelo ensino privado, a possibilidade do ingresso em uma universidade pública.

Outra coisa, também conheço negros (como eu) que negam sua origem. Vejo isso como uma contrução ideológica, afinal, o parâmetro de normalidade é o branco. Mas é muito fácil para o branco de se proteger, argumentando que o racismo está no negro (a vítima) e não em mim (o normal).

Só pra concluir, 'raça', no Brasil é um conceito político, e não biológico.

denise disse...

DAYANE OK não se chateie tanto querida, e aprenda que ha muita gente que não sabe dizer as coisas sem agredir, se aconteceu com vc releve ou simplesmente responda no mesmo nível.

Dayane Ok. disse...

Denise, aliás, Denises,

Eu não gosto de responder no mesmo nível, acho que pessoas adultas, inteligentes e sensatas se quer começariam uma discussão baseada em agressões. Mas bem, é a vida.

Denise disse...

Cabana,

sinceramente eu não entendi o que você falou.

Você não acha que os consumidores devem exigir uma representação de beleza que mais se aproxima da realidade do Brasil?
Que o consumo é culpado pelo padrão de beleza vigente, é claro, foi isso que eu falei.
Realmente não entendi...

Denise disse...

Xará! Eu também uso batonzinho de vez em quando e acho uma graça. Sinceramente não vejo nada demias. Meu problema é quando isso passa a ser uma coisa obrigatória e quando cai na ditadura da tal "moda".
Por exemplo, esse ano, eu morena, não posso usar batom rosa porque não fica bem na minha pele, mas posso usar marrom. Ano que vem, só posso usar vermelho, etc. Eu uso a cor que eu quero quando eu quero. A mesma coisa para as roupas, sapatos, etc.
Eu aceito que exitem cores, formas, tamanhos que ficam bem para uma mulheres e não para outras, mas o que as revistas pregam é uma forma só para todas as mulheres desse ou daquele tipo. O mais interessante é que a maioria de nós não é representada nas tais revistas. Por isso eu as abomino.
Mas o batonzinho... só não uso muito pois deixa marca na boca do marido e no rostinho da filha...

Denise disse...

Educação é vital, por isso acho que cotas no ensino superior não ajudam a resolver a situação. Para mim isso é mais populismo que outra coisa qualquer. Ensino de qualidade na fase de formação é que pode resolver. Por isso acho que se tivermos cotas é para o ensino privado e médio. Isso enquanto a gente espera sentado a melhoria do ensino nas escolas públicas... Agora melhor formação no ensino primário e médio parece não ser tão importante quanto as cotas no ensino superior, triste.
Eu acho que esperar que o governo conserte tudo é inútil. Não vai consertar enquanto nós não nos consertarmos e além de exigrimos mudanças, a gente também mude as nossas atitudes.
Por isso que acho que se eu acredito que o padrão de beleza européia imposto no Brasil é errado, então eu não vou contribuir para que ele seja perpetuado.

Denise disse...

Dayane, eu também não. Em geral ignoro as ofensas e tento ser o mais educada possível. Só que às vezes é difícil controlar. Não é fácil ser Vulcana...E no final é até pior, pois quem não tem experiência com agressividade e grosseria não consegue nunca competir com quem tem.

Dri Caldeira disse...

Ana Clara, sou branca, beeeeeeeem branca, de cabelos castanhos escuros, lisos, finos e escorridos. Tenho olhos castanhos. Fui chamada pra uma entrevista de emprego numa empresa grande do ramo dos transportes aqui em Santos. Ficamos eu e uma negra de pele clara, mas muito linda. Sabe, correndo o risco de cair no lugar comum, ela parecia com a Cris Vianna, uma negra q está na novela das 8 agora. Só que ela tinha cabelos alisados e num tom de castanho bem claro. Ela ficou com a vaga. Eu por ser gorda, não. Nem me incomodei com a cor da pele dela, mas xinguei a empresa durante dias, acusei-os de sexismo, nem sei se era esse o caso. Olha, doeu viu?

Roxy Carmichael disse...

Dayane
desculpa me intrometer na sua conversa com a Karina, mas quem não entendeu o texto foi você. A Karina estava se referindo ao fato de você se solidarizar com a May (o que ninguém aqui criticou) no que se refere a experiência dela de bullying. O que criticamos foi a insistência de vocês em chamar isso de racismo, reinvindicando o status de discriminadas, numa sociedade em que por motivos óbvios, vocês não são discriminadas (ao menos não pela cor). Ao se mostrar identificada, você relatou a sua experiência com as suas amigas negras, que tentavam se auto-afirmar diante de você. Outro exemplo de intolerância, mas que não necessariamente configura racismo. Acho ótimo que você tenha entendido por fim que essas experiências que você sofreu (que são negativas, ninguém aqui disse que são experiências positivas) não podem ser chamadas de racismo. Mas sem problema, se num primeiro momento eu te interpretei mal porque achei que você estava querendo comparar a sua experiência com constrangimentos muito mais sérios (e sim, aqui cabe hierarquizar o sofrimento porque não é o mesmo ser chamada de negra imunda e ser chamada de bronzeada de apartamento) que a população negra passa diariamente; por fim você esclareceu e disse que não estava comparando, e sim, apenas se solidarizando com a May. Assim sendo, queridas, que tal pensar não em democratizar o sofrimento (com o discursinho do "eu tb fui chamada de sei lá qualquer coisa na escola") e sim em democratizar a celebração?Vestir a camisa 100% negro ou ainda dizer que preto é lindo não implica em dizer que o branco é feio. Parece óbvio, mas vejo pelos comentários que não: os brancos não precisam usar uma camiseta escrito branco é lindo porque todos os dias do ano, nas 24 horas do dia, todo mundo é bombardeado de imagens de brancos associados à beleza.
Quanto ao boicote é algo extremamente complicado porque admite só a dimensão do consumo. Eu penso que a questão do racismo vai além disso (de campanhas publicitárias com mulheres brancas). O policial primeiro bater num negro na rua sem qualquer acusação ou ainda ser preterido numa entrevista de emprego pela cor, escapa à lógica do consumo.

Dri Caldeira disse...

Ah, gente o meu caso não foi nem racismo, nem bullyng. Foi uma tremenda agressão machista. Eu era bem mais qualificada, só não fiquei com a vaga pq era gorda. Simples.

Cândido disse...

Dayane,
tomei a liberdade de ir no seu blog e vi um desabafo seu, seguido por um comentário super consciente que a Lola fez. acho que ela conseguiu traduzir o que eu vinha percebendo sobre vc e seus comentários. te vejo como uma mocinha que tá querendo "aprender" e pelo que vi tem opiniões bem diferentes das minhas e da grande maioria que vem aqui (normal, eu tbm nem sempre concordo com tudo), mas que dificilmente perde o interesse e se mostra aberta a "entender", faz perguntas quando não entende, e principalmente, não tem medo de perguntar algo que pra muita gente que vem aqui é "tão óbvio". vc tem opiniões equivocadas? tem, mas mais que isso eu vejo que como a Lola disse: "Acho que tudo isso é um mundo novo pra vc, e vc está em processo de transformação." faça como a lola disse, e eu já acho que vc tem feito, procure aprender com os outros que aqui comentam, acho que vc tá no caminho certo, viu? um caminho de auto-descoberta e de descobrimento do mundo. todos os dias temos que fazer isso por nós e pelo mundo.

Sempre vão ter pessoas que vão agir grosseiramente, que vão perder a paciência e vão ter dá lições com "pedradas" como a Lola disse, o que eu tbm acho que não é a melhor forma, mas nem preciso te pedir calma, pq vi que vc tem bastante e isso é muito bom, visse? =]

Como a Lola falou, faz parte do processo a gente se apegar a "certezas" tão nossas num processo de descobrir outros olhares divergentes com o nosso. Muitas vezes me pego desconstruindo muita coisa e outras eu assumo que realmente vai necessitar de tempo ou até eu não consiga nessa vida mudar, mas a gente tem que tentar sempre e sempre.

Sobre o racismo eu concordo com a maioria que nem eu, nem vc, nem a May passamos por racismo na nossa sociedade.
Entendo perfeitamente sua dor, eu tbm já fui discriminada várias vezes por ser "a branquela", mas o racismo que meu pai sofreu e sofre nem chega perto das grosserias que eu já escutei.
Continuo repetindo que não podemos transformar a luta por igualdade em uma arena de guerra em que brancos e negros, brancos e índios, mestiços e brancos vão sair matando uns aos outros.
Promover igualdade, pelo menos na minha concepção, não é isso.
Passa bem antes por diálogo e civilidade.
E nesse diálogo nós considerados brancos temos que assumir que temos uma culpa e dívida histórica muito grande.

Pra mim a promoção de igualdade racial passa em ações individuais, coletivas e políticas nas quais esta geração de negros sejam compensados pelo passado de escravidão que se perpetua até hoje num quadro social de pobreza e exclusão, e a gente que é considerado branco (mesmo com o cabelo crespo, se eu ou vc estivermos num entrevista de emprego, mesmo com este cabelo afro, pode ter certeza que a gente vai tá em vantagem em relação a um negro) se unir, participar, apoiar a causa que é também nossa, afinal somos seres humanos.
E repito, sem transformar isto num campo de batalha, em que um tem que sempre ser menosprezado pra que o outro se sinta valorizado, não dá certo assim, o caminho é todos nós reconhecermos como humanos, irmãos, independente da cor.

Não saia daqui Dayane, não se sinta apedrejada, fique por aqui, pq eu acho que vc tem muito a aprender com todos e todos tem muito a aprender com vc.

Um abraço!

Roxy Carmichael disse...

quanto ao bom humor (que muita gente aqui interpretou como agressividade), desculpa, mas pra contra-argumentar com certos argumentos que vi por aqui, só exagerando pelo lado do absurdo mesmo, do sarcasmo, porque várias pessoas tentaram pelas vias mas sensatas (Aoilto, A.H.B, Liana, o Bruno) e receberam de volta argumentos completamente absurdos mas que, surpreendentemente, seus autores expuseram como sérios...então vai aí um exemplo bem representativo: "Sou loira, de olhos azuis e pele claríssima e me adoro. Não vejo nada de errado em gostar da minha aparência" (nem você vê nada de errado e nem a torcida do flamengo e a do "curintia" juntas, gata!)
como se a questão fosse essa: lutar contra o excludente padrão de beleza a que todos estamos impostos, significa começar a dizer para todas as jovens brancas, loiras de olhos azuis e magras que elas são feias. é o mesmo caso do heterossexual que diz que garantir o direito dos homossexuais significa suprimir o direito dos heteros. Ih, não quero repetir o que já disse aqui em vários comentários, mas enfim talvez fique bem claro porque chegou um momento em que optei pela via do sarcasmo...

Dri Caldeira disse...

Gente, vamos combinar uma coisa: NINGUÉM É DISCRIMINADA POR SER BRANQUELA!! A pessoa é ridicularizada, zoada, perseguida, ou qq outro ada q vcs conheçam. Discriminação é IMPEDIR QUE ALGUÉM VIVA SUA VIDA COM DIGNIDADE!

Dayane Ok. disse...

Roxy,

Eu havia observado exatamente isso. Havia observado , por exemplo, que em cinco comerciais que assisto seguidos e que colocavam multidões ou várias pessoas juntas, representando a sociedade, não havia NENHUM NEGRO! Em outro, havia dois, em meio a uma grande, mas uma grande multidão!
Em cm no concurso de Miss Universo haviam umas três negras para não sei quantas mais brancas e em quanto (hjá falei isso aqui) quando a Miss Angola venceu, vi chingamentos horríveis no twitter e os que elogiavam pareciam tentar por panos quentes poe ela ser negra, tipo "Ela é linda, é uma negra linda!", "Ela venceu e é linda, mesmo sendo negra!". Nunca realssavam apenas o fato dela ser linda, o fato do "mas é negra" sempre estava presente!
Com certeza, se eu ganhasse um concurso de beleza ninguém falaria "Ela é linda, mesmo sendo branca!". Eh nesse ponto que vcs falam sore o privilégio?se for por isso sim, então reconheço que sou mais bem aceita.
Eu nunca disse que meu sofrimento é compara´vel ao sofrimento diário, velado ou explícito que os negros sofrem.
Já dos gordo sim, sofri tanto quanto eles por ter sido muito magra e isso jamis irei retirar, pois ao contrário da linda e covarde anônima no meu blog falou, não foi coisa de meia dúzias de gartotas, meia dúzia de mulheres.E eu não estou aqui falando "eu eu eu, sou o centro do universo!", pegaram UMA POSTAGEM que fiz direcionada a MAY e abriram um enorme discurso em cima disso!Parabéns pela bela visão de túnel que muitos tem!Cabresto é bom e a gente NÂO gosta!

Quanto ao fato do racismo, eu li tudo e vi que não foi racismo o que sofri, foi discriminação, mas não racismo. Eu não entendia a essência do que era racismo e agora entendo, obrigada a todas!

Denise,

Eu queria muito ser diferente, queria ignorar essas coisas, mas infelizmente fico indgnada pois as pessoas confundem dar a sua opinião com falar um monte de merda!

Kezia SRSC disse...

Trabalhei numa empresa e uma colega de trabalho minha, sentava pertinho de mim mesmo, detalhe, ela é negra... Um dia comentando uma matéria que rolou no CQC a respeito dos nordestinos, ela declarou em alto e bom tom" Eu acho mesmo que tem que pegar essa raça de nordestino e colocar nos pau de arara que os trouxeram para SP e mandar todos de volta pra lá, povo sujo, feio e ignorante." Eu que sou nordestina, casada com negro respondí na lata "Ah sim. Com certeza, no mesmo dia que colocar todos os negros de volta para a África nos navios negreiros que trouxeram vcs para cá. Né? Estou extremamente ofendida com o que você falou e por favor, não venha mais tirar dúvidas comigo a respeito de cremes, maquiagem e de trabalho, já que sou suja, feia e burra. Retrate-se primeiro e depois me procure." Eu não tolero esse tipo de atitude. Não dá. Depois disso, para mim, acabou, nunca mais repassei qualquer novidade, nunca mais ensinei nada em relação ao trabalho (exceto quando era solicitada por um superior) e fiquei magoada com ela até hoje.

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