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sábado, 27 de abril de 2019

DE CAPETÃO A CAFETÃO

Anteontem foi mais um dia em que o pior presidente da história do Brasil se esmerou em expor suas barbaridades preconceituosas. 
Ao explicar para jornalistas por que o Museu Americano de História Natural de Nova York se recusou em sediar um evento que homenagearia o vizinho e amigo de milicianos (segundo o viralata dos EUA que se diz patriota, como ele é "aliado do Trump", os democratas locais fizeram pressão contra), a imagem que ele tem de ser homofóbico "ficou lá fora". Ele afirmou que essa imagem não prejudica investimentos. "O Brasil não pode ser um país do mundo gay, do turismo gay. Temos famílias. [...] Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade".
A declaração do estrupício sugere que pessoas LGBT não tenham famílias, ou não façam parte de famílias. Mais uma vez ele espalha homofobia! Não dá pra discordar do prefeito de NY, Bill de Blasio, que classificou Bolso como "um ser humano muito perigoso". 
Embratur, 1983. Principal-
mente nas décadas de 1970
e 80, até meados de 1990,
era assim que a propaganda
oficial vendia o Brasil
para estrangeiros
E eis que o capetão virou cafetão! O Brasil luta há anos para derrubar a pecha de paraíso do turismo sexual, de que aqui seria o lugar ideal para se traçar mulheres calientes. Além de ser uma reputação pra lá de machista, ela é péssima pro país, pois incentiva a prostituição, e talvez principalmente a prostituição infantil. Claro que Bolso, que tem um longo histórico de declarações misóginas, racistas e LGBTfóbicas, não teve nenhuma vergonha em oferecer as brasileiras de bandeja para os gringos. Prostituição, de acordo com sua lógica torpe, não é condenada pela família tradicional (e não é mesmo; prostituição faz parte integral do patriarcado). 
Muita gente me perguntou ontem no Twitter: como ficam as mulheres que votaram no energúmeno? Esta é a saída oferecida por ele para o desemprego? Mas é óbvio que as conservadoras não ligam. Elas devem achar que ele se referiu a outras mulheres, não tão "direitas" como elas. Ou então que ele não disse isso, foi apenas uma mentira da imprensa que o persegue, tadinho. 
Parece que a república só mudou de cafetão. Um ano atrás, a imagem mais emblemática da comemoração da prisão de Lula foi o dono de um puteiro expondo uma prostituta, enquanto um bando de reaças convocados pelo MBL celebravam. Ao fundo, uma homenagem a dois juízes. As palavras de Bolso combinam com a foto. 
Bem fez o governador Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão. Ontem ele lançou uma propaganda na internet dizendo que "O Maranhão está à disposição dos turistas. A mulher maranhense, não". Touché, governador!
E por falar em propaganda, o paspalho que não passaria no Enem mas se sente perfeitamente à vontade para interferir no exame, 
se meteu com um comercial do Banco do Brasil (veja o comercial). A gente pensaria que um presidente tem coisas mais importantes pra fazer do que exigir a retirada de um comercial, mas aí se lembra que ele escreve tuítes sobre golden shower
O comercial do BB, que divulgava o serviço de abertura de conta corrente por aplicativo no celular (em outras palavras, direcionado para os mais jovens), que já vinha sendo veiculado há mais de uma semana, mostra moças e rapazes de vários estilos, muitos negros, alguns com tatuagens (veja o vídeo do canal Nada se Cria a respeito). Na hora, nem Bolso nem a alta cúpula do banco especificou o motivo da proibição do comercial (que levou à demissão do diretor de marketing do BB). Não ficou claro se foi por homofobia ou racismo ou uma mistura dos dois. 
Só hoje Bolso explicou por que proibiu o comercial: "Quem indica e nomeia o presidente do Banco do Brasil, não sou eu? Não precisa falar mais nada, então. A linha mudou. A massa quer o quê? Respeito à família, ninguém quer perseguir minoria nenhuma. E nós não queremos que dinheiro público seja usado dessa maneira". 
De novo: para o incompetente, "respeito à família" (só existe uma) equivale a banir qualquer um que não esteja no padrão branco e heteronormativo. Vamos esperar os novos comerciais de qualquer empresa estatal (que os reaças "patriotas" estão doidos pra entregar pros estrangeiros) mostrarem jovens bem comportados, à la Gilead de O Conto da Aia
Os movimentos negros se manifestaram rapidamente para repudiar o ataque de Bolso à diversidade. Frei David, da Educafro, disse: "A comunidade negra gastou um tempo imenso para despertar na sociedade o respeito à diversidade. Essa propaganda consolida uma conquista dos excluídos". A Educafro irá entrar com uma denúncia na ONU contra a retirada do comercial. 
Pelo jeito, este é o único comercial do Banco do Brasil que a "nova era" aprova. 
Vale lembrar que Bolso já havia se metido numa ação do BB. Mês passado, o presidente dos ignorantes condenou um curso interno do banco sobre assédio sexual no trabalho e incentivou candidatos de concurso a processarem o banco estatal. 
Pode ser que tudo isso seja apenas mais uma cortina de fumaça para que a gente não fale do pré-sal ou da deforma da previdência ou até da descoberta de uma nova laranja da famiglia. Assim como pode ser mais uma presepada entre tantas outras que este desgoverno nos oferece diariamente. Todo dia um 7 a 1, todo dia um retrocesso. Que fase, Brasil!

E só piora... Leia a declaração do presidente do BB defendendo o veto. 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

UM MARQUETEIRO PRA COMBINAR COM O GOVERNO GOLPISTA

Quando eu vi essas peças de propaganda do governo Temer, pensei: esse marqueteiro cometendo todas essas gafes tá ganhando por isso ou fazendo por hobby?
Em outra reencarnação eu trabalhei uns sete anos como redatora publicitária e o que mais tinha era dono de empresa que queria economizar com propaganda e por isso chamava o cunhado super incompetente pra cuidar dessa parte. Aí saíam essas coisas...
Um leitor meu disse no Twitter que estamos sendo otimistas demais ao achar que o Brasil voltou apenas vinte anos nos últimos dois. Concordo.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

SNICKERS FAZ CAMPANHA MACHISTA

Semana passada uma leitora, a Lígia, me enviou um email falando de uma campanha da barra de chocolate Snickers, da Mars, que está sendo acusada de machismo. Como eu raramente vejo TV, nunca tinha visto os comerciais. 
Um é com a Claudia Raia, outro com a Betty Faria. Em ambos, um rapaz fica nervoso e dá piti, ao ponto de se transformar numa mulher (sempre associada à histeria e a dar chilique). Ele volta "ao normal" (ou seja, à condição masculina da razão) após comer uma barra Snickers. O slogan é "Você não é você quando está com fome". 
Pra piorar, há um mês a Mars lançou a outra fase da campanha publicitária, que são chocolates Snickers com embalagens diferentes. Nelas, vem palavras como "mimimi", "reclamona" e "lesada" (só no feminino). Várias pessoas questionaram a escolha do gênero feminino para representar quem fica nervosa. A Mars respondeu a uma reportagem dizendo que a campanha é global e que os adjetivos vem no gênero masculino também, mas talvez não tenham chegado aos pontos de venda ainda (hã?).
Publico aqui o email que a Lígia me mandou, o email que ela mandou a Mars, a resposta da empresa, e a réplica da Ligia.

Email da Ligia pra mim: 
Em abril desse ano eu mandei um e-mail pra Mars falando sobre o machismo dessa propaganda deles (com a Claudia Raia).
Interessante que o vídeo com a Claudia Raia foi publicado pela primeira vez em 2015 e voltou a ser veiculado agora em 2017. Interessante também que mesmo com as reclamações, eles reforçaram o conceito (equivocado) da campanha, lançando as embalagens que geraram a polêmica.
Se você ler os e-mails que troquei com a Mars, repare nas 'ordens' contidas na resposta:
"A campanha não deve ser interpretada como discriminatória" 
Quer dizer: Eles que dizem como que eu DEVO interpretar a propaganda.
"Esperamos que entenda que não há discriminação" 
Precisa comentar? Se a Mars falou, está falado: NÃO HÁ DISCRIMINAÇÃO! Eu é que estou sendo chiliquenta em reclamar e ver machismo onde NÃO TEM (risos). E eu tenho que entender isso! 

Email da Ligia para a Mars (clique para ampliar):

Resposta da Mars:

Resposta da Ligia:


sábado, 11 de março de 2017

QUANDO A PROPAGANDA ACERTA

Meu querido Flávio enviou a sugestão deste vídeo, que faz uma lista dos melhores comerciais (quase todos americanos) recentes com viés abertamente feminista (eu conhecia todos menos dois).
Como ele diz, "Essa lista de comerciais que incentivam o empoderamento feminino é uma lembrança de que mesmo dentro do contexto capitalista (afinal, essas empresas querem vender seus produtos), é possível fazer isso com pelo menos um pouco de consciência social e ética".
É preciso, a meu ver, ter um olhar crítico para essas mensagens, para não permitir que o feminismo seja cooptado pelo capitalismo. Mas prefiro mil vezes ver um comercial feminista do que um comercial machista. E, como conhecemos bem o poder da mídia, sabemos que essas mensagens "empoderadoras" conseguem ser influentes, principalmente para as meninas.
Portanto, que venham mais anúncios e comerciais com mensagens positivas, de mudança. E que os publicitárixs brasileiros também acordem para o que já é chamado em inglês de "empowertising". 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

UMA GLOBELEZA VESTIDA E ACOMPANHADA DE DIVERSIDADE

Eu nem estava sabendo da nova Globeleza, mas um jornal me pediu minha opinião, e tive que me inteirar.
Nessa vinheta da Globo que antecipa o carnaval, em vez de haver uma "mulata" nua ou seminua, com closes de várias partes do seu corpo, há pessoas vestidas, representando o carnaval em diversas partes do país e mostrando, além do samba, também o maracatu, axé, bumba-meu-boi e frevo. Eu gostei. Muito.
O movimento negro, principalmente as mulheres negras, sempre protestaram contra a sexualização das negras, o que é algo histórico e obviamente racista. 
Sexualiza-se o negro através do mito de que ele tem pênis grande, tornando-o um perigo ainda maior para as pobres e indefesas mulheres brancas (felizmente os homens brancos estão aí para protegê-las e salvá-las -- esta é a narrativa). Sexualiza-se a negra para deturpar a realidade de séculos de estupros cometidos por donos brancos de escravas negras. Em vez de ser vítima, a mulher negra é transformada em algoz do homem branco, como se fosse uma feiticeira ("eu nem queria estuprá-la, foi ela que me seduziu!"). Essa narrativa de animalizar as pessoas negras persiste, e não existe apenas aqui no Brasil, mas em todos os lugares onde houve escravidão.
Mulata é um termo por si só pejorativo, porque vem de mula (mais animalização que isso, difícil). A "mulata tipo exportação", um dos mais famosos produtos brasileiros -- e é isso mesmo, um produto -- sempre foi fetichizada. Na nossa cultura popular, quando se pensa em mulatas, pensa-se em mulheres sem nome e puramente sexuais, sempre "apresentadas" por um homem branco. Eu cresci vendo homens brancos explorando o corpo de mulatas. Lembro das "mulatas do Sargentelli". Lembro das dançarinas do Clube do Bolinha (realmente houve um programa de TV com esse nome). 
A Globo explorava isso como ninguém. Durante 26 anos exibia a "Globeleza". A única que parecia ter nome foi Valéria Valenssa, que ficou no cargo por 14 anos. Eu lembro dos making-ofs, lembro do Hans Donner exibindo sua esposa. Parecia que, sempre que havia uma mulata, havia um homem branco para controlar, explorar, vender o produto. 
E óbvio que não sou só eu que vejo isso. Não é à toa que, nos últimos anos, em inúmeros protestos, jovens negras vem com cartazes para dizer "A carne negra é a mais barata do mercado" e "Não queremos ser Globeleza". 
De fato, elas exigem representatividade na mídia, uma representatividade ainda extremamente restrita. 
E elas têm inúmeras ambições que lhes foram negadas durante séculos. Por isso, ainda que a nova vinheta da Globeleza signifique um gigantesco avanço diante das anteriores, ela não apaga os anos de exploração. Negras querem ser vistas como seres humanos completos, repletos de nuances e complexidades, não como símbolo de uma festa que, no eixo Rio - São Paulo, deixou de ser popular faz tempo.
E se você nunca parou pra pensar como a vinheta objetificava a mulher negra, tente pensar por um segundo como seria se fosse com um homem. Felizmente, o Quadrinhos Ácidos fez isso pela gente. E o resultado ficou meio ridículo. Porque é ridículo a câmera focalizar partes do corpo para erotizá-las (e eu não vi o Globo de Ouro ontem, mas sempre nessas transmissões têm a câmera indo de baixo pra cima no corpo das atrizes, o que é um clichê risível, a atriz tá dando uma entrevista e a câmera está passeando pelo seu corpo).
Ah, mas alguém que não para pra pensar pode dizer, ficou ridículo porque homens e mulheres são diferentes, porque homem não rebola. Pois é, deixa eu te contar uma coisa: ninguém nasce rebolando. Rebolar é, como quase tudo na nossa vida, algo ensinado. As poses que mulheres e homens fazem não são naturais. São construções sociais. Por isso que eu gosto tanto do desenho do Kevin Bolk mostrando como ficariam os superheróis se tivessem que fazer poses sexy que enfatizassem suas bundas (como superheroínas têm que fazer). 
Se parece estranho haver close de um pênis balançando ao som de samba, por que aceitamos com tanta naturalidade os closes de bunda que vimos durante um quarto de século nas vinhetas da Globeleza? 
Como pra pessoas que não pensam é quase impossível refletir, permitam-me desenhar. Vi conservadores reclamando da nova vinheta, porque, para eles, mulher foi feita pra ser objetificada sexualmente mesmo. Reaças temem que, nos próximos carnavais, tenhamos uma Globeleza travesti, ou uma Globeleza gorda, ou uma Globeleza de burca. O discurso deles soa incoerente, mas não é. Eles são moralistas, odeiam nudez -- é só ver como eles tiveram um infarto com o videoclipe de Clarice Falcão, "Eu Escolhi Você", que mostra genitais em primeiro plano (e foi censurada no YouTube). 
É só ver como eles atacam as mulheres que protestam com os seios desnudos na Marcha das Vadias. É só ver como eles agridem as negras e gordas Daniela Martins e Jész Ipólito, que ousam desafiar o padrão de beleza e posam nuas, felizes, poderosas. No entanto, conservadores vão defender até os dentes quando o capitalismo objetifica mulheres para vender seus produtos (mesmo produtos como móveis de inox, que não exigem a presença de uma mulher de maiô). Então é mentalidade reaça é assim: mulher fora do padrão posar nua, protestar sem sutiã, promover mamaço, amamentar em público, postar foto da sua mastectomia? Não pode, proíbe! Censura já, onde já se viu?! Estão acabando com a moral e os bons costumes! Querem exterminar a tradicional família brasileira, os homens de bem! 
Propagandas e programas mil de TV mostrando "corpos perfeitos" de mulheres pra vender tudo e qualquer coisa? Aí sim! Só feminazi que não gosta! 
Ou seja: quem quer proibir, quem quer censurar, não são as feministas ou outros ativistas sociais. São os conservadores. São eles que têm horror à diversidade. Nós criticamos, questionamos, problematizamos. Fazemos o que eles não fazem -- pensamos. Nós sabemos que há diferenças gritantes entre uma mulher negra gorda se fotografar sem roupa para se sentir bem e mostrar que a beleza é plural e uma marca objetificar mulheres para lucrar.
Por isso, talvez, 2017 não tenha começado muito bem pra eles. Além da nova vinheta Globeleza, a Skol lançou a campanha "No verão Skol, redondo é sair do seu quadrado", em que encoraja que todos se sintam bem e aproveitem as férias, independente do seu tipo físico. Uma ótima melhora em relação a sua campanha de 2015, do "Esqueci o 'não' em casa". Como disse a VP de Marketing da Ambev, as marcas do grupo estão tentando se afastar da fórmula machista de vender cerveja: "O consumidor vem evoluindo, e a gente tem que evoluir junto".
Ainda tem muita gente se negando a evoluir. Mas é bom que a Globo, que ainda dita um bom pedaço do que é pensado no Brasil, finalmente notou que carnaval não é sinônimo de mulatas nuas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

MAIS UMA MARCA ORGULHOSA DE SEU MACHISMO E IGNORÂNCIA

Ontem mal cheguei perto da internet, mas fiquei sabendo por cima de uma marca de móveis de inox cujo dono primeiro fez um comentário machista afirmando que só homens eram bons em design. 
Tipo assim
Uma moça, a Bruna, não se surpreendeu ao perceber que, seguindo a ideologia do dono, a propaganda da marca também é machista, pois objetifica as mulheres (o típico "vamos usar mulheres em pose sexy pra vender qualquer coisa"). E deixou um comentário na página. 
A marca, então, além de insistir no sexismo e responder com sarcasmo, ainda fez um desafio. Se Bruna conseguisse baixar as avaliações da marca pra 1.1, ela ganharia um cupom de 10 mil reais pra gastar na empresa. 
Se não, a marca doaria uma quantia pra uma instituição de caridade que não tem nada a ver com a história e não deve estar gostando muito de ter seu nome associado a uma marca que tem orgulho de ser machista.
Claro que, assim que os reaças ficaram sabendo disso, foram lá aumentar a nota da empresa. Afinal, pra reaça, tudo que for contra o feminismo é digno e fofo (aí cai por terra aquela afirmação ignorante que eles fazem sempre: "Machismo, feminismo, é tudo a mesma m*rda". Reaça prefere machismo mil vezes! E não vai aprender nunca que feminismo não é o oposto de machismo). 
Eu vi rapidamente uma página reaça que está dando a maior força pra marca. Lá, uma mulher perguntou sobre a propaganda: "Por que não colocar um homem com trajes de banho ou mesmo um casal?". E um cara qualquer respondeu: "Porque mulheres são mais bonitas e fazem as coisas vender mais. Você deveria se sentir elogiada, já que admitimos que vocês embelezam as coisas. Na árvore da vida, os homens são as raízes, as mulheres, as flores", disse o machista disfarçado de filósofo. E há montes de comentários acéfalos do tipo "Feminina, não feminista". 
Não sei se vale a pena repercutir a marca, porque certamente é isso que ela quer. Como a gente sabe, machismo sempre ganha fã clube. 
Bom, felizmente uma leitora querida, a AnaLu, que é publicitária e mestra em Antropologia Social, escreveu um guest post sobre o caso:

Mulher não é boa em design, diz
dono de loja de móveis
Vi o caso da Alezzia e precisamos ver este caso com muita atenção e cuidado.
O que pensar de uma marca que contrata um social media misógino, machista e sexista para gerenciar suas redes sociais e ainda por cima, endossa e incorpora o discurso preconceituoso deste profissional em uma "campanha" publicitária absurda?
Me preocupa bastante ver que um comentário a respeito do machismo que vemos no design (e também na comunicação) tenha sido usado para virar um desafio de likes e avaliações. 
A Alezzia transformou o comentário de uma mulher em um desafio. E não sei dizer o que é pior nessa história: a falta de retratação por parte da Alezzia ou o envolvimento de entidades que nada têm a ver com a história. 
​Gente, não é questão de avaliação. Não é nem mesmo uma crítica aos móveis produzidos por essa empresa. O que está em questão é o discurso machista, a fala agressiva com as várias mulheres que criticaram a postura da marca diante da fala machista de seu social media. Eu, como publicitária, tenho vergonha de ver isso em nosso meio. Eu não fiz a avaliação da página porque vejo que isso tem fortalecido muito mais a marca do que qualquer outra coisa. 
Não se trata de dar um vale para fulana ou ciclana. Porque dar um vale é fácil. Dar respeito a uma mulher, pelo visto, é mais difícil para a Alezzia. Dá pra ver isso pelas peças das campanhas publicitárias.
Me preocupa ver como as marcas tem lidado com as críticas das minorias. Me envergonha ver esse tipo de coisa. Repito: não se trata de ajudar a AACD, não se trata de provar que a marca vende bem e tem consolidação no mercado. Se trata de respeito. Apenas!