segunda-feira, 4 de abril de 2011

GUEST POST: EU E O MEU AUTISTA

Niara e Calvin

Niara é jornalista, gaúcha, ativista, mãe, feminista, e tem seu blog, o Pimenta com Limão, e um twitter agitado. Eu ainda a conheço pouco, mas já gosto muito dela e de suas posições políticas. Fiquem com seu relato, que me comoveu.

Nunca quis ser mãe, fato. Mas eis que um dia fui atropelada por uma gravidez indesejada que me pegou tão de surpresa que me deixou sem reação. Fiquei os seis primeiros meses da gestação ensimesmada, sem falar com meus amigos e seguia na minha militância no Diretório Acadêmico Vladimir Herzog da Escola de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas e como Secretaria de Escolas Pagas na ENECOS (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social), viajando a cada dois meses para as reuniões e participando dos encontros e congressos. Eu simplesmente fingi que nada estava acontecendo, assim como ignorava solenemente o ser que insistia em fazer uma micareta dentro da minha barriga todas as noites depois que deitava.
Quando não foi mais possível ignorar a realidade, anunciei a gravidez. Tive oficialmente a gestação mais curta da história: dois meses e meio. Nesse período tentei me acostumar com a ideia, fiz piada e tentei me adaptar aos revezes. Não foi fácil. Abri mão de uma indicação a coordenação de chapa para o DCE da UCPel e vi que o movimento estudantil já não seria mais possível para mim. Literalmente fui atropelada pela vida e fiquei lá, esmagada no asfalto.
Mas a vida seguiu. Calvin nasceu miudinho mas lindão, e a primeira vez que olhou pra mim com aqueles imensos olhos azuis (hoje são verdes) me fez chorar. Fui aos poucos – muito aos poucos mesmo – me livrando dos efeitos devastadores da depressão pós-parto e conforme a nossa comunicação se ampliava me apaixonava mais por ele. É, não acredito em instinto materno, a minha relação com meu filho foi sendo construída aos poucos, dia a dia.
Eu estava no último semestre da faculdade, tinha entrado com um processo contra a UCPel para garantir minha formatura no final de 1997 (eles tinham me negado uma colisão de disciplinas e tinham liberado uma idêntica para um colega que não iria se formar), quando o Calvin teve a primeira convulsão – eu nem sabia identificar uma convulsão. Ainda nem tinha começado a escrever a monografia de conclusão de curso (TCC) e não conseguia voltar meus olhos para ela. Fiquei dois meses às voltas com médicos, exames, tratamentos alternativos, tudo que fosse possível para fazê-lo parar de ter aquelas tonturas (eram convulsões e eu não sabia que existiam tipos diferentes).
Um dia me indicaram levá-lo até a Irmã Assunta – uma freira católica daqui de Pelotas que é uma curandeira, mestra em fitoterapia, uma verdadeira bruxa – e eu fui. Ela o examinou (e o exame foi idêntico ao que o primeiro neurologista fez), me disse que ele precisava dos recursos da medicina mas que um floral ajudaria muito. Ela receitou dois florais e um xarope (que eu acho bem parecido com o anticonvulsivo que ele usa até hoje). Calvin ficou mais de dois meses sem nenhuma convulsão (tontura) e eu pude me voltar ao meu TCC. Me formei e na minha colação de grau ele estava lá na plateia, com seu um ano e meio, lindo, com uma blusa de tricô em linha marinho que eu mesma fiz para ele, uma calça jeans muito da nojenta folgadona e sandália.
Só o que intrigava era o fato dele não falar. Ele tentava, ensaiava, mas não conseguia. Arrumei emprego em Palmeira das Missões (quase 600 Km distante de Pelotas, na região noroeste do Rio Grande do Sul). Coloquei-o num maternal e o deixei com meus pais, já acostumados a cuidar dele pra mim. Numa das minhas vindas a Pelotas para vê-lo, estava acompanhada de sua pediatra, que é também uma amiga, e o viu tendo as costumeiras "tonturas" e identificou como convulsão – até este momento, eu não sabia o que era. O chão se abriu sob meus pés. Nunca estive numa zona tão desconfortável, nem mesmo na gravidez.
Dois meses depois veio o diagnóstico: Síndrome de Lennox-Gastaut – epilepsia, atraso no desenvolvimento, dificuldade na aprendizagem e sintomas do autismo – agravada por uma minúscula falha no tecido cerebral na região que determina a coordenação motora fina e a fala. Ele emite sons, canta inclusive, mas não consegue articular a fala.
Confesso que isso foi um soco no estômago do qual ainda sinto a dor. Autistas vivem num mundo próprio e é preciso muita disposição e persistência para conseguir entrar nesse mundo. Eles vivem de rotina, todo dia tudo sempre igual, móveis no mesmo lugar, da mesma cor e formato, paredes sempre na mesma cor, não cumprimentam e não te olham nos olhos (aqui um vídeo sobre um método ensinado a pais de autistas). Para diminuir um pouco os meus desafios como profissional da comunicação social, o Calvin não é um quadro típico de autismo (ou um quadro fechado) e consegui criar canais para interagir com ele. Ele aceita algumas mudanças na rotina, desde que programadas e acordadas antes, aceita roupas novas de cores diferentes – aliás, ele adora roupa e calçado novos –, brinquedos diferentes, só a rotina da alimentação nos horários e a rotina (passos) para tomar banho e ir dormir é que precisa ser cumprida à risca, ou ele volta a fazer xixi na cama. A diferença fundamental do Calvin para os demais autistas é que ele interage com o mundo ao redor, se fechando apenas de vez em quando. Mas tem aqueles tiques de repetir movimentos e sons por horas a fio. Quando resolve cantar seus mantras ou ficar batendo com as costas no sofá é dose de aguentar. Atualmente ele fica repetindo sem parar um som parecido com soluços.
O autismo é uma síndrome comportamental pouquíssimo conhecida e seus portadores vivem meio que apartados do mundo. Não há absurdo maior, pois eles já têm a tendência a se auto-exilarem e o mundo, ao invés de abraçá-los e incluí-los, os repele ainda mais. Não se deixem levar pelo preconceito. Alguns autistas são sim agressivos, mas não é uma agressão intencional com o intuito de machucar ou causar dor.
Acho que a grande dificuldade em lidar com autistas é que eles parecem não reconhecer afeto e nem são gratos. É preciso amá-los sem esperar retorno. Óbvio que eles sentem o amor, dedicação e são profundamente ligados à família, mas não espere retorno e nem grandes demonstrações de afeto. É nesse ponto que me sinto recompensada. O meu autista é profundamente afetuoso, me olha nos olhos e eu sempre sei o que ele está querendo ou sentindo. Nossa cumplicidade foi construída no amor que nos une e hoje o maior alento do meu dia vem quando chego em casa e ganho um abraço sentido e o beijo mais doce do mundo. Imaginem, e veio de uma gravidez indesejada... A vida é mesmo muito estranha.
O meu autista completará 15 anos em maio deste ano.

76 comentários:

karina disse...

Sem dúvida o amor materno, grande demais, mesmo, é construído de pouquinho a pouquinho, com filho autista ou não. Como mãe, sei bem o que você quer dizer quando menciona essa construção. Parabéns pelo filho lindo.

Akma disse...

Nossa!O seu post me emocionou.
Parabens pela sua garra e pela coragem de contar a sua historia como mae sem panos quentes.
Gosto de mentes assim, sem rodeios.
Bjs!

Cinthya disse...

História linda!

Daní Montper disse...

Fique comovida e feliz com sua história, Niara. Desejo muito sucesso para os dois.

Não conheço ninguém com autismo, mas ainda assim tinha uma ideia de que são pessoas diferentes e que vivem em seus mundos permitindo poucas pessoas neles, ou seja, como todos somos de alguma forma, e nunca me passou pela cabeça que alguém poderia considerá-los agressivos - confesso que fiquei surpresa com isso.

Junior disse...

Confesso que não sou grande fã dos "guest-post" do blog, prefiro mil vezes ler a Lola...mas esse post me emocionou demais... terminei de ler com lágrimas nos olhos.

Mari Biddle disse...

Emocionante!

Um beijo pro Calvin.

;)

Pentacúspide disse...

Já vi pais a interagirem com filhos autistas, tanto adultos com crianças, mas observar de longe é bastante impessoal. Lendo aqui o teu relato... a tua coragem... a tua abnegação... epá, raras vezes fico sem palavras.

Isis disse...

FOFA a foto do Calvin com o "Haroldo" dele :)

Priscilla disse...

Muito linda forma sincera com que a mãe expõe o processo de construção dos vínculos entre o fliho e ela. Isso é importante porque derruba a aquela idéia de que é instintoe coisa tal. Afinal, ela mesma teve que desenvolver mecanismos para comunicar-se cm of ilho e nem por isso a relação é menos afetuosa.
Ah, e que olhos o Calvin tem hein?

Pedro @snoopy_xxy disse...

Poxa, que exemplo bacana é a Niara... Nem queria ser mãe e se revelou uma mãezona, toda corajosa e ainda arrumou tempo para trabalhar e ser militante do feminismo! Quer exemplo mais lindo que esse? Não tenho dúvidas que o Calvin é esse ser todo especial porque tem uma mãe muito especial. Parabéns.

aiaiai disse...

O que mais me comoveu foi a sua sinceridade. O Calvin é lindo e tem muita sorte de ter uma mãe tão verdadeira!

Cor de Rosa e Carvão disse...

15 anos... Que lindo! Parabéns aos dois.

ruthmarias disse...

Ni, eu já te achava o máximos e tinha alguma idéia dos diferenças que abraçava com seu filho. No entanto, ler você aqui, me deixa mais pertinho. Meu filho tem alguns sintomas estranhos e diagnósticos confusos e posso compreender um pouco do que contou. Adoro saber que também não sentiu esse instinto materno...

Carina Prates disse...

Que bom ler algo desse tipo, traz esperança, sabe?

morgueta disse...

Também quero dar os parabéns pela sinceridade. História linda :) e ele é muito sortudo de te ter como mãe.

Passei um ano letivo no colegial estudando com um menino que eu nunca soube o que tinha, mas acredito que o autismo fizesse parte dele. Éramos só 15 alunos na sala (por isso o colocaram pra estudar lá), mas mesmo assim ele era provocado pela maioria (pros professores nunca tinha nada demais, até ele ficar agressivo).
Apesar de ter sido mais uma experiência pra ver como as pessoas são maldosas, achei muito legal ver como ele lidava com as situações, lembrar das reações e das tiradas que só ele tinha. Dá pra aprender muito com alguém que encara o mundo de um jeito tão diferente!

Desde aquela época eu ficava imaginando a mãe dele (nunca ouvi falar do pai), no tanto de amor que ele recebia pra tar ali tão bem e seguro, mesmo com o mundo sendo tão ruim. Agora eu sei como é :P

meucafe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
meucafe disse...

Como assim foi uma gravidez indesejada que deu bom fruto? Você devia ter feito como a Lola apologiza, levado pro açougueiro! Mas aqui, movimento estudantil estudando em escola particular, PUC? Hahahaha, defendiam o que, mais créditos pelas aulas de religião? Quem sabe a hipponga que escondeu de todos sua própria gravidez, o que me remete à ideia de que ela não tomou os devidos cuidados gestacionais, não bebeu, fumou e, entre outros descuidos e omissões, não contribuiu para o retardo de seu filho? Uma pena.

Ediane Oliveira disse...

Impossível não se emocionar. Eu acho que Deus só dá bênçãos àqueles que conseguem entender. E no caso da Niara, foi exatamente isso que aconteceu.

Em algum tempo de contato com ela, já a considero como uma pessoa muito inspiradora como pessoa, além da busca de uma comunicação mais social.

O Calvin é lindo, um dia ainda quero vê-lo pessoalmente.

Deixo aqui meu carinho registrado e minha emoção, pois um dos meus maiores sonhos é ser mãe. Lendo um relato tão verdadeiro e significativo, me enche de vontade de um dia poder chegar em casa e receber um beijo doce. De alguém que veio de mim.

Abraços.

Niara de Oliveira disse...

Eu poderia até perder meu tempo te respondendo, "meucafe". Mas acho que tu não vale o meu esforço. =P

Niara de Oliveira disse...

Poxa, muito obrigada por todos os comentários gentis e emocionados. Curti cada um. =')

meucafe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
meucafe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
meucafe disse...

Vai ver não tou totalmente incorreto, não é mesmo, Niara? Com um filho portador da síndrome, vc deve ter se informado o suficiente sobre a condição para saber que um pré natal adequado é fundamental na prevenção do autismo e de outros transtornos neurológicos.

bibi move disse...

Gente o autismo é uma das "condições" cujo diagnóstico e tratamento vem cada vez mais sendo transformadas atualmente. há muitos trabalhos acadêmicos incríveis sobre as abilidades dos autistas, dos vários graus etc...Tem o lindo caso da Temple Grandi ( o filme q fizeram sobre a vida dela é horrível, mas tem artigos bem mais elaborados sbre suas abilidades). na minha universidade tem um grupo super bacana da filosofia e da arte desenvolvento um trabalho lindo sobre as crianças autistas, com elas, envolvendo produçåo de audio visuais e teorias de percepção.
E tem o lindo vídeo no youtube da amanda Baggs, que é uma ativista dos direitos dos autistas.
vale muito a pena assistir!
http://www.youtube.com/watch?v=JnylM1hI2jc

Karla disse...

nem um troll ignorante consegue estragar os comentários de um texto tão bonito. :) Parabéns, Niara! Pelo filho lindo, sua dedicação e garra.

.Intense. disse...

Post emocionante, Lola. Amo quando tem guest-post - reconfortante encontrar tantos 'humanos' na blogosfera afora.


;*

Dai disse...

post lindo, tb emocionei. beijos pra niara e pro seu lindo calvin. ambos tem sorte de se terem e eu de ter lido essa história. incrível como os trolls insistem em habitar o que não lhes pertence com o seu ódio desvalido - esse post é só amor. beijão.

Léli disse...

Lola parabéns pela iniciativa do gest post, acho-os muito bonitos. Claro que tuas opiniões são o primeiro objetivo em quem vem aqui, mas ter outras palavras que comprovem teus ideais e os motivos porque os defendem também são importantes.
Niara, te conheço há algum tempo, desde a faculdade. Nunca fomos próximas naquele período, mas sempre te admirei pela coragem de levantar bandeiras e lutar com toda força por elas. Soube através de uma outra amiga a respeito do Calvin, e te achei mais uma vez uma mulher muito corajosa e forte. Então virei fã mesmo, de carteirinha!
Teu relato só veio comprovar mais uma vez duas coisas: Primeira és MUITO CORAJOSA, FORTE E UMA MÃE DE PRIMEIRA, não importa como aconteceu, importa tua decisão de abraçar este lindão com todo o teu coração e tua coragem de sempre mostrar a pessoa que és, para alguns pimenta com limão, sim. Tem quem não goste, no meu caso, adoro ambos, o azedinho do limão e o ardidinho da pimenta!
Segundo, teu guest post comprovou mais uma vez que sou uma chorona de primeira. O bom é ver que tem bastante gente por aqui que também se emocionou muito.
Grande beijo pra vocês e muita felicidade!

Niara de Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Niara de Oliveira disse...

Obrigada mesmo, a todos, pelo carinho. Se o meu relato emocionou, os comentários de vocês não ficam atrás, viu? Vou perder um tiquinho do meu tempo para responder ao troll "meucafe" porque ele diz algo que faz parte do entendimento senso comum sobre síndromes. Não, pré-natal não "previne" síndromes. Nenhuma delas. Síndrome não é doença para ser tratada, evitada ou curada. Essas pessoas simplesmente nascem e morrem assim. É possível estimular, desafiar o seu desenvolvimento para que tenham uma melhor qualidade de vida. E só. O resto é aceitação, compreensão e amor mesmo. Algo que falta para um troll ignorante e preconceituoso que só pensa em vomitar seu ódio sobre quem quer que seja. É nessas horas que penso no Calvin como um privilegiado. Ele vive alheio a tudo isso, protegido. Felizmente eu nunca sofrerei o vendo sofrer por ler ou ouvir tais ignorâncias e comentários maldosos. Mas mesmo me trollando injustamente, "meucafe", estou te oferecendo a luz de um pouco de conhecimento. Afinal é a ignorância a mãe de todo o preconceito. Já a paternidade (do preconceito), pareces estar disputando com o deputado Bolsonaro.

meucafe disse...

Minha amiguinha, vc está brincando, né? Síndromes, a gente nasce e morre com elas? Rs. São inúmeros os fatores relacionados pela literatura como possíveis causadores da síndrome. Há dois ou três meses, a Revista da FMUSP trouxe uma reportagem sobre o tema que relacionava perturbações durante a gestação com o desenvolvimento do autismo (foi observado que a incidência da doença em crianças gestadas por mães em estados críticos socioambientais - falta de acompanhamento médico, má alimentação, consumo de entorpecentes, prática excessiva de atividade física etc. - era consideravelmente maior). Pelo sugerido em sua declaração eu suponho que sua gravidez não tenha sido das mais tradicionais (e vc não se preocupou em refutar), e como, para exemplificar, uma insufiência vascular placentária, nos primeiros meses de gestação, pode ter danificado o cérebro do bebê causando-lhe o retardo (o que teria sido diagnosticado em um acompanhamento pré natal), há de se refletir sobre os efeitos de uma gestação laissez faire no desenvolvimento de uma criança. Por favor, se vc realmente acredita que autismo é uma SINA divina, algo que vc é destinado a carregar na loteria da vida, procure aconselhamento.

Niara de Oliveira disse...

Não sou tua amiguinha e não tenho que refutar nada. Síndrome não é doença e nem "retardo" e só pelo teu vocabulário se percebe que a tua leitura é escassa. Não entendo o sentido do teu comentário no meu post... Me criticar? Me apontar defeitos ou culpas? Tu achas que após 13 anos de diagnóstico vai ser um comentário ridículo como o teu que vai me abalar, ofender ou ferir? Acho que terás que trollar outro blog e destilar teu ódio e preconceito em cima de outra pessoa. (última vez que te respondo)

Ághata disse...

Belo relato! Fico feliz que seu filho esteja tão bem e a relação de vocês seja tão boa assim!

meucafe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
meucafe disse...

Não há diferença substancial entre os termos síndrome e doença; ainda que síndrome determine sinais, estado, pode caracterizar-se por apenas uma doença, embora normalmente seja mais de uma. Assim, a AIDS é uma doença, mas também uma síndrome, mais abrangente, que pode conter tuberculose ou problemas renais. Enfim, é mais uma questão de linguagem adequada, pelo que eu me desculpo (é o mesmo que chamar um soropositivo de aidético, termo que carrega uma série de preconceitos embutidos). E pode-se usar "retardo": a maioria dos autistas apresenta retardo mental, em diferentes níveis. E sim, vc tem razão, eu só queria apontar que um pretenso "desapego às convenções" de sua parte possa ter resultado, de fato, numa negligência perigosa. Acho mais sensato que chegar aqui, como todas essas mulheres, dizer que "mimimi, eu chorei, que grande mãe vc é, que história de vida!", como se seu relato fosse uma dessas de superação que grassam pela televisão.

Ághata disse...

...
Ah, meo deos.

Meucafe, quer dizer que "perturbações" na gravidez contribuem para a criança tem síndromes...?!!
Ah, claro.
Imagino o tamanho da perturbação que seria para originar uma síndrome de Down, de Klinefelter, duplo Y, triplo X, sociopatia, psicopatia...
Vamos lá, cê nem sabe o que é isso pra dizer uma bobagem dessas.

Autismo não tem nada a ver com "retardo mental" - expressão um tanto grosseira da sua parte. Pelo contrário, muitos são bem mais inteligentes que a média.

meucafe disse...

Ah, e não se preocupe, não pedirei mais refutação, até pq, se vc não nos deu a graça, talvez seja pq nem precise por motivos óbvios!

E, hahaha, acabei de pensar no chiliquinho que a Lola vai dar quando ler isso amanhã... Vamos, Lola, do alto do seu troninho, faça-nos rir!

HV disse...

Vou te contar: esse "meucafe" tá com prazo de validade vencido...

Lindo relato, Niara. Emocionante!

lola aronovich disse...

Não acredito que o troll idiota quer culpar a Niara retroativamente pelo filho que ELA gerou e que ela trata com tanto amor. Vai se catar, meucafe. (é que eu não falo palavrão, mas a expressão que me veio à mente foi outra. Também começava com vá...).


Tirando o troll estúpido, que não tem noção do ridículo e mais se enterra a cada comentário, fico feliz que, desta vez, alguém que escreveu um guest post foi tratado com carinho e respeito. Como merece!
E eu também me emocionei pacas com o post.

meucafe disse...

Lola, gostaria que vc me esclarecesse que culpa não retroage. E como eu estou me enterrando. E se vc realmente não acredita, do fundo do seu core, que meus argumentos tem sua plausibilidade.

Jamille disse...

Lindo guest posto e linda história! Muita felicidade para os dois.

bibi move disse...

gente, alguém conhece as referencias que eu apontei no meu comentário?
vale MUITO mais clicar no video da amanda baggs do que responder a asneiras.
como eu disse, o autismo é uma CONDIçAO muito pesquisada e cujos tratamentos e diagnosticos estao em franco processo de investigação!

Niara de Oliveira disse...

Tens razão, Bibi. De fato o entendimento sobre o autismo está mudando e eu fico bem feliz com os novos estudos e esse outro olhar. Eu só respondi ao troll porque já ouvi o que ele disse de diversas formas, inclusive em perguntas de pessoas que não tem a menor noção do que seja autismo. E o entendimento geral ainda é de uma doença meio "contagiosa". As pessoas ficam olhando, pensativas e na dúvida mantém distância.
O Calvin com cara, cabelo e olho de anjo sempre atraiu olhares e gracinhas. Quando passei a responder "sindrômico" às perguntas do porque dele não falar, passaram a repeli-lo.
Sei que na academia as coisas evoluem mais rápido. Lá é só estudo, ciência, dados, novos tratamentos e métodos. Na vida real tem o preconceito e a rejeição e os sentimentos dilacerados que advém deles.
Hoje consigo falar com tranquilidade e até mesmo nos expor dessa forma, mas já teve um tempo que queria mesmo era correr para o meio do mato.

francisco tiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
francisco tiago disse...

MeuCafe

Num vejo nenhuma plausibilidade nos seus argumentos.
Vc vomita um discurso conservador com o propósito de irritar.
Por isso amigo, antes de querer apontar falhas (que ao meu ver não existem nesse caso), sugiro que vc reveja os seus erros do presente: que é tirar a beleza das coisas e das pessoas!
Portanto, MeuCafe, vá se ferrar na casa da desgraça!

E à Niara e ao Calvin, toda boa energia do universo!

Lindo guest post Lola! Um exemplo de relação melhor do que acontecem nas famílias tradicionais!

meucafe disse...

Francisco, pode me dizer a razão de não ver a plaubilidade?

bruni disse...

sério, meucafe, se não tem com o que contribuir, não ofenda. o que a niara expôs é muito íntimo para que um babaca venha até aqui, perca tempo enchendo o saco. quem sabe vai cuidar da tua vida?
e niara, parabéns. atitude louvável. contar tua história sinceramente e sem medo faz de ti uma super mãe!

francisco tiago disse...

MeuCafe, se vc num tem com o q se preocupar o dia inteiro, mesmo com a sua própria vida, não sou eu que tenho que apontar razões para plausibilidades das besteiras ofensivas q vc copia dos artigos científicos, da cartilha da família tradicional ou do missionário da igreja!
Aposto q a sua vida é que deve ser cheia de incoerências!
A vc dispenso apenas poucas e ocas palavras: Vá se ferrar na casa da desgraça, seu infeliz!

meucafe disse...

Tudo bem, Francisco. Respira fundo pra ficar calminho e responde: onde está a implausibilidade que vc tanto diz? Não é capaz de dizer, né, e aí fica com esses exercícios retóricos deprimentes...

bruni disse...

meucafe, deprimente é o papel a que tu te presta! vai procurar a tua turma, dar meia hora de cu! existem coisas bem melhores na vida do que ser uma máquina de críticas e de certezas absolutas! vai achar o que fazer!

francisco tiago disse...

MeuCafe,

faço minhas as palavras da Bruni!

E não se preocupe, eu tô calminho, tanto que não vou dizer o que vc precisa ouvir (e olha que não preciso ler artigo e nem consultar o wikipédia), aí seria deprimente pra vc.

Todo mundo já deu a dica, então cara, fica com ela, é de graça: cuide da sua vida pra vê se ela fica mais perfeita!

Sem mais pra gastar com vc, ok? Vá lê os seus artigos e o wikipédia.

francisco tiago disse...

Engraçado gente que aprende uma palavra e quer usar todo tempo. "Plausibilidade". Além dos artigos e do wikipédia, ele deveria ler o dicionário tbm...

meucafe disse...

Hauhau, que chique eim Francisco? Eu usei uma vez, vc usou outra, aí eu usei outra, vc usou outra ainda e eu usei pela última vez! Que divertido kkkk. Mas já que desvendamos isso, pq vc não me diz pq não há plaubilidade, eim? E pq c tá falando tanto em Wikipedia, eim? Sobre qual verbete, autismo? Síndrome? Fala que eu vou checar o motivo da birra!

bruni disse...

queridíssimo meucafé,
quem sabe tu não cria um blog pra ti ou invés de vir pra cá trolar e ficar enchendo o saco de quem realmente admira e curte a lola? tua chatice já ultrapassou os limites tendo em vista que o assunto do post nem é mais tua pauta. quem sabe tu dá espaço para pessoas SOLIDÁRIAS e que RESPEITAM as pessoas com as suas diferenças? tu tá ficando muito chato pra caralho.

meucafe disse...

Bruni, quem disse que eu preciso ser solidário? Respeitar quem quer que seja pq vc acha que eu devo proceder assim? O blog é público, e enquanto postagens forem permitidas, eu postarei o que for do meu agrado. Se vc não gosta, o fodas é todo seu! =D
A Lola poderia bloquear comentários, mas infelizmente os aduladores de plantão perderiam sua pequena alegria, e o ego inflado da autora perderia volume. Se ela conseguir me bloquear, individualmente, seria um alívio! Às vezes a gente se vê tentado a criticar alguma coisa que nos parece falsa, sabe como é, e se eu não tivesse essa possibilidade, que poupança de tempo eu não teria!

meucafe disse...

(falsa não no sentido de inverídica)

meucafe disse...

Ah! Só mais uma coisa antes de dormir! Francisco, pq vc não explica pra gente a implausibilidade?

francisco tiago disse...

MeuCafe, sem mais pra vc.

O q vc quer eu não tenho pra te dar, ou não queria te dar (Posso? Ah, não preciso de sua permissão)

Eu tbm não preciso ficar me utilizando dessas artimanhas pra me sentir melhor ou pior q vc.

Se vc quer um motivo pra chamar atenção, ou quer alguém que te dê atenção, ou alguém que sinta ódio de vc, eu não serei essa pessoa. Nem mesmo as pessoas (Niara e Lola) que vc atacou tá ligando pra vc, não serei eu que ligarei.

Sinto muito pelo seu recalque e por seus preconceitos! Tenha uma boa noite, e já sabe: cuide da sua vida perfeita.

bruni disse...

ok, meucafe. continua assim, se te dá alguma satisfação... mas me responde: de onde tu tira TANTA sabedoria para discursar sobre o assunto?

meucafe disse...

Francisco, eu achei que vc tivesse pra dar sim, pq vc que veio com o papo de "Num vejo nenhuma plausibilidade nos seus argumentos". Mas tudo bem meu camarada!

Bruni, sabedoria sobre o que? Se for sobre autismo, eu tenho formação em fonoaudiologia e já trabalhei com crianças autistas. Se for sobre a postura crítica em relação à mãe, eu sou empregado da SEADS (Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social) do estado de SP, e vc pode imaginar o tipo de coisa (mães e seus filhos literalmente estragados por atitudes irresponsáveis) que eu lido diariamente. Não que seja NECESSARIAMENTE o caso da autora do guest post, mas tal vivência te dá uma visão muito cínica e desiludida de casos afins.

Isabel disse...

se a Lolinha ganhasse um real por cada asneira que os trolls dizem nos comentários, já estaria rica, de férias eternas no caribe com o maridão e alimentando seus gatinhos com salmão fresco.

belo texto, Niara! Conseguiu transmitir todo o amor que você sente pelo seu filho e sua determinação em cuidar dele. Emocionante mesmo. O Calvin não poderia ter uma mãe melhor :)

Pat Ferret disse...

Estou enganada, ou os trolls estão perdendo a criatividade e resolveram "atirar para todos os lados"?

Me admira que um profissional da área médica com (suposta) experiência com crianças autistas, em vez de fazer comentários construtivos, opte por agir tão agressivamente.

É até bastante compreensível (e triste, pois é fato comum) que a convivência com gestantes irresponsáveis o tenha "calejado" e dessensibilizado para esse tipo de circunstância, mas o moço simplesmente resolveu assumir, sem qqr "anamnese" do caso, que a Niara seria a única "culpada" pela condição do filho.

A verdade é: qqr "plausibilidade" instrínseca aos seus argumentos perdeu-se totalmente qdo decidiu pré-julgar, acusar e agredir, em vez de compartilhar experiências, informar e estender um pouco de solidariedade à autora do post, que é indiscutivelmente uma batalhadora (qualidade que toda mãe deveria ter, aliás).

O pior, "meucafe", é que, se tivesse falado em espírito de paz, talvez vc pudesse até dito alguma coisa que contribuísse para o bem estar do pequeno; mas de sopetão, com duas pedras na mão, não deu nem pra ouví-lo direito! E, agora que vc resolveu afirmar que "não é necessariamente assim", o estrago já foi feito, ninguém quer ouví-lo mais.

AFF!

karina disse...

Lola, você não fala palavrão. Eu falo. Me dá licença. VA TOMAR NO CÚ, MEUCAFE. Não sei qual o objetivo em escrever isso aqui. Nos iluminar, provavelmente.

Por outro lado, meucafe, pelo seu trabalho, você pode ter sido exposto a tantas situações difíceis e tristes, que tem a tendência de colocar tudo em uma mesma caixa, buscando uma justificativa moral pra tanta infelicidade. Não tô tentando fazer análise, nem nada disso. Mas também trabalho em uma área difícil (segurança pública, criminalidade). Muitas vezes me vejo buscando justificativas morais, também, culpados. E sempre erro, nesses casos.

Quanto à autora do post, penso, às vezes, se expor textos como esses não acaba sendo exposição demais, se colocar como alvo pra quem tá doido pra achar um culpado. Sinto muito por isto. Toda minha solidariedade a você.

Pat Ferret disse...

Eu cada dia mais gaga pra digitar: onde está escrito "instrínseca", por favor, entendam "intrínseca". É meio óbvio que foi erro de digitação, mas não custa corrigir... ;-)

Flávia disse...

Gente, na boa, se esse cara trabalhasse com crianças com autismo ou com síndromes saberia que isso não tem a ver com 'perturbações na gestação' - e nem usaria este tipo de termos.

francisco tiago disse...

É isso Pat Ferret!

Tbm acho q qqr "plausibilidade" que possa ser dada aos argumentos agressivos e desconstrutivos vão por água abaixo.

William Cowper (poeta inglês do sec. XVIII) já dizia: "O conhecimento é orgulhoso por ter aprendido tanto; a sabedoria é humilde por não saber mais."

De nada adianta ter o conhecimento, se não tenho a sabedoria como guia. É como exergar a vida sem óculos, como disse Niara "(na academia) é só estudo, ciência, dados, novos tratamentos e métodos. Na vida real tem o preconceito e a rejeição e os sentimentos dilacerados que advém deles".

Mais uma vez lamento a quem insiste em pensar de forma cartesiana, ao invés de complexa, a realidade.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Impossível terminar este texto sem lagrimas nos olhos!

Laetitia disse...

Conseguiu emocionar o meu nada maternal coraçãozinho. Parabéns... :) Sigam felizes, vc e o Calvin!

suzana disse...

O meucafé deve ser uma pessoa muito infeliz..coitado de quem tem que viver ao seu lado.

Alba disse...

Olá, Lola.
Fiquei muito emocionada e encantada.
Beijos

Alba disse...

Olá, Lola.
Cheia de saudades de está aqui.
E essa história,... sem palavras e muitas lágrimas.
Beijos

TEOSUBVERSIVA disse...

Muito bela a vida, não é?! Espero que vivam muito felizes..

Edna Reis disse...

Que linda história de sua vida com seu autista. Estou muito emocionada eu que não tenho filhos e queria tanto ter um...

Forte abraço!

Sheila Camargo disse...

Niara, não se importe com esse meu café, tão covarde que não teve nem a capacidade de assinar o próprio nome, é o tipo de gente que não acrescenta nada a ninguém, a mim só me causa pena por ser tão estúpido.

Niara de Oliveira disse...

Essas coisas não me atingem, Sheila. No dia até fiquei chateada, mas mais pela desinformação e em como isso pode/poderia/poderá atingir outros autistas do que exatamente por mim ou pelo Calvin. Felizmente o meu autista está a salvo desse tipo de gente e maldade.

Gabi Loka disse...

Historia linda e encheu de lagrimas meus olhos no final! Isso é amor.

Confesso que fiquei meio preocupada no inicio de historia já que pelo titulo já sabia do autismo e a narração já avisa que era uma gravidez indesejada. Que bom que tudo caminha bem e que você, alias, vocês conseguiram superar os obstáculos que apareceram.

Eu já li um livro cujo personagem principal é autista e a historia é narrada por ele, pelo ponto de vista dele (the curious incident of the dog in the night time - não sei se foi traduzido) e um filme de animação meio cult (Mary and Max) e só me resta imaginar como deve ser duro conviver com eles devido a todos os "tics" que tem e a dificuldade que enfrentam para entender a linguagem corporal e ironias etc. Não sou expert no assunto nem nada, mas de fato parece que o caso dele é mais leve (leve? seria esse o termo?) já que você recebe abraços e ele consegue te olhar nos olhos.

Tudo de bom para vocês!