terça-feira, 24 de agosto de 2010

MEUS TRÊS LIVROS SOBRE O ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

Túlio, Claudia e Hélio.

Adorei ter ido ao 1o Encontro de Blogueiros Progressistas, que aconteceu em SP no final de semana, e tenho a impressão que todo mundo que participou adorou também. Foi corrido (eu estive num avião na madrugada de sexta pra sábado e de domingo pra segunda), mas valeu a pena. O mais incrível é que havia 323 pessoas de 19 estados. Isso sim é um enorme contraponto à mídia tradicional, sempre centrada no eixo Rio-SP.
Bom, por onde começar? Imagino que vocês devem ter acompanhado algumas transmissões ao vivo que foram feitas. Eu escrevi algumas anotações pra poder me lembrar de tudo. A primeira pessoa que conheci foi o Fábio, que estava chegando de Recife e pegou o mesmo ônibus que eu de Guarulhos pra Praça da República. Muito bom conversar com um jovem idealista, que é como todos os jovens deveriam ser (me sinto com cem anos de idade falando assim, mas vocês já notaram como tem muito jovem conservador? Conservar o quê, nessa idade?!).
Lá no auditório do Sindicato dos Engenheiros (mais tarde, um blogueiro numa cadeira de rodas, o Enio, reclamou, com total razão, por um sindicato de engenheiros não ter acesso para pessoas com necessidades especiais!), a primeira mesa demorou um pouco pra ter início, porque o pessoal estava arrumando os fios e câmeras pra transmissão. Enquanto isso, o pessoal ia chegando, ainda um pouco tímido. Interessante ver os grandões da blogosfera de esquerda, digamos (o “progressistas” ainda não me cai nada bem), tão de perto, todos bem acessíveis. Rodrigo Vianna abriu a sessão, dizendo que prefere o termo velha mídia à grande mídia, já que ela deixou de ser grande.
Uma blogueira que eu não conhecia, Débora Silva, das Mães de Maio, fez um discurso comovente. Seu filho, que não tinha antecedentes criminais, foi uma das 562 pessoas assassinadas em uma semana de maio de 2006, em SP. Foi a retaliação da política paulista à revolta do PCC. Ela lembrou que 562 pessoas, vítimas do Estado, representam uma matança maior por parte da polícia que durante toda a ditadura militar. Graças à mobilização, essas mães conseguiram mandar 22 policiais pra cadeia. Débora disse que a blogosfera não pode substituir as ruas, e pediu para que o capitalismo não nos impeça de pensar. Ela se emocionou muito e chorou, e eu também, óbvio.
Luis Nassif falou muito bem e nos contou um pouco de história: em 2005, a velha mídia (Veja, Folha, Globo, Estadão) quis criar um movimento de impeachment pra destituir o Lula. Eles tinham que afastar jornalistas que não seguissem 100% a linha editorial do veículo, mas não podiam simplesmente demitir, pra não parecer uma conspiração. O papel de delator coube a Diogo Mainardi, que organizou uma lista de jornalistas “petistas” e iniciou uma máquina de roer reputações. Tudo que ele dizia era repetido por toda a mídia. Isso tinha as impressões digitais do Serra. Os quatro grupos continuam ligados, mas enfraquecidos. Nassif disse que, se Serra ganhasse (ninguém mais, nem o próprio PSDB, acredita que ele ainda tem chance), o presidente juntaria o poder do Estado com o poder da mídia, um retrocesso de décadas. Nassif se mudaria pra Montevidéu (alguns preferem Miami).
Paulo Henrique Amorim afirmou que a luta pela liberdade de expressão não acaba com a fragorosa derrota do Serra. Em breve Serra será apenas um twitteiro medíocre, nas irônicas palavras de PHA, mas, apesar de nós blogueiros sermos “uma combinação de Einstein com Machado de Assis, opinião não ganha o jogo. O que ganha o jogo é informação”. Ou seja, PHA acredita que os blogs precisam começar a criar informação, não apenas opinar sobre a informação dos outros. Como exemplo, ele citou o Cloaca News, que buscou uma reportagem antiga do Cruzeiro para mostrar que Boris Casoy pertenceu ao Comando de Caça aos Comunistas. Nessa hora eu pensei no Boteco Sujo, que foi quem colocou no ar a notícia da Geisy hostilizada na Uniban. O negócio estourou, e a velha mídia teve que correr atrás de um furo de um blog. Mas o pessoal do Encontro preferiu se lembrar do Mosquito. Olha, admiro a coragem do cara. Ele responde a 53 processos em SC. Mas sorry, não concordo com seus métodos. No caso do estupro de uma menina de 13 anos por dois ou três garotos de 14, ele colocou todos os nomes (inclusive o da vítima!) em seu blog. E colocou a foto de um dos rapazes. E o clima era meio fascistóide demais pro meu gosto, quase pedindo pena de morte pra meninos de 14 anos. Eu não sou tão facilmente manipulada assim, né? Sei que a Record só está dando a maior cobertura pro caso porque envolve a sua rival, a RBS (mais tarde Túlio Vianna, em sua sessão, teve que dizer que não vê vantagem em ter monopólio da Record sobre a Globo. O auditório aplaudiu. Ninguém gosta da Globo, lógico, nem de monopólios. Mas querer que a gente morra de amores pelo Edir Macedo é pedir o impossível).
PHA foi duro e direto sobre a força da blogosfera. Respondendo a uma pergunta do público, ele disse: “os blogs não influenciam o resultado eleitoral”. E explicou que a comunidade é muito pequena ainda, e que, pra mudar o quadro, só com banda larga e acesso à internet para toda a população. “Estamos aqui para aprender a usar a internet. Estamos aqui para lutar pela liberdade de expressão. Não podemos perder o norte”, completou ele.
Outras pessoas também pegaram o microfone para discursos curtos (curtos porque os moderadores, Rodrigo e Leandro Fontes, precisavam cortar). Um deles foi Brizola Neto, que hoje faz um dos melhores blogs políticos da internet, além de uma divertida imitação da voz do seu avô. Outro foi Emir Sader (que, por mim, teria falado muito mais, mas os organizadores preferiram não dar destaque a candidatos nas eleições). Ele brincou que não quer chutar tucano morto, e recomendou que não fiquemos num debate entre estatal e privado, mas entre público e mercantilista. Alfredo, um jornalista, queixou-se que pra conseguir anunciantes para uma publicação, só batendo no governo federal.
Aí todo mundo foi almoçar. Quer dizer, todo mundo ao mesmo tempo não, que não caberia todo mundo no restaurante perto do evento. Comida excelente, por sinal. (E eu me divirto vendo os reaças criticando o Encontro por ter dado almoço e hospedagem grátis a todos os participantes. Parece que é crime conseguir patrocinadores que possibilitem esses mimos a blogueiros, sabe, blogueiros que, na sua imensa maioria, não ganham um centavo com seus blogs. Os reaças realmente interpretam ao pé da letra o mantra de seus economistas, “There's no free lunch”).
À tarde, houve um ótimo painel para orientações jurídicas. Tulio Vianna fez uma das melhores apresentações e arrancou muitos aplausos e risos. Tenho a maior admiração por pessoas que fazem rir, ainda mais falando de um assunto sério. Com todo o respeito a Cynthia, minha amiga virtual que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, fiquei encantada com seu marido. Túlio é simpático, bonito, e tem aquele sorriso de mil quilowatts. Ele falou de responsabilidade civil e penal, e das diferenças entre calúnia (imputar um crime a alguém; por exemplo, dizer que um blog recebe verba pública, que é comprado, o que implica corrupção) e difamação (imputar um fato desonroso). Quando se acusa alguém num blog, é preciso deixar claro que trata-se de uma suspeita, que precisa ser investigada, e expor provas. Ele disse também que blogueiro se assusta fácil com ameaça de processo. E sugeriu que se processe um blog apenas se ele for mais importante que o seu. Se não, é como brigar com um bêbado na rua. Se não, você estará dando visibilidade pro troll. Ignore totalmente. Não leia, não responda, não dê indiretas, não perca tempo. Eles odeiam ser ignorados (essas dicas se aplicam também a como lidar com trolls, independente da parte jurídica. Eu preciso aprender a ignorar troll, ainda mais se estou pensando em entrar no Twitter. Túlio, que hoje se considera muito mais twitteiro que blogueiro, sempre foi meu modelo no quesito “como ignorar trolls”).
Marcel Leonardi, outro advogado, explicou que posts mais polêmicos, se forem disseminados (reproduzidos em vários blogs), têm muito menos chances de render processo. E disse que praticamente todo blog, inclusive os anônimos, podem ser encontrados. Eu fiz uma pergunta, por escrito, querendo saber sobre direito de resposta, que eu considero um meio muito mais conveniente do que um processo. Ele explicou que, pra direito de resposta, não é preciso uma ordem judicial. Uma pessoa pode criar um blog para responder às acusações, ou pode responder nos comentários.
Paulo Rená disse que, unida, a blogosfera pode mudar algumas coisas, como essa injustiça (a meu ver) de um blog ser responsabilizado criminalmente por alguma coisa escrita na caixa de comentários. Olha, foi toda uma discussão muito instrutiva.
O outro painel, iniciado logo a seguir, foi sobre como financiar a internet. Nele falou Geórgia Pinheiro, que trabalha na área comercial do Conversa Afiada, do PHA (sim, todos os blogs grandes têm equipes, embora pequenas. Na de PHA são quatro pessoas). Ela contou que o CA tem quatro milhões de page views (não visitas) por mês (o Vi o Mundo, só pra efeito de comparação, está chegando aos dois milhões agora. Euzinha, este mês, talvez chegue aos 85 mil. Page views, não visitas). PHA responde hoje a 28 processos, o que faz Geórgia concluir que “Ter liberdade de expressão custa caro”.
Tanto ela quanto Leandro Guedes deram dicas práticas de como fazer blogs renderem algum dinheiro, como colocar banners, links patrocinados (quando palavrinhas no texto aparecem grifadas), Buscapé (cada click rende 25 centavos, mas, pelo que li aqui,de admiração, constatei que a maior parte do pessoal tinha blogs bem pequenos. Só eu que acho 50 reais pouquinho? Leandro foi mais otimista, dizendo que a maior parte dos blogs alcança um nicho de mercado, o que pode ser comercializado. Mas o editor da Caros Amigos, que fez uma pergunta, disse que os anunciantes ainda estão presos ao CPM – Custo por Mil (ou seja, de cada mil reais que você anuncia, quantas pessoas você atinge?). As empresas preferem a grande mídia, ao invés das pequenas. Ainda assim, é importante que cada blog saiba quem é o seu público.
O moderador da mesa, Renato Rovai, defendeu que os sindicatos parassem de anunciar na velha mídia, e anunciassem na blogosfera. De fato, qual a vantagem de um sindicato anunciar numa Veja? Alcança muita gente, é verdade, mas é um público que detesta sindicatos. Rovai lembrou que fazemos jornalismo público, não estatal, e que precisamos apresentar um conteúdo regionalizado, compartilhado, para se contrapor ao que a mídia vende, sempre pasteurizado, padronizado. Ele defende que o governo separe uma parte do que dá à grande mídia para criar um fundo que seria distribuído aos blogs, por meio de discussões do governo e da sociedade, através de projetos.
No painel seguinte a exposição mais educativa foi a da Conceição, conhecida como Maria Frô, que argumentou para que todos entrassem no Twitter, e explicou como usar a ferramenta. Ela disse que hoje o Brasil já tem 20,5% dos twiteiros do planeta. Só perde pros EUA. É, acho que não vou ter como escapar...
Anotei outros dados fascinantes, mas, já cansadérrima, esqueci de escrever quem disse o quê, mil perdões. Por exemplo: mesmo que ainda falte muito para que os brasileiros fiquem conectados, 25% da população do país acessa a internet pelo menos uma vez por dia. Infelizmente, das mil e pouquinhas concessões da mídia, 996 pertencem a quatro famílias. Em outras palavras, o latifúndio da informação no Brasil continua gigantesco.
Houve muitas referências à fala do Serra, que na semana passada reclamou de “blogs sujos”, sem dar nome aos bois. O Cloaca News quer entrar na justiça pra que Serra seja mais específico. Mas o mais provável é que o nome “blogs sujos” tenha a ver com o fato da primeira reunião entre os organizadores do Encontro ter ocorrido no Sujinho, né? Afinal, o esquema Eduardo Graeff de difamação funciona do lado de lá. No início da noite de sábado, o Encontro decidiu premiar com o Troféu Corvo a Judith Brito, “o que restou da oposição no país”. Judith, para quem não sabe, é atual presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), e faz poucos meses admitiu que, na falta de um partido político que faça oposição ao PT, quem assumiu esse papel foi a grande mídia. Já o Troféu Barão de Itararé foi dado ao Cloaca, um tímido gaúcho de meia idade que todo mundo queria conhecer. Ele foi aclamado, merecidamente. Mas eu também queria descobrir quem era o Prof. Hariovaldo.
Opa, como isso daqui tá mais parecendo um livro com vinte volumes, é melhor eu resumir. No dia seguinte, domingo, o pessoal se dividiu em seis grupos (o número de cada um vinha no crachá). Eu era responsável pela moderação no grupo 2, o que não foi muito necessário. Cada pessoa teve três minutos para se apresentar e falar sobre o seu blog. Na realidade, havia muita gente que era apenas leitora de blogs (e que, a gente espera, se motivem a criar seu próprio blog). Algumas disseram que vieram ao Encontro para ouvir pessoas de esquerda, algo que não é tão comum no dia a dia. Outras, que têm blogs mais comunitários, como a Tatiana, destacaram a presença da Débora, da Mães de Maio, como um exemplo do que falta à blogosfera. Milton, um trabalhador braçal, deu um depoimento emocionante: ele diz estar feliz por poder ler gente que lhe dá mais argumentos. Ela lia jornais, e reparava que “os suprassumos do mundo, o pessoal que tem mestrado e doutorado”, parecia ter o mesmo pensamento e só defendia o lado deles. Aí descobriu blogs, que têm opiniões variadas.
Bom, foi muito bom ouvir tanta gente, com tantas visões diferentes, mas pra mim faltou um pouco de debate no meu grupo. Tipo, claro que o que eu disse é polêmico e gerou interrupções (blogueiros progressistas não gostam de ser lembrados que são machistas), tanto que algu
ns carinhas do grupo vieram falar comigo durante o lanche, pra me convencer que eu estava errada, que não há discriminação alguma contra blogueiras que escrevem sobre política, e que, óbvio, a culpa é nossa por não escrevermos sobre política ou por não termos representação parlamentar. Eu quase joguei um sanduíche no Júlio. Mas sabe, eles não fazem por mal. Eles simplesmente não sabem. Nunca pararam pra pensar por que mulher é vista como um nicho de mercado, inclusive dentro da blogosfera.
A reunião com os grupos levou mais de três horas e meia. Conseguimos fazer uma pauta de propostas para apresentar à plenária, que aconteceu depois do lanche. Tenho que dizer que o Miro Borges é um moderador e tanto, além de ser uma simpatia. Houve muitas propostas, e várias eram antagônicas. Um item polêmico foi a respeito do nome. Muita gente, eu inclusa, não gosta do progressistas. Alguns queriam só tirar a adjetivação e deixar Encontro de Blogueiros. Houve sugestão de “blogueiros livres”, “blogueiros independentes”, “blogueiros de esquerda”. Eu, por mim, ficava com o “Blogueiros de Esquerda”. Mas algumas pessoas acham que isso engessa demais a participação, e que havia alguns blogueiros que não são de esquerda no evento (e são progressistas? Eles não erraram de congresso não?). Como não chegamos a um consenso, o público decidiu continuar com o “progressistas”. Pelo menos até o próximo Encontro.
Miro sugeriu que o próximo, ainda sem local definido, mas de preferência em outra região, mude para o primeiro semestre, abril ou maio (mais barato para viajar que junho/julho), para não ficar em cima das eleições, o que pode ser um problema. Algo muito, muito legal é que há um incentivo para que façamos encontros estaduais, com oficinas (coisas práticas e básicas, tal qual como fazer um blog, sei lá, como tirar print screen da tela, que nem todo mundo sabe). Havia quatro blogueiros do Ceará no Encontro, e vamos nos mobilizar para reunir outros blogueiros do Estado, nem que nossa primeira reunião seja numa mesa de bar, com euzinha aqui bebendo água sem gás. Vocês topam, né?
As propostas concretas incluíram uma criação de um “pronto socorro online”, para ajudar a tirar dúvidas (inclusive jurídicas); a inclusão de uma emenda constitucional que garanta banda larga para todos os brasileiros; a criação de um portal agregador (por enquanto, apenas o Barão de Itararé) que inclua todos os blogs progressistas, divididos em categorias; e a sugestão de que uma porcentagem do que o governo investe na velha mídia vá para a blogosfera, em forma de anúncios. Este é um assunto polêmico, o único, evidentemente, que os reaças pinçaram. Tinha gente no Encontro que não quer nem ouvir falar em dinheiro. Mas o ponto acabou entrando na carta. Pessoalmente, sou a favor. Se a gente fica nesse blábláblá de que blog não tem que dar grana, que a gente dedica horas dos nossos dias apenas por idealismo, nunca cresceremos para poder competir de igual pra igual com a velha mídia ― ela sim, totalmente financiada por verbas privadas e públicas. Aliás, uma das críticas ao governo é que ele não teve coragem de patrocinar parte do Encontro. Não houve um centavo de dinheiro público. Ué, mas por que não? O governo não dá montanhas de dinheiro pras quatro famílias? E aí, quando surge uma mídia alternativa, as portas se fecham. É bom pra todo mundo que a blogosfera cresça e apareça, para que não haja concentração de poder e de opinião. Seria uma maravilha se cada um tivesse um blog. E isso inclui os blogs de direita. Mas eles podem fazer seus próprios encontros, e lutar pelas suas próprias propostas, que não condizem com as nossas. Quer dizer, eles já fazem isso. Aquele encontro do Millenium foi o quê?
Pra carta, que vocês podem ler aqui, houve montes de moções, votações, palavras de ordem, etc. Cada palavrinha era contestada. Mas democracia é isso.
No final, Miro abriu as contas do evento, que logo serão publicadas num blog. Tudo transparente, com nota fiscal. O Encontro, até agora (falta pagar outras despesas), custou 35 mil. Com as cotas de 3 mil reais cada, a receita foi de 70 mil. Mas, por enquanto, como alguns patrocinadores não pagaram, a renda é de 40 mil. Ele tem certeza que os patrocinadores vão pagar. Portanto, deve sobrar uns 35 mil para o próximo Encontro, que deve ser muito maior, talvez com dez vezes mais gente.
E não vai nem dar tempo de eu falar de todo mundo que tive o prazer de conhecer. Só vou citar algumas pessoas: a Cláudia é um amor, e muito inteligente também. Adorei conversar com ela. Também amei conhecer o Daniel, do famoso Blog da Dilma (não oficial, mas que têm mais visitas que o blog oficial), que é daqui de Fortaleza e uma ótima pessoa (fiquei chateada por não conhecer a Jussara). E mais um monte de gente: a Cris (com quem dividi o quarto), o Diego, o Azenha, as duas Conceições, o Hélio, o Rogério, uma outra Claudia, a Ruth, só pra citar uns pouquinhos. Eu queria ter foto de todo mundo, mas a câmera que levei eu só consegui usar no comecinho de sábado. Devo ter apertado uma teclinha qualquer, e o troço se recusou a funcionar. Taí uma boa dica pra uma oficina: como usar uma câmera digital. Tem gente que não sabe.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PARA LER O PATO DONALD E ENTENDER A CRISE ATUAL

Lembro que fiquei tão impressionada com o documentário Maxed Out, que vi nos EUA uns três anos atrás, que até anotei alguns dados. Repare que isso tudo é de antes da crise que quebrou boa parte daquele país, principalmente a cidade onde morei por um ano, Detroit.
Os EUA deixaram de ser uma nação que produz coisas para virar uma que compra. As fábricas foram substituídas por shoppings. Dois terços da economia americana vem do consumo. As lojas americanas comportam todas as pessoas dos EUA, Europa e América do Sul dentro delas ao mesmo tempo. Americanos gastam uma hora por semana em atividades espirituais, e cinco em compras. A maioria das crianças até 8 anos não sabe diferenciar propaganda de entretenimento. Em alguns países é proibido anunciar para crianças com menos de 12 anos. Nos EUA gastam-se 15 bilhões de dólares por ano com propaganda pra elas.
Cada família deve, em média, sem contar hipotecas da casa, 18 mil dólares (entre dívidas de cartão e pagamento de carro). Junte a isso a hipoteca, e a dívida total da população é de 7 trilhões de dólares. Uma pessoa de 20 anos deve, em média, 10 mil dólares.
Os bancos gastaram US$ 154 milhões em lobby pra aprovar uma lei que restringe a falência. Bush a sancionou, e todos começaram a lucrar mais, num meio que permitia que bancos tivessem 54% de lucro. Dois meses depois da lei ser aprovada, veio o furacão Katrina, que devastou Nova Orleans. A lei dizia que pessoas não podiam declarar falência por causa de enchentes e outros desastres “naturais”. Precisa continuar?
Opa, um adendo. Talvez eu deva explicar o título do post? Pode ser que vocês sejam novinh@s demais e não conheçam um pequeno livro que fez escola nos anos 70, Para Ler o Pato Donald, dos chilenos Ariel Dorfman, o mesmo de A Morte e a Donzela, e Armand Mattelart. O livro, um pouco datado hoje mas ainda uma delícia de ler (à venda no Submarino), analisa os quadrinhos da Disney para mostrar a lógica do imperialismo. Por exemplo, isso de não existirem pais e filhos nos quadrinhos Disney, apenas tios e sobrinhos. E que os sobrinhos têm tanta proteção social quanto as crianças dos orfanatos de Dickens no século 19. E como num dos gibis da década de 70, bem durante a guerra do Vietnã, um dos personagens dizia “Nada de bom pode sair da Ásia”. Recomendo muito. Faz uns anos, escrevi um artigo comparando a idealização que se faz da infância nos quadrinhos Disney, segundo a ótica de Para Ler o Pato Donald, com aquela que Humbert faz de Lolita no romance de Nabokov. É uma idealização feita para que o predador não se sinta mal explorando, econômica ou sexualmente, as crianças. Para quem quiser ler, tá aqui, em inglês.

sábado, 21 de agosto de 2010

E AGORA LULA APOIA SERRA, SEGUNDO O SERRA

Não ia escrever mais nada até domingo porque estou atrasadérrima com tudo. Hoje (estou escrevendo na sexta, no almoço) dei aula de manhã e tenho outra à tarde, e de madrugada pego o voo pra SP, pra participar do Encontro de Blogueiros. Mas li a notícia que Serra incluiu Lula no seu programa eleitoral, como se o presidente torcesse pelo tucano. What the duck?! O que virá a seguir, FHC apoiando Dilma no programa do PSDB? A que ponto chegamos, hein? Serra finge que seu maior adversário político, Lula, do PT, o apoia. Como é que pode?
Bom, a verdade é que não pode, tanto que o PT vai entrar na justiça (e pelo menos desta vez o partido agiu rápido).
Mas é engraçado ver os reaças tentando justificar esse engodo. Sim, porque é um engodo total, conivente com a campanha do Serra, aquela sem propostas ou programa de governo, que simula não pertencer a partido algum, e que implora para que esqueçamos o passado (mezzo: afinal, temos que lembrar que Serra foi ministro da Saúde, mas sem associá-lo a FHC. É pedir demais).
Os reaças odeiam o Lula. É um ódio visceral mesmo. Qualquer pessoa que viveu os últimos oito anos sabe que Lula é xingado diariamente por gente que o chama de analfabeto, idiota, apedeuta, corruto (aí escrevem corruPTo, pra salientar que corrupção é algo criado pelo PT, assim como escrevem Lula com dois eles, Lulla, pra lembrar o Collor que eles — não nós! — elegemos), pinguço, molusco (que o prof. Hariovaldo brilhantemente adaptou pra O Menino Molusquinho) etc etc. E os 80% que aprovam o governo Lula, eu inclusa, são burros, cegos, comprados e tal. Quer dizer, tudo isso não é novidade pra ninguém. Não é algo que apareceu agora. O que é impressionante é a cara de pau da elite conservadora que odeia o Lula não se considerar traída quando o Serra o coloca no mesmo programa, e faz jingle em que se põe como escolhido pelo Lula, e diz que vai chamar o PT para integrar o governo, e inventa que vai duplicar o Bolsa Família, apesar de seu partido e aliados terem apelidado o programa de Bolsa Esmola e dito, durante oito anos, tratar-se do maior programa de compra de votos do mundo. Então, como justificar que o inimigo número 1 dessa elite, o sapo barbudo, seja enganosamente inserido como cabo eleitoral do Serra? Um jeito é o velho “os fins justificam os meios”. Ou seja: vamos mesmo enganar o povo, confundi-lo, mentindo que Serra é o candidato de Lula (Serra, que não tem apoio nem dos candidatos a governador, senador e deputado pelo seu próprio partido!). A justificativa mais forçada é quando eles dizem que não, Serra não usou Lula em sua propaganda eleitoral, usou apenas a imagem do presidente. E o presidente é do Brasil, não do PT, então pode (e deve?) estar em todas as propagandas eleitorais! Como se Lula não fosse, em primeiro lugar, Lula, o maior adversário do PSDB há cinco eleições? (Ou o PSDB tem algum outro adversário que não seja o PT, e eu perdi alguma coisa?).
Sabe o negócio de perder com dignidade? Lula perdeu três eleições com dignidade. Não se rebaixou, não apelou a golpes baixos. As eleições estão perdidas pro Serra e pro PSDB, mas convem aprender a perder, sem apelar tanto. Isso do Serra usar Lula em sua campanha vai entrar pra história como um enorme ato de desespero. Um ato patético, de quem não sabe mais o que fazer, mais ou menos como Alckmin vestindo camiseta da Petrobrás e do Banco do Brasil em 2006, pra fingir que não iria privatizar outras estatais, caso ganhasse. Uma camiseta, um boné de estatal, serviriam pra apagar oito anos de privatização e de corte de verbas do governo tucano! O povo não caiu nessa, e ainda assim a elite chama o povo de burro!
Enfim, incrível como criticam a Dilma por pegar carona na popularidade do Lula. Mas tem gente de outros partidos, de propostas antagônicas, que adoraria estar nessa garupa.
E ninguém pensa no FHC, tadinho! Pô, como deve estar o ego ferido desse homem! Ele está totalmente à margem da campanha, não aparece de jeito maneira, não é chamado pra dar pitacos, nada. E de repente ele liga a TV e vê que o candidato que ele apontou, do partido que ele fundou, não só tem vergonha do seu legado, como ainda põe o Lula do seu lado! Juro que quase dá um aperto no coração. É um final melancólico para um político... ou dois. E também para um partido que vai levar um bom tempo pra se recuperar desta surra.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MINHA INTERPRETAÇÃO DE A ORIGEM, COM SPOILERS

Cobb (Leo) toma banho pra acordar do sonho, mas...

Vi A Origem pela segunda vez e ainda estou apaixonada. Não devo ser nem um pouco criativa, já que, desde a primeira vez, só consegui enxergar o filme de um jeito. Não tenho outra interpretação, só essa. E vou avisando que esta crônica tá cheia de spoilers. Se ainda não viu o melhor filme do ano, um que, se houver justiça, vai ganhar uma penca de Oscars, corra pra ver. E depois volte pra cá pra conferir se a sua interpretação bate com a minha, ou pra me convencer que estou redondamente enganada (redondamente não, que isso alude a minha forma física). A trama você conhece: Cobb (Leonardo DiCaprio) faz um espião especializado em roubar segredos de executivos, entrando em seus sonhos. Tudo que ele quer é poder voltar aos EUA e viver com seus filhinhos, cujo rosto ele não lembra mais. Mas ele foi acusado de matar sua mulher, Mal (Marion Cottilard), que agora vive entrando nos seus sonhos para sabotá-los. Sua chance de ser inocentado é liderando uma missão arriscada, que envolve inserir uma ideia na mente de um jovem herdeiro. Cobb é contratado por Saito (Ken Watanabe), e reúne uma equipe para ajudá-lo, entre eles Ariadne (Ellen Page), a arquiteta que construirá o cenário do sonho. Ok. Confuso? Você ainda não viu nada. Minha interpretação é que tudo, tudim, do começo ao fim do filme, é um sonho de Cobb. Tem quem ache que só é sonho (ou seja, que Cobb não deixou o limbo) a parte depois que ele sai do avião. A julgar pela busca do Google que chegou aqui ao bloguinho, alguém crê que é tudo um sonho do Miles (Michael Caine). E tem quem acredite que o que é narrado é tudo verdade. Tolinhos. Pra mim, Cobb inventa tudo aquilo, a maioria dos personagens, para aplacar sua culpa pelo que causou a Mal e criar um futuro imaginário com seus filhos (interessante como o único meio que ele encontra de perdoar-se a si mesmo pelo mal que fez a Mal ― fraquinha, eu sei, mas não resisti ― é removê-la de sua vida). O ponto principal da dúvida que o filme gera está no final aberto. Cobb retorna a seus filhos, e seu “totem”, um pião, fica girando, mesmo que um tiquinho cambaleante. A câmera corta antes que o pião se decida se continua a girar ou para. Mas vamos ter sérios problemas se nos basearmos apenas no totem. Primeiro que ele não significa que uma pessoa está sonhando ou que está no mundo real. Apenas mostra se o protagonista está no seu próprio sonho ou no sonho de outro. Então tudo bem: Cobb tá no seu próprio sonho. Mas até isso é enganoso. Afinal, o totem não é dele, e sim de Mal (e note como os totens dos outros personagens não chegam a ser usados pra nada).E depois que um totem pode ser falsificado. Um piãozinho girando, ou parando, não é prova de muita coisa. O relevante é que o “toque” do totem tenha uma textura que apele a seu dono. E quantas vezes Cobb toca no pião, ao invés de simplesmente vê-lo girando? Hein? Hein? Mas nem é isso que importa. Cobb sai do recinto, e isso é tudo. Ele não vê se o pião parou ou não de rodar. Essa vai ser a dúvida dele que, no futuro, quando ele se cansar do seu sonho, vai fazê-lo pensar que não está na realidade. O pião é um tanto irrelevante, mas é o que o magnífico diretor e roteirista Christopher Nolan usa pra implantar uma sementinha de dúvida na mente do espectador. E como funciona!Pra sustentar minha interpretação que é tudo um sonho, mais significativo que um piãozinho girando, são as múltiplas pistas deixadas pelo filme. Uma das mais evidentes é Cobb dizendo que, num sonho, a gente nunca sabe como chegou num lugar. A gente só está lá. Perceba como a edição do filme faz com que Cobb nunca chegue num lugar. Ele sempre já está lá. Um exemplo: ele, do lado de fora, vê Miles na sala de aula em Paris, e no próximo corte, ele já está dentro da sala, sentado, e só aí Miles o vê. Outro exemplo, que é praticamente um giveaway: a saída de Cobb do aeroporto, no final. Ele vê o Miles, vai até ele, os dois andam juntos... e na imagem seguinte estão dentro da casa. Com o pião e os filhinhos. (E quem é a tal avó oculta, que nunca aparece, que se recusa a falar com Cobb pelo telefone, de que ouvimos apenas algumas palavras? E que misteriosamente está ausente no retorno de Cobb a sua casa? E por que Cobb tem que ir pra casa? Ele não poderia pedir que Miles levasse as crianças para Paris ou Buenos Aires?). Outra pista é quando Cobb vê sua mulher sentada no parapeito da janela, em frente à janela onde ele está. Hum, como ela chegou do outro lado, se há um abismo entre eles? Ela foi até o outro prédio e entrou naquele quarto? E aí, como a polícia vai pensar que ele a empurrou, se ele está de um lado e ela do outro? Não existe perícia criminal não? Sinto, mas aquela sequência não faz sentido. Mal quer se matar porque tem certeza que está sonhando e quer voltar à realidade, e quer que Cobb venha com ela. Ele acha que ambos estão vivendo na realidade. Mas olha só: quando ele fala pra ela sair do parapeito da janela e voltar pra dentro do quarto, ele faz gestos de “volte pra mim”. Ele não pede pra que ela ande pra trás e volte pro seu quarto. Não, ele pede pra ela vir pra frente ― o que significa uma queda livre, já que há um vão entre eles. Isso lembra aquela cena em que Ariadne deturpa a estrutura física do sonho, juntando dois espelhos. E aí? Tem alguém deturpando aquela realidade do parapeito também? Mas aquilo não é pra ser sonho, é pra ser real.E o que dizer de toda aquela sequência em Mombassa? Ela tem todo um jeitão onírico. Cobb entra num beco, e atrás há agentes atirando nele. Só que a saída desse beco é muito estreita, e parece que vai estreitando cada vez mais. E aí Cobb consegue, sabe-se lá como, sair do outro lado. Isso é tão típico de sonhos... Tudo bem que é o que Hollywood nos mostra direto, mas, num filme que questiona a realidade, aquilo fica muito aparente. Há vários tiros e ninguém acerta Cobb, que ainda marca com o falsificador de se encontrar com ele no mesmo boteco em que os agentes o descobrem. Em outras palavras, ele só dá uma voltinha, um loop, e retorna pra onde saiu.É muito uncanny (bizarra) essa compulsão pra repetir, essa volta aos mesmos lugares, como se, no fundo, Cobb nunca saísse do lugar, do seu sonho. E de repente Saito aparece do nada (como que ele sabe onde está Cobb? Como ele chegou tão rápido a outro país?) pra resgatá-lo, e Cobb, desconfiado, faz essas mesmas perguntas que eu fiz entre parênteses. E Saito responde: “Tenho que proteger meu investimento”. Mas quem tem que proteger seu investimento é Cobb! E Saito é o seu investimento, quem vai lhe ajudar a voltar a sua casa, e perpertuar seu sonho. Saito é sua passagem de ida para a próxima ilusão. Mas não sozinho. Aí que entra Ariadne. Ela é criada por Cobb apenas para ser sua guia nessa jornada. Eu contei isso pro maridão, e ele disse que eu estava falando como o Chico Xavier. Mas, pô, olha o nome da figura: Ariadne. Sabe quem é Ariadne na mitologia grega? A filha de Minos, que dá a Teseu o fio para que ele encontre o caminho pra sair do labirinto. Não é nem um pouquinho de coincidência que a moça que Cobb usa para construir seu sonho em forma de labirinto se chame Ariadne? E que ela faça justamente isso ― mostre uma saída pra Cobb? Por isso que eu penso que tantos personagens são invenções de Cobb. Porque eles são de uma serventia paranormal pra ele. Ariadne, Saito, Miles ― eles só vivem para servi-lo. Estão sempre no lugar certo na hora certa. Na fala que mais faz o público rir, Saito diz que comprou a companhia aérea em que o herdeiro viajará: “Achei que seria mais simples assim”. Mas por que ele faz essa aquisição antes de ouvir o plano? E Miles, que mora em Paris, no final simplesmente aparece nos EUA para pegar Cobb no aeroporto.
Mas tudo isso seria até pouco pra mostrar que Cobb está sonhando, se não fosse que... praticamente todos os personagens dão indiretas pra ele sobre isso. Ainda em Paris, Miles pede pra que ele volte à realidade. Mal, que certamente não é confiável, diz pra Cobb que ele não sabe mais distinguir sonho de realidade. Mas o mais escandaloso é quando Cobb conhece Yusuf, aquele que entende tudo de drogas e pode dopar o pessoal pra criar um sono pesado, que permite um sonho dentro de um sonho dentro de outro sonho (três níveis). Ele possui um lugar onde várias pessoas dormem conectadas, sonhando o mesmo sonho, dopadas, por até quarenta horas. Cobb pergunta: por que alguém vai querer fazer isso? E o velhinho que toma conta do local explica pra ele que elas sonham pra acordar. E ainda emenda: “O sonho se tornou a realidade deles. Quem é você para negar isso, Mr. Cobb?” Um aviso desses, francamente, só falta piscar na tela, pular de lá e nos picar. E tem o final, com o piãozinho girando, e as crianças que Cobb vê sem rostos durante todo o filme, com as mesmas roupas, na mesma pose, e o menininho ainda diz “vamos construir uma casa num precipício” (onde Saito estava). Mas os créditos balançaram um tiquinho a minha convicção de que se trata das mesmas crianças. Porque tá escrito que duas atrizes interpretam Phillipa, a filhinha dele, com 3 e com 5 anos. Mas vamos admitir que tudo é muito parecido, aberto a especulações. E, sei lá, quando as criancinhas falam com o Cobb por telefone, elas soam um pouco mais velhas que aparecem na tela. Será que, de repente, os atores dois anos mais velhos foram usados apenas pra fazer a voz? De todo modo, como é Cobb que está sonhando, ele pode dar a seus filhos a idade e o rosto que quiser.Apesar de eu estar bastante segura da minha interpretação (que não é só minha, logicamente, mas foi o que deduzi da primeira vez que vi A Origem, antes de ler qualquer coisa sobre ele), não posso ter certeza. Parece que o Christopher deixou um minúsculo ponto de interrogação, uma inception, na minha cabecinha. E essa ideia pode crescer. Tem como não adorar um filme desses?