quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

CRÍTICA: JUNO / Juno dá enjôo

Como vi que “Juno” já chegou a algumas salas brasileiras (estréia oficial no Brasil: 22/2), vou falar um pouquinho dele. Mas só um pouquinho. Primeiro preciso confessar que não vi a comédia inteira. Eu e o maridão chegamos atrasados ao cinema e perdemos cinco minutos, acho. Odeio quando isso acontece! Perdi toda a parte do Rainn Wilson e do teste de gravidez, mas como já tinha visto o trailer 3,142 vezes, e todas as vezes tinha o Rainn usando um diálogo muito do esquisito pra falar com a Ellen Page, era como se eu não tivesse perdido nada. Por sinal, a imensa maioria dos críticos americanos, que ama o filme, sente que é preciso acostumar os ouvidos pros diálogos hiper-construídos e cheios de referências pops (ninguém fala desse jeito). Eles dizem que o espectador tem que sobreviver aos primeiros vinte minutos. E isso que adoraram “Juno”! Imagina eu que não gostei, e ainda me poupei de 5 desses 20 minutos torturantes.

A maior culpada pela comédia é a roteirista Diablo Cody. Não dá pra acreditar no agito em torno dessa mulher, favorita pra levar o Oscar de roteiro original (é uma piada?). Ela é como se fosse a nossa Bruna Surfistinha. A Diablo foi uma stripper, vendeu sexo por telefone, fez um blog, alguém a descobriu e pediu que ela redigisse um roteiro, e ela escreveu “Juno” na mesma velocidade que o Stallone escreveu “Rocky”. Agora está super badalada, colunista de várias publicações, ganhando um dinheirão por mil e um roteiros. Fico feliz que uma mulher consiga tanto sucesso nesse mundo masculino que é Hollywood, mas torço, de coração, pra que seus próximos roteiros sejam melhores e venham a justificar a fama que ela conquistou. Porque, cedo ou tarde, tenho a impressão que a mídia vai descobrir a farsa que é “Juno”.

E olha que eu adoro a Ellen Page. Ela está ótima em “Hard Candy” (thriller interessante que levou o nome de “Menina.má.com”). Mas sua personagem junística é bastante insuportável: antipática, chata, dona da verdade. E fala como se estivesse discursando. Não é por nada não, mas se alguém na vida real falasse como ela (ou como o Hugh Laurie em “House”), não haveria ninguém escutando. E essas gracinhas d'ela usar um telefone em forma de hamburger não são suficientes pra que eu a perdoe.

Não é preciso uma longa análise pra entender porque os conservadores gostam de “Juno” (que já faturou 100 milhões de dólares nas bilheterias, e ainda falta um mês pro Oscar!). É verdade que no filme há sexo antes do casamento, o que a direita cristão condena, mas é só uma vez, e é tão puro e cheio de amor! E olha o resultado desastroso, uma gravidez! Assim os adolescentes aprendem que devem esperar! A menina contempla a possibilidade de um aborto (dentro da lei) durante mais ou menos dois minutos, até se convencer que vai dar o bebê pra adoção. Ok, pelo menos ela considera abortar! É mais do que se pode dizer de “Ligeiramente Grávidos” e “A Garçonete”, outras duas comédias do ano passado que deixam claro que, se você é mulher e engravidar sem querer, tem várias opções: ter o bebê, ter o bebê, ou ter o bebê. A escolha é sua.

Toda a cena em que a protagonista vai a uma clínica de aborto é um golpe aos movimentos feministas das últimas três décadas, que possibilitaram que uma mulher tivesse esse direito em alguns estados americanos. Juno chega lá e encontra uma coleguinha protestando na porta. Perdão, uma só? Com um pôster feito à mão clamando que fetos têm unhas? Em que país essa gente vive? Não deve ser nos EUA, onde organizações ligadas à direita cristã explodem bombas dentro de clínicas de aborto. E sorry, não adianta tentar vilanizar a técnica em ultrassom que respira aliviada que a adolescente vai dar o bebê pra adoção, e leva a maior bronca. Estou com ela. É um desserviço “Juno” glamorizar a gravidez precoce.

O que não entendo bem é porque tanta gente mais progressista acha o filme tão esperto e especial. Não aceito as comparações com “Pequena Miss Sunshine”. A única semelhança entre eles é que ambos começaram como filmes independentes, fizeram sucesso e chamaram a atenção do Oscar. Mas “Sunshine” critica o modo de vida americano, enquanto “Juno” o acata com todas as forças. Qual é a enorme contravenção que o filme comete? Conter um close de testículos balançando dentro de um short? Não é meio pouco não?

20 comentários:

Vitor Ferreira disse...

Eu também achei esse filme estremamente leviano. O que eu mais gostei nele foi a trilha sonora e a animação dos créditos iniciais.

lola aronovich disse...

Ah, eu perdi a animação! Muita gente fala bem da trilha sonora. Eu não me impressionei muito não.

Prensada disse...

Acho q vc convive pouco com gente da faixa de idade de Juno.Conheço uma moçada bem igualzinha a ela, falam igual , sabem tudo, tem mil referências, lêem prá caramba e as vezes, te deixam atordoada.
Não vi nada de extraordinário na personagem. Ela não é caretona,aquela menininha-barbie padronizada , é o contrário. Achei a Juno de uma pureza e de um amor extremado. Adorei.Tanto que doou para a moça stressada prá ter um filho o fruto do seu amor com o garoto Bleker.

lola aronovich disse...

Pode ser, "Prensada", que eu nao conviva muito com gente da idade da Juno. Eu tambem nao vi nada de extraordinario na personagem. Entao, por que ta cheio de menininha por aqui imitando-a? Acho que ela fez uma boa opcao doando seu bebe. Mas uma moca inteligente como ela nao deveria engravidar em primeiro lugar! Nessa idade, ela e o Bleeker deveriam fazer amor sem ter frutos. O filme passa muito por cima disso. Faz parecer que gravidez precoce eh algo lindo!

Mel disse...

Geeente, eu vi uma entrevista com a roteirista ontem na Oprah (que terrível essa minha confissão) e ela é uma porta! Ela não falou nada de interessante e também não falou nada de não interessante de forma interessante, entende? Mas ela certamente tava tentando se fazer de interessante. Fico louca com gente que faz tipinho em entrevista, jurando que ninguém tá percebendo. Biquinho, pose, se vangloriando do passado super demais dela, mostrando como ela é uma super guerreira da vida. Todo mundo, é, darling...mas ela não sabe disso ainda!
Ai, me passei na brabeza aqui! Hahahahahah
Beijo, lolaaaa!

lola aronovich disse...

Ainda nao vi a Diablo Cody na TV, mas nao gostei das entrevistas que li. Ela é bem de fazer tipinho mesmo. A começar pelo pseudônimo, né? Que nome esquisito é esse? Ela começou a escrever pra Entertainment Weekly. Acho que tem uma coluna mensal. A primeira coluna dela tava fraquinha, mas da segunda eu gostei. Ela só tem que tentar ser cool sem fazer tanto esforço...

Mel disse...

Exaaato! Falou tudo! Tem que tentar ser cool sem tanto esforço!!!
:)
Mel

Denise Arcoverde disse...

la! obrigada pela visita lá no blog. Eu concordo com tudo que você disse. É isso mesmo. O filme é péssimo. Não só o sexo é só uma vez e "puro" como ela ainda garante pra recepcionista da clínica que não tem vida sexualk ativa, parou com isso. Claro, né, gente, grávida adolescente não pode nem pensar em transar! um horror!

Denise Arcoverde disse...

Vixe, meu comentário foi meio truncado, comecei dizendo "OI LOLA" hehehe...

E beijão pra você, gostei muito dos seus posts!

lola aronovich disse...

Obrigada, Denise. Também gostei muito do seu blog. Vou te linkar nos favoritos.

Kai disse...

então, eu sei que o post é super velho( junho de 2008) mas achei bom vir defender o filme. lola, concordo com algumas coisas que você disse, como por exemplo o lance da clínica de aborto, olhar muito puritano de um filme que se diz liberal. Mas hein, você não achou interessante a linguagem ? Meu, ela fica grávida e dá o seu filho pra adoção e tudo isso num clima nada presbiteriano ou crente-aterrorizador! Milhões de americanos vendo que sim, você pode engravidar sendo jovem e mesmo assim ter uma vida tranquila e não ser expulsa pelos pais. Tava lendo que isso causou um baby boom nos eua ! Mas esse tipo de influência prefiro nem comentar. Porque como FILME, e não sobre a influencia positiva ou negativa que ele tem, analisando mesmo sua arte, acho que essa é uma das melhores mensagens que eu tirei do filme. A trilha sonora indie realmente é uma delícia. Eu vejo Juno e me parece tão fresh, sabe ? Tão diferente do que já foi feito. É a vez dos indies, lola. Talvez, daí venha a comparação com Miss Sunshine ( que eu tb n gosto de comparar, acho Juno bem mais acrescentador).

Gabriela Martins disse...

Ah, mais uma que vai defender o filme. Eu o achei deliciosamente leviano. A interpretação que eu tenho é que tudo ali é visto através dos olhos da Juno, sob o ponto de vista dela, então por isso certas coisas parecem tão simples, outras tão pesadas, etc.

Aquela cena com a coleguinha protestando na frente da clínica foi uma tremenda zoação com pró-vida fanático, porque a garota é ridícula.

E se a clínica pareceu assutadora, é pq na cabeça dela já havia aquela imagem. No fundo ela nunca quis abortar, simplesmente não queria ter engravidado, mas tb não queria ficar com o bebê.

Não consigo ver a mensagem do filme como "não aborte, pq há outra solução melhor que matar". Vejo mais como "ela teve escolha, e escolheu levar a gravidez adiante. Foi a melhor escolha PRA ELA" (o que não significa q é a melhor pra todo mundo).

Milla disse...

Olha, achar que o filme de Juno não atacava as clínicas de aborto é muita ingenuidade...
E, sorry, mas Juno tem um jeitinho artificial e estereotipado mesmo (que só gente conservadora mais velha pode achar achar 'natural'),e tem muita menina que se comporta assim para aparentar que é 'cabeça' (aah, sim, não são só as meninas fúteis que não se comportam de forma natural).
Para mim, transformaram aquele discurso 'não aborte, dê para adoção!' em filme. Num filme bem carismático.

Bárbara Reis disse...

Eu detesto esse filme, só pelo simples fato da menina 'dar' o filho. Não concordo, talvez possa ser ignorancia minha, mas eu jamais daria meu filho, nem se eu tivesse 12 anos. Acho interessante que pra fazer o filho ela tem maturidade, mas pra cria-lo não. Aborto? Não sou contra, nem a favor. Há casos e casos... Mas enfim... não gostei do final do filme... o que me fez não gostar do filme inteiro.

Marlena disse...

Juno é cool, é antenado, é moderninho... Juno é, na verdade, insuportável.

Anna disse...

Ellen Page falando sobre feminismo e sexismo em hollywood!

http://www.guardian.co.uk/film/2013/jul/03/ellen-page-interview-the-east


E Lola, faz um tempo q eu não consigo ver os ''comentários mais recentes'' acima da sua fto

Patty Kirsche disse...

Eu vi esse filme... Poxa, um absurdo ela ter mantido a gestação... Eu acho que o mais interessante do roteiro é a sugestão de que ela está interessada no marido da mulher pra quem pretende doar o bebê e tudo virar de uma hora pra outra. Eu fiquei intrigada com os rumos e confesso que me surpreendeu.

Anônimo disse...

Nunca vi.A atriz tava no carnaval desse ano e demonstrou ser bastante chata.Ser contra ou a favor de aborto é opinião de cada um(e nenhum filme feito apenas para defender qualquer dos dois pontos de vista deve prestar, pois filme planfletário é chato). Hollywood sempre foi assim.Pega Beleza Americana, o mesmo roteiro batido de todo Cine Prive dos anos 90, mas colocaram um verniz de "cult", de filme de "oscar" e atores melhores, pronto, virou um filmaço. Para mim é a mesma lixo de sempre vendido como algo essencial.

Anônimo disse...



Blogger lola aronovich disse...
Pode ser, "Prensada", que eu nao conviva muito com gente da idade da Juno. Eu tambem nao vi nada de extraordinario na personagem. Entao, por que ta cheio de menininha por aqui imitando-a? Acho que ela fez uma boa opcao doando seu bebe. Mas uma moca inteligente como ela nao deveria engravidar em primeiro lugar! Nessa idade, ela e o Bleeker deveriam fazer amor sem ter frutos. O filme passa muito por cima disso. Faz parecer que gravidez precoce eh algo lindo!

Nesse caso(dela não engravidar) não teríamos um filme,não concorda?Também não é o inferno na terra, principalmente para quem tá no primeiro mundo.

Belle disse...

Oi Lola só hoje com um delay de anos vi Juno, gostei muito e vim correndo ler sua crítica. Confesso que fiquei me sentindo ultra conservadora porque tinha achado o filme com várias mensagens que controvertem o lugar comum. Primeiro a naturalidade com que a família encara a gravidez. Acho que não faz uma apologia e romantiza gravidez na adolescência mas sim mostra o quanto engravidar com 16 anos é algo altamente factível e pode ser superado com muito diálogo. As escolhas dela também se fazem possíveis por todo o suporte de amizade e familiar que as meninas dessa idade nesta situação deveriam ter num mundo ideal. Assim como as reações do pai da criança me pareceram bem reais para um garoto dessa idade. Eu me acho tão progressista e mesmo assim achei tudo lindinho.... Fiquei com medo de ser uma reaça rsssssss