segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A GENTE QUER MESMO ESSA NORMALIDADE?

Um leitor resumiu bem meu texto da semana passada, que comentava o ótimo artigo de Lennard J. Davis, “Construindo a Normalidade”:Oh meu Deus! A normalidade foi inventada por pessoas racistas! É tão engraçado quando a gente lê coisas assim... Parece que a gente se dá conta de que sempre soube disso mas não se tocou porque ninguém falou antes”. Pois é, eu também me senti assim ao ler o texto de Davis pela primeira vez.
Não sei se por que ironia em Lolita foi tema da minha tese de mestrado, mas sempre que penso em normalidade me vem à mente um monólogo brilhante que não existe no romance de Vladimir Nabokov, apenas no filme de Stanley Kubrick (de 1962; nem procure esse trecho no dramalhão Lolita de 98 de Adrian Lyne, que é sério demais pra essas coisas). Lolita não é um romance “normal”, já que fala de um tema tenebroso, pedofilia, mas a gente se pega rindo ao ouvir as estripulias verbais do narrador e protagonista Humbert Humbert, que baba pela ninfeta Lolita (e, aproveitando que descobrimos que palavras como normal e norma só passaram a fazer parte das línguas europeias em 1840, termos como ninfeta e lolita foram criações de Nabokov, em 1955). Mas Humbert faz mais do que babar - ele se casa com Charlotte, a mãe de Lolita, apenas para ficar perto do seu objeto de desejo. Ainda na lua de mel, Charlotte avisa que vai mandar aquela pré-adolescente insuportável prum colégio interno. Charlotte convenientemente morre num trágico acidente, e o resto do livro segue com Humbert passeando (ou fugindo?) com Lolita pelos Estados Unidos. Um outro pedófilo, Quilty, que eventualmente vai “roubar” Lolita de Humbert, se encontra sem querer com ele num hotel. Humbert está fingindo ser o pai de Lolita, e Quilty, no filme de Kubrick, finge ser um policial. Ele saca na hora que Humbert não é o pai da menina. E aí ele diz (minha tradução, muito pobre, sorry):
Não pude deixar de notar quando você se registrou aqui hoje à noite. É parte do meu trabalho. Eu notei o seu rosto, e eu disse a mim mesmo quando te vi, 'Este é um cara com o rosto mais normal que eu já vi na vida'. Porque eu sou um cara normal e seria ótimo se dois caras normais como nós pudéssemos nos sentar e - falar sobre os assuntos do mundo, você sabe, de uma maneira normal”.
A ironia é que não há nada de normal nesses dois. Ambos são pedófilos. O pior é que Humbert passa o livro inteiro tentando convencer a nós, senhores e senhoras do júri (como ele nos chama, para tentar nos cativar), que é normal um sujeito de meia-idade estar sexualmente atraído por uma menina de 12 ou 13. Ele menciona os gregos e grandes figuras literárias como Dante, Petrarca e Poe para defender seu caso. Quilty é bem menos hipócrita e parece não querer convencer ninguém. Seus únicos propósitos são atormentar Humbert e conquistar Lolita. A ironia de Kubrick, com ênfase na palavra normal, salta aos olhos. Nesse trecho, pelo menos, ele aperfeiçoa a prosa já perfeita de Nabokov.
Essa busca pela normalidade também me lembra um outro filme que adoro, Trainspotting (1996, do diretor Danny Boyle, agora na crista da onda por causa de Quem Quer Ser um Milionário?, que concorre a dez Oscars). O protagonista, intepretado por Ewan McGregor, abre a trama com um monólogo da “escolha da vida”, que em inglês, choose life, remete à questão do aborto. Embora ele nunca use a palavra normal, fica claro que este viciado em heroína associa normalidade a consumo. No final da história, ele para de se drogar, mas também engana seus amigos e rouba dinheiro. Seu último monólogo é este, que se refere ao primeiro:
A verdade é que sou uma pessoa ruim, mas isso vai mudar, eu vou mudar. Esta é a última vez que faço esse tipo de coisa. Eu vou ficar limpo e seguir em frente, me endireitar e escolher a vida. Já estou ansioso com o que virá. Serei que nem você: o emprego, a família, a porcaria de TV grande, a máquina de lavar, o carro, o CD e abridor de lata elétrico, boa saúde, colesterol baixo, seguro odontológico, hipoteca, primeira casa, roupa casual, malas, terno, faça você mesmo, game shows, comida rápida, crianças, passeios no parque, horário padrão, bom no golfe, lavar o carro, escolha de suéter, Natal em família, aposentadoria, isenção de impostos, limpar o esgoto, se sair bem, olhar adiante - pro dia em que morrerei”.
(Fique com a versão original, mais poética: “The truth is that I'm a bad person, but that's going to change, I'm going to change. This is the last of this sort of thing. I'm cleaning up and I'm moving on, going straight and choosing life. I'm looking forward to it already. I'm going to be just like you: the job, the family, the f**** big television, the washing machine, the car, the compact disc and electrical tin opener, good health, low cholesterol, dental insurance, mortgage, starter home, leisure wear, luggage, three-piece suite, DIY, game shows, junk food, children, walks in the park, nine to five, good at golf, washing the car, choice of sweaters, family Christmas, indexed pension, tax exemption, clearing the gutters, getting by, looking ahead, to the day you die”).
Ele não diz normal, mas diz “se endireitar”, e na afirmação que será igualzinho a nós (nós! Eca!), ele transparece que tentará ser normal, mesmo que a normalidade seja equivalente a uma vida tediosa. Uma vida em que ter é muito mais importante que ser, e onde valemos as bugigangas que acumulamos. Esta normalidade está muito mais próxima da gente que aquela de Humbert, claro. Mas pense bem - tanto a “tudo bem ir pra cama com uma menina de 13 anos” quanto a “você é o que você compra” não poderiam ser abolidas?

51 comentários:

Leila Silva disse...

Excelente.
Lolita é um dos meus livros preferidos...já ouvi gente dizer que não gosta do autor por causa da apologia à pedofilia, decerto não leu uma linha do livro.

Normal, normal...acho que foi o Caetano que disse essa: 'de perto ninguém é normal'

Santiago disse...

Bolsa-Familia - Empregada e Aborto

218 comentários!

Viu Lola? Superei o recorde do João Neto que era de 194 comentários. Não fosse eu, você mal chegaria aos 130.

Veja se usa a minha ajuda para por algum anúncio neste seu blog. Ganhe algum dinheiro e deixa de viver essa vida de pobre; que você detesta, mas não confessa como disse, muito corajosamente, a Gil.

Se precisar, é só me avisar (elogiando Lula, lei pró-aborto e bolsa-familia) que continuo te ajudando. Quem sabe, com a minha ajuda, você chegue brevemente aos números dos blogs do Reinaldo Azevedo, ou Gerald Thomas, com seus mais de 800 comentários por post.

Sempre a sua disposição,

Santiago.

Santiago disse...

Bolsa-Familia - Empregada e Aborto

Parabéns MARIA! Você disse tudo. Esses defensores de aborto querem afogar os gatos para não dar trabalho.
Só que não são gatos; são crianças indefesas que levam uma agulhada covarde!

Bando de gente insensível!


Você só poderia se chamar MARIA mesmo, para por no seu devido lugar essa corja de covardes, desumanos!

Foi no final dos comentários, mas valeu! Muito obrigado!

Taia disse...

Oi Lola! Voltei de novooo...

Sempre achei que normalidade e hipocrisia são irmãs gêmeas, uma "puxa" a outra, elas tem o mesmo cheiro, poucas vezes são vistas em separado, hehe.
Desde pequena recebi recados claros de muitas pessoas: ou vc se encaixa ou não será amada. E acredito que a maioria de nós passa a vida recebendo esse tipo de mensagem... é preciso se enquadrar na normalidade (corpo, mente, alma, embalagem e conteúdo). Isso é uma espécie de chantagem emocional, um método eficiente de induzir as pessoas a terem uma relação carinhosa com a normalidade para buscar relações carinhosas com a vida. E me parece que é daí que surge o medo de ser considerado anormal, fora dos padrões. Anormal = não amado, menos aceito. Acho triste esse massacre da criatividade, mas preciso confessar que mesmo pensando de forma "anormal" sobre a normalidade eu tb não consigo fugir dessa normalidade em alguns aspectos da realidade do dia-a-dia.

Li tb os teus dois posts anteriores. O do choque me deixou chocada... acho que não vamos poder nos conhecer pessoalmente. Eu tb levo/dou choque, hehe. Mas para mim isso depende mais do tipo de sapatos que estou usando, mais precisamente do material do solado. Já tive sapatos com que levava choque, com direito a faísca, cada vez que saia de um carro.

E o texto sobre o jornal é interessante. Sei de gente que lê o que vc escreve na Notícia, mas que não demonstra nenhum interesse em saber o endereço do blog quando falo dele. Talvez esse público que escolhe "ou jornal ou blog" vá mudando apenas a medida que as pessoas descubram a internet como fonte de informação para todas as pessoas, e não só para jovens como pensam alguns leitores só de jornal. Mas talvez seja até bom, já pensou se aparecem mais Santiagos por aqui, hehe.
Bjsss
Taia

Anônimo disse...

Nossa, pensei que o post sobre domésticas e aborto fosse o outro. Tem gente, como eu, que não deve ter senso de ridículo, de espaço, enfim, de várias coisas... Hum... Ah, mas ele é tão engraçado Lola, deve ser uma persona, ninguém pode, seriamente, dizer essas coisas desse jeito. Deve ser algum tipo de experiência... Ou comediante... hahahha

Camila

anália disse...

Oi, Lola!

Aquele post sobre a normalidade foi muito bom. Gostei desse tb.
Falando em Ewan McGregor, fico lembrando dele em Guerra nas Estrelas. Tão legal, parecia que ele estava realizando o sonho de menino: atuar em Guerra nas Estrelas.
Ontem vi na Tv "Moça com Brinco de Pérola" com a Scarlet Johanson e o Colin Firth (muito lindo de cabelo comprido!). Gostei muito. Bem diferente o filme.
Vc não tem nenhuma crítica de Campo dos Sonhos?
Gostei tb nesse post o que vc escreveu "Ele não diz normal, mas diz “se endireitar”, e na afirmação que será igualzinho a nós (nós! Eca!) (...)". Foi mais ou menos come me senti com as referências à classe média.
Bjs,
Anália

Cereja disse...

Nao vi nenhum dos filmes sobre Lolita, mas li o livro. O que mais me impressionou na obra foi nao conseguir largar o raio do livro apesar do tema ser hediondo, os comentarios de Humbert Humbert eram bons demais.

Quanto a pedofilia ser abolida completamente: seria otimo, pena que e' o tipo da coisa que nao tem jeito mesmo, sempre vai acontecer em certo grau. Ja' o consumir=ser e' uma mentalidade que nao pode se sustentar pra sempre, eu gostaria de acreditar que o que estamos assistindo hoje e' um sintoma do colapso desse modo de vida.

No minimo a gente vai ter que ajustar o nosso consumo com o ritmo do planeta, espero que as pessoas escolham a moderacao antes da extincao. Parece uma escolha obvia, mas nao e' a escolha que a humanidade fez ate' agora (continuamos a empurrar essa historia com a barriga).

marjorierodrigues disse...

Gosto muito de Lolita (o livro -- filme eu só vi a última versão, mas não gostei muito). É engraçado, porque o tema é abjeto, mas não me enojou porque a estética era muito boa.

Não posso dizer o mesmo de "120 dias de sodoma", do marquês de Sade. Não dá, não dá! É estupro atrás de estupro, violência atrás de violência -- e nem tem a narração boa do Nabokov. Passou do meu limite.

L. Archilla disse...

assisti Trainspotting faz tempo, e achei mais ou menos. é um filme que tem uma mensagem bacana, bom ritmo, mas que cativa mais pela estética do q outra coisa. entretanto, nunca tinha parado para pensar numa coisa: é engraçado como algumas pessoas têm consciência de que a busca por uma vida "normal", como descreve o Ewan no fim do filme, é uma alienação, mas para contrariá-la acabam caindo em outra alienação - no caso, as drogas. e nem tô falando de drogas pesadas, como heroína, mas de gente que, pra fugir do padrão, cai em OUTRO padrão, o de "muito louco": que bebe o dia inteiro, não estuda, não forma vínculos, etc. o mundo está povoado basicamente de "muito normais" ou "muito loucos", eu acho. os conscientes são poucos. :)

Bobby Madhatter disse...

Oi Lola... Nossa, gostei do texto!
A questão: "O que é ser normal", sempre esteve presente nessa minha pequena grande vida!
Afinal... oq define a normalidade? O que somos ou o que fazemos?
Se for o que somos... então o normal é ser diferente, se for o que fazemos o normal é ser igual... A questão entre ser normal e diferente é decidir qual dos dois lados você prefere: O de dentro ou o de fora... Eu sou um normal do lado de dentro! Tenho meus conflitos, minhas dúvidas, minhas alegrias e imparcialidades como uma pessoa normal... Mas sou um anormal do lado de fora... Nem sempre os meus atos são dirigidos e guiados pelo senso comum! Não sei até quando serei um anormal do lado de fora... Afinal, os anormais são quase sempre forçados a dois caminhos: "a loucura" ou "a solidão"... Não sei se quero um desses dois ou se vou inventar um terceiro! É... falei, falei, falei e continuo não sabendo d nada!
^^

Ps: lola, já te respondi no meu blog! ;)
Beijo

Gabriela Martins disse...

Eu adoro Trainspotting. Gosto muito desse monólogo final, colado àquele que aparece no início do filme é um tremendo tapa na cara.

asnalfa disse...

Lola! adorei o texto!! mas qual filme do Kurosawa vc prefere?? eu tava pensando em baixar YOJIMBO: O GUARDA-COSTAS .... um dia eu assisti rashomon e nao gostei muito.... achei a trilha sonora brega (tive q tomar uma neosaldina) e direção arrastada.. será q esse filme q inspirou kill bill é bom?

asnalfa disse...

Ah proposito... O q tem de errado um adolescente de 13 anos namorar um adulto? Se a Eloá podia pq eu nao posso??
E pq tem gente q acha q homossexuais sao a mesma coisa q pedofilos?
Olha o q seu partido de esquerda defende....

http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?todos=1&codigo=2599

veja o video ..

Leila disse...

Lola isso me faz lembrar de uma pixação que vi
"Vá ao trabalho, mande seus filhos para escola, siga a tendencia da moda, se comporte normalmente, ande nas ruas, assista tv, economize para quando for velho, obedeça as leis.
Repita depois de mim: eu sou livre!" (isso na minha tradução disso: http://www.flickr.com/photos/knautia/424307039/)

É um exemplo de como fazemos as coisas para nos encaixarmos no sistema e ainda consideramos isso como ser livre

ser livre é ser como os outros

Ju R. disse...

lola,

sobre o post abaixo, eu lembro da tv com a luzinha acesa depois de desligá-la, a geladeira da minha avó dava choques e eu peguei telefone de discar.

sobre cohques esquisitos, já cansei de levar choque encostando em outras pessoas e até encostado no meu pobre gatinho.

Vitor Ferreira disse...

Pedofilia normalmente (não sempre) está ligada a incesto e coisas do tipo. Pensando por essa ótica, o namoro de "pai" e "filha" de O Lutador, Mickey Rourke e Evan Rachel Wood seria o quê? A confusão foi tanta na minha cabeça que eu não consigo raciocinar... Só sei que é no mínimo bizarro...

asnalfa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
asnalfa disse...

Na verdade, Vitor... eles nao estao namorando..

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=Evan+Rachel+Wood+namora+mickey+rourke&btnG=Pesquisar&meta=

asnalfa disse...

Lola... tem jeito de vc fazer um post sobre o assunto deste link no orkut??

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=78363&tid=5297538277989397926&na=1&nst=1

acontece q o povo ta chamando a filha de carla peres de prostituta.. sendo q a menina tem apenas 5 anos ... alem disso detonam o cabelo dela q foi alisado quimicamente e por ser feia...

Kenny Guilherme disse...

Assino embaixo, Lauren.

Ariadne disse...

Ai, tão interessante gente como o Santiago... Simplesmente não admitem que alguém possa ter algum grau de consciência sobre si mesmo, se disser alguma coisa que contrarie a norma. Existem pessoas que não ligam para consumo, conheço algumas, eu tenho consciência que eu ainda não consegui me livrar totalmente disso. Mas gosto de coisas pequenas, sem status, e procuro mantê-las o máximo de tempo possível comigo, e ainda dar um bom destino para elas depois, se for possível. E procuro ter consciência do quanto ainda estou presa a certas coisas. É legal lembrar do Foucault quando se fala em norma, ele mostra muito bem que o discurso daqueles que são considerados fora dela simplesmente não é ouvido, e também diz que existem exigências, por exemplo, de estar dentro de uma disciplina, das normas de uma ciência, para poder falar qualquer coisa (tô simplificando geral, mas faz um tempinho que eu li...). Gente como o Santiago faz um arremedo patético disso, EU sei que você não pode estar certa sobre si mesma, EU sei que algum especialista poderia provar (mesmo que eu não seja um deles) que em algum lugar do seu inconsciente mora uma perua que adoraria ter um carro-monstro 4x4. E ainda quer reivindicar os méritos pelo sucesso do teu blog...

lola aronovich disse...

Leila, Lolita é fantástico. É tb um dos meus livros preferidos, uma delícia de ler. Não tem apologia à pedofilia, sim. Tem é apologia à ironia. E à arte de escrever.


Santiago, puxa, por que vc não começa o seu próprio blog? Se, “me ajudando”, vc conseguiu que eu chegasse aos 218 coments, imagino o que vc não possa fazer num blog só seu?
Não tenho nenhuma vaidade com o no. de coments. Esta não é uma competição. Apesar do que a direita prega, nem tudo na vida é uma competição. Fora isso, responder centenas de coments é inviável. Impossível. Quinta eu não fiz mais nada, só respondi coments. Eu acho que 20 coments por post já tá de ótimo tamanho. Dá pra muita gente comentar, e eu consigo responder. Mais, tá difícil.
E pelo que sei, o seu ídolo, Reinaldo Azevedo, não só não responde os coments como nem os lê. Quem faz a moderação e bloqueia todos os “petralhas”, daquele jeito tão democrático, é a mulher dele.

lola aronovich disse...

Taia, que bom que vc voltou! Pois é, a gente vive recebendo recados de que é preciso se enquadrar na normalidade, e que meio melhor de fazer isso se não for através da chantagem emocional? Só falar “se vc não for hétero, irá pro inferno”, parece não convencer muita gente hoje em dia. E ninguém diz pra uma gorda “Se vc não emagrecer, irá pro inferno”. Apenas dizem que eu vou viver muito menos. Então a chantagem do “vc não será amada” funciona muito melhor.
Obrigada por confirmar minhas suspeitas: então, vc conhece gente que me lê no jornal, que gosta, mas não se interessa nem em saber o endereço do blog. É gente que simplesmente não lê blogs. Aliás, só usa internet pra checar emails, mais nada. Tem muita gente assim.
Quanto ao trololó, ele não veio através do jornal. Já contei como ele apareceu? Eu deixei um coment no blog do Rafael Galvão, e o Santiago rapidamente pegou o meu email no meu perfil e me mandou um email me “advertindo”, porque o Rafael seria petista, e na primeira palavra contra o pensamento dele eu seria maltratada e expulsa do blog. Eu respondi que eu tb votava no PT e que eu sabia me cuidar. Mas respondi educadamente! Pra quê? O mentecapto não me deixa em paz desde então! (ele só sumiu durante uns meses em que reinou o João Neto, o que nos faz suspeitar que os dois sejam o mesmo bundão).

Giovanni Gouveia disse...

Algumas categorias sociológicas definem bem essa tal "normalidade":
-Alienação
-Fetiche
-Reificação (coisificação) dos seres humanos

lola aronovich disse...

Camila, é que aquele post ficou lotado demais, então ele veio ser bobo da corte aqui. É um ridículo. Escrevi um post sobre um carinha que conheci que é igualzinho a ele, mesmo comportamento. Aquele tipo que vc descreveu num coment, lembra?


Anália, não acho que o Ewan tá muito bem em Guerra nas Estrelas, mas isso tavez se deva ao fato do George Lucas ser um tenebroso diretor de atores. Acho que só o Harrison Ford conseguiu escapar da saga de “bad acting” que aflige os atores de Guerra.
Gostou de Brinco? Eu gostei, não amei. E não gosto de homem com cabelo longo. Prefiro o Colin de cabelo curto, mil vezes. Não, não tenho crítica a Campo dos Sonhos, porque o filme é muito anterior de quando comecei a escrever sobre cinema. A nossa classe média não precisa se “endireitar”. A gente já tá totalmente dentro do padrão. O que ele critica no monólogo é justamente a classe média.

lola aronovich disse...

Cereja, muito difícil largar o livro Lolita, porque ele é engraçado e está brilhantemente escrito. Será que não tem jeito da pedofilia ser abolida completamente? Quanto ao “consumir = ser”, acho que houve esforços pra que esse tipo de pensamento fosse abolido (ou pelo menos questionado) nos anos 60. Hoje? Vejo muito pouca gente questionar. Os americanos terão que aprender a consumir menos, óbvio. Mas o resto do mundo (talvez não a Europa) ainda continua querendo copiar o American way of life.


Marj, o filme de 98 realmente não é muito bom, mas depende de como cada leitor entende o livro. Se a pessoa lê o livro como uma história de amor sobre o arrependimento de um pedófilo, vai gostar da versão do Lyne. Se vê como um narrador histérico sendo muito engraçado e irônico, vai preferir a versão do Kubrick. Vou escrever mais sobre isso. Eu não li 120 Dias. Aliás, nunca li Sade. Vi o filme do Pasolini e de-tes-tei.

lola aronovich disse...

Lauren, ah, eu amo Trainspotting. A estética é fascinante, sem dúvida, mas acho que toda a história é incrivelmente bem contada. Tem um super roteiro. É verdade: a normalidade é uma busca pela alinação. Mas aqueles que se esforçam tanto pra não serem normais geralmente tb são muito alienados, pelo menos politicamente. Eu vejo o pessoal “modernex” muito parecido com o pessoal normal. Nos dois casos, dá-se uma importância enorme aos padrões. E daí que são padrões diferentes? Ambos dependem de rituais, e da exclusão de quem não pensa como eles.


Bobby, sei que pra vcs, adolescentes, ser aceito é fundamental. Então vcs se preocupam demais com a normalidade, seja pra ser parte dela, ou pra poder fugir dela. Invente um terceiro, quarto, quinto caminho pra vc. Não tente ser normal ou anormal. Seja apenas vc. Vc já é uma pessoinha muito especial, apesar de estar só começando nessa sua pequena grande vida!

lola aronovich disse...

Gabriela, esses monólogos de Trainspotting são um tapa na cara. E como funcionam bem!


Asnalfa, nunca vi Yojimbo. Rashomon eu vi, mas não lembro da trilha sonora, se era brega... Teve uma penca de filmes que inspiraram Kill Bill. Não foi só um.
Bom, o namoro de Eloá e Lindemberg não terminou bem, então vc precisaria conseguir um exemplo melhor. Mas, no caso do Humbert, ele tem quase 40 anos, e a Lolita tem 12. Acho que, se vc fosse pai de uma menina de 12, não gostaria que ela namorasse um carinha de 18, quanto mais um de 40! A diferença não só de idade mas de vida, de pespectivas, de objetivos, é gritante. Eu lembro quando tinha 17 e saí com um carinha de 35, e foi muito estranho. Não teve nada a ver.
Não posso ver o vídeo agora. O que ele diz? A direita cristã adora associar homossexualidade à pedofilia. Mas a verdade é que a maior parte dos pedófilos é hétero! Inclusive os que abusam de meninos... A proporção de pedófilos gays é parecida com a proporção de gays na sociedade - 5, 10%?

lola aronovich disse...

Leila, é, eu vi essa pixação. Foi vc que mandou pra mim? E como eu disse, acho que muitas leis devem sim ser seguidas. Andar na calçada, por exemplo. E economizar pra quando se for velho é preciso. Aliás, o negócio todo é poder viver com menos. Tanto agora quanto depois. Mas é, a liberdade é muito relativa...


Ju R, no seu caso os choques tb tiveram a ver com a falta de umidade no ar? Choques ao tocar nos gatinhos! Eu já levei tb (e acho que dá choque, os pobrezinhos sentem e não gostam nem um pouco), mas foram pouquíssimos.

lola aronovich disse...

Sim, Vitor, muitas vezes pedofilia tá ligada à incesto... e estupro. Mas o que isso tem a ver com O Lutador, ué? Eles não “namoram”. Eles apenas tentam se unir depois de muitos anos. O que tem de bizarro num pai conversar com sua filha?


Não sei, Asnalfa, estou completamente sem tempo este mês. O pessoal tá chamando a filha de 5 anos da Carla Peres de prostituta? Que horror!

lola aronovich disse...

Ariadne, exatamente, gente como o trololó não admite que as pessoas são diferentes. Ele odeia o comunismo, porque ele “massifica” e tira o individualismo das pessoas, mas o que o Santiago está fazendo, se ele pensa que todo mundo pensa igual? Eu, inclusive, penso igualzinho a ele, quero as mesmas coisas que ele - e só não admito por ser uma covarde. Todo mundo que comenta aqui no blog pensa igualzinho a ele, e só “finge” que discorda pra me agradar, pra querer ser cordeirinho. Ué, mas se todos nós pensamos exatamente o mesmo, se só estamos fingindo que não amamos o consumo, por que ele se dá o trabalho de vir aqui nos incomodar? Não há necessidade! Por que tem que haver uma Patrulha da Normalidade, da qual o Santiago faz parte, se todos nós ou somos normais ou queremos tanto, inconscientemente, ser normais?

lola aronovich disse...

Kenny, vc concorda com a Lauren no quê? Que Trainspotting é mais estética que conteúdo ou que há muitas ligações entre normais e rebeldes?


Oi, Gio! Vc sumiu! Que bom que vc voltou. Sem dúvida, normalidade está ligada a tudo isso.

L. Archilla disse...

Lola, vc já viu Doubt? Se não, veja! É que eu descobri que o Santiago, na verdade, é a Meryl Streep!

babsiix disse...

Oi Lola! Fui eu q te mandei o grafite, e pelo visto mais gente conhece ele hein! A ideia do grafite foi boa. É bom ver outras pessoas questionando/criticando a normalidade. Ainda mais considerando q grafiteiro é visto cmo baderneiro.. Hj talvez nem tanto mas ainda rola preconceito com esse tipo de arte não é? Se vc n conhece, te recomendo procurar os trabalhos do Banksy, acho q vc vai gostar muito.

Ah, lolita, luz em minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama.

Adoro lolita! É um dos meus livros preferidos! E é fascinante q a gente use "lolita" até hj.. e n só os cultos e instruídos, mas qqr cidadão. Antes de ler eu era bastante preconceituosa. Inclusive pessoas q eu conheço e n leram tb tem o mesmo tipo de preconceito q eu tinha. Achava q o livro era uma "baixaria".. Q bom q a gente está disposta a repensar nossos conceitos né?

olhodopombo disse...

sempre que falam da Lolita so me vem a imagem da Mel Lisboa e aquele ator horrendo da globo.....

Vitor Ferreira disse...

Vocês não entederam o meu comentário. Eu não falei nada relacionado ao filme. Mas eles namoram na realidade. O que é meio bizarro, porque não imagino o que uma menina como ela vê de atrativo nele...

Renan disse...

Olá!

Eu sei que você já explorou bastante esse assunto Lola, mas falando em normalidade, pedofilia e afins, você viu o que o caudilho mor da Itália, Silvio Berlusconi acha normal: "Para acabar com os estupros, teríamos de ter tantos policiais quantas meninas bonitas. Não acho que conseguiríamos."

Nem falo nada...

Cris disse...

Oi , Lolinha!

Lolita é um livro ótimo. Muito boa sua análise. (ah, ninfeta e loliat eu sabia que era criação do autor).
Que preço pagaremos para sermos considerados normais?
Dia desses, em uma discussão familiar, ouvi "só qria que vc fosse normal, vivesse e buscasse o que toda pessoa normal quer".
Mas cada um é cada um, não è?

Ah, para a moça que falou sobre o Ewan MacGregor em Guerra nas EStrelas:
Anália, ele estava MESMO realizando um sonho de infância ao atuar no filme. Sei pq vi entrevistas dele falando que desde menino assistia e era fã de Star Wars.

beijos

Cris disse...

Lola, para completar, infelizmente ainda não consigo deixar de buscar, ao menos um pouco, essa normalidade.
Será que alguém consegue?
A gente, ou eu, pelo menos, não consigo deixar de querer ter uma vida mais ou menos normal, pelo tanto que fico infeliz qdo sou cobrada por ainda não ter atingido/conseguido certas coisas.
Então penso que seria muito mais feliz sem certos tipos de cobranças.
Mesmo que eu não goste e tente, em muitas coisas, fazer o que realmente gosto, ainda tem muitas outras nas quais eu busco alcançar esse padrão, essa "vida normal" que minha familia diz...e que está tão bem descrita no monólogo final de Transpotting, filme que eu adoro.
Essa busca pelo normal tem mesmo um preço alto.
beijos

L. M. de Souza disse...

adorei esse texto. provavelmente um psicológo diria q todo homem tem atração por jovens de 12 a 13 anos. só os "anormais" não controlam isso. acho q uma das grandes decepções do comunismo é saber que o proletariado quer mesmo é virar burguesia e toda o way of life americano está construído sobre essa premissa: comprar coisas. acabou de sair um filme o "revolutionary road" que fala disso tb. um casal que não suporta a idéia de ser normal como se alguma forma estivessem numa armadilha sem saída. o livro é bem melhor que o filme.

má disse...

Olá Lola!
Concordo com a L. Archilla e como vc mesma se refere aos 'modernets' que em busca de uma suposta "fuga" da normalidade, acabam caindo em outras "normalidades", como estilos de vida comprados como se fosse um pacote.
No entanto, concordo plenamente com o seu post da normalidade. O difícil está em saber qual é esta normalidade, mas o que será que é esta normalidade. Penso que esta questão não se resume à estética.
Mas aposto que este difícil caminho da fuga da normalidade, começa quando recusamos o status quo. O que é uma coisa muito difícil não! No entanto, aposto que é muito mais libertador para nossas mentes e corações seguir firme e forte para tentar ver com clareza "como é o mundo no qual vivemos".
Só esta tentativa de sabermos com funciona nossa sociedade é uma fuga desta normalidade, e penso ser uma obrigação como indivíduos!

Gostei muito do post!
parabéns!

Elaine Crespo disse...

Nunca li um comentário tão fantástico sobre este filme! Realmente em lolita somos levados a não questionar a anormalidade contida na história do filme!
Adorei tenho uma copia em dvd de Lolita de Stanley Kubrick. Mais uma vez parabéns pelo BLOG!

Um beijo

Elaine Crespo

lola aronovich disse...

Lauren, vi Doubt (Dúvida) ontem! Vc acha o trololó parecido com a Meryl? Não consegui ver a relação, talvez porque eu tenha grande admiração pela Meryl...


Babsiix, concordo que a ideia do grafite seja boa. E Lolita é um livro incrível! Ah é? Muita gente pensa que é uma baixaria? Não sei, tá tão consolidado como clássico absoluto que é difícil de imaginar... Quero colocar no blog uma matéria que escrevi sobre o livro há dez anos, e também um post sobre a minha tese. Eu tenho um link pra minha tese! Aí todo mundo pode ler a tese (em inglês), se quiser e tiver tempo (cem páginas). Mas até que ficou uma tese de mestrado bem legal.

lola aronovich disse...

Olhodopombo, pois é, mas isso é Presença de Anita, que eu nunca li, mas detestei a minissérie. Aliás, quando fui conversar com a minha orientadora sobre meus planos, ela sugeriu que eu falasse sobre Lolita E Presença de Anita (porque ambos os livros são da mesma época, e Anita é até anterior). Mas eu havia detestado tanto a série que preferi ficar só com Lolita, o livro, e os dois filmes. “Só”.


Vitor, o Mickey Rourke e a Rachel estão namorando na vida real, é isso que vc tá dizendo? Cruz credo! Mas eu li uma entrevista dela em que ela dizia que o Mickey nem chegava perto dela, pra ficar “no personagem”. Será que estou confundindo com outro?

lola aronovich disse...

Renan, é, eu vi o que o Berlusconi disse... Mas esse cara já falou algo que prestasse? Como os italianos podem eleger um cara desses? Depois a gente fica achando que brasileiro é que não sabe votar...


Cris, só acho que a gente fica se sacrificando à toa em nome da normalidade. E cobrando dos outros tb. Isso é péssimo. Live and let live, é tão difícil assim? Acho que, com tanta cobrança, fica difícil a gente não perseguir a normalidade. Tem coisas que eu não ligo a mínima e já estou vacinada, mas tem outras que ainda incomodam. A gente tem que aprender a não dar muitos ouvidos. E, claro, a não fazer com os outros o que não gostamos que façam com a gente. Por que quem é que nunca fez parte da Patrulha da Normalidade?
Ah, estrear em Guerra nas Estrelas era um sonho do Ewan? Imagino que seja de vários atores da geração dele...

lola aronovich disse...

Como assim, L.M.? Todo homem tem atração por jovens de 12 e 13?! São crianças! Por que haveria atração? Eu não tenho atração por meninos de 12 a 13. 16 anos, ainda vai, que tem uns garotos bonitinhos.
O resto do seu comentário eu concordo. Ontem mesmo eu tava escrevendo sobre isso - sobre como todo mundo quer ser burguês e consumir como os americanos. É bem complicado lutar contra essa corrente. Tô escrevendo minha crítica sobre Rev. Road pra publicar amanhã (Foi Apenas um Sonho). Putz, vc leu o livro? Tô louca pra ler!


Má, não é? A gente vê “modernets” que de repente fogem do padrão de normalidade dos pais, mas mergulham num outro, em que só o tipo de ritual - e consumo! - muda. Mas ainda assim a ânsia de se encontrar e se identificar pelo que se consome continua enorme. Sabe, não acho que seja uma obrigação a gente ter que fugir da normalidade. O que acho que deve ser obrigatório, sim, é pensar sobre as coisas. Questioná-las. Não ver todo um padrão de comportamento imposto como “natural”. Sair da alienação confortável do “é assim que as coisas são, sempre foram, sempre serão”. Pensar, ué.

lola aronovich disse...

Elaine, imagina, tá cheio de textos fantásticos sobre o filme Lolita. Já já eu coloco o meu link pra minha tese de mestrado (já prometi isso faz um tempão). Pra quem lê inglês é bem interessante. Eu tb tenho um dvd do Lolita do Kubrick! Gosto pacas do filme!

iaeeee disse...

Como sou destraído, começei a ler o texto e nem percebi que o leitor mencionado era eu! Nossa que honra aparecer em um post em seu blog, estou muito feliz.
Ah, e essa estória da Lolita( livro, não sua, heehhe) é mais corriqueira do que se pensa, basta olhar para as escolas, no ensino médio...
E esses caras 'normais' adoram mencionar a Grécia Antiga para mencionar os seus erros, parece que esta é a cláusula mais usada do 'Código para você aprender a dar desculpas esfarrapadas com o objetivo de disfarçar a sua pedofilia'. Alguém precisa avisar a eles que esse período já passou, hein?
Vou respirar ali rapidinho, afinal, a ficha não caiu ainda, muito sucesso pra ti Lola.

iaeeee disse...

Ah, e você tá bem dubladora nacional, hein? Traduzindo f**** como porcaria, hehehehe. A tradução tá ótima, claro. Não assisti a nehum dos filmes, vou anotar na agenda para assistir nas férias. Mas esse do menininho que mostrou o vídeo para a mãe, eu acho que já vi...Não é um que no final eles cantam 'killing me softly'?

iaeeee disse...

Ops, você falou sobre esse filme no post do dia 3, ai ai, desculpa é que tô meio grogue, hehehe. O caso é que fiquei sem ler dois posts, aí fui ler os dois de um vez hoje, me confundi. Que bom, adoro seu blog, uma das razões é porque tem muitas palavras. Mas isso se torna negativo para mim, porque eu gosto de ler tudo de uma vez quando eu perco as atualizações, e se eu perder uma, duas, três semanas por algum motivo qualquer? Certamente as lerei de uma vez, mas acontecerá coisas como essa das confusões do post, ossos do ofício, né?
Escrever e ler, é tão viciante.

Priscila Bilhalva disse...

Ironia do destino, uma semana antes de ler esse post, ter me reunido com amigos e discutido vários temas sobre a normalidade e a pedofilia.Uma conversa-debate entre amigos.
No final das contas, eu apenas acho que as leis devem ser cumpridas sempre, as leis são as normas, e os seguidores das normas são os "normais". O que cada um faz no meio disso tudo é o "ser".
Eu sou da corrente de pensamentos que um pedofilo é uma pessoa doente mentalmente, a outra corrente dos meus amigos acha que é uma pessoa que não gosta de seguir as normas, ou seja um sem-vergonha desajustado.
Mas aí vão-se horas de discussão.