terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PERGUNTAS SOBRE UM MONTÃO DE COISAS

Mais respostas a algumas perguntas que vocês fizeram pra mim.

Há algum tempo, desde um post seu sobre essa coisa das mulheres poderem escolher ficar em casa, eu quero fazer uma pergunta: Caso o maridão ganhasse rios de dinheiro e vc não precisasse trabalhar, vc realmente ir
ia parar de fazer tudo o que faz e viver as custas dele?” Aiaiai

Sinceramente, não sei. Como o maridão faz o que gosta (joga xadrez), e o que gosta não dá dinheiro, essa possibilidade nunca chegou perto de existir. Mas acho que sim, viveria às custas dele. O oposto é verdadeiro: se eu ganhasse rios de dinheiro, pra quê o maridão trabalharia? Ele poderia apenas dedicar-se ao que mais gosta, que é xadrez. Que é o que ele já faz, ok, mas sem essa preocupação de receber salário. A pergunta é mais geral: se a gente fosse rica (porque, como somos casados e vivemos juntos, não teria como um ser rico sem o outro usufruir), a gente continuaria trabalhando? Juro que não tenho certeza. Provavelmente não, não trabalharia. Mas isso não significaria parar de fazer tudo o que faço. Por exemplo, uma das coisas que mais faço na vida é escrever este blog. Eu continuaria com ele.

Lola, sou uma leitora assídua do seu blog mas raramente comento; porém, há dias venho pensando em te perguntar uma coisa: como vc definiria uma mulher feminina (na sua visão)? O que é ser feminina para vc e de que forma vc é feminina?” Raquel

Puxa, Raquel, nem sei responder. O meu desejo, e o de várias feministas, é para que essas definições arbitrárias e socialmente construídas do que é feminino e masculino caiam por terra. Porque valem como uma camisa de força. É aquele negócio que mulher não pode tomar a iniciativa sexual (porque feminino é ser passivo), que homem não chora. São mecanismos de controle social para manter as coisas socialmente como estão. Eu sou feminina simplesmente porque sou mulher. Nasci com uma vagina, sou feminina, pronto. Se ser feminina é gostar de rosa, ser santinha sexualmente (só homens podem ter várias parceiras durante a vida), ter instinto maternal, ser vaidosa, usar brinco e maquiagem e sei lá o quê mais, bom, então definitivamente, eu não sou feminina. Mas sou feminina no sentido que ninguém nunca me confundiu com um homem. Sabe o que a gente vê nos filmes, de uma mulher se passar por homem? Pra mim seria impossível, por causa dos meus peitões. Eu posso estar a quilômetros de distância, que dá pra ver que sou mulher. E minha voz é de mulher. Não poderia ser masculina nem que quisesse (e tem vezes que dá vontade!).
Minhas amigas lésbicas são femininas também. Mesmo as que usam cabelo curto. Quer dizer, não é esquisito que um corte de cabelo determine quem é ou não feminina? Pra mim é.
Desculpe te frustrar, Raquel, por não poder responder direitamente. Talvez uma mulher não-feminina seja uma que tente se passar por homem? Não sei, tô chutando. É duro definir algo que eu não quero que exista.

Olá Lola, sou um leitor assíduo do seu blog. Moro no Japão e tenho uma perguntinha meio boba que ate fiquei com vergonha de perguntar no blog [ele mandou um email e me deu autorização pra publicá-lo]. O que significa a expressão 'what the duck?'. Sempre você fala, e gosto muito de comparar alguns ditados populares daqui do Japão com os nossos do Br.” Luciano

Vou responder aqui porque muita gente pode ter a mesma dúvida, e não é nenhum motivo pra vergonha. Sabe a expressão em inglês “what the f*ck?”, muitas vezes abreviada para “WTF?”? Ela denota incredibilidade, espanto, algo como “Não acredito!” (taí mais uma dúvida minha: qual seria o equivalente pra isso em português?). Parece que no dia a dia, ainda mais na internet, temos bons motivos pra usar “WTF?”. Alguém escreve algo totalmente maluco, e a gente se pergunta, “WTF?”. Pois bem, no filme Rebobine Por Favor, o personagem do Mos Def, ao invés de dizer “what the f*ck?”, diz “what the duck?”. Não significa absolutamente nada, nem faz sentido gramaticamente. Só significa alguma coisa pra quem conhece a expressão original, com um palavrão. Mas eu achei super fofinha e decidi adotar. Acho que fica mais irônico ainda. E eu também não gosto de falar palavrão, então o “what the duck?” parece ser uma versão mais censura-livre pro meu espanto. O problema é que poucas pessoas viram aquele filme, e, entre as que viram, quantas vão se lembrar das falas do Mos Def? Coisa de nerd mesmo (agora, ao procurar uma imagem pro post, descobri que existe uma tira em quadrinhos com esse nome).

Lola, vc já leu os livros da Alice do Lewis Caroll? É que estava lendo o segundo novamente e me lembrei do Maridão por causa da relação com o xadrez.” Marilia.

Li esses livros faz muito tempo, quando era criança. Ou leram pra mim, nem lembro. O personagem que mais me marca é mesmo o gato, sempre. Não me recordo de muito relacionado a xadrez. Será que no filme do Tim Burton a Alice vai jogar xadrez?

Vc gosta de O Ultimo Tango em Paris? Pq eu amo de paixao, mas conheco muita gente que o acha um porre.” Giovani.

Gosto. Não amo não, mas gosto. Faz tempo que não vejo o filme, e acho que ele é muito machista, se bem que nunca chato. Mas o Marlon Brando é um dos maiores atores de todos os tempos e o Bertolucci tem um currículo com vários grandes filmes. Então, what's not to like? Sem piadinhas de “passe-me a manteiga”, por favor.

28 comentários:

Léo C. disse...

Oi, cheguei ao seu blog através de um monte de outros blogs e de colegas blogueiros - como a Camila, na Noruega - q me me indicaram, eu gostei e to seguindo. :)

Sobre o WTF? q vc perguntou, acho que (pelo menos no Rio) uma expressão parecida seria (pra ficar no palavriado) "Que (ou "Maquê" rs) p¤rra/merd¤ é essa!?" A entonação varia com o grau de surpresa...rs. Mas "Näo acredito" passa tb...rs


Abraços do freezer finlandês.

Mariana. disse...

'cê tá brincando??' também seria uma expressão equivalente a WTF?

Bruno Stern disse...

Eu tinha pensado na mesma expressão que o Léo.

Pensando na primeira pergunta, se eu fosse casado com uma mulher podre de rica eu não faria a menor questão de trabalhar(é claro que ia ter que andar na linha).
Talvez abrisse um bar para reunir com os amigos.

Valdir Fiorini disse...

Desde que eu li "O direito à preguiça" do Lafargue eu perdi meu constrangimento por não gostar de trabalhar, mas declarar que "jogo xadrez" está além de minha imaginação.

É possível ganhar qualquer quantidade de dinheiro jogando xadrez no Brasil sem ser um grande mestre internacional?

Eu gasto umas 5 horas por dia fazendo um blog que, em 2 anos, já me deu vários inimigos e nenhum centavo. Xadrez é melhor?

P.S.: Eu até que jogo razoavelmente.

Amanda disse...

Oi Lolita! Essa coisa de uma pessoa depender da outra financeiramente é muito perigosa. Todo mundo acha que vai ficar pra sempre junto e tal, mas a gente sabe que não é assim. E o pior é quando a relação começa a azedar e a mulher (geralmente é a mulher) não pode cair fora porque não tem como se sustentar, dai é obrigada a engolir muita humilhação.

Alias, acabei de fazer um post sobre essa volta ao lar. Li o livro novo da feminista francesa Elisabeth Badinter e escrevi um pouco sobre ele la no bloguinho. Ela critica a maternidade naturalista, que esta levando as mulheres de volta à sua função mais importante na sociedade: a de ser mãe. http://portedoree.blogspot.com/2010/02/maes-indignas.html

Beijos!!

Giovanni Gouveia disse...

Quando eu era proibido de falar palavrões (na escola por exemplo), a gente dizia: "Que pomba"; depois incorporamos "orra meu" de Rita Lee...
Tenho um amigo que virou evangélico e no maior calor do debate ele sai com: "Piula, negão, assim é doda..." (antes que ache tratar-se de racismo esse 'negão', pra ele, que é militante do Movimento Negro desde sempre, todo mundo é negão, todos somos afro-descendentes)
:D

olhodopombo disse...

se o maridão so gosta de jogar xadrez e se xadrez não da dinheiro, quer dizer que ele não trabalha , de fato?

Lord Anderson disse...

Concordo com o Léo sobre a expresão mais adequada.

Sobre a questão do xadrez em Alice, ela é presente no segundo livro, No Pais do Espelho(ou Do Outro Lado do Espelho e O Que Ela Encontrou Lá), onde o caminho de Alice pelo reino imita movimentos do xadrez.

E finalmente , a questão de parar de trabalhar se tiver um conjugue rico. Olha acho que isso só seria seguro se fosse num casamento com comunhão total de bens.

Assim, na pior da hipoteses a mulher (ou o homem)poderia ao menos ficar com parte do dinheiro em caso de divorcio ou qualquer outro tipo de separação, mas com apenas um do casal controlando todo o dinheiro seria muito ariscado e injusto.

Lord Anderson disse...

AH, o velhor e popular : "Meu Deus!!!" ,seguid de olhos arregalados e expressão pasma , tb é um bom subistituto.

Maria Valéria disse...

Oi, não te conheço, comecei a ler teu blog ontem e simpatizei.

Não concordo e jamais concordaria em não trabalhar caso tivesse um marido rico( ou ele não trabalhar se fosse o inverso), mas mesmo assim, parabens pela sua coragem de dizer publicamente o que pensa.
Qto a quesito " feminilidade", vc falou tudo...to gostando de ler seus posts!
beijos

Márcia disse...

Ei, aqui em Recife, a gente diz simplesmente; "ôxe!" ou "Vôte! O que é isso!"

Giovanni Gouveia disse...

Varei!, Márcia... ;)

Marilia disse...

Lola...Vc me respondeu! Nem acreditava mais...hahaha

No segundo livro (Alice Através do Espelho), o desenrolar da história se deve a personalidade e aos movimentos característicos das peças/personagens. É muito interessante, e acredito que pra quem entende de xadrez seja mais ainda, pois as nuances de Lewis Carrol são mais captadas.

Quanto ao filme do Tim (meu diretor favoritíssimo diga-se de passagem), acredito que conterá cenas que fazem referência ao xadrez. A história é totalmente nova, quase uma continuação dos livros, mas com os antigos personagens.

Também amo o Gato de Cheshire! Já viu como ele está lindo na versão "Burton"?
Não vejo a hora do filme chegar e de vc escrever sobre ele Lola!
hahaha

beijO

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Lola,
qdo vc fala que seu marido é jogador de xadrez confesso que também fico super curiosa...
No Brasil é difícil viver com algum trabalho que não seja "convencional", como artes, esportes... Conheço algumas pessoas que conseguem viver de aulas de dança, mas parece que não é fácil... O maridão dá aulas particulares e participa de competições? As pessoas estranham muito o fato dele ter uma ocupação "não-convencional"? Um dia se puder conta pra gente como vcs se conheceram, a sua história de amor, rs, se é que ainda não contou...

Bjus e adoro seu blog!!!

Mariana. disse...

eu acho assim: se o marido ou mulher é rico de nacença, ou ganhou uma fortuna E também não precisa trabalhar, tudo bem o outro não trabalhar também.

Agora acho uma puta sacanagem se um dos dois trabalha pra valer, se rala a semana inteira, e o outro fica no bem bom. é mta folga e egoísmo, por mais que quem trabalhe diga que 'tudo bem'. Eu não teria coragem.

karina disse...

Amanda, outro dia entrei aqui comentando justamente este livro. Ainda não li, mas pretendo compra-lo amanhã. Li o post sobre ele no seu blog e não poderia concordar mais. Abraços.

Arslem disse...

Lola já contou sobre ela e o maridão. A história está num post mais antigo aí.

Masegui disse...

De cara eu entendi a expressão "what the duck?" da forma correta (WTF), mesmo sem ter visto o tal filme. E o Léo C. está certíssimo.

Quanto a trabalhar ou não a coisa é muito simples: todo mundo trabalha porque precisa, a não ser que faça uma coisa que realmente goste muito.

Estou aposentado há quase três anos e estou gostando muito de ficar só de papo pro ar... jogando xadrez e tomando birita... bão demais, sô!

karina disse...

Masegui, bão demais, sô! mineiro? confere?

Carla Mazaro disse...

Eu não gosto de trabalhar, já meu namorado adora (como é possivel?!), então eu não me importaria de não trabalhar se eu não precisasse... e qto a divisão de bens e talz, a não ser que haja um acordo pré estabelecido, a justiça interpreta todo relacionamento como comunhão parcial de bens, o que na maioria dos casos é bom, já que as pessoas costumam adquirir bens duraveis quase sempre depois de casar - eu acho.

Iseedeadpeople disse...

eu acho assim: se o marido ou mulher é rico de nacença, ou ganhou uma fortuna E também não precisa trabalhar, tudo bem o outro não trabalhar também.

Agora acho uma puta sacanagem se um dos dois trabalha pra valer, se rala a semana inteira, e o outro fica no bem bom. é mta folga e egoísmo, por mais que quem trabalhe diga que 'tudo bem'. Eu não teria coragem. [2]


E digo mais: quem se escora em marido/mulher é VAGABUNDO!!!!

aiaiai disse...

Oi lolinha,

muito obrigada pela resposta, acho que é isso mesmo, mas acredito mais no "não sei" do que no "não ia fazer nada" kkkkkk.
afinal, sempre haveria um bom trabalho a ser feito mesmo que o dinheiro não fosse o objetivo. Vejo vc, rica esposa do jogador de xadrez, dando aulas de inglês de graça para jovens de um bairro de periferia de fortaleza. Veja o quanto vc poderia ser feliz fazendo uma coisa dessas? E o maridão? Que orgulho teria da sua amada, toda linda no meio da admiração dos adolescentes!

Finalizando, queria dizer que eu to mesmo sem tempo, embora alguns de seus comentaristas achem que eu não trabalho, eu trabalho muito...e mais, ADORO. Nem consigo imaginar minha vida sem fazer o montão de coisas que faço, e ainda crio meu filho, me divirto, tenho muitos amigos, ou seja, me acho uma pessoal normal kkkkkkkkkkkkkk

só queria deixar um beijo e um agradecimento pela resposta, que achei linda!

Masegui disse...

Karina,

É craru, uai!

Rosangela Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscila disse...

Eu acho que o equivalente em Português ao WFT é "Que Porra é essa??"

:D

karina disse...

Ah, Masegui, moi aussi.

tati disse...

Minha "mãe" do intercâmbio usava a expressão "son of a gun" quando queria falar palavrão e valia tanto pra situações ruins\exclamativas quanto pra pessoas (ruins\exclamativas).
=)

Raquel disse...

Obrigada Lolaaaa!!!! Eu imaginei que fosse dificil encontrar um resposta. Eu mesma fiquei com isso na cabeca, me perguntando: afinal de contas, o que eh ser feminina? Ah! Eu tb tenho varias amigas lesbicas que sao femininas (mesmo as de cabelo curto ou sei la o que). Beijo muito grande!