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domingo, 21 de março de 2010

GLOBO CORTA FILMAÇO EM PEDACINHOS

O pênis do Viggo não passa na TV.

Oi, gente querida! Aproveitando uma folguinha na minha agenda apertada, venho aqui dizer que ontem vi Senhores do Crime. Vocês viram? Passou na Globo. Geralmente a Globo só exibe porcaria nas noites de sábado, mas vi o comercial anunciando Senhores e na hora pensei: "Preciso aproveitar! Senhores é excelente, um dos melhores Cronenbergs!". Só que eu tinha certeza que o filme seria picotado. Mais que cortado mesmo, picotado. E foi o que aconteceu.
Eu ficava imaginando como a Globo faria para (não) mostrar a cena mais famosa de Senhores, aquela do Viggo Mortensen tatuado lutando nu numa sauna. Esta cena é uma das lutas corporais mais incríveis da história do cinema, e faz todo o sentido o Viggo estar nu. Afinal, ele tá numa sauna, e seria absurdo que ele lutasse com uma toalhinha. E é explicado que os mafiosos russos gostam de se encontrar em saunas porque assim eles podem ver no corpo, graças às tatuagens, toda a importância do sujeito. Viggo é enviado pra lá pelo chefão para ser morto no lugar do filho (Vincent Cassel, de Irreversível, talvez mais conhecido por ser marido da Monica Bellucci). Ele é alçado à categoria de capitão na noite anterior (quando é avaliado por vários mafiosos, entre eles o Michael Sarne. Quando vi o Michael ontem me lembrei do post que escrevi há dois anos. Ahn, é que na época eu e o maridão não sabíamos da existência do print screen pra copiar imagens do computador e captamos a aparição do Michael com a máquina digital mesmo. E acho que fotografamos outras coisinhas também, como um diagrama de visitas do SiteMeter. Daí o Pedrinho, aquele desalmado que me abandonou mas ainda se atreve a se auto-intitular "meu melhor fã", escreveu nos comentários: "Lolinha, por favor, diga que você não fotografou a tela do seu computador!". Foi um momento hilário, que rendeu um post espirituoso narrando os meus vastos conhecimentos cibernéticos). Depois desse parêntese imenso, é óbvio que me perdi. Onde é que eu estava mesmo? Ah, na sauna com o Viggo pelado. O filme não dá destaque ao bilau do Viggo, mas ele está lá, faz parte do cara. E a Globo decidiu castrá-lo. Pô, nem que o filme passe após a meia noite dá pra mostrar um nu masculino?! Não dá pra pelo menos seguir a cartilha de Hollywood? (A cartilha é: mostrar pênis em repouso, ganha classificação Rated R; mostrar pênis ereto, classificação Rated X, a mesma dada pros filmes pornôs, e aí o filme reduz seu público, menor de 18 anos não entra, a Blockbuster não compra, jornais não aceitam propaganda do filme - desastre financeiro total.) Pensei que a Globo cortaria a cena inteira, mas ela deixou uns pedaços. Agora, qual seria o grande problema em mostrar o Viggo nu? Eu já vi um pênis (faz tempo, mas já vi)! Juro que eu não me escandalizaria! Eu aguento! (sem falar que o Viggo nem tá bonito neste que é o melhor papel de sua carreira).
A Globo também cortou parte da cena em que o Viggo é forçado a transar com uma prostituta. E outra em que um rapaz com problemas mentais tem sua garganta cortada. Essa cena é tipicamente Cronenberg (diretor de A Mosca, Scanners, Gêmeos etc, e também
do veículo pro segundo melhor papel do Viggo, Marcas da Violência). Passam uma faca por cima da roupa, no pescoço do garoto. E, em seguida, o sangue jorra. Muito sangue. Bom, na Globo não sai nem um pinquinho.
Mas o mais chato é que eles escolheram todos os momentos errados pros intervalos comerciais. Tipo: uma cena-chave em Senhores é quando Viggo está no hospital, depois da luta na sauna. Até então achamos que ele é um psicopata como os outros. Só aí ele se revela (spoilers! Spoilers! Se vocês não viram o filme, deveriam ver. Pulem a frase seguinte): ele é um agente disfarçado, tal qual o Leo em Infiltrados. Que vida péssima essa gente tem, não? Enfim, bem nessa revelação fundamental, a Globo incluiu seu plim-plim. Como o maridão falou, "Eles devem ter aprendido com a Bandeirantes".
Mas querem ver uma
censura que não tem nenhuma explicação? Antes preciso explicar que faz tempo que não via Senhores, então, de repente, posso até estar enganada. Mas acho que não. Tenho quase certeza que não estou inventando. Numa das últimas cenas (não é exatamente um spoiler), o Vincent beija o Viggo na boca. O Vincent, afinal, interpreta um homossexual num dos piores lugares para ser gay (numa organização mafiosa. O segundo pior lugar deve ser no BBB 10, ao lado do Dourado). A atração que o Vincent sente pelo Viggo é palpável, mas ele não pode admitir, tem que continuar no armário pra sempre. Nesse momento de emoção intensa, ele confunde o carinho do Viggo por algo carnal, e o beija. E o Viggo delicadamente o afasta (não pode ser que eu esteja inventando tudo isso, pode?). Pois bem, como é que a Globo corta essa cena? Não tem violência, não tem nudez, não tem sexo. É só um homem beijando outro homem! E ficou de fora da TV. Em seguida, o Viggo beija a Naomi Watts, mas isso a Globo não corta, porque é o padrão heteronormativo, né? Pffff.
Meu recadinho pra Globo:
Ah, algum dia eu filmo o maridão imitando o Viggo nesse gesto de "tô de olho em você, e você corre risco de vida". Ele ainda inclui um movimento de garganta cortada e enforcamento, só pra reforçar a ameaça. É impagável. Quase melhor que um Viggo nu.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

CRÍTICA: SENHORES DO CRIME / Um senhor filme sem exploração

Tenho certeza que a maior injustiça do Oscar 2008 não foi ter deixado “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” e “Persépolis” de fora da disputa pra filme estrangeiro, ou a musiquinha grudenta e fofa “Pop! Goes My Heart” (de “Letra e Música”) sem chance de concorrer à melhor canção. Não. Foi ter renegado o excepcional “Senhores do Crime” a uma única indicação (melhor ator). Não consigo entender essas coisas direito: como que obras tão meia-boca como “Juno” e, menos, “Conduta de Risco”, entram na competição dos melhores filmes, e “Senhores”, não? Meu primeiro palpite é que este drama estreou cedo demais nos EUA, em setembro, e os votantes do Oscar não têm memória pra produções que vieram antes de dezembro. Outro palpite tem a ver com o nu frontal numa das cenas mais memoráveis de “Senhores”. Os velhinhos da Academia não aprovam essa pouca vergonha.

Agora que revi “Marcas da Violência” e gostei mais ainda, noto que ele deve ser visto junto com “Senhores”. Quando David Cronenberg lançou “Marcas”, vários críticos reclamaram que o diretor canadense havia virado mainstream, que seus filmes tinham ficado mais acessíveis (como se isso fosse um crime capital! É que às vezes a lógica é assim: com uma obra complicadíssima, eu, crítica, posso elucidar meus leitores e exibir minha sabedoria). É verdade que agora o David não mostra mais um James Wood tocando uma fita de vídeo no estômago, como em “Videodrome”, ou o James Spader transando entre os destroços de um acidente de carro, como no insuportavelmente chato “Crash” (taí um exemplo de filme cabeça que muitos críticos gostam, porque precisam decifrá-lo pro público – ahn, que público?). Só que na realidade não é bem assim. As realizações mais atraentes do Cronenberg, como “A Hora da Zona Morta” e “Gêmeos, Mórbida Semelhança”, também são bastante padrão (e venhamos e convenhamos, “Scanners” e “A Mosca” estão acima da média). No entanto, de alguma forma, vemos claramente que “Marcas” e “Senhores” são da autoria do Cronenberg, apenas com um roteiro mais linear. E, claro, vamos ficar chocados com cenas asquerosas. Só que, ao contrário dos primeiros trabalhos do diretor, como “Filhos do Medo” (“Brood”) e “Enraivecida na Fúria do Sexo” (“Rabid”), desta vez nada é gratuito.

“Senhores” começa com um barbeiro amigavelmente cortando o cabelo de um cliente em Londres. Em seguida chega um outro homem e ambos passam a cortar sua garganta. O sangue esguicha. É um jeito interessante de abrir uma história, porque é totalmente imprevisível, como será todo o resto. Logo seremos apresentados a uma das protagonistas, a parteira interpretada pela Naomi Watts (“King Kong”). Ela recolhe o diário de uma prostituta de 14 anos que morreu após dar a luz a um bebê. Os segredos devem ser enterrados com os mortos, afirma o tio racista da Naomi. O diário é desolador e relata um inferno de exploração sexual, de como a menina foi tirada de uma vila na Rússia e levada pra Londres pra lá viver dopada e servir de escrava sexual, sem nenhuma chance de fuga. Sem querer, Naomi mergulha na máfia russa. E assim conhecemos o outro protagonista, um faz-tudo do crime vivido brilhantemente pelo Viggo Mortensen. É adorável como a montagem traça paralelos pra unir dois personagens tão distantes. Por exemplo, a Naomi usa seu secador de cabelos pra função óbvia, secar os cachos. O Viggo o usa pra descongelar cadáveres antes de mutilá-los, pra dificultar sua identificação.

Lá pela metade “Senhores” dá uma de “Psicose”, relega sua protagonista original, a Naomi, a segundo plano, e centra-se no Viggo. A sequência da sauna é uma das mais originais e bem coreografadas dos últimos tempos. Ajuda que o Viggo esteja completamente nu (como disse uma leitora, “mostrou o bumbum, merece meu voto pra melhor ator” - e ela não viu nada ainda!), pois dá um clima de maior vulnerabilidade. O sangue, as facadas, os murros, o medo de castração, tudo parece mais real. E que outro diretor filmaria uma cena de ação com alguém pelado? Só o Cronenberg, e talvez o outro David, o Lynch. E o impressionante é que não há nada de gratuito. Faz total sentido que o cara esteja sem roupa. Afinal, eles estão numa sauna, e há uma explicação pra sauna ser um excelente lugar para encontros de negócios (porque dá pra ver todas as tatuagens nos corpos, e assim saber as afiliações de cada um). Não seria ridículo o Viggo lutar com uma toalha que não cai nunca? Ou a edição incluir todo tipo de objetos pra cobrir suas partes pudentas, como em “Os Simpsons”?

Se dependesse de mim, todo o elenco de “Senhores” seria indicado pro Oscar. O Armin Mueller-Stahl (de “Shine – Brilhante”) e o Vincent Cassel (marido da Monica Bellucci) estão perfeitos como coadjuvantes. E não dou a mínima que ninguém seja russo de verdade (eles tampouco são mafiosos sanguinários na vida real, são?). O final é implausível e, por isso, um tantinho fraco. Não deixe ninguém estragar as surpresas. Mas o Viggo, ah, o Viggo... Por que ele e o Cronenberg não fizeram mais filmes antes? Em “Senhores” o Viggo tem seu segundo papel mais marcante (o primeiro foi em “Marcas”). Eu quero um Viggo só pra mim! Pode ser embrulhado pra presente... com roupa.

Viggo Mortensen mostra o que pode acontecer com quem não participa do bolão do Oscar