sexta-feira, 20 de setembro de 2019

ANALISAMOS O MARAVILHOSO BACURAU

Jaírlos e eu falamos sobre Bacurau

Fazia um mês que não gravava nada pro meu canal no YouTube, o Fala Lola Fala! Por vários motivos: falta de tempo, falta de vontade, um pouco de preguiça. Mas tem vários vídeos que quero e vou fazer. Bom, assim que vi Bacurau, pensei em convidar meu amigo, ex-aluno e cineasta Jaírlos Marques (diretor de um documentário sobre mim) para que a gente pudesse falar sobre o filme. 
Por coincidência, ele entrou em contato comigo antes, se oferecendo para palestrar sobre Bacurau no meu próximo curso de extensão (como ele havia feito brilhantemente com Aquarius e Me Chame pelo seu Nome). Só que, como ele é profissional, pediu um tempinho pra arranjar uma equipe de filmagem. E no sábado passado ele e quatro amigos vieram aqui em casa com todo um equipamento especial (iluminação, som etc) pra gente filmar. Portanto, este provavelmente será o vídeo mais profissa que vc vai ver no meu canal!
Mas gente, atenção: é quase impossível analisar Bacurau sem spoilers. E, como quisemos ir mais fundo na análise, o vídeo não é recomendado pra quem ainda não viu o filme. Logo, se você não foi ao cinema ver um dos melhores filmes do ano, tá esperando o quê? Vá lá, veja Bacurau, e volte pra ver o que falamos dele. Acho que não é spoiler dizer que amamos o filme. Aqui o nosso vídeo!

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

53 ASSESSORES DO PT FICAM MILIONÁRIOS

A notícia é de ontem, mas só fiquei sabendo hoje: um grupo de 49 assessores petistas na Câmara dos Deputados (nenhum parlamentar) ganhou na mega-sena, e vai receber R$ 120 milhões já livres de impostos. 
Claro que isso é incomum e causou grande comoção na Câmara. O deputado Carlos Zarattini perguntou, rindo: "E aí, ainda tem assessor aqui?" Uma ganhadora passou mal, e o deputado federal Alexandre Padilha, que é médico, foi socorrê-la.
O grupo apostava havia dez anos, sempre que a mega-sena se acumulava. Imaginem como devem estar aqueles que não entraram bem desta vez! 
O grupo anunciou que vai ratear o prêmio para incluir quatro copeiras que sempre participavam, mas não apostaram agora. 
Tem que avisar o reaça Kim Kataguiri (DEM), que ontem à noite disse na plenária: "Quero ver se o pessoal vai socializar esse dinheiro aí ou se vai ficar só na liderança do PT". Ele podia ter dormido sem a resposta do presidente da Câmara, seu colega de partido Rodrigo Maia, que disse: "Deputado Kim, você tem que ser liberal em tudo, não dá para querer o dinheiro dos outros". 
Obviamente incluir na premiação servidoras com salário menor que deixaram de apostar não é uma atitude da direita, e esse gesto causa orgulho entre nós que somos de esquerda. Em vez de ganhar R$ 2.45 milhões cada um, com a inclusão das copeiras, cada pessoa receberá R$ 2.26 milhões, ainda assim uma bolada. Daria pra parar de trabalhar e viver de renda? Depende da idade e de quanto se gasta. 
Uma regra bastante comum internacionalmente é a dos 4%, chamada de Safe Withdrawal Rate (SWR), ou Taxa Segura de Retirada. Simplificando, uma pessoa precisa acumular 25 vezes o seu gasto anual ou 300 vezes a sua despesa mensal para ter independência financeira. Desta forma, o portfólio principal não muda e cobre a inflação. Com 2 milhões de reais, seguindo a regra dos 4%, daria pra tirar R$ 80 mil por ano (ou R$ 6,600 por mês) por uns trinta anos, sem que esse dinheiro no banco acabasse. Você pararia de trabalhar pra viver com essa renda?
De todo modo, a premiação é muito irônica (no Brasil da extrema-direita, quem ganha o bolão da mega-sena é o PT!) 
Clique para ampliar
e já gerou muitas piadas (por exemplo: Bolso vai demitir o presidente da Caixa Econômica Federal, ou filiado ao PT diz que só ganha na mega-sena quando o Temer assumir que foi golpe). Eu fiz este chistezinho no Twitter e um monte de mascus (pelo vocabulário, é mascu) veio me xingar. Um deles me chamou de "burra egoísta", imaginando, talvez, que eu fui uma das ganhadoras do prêmio e me recuso a dividi-lo com ele (acertou 50% das pressuposições). 
Mas o que a premiação mais tem gerado, óbvio, são teorias da conspiração. Acho até natural: se assessores do PSL tivessem ganhado a mega-sena, o que a gente diria? (diria que é impossível, já que praticamente todos os assessores do PSL são funcionários fantasmas que dão grande parte do salário pro chefe). 
O sempre asqueroso Weintroll
levará um processo
Um leitor me enviou alguns áudios de conversas de ontem no WhatsApp partindo de suposições e especulações. A primeira hipótese de quem suspeita da premiação é lavagem de dinheiro. A segunda é que seria uma manipulação de Moro e demais bolsonaristas pro PT ganhar, e assim usar isso contra o PT. A terceira hipótese é que o PT estaria envolvido na fraude das loterias, já que os bilhetes não são nominais. Só em última hipótese vem muita sorte (e, de fato, a chance de ganhar na mega-sena com um bilhete de seis números é de uma em 50 milhões).
Uma moça que entende do assunto respondeu a este leitor que bolões hoje são organizados pela própria casa lotérica. 
Não é mais como na época do deputado (reaça) João Alves, um dos "anões do orçamento", um dos maiores escândalos do início da década de 90. Ele "ganhou" cerca de 200 vezes na loteria, conseguindo um total de 9 milhões de dólares. Cinicamente, ele se disse um "homem de sorte". Supomos que ele comprava os bilhetes premiados e, assim, lavava o dinheiro que recebia da corrupção. 
Mas hoje, segundo essa moça, se sabe o número do bilhete e a casa lotérica onde o prêmio é feito. Fica muito mais difícil burlar. 
Assim que li a notícia, mandei um email pra Karla, assessora da Luizianne Lins, e pedi pra ela me dizer que estava no grupo que ganhou na mega-sena. Ela respondeu: "Não estou nesse abençoado e merecido grupo! É verdade, não é fake news!" Que você esteja no próximo grupo de esquerda que ganhar a mega-sena, Karla!

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

ESTADÃO REMOVEU ARTIGO PRECONCEITUOSO CONTRA AUTISTAS ASPIES, MAS AINDA NÃO SE RETRATOU

Publico com muita honra um texto de um antigo colaborador do blog: Robson Fernando de Souza, escritor, autista aspie defensor da neurodiversidade.

Desde a tarde de 6 de setembro, os leitores da seção ​Cultura do portal ​Estadão têm percebido que o blog da crítica de arte Sheila Leirner não está mais listado entre os blogs do portal, e seus artigos já não podem mais ser acessados. Correlativamente, esse blog, entre 30 de agosto e o dia da sua silenciosa extinção, continha entre seus posts mais recentes o artigo "​As trancinhas teleguiadas do 'produto' Greta Thunberg" -- que desapareceu até mesmo do cache do Google. 
Conforme relata ​matéria postada no ​Observatório da Imprensa no último dia 3​, o texto dirigia uma série de ataques pessoais à ativista ambientalista Greta Thunberg, de 16 anos, em função das características de sua Síndrome de Asperger, uma forma branda da Condição do Espectro Autista, mencionava jocosamente as feições faciais autísticas da adolescente e também sugeria que crianças e adolescentes aspies, tal como Thunberg, deveriam ser tratados de uma maneira que remete à discriminação e à negação de diversas liberdades civis. 
O conteúdo do texto de Leirner causou muita revolta entre a comunidade autista brasileira. Diversos textos o responderam de maneira direta ou implícita, tais como o artigo "​Greta Thunberg: das vozes e dos silêncios", assinado por diversas profissionais de saúde e professoras e publicado no site do jornal ​El País, e a matéria "​Ódio a Greta Thunberg está relacionado a masculinidade tóxica, patriarcado e negacionismo climático", postado por Juliana Aguilera no site ecofeminista e vegano ​Modefica
Provavelmente em virtude da desastrosa repercussão, o artigo de Leirner foi retirado do ar, juntamente com o blog inteiro, mas até o momento nenhuma razão foi oficialmente informada ao público pelo ​Estadão. Como o portal tem mantido silêncio público em relação ao caso do texto, as razões da súbita deleção do blog que o hospedava ainda são um incômodo mistério para muitos leitores assíduos, provavelmente a maioria, da seção ​Cultura. 
Diante disso, diversos autistas militantes e familiares de autistas têm incentivado, ou compartilhado os incentivos, que o máximo possível de pessoas, sejam neurodiversas ou aliadas neurotípicas, envie e-mails à editoria do ​Estadão cobrando um posicionamento público. Segundo algumas das postagens com essa demanda nas redes sociais, o portal precisa esclarecer à sua audiência por que o blog de Leirner desapareceu e qual o posicionamento do Grupo Estado sobre o artigo "​As trancinhas teleguiadas", assim como deve pedir desculpas públicas e oficiais à comunidade autista, aos demais leitores que se sentiram ofendidos com o texto e à própria Thunberg, pelos sete dias em que o texto ficou no ar. 
Relatos de autistas militantes complementam que a demandada nota pública, entre outros benefícios mútuos, “lavará a alma” da categoria neurodiversa e de suas famílias; trará mais visibilidade à defesa da neurodiversidade, dos Direitos Autistas e da aceitação do autismo; representará a reiteração do compromisso do Grupo Estado em defender os Direitos Humanos e as liberdades civis de todos os brasileiros dos ataques do autoritarismo ideológico; remediará os danos causados pelo artigo preconceituoso à imagem institucional da empresa e colocará um feliz ponto final na angústia de leitores autistas que alegaram ter passado mal por causa do conteúdo discriminatório do texto retirado do ar.
Greta sobre Asperger: "superpoder"
Porém, desde o fim de semana até o momento, segundo informações, o ​Estadão não tem respondido aos e-mails que demandam retratação e esclarecimento, nem atendido às tentativas de ligação telefônica aos setores que poderiam prestar informações não sigilosas sobre o caso do artigo, o que tem causado indignação e a sensação de que a vitória do movimento autista sobre o texto capacitista que atacava Greta Thunberg foi apenas incompleta.
"A comunidade autista não dormirá sossegada enquanto não tiver a devida comprovação de que o lamentável caso do texto está sendo tratado com a devida justiça", diz um autista ativista que prefere não se identificar. Ele complementa: "Continuamos aguardando resposta, e demandando-a, de modo que no mais breve possível nos livremos dessa pedra no sapato psicológica e enfim encontremos nossa paz."

terça-feira, 17 de setembro de 2019

E QUANDO O PRÓPRIO GOLPISTA ADMITE QUE IMPEACHMENT DE DILMA FOI GOLPE?

E não é que ontem no Roda Viva o maior fantoche do golpe de 2016, Michel Temer, chamou o impeachment de Dilma de golpe, como nós sempre chamamos?
Lógico que o vampirão, ardiloso como sempre, negou o seu papel no golpe. Disse sem corar que "jamais apoiou ou fez empenho pelo golpe", o que todo mundo sabe que não é verdade. Opinou também que, se Lula tivesse assumido a Casa Civil em março de 2016 e virado ministro, as articulações para remover Dilma não teriam acontecido, pois Lula tinha "bom contato" com o Congresso. 
Lula, aliás, só não foi ministro porque Sérgio Moro divulgou ilegalmente um grampo de uma conversa gravada pela polícia. Se já foi estranho um juiz de primeira instância mandar espionar uma presidenta, espalhar a gravação (quando o prazo da gravação já havia acabado), entregando-a em primeira mão para a Globo, fugiu de qualquer padrão aceitável. 
Moro e os procuradores sabiam disso muito bem (como revelado pelas conversas do Vaza Jato), e imaginavam que haveria punição. Não houve. Sinal verde para o golpe, aquele do "Com o Supremo, com tudo". 
Que vergonha, Brasil! Esse tipo de comportamento é tão típico de republiqueta... 
Faz três meses que o Intercept Brasil publica as conversas vazadas de Moro e procuradores, que agiram em flagrante ilegalidade para tirar Dilma, prender Lula, e colocar a direita no poder. E nada acontece. Em qualquer país sério do mundo, Moro já teria sido demovido do cargo de ministro (aliás, num país sério um sujeito que participou ativamente para que o principal adversário do presidente não pudesse concorrer jamais seria ministro), Lula já teria sido libertado, e as eleições de 2018 já teriam sido anuladas. Mas aqui é o Brasil, país do vale tudo, da terra arrasada, de tantos golpes de Estado. 
Ontem o Globo pediu desculpas a Heloisa Bolsonaro, esposa de Dudu, pela reportagem (altamente elogiosa) da revista Época sobre ela (a cúpula da revista se demitiu/foi demitida por causa disso). Quantas décadas vai demorar pra Globo pedir desculpas ao país pelo golpe de 2016? Levou 49 anos pra Globo admitir, em editorial de 2013, que apoiou o golpe militar de 1964 e que este apoio foi um erro. Será que, daqui a mais meio século, o grupo da família Marinho se convence de que promover o golpe de 2016 também foi errado?
Provavelmente não, pois, como lembrou o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), se não fosse este golpe, não haveria "fim da CLT, prisão de Lula, entrega do pré-sal, eleição de Bolsonaro, privatização da BR Distribuidora, destruição da previdência, gasolina a R$ 5, fim do PAC e do Minha Casa Minha Vida". Todas bandeiras apoiadas pela mídia. 
Agora que se sabe que Paulo Guedes e demais capangas mentiram sobre os números da previdência, vemos que "o plano engendrado em Brasília aumenta a desigualdade, sacrifica os mais pobres, entrega o filão das aposentadorias mais bem remuneradas aos fundos e bancos privados, quebra municípios pequenos com economia movimentada principalmente por dinheiro dos aposentados". Quando as estatísticas comprovarem que a reforma não melhorou a economia e apenas ajudou a aumentar a desigualdade social, haverá algum pedido de desculpas?
Muita gente anda dizendo que uma das responsáveis pelo golpe, a agora deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP), também admitiu que houve golpe ao tuitar: "Alguém acha que Dilma caiu por um problema contábil?" Mas Janaína já voltou atrás e sua opinião é irrelevante. 
Ninguém minimamente inteligente acredita que o golpe ocorreu para punir as pedaladas fiscais (que ninguém nem sabe o que é). Mas a opinião do golpista Temer vale porque ele foi um dos principais beneficiários do golpe. De que outra maneira Temer viria a ser presidente, se não fosse através de um golpe? De que outra maneira Temer ainda não estaria preso, se não fosse a recompensa pelo golpe?
Não se pode esperar absolutamente nada do Supremo ou do Congresso. Só quem pode alterar este rumo de autodestruição escolhido pelas elites é o povo na rua. E povo, infelizmente, parece mais adormecido em berço esplêndido do que nunca. Até quando, Brasil?

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

QUER SABER O GÊNERO DE UMA PESSOA? PERGUNTE A ELA

Reproduzo o ótimo texto sobre ideologia de gênero que o sempre fantástico Dráuzio Varella publicou ontem na Folha

Mal começamos a entender a diversidade sexual humana, vozes medievais emergiram das catacumbas para inventar a tal “ideologia de gênero”.
Como nunca vi esse termo mencionado em artigos científicos nem nos livros de psicologia ou de qualquer ramo da biologia, fico confuso.
Suponho que se refiram a algum conjunto de ideias reunidas por gente imoral, para convencer crianças e adolescentes a adotar comportamentos homossexuais. Será que devo a heterossexualidade à inexistência dessa malfadada ideologia, nos meus tempos escolares? Caso existisse, eu estaria casado com homem?
Embora disfarcem, o que esses moralistas de botequim defendem é a repressão do comportamento homossexual que, sei lá por que tormentos psicológicos, lhes causa tamanho horror.
Para contextualizar a coluna de hoje, leitor, não falarei de aspectos comportamentais ou culturais, resumirei apenas alguns fenômenos biológicos ligados à sexualidade, uma vez que a diferenciação sexual é fenômeno de altíssima complexidade em que estão envolvidos fatores hormonais, genéticos e celulares.
Até a quinta semana de gestação, o embrião é assexuado. Só a partir da sexta semana é que as gônadas começam a se diferenciar. Se houver desenvolvimento de ovários, eles secretarão predominantemente estrogênios; se forem testículos, a produção predominante será de testosterona. Digo predominante, porque pelo resto da vida homens também produzirão estrogênios; e mulheres, testosterona, embora em pequenas quantidades.
Variações nesse delicado equilíbrio hormonal modificam os caracteres sexuais secundários, a anatomia dos genitais e o comportamento sexual.
Por outro lado, o conceito de que o sexo seria definido pela presença ou ausência do cromossomo Y é uma simplificação. Muitas vezes, os cromossomos sexuais não se distribuem igualmente entre as células do embrião. Da desigualdade, resultam homens com células XX em alguns órgãos e mulheres com cromossomos XY.
Talvez você não saiba, caríssima leitora, que fetos masculinos liberam células-tronco XY que cruzarão a placenta e se alojarão até no cérebro de suas mães, para sempre.
Quando a genética é levada em conta, as fronteiras sexuais ficam ainda mais nebulosas. Há dezenas de genes envolvidos na anatomia e na fisiologia sexual. A multiplicidade de interações entre os dominantes e os recessivos torna mais complexa a diversidade sexual existente entre homens, bem como entre mulheres, e faz surgir áreas de intersecção que tornam problemático para algumas pessoas definir sua sexualidade dentro dos limites impostos pela ordem social.
Como deveríamos então definir o sexo de cada indivíduo? Pelo binário dos cromossomos XX e XY? Pelos genes, pelos hormônios ou pela anatomia genital? O que fazer quando essas características se contrapõem?
Segundo Eric Vilain, diretor do Centro de Biologia Baseada em Gênero, na Universidade da Califórnia: “Na falta de parâmetros biológicos, se você quiser saber o sexo de uma pessoa, o melhor é perguntar para ela”.
Esses conhecimentos passam ao largo de grande parte da população. Para muitos, a homossexualidade é uma opção de gente sem vergonha. Repetem esse absurdo porque são ignorantes, sem a menor noção das raízes biológicas e comportamentais da sexualidade.
O argumento mais elaborado que conseguem usar como justificativa é o de que a homossexualidade não é fenômeno natural. Outra estupidez: relações homossexuais têm sido documentadas pelos etologistas em todas as espécies de mamíferos, e até nas aves, únicos dinossauros que sobreviveram à catástrofe de 62 milhões de anos atrás.
Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade se impõe. Não é nem pode ser questão de escolha. É possível controlar o comportamento, mas o desejo sexual é água morro abaixo.
Nos dias assustadores em que vivemos, em que os boçais se orgulham das idiotices que vomitam com ares de sabedoria, vários demagogos se apropriaram do preconceito social, para criar a tal “ideologia de gênero”, com o pretexto de defender a integridade da família brasileira. 
Partem do princípio de que assim ganharão mais votos, uma vez que os iletrados são maioria num país de baixa escolaridade, infelizmente.
Mandar recolher livros e disputar a primazia do combate a essa ideologia cretina e sem sentido é apenas uma demonstração de arrogância preconceituosa tão a gosto dos pobres de espírito.

domingo, 15 de setembro de 2019

DOMINGO COM BOM HUMOR

Em apoio à exposição de charges que foi censurada pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre (porque no Brasil de hoje não se pode mais zoar de governantes), coloco aqui três charges incríveis (sem relação com a exposição, que eu saiba).
Este cartum da sempre genial Laerte se refere a Bolso ter retuitado uma mensagem de um bolsominion que disse que o presidente Macron teria inveja dele por causa de Micheque
(que é 27 anos mais jovem que Bolso, enquanto Brigitte é 24 anos mais velha que Macron. Na sociedade machista que vivemos, em que mulheres são vistas como troféus de homens poderosos, é aconselhável que caras se casem com mulheres mais novas, mas homem se relacionar com mulher mais velha -- jamais!). Diante da repercussão internacional do comentário misógino do presidente do quinto maior país do mundo, Bolso, covarde que é, apagou o tuíte e mentiu que seu "não humilha cara. kkkkk" era uma repreensão ao seu seguidor. 
Pra piorar a situação, Paulo Guedes, o mais poderoso sinistro do governo, disse numa palestra que Brigitte "é feia mesmo". A filha de Brigitte, a advogada Tiphaine Auzière, lançou a campanha "Denuncie seu misógino". Brasileiras criaram a hashtag #DesculpaBrigitte. Recomendo a matéria "Por que todo homem se acha no direito de comentar a aparência de uma mulher?"
Este cartum dispensa contextualização (se bem que reaças não entendem nada mesmo).