sexta-feira, 13 de maio de 2022

EX-SINISTRO CRIA IRMÃO GÊMEO PARA BOULOS

Na quarta à noite, o deputado federal (MDB-RS) Osmar Terra, ex-sinistro do governo Bolso, que por muito pouco, com seu negacionismo a toda prova (apesar de ser médico!), não foi nomeado sinistro da Saúde, lançou uma fake news das mais exóticas (veja acima).

Osmar não gostou do resultado da pesquisa Quaest/Genial, que dava 46% das intenções de voto pra Lula e 29% pro seu chefe. Então ele pegou uma foto de Manu e Boulos e escreveu: “Para quem não conhece, este é Felipe Nunes, o Diretor da Quaest, Que fez pesquisa eleitoral para Presidente, publicada hoje 11/05/22. Ela dá ampla vantagem a Lula… É possível acreditar na isenção?”

Todo mundo que leu o tuíte ficou mais confuso do que quando se depara com alguma mensagem do Carluxo. Como assim, o Boulos é o Felipe?! E eu pensava que Guilherme Boulos fosse super famoso!
Um reaça tentou avisar Osmar: "Esse é o Boulos! Esse Felipe está no fundo da foto ministro?" (bolsonarentos devem achar pontuação coisa de comuna). Osmar respondeu: "Não. É parecido, mas é o Felipe, segundo publicação da rês [Quem é rês? Tem a ver com gado?] Compare com essa outra foto", e aí colocou uma foto de um cara que talvez seja o Felipe, se alguém que já tenha visto o desconhecido Felipe puder confirmar.

E continuamos não entendendo nada! Se eles são parecidos, eles são o mesmo cara?! E quem é aquela moça ao lado do irmão gêmeo do Boulos, a diretora do Vox Populi?
Boulos, que conta com uma assessoria incrível no Twitter, mandou um recadinho pro deputado: "Prezado Osmar Terra Plana, não me chamo Felipe nem sou diretor de Instituto de Pesquisa. Melhore!"

Ainda assim, a fake news permaneceu no ar durante mais de 24 anos. E se eles fazem isso com gente famosa, imagina o que não fazem com desconhecidos? O bolsonarismo só sobrevive à base de mentiras.
Só hoje o sinistro decidiu se desculpar. Quer dizer, do jeito que reaças se desculpam -- atacando os outros, sem reconhecer que fez algo de errado, e insistindo na mentira: "Acabei de descobrir pelas redes esquerdistas que o Boulos não é o Felipe Nunes, e até não sei a quem pedir desculpa, embora possam parecer farinha do mesmo saco. Apaguei o post antes que alguém desmaie de histeria!"

Já disse e repito: ser reaça é nunca ter que pedir desculpas.

Mas olha, desde que sinistros parabenizaram Bolso pela capa falsa na revista Time a gente não via um bolsominion passar tanta vergonha em público.
(Mentira! A gente vê todo dia).

quarta-feira, 11 de maio de 2022

POR QUE A CÂMARA DE CURITIBA QUER CASSAR O VEREADOR NEGRO RENATO FREITAS?

Renato Freitas (PT) é um dos poucos vereadores negros na história da Câmara de Vereadores de Curitiba. E está pra ser cassado. Ontem, o Conselho de Ética da Câmara aprovou sua cassação por quebra de decoro.
No dia 5 de fevereiro o Coletivo Núcleo Periférico promoveu um ato antiracista. Ativistas se reuniram no Largo da Ordem, em Curitiba, em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário de São Benedito, para protestar contra o bárbaro assassinato de dois negros, Durval Teófilo Filho e o congolês Moïse Kabagambe. Durante o ato, eles entraram na igreja.
Um detalhe: essa igreja foi construída por escravos para os negros, tanto que é conhecida como Igreja do Pretos. Fica próxima ao pelourinho, onde os negros eram açoitados em Curitiba. Como pergunta a designer Suiane Cardoso, "A direita afirmar que manifestantes negros entrando em uma igreja é uma invasão é o que?"
A extrema-direita pegou o caso e o divulgou, com todas as mentiras que são sua principal característica, para todo o Brasil. O Gazeta do Povo, um dos jornais mais retrógrados do país, fez um carnaval em cima disso. Renato pediu desculpas, disse que era cristão e que não quis ofender a fé da ninguém. Em nota, disse também: "Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil".
Na época, a Arquidiocese de Curitiba registrou boletim de ocorrência contra Renato. Mas agora a própria Arquidiocese diz não ver motivo para a cassação de mandato.
Ontem houve um ato em frente à Câmara de Curitiba em defesa do Renato. Uma hashtag, #RenatoFica, circula há dias. Ainda assim, haverá escapatória para o vereador? Por que não? Reproduzo o ótimo artigo do jornalista Rogerio Garlindo, do Plural.

Por que a Câmara de Curitiba vai cassar Renato Freitas? Punir um colega vai contra tudo que os vereadores da cidade acreditam – e no entanto, ficou claro que dessa vez não há escapatória. Derrotado no Conselho de Ética, Renato provavelmente sofrerá um resultado ainda mais humilhante em plenário. Perderá não só o mandato como os direitos políticos. Não exercerá mais o cargo para o qual foi eleito, nem poderá disputar as eleições de outubro.
Mas por quê? A Câmara de Curitiba é conhecida por seu corporativismo: teve todas as oportunidades para cassar mandatos, e sempre recuou. Um presidente que mandou por 15 anos a Câmara com mão de ferro foi pego em um escândalo milionário – não foi cassado. Vereadoras foram pegas fazendo rachadinha em seus gabinetes – não foram cassadas. Um vereador cometeu assédio sexual – não foi cassado. Outro cometeu racismo explícito – e escapou.

Por que Renato Freitas não escapará? Por que pela primeira vez a Câmara decide que é preciso punir como máximo rigor um de seus pares. Uma vereadora que roubou o erário perdeu apenas o direito de falar ao microfone por uns dias. Renato Freitas será cassado, expulso da Câmara, expelido da vida política de Curitiba – será enxotado como um cão indesejado que entrasse pela porta da Câmara. Por quê?
Há motivos para isso, e não são difíceis de se perceber. Renato Freitas é vereador, e aí acaba toda a semelhança entre ele e seus pares julgados anteriormente. Em todo o resto ele é uma exceção. E ser fora do padrão é seu crime.
O primeiro erro de Renato Freitas foi nascer preto. O segundo foi nascer pobre. O terceiro foi nascer na periferia.
Claro, há outros vereadores negros (poucos). Há quem tenha nascido pobre, e sempre há os representantes da periferia. Mas Renato Freitas é diferente dele também. Porque há outros crimes que o levam a ser alvo dessa cassação.
Ao contrário de outros vereadores negros, ele é um dos dois únicos que fez da raça a causa de seu mandato – a outra é Carol Dartora, e não seria de se espantar se ela for a próxima.
Ao contrário de outros vereadores pobres, Renato Freitas fez da defesa dos pobres um motivo de seu mandato. Não usou seus eleitores para trocá-los por emendas, por cargos e privilégios, e sim realmente tentou mudar suas vidas.
Ao contrário de outros vereadores periféricos, Renato Freitas continuou estando à margem: fez questão de manter seu cabelo afro, para horror da Câmara; e para horror da Câmara, veste camiseta, anda de skate, fala como quem é.
Esse é o quarto crime de Renato – não ter mudado depois da eleição, nem ter decidido que a política era algo que deveria mudar sua vida. Muito pelo contrário, ter tomado a decisão de ser quem é e de usar a política para mudar a vida de seus eleitores.
O quinto crime de Renato Freitas foi achar que não era preciso baixar a cabeça. Que chegando à Câmara seria possível ser encarado como um igual. Isso jamais acontecerá. No mandato, foi chamado de moleque, destratado, detido, preso, arrastado, levado à força pela Guarda Municipal, que subiu em seu corpo negro e algemado, como numa pintura do século 18.
O sexto crime de Renato foi acreditar que a Câmara era um lugar para se fazer política, para lutar por causas, e não para se dobrar ao prefeito, aos empresários, aos donos da cidade.
O sétimo foi sua convicção de que uma cidade pode mudar rapidamente, que é possível convencer as pessoas de que é possível viver sem se sujeitar a regras econômicas injustas, que é dever de um político se rebelar contra o que vê de errado.
O crime de número oito foi ter orgulho. O de número nove foi não ter medo.
Mas o décimo crime, o realmente imperdoável, foi o de revelar com sua coragem o quanto são pusilânimes os vereadores em sua maioria. Aqueles que se elegem em nome da ambição pessoal; que se realizam ao ganhar loas e cargos; que vivem para si e para navegar em privilégios; e que jamais pensaram em mudar nada com seus mandatos. Pelo contrário: pois na maioria os vereadores de Curitiba, como a maior parte dos políticos, existe para garantir que tudo permaneça exatamente como está.
Existem para garantir que os pobres continuem pobres.
Que o prefeito possa governar para os privilegiados sem que haja uma revolta.
Existem para garantir que a educação seja frágil e “sem partido”.
Para ter certeza de que a ganância dos empresários do lixo, do transporte, da saúde seja saciada e passe impune.
Ocupam seus mandatos para ser parte de uma máquina que garante a divisão da cidade em mandantes e mandados. Nos que podem tudo e nos que nada podem.
Revelar essa monstruosidade, revelar a cumplicidade da Câmara com tudo isso, é imperdoável. Lutar contra o racismo quando a maioria dos vereadores é racista; cobrar justiça quando a maior parte da Câmara é injusta; exigir que as coisas mudem quando tudo o que os vereadores querem é que tudo permaneça no seu lugar, principalmente o que está errado; eis o crime imperdoável.
Renato Freitas será expulso da vida pública. Mas surgirão outros Renatos. Porque não é possível que isso permaneça para sempre. É preciso acreditar que as injustiças não perduram indefinidamente, ou perderemos a vontade de ser cidadãos.
A Câmara de Curitiba nos ensinou mais uma vez a eterna lição: não existe mudança que venha fácil. Mas os eleitores jovens, negros, pobres, periféricos de Curitiba ainda vão prevalecer. E nesse momento, os atuais vereadores vão ser vistos pelo que são – artífices voluntários de uma cidade sempre mais injusta e excludente.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

SERIA MARAVILHOSO SE LULA GANHASSE JÁ NO PRIMEIRO TURNO

Pelas pesquisas atuais (que são um retrato do momento, e que pode mudar), Lula está a menos de 2% para ganhar as eleições de outubro já no primeiro turno. Em outras palavras: ele tem mais de 48% dos votos válidos, enquanto seus adversários, somados, contam com 52%.
Em todas as eleições que disputou, e nas duas que venceu, Lula nunca ganhou no primeiro turno. Nem sua sucessora, Dilma. Sempre foi no segundo turno.
Mas agora é diferente. Depois de ser governado pelo pior presidente de sua história (que, pela primeira vez desde o Plano Real, deixará o salário mínimo valendo menos que quando entrou), o Brasil precisa urgentemente se reconstruir. Precisa deixar o fascismo pra trás e combater o rastro de destruição e miséria que Bolsonaro deixa como legado.
O fascista vem deixando claro, desde que assumiu, que não vai sair do poder. Todo mês promete um golpe, e as instituições não fazem nada em relação a essas ameaças contra a democracia. As Forças Armadas, covardes e aparelhadas com picanha e Viagra, se calam. Lula ganhar no primeiro turno poderia ser uma pá de cal nessas ambições golpistas.
Aí eu vejo uma influencer de esquerda dizendo que a hora é de um voto radical de protesto contra Lula e Bolso no primeiro turno... Como é possível tamanha alienação? A hora é se livrar do fascismo o quanto antes, garantindo a vitória de Lula já no primeiro turno.
Reproduzo o artigo que o jornalista Alex Solnik publicou no Brasil247.

Assim como, quase três meses depois do início, ainda se discute, no Brasil, se o culpado pela guerra é a Rússia ou a Ucrânia, continua rolando a discussão se vai ou não vai ter golpe.
Está ficando tão normal ouvir e falar de golpe que, se acontecer, ninguém vai estranhar.
Há os que têm certeza que vai ter. Como o ombudsman da Folha de S. Paulo.
E outros, que já teve e só eles perceberam.
Mas ninguém diz o óbvio: golpe de estado é o maior crime contra um país.
Quem ameaça com golpe está se auto-incriminando. Quem tentar dar golpe tem que ter certeza que vai dar certo, porque se der errado, é cadeia. Uma longa temporada na cadeia. Seja para civis, seja para militares.
Como nós, os civis, não temos tanques para enfrentar um golpe de estado, e denunciar, por si só, não vai resolver nada, só temos uma coisa a fazer: eleger Lula no primeiro turno.
Somente uma vitória por larga margem, e no primeiro turno, vai impedir qualquer discurso de fraude. Somente uma vitória no primeiro turno vai impedir o clima de salve-se quem puder que será instaurado pelo atual ocupante do Planalto e seus truculentos seguidores.
Por isso é urgente colocar na rua a campanha “Lula Já!”, convocando todos os que não são bolsonaristas -- Doria, Simone Tebet, Ciro Gomes -- a aderir ao único candidato que, segundo todas as pesquisas, ganha de Bolsonaro no primeiro turno.
E cuja eleição não deixará dúvidas de que daqui a quatro anos teremos novas eleições diretas. E então Doria, Simone, Ciro poderão tentar de novo.
Essa é a vacina contra o golpe.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

MILICO NÃO TEM NADA QUE DAR PALPITE

Ótimo cartum do Jota Camelo

Ontem numa daquelas lives direto do bunker que o vagabundo da república faz desde a campanha de 2018, Bolso ameaçou a democracia novamente ao dizer que as Forças Armadas não serão apenas espectadoras das eleições.

Trata-se de mais um entre os inúmeros avisos de que o excrementíssimo planeja um golpe se perder em outubro. Ao lado dele estava quem parece ser um cadáver insepulto em adiantado estado de decomposição.

A parte progressista do Twitter reagiu com a tag #Milico Não Dá Palpite.

Mas a resposta mais adequada a essa bravata ainda me parece ser a dos jovens numa escola gritando em coro: "Ei Bolsonaro, vai se f*dê, a juventude não tem medo de você".

quinta-feira, 5 de maio de 2022

SUPREMA CORTE QUER DERRUBAR ABORTO SEGURO NOS EUA, QUE EXISTE HÁ 49 ANOS

"Como uma garota, espero um dia ter tantos direitos quanto uma arma", diz manifestante

Anteontem aconteceu o que pareceu com um terremoto nos EUA. Vazou o rascunho de uma provável decisão da Suprema Corte dos EUA que reverteria o Roe vs Wade, uma jurisprudência que existe desde 1973 e que permite o aborto.

Se isso realmente acontecer, será um pesadelo para as mulheres americanas, que há quase 50 anos têm acesso ao aborto seguro na maior parte do país. Legisladores estaduais poderão até proibir a interrupção da gravidez em todos os casos (inclusive em gravidez que resulta de estupro e naquelas em que a gestante corre risco de morrer se prosseguir). 

Ninguém imaginava que, nos EUA depois de Trump, as mulheres perderiam um direito conquistado a duras penas há quase meio século. Pensavam que o pior já havia passado. Mas o misógino conseguiu deixar raízes e formou um Supremo conservador, que nem Bolso tenta fazer aqui. Na contramão de países como Colômbia, Argentina, México e Chile, os EUA planejam um retrocesso gigantesco nos direitos reprodutivos

É verdade que, nos últimos anos, os conservadores conseguiram restringir cada vez mais o direito ao aborto em vários estados, principalmente aqueles do Sul. Por enquanto o Texas é o pior deles, mas aguarda-se uma decisão do Oklahoma que pode banir o aborto em todos os casos (exceto em risco da gestante) naquele lugar. E por que as mulheres (e também homens trans) abortam?

No Texas, que tem aprovado os maiores retrocessos em relação ao aborto, uma pesquisa revelou que as texanas abortam por esses motivos: 40% porque não têm recursos financeiros, 31% porque têm um companheiro abusivo ou que não as apoia, 29% já têm filhos, 20% acham que ter um filho iria interferir com seus planos educacionais ou de trabalho, 19% citam motivos emocionais ou mentais, 12% citam motivos de saúde física, e 12% gostariam de oferecer uma vida melhor ao bebê do que elas podem providenciar.

Pesquisas mostram que a maior parte dos americanos é a favor da legislação como ela está agora. Apenas 10 a 15% creem que aborto deveria ser proibido em todos os casos. Numa pesquisa da rede CNN de janeiro, 69% dos entrevistados foram contra derrubar a jurisprudência do famoso caso Roe vs. Wade. 30% eram a favor. Não preciso nem dizer que Roe não marca quando as mulheres começaram a abortar. Roe marca quando as mulheres pararam de morrer ao abortar.

Legalizar o aborto é uma questão de saúde pública. A criminalização mata as pessoas mais vulneráveis, como mulheres pobres e negras. Todos os anos,  o Brasil registra 20 mil nascidos vivos em crianças com menos de 14 anos, o que chamamos de estupro de vulnerável. Nesses casos, as meninas que engravidam poderiam abortar (o aborto ainda é legal em caso de estupro), mas a rede de assistência é tão minúscula que elas nem sabem onde procurar. E, quando encontram ajuda, têm que enfrentar turbas de religiosos que bloqueiam entradas de hospital e chamam uma garota de 10 anos que foi estuprada e engravidou de "assassina". Tudo com o aval da ministra de Direitos Humanos, que divulga o endereço da garota e do hospital.

Se a jurisprudência for revogada pela Suprema Corte, cada Estado fica livre para proibir ou liberar o aborto (como era antes de 1973). Mais da metade dos estados são conservadores e estão loucos pra proibir o aborto completamente.

O FDA (Food and Drugs Administration, tipo a Anvisa de lá) permitia que quem quisesse abortar nos EUA recebesse em casa um bloqueador de hormônios chamado mifepristone (quase metade dos abortos não são mais cirúrgicos, e sim através de medicamentos, o que é mais barato e menos arriscado).  Infelizmente, em 19 dos 50 estados americanos o aborto medicinal já está proibido. Mas as mulheres ainda podiam apelar a, por exemplo, ONGs sem fins lucrativos como a Women on Waves e Women on Web, que enviam comprimidos de mifepristone e misoprostol (o mais popular no Brasil). O problema é que tudo isso deixa rastros no seu celular, no seu computador. E óbvio que tem miliciano querendo perseguir mulheres que abortam. Imagina, pra quem passou os últimos 50 anos bombardeando clínicas de aborto e sequestrando e matando médicos, stalkear e atacar mulheres é um passeio no parque.

E já há jurisprudência pra condenar mulher que aborta nos EUA. Em 2017, Latice Fischer, uma mulher negra, foi a um hospital no Mississippi depois de sofrer um aborto em casa. Como antes disso ela tinha tido atendimento médico, que confirmou a gravidez, mas ela não voltou ao hospital para o ultrassom, os médicos entregaram a documentação (vai contra a ética, viola o sigilo entre paciente e médico!) à polícia, que iniciou uma investigação contra Latice. E eles encontraram buscas no celular dela para misoprostol. Isso foi usado como evidência de que ela "matou" seu feto, e ela foi acusada de homicídio em segundo grau. Pensou que essas barbaridades só acontecessem em El Salvador? Errou!

Pois isso está prestes a piorar muito nos EUA. E lógico que toda essa movimentação reacionária deixa ouriçados os fanáticos misóginos de todo o mundo. Como disse um pastor metodista dos EUA, "aqueles que não nasceram são um grupo conveniente de pessoas para se defender. Eles nunca exigem nada, não são moralmente complicados, ao contrário dos encarcerados, dos viciados, dos miseráveis; ao contrário das viúvas, eles não pedem que você combata o patriarcado; ao contrário dos órfãos, eles não precisam de dinheiro, educação ou creches; ao contrário dos imigrantes, eles não trazem toda aquela bagagem racial, cultural e religiosa que você não gosta; os não nascidos permitem que você se sinta bem, e quando eles nascerem, você pode se esquecer deles, porque eles não são mais não nascidos"

Além disso, muita gente vê essa possível decisão da Suprema Corte como apenas a primeira retirada de direitos de minorias. Ativistas LGBT alertam que os próximos alvos da Corte podem ser proibir casamentos entre pessoas do mesmo sexo, e até tornar a homossexualidade ilegal. "Não é questão de se, mas quando. Este é um diagnóstico de câncer no estágio 5 para direitos LGBT", avisa a ativista Brynn Tannehill.

As faixas de "Faça O Conto da Aia virar ficção novamente" vão aumentar um monte. Tomara que as americanas consigam barrar esse retrocesso monumental.