sexta-feira, 12 de agosto de 2022

CADA UM TEM OS ALIADOS QUE MERECE

Micheque e seu marido Jair estão em plena campanha, empenhadíssimos para reconquistar o voto das evangélicas. 

Como percebeu a socióloga Christina Vidal, especialista em política e religião, a terceira-dama mudou o corte de cabelo e está vestindo roupas mais largas e pudicas, "encarnando o projeto da mulher virtuosa, a 'Mulher V'" (conceito popularizado por uma filha de Edir Macedo que defende uma "mulher moderna à moda antiga", argh). E também apelando para o preconceito religioso (e racista) contra "macumbeiros", lógico. 

Pode até funcionar. Mas, para tanto, o casal precisará aparar umas arestas. Por exemplo, não pegou nada bem eles terem ido a um almoço no domingo em Belo Horizonte com Guilherme de Pádua e sua terceira esposa, Juliana (entre outros casais convidados). Antes foram a um culto na Igreja Batista da Lagoinha, onde Guilherme é pastor há cinco anos. 

Nem todo mundo sabe que Guilherme é bolsonarista de carteirinha (neste vídeo de maio de 2020 ele e Juliana participam de um ato golpista pró-Bolso em frente ao Congresso), mas todo mundo sabe quem é Guilherme, ainda mais agora que está sendo exibido o documentário Pacto Brutal. Trinta anos atrás, o então ator matou com 18 tesouradas sua colega -- a atriz Daniella Perez -- na novela De Corpo e Alma, com a cumplicidade de sua primeira esposa, Paula Thomaz. Foi um crime que chocou e paralisou o Brasil, tirando o foco do impeachment de Collor (hoje aliado a Bolso).

Condenado a 19 anos, Guilherme ficou menos de 7 anos preso. Saiu em outubro de 1999, e já passou a frequentar a Igreja Lagoinha. Sobre ele, o filho do dono da igreja já justificou: "Guilherme cumpriu a pena. Ele é uma bênção. Nenhum de nós somos os mesmos, constantemente somos transformados pela misericórdia de Jesus”.

Poucos ficariam sabendo do encontro de Guilherme e Juliana com Jair e Michelle se não fosse a colunista Fábia Oliveira, do Em Off. Pra piorar, tem uma foto de Ju e Mi posando juntas, sorridentes. Pra piorar mais ainda, pouco depois a primeira-dama fundamentalista cristã deixou um emoji de choro numa postagem da novelista Glória Perez (mãe de Daniella e também apoiadora de Bolso) sobre o documentário. Muita gente a acusou de hipócrita e falsa. 

Como não podia deixar de ser, bolsonarentos estão caprichando nas fake news de que Guilherme apoia Lula (não Bolso, como ele já deixou claro em 2020). Juliana se comprometeu a negar qualquer amizade com Michelle que, segundo ela, nem sabia quem ela era (outro colunista alega que Bolso não estava em BH no dia). E a gente aqui, fã da tag #NuncaFalha (as piores pessoas sempre votam e fazem campanha pro genocida), vê mais um exemplo de como aquele slogan fascista deles (bandido bom é bandido morto) só vale pra quem não é aliado deles.

Após ler essas notícias todas, comentei com o maridão sobre como, para as igrejas evangélicas, um assassino como Guilherme de Pádua é muito mais valoroso do que alguém que nunca matou, porque segue aquela narrativa de redenção através da fé. 

Eu: "Se a gente se convertesse, ia ser exemplo de qual superação, a gente que nunca cometeu nenhum pecado muito sério? Que nunca matou, nunca roubou, nunca usou drogas, nunca foi alcoólatra, nunca se prostituiu? A gente iria dizer o quê, que não acreditava em deus e agora pagamos 10% de tudo que ganhamos pra pastores milionários?"

Maridão: "Eu já joguei a Leningrado".

Eu: "O que é isso? O que tem a ver?"

Maridão: "Pro pessoal do xadrez, jogar a defesa Leningrado é um pecado muito grave".

Eu: "Pelo menos a gente nunca votou no Bolsonaro". 


UPDATE em 14/8Numa das lives que duram horas para um canal reaça, Bolso confirmou que esteve sim, por poucos minutos, no almoço (depois do culto em que ele e Michelle discursaram) com pastores da Igreja Batista Lagoinha, em BH, da qual Guilherme de Pádua faz parte. A esposa atual (Juliana, não Paula Thomaz, que foi cúmplice de Guilherme no assassinato de Daniella) tirou foto com Michelle. Guilherme é apoiador de Bolso há anos. Cadê a fake news? A propósito, depois o trecho da entrevista sumiu da live. Quanto vocês querem apostar que Bolso não vai processar a colunista que falou desse encontro?

terça-feira, 9 de agosto de 2022

MACHOPALESTRINHA, A ESTÁTUA

Eis a estátua definitiva para representar a prática do mansplaining, muito bem traduzida para machopalestrinha. Estou esperando os homi virem aqui explicar o que é feminismo pra gente.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

NINGUÉM AGUENTA MAIS O COISA RUIM

Dois tuítes que dizem muito sobre Bolso e o ânimo dos brasileiros para tirá-lo do poder pra sempre: um do Chris Gonzatti, da Diversidade Nerd (com quem fiz esta live muito bacana faz um tempinho), e um da Xuliana. Ainda bem que faltam menos de dois meses pras eleições mais importantes da nossa história!


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

EXCELENTE PERGUNTA

Pois é: se brincar com arma não incita a violência, por que vocês reaças conservadores bolsonarentos têm tanto medo quando menino brinca de boneca?

terça-feira, 2 de agosto de 2022

NAZISTINHAS INCELS AMEAÇAM DUDA, MANU E SÂMIA

Os nazistinhas não param de atacar. Domingo à noite Duda Salabert, a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte, entrou em contato comigo para pedir orientações.

Ela, que junto a outras vereadoras trans e negras recebe ameaças de morte e estupro desde 2020, foi ameaçada mais uma vez, por email, por um rapaz que assinava como William Maza dos Santos, e se despedia com o típico 14/88, uma saudação nazista. 

Digitando o nome de William, chega-se a um comentário anônimo deixado no meu blog em meados do ano passado, contando algo costumeiro dos incels de chans (fóruns anônimos): a briga entre os membros. Quando brigam, um expõe o outro, espalhando fotos e dados pessoais do novo inimigo. Também é extremamente comum um cara ameaçar uma política ou celebridade com o nome daquele desafeto para tentar incriminá-lo. 

Por isso, é bem possível que o neonazi ridículo que tenha enviado as ameaças mais recentes a Duda não seja William, e sim alguém se passando por ele. Não cabe a nós descobrir, mas à polícia.

O que ficamos sabendo bem rapidinho é que quem ameaçou os jornalistas Lucas Neiva e Vanessa Lippelt, do Congresso em Foco, por uma matéria publicada em junho sobre como o 1500chan produz fake news em massa para Bolso, também foi William, ou alguém se passando por ele.

Ontem também foram divulgadas novas ameaças a Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) e sua filha Laura, de 6 anos. A menina é ameaçada desde que nasceu, e é incompreensível que até hoje ninguém foi preso. Manu, que respira política desde os tempos de estudante, desistiu de se candidatar este ano por conta das ameaças.

Como ela escreveu no seu Instagram, "Ser uma mulher pública no Brasil é ser ameaçada permanentemente. É escolher um lugar para o medo, outro para a coragem, outro lugar pro fingir ignorar. Ser mulher pública é conviver com a ameaça de estupro como correção pela coragem, com a ameaça de morte como silenciador".

Duda, que além de vereadora é professora, não ia se candidatar este ano. Porém, diante das ameaças, que fizeram com que ela perdesse o emprego numa escola particular, e também porque é mais fácil conseguir proteção no Congresso do que numa Câmara de Vereadores, ela decidiu concorrer à deputada federal (pelo PDT). Tomara que ganhe com excelente votação!

Esse tipo de ameaça é o que chamamos de violência política de gênero. São ameaças terroristas que alvejam mulheres, sempre com a intenção de calá-las. Não conseguirão. Toda minha sororidade a Duda e Manu, guerreiras que conheço pessoalmente e que têm a capacidade de mesclar força e doçura.
 
UPDATE: Agora à noite veio a notícia que a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) também foi ameaçada, ainda na semana passada. O mesmo esquema de xingar de vagabunda, de ameaçar filho e marido e de fechar com saudação nazista. Aposto que é assinado por William também. Ou seja, não é ele. É alguém fazendo hora extra para incriminá-lo. Óbvio que todos eles são nazistas repulsivos. Que continuem! Serão presos e talvez a polícia encontre outros nomes da quadrilha no computador. De quebra, ajudam a eleger ou reeleger as políticas que ameaçam, porque todo mundo fica do lado delas. Ninguém concorda com barbárie de incel.