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sexta-feira, 7 de maio de 2021

GATOS DE MIAMI

Sexta-feira, muito trabalho, fim de semana próximo. Então deixo vocês com um diálogo recente entre o maridão e eu:

Eu: Se meu pai não tivesse me ensinado todos esses jogos, será que eu gostaria tanto assim de jogos?

Ele: Olha... Acho difícil.

Eu: Provavelmente não. Talvez eu nem soubesse jogar xadrez! E assim a gente nem teria se conhecido! Eu seria uma pessoa rica hoje!

Ele: Sem sombra de dúvida.

Eu: Eu talvez estivesse morando onde os ricos moram, tipo Miami! (Iglu mia pra mim. Eu continuo falando, agora com ele:) Aí eu teria gatos da Flórida, não esses gatos pobrinhos daqui! Não, meu lindo, eu nunca te trocaria por um gato de Miami. Mas é tudo uma questão de lugar e momento. Se você tivesse nascido uma semana antes, ou uma semana depois, você talvez nem estivesse aqui, e a gente não estaria aqui, juntinhos...

Silvinho, interrompendo, olhando pro Iglu: "Tudo que eu queria era comer, e tenho que aguentar essa conversinha de bêbado!"

Eu: Não fala pelos gatos!

domingo, 20 de setembro de 2020

AULAS DE XADREZ COM ALGUÉM QUE OS GATOS AMAM

Ontem de manhã o Silvinho, vulgo maridão, estava dando aula de xadrez (online desde março) a um aluno a quem ele já dá aula particular há 8,5 anos quando um de nossos quatro gatos, o Risqué, Risquinho para os íntimos, se aconchegou em seu braço. 
Eu achei muito foto, talvez mais ainda porque o Risquinho nunca faz isso comigo. Peguei a máquina fotográfica e tirei umas fotos. Tive sorte de pegar o olhar cúmplice de puro amor entre os dois. Detalhe pro Risq acariciando a mão do Silvinho. 
Não dá pra ver direito nas fotos, mas o Risquinho não estava encostado na parede.
Todo o suporte dele era o braço do Silvio. E esse equilíbrio maluco que os gatos têm (clique para ampliar). 
Creio que os gatos sentem falta das aulas presenciais. Esses quatro gatos são jovens, mas o maravilhoso Calvin, que morreu em junho do ano passado, gostava de deitar em cima do tabuleiro durante as aulas. Às vezes ele derrubava algumas peças também. É algo que não dá pra fazer online.
Calvin dormindo em mesa de
xadrez que Silvio construiu
Bom, se alguém quiser ter aula com o Silvinho, que este ano completa meio século de xadrez (ele começou a jogar aos 13), entre em contato com ele, por email (silviocunhapereira@gmail.com) ou no Lichess (o nick dele é Taranta). Infelizmente, não podemos garantir a presença do Risquinho, sabe como é.
Silvinho muito jovem: campeão da sua cidade natal aos 14 anos

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MEUS GATINHOS NÃO PODEM RECEBER PRESENTE POR CAUSA DO VERME

Não lembro exatamente quando "conheci" a Sandra. Claro que não a conheço pessoalmente. Afinal, ela é uma brasileira que mora no Canadá, um país que ainda não tive o prazer de conhecer.
Sandra mora neste lugar horrível. Detalhe da Miss Audrey na cadeira
Mas em algum momento nos conhecemos no Twitter. Ela é engenheira de alimentos, adora cozinhar e compartilhar fotos de seus pratos, é de esquerda, adora gatos. Ou seja, muita coisa em comum. 
Dois irmãos: Iglu e Risqué
Em julho, ela compartilhou uns brinquedinhos novos que havia adquirido pra sua gata, a Miss Audrey. Conversa vai, conversa vem, e a Sandra decide que quer presentear meus quatro gatinhos (meus é jeito de dizer: o coração de Sofia e Joinha pertence a minha mãe, e o do Iglu e Risquinho, ao maridão) com os brinquedos. Fiquei muito feliz! Meus gatos nunca tiveram trequinhos tão profissionais. 
Um brinquedo é um peixe enorme que se mexe. O outro é um passarinho que gira e manda raios de laser em várias direções. Sandra gravou vídeo da Miss Audrey brincando com eles. 
Mas eis que, no dia que ela foi me mandar os presentes, no final de julho, o correio do Canadá não aceitou mandar pro Brasil! Acreditam? Ela conta tudo aqui:
Brincadeira interrompida: encomenda que Sandra não pôde mandar pro Brasil
Fui aos correios hoje, coloquei um pacote pros EUA pra uma amiga, mas na hora de passar o do Brasil, tive a péssima notícia de que "o correio do Canadá não está fazendo nenhuma entrega no Brasil por causa da pandemia sem controle".
O funcionário ligou até pra chefe dele porque eu expliquei que eram presentinhos pros gatinhos de uma amiga (pelo jeito ele é gateiro também e se comoveu com o pedido), mas a chefe confirmou que não tem previsão de quando "nós aqui vamos querer mandar avião praquele lugar lá infestado com Covid e com um genocida no poder". Claro que ela não falou isso mas deu pra sentir na cara do rapaz que ela disse alguma coisa do tipo.
Ele me disse pra verificar todas as semanas no site do Canada Post pra ver quando vão voltar a ter contato com o Brasil.
E aí a minha tristeza foi ainda maior: primeiro de não poder te mandar os bichinhos fofinhos (Miss Audrey todo santo dia, antes de dormir, vem atrás da porta pedir pra brincar com o passarinho!) e também pelo buraco no fim do mundo que o Brasil virou. Estamos podendo mandar correios pro mundo todo, só não pode pro Brasil.
Chegamos no fundo do poço, amiga. E em momentos como esse de hoje eu me sinto tão, mas tão mal. E o pessoal ao redor escutando a conversa e praticamente querendo saber se eu era uma apoiadora do verme. Já vou falando bem alto atrás da máscara que eu tenho ódio dele. Assim o pessoal pelo menos não me olha torto.
Talvez dia 16 de setembro liberem o envio.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

GATINHOS CONTRA CUBA

Hoje nosso gatinho Iglu, que completou um ano de idade no final do mês passado (junto com seu irmão Risquinho), derrubou um imã da geladeira e o levou para passear pela casa. 
Eu, Tamara, imãs à direita
Ganhamos este imã em forma de bonequinha típica cubana da Tamara, dona de uma lojinha de artesanato em Varadero, onde eu e Silvinho passamos quase uma semana no final de 2017. Como era um imã que traz ótimas lembranças, eu não queria perdê-lo pra um gato que o destruiria em pouco tempo.
A gente até tentou tirar o ima do Iglu -- e ouviu a maior miadeira de protesto que já ouvimos dele. Não tivemos muita escolha, portanto. O imã é dele. Aliás, agora lembrei que anteontem uma estátua de madeira que compramos em Havana e decorava a estante estava no chão da sala, sem a cabeça e os braços. Será que os gatos declararam guerra à Cuba? (acho que não, pois os sofás são brasileiros e estão em petição de miséria). 
Não nos restou alternativa a não ser tirar fotos do Iglu destruindo e brincando com o imã. Joinha quis brincar também, mas Iglu não gostou tanto de compartilhar. Pegamos um ratinho com recheio de catnip pra ela desfrutar, mas ela estava mais interessada na bonequinha do Iglu.
Note também a grama. A cada três dias Silvio corta uns pedacinhos de grama na rua e os traz pra casa, e os gatos adoram. Comem como se fosse salada, dormem em cima, brincam em cima. A gente fica um pouco preocupada porque às vezes a prefeitura passa jogando veneno contra mosquitos, mas até agora não houve qualquer efeito colateral por nossos quatro gatos comerem grama. 
Silvio plantou grama de milho em vasos. Ela cresceu, ficou bonita... e os gatinhos nem olham pra ela.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

FELIZ DIA INTERNACIONAL DOS GATOS

Quem precisa usar o teclado, não é mesmo?

Hoje é Dia Internacional do Gato! Nem sabia que existia essa data, mas nossos bichanos merecem.
Como quem me acompanha sabe, meu amarelo maravilhoso Calvin morreu no dia 12 de junho, aos 18,5 anos. 
E, pra quem acompanha meus vídeos -- que eu sei que estão paradíssimos, mas vou retomar, é que estou muito sem tempo (e um pouco sem vontade também) -- viu que primeiro a gente adotou o Iglu, e um pouquinho depois seu irmão Risqué
A gente nunca tinha tido gatinhos irmãos em casa. É ótimo, recomendo. Eles brincam direto entre si. O Iglu quando chegou aqui era muito carente. Agora, com o irmão, ele ainda é carinhoso, mas totalmente dono de si.
E o Risqué é mais amoroso com a gente que o Iglu.
Joinha brincando com Sofia
Mas o que não contei pra ninguém ainda é que... temos um quarto gato! Uma gatinha intrépida de cerca de 4 ou 5 meses invadiu a nossa casa há umas 3 semanas. Quando minha mãe viu, havia uma gata na cozinha dela, comendo a comida da Sofia. 
Não teve jeito, tivemos que ficar com ela. Primeiro minha mãe deu pra ela o nome de Fiona, mas depois voltou atrás e optou por Joia. A gente chama de Joinha, o que não faz a menor diferença porque ela ainda não reconhece o nome. 
Iglu e Joinha observam o mundo lá fora
Sofia
Ela mora mais lá na parte de baixo com a minha mãe e a Sofia (que, se não morre de amores pela Joinha, pelo menos não a hostiliza -- o que também não faria a menor diferença, porque Joinha não tem medo), mas tem subido aqui direto, sempre sem a menor hesitação. 
Risqué na sua caixa
Ela não está vindo aqui pra cima pra comer, só pra observar o mundo pela janela e brincar com os gatos. Iglu e Risqué gostam dela. No primeiro dia que ela subiu aqui, ela pegou um ratinho de pano com que Iglu brincava e o levou pra baixo. Ela é assim, a dona do pedaço.
Joinha conhecendo Iglu
Nós, que nunca tivemos mais que dois gatos (e um cachorro) ao mesmo tempo, agora estamos com quatro gatos jovens. Minha mãe disse que o Calvin era tão especial que não conseguiu ser substituído por um só gato. Talvez ela tenha razão. Eu não vejo como substituição, porque todos os gatos são muito diferentes entre si. 
Risqué (mais adiante) e Iglue
Ah, pra comemorar o Dia dos Gatos, fiquem com o que deve ser o vídeo fofinho mais caro feito de gatos. E lembrem-se sempre: não comprem bichos. Adotem!

sábado, 20 de julho de 2019

VÍDEO NOVO SOBRE UM NOVO GATINHO

Pessoas queridas, tenho um novo gatinho, o Risqué (vejam o vídeo novo aqui no Fala Lola Fala, inscrevam-se, comentem, deem like, ativem o sininho, todas essas coisas que pedem pra fazer)! 
Espero que vocês tenham visto meu vídeo sobre o Iglu, gatinho que adotamos faz umas três semanas. Agora decidi que seu irmãozinho deveria vir morar com a gente também. Ele é tão lindo, os dois são. E meiguinhos. Super carinhosos mesmo. Estamos apaixonados. E descobri que seu aniversário é 26 de janeiro. Ou seja, sexta eles completam 6 meses de vida.
É ótimo ter dois irmãos, porque eles fazem praticamente tudo juntos, brincam muito, e creio que dependem menos de nós humanos. Estou feliz com a decisão! Agora só falta os dois conquistarem o coração da Sofia.

terça-feira, 9 de julho de 2019

IGLU, GATINHO NOVO NA CASA

Temos um gatinho novo no pedaço: é o Iglu!
Não sei exatamente a idade dele, se tem 6 ou 7 meses de idade. Só sei que ele é lindo, meiguinho, alegre e carinhoso. Os três humanos da casa já estamos completamente apaixonados por ele, que não deixa ninguém dormir. Falta a gata Sofia aceitá-lo. 
Adaptei a musiquinha do Monty Python sobre o lenhador e canto sempre pro Iglu: "He's a lumbercat and he's okay / he plays all night / and he sleeps all day". 
Pensamos em muitos nomes pra ele. 
Minha mãe sugeriu Fidel, Tirion, Soccer, Bingo, Spock, Figaro. Eu pensei em Cactus, Clichê (que era como a escritora Dorothy Parker chamava seu cão), Kiddo, Squindô, Forró, Tango, Blefe, Luau, Touché, Faísca, Cafuné e Taranta, mas achei que Iglu tinha mais a ver com ele, por ele ser branquinho e cinza.
Fiz um vídeo com o Silvio, vulgo maridão, para apresentar o Igluzinho. Vão lá, divulguem, assinem o canal, ativem o sininho, e todas essas coisas que se deve fazer num vídeo. 
E lembrem-se de nunca comprar um bicho. Adotem! 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

MORREU CALVIN, O GATINHO DA NOSSA VIDA

Ontem à noite morreu o Calvin. Ele estava dormindo, cercado por gente que o ama, e simplesmente parou de respirar. 
Última foto do Calvin, no domingo
Mas seus últimos dias não foram bons. Sua barriga inchou de repente. E bastante muco começou a sair do focinho. Nós o levamos ao veterinário no sábado. Passamos a dar-lhe um diurético. Ele estava comendo, dormindo, tomando água. Mas ontem desde cedo vimos que ele andava muito abatido, se mexendo pouco.
Calvin vendendo livro
Calvin era como se fosse um filho pra gente. Tinha 18,5 anos, o que, segundo o vet, representa uns 100 anos em idade humana. E agora foi praticamente a única vez que ele ficou doente durante a vida toda. Sempre foi um gato muito saudável. A única das 7 ou 9 vidas (aqui no Brasil gato tem 7 vidas; em países ricos, tem 9) que ele perdeu foi quando foi mordido por um outro gato, infeccionou, e ele ficou com boa parte do corpo sem pelo. Nem isso foi tão grave
Nossa maravilhosa Blanche
Eu lembro quando ele entrou na nossa vida. Era final do ano 2000 e vivíamos em Joinville. Tínhamos uma gata preta jovem, a Blanche, e um cachorro minúsculo, o Hamlet. Nosso veterinário, o Marcos, nos telefonou. Disse que uma pessoa queria deixar um gatinho com ele, mas que ele só iria aceitar se tivesse alguém que adotasse o felino. Topamos, mas eu e Silvio íamos sair pra viajar durante uns quinze dias. Perguntei pro Marcos se não poderíamos pegar o Calvin assim que voltássemos da viagem. Ele disse não. Então Silvio foi pegar o Calvin, e viajamos uns 2 ou 3 dias depois, angustiados porque a Blanche não estava aceitando o novo gatinho muito bem. Quando voltamos, eles já estavam assim:
Foram grandes amigos. Blanche o tratava como se fosse uma mãe. Calvin era destemido e muito pequeno, só um par de orelhas. 
E no começo nem era Calvin. Primeiro lhe demos o nome de Boris, mas minha mãe não gostou (Boris era apelido do meu amado pai, Bernardo). A verdade é que Calvin não parecia muito com um Boris, então aceitamos mudar de nome. Por algum mistério, ele lembrava mais o Calvin que o tigre Haroldo. Optamos por Calvin. Lógico que eu tinha vários apelidos pra ele: Cal, Calvinho, Calzone, Zero Cal, Calvin Klein. Ele era muito inteligente e entendia tudo.
Calvin em 2000, quando ainda
era um par de orelhas ambulantes
Quando ele ficava em cima do meu peito fazendo rum rum, eu cantava musiquinhas pra ele. Uma era ao ritmo daquele jingle famoso do McDonald's: "Dois gatinhos, selvagens, lindos, fofos, especiais, bons caçadores de hamsters e gerbelins... São os gatinhos! Gatinhos! Gatinhos". Outra seguindo um jingle de algum supermercado: "É super, é super, é super fofinho... Tem sempre um gato bom, aqui, no meu caminho". Outra era "Gato, como te amo! Non é possibleeee". 
Ele adorava as canções. Aumentava o rum rum e olhava fixo nos meus olhos.
Cãozinho Hamlet, Calvin,
meu braço
Uma manhã eu estava na cama e ele estava quase dormindo, deitado em cima do meu peito, quando entrou um passarinho no quarto. Sem tomar qualquer tipo de impulso, Calvin deu um salto gigantesco pra cima assim que o passarinho passou por cima da gente, no teto. Cal aterrissou com tudo no meu queixo. O passarinho conseguiu fugir. Eu fiquei levemente ferida.
Muitos passarinhos não tiveram a mesma sorte. Silvinho salvou a vida de vários, tirando-os de dentro da boca do Calvin. Calvin não era rancoroso e perdoava fácil a nossa intromissão. Mas o que ele gostava mesmo era lagartixa. Devorava a lagartixa inteira, não sobrava nada, nem a cauda. Causou um mini-genocídio lagartixal em Joinville, porque caçava e comia várias por semana.
Lembro de uma noite em que eu estava em pé na cozinha, falando por telefone, não sei com quem, quando vejo entrar pela porta o Calvin com pupilas muito dilatadas, carregando alguma coisa na boca. Ele veio correndo e descarregou o que tinha na boca em cima dos meus pés. Era um camundongo, que assim que foi solto, começou a correr. E Calvin a correr atrás dele. E eu gritando e subindo num banquinho.
Não parece uma vida tão intensa,
mas era
Cal teve uma vida muito intensa em Joinville. Ele ignorava ser castrado e saía todas as noites. Saía um pouco, ia sabe-se lá onde, e voltava, querendo entrar pela janela. Ficava o tempo suficiente para brincar, receber carinho, comer, e saía de novo. Várias vezes por noite, todas as noites. Em algumas ocasiões ele ficava no nosso jardim e caçava algum sapo, mas era mais comum ele ir pra casa do vizinho (os gatos da vizinhança viam aquela casa como zona neutra e tinham várias assembleias por lá) ou andar pra longe, em lugares perigosos com muitos carros. Mais de uma vez passamos de carro por um gato amarelo a três quarteirões de casa e nos perguntávamos: "Aquele é o Calvin? Não pode ser o Calvin!" Claro que era. Não sei como ele sobreviveu tantos anos em Joinville. 
Blanche e Cal sempre dormiam juntinhos em Joinville: yin e yang
Calvin com Isabel
Em fevereiro de 2010 nos mudamos pra Fortaleza. Calvin ainda estava na metade da vida e em plena forma. Ele sentiu a mudança. Não tinha mais como sair de casa ou confraternizar com outra gata que não fosse a Blanche (que morreu em 2013, aos 14 anos) e, depois, a Isabel (que morreu muito jovem, em 2016, aos 3,5 anos, de Aids felina) e, por último, a Sofia (que está viva, jovem e bem). O jardim enorme foi substituído por um quintalzinho com quase nenhum passarinho ou lagartixa. Não era a mesma vida.
Eu continuei cantando as mesmas musiquinhas pra ele. 
Sempre um companheiro
Eu usava um longo corredor pra brincar com ele. Colocamos um pedaço de veneziana numa parede. Ele gostava de se esconder atrás dela. Eu jogava bolinhas e ele saía correndo pra pegá-las. Era um goleiro excepcional. Quando voltei da China em 2015 trouxe um monte de bolinhas novas, de várias cores. Não podiam ser muito grandes nem duras e tinham que quicar. Às vezes eu ficava de um lado do corredor e Silvinho do outro, e ambos jogávamos bolinha pro Calvin. Depois de brincar, eu recolhia as bolinhas e as deixava no parapeito de uma janela interna, que dava pro corredor. De madrugada o Calvin ia e derrubava todas as bolinhas, uma por uma.
Quase toda madrugada o Calvin ficava locão. Corria, pulava, e fazia sons selvagens e guturais. Esses dias eu reparei que já fazia algumas semanas que ele não ficava mais locão.
Usando fralda em abril 2019
Ele teve uma vida muito ativa e cheia de saúde até o final do ano passado, por aí. Ou seja, até completar 18 anos, ou um pouquinho antes. Aí passou a ter incontinência urinária, tadinho. Ele, que literalmente não tomava banho havia 17 anos (demos um ou outro banho nele quando ele era jovem, até que ele deixou claríssimo que, por mais bonzinho que fosse, não iria tolerar aquela desfeita), passou a tomar um banho por semana. Mesmo assim, cheirava muito mal. Virou o "smelly cat". 
Como nunca tínhamos tido um bichinho que viveu tanto, não sabíamos o que fazer. Tentamos dar banho a seco. Colocávamos toalhas nas camas. Mas era ruim, pra ele, pra nós, pros colchões. Uns dois ou três meses atrás, passamos a por fralda nele. Funcionou. Ele ficava sequinho e mais bem humorado. Mas não quis mais dormir na cama com a gente.  
Quase até o fim, ele gostava de ficar do lado de fora do box enquanto eu tomava banho. Assim que eu terminava e abria a porta do box, ele entrava e lambia o chão. Adorava beber água com shampoo, condicionador e sabonete. Ontem minha mãe relatou que ele fazia isso com ela também.
Minha mãe chorou muito quando eu desci pra contar que o Calvin tinha morrido. Ela conversava com ele, falava como era ruim estar velho. E ele entendia tudo. 
Ela também sabe que nunca teremos outro gatinho como o Cal. Ele era muito companheiro, de muito boa índole, um gatuno todo especial, sem maldade (talvez as lagartixas contem uma versão diferente). 
Minha foto preferida: Isabel olha pra um Calvin que é quase uma miragem. Que os dois se reencontrem no céu dos gatos!
Estou triste, mas sei que ele viveu uma vida longa e feliz e que tudo chega ao fim. Eu imaginava que ele iria viver mais, talvez até os 20, mas não sou eu que decido. Sei que ele não sofreu e morreu em casa, dormindo, do lado de quem ele cuidou a vida toda, obviamente a melhor forma de morrer. 
Ainda vai doer bastante -- ver todos os pedaços da casa em que ele andava e perceber sua ausência. Mas torço para que exista um céu pros gatos.
Nunca nos esqueceremos de você, Calvin (outubro 2000 - junho 2019).