segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DIÁLOGOS DO SÉCULO 21 - VERSÃO "DO LAR"

Eu e o maridão fomos a um escritório de advocacia. Não, não foi ainda pra providenciar o divórcio, e sim para entrar com uma ação contra as companhias telefônicas. Eu nem entendi muito bem. Compramos uma linha telefônica há uns onze anos. Uma daquelas, que custavam caro e levavam dois anos pra ser instaladas. Acho que pagamos R$ 1.200 por ela. Uns três anos atrás vendemos suas ações por uns 1.500. A linha ainda é nossa. Mas chegou ao nosso endereço uma proposta de processar as companhias por não nos passarem os juros dessas ações e, como não estou nem um pouco satisfeita com o monopólio que continua firme e forte após a privatização (onde moro, tenho toda a liberdade pra decidir entre a Brasil Telecom e a Brasil Telecom), tô dentro. Parece que o processo demora, leva mais de um ano e meio, mas no final dá pra receber uns 6 mil reais. O escritório de advocacia fica com 25%. E nós pagamos R$ 70 para as despesas iniciais. Já que setenta reais não é muito, e já que a chance de ganhar mais é grande, topamos. Fomos lá pagar os honorários. Um senhor que trabalha lá - acho que ele é o pai da advogada que move as ações - me perguntou (já que a linha está no meu nome):
- Qual a sua profissão? Preciso anotar aqui na ficha.
- Curso doutorado.
- Hã? Mas qual é a sua profissão?
- Estudante, imagino.
- Não, isso não tem rendimentos. Vou colocar aqui “do lar”.
- Tem rendimentos, ué. Eu recebo bolsa.
- Só porque você recebe bolsa e não paga a faculdade não quer dizer que tem rendimentos.
- Mas eu tenho! Além de não pagar um centavo, porque a universidade é federal, eu recebo um pouco de dinheiro. Sou paga pra estudar.
- Ih... Não, não dá. “Estudante” não é profissão.
- “Do lar” também não é.
- Olha, se você não trabalha fora e só estuda à noite, você é “do lar”.
- Eu não estudo só à noite, e não sou “do lar”, sou estudante.
Aí o maridão interrompeu o diálogo com uma pergunta sábia:
- E se o caso fosse comigo, eu também seria “do lar”?
Eu, percebendo o impasse, insisti com o senhor:
- Então, taí uma ótima pergunta: homem pode ser “do lar”?
- Claro que pode – respondeu o senhor. - Hoje em dia há muitos homens que trabalham como diaristas.
- Mas a gente não tá falando de diarista, que é uma profissão. Tá falando dessa denominação, “do lar”. Tem pra homem também?
- Não entendi – Perguntou o homem ao maridão, me ignorando. - Qual é a sua profissão?
- Não estou trabalhando no momento. Fico em casa.
- Como assim, não está trabalhando?
- Estou desempregado.
- Ah, então eu colocaria aqui, no seu caso, “desempregado”. Ou senão a sua profissão de antes de você ficar desempregado.
Eu: - E se ele estivesse exatamente como eu, fazendo doutorado?
- Aí seria estudante.
Donde se deduz que “do lar” é uma profissão unicamente feminina. Pena que nem profissão seja. E note como já perdeu a majestade faz tempo. Antes era “rainha do lar”. Sobraram apenas as últimas duas palavras, totalmente desvalorizadas. Enquanto isso, o homem segue sendo o rei do castelo? Porque, pelo jeito, o feudalismo não acabou com o fim da Idade Média.

domingo, 26 de outubro de 2008

CRÍTICA: AMIGOS, AMIGOS... MULHERES À PARTE / Parte 2

Primeira parte da crítica aqui.
- Oh my God! Não acredito que a Lolinha vai pichar o nosso filme... de novo!

Devo confessar que nunca tinha ouvido falar no Dane Cook antes de morar nos EUA. No meu primeiro semestre lá, assinei TV a cabo, e vi um show de stand-up comedy que ele apresentava pra um auditório lotado (veja um pedaço divertido sobre ir ao cinema aqui, só em inglês). Ele tem um tipo de “energia maníaca”, não muito diferente do Jim Carrey, mas com um humor mais agressivo e arrogante. Eu até gostei daquele show, e meio que achei o Dane bonitinho. Aí descobri que o fã clube dele é tão grande quanto seu hate club (gente que o detesta). E, ao ver mais coisa dele, consegui entender melhor seus detratores. Não que eu o deteste, nada disso. Mas ele está tentando fazer carreira em Hollywood, e os veículos que escolheu pra deslanchar são os piores possíveis. Primeiro ele fez um papel secundário no também secundário Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (que estreou sexta no Brasil, um ano depois de passar nos EUA. Ele faz o irmão do Steve Carell). Depois veio um lixo que não me atrevi a ver, Maldita Sorte, com a Jessica Alba (a premissa é que todas as mulheres que dormem com o Dane conhecem um cara sério pra se casar logo em seguida). E agora Amigos, Amigos... Mulheres à Parte. Desta vez, a premissa é que ele é tão estúpido com as moças que elas voam pros seus ex-namorados depois de saírem com ele. Dane até que tá bem interpretando um ser repulsivo.
Lembro também de ter visto na TV americana (cuja programação não é muito melhor que a brasileira) uns pedaços de um programa chamado Date from Hell (Paquera do Inferno?). Uma moça saía com um rapaz contratado pela produção, que a faria ter o pior encontro de sua vida. Acho que às vezes a pegadinha era contra os homens também. Enfim, americano faz muito filme sobre “dates” (primeiros encontros, tipo sair pra jantar), porque essa é uma instituição deles. Eles geralmente conhecem pessoas pela internet e daí marcam um encontro. No Brasil não é tanto assim, é? (pergunto porque faz muito, muito tempo que estou fora do mercado).
Na primeira saída de Dane com Kate Hudson em Amigos, ele a leva pra um clube de strip tease, o que, imagino, equivale a levar o alvo das atenções pra ver um filme pornô, como
acontece em Taxi Driver. Aliás
, americano é tão conservador que o padrão continua sendo o homem levar a mulher pra um lugar, nunca o oposto. E pobre Kate! Ela vem se especializando em comédias românticas ruins. Fala-se bastante da sua bunda, tanto que no filme somos brindados com um close dela (tá no trailer). Será que eu sou a única que acha que a Kate tem cara de velha? Ok, não tanto quanto o Alec Baldwin, mas sei lá, é como se a cara da Kate não pertencesse àquele corpo. E ela consegue a proeza de exagerar mais que o Dane, num típico exemplo de interpretação over (overacting).
uma cena que me fez rir na comédia, e não é uma cena inteligente. É quando o Jason Biggs tá no cabeleireiro e sem querer perde uma de suas sobrancelhas. Só que aí aparece um cabeleireiro gay que não tem absolutamente nada a ver com a história, a não ser fomentar a homofobia presente no filme. Além de um personagem se “xingar” de gay várias vezes (no contexto da comédia isso é um insulto), há inúmeras falas de “homem não faz isso, isso é coisa de gay”. Mais tarde, um assistente de casamento dá em cima do Jason, só pra receber o repúdio do público. Interessante como esses filmes que maltratam mulheres costumam também maltratar gays. Homofobia e misoginia caminham sempre juntos, não apenas por representarem ódio contra minorias, mas por serem uma forma de martelar o padrão dominante (homem, branco, hétero) como o único desejável. Pois é, não há nada de “à parte” no tratamento dado a mulheres e gays em Amigos, Amigos.
Posso perder o amor próprio fazendo um filme desses, mas não perco a sobrancelha!

FILMES BRITÂNICOS E APANHADOR

Venho aqui continuar o resgate dos meus textos jurássicos que se perderam quando o meu computador morreu, em 2000. Encontrei uma parte na internet, e aos poucos vou pondo-os aqui. Aproveitando a lista dos 500 melhores filmes divulgada pela revista Empire, coloco um texto meu de 99 sobre uma relação dos 100 melhores filmes britânicos de todos os tempos (quer dizer, até 99). Eu até queria fazer uma enquete sobre eles, mas desconfio que a boa parte dos meus leitores(as) não tenha visto a maioria. Sugestões para a enquete, please? Eu posso só pôr os mais conhecidos ou fazer uma pergunta do tipo "Qual desses você tem mais vontade de ver ou rever?". Dê uma conferida no artigo e na lista e veja se se anima a pegar alguns desses grandes clássicos em dvd. Alguns deles, inclusive, foram lembrados pela Empire. O Terceiro Homem, primeirão na relação de 99, ganhou a 21a posição na enquete recente.
Outro textinho meu que já tinha até colocado aqui (uma leitora dedicada inclusive o encontrou entre mais de mil posts e já comentou) é um sobre o romance do J. D. Salinger, O Apanhador no Campo de Centeio. Adoro esse livro. Ele já era um clássico antes, mas tornou-se conhecido a toda uma nova geração quando Mark Chapman matou John Lennon e declarou que seu livro de cabeceira era Apanhador (o livro não tem culpa, convenhamos). Não sei quando Chapter 27, o filme independente e pequeno que estreou ano passado nos EUA sobre o assassino (com Jared Leto no papel principal) chega ao Brasil, ou mesmo se chega. E sim, parece estranho ver a história de um carinha que só ficou famoso por ter atirado num gênio. Se fizerem um filme sobre a vida pregressa de Charles Manson antes de ordenar o massacre na casa do Polanski e da Sharon Tate, eu vou querer assistir? Ahn... Acho que sim. Talvez. Depende. Mas seria esquisito ler uma autobiografia desses monstros. Ao mesmo tempo, não dá pra fingir que eles não existiram.
P.S.: Uma ótima eleição pra vocês que moram nas cidades com segundo turno.

sábado, 25 de outubro de 2008

DONOS DE MULHERES S.A.

Só agora vi a página do assassino Lindemberg no orkut. Como ele está “impossibilitado de usar o orkut”, quem modera por ele é o primo, que escreveu (traduzido pra linguagem de gente, ou seja, naum por não):
“Aí galerinha na moral, vamos dar uma força pro Leke, quem nunca errou na vida? Ele é sangue bom, nunca fez m**** nenhuma na vida... A mina deixou o cara doido, é f**a. Também ninguém tava lá na hora, pra saber se a polícia invadiu do nada, agora é fácil eles falarem que ele atirou. Pensem nisso, toda história tem duas versões! A Eloá também não é nenhuma santinha não. Pelo que parece tem bastante gente que odeia ela e fico[u?] feliz com sua morte. Todo mundo sabe também que ela era bem p***inha, bem nem falo mais nada... Agora que virou presunto é santa. Hipócritas. Nem trabalho era, mas sim um bacanal. Mundo injusto”.
(O primo do Leke escreveu “tem bastante gente que odeia ela e fico feliz com sua morte”. Como ele também parece estar feliz com a morte de Eloá, não sei se ele queria dizer se ele ou muita gente ficou feliz).
Demorei uns cinco minutos pra entender o que o gigante emocional quis dizer com “Nem trabalho era, mas sim um bacanal”. Concluí que ele só pode estar se referindo ao trabalho de geografia que Eloá, Nayara e dois meninos estavam fazendo no apartamento quando Lindemberg, Leke pros íntimos, entrou armado. Sim, eu acredito plenamente que quatro jovens de 15 anos estavam participando de um bacanal no começo da tarde, bem no apê dos pais... Além disso, alguém tem dúvidas que, se fosse mesmo uma suruba, Lindemberg já chegaria atirando nos quatro? No entanto, na remotíssima hipótese que os quatro estivessem mesmo no meio de um bacanal, isso seria motivo pro criminoso atirar em alguém? Algumas pessoas não entendem que nada justifica atirar em alguém. Nada. Nem a não-virgindade da menina ou o passado do pai de Eloá (os fãs de Lindemberg colocam os dois episódios - uma menina não ser virgem e o pai dela ter matado alguém antes mesmo dela nascer - na mesma balança) mudam o fato que Lindemberg matou Eloá e tentou matar Nayara.
A comunidade “Eloá virou presunto” não é a única a homenagear o criminoso. Há uma outra, “Força Lindemberg estamos com vc!”, que diz que não concorda com o que ele fez e que ele até deveria ficar “uns meses preso”. Mas que foi a polícia que foi incompetente, “sem falar q as 2 eram vadias”. Um comentário diz que é uma pena Nayara não ter morrido, mas pelo menos ela levou um tiro na boca, e vai ter que ficar sem (traduzindo pra uma linguagem menos chula) fazer sexo oral em mulheres por um tempo. Porque uma amizade entre duas meninas só pode existir se houver alguma “perversão” por trás (pros membros dessas comunidades, mulher se envolver em qualquer atividade sexual é perversão). Essa comunidade já tem 1700 membros, se bem que a maioria parece estar lá só pra torcer que Lindemberg seja estuprado na cadeia. Mas o desejo de vingança não exclui a misoginia. Parece haver muitas pessoas que querem que o criminoso seja estuprado e morto, mas ainda assim reclamam da “promiscuidade” das meninas. “Deu” uma vez, é promíscua! E notem que não usam o termo “transar”, mas sim “dar” - porque “dar” é passivo.
Lindemberg fazia parte de quase 300 comunidades, entre elas “Amo Minha Namorada + do Q Tudo”, com 74 mil membros. Espero que nenhum dos outros 74 mil decida que “mais do que tudo” inclui passar por cima da lei. Porque matar é proibido por lei. Mesmo matar mulher é proibido. Depois que a gente vê acontecer um caso terrível desses, e percebe que ele só não é totalmente rotineiro porque, em geral, o homem mata a atual ou ex na hora, sem essas frescuras de cárcere privado de cinco dias, fica difícil ler uma enquete da comunidade sem sentir medo. A enquete pergunta: “Quanto você ama a sua namorada?”, e uma das respostas é “até o fim da vida”. Assim, sem sequer especificar de qual vida estamos falando, a dele ou a dela. Isso me lembra (não que eu havia nascido na época) os faraós egípcios, que quando morriam eram enterrados com todos os seus pertences - incluindo aí suas mulheres. A gente vive numa sociedade em que muito homem se considera dono da propriedade particular que é sua mulher. Dono vitalício e intransferível, pra piorar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

CRÍTICA: AMIGOS, AMIGOS, MULHERES À PARTE / Enquanto isso, na ficção, homem é pago pra aterrorizar ex-namoradas

Porta aberta e sorriso Colgate pro terrorista emocional.

Fico pensando se odiaria tanto Amigos, Amigos... Mulheres à Parte (My Best Friend's Girl) se eu estivesse passando por uma fase menos feminista, agora que estou meio radical e muito revoltada mesmo. Mas acompanhe esta minha crítica, veja o trailer, confira o filme, quiçá, e me diga se esta não é a comédia mais misógina dos últimos tempos (uma honra e tanto, considerando a vasta concorrência). É a história de um rapaz meigo, mas totalmente chatinho (Jason Biggs, de American Pie), que se apaixona pela Kate Hudson (filha da Goldie Hawn, e ainda não entendi o que mais ela fez pra merecer uma carreira. Ah, sim: Quase Famosos). Como Kate quer ser apenas amiga dele, Jason contrata seu primo e melhor amigo, Dane Cook (de Maldita Sorte, e o irmão de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, que estréia hoje no Brasil), pra traumatizá-la tanto que ela vai voltar correndo aos seus braços. Esse é o trabalho de Dane: praticar “terrorismo emocional” com as mulheres, pra que elas percebam que os paspalhos com quem namoram são na realidade carinhas incríveis.
Apesar de Amigos ser uma comédia romântica, gênero que tem o sexo feminino como público-alvo - e foi triste ouvir várias espectadoras morrendo de rir no cinema -, o filme não foi feito apenas para mulheres. Tá cheio de iscas pra homem. As cenas num bar de strip tease, por exemplo, não estão lá só pra humilhar a Kate, mas pra satisfazer o público masculino.
Há também um grande merchandising de cigarro que deve incomodar ambos os sexos. Quando aparece a
companheira de quarto da Kate, a câmera desce, um pouco fora de foco, pra mostrar o maço de cigarros de onde vem aquelas baganas que os personagens vão usar incansavelmente. Não dá pra ver direito, mas até eu, que não só não fumo como sairia por aí cortando cigarros, entendi qual marca é. E ninguém fuma em vão num filme. Tem um lobby tremendo da indústria tabagista por trás de cada cena e de cada personagem que dá umas tragadas, como provou Obrigado por Fumar. Aliás, acabaram de descobrir que já rolava dinheiro na época em que o cigarro estava associado apenas a glamour. A indústria pagava mais de cinco milhões de dólares por ano para que Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Bette Davis, Joan Crawford e tantos outros fumassem em todos os seus filmes.
Mas voltando a Amigos. A comédia inteira é machista, porque promove que mulheres adoram cafajestes (uma idéia amplamente difundida, que tenta justificar o comportamento de muitos homens, invertendo a lógica: não são os homens que não prestam, são as mulheres que não prestam por gostarem de homens que não prestam), que amizade de verdade só existe entre homens, que relacionamento entre mãe e filha não é nada, perto do de pai e filho. Mas a enorme ofensa - essa pra entrar pro Guinness - vem do personagem do Alec Baldwin, que faz o pai do Dane. Tudo bem incluírem um velho mulherengo. O problema foi a profissão que encontraram pra ele: professor de uma universidade conceituada. E professor logo de quê? De Women's Studies! Já deve fazer uns quarenta anos que Women's Studies se tornou um curso importante nas universidades americanas. Lá se discute feminismo, problemas de gênero, autoras etc. Nem sei se existem professores homens nos EUA dando esse curso. A enorme maioria é mulher, e feminista, lógico. Aí no filme temos um nojentão mulherengo dando o curso?! E todas as alunas são gostosonas jovens que aparentemente só aparecem nas aulas pra transar com o professor (uns 40 anos mais velho que elas)?! E a assistente dele (um cargo prestigioso nos EUA) só tem importância por fazer sexo com ele? Não sei se estou conseguindo transmitir como tudo isso é agressivo. É meio que tentar jogar no lixo 40 anos de feminismo.
Mas, claro, isso é fichinha se comparado ao que deve ser a cena mais perturbadora que eu vi numa comédia recente. É a do Dane dizendo como vai ficar a namorada do Jason depois que ele aprontar com ela: não vai conseguir dormir, vai ter ataques de choro constantes, e (ele imita o gesto) vai tremer durante horas debaixo de um chuveiro, tentando se lavar. Ao que o Jason responde: “Weird, but sweet” (“Esquisito, mas doce”). Esses sintomas que Dane descreve são típicos sabe de quê, né? De vítimas de estupro. Ah, os homens vêem graça em cada coisa! Eu também queria viver num mundo em que estupro fosse uma piada, não uma ameaça. E olha o slogan do filme: “It's funny what love can make you do” (é engraçado o que amor te faz fazer). Estranho, “engraçado” não é exatamente a palavra que me vem à mente quando penso no que o “amor” fez Lindemberg fazer com Eloá.