Mostrando postagens com marcador sex and the city. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sex and the city. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O CASO MEX/SEX

- Tá vendo aquela água mexicana? Ugh!

Fiquei indignada com o tratamento dado ao México em
Sex and the City. A Lolla Moon, uma brasileira que mora na Inglaterra e tem um ótimo blog, comentou:

Esse lance da água do México... Não levanto bandeiras porque, se fosse pra Índia, por exemplo, não beberia água da bica NEM MORTA. Não conheço ninguém que tenha ido até lá e voltado sem uma infecção intestinal. Do México eu não sei, mas isso tem muito a ver com a personagem da Charlotte, asséptica e certinha, e dentro do contexto, faz sentido. E sim, se elas estivessem no Brasil eu ia achar graça do mesmo jeito. :)”

Comecei a responder nos comentários e ficou longo demais, virou um post. Então aqui vai:

Isso da água do México é ultrajante, Lolla. Porque é um dos clichês que os países ricos, principalmente os EUA, falam de TODOS os países pobres. Eu me lembro quando ensinava usando o Interchange (que é o bestseller da editora Cambridge pra se ensinar inglês no mundo) de um dos subcapítulos do livro. Era sobre o Brasil. Sabe o título? "Don't drink the water". Ah, é de matar. Brasil, México, e outros países pobres têm mil e uma coisas bonitas, e americano se concentra na água?! Sendo que milhões de pessoas bebem essa água todo dia e não morrem nem ficam doentes? Escrevem um capítulo enfocando o Brasil (apenas porque o Brasil é o maior mercado do Interchange, depois do Japão), e falam da água que não se deve beber?! As personagens de Sex and the City vão a um belo hotel mexicano de alto padrão, e o filme se centra no mesmo “Não beba a água”?! As amigas estranham que Charlotte despreze os banquetes do hotel e coma seu próprio lanchinho made in USA. Afinal, dizem elas, “Estamos num resort cinco estrelas”. A resposta dela, "But it's still Mexico" (“Mas ainda é o México”), é uma afronta a todos os países em desenvolvimento. É meio que dizer que não adianta o país se desenvolver, melhorar aos poucos, inclusive oferecendo o melhor aos turistas, sempre será um atraso. E essa fala é um escândalo dentro de um contexto totalmente discriminatório que existe nos EUA, em que a maior parte da população apóia a construção de um muro pra impedir que imigrantes ilegais entrem no país. É jogar lenha na fogueira. É fomentar preconceito. Toda vez que se fala em barrar imigrantes, o pessoal no fundo se refere aos mexicanos. A América é um país feito por imigrantes, mas quer que os “hispânicos” (aqui isso é raça!) morram. Tem medo que os EUA deixem de ser um país que fala em inglês, pra ser um país (horror dos horrores!) bilíngue. Enquanto isso, 10% dos homens mexicanos vivem nos EUA. Pegam um trabalho pesado que ninguém mais quer. Portanto, o contexto do “ainda é México” é muito maior que o universo da Charlotte. É uma fala extremamente ofensiva. E não importa se vem de uma só personagem. Sex and the City valida as opiniões dela. Quando ela tem diarréia por acidentalmente engolir duas gotas de água mexicana, o filme tá dizendo: “Ela tem razão”. Quando o público americano se acaba de rir com a fala, ele assina embaixo do preconceito da comédia. Eu não preciso ser mexicana pra me ofender, porque sei bem que o “não beba a água” não se restringe ao México. E sei o que esse tipo de atitude representa.

Ontem procurei na internet alguma manifestação de repúdio do México contra o filme Sex and the City, mas não encontrei nadinha. Felizmente, a Denise, do brilhante Síndrome de Estocolmo, encontrou por mim. Tá aqui (em espanhol). Leia também a resposta dela às críticas que recebeu por ter, dãã, criticado a comédia romântica da vez.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CRÍTICA: SEX AND THE CITY / Quem precisa de orgasmo quando se tem uma bolsa?

Do que elas estão rindo?

Eu e o maridão fomos ver Sex and the City. Cinemas lotados, ingressos esgotados, e montes de mulheres nas filas (rendeu 55 milhões no fim de semana de estréia nos EUA, desde já a comédia romântica mais lucrativa da história). As moças na platéia (um amigo perguntou se o maridão era o único homem no cinema) gritaram quando a musiquinha da série começou a tocar, riram em vários momentos, uma ao lado não parava de dizer “Oh God! Oh God!”, tiveram orgasmos ao ver uma bolsa, e aplaudiram muito no final. Tenho a impressão que elas gostaram. Já eu achei o filme longo demais (duas horas e meia!), e lá pelo meio minha bunda já tava quadrada. Logicamente, gostar ou não do longa depende do envolvimento com a série. Pra mim, que não dou a mínima pra moda, que acho imoral um par de sapatos custar 500 dólares, e que não sou chegada a rituais em geral, realmente não tem graça. Mas suspeito que as moçoilas sejam bem parecidas com as de um debate que assisti. Aparência é fundamental, tradição é pra ser respeitada, e poucas coisas na vida são mais importantes que um anel de diamantes dado pelo futuro marido.

Ou seja, Sex não tem nada de feminista. Ao mesmo tempo, tem dois aspectos positivos: é legal ver mulheres com mais de 40 anos serem consideradas bonitas e poderem carregar um filme, o que é pouco comum em Hollywood; e promove a amizade feminina, numa cultura que dita que mulheres só podem ser rivais, e que só homens podem ser amigos de verdade. Alguns blogs masculinos e héteros, com a misoginia que lhes é peculiar, tentavam convencer os homens a ir ver o filme. Um dos argumentos: como as personagens são todas umas vadias, existe a chance de seios aparecerem. Incrível como, em pleno século 21, a promiscuidade continue sendo tolerada apenas pros homens. Mas as mulheres no filme não são nada promíscuas (e se fossem, e daí?). Todas são exclusivamente monogâmicas. Até a Samantha, que é provavelmente a personagem mais “gay disfarçada de mulher” que há. Eu não sabia que os criadores de Sex eram gays, que o filme seria considerado o maior evento gay do ano, e não entendia por que a série fazia sucesso entre gays, já que os personagens gays são totalmente coadjuvantes. Mas, lendo blogs gays, entendi: nossas heroínas seriam na realidade gays disfarçados de mulheres. A obsessão com roupas e sapatos, e inclusive o comportamento promíscuo das personagens, apelariam mais pros gays que pras mulheres em si. Porém, o público gay é pequeno, e se fosse só por ele Sex não seria o sucesso que é. As mulheres aderiram, e aí é o caso de perguntar quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Moças de classe média de todo o mundo já eram assim consumistas e alienadas antes da série, e por isso Sex cativou tanta gente, ou a série influenciou todo um comportamento?

Bom, só espero que mesmo as fãs mais deslumbradas sejam capazes de ver que o filme é ofensivo aos países subdesenvolvidos. Por exemplo, as moças vão pro México pra Carrie se curar da sua depressão e sair do seu “mexicoma”. Charlotte leva suas próprias refeições. As amigas dizem: “Você não vai comer a comida daqui? Estamos num hotel cinco estrelas”, e ela: “Sim, mas ainda é o México!”. Nos EUA, todo mundo na platéia se acabou de rir. Em seguida, Charlotte está tão feliz tomando uma ducha que abre a boca e engole talvez duas gotas da asquerosa água mexicana – e passa mal! Ianques: aguardem, tá? Seu dia vai chegar. Quando vocês quiserem atravessar a fronteira do México, tal qual em O Dia Depois de Amanhã, e nós cucarachas não deixarmos, vocês vão se arrepender. O filme também reflete bem a total segregação racial americana. A série sempre foi branca, tão branca quanto Friends. Desta vez incluíram a personagem da Jennifer Hudson (Oscar de coadjuvante por Dreamgirls), que está muito bonita e chega pra representar não apenas um, mas três grupos: além de ser a única pessoa negra com falas, ela tem menos de 30 anos e não é magra. Mas o principal é sua cor. Numa cena, ela volta pra sua cidade natal e se encontra com família e amigos, todos negros. Assim vai ficar difícil, Obama.

Quem se sai melhor é a Samantha. Gostei da piadinha com deck/dick (me avisem como foi traduzida no Brasil). Como a única risada no trailer é ela quem proporciona, bom que seja ela no filme também (pra ser justa, o filme é muito superior ao trailer - veja a cri-crítica ao trailer aqui). Samantha ganha uma jóia que custa 50 mil dólares (eu disse classe média antes?), e organiza um sushi erótico. Não sabe que no Brasil isso já passou até no Faustão (ok, foi um dos piores momentos da história da TV brasileira, mas enfim). Ela prefere Botox à casamento, mas Carrie tem outra opinião. Dá a impressão que casamento é essencial porque se pode desfilar um vestido de noiva. Pra uma mulherada que não repete sequer o pijama (ninguém usa a mesma roupa duas vezes; li que Carrie se troca oitenta vezes), qualquer oportunidade de exibir um figurino é lucro. E só eu que acho estranho usar salto alto e maquiagem até pra dormir e transar?

Lá pelas tantas, Samantha engorda. Eu não teria reparado se não tivessem feito um escândalo. Mas como que ela não havia notado os quilos a mais, perguntam pra ela. E ela responde que não se olhava no espelho. Hã? Existe alguma chance de uma mulher assim, que põe Botox a torto e a direito, obcecada pela aparência, deixar de se olhar no espelho por mais de cinco minutos? E as roupas? Alguém tão preocupada com roupa vai notar imediatamente se engordou cem gramas. Já Miranda tem a personagem mais insossa no filme. Fazem parecer que ela é responsável pelo marido tê-la traído. É uma lógica bem perversa: o marido trai, e a culpa é nossa? Li isso sobre a Hillary Clinton outro dia. Se ela soubesse fazer bom sexo oral no Bill, ele não teria precisado da estagiária, não haveria todo o escândalo político, Bush Jr. não teria sido eleito, e o aquecimento global não teria alcançado proporções tão alarmantes. Então você já sabe: se o planeta acabar, a culpa é da Hillary.

Sex inclui um monte de merchandising. Há duas montagens com roupas e uma cena completamente inútil do New York Fashion Week, que lembra personagem de novela da Globo indo a banco (tudo superficial, sem ligação com a história, só pra vender mais um produto). Uma outra cena que começa parecendo o maior merchandising acaba saindo pela culatra. Carrie assiste ao musical com a Judy Garland Agora Seremos Felizes (Meet me in St. Louis, 1944) e desliga o dvd no meio de um número. A platéia fez “Oh” ou “Ah”, não sei descrever, mas foi uma expressão de escárnio, do tipo “Musicais merecem ser desprezados”. O mesmo não se pode dizer do amor a Nova York que a série gera. Há turistas que vão pra lá só pra fazer um tour pelas locações de Sex.

Não quero me juntar ao coro de quem acha a Sarah Jessica Parker horrível, com cara de cavalo, essas coisas. Pela falta de profundidade do roteiro, que em vários momentos parece estar mais empenhado em desfilar modelitos que em desenvolver uma história, muita coisa soa como slide animado. Mais do que atuar, Sarah tem que posar. E nós, mulheres, acabamos analisando muito mais a aparência das atrizes que dos atores. Tirando um ou outro, os homens no filme são bastante feinhos, não? Mas, claro, ninguém vai a Sex pra ver homem. Nem sexo. Então é pra ver bolsa mesmo?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

CRI-CRITICANDO TRAILER: SEX AND THE CITY

Nunca fui grande fã de Sex and the City. Assisti à primeira temporada em DVD num só fim de semana e até que foi engraçadinha. Gostei. Mas não o suficiente pra querer ver as outras. Aí teve um dia que minha mãe pegou a quinta ou a sexta e emprestou pra mim e pro maridão. Foi um sufoco ver uns três episódios. Nos EUA, quando tínhamos TV a cabo, vi uns quatro, talvez. Não é que a série seja ruim – é só que tem tão pouco a ver comigo que perde a graça. As quatro amigas vivem num planeta em que todo mundo é rico, magro, hiper bem-vestido, e branco. Meu planeta é um tiquinho diferente. E elas usam casaco de pele, o que me revolta. E compram mais sapatos que a Imelda Marcos. E não entendo por que uma mulher precisa ter mais de, sei lá, dez pares? (tipo um pra cada dia da semana, sem precisar repetir?). Faz pouco tempo li uns depoimentos de críticos americanos gays que aguardam o filme com ansiedade, e aprendi uma nova perspectiva, que eu não conhecia (perdoe se isso é hiper antigo e, mais uma vez, sou a última a saber). É o seguinte: as quatro amigas no fundo não são mulheres! São gays disfarçados de mulheres! Por isso a obsessão com roupas e sapatos e, ahn, a promiscuidade! Não sou eu que tô dizendo, são eles. E essa foi uma opinião unânime entre os vários críticos gays. Quer dizer, essas amigas não foram criadas pra representar um público feminino, entende? Talvez com essa nova visão eu consiga apreciar melhor o filme, que tá marcado pra estrear aí no Brasil no dia do meu aniversário (6/6). Mas o trailer, pelamordedeus, o trailer é fracote. A gente vê a Carrie da Sarah Jessica Parker como a noiva mais feia a pisar na Terra (gosto muito dela como atriz, mas cansei de fingir que ela é bonita), prestes a se casar com o Big (não o supermercado, o outro. Esse apelido do cara me incomoda tanto...). Por algum motivo o casamento não se concretiza durante o trailer, e Carrie conta um conto de fadas pra uma menininha, avisando-a que o “viveram felizes para sempre” nem sempre corresponde à realidade. Isso é tão clichê! Pra quem que ela tá falando esse lugar-comum, pra gente, público que Hollywood assume ter QI de ostra, ou pra menininha? Eu me senti totalmente subestimada. Só gostei de dois momentos no trailer. Um foi a breve aparição da Jennifer Hudson (Dreamgirls), que será a primeira e única atriz negra e com mais de 50 quilos a habitar aquele universo. Também gostei quando a amiga mais predadora, a Samantha, critica alguém por não estar bem depilada na área do bíquini, dizendo: “Essa daí é casada e nem por isso está deixando crescer uma selva”. E achei divertido mais pelo jeito como a ótima Kim Cattrall diz “essa daí” do que pela piada. Enfim, mais consumismo desenfreado pela frente. Não me entusiasma nem um pouco. Nota 2.

Leia a crítica do filme aqui.