A minha história não é sobre violência -– bom, depende do ponto de vista, pode ser sim uma forma de violência--, é sobre traição. Eu fui a outra, por pouco tempo, mas fui.
Eu tinha dezoito anos e ainda sequer tinha beijado direito na boca; sexo, então, nem pensar. Eu era tímida, insegura e sonhava com o grande amor.
Foi então que o conheci. Ele apareceu na minha frente, extrovertido, sorrindo, com um olhar simpático. Desde esse dia comecei a prestar mais atenção nele e não percebi que, pouco a pouco, me sentia mais e mais atraída. Um rapaz mais velho que tinha acabado de concluir o curso universitário, com ar de experiente, se aproximava de mim cheio de charme. Quando ia me cumprimentar, pegava minhas mãos e fazia carinho nelas, era um carinho paradoxalmente respeitoso, quase pueril, mas repleto de desejo e vontade. Eu me apaixonava.
Foi então que o conheci. Ele apareceu na minha frente, extrovertido, sorrindo, com um olhar simpático. Desde esse dia comecei a prestar mais atenção nele e não percebi que, pouco a pouco, me sentia mais e mais atraída. Um rapaz mais velho que tinha acabado de concluir o curso universitário, com ar de experiente, se aproximava de mim cheio de charme. Quando ia me cumprimentar, pegava minhas mãos e fazia carinho nelas, era um carinho paradoxalmente respeitoso, quase pueril, mas repleto de desejo e vontade. Eu me apaixonava.
Todos os dias ele ia me ver, me procurava com os olhos e quando cruzava comigo na rua, vinha em minha direção ansioso e sedutor. Foi então que me convidou para ir ao cinema com ele, e eu aceitei. Não podia acreditar que aquele lindo e cobiçado rapaz estava interessado em mim! Aceitei na hora, sem titubear.
Esperei ansiosa pela noite e quando eu o vi, senti uma felicidade incrível: eu, que não ficava nunca com ninguém (pois era a mais feinha da turma), estava prestes a aconchegar o meu coração, doído e só, que tanto queria um carinho. Minhas experiências com um rapaz se resumiam ao plano da imaginação.
No meio do caminho, ele resolveu que não iríamos ao cinema e foi bem direto: “Quero beijar você e quero ir para outro lugar!" Fiquei meio desconfiada e neguei, mas ele me assegurou de que não iria tentar nada que eu não quisesse. Era só um momento para que ficássemos sozinhos, longe dos olhos curiosos das outras pessoas. Aceitei, mas cheia de reservas. Enfim fomos para outro lugar, ele tinha carro e me levou para um lugar alto, onde podíamos ver toda a cidade.
De repente, ele me beijou e, certamente, percebeu minha inexperiência. Ele enfiava a língua na minha boca e eu não sabia o que fazer, então ele me abraçou e me fez carinhos intensos e audaciosos no pescoço, no rosto, me apertava pela cintura. Seu toque era forte, seguro, voraz. Durante todo esse momento, ele só tocou nos meus braços, costas e rosto, mas cada toque tinha uma força, uma energia que me envolvia e me tirava o fôlego. Era a primeira vez que eu sentia aquilo, e foi incrível.
Cheguei em casa flutuando, mal podia acreditar no que aconteceu, foi intenso e inesquecível. Lembro de muitos detalhes, até da música que tocava no rádio. Senti um conforto e um desconforto incríveis, que se alternavam dentro de mim.
Cheguei em casa flutuando, mal podia acreditar no que aconteceu, foi intenso e inesquecível. Lembro de muitos detalhes, até da música que tocava no rádio. Senti um conforto e um desconforto incríveis, que se alternavam dentro de mim.
Nós tivemos mais quatro encontros, ele cada vez mais carinhoso e ousado, e eu cada vez mais envolvida. Até que um dia, à noite, eu o vi com uma moça que era sua namorada. Nesse instante, minha alegria e meu entusiasmo se acabaram. Eles sorriam, se beijavam e pareciam muito apaixonados. Eu fiquei arrasada, triste e com o coração despedaçado, mas também com muita raiva dele e principalmente de mim. Aí ele me viu e ficou desconsertado. Eu fui embora na mesma hora, chorando.
No outro dia ele me ligou e quis conversar, dizendo que não era feliz com ela e que iria terminar o namoro, eu só tinha que ter paciência. Eu desliguei e não quis ouvir o resto. Ele ligou mais algumas vezes, mas eu não atendi. Não falei com ele e, quando o via, o ignorava. Não se pode brincar assim com as pessoas.
No outro dia ele me ligou e quis conversar, dizendo que não era feliz com ela e que iria terminar o namoro, eu só tinha que ter paciência. Eu desliguei e não quis ouvir o resto. Ele ligou mais algumas vezes, mas eu não atendi. Não falei com ele e, quando o via, o ignorava. Não se pode brincar assim com as pessoas.
Há pouco tempo, eu estava no aeroporto, quando percebi que alguém me olhava -- era ele. Olhava fixamente e ameaçou se aproximar, mas, neste instante, anunciaram meu voo. Saí, mas antes acenei afetuosamente para ele, como se tivéssemos sido amigos no passado.
O mal deve ser cortado pela raiz. Se eu tivesse caído na conversa dele, teria sofrido muito mais. Alguns homens querem simplesmente aproveitar as oportunidades e fazem jogos que lançam sobre nós, mulheres, a responsabilidade das coisas. Ele nunca terminaria com ela e levaria a situação até quando fosse conveniente pra ele, e é nessa situação que ainda muitas mulheres se encontram nos dias de hoje. Esperando anos e anos a fio que ele se separe.





















































