terça-feira, 28 de janeiro de 2014

GUEST POST: A MÃE-CADÁVER

Manifestante em favor da família: "Deixem Marlise descansar em paz"

Em abril de 2012, tivemos que lutar
para que o Supremo permitisse o
aborto de fetos anencéfalos
Renata me enviou um email sobre um caso que mobilizou os EUA. O caso traz uma importante reflexão sobre eutanásia (morte cerebral não seria suficiente para desligar aparelhos?) e, mais ainda, sobre o corpo de uma mulher ser visto como nada além de um receptáculo para um feto. 

Eu me interesso bastante pelas questões da bioética que envolvem as mulheres. Embora muita gente acredite que se trata de um universo restrito à experiência de poucas, cada vez mais tenho percebido que estas questões invadem o cotidiano de cidadãs e cidadãos comuns. 
Ainda é ficção
Uma dessas reflexões é o útero artificial. Ficção ou realidade? Ficção, se a gente pensar no útero artificial sendo usado pelas mulheres com o objetivo declarado de reprodução (seja por opção de ser mãe biológica sem passar pela gravidez ou por problemas que impeçam a manutenção intra-útero do bebê). Não é a mesma coisa de barriga de aluguel (ou maternidade de substituição, ou ainda gestação para outrem). Realidade, se a gente pensar nas incubadoras que permitem a sobrevivência das crianças extremo-prematuras. Crianças viáveis, que nascem após 27 semanas de gestação e antes das 32 semanas, devido a complicações na gestação e que podem “continuar” sua vida fetal até atingir a autonomia de uma nascida a termo.
Como os "pró-vida" veem a mulher:
receptáculos de bebês
Recentemente, duas notícias me chocaram. As duas tratam da mesma questão: uma mulher grávida teve morte cerebral diagnosticada, com menos de 20 semanas de gestação. E a equipe médica decidiu manter o corpo “vivo”, ligado a aparelhos para extração do feto por volta da 27a semana (ainda que sua família quisesse que os aparelhos fossem desligados). Seria uma nova forma de útero artificial? Tratar uma mulher como meio de cultura, receptáculo, incubadora, estufa? Aos que afirmam que é pela criança, alguém já pensou que poderia haver consequências graves psíquicas, biológicas, sociais, para o bebê?
Família Muñoz
Os jornais abordaram este tema, mas pelo viés da eutanásia. Ou pior ainda, através do velho debate “o que é morte cerebral?”. Ora, alguém com morte cerebral é alguém sem vida, portanto, um cadáver. Eutanásia tem relação com abreviar o fim da vida, obviamente de quem ainda vive! O primeiro caso que se noticiou aconteceu na Hungria ano passado. O segundo caso aconteceu agora no Texas. 
Marlise quando viva
Marlise Muñoz, 33 anos, tinha se levantado à noite para cuidar do filho de um ano, quando teve uma embolia pulmonar. O marido a encontrou caída na cozinha e tentou a reanimação, mas ela foi declarada em estado de morte cerebral. Estava grávida de 14 semanas. A família queria que a lei reconhecesse a morte de Marlise. O Estado texano obriga a manutenção dos aparelhos se a mulher estiver grávida. O tempo passou, sem que a família obtivesse ganho. Só no domingo, acatando uma ordem judicial, o hospital desligou os aparelhos. 
A dor do pai e marido Erick
Se os aparelhos não tivessem sido desligados, em fevereiro o feto teria entre 24 e 28 semanas e seria extraído via cesariana. Quantas violências cometidas em nome de uma defesa cega da “vida”! O marido de Marlise teve que esforçar-se para convencer a lei e a medicina de que este feto ficou sem oxigenação todo o tempo em que a mãe esteve desmaiada no chão (ele não a encontrou imediatamente), que o feto ingeriu toda a medicação agressiva que a mãe ingeriu, que tinha 14 semanas (a contagem da gravidez sempre é aproximativa) quando a mãe faleceu e por isso, seria um feto inviável. E que era uma criança gerada num corpo morto de uma mulher. 
Erick, filho e Marlise, antes da tragédia
O nascimento deste feto iria ainda afetar a vida familiar, pois para continuar o seu desenvolvimento incerto, ele iria para uma incubadora por tempo indeterminado. Que consequências isso teria para o primeiro filho, este sim vivinho da silva, e que poderia ficar ainda mais desamparado? Como esta criança viveria a situação de que sua mãe morreu, mas não foi cremada nem enterrada e ainda gestava "um/a irmã/o"?
E que direito a sociedade tem de instrumentalizar o corpo morto de uma mulher? Os familiares afirmaram que Marlise acompanhou a lenta morte do irmão e que era contra qualquer forma de continuação artificial de uma vida que se esvai. Vale relembrar, a vida dela já tido acabado! A Folha de São Paulo traduziu um artigo do New York Times que ignora completamente a condição feminina de Marlise. 
"Apoiamos [a decisão da] família"
As vozes silenciam ou focalizam no desgastado debate do “valor da vida”, em detrimento do sofrimento dos que já estão neste mundo. Mais do que isso, essas vozes corroboram a representação da mulher como objeto manipulável. Ferem a dignidade de todas nós.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PARTICIPE DO TRADICIONAL BOLÃO DO OSCAR DA ALE

Campanha lolística pra participar do bolão no início do blog

Oi, gente! Convido vocês para participar do meu tradicional bolão do Oscar. Eu organizo um desde que eu tinha 18 anos. 
Tem gente, como minha mãe, que participou de todas as edições (ou seja, 27?!), e nunca ganhou, tadinha. Tem o maridão, que participa desde que me conheceu (23 anos); tem uma galera antiga (Vitor, Claudemir, Júlio César) que participa desde 2000, e que já ganhou algumas vezes. E tem a Alexandra, que participa desde 2003 e que já ganhou uma penca de vezes, sendo que os três últimos anos ela venceu consecutivamente. Então vamos nos dar as mãos e odiar a Alexandra. Mas não deixe de participar do tradicional Bolão do Oscar da Alexandra da Lolinha!
É estupidamente fácil participar (ganhar da Ale é que é difícil). Graças ao querido Júlio César, direto de Maceió, que organiza tudinho, eu só tenho que divulgar. São vinte categorias principais. Categorias secundárias, que mesmo com a internet são duras de encontrar, como documentário e curta, ficam de fora. O resto, incluindo aí Cabelo e Maquiagem e os famigerados edição e mixagem de som (que ninguém sabe a diferença), tudo entra. Ganha o bolão quem acertar mais categorias. 
Você pode participar no bolão não-pago e no pago. Recomendo, claro, que você participe dos dois (até com apostas diferentes). Pra participar do bolão grátis, tudo que você precisa fazer é clicar aqui, fazer suas apostas para cada uma das categorias, colocar seu nome e email, e clicar em submit. Pronto, você tá dentro. Se, de repente, você se arrependeu de alguma aposta, é só preencher o formulário de novo. É rápido. Pra ter uma ideia mais global dos indicados, aqui tem uma lista. Mas não se preocupe que no formulário tem todos os indicados.
Pra participar do bolão pago, também é fácil: o formulário está aqui. É só preencher. Só que aí você também tem que pagar a mixaria de R$ 15 (quinze reais). Você deposita ou transfere esses 15 reais pra uma das duas contas que tenho –- Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760 (ou me paga pessoalmente, se você mora em Fortaleza). Aí você me envia um comprovante por email (lolaescreva@gmail.com). Só isso. Quem acertar mais categorias, ganha todo o dinheiro arrecadado. Se houver empate, a quantia é dividida. Não fazemos fiado! Você tem que pagar os R$ 15 até o dia 28/2 pra competir no bolão pago. 
O prazo final pra entrar nos bolões é 28 de fevereiro, até a meia noite. É que a cerimônia será dia 2 de março, e a gente precisa fechar antes pra organizar e enviar todas as tabelas. (Não me pergunte por que o post ficou todo desconfigurado). Já no dia 1/3, você receberá, por email, uma tabela com todas as apostas de todxs os participantes. Aí é só preparar a pipoca e sentar pra assistir à transmissão.
Ou não. Este ano será dureza, pois o Oscar cairá bem no domingo de carnaval. Pra quem não vai viajar, tudo bem. Mas quem vai (meu caso) pode ter enormes dificuldades pra ver a cerimônia. Você vai precisar de TV a cabo ou uma boa conexão pra internet, porque a sacripanta da Globo comprou os direitos da transmissão pra TV aberta, mas não vai transmitir (apenas um compacto no dia seguinte). Eu fico indignada com isso. Se uma emissora (concessão pública, só lembrando) paga pelo monopólio da transmissão, deve transmitir, ao vivo. Senão, deixa pra outra emissora que quiser transmitir. 
Participar do bolão é divertido porque, nos bons tempos, as pessoas concorriam pra ganhar de mim. Hoje é legal porque a gente pode xingar a Alexandra. Tá, o mais legal é que você tem um motivo a mais pra torcer por alguém. Digamos, por exemplo, que você queira que a Amy Adams ganhe melhor atriz, e você apostou na Amy no bolão. Se ela ganhar (e geralmente esse é um dos últimos prêmios), essa vitória pode definir o bolão.
Semana passada eu fiz uma enquete pra ver quem vocês querem que ganhe melhor atriz. 237 pessoas responderam e, pra provar que tá embolado mesmo, deu empate entre a Amy e a Cate Blanchett! (sem falar no empate pra segunda colocação: Meryl e Sandra, cada um com 22%). Claro, a pergunta era quem você quer que ganhe, não quem você acha que vai ganhar. No bolão, você deve apostar em que você acha que vai ganhar.
A enquete pra melhor ator foi um passeio. Aqui a torcida é pelo Leonardo DiCaprio. 190 de vocês votaram, e deu o Matthew McConaughey em terceiro, com 19% dos votos, e o Chiwetel Ejiofor em segundo, com 20%. Mas o Leo ficou muito na frente com 54%. Será que a academia votará assim também? Ele certamente não era favorito (muita gente duvidava que ele seria sequer indicado), mas agora... Eu vou apostar nele!
Início do blog, em 2008
Farei outras enquetes até o Oscar, mas elas não têm nada a ver com o bolão. E lembrarei vocês sobre o bolão. Toda semana! Pra isso, eu costumo pegar cenas de filmes concorrentes e colocar uma legenda engraçadinha (ou infame), que acirre seu instinto de superar a Alexandra. Se você tiver sugestões de imagens e legendas, é só mandá-las pra mim. Participe, vai!

CRÍTICA: WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS / Puxa-saquismo

- Não deixem de visitar meu parque!

Esses dias vi o pior filme (até agora) de toda a safra Oscar 2014. Detestei muito Walt nos Bastidores de Mary Poppins, título ridículo para o título original medíocre Saving Mr. Banks (veja trailer legendado). 
Aliás, o único deleite que tive vendo essa porcaria foi me divertir com as legendas em português mais catastróficas dos últimos tempos (eu vi no computador: essa é minha vida de pirata atualmente, sem tempo pra ir ao cinema). 
Numa hora que a personagem da Emma Thompson diz algo como "You think Mary Poppins saved the children?" ("Você acha que Mary Poppins salvou as crianças?"), o tradutor não quis nem saber e tacou na tela um "Você acha que Mary Poppins economizou as crianças?" Ele provavelmente traduziria o título original para Economizando o Sr. Bancos (e por mim tudo bem). 
Foram os Estúdios Disney que fizeram o troço. O que quer dizer que é um dos maiores casos de puxa-saquismo já vistos nas telas de cinema. Walt (interpretado por Tom Hanks -- e sempre que o Tom interpreta um personagem da vida real, o cara automaticamente ganha um upgrade. Se algum dia fizerem um filme sobre a minha vida, quero ser interpretada pelo Tom) é um visionário, um patrão maravilhoso, um pai incrível, e até um filho sem rancor que perdoou o pai dele que o obrigava a entregar jornais no meio da neve aos oito anos de idade. 
Economizando o Sr. Bancos é praticamente uma hagiografia do Walt, feita por seus funcionários mais dedicados. E gente, vamos admitir: Mary Poppins, o filme, envelheceu mal. Não virou clássico. Isso vindo de alguém que considera qualquer musical (Evita, A Pequena Loja dos Horrores) um clássico. Faça o teste: qual música bobinha de Mary Poppins ainda é cantada hoje, cinquenta anos depois? (o filme foi lançado no mesmo ano em que os militares brasileiros deram o golpe contra a nossa democracia).
Sem falar que o filme é uma completa mentira. 
Julie Andrews, Walt Disney e P. L.
Travers na premiere de Mary Poppins
P. L. Travers, autora da série de livros infantis Mary Poppins, odiou com todas as forças -- quase tanto quanto eu odiei Economizando Sr. Bancos -- a adaptação que os Estúdios Disney fizeram. É verdade que ela chorou na estreia de Mary Poppins. Mas não foi exatamente por estar comovida. Ela ficou tão, tão furiosa que não só nunca mais vendeu os direitos pra qualquer um de seus livros pra Disney, como deixou no seu testamento que, se uma produção teatral fosse feita de Mary Poppins, ninguém do filme poderia estar envolvido. 
Talvez a cena mais embaraçosa do Economizando Sr. Bancos seja ver Paul Giametti, um ator que normalmente é ótimo, reduzido a chofer e única pessoa que gosta da escritora. Ele personifica o puxa-saquismo diligente do filme no momento em que vê Walt Disney receber Travers na Disneylândia (outra cena que nunca existiu na vida real). Paul vê seu patrão de braços abertos, receptivo, e diz, admirado, "Hot dog!" (uma gíria datada para "Puxa vida!", que as legendas em português, óbvio, traduziram como "Cachorro quente!"). 
Maior sacanagem com o Paul Giamatti
Até me chateio por ter desgostado tanto de um filme escrito por duas roteiristas mulheres (se bem que uma delas é responsável pelo roteiro de 50 Tons de Cinza) e que, bem ou mal, tem uma mulher como protagonista. Mas a personagem é insuportável. E o filme está cheio de flashbacks da infância dela que não funcionam. Só interrompem a história. E olha que pra me fazer chorar com uma trama de pai e filha é a coisa mais fácil do mundo. Mesmo assim, não me comovi.
Quer um só exemplo de como Economizando o Sr. Bancos naufraga? 
Pense na cena, bem no início, em que Travers chega a sua suíte de hotel na Califórnia e a encontra lotada de bichinhos de pelúcia da Disney. Podia ser uma cena engraçada. Podia ter um pouquinho de humor físico, ao mostrar Travers tentando se livrar de todos aqueles bonecos. Mas não. É uma cena que não serve pra nada.
A impressão que fica é que fizeram um filme ruim desses pra mostrar que existiu alguém mais esquisitão que o cara que se congelou antes de morrer pra poder voltar depois. Ok, esse é só um mito sobre Walt Disney (na realidade ele foi cremado, em 1966), uma lenda urbana. 
Mas ele foi anti-semita e machista (como anunciou Meryl Streep numa cerimônia dos críticos em Nova York no começo de janeiro. Embora uma neta de Walt concorde, os conservadores não gostaram de ter um de seus ídolos criticados e a chamaram de vagabunda, dizendo que Streep não deixará legado nenhum, ao contrário de Disney. Eu tive que ler várias vezes pra acreditar que eles estavam falando da Meryl f*cking Streep, mulher mais indicada na história do Oscar e tida como a melhor atriz americana de sua geração). 
Eu pessoalmente não tenho muito interesse em falar mal do Walt. Pô, meus pais até me mandaram pra Disneylândia quando eu era adolescente. Mas me incomoda muito que o estúdio dele faça um filme pra canonizá-lo, ao mesmo tempo que vilifica uma mulher que queria ter controle criativo sobre a obra dela. 
- Estão falando o quê da minha amiga Meryl?!

domingo, 26 de janeiro de 2014

6 ANOS DE BLOGUINHO!

Pessoas queridas, lá pelo dia 24 de janeiro, este blog que vos fala completa mais um ano de vida. Como comecei em 2008, agora são seis anos, uma eternidade em termos de internet.
Visitas no blog em 2012
Portanto, farei uma breve retrospectiva do que aconteceu aqui no blog em 2013. Iniciando por uma notícia que deixará meus inimiguinhos comemorando por uns cinco dias: o auge do blog já passou. Faz tempo, e pelo jeito não volta mais. Foi entre outubro de 2012 e março de 2013. Durante aquele semestre, o blog teve uma média de visitas de 300 mil por mês, e 450 mil visualizações de páginas. Muita coisa. Porém, de abril pra frente, por motivos que desconheço, passou a cair. A média do último semestre do ano passado foi de 250 mil visitas e 360 pageviews.
Visitas no blog em 2013
Não sei compreender por que alguns meses têm tantas visitas e outros, poucas. Ok, sei que meu público é jovem, e em julho, mês de férias, as visitas costumam cair muito. Mas como explicar que meu recorde de visitas de todos os tempos tenha sido em janeiro do ano passado (330 mil), que também é mês de férias (se bem que, por causa da greve das federais em 2012, as férias foram em março)? Pelo que vi em outros blogs que deixam o sitemeter ou algum sistema de contagem aberto (pouquíssimos fazem isso), eles também tiveram queda nas visitas no segundo semestre. Será que o Facebook está tirando leitores dos blogs? Pode até ser, mas, segundo pesquisa, o FB também está em queda.
De toda forma, 2013 foi o melhor ano do bloguinho. Foram 270 mil visitas por mês em média, e 393 mil pageviews. Mas tudo indica que, agora em 2014, será difícil manter 250 mil visitas por mês (janeiro está sendo péssimo). Mas, enfim, se ficar com 200 mil, ainda é um blog bem grandinho. Principalmente se considerarmos que ele é feito sozinho por alguém que não ganha dinheiro com ele.
As estatísticas do blogspot são diferentes das do sitemeter. Segundo elas (que não medem visitas, só visualizações de páginas), o blog segue com cerca de 420 mil pageviews por mês. E, se o Google Trends é algum parâmetro, todos os maiores blogs feministas caíram (acho que o GT avalia quantas buscas o blog ou site recebe).
Agora o blog está com 8,950,900 visitas desde mais ou menos a criação do Escreva Lola Escreva (é que eu levei algumas semanas até instalar um sistema de medição), e quase 14 milhões de pageviews (17 mi segundo o blogspot). Em janeiro do ano passado, estava com 5,790,000, então foram mais de 3 milhões de visitas em 2013.
Em janeiro de 2013 eu tinha 4,724 seguidorxs no blog. Agora tenho 5,669 (obrigada, gente!).
No Twitter, eu tinha 10,738 seguidorxs, e agora tenho 15,028 (mais gente que eu já conheci na vida). Os comentários caíram, sem dúvida. Vocês devem ter reparado. Em janeiro do ano passado o blog estava com 130 mil comentários. Hoje está com pouco menos de 164 mil. 
Ou seja, foram 34 mil comentários publicados em um ano. Se dividir esse número pelo número de posts publicados em 2013 (394), dá uma média de 85 comentários por post. É uma boa média, não posso reclamar, mas a média em 2012 foi de 126 comentários por post. 
Lugar onde modero os comentários
Só que devo dizer que foi a partir de junho de 2012 que passei a moderar comentários. Antes disso, ou seja, nos primeiros 4,5 anos de blog, não havia moderação. Só que os trolls ficaram insuportáveis. Não tive opção. Hoje excluo muitos comentários, não sei quantos por dia. Tem um monte de ameaça, um monte de agressão, um monte de mentiras, e uma dose de propaganda mascu. Quase todos são deletados. E tem quem ache que eu deveria ser muito mais rígida na moderação... 
Aí embaixo publico todos os posts de 2013 que tiveram 150 comentários aceitos pra cima. São vários, mas não é difícil constatar que boa parte deles é de janeiro e fevereiro. Não sei por que o pessoal comentou mais nesses meses!
Muitos desses posts mais comentados são guest posts (inclusive, o post mais comentado do ano passado é um guest post da Loisiana!). Tenho grande orgulho dos posts convidados que publico, porque acredito piamente que eles abrangem o escopo do blog. Acrescentam vivências, opiniões e conhecimentos que não são meus. Em 2013 foram 193 guest posts publicados. Super obrigada a todas as pessoas que escrevem (e sinto muitíssimo por não conseguir responder todos os emails que recebo. Não é por mal, é pura falta de tempo mesmo).
Sobre dinheiro adquirido através do blog, não tem. Chuif. Os únicos anúncios que eu tinha, do Submarino, foram desativados em 2012, depois que o site deu calote em todos os blogs. O dinheiro que consegui em 2013 foi todo pela venda dos livros (R$ 3,800 no total). Aliás, se vocês quiserem comprar um, só tenho mais 60 exemplares sobrando. E sabe-se lá quando sairá o próximo livro.
Estou pensando em colocar Adsense discreto no blog, se não ficar muito invasivo, e se der pra filtrar o tipo de anúncio (tipo, não adianta escrever um post sobre aceitação do corpo se em seguida aparecer um anúncio como "Emagreça 50 quilos dormindo"). Vocês achariam horrível se houvesse um Adsense discreto? (pergunto sem ter a menor noção de quanto dá pra conseguir com isso). 
Em 2013 eu tive minha pior crise de "Vou parar de fazer esta bagaça" desde o final de 2010, quando estava impossível conciliar o trabalho insano na faculdade com as postagens diárias do blog (não sei se vocês notaram que, desde que comecei o blog, só deixei de atualizá-lo diariamente durante alguns dias de fevereiro de 2010, quando eu estava sem internet, de mudança de Joinville pra Fortaleza, e em julho de 2011, quando eu e o maridão passamos duas semanas na Europa, e mesmo assim eu deixei posts agendados).
Houve um dia em julho último que fiquei de saco cheio, porque, em um só dia, fui atacada por três grupos distintos. E nessa hora eu me pergunto: o que eu ganho com isso? Pouco depois eu publiquei o que deve ter sido o post pior recebido da história do blog, que ficou conhecido como "o post do estuprador arrependido" (de um jovem rapaz que havia sido abusado na infância e, quando pré-adolescente, abusou da sua irmã e primo, também crianças). Antes, havia outro post polêmico: minha crítica à manifestação de um casal na Marcha das Vadias do Rio. Muita gente achou que sororidade não dá lugar a críticas. 
Também teve feministas negras que se zangaram comigo por causa deste post (em que eu discordo que foi racismo a expulsão de um rapaz negro, de muletas, da Marcha das Vadias DF), algumas transfeministas que cortaram relações porque eu incluí a Germaine Greer numa lista de dezenas de leituras feministas recomendadas, e algumas feministas radicais porque decidi dar minha opinião sobre a ridícula briga importada dos EUA entre radfems e transfems. Teve gente que não gostou por eu ter publicado dois guest posts de médicas contra a vinda de médicos cubanos (que não manifestavam minha opinião). 
Sinto muito, mas eu me considero coerente com o que acredito. Acho que há espaço pra todo mundo, e que temos que aprender a discordar, simples assim. E que o feminismo deve incluir, não excluir. E que o ódio não é um bom combustível pra mudanças. 
Reaças e mascus continuaram me odiando com a mesma intensidade de sempre, mas, pelo pouco que vi, os hipsters deixaram de falar de mim (não tenho saudades!). 
Bom, este post já está gigantesco, já é quase final da tarde, e tenho um zilhão de coisas pra fazer, que já já o semestre começa na faculdade. Espero que todxs vocês continuem aqui em 2014, e que o bloguinho chegue a seu sétimo ano em janeiro do ano que vem. Muito obrigada a todxs vocês que leem, comentam, e divulgam. Sei que é clichê, mas aprendo um monte com vocês!

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