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terça-feira, 12 de julho de 2022

O ESTUPRADOR DE PLANTÃO

Ontem ficamos sabendo de um caso que assombrou o Brasil. Nem deveríamos ficar tão espantadas. No Brasil de Bolsonaro todo dia acontece uma barbaridade inimaginável.

O jovem médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, 32 anos, estuprou uma mulher durante a cesárea num hospital na Baixada Fluminense, no Rio. A menos de um metro de distância dos outros médicos, separados por um lençol, Giovanni levou cerca de dez minutos até ejacular na boca da paciente desacordada. Em seguida, limpou a boca dela, para não deixar vestígios. Parece que o marido da parturiente havia acabado de sair da sala, com o bebê no colo. 

Giovanni continuaria fazendo suas vítimas (depois que este caso veio à tona, outra mulher denunciou o estupro, que ocorreu na semana passada, no mesmo hospital, nas mesmas condições; o médico pediu que o marido da parturiente saísse) se não fosse a desconfiança e a união das enfermeiras. Elas achavam estranho que o médico deixasse as pacientes tão dopadas que elas nem podiam segurar o bebê recém-nascido. Uma técnica de enfermagem, inclusive, questionou o motivo de uma dosagem tão alta. Ele respondeu rispidamente: "Por quê? Você também quer?"

Elas conseguiram mudar a sala de parto para poder acomodar um celular escondido e, assim, gravar a cena. Se não tivessem gravado, poucos acreditariam nelas. Quando viram aquele ato grotesco e covarde, chamaram a polícia. Uma delegada foi ao hospital, explicou os direitos a Giovanni, explicou do que ele estava sendo acusado (uma diferença gritante de tratamento com outros procedimentos policiais que estamos acostumados a ver), e ele foi preso em flagrante e indiciado por estupro de vulnerável. Sua pena pode ser de 8 a 15 anos de prisão.

Formado na UniFOA (Centro Universitário de Volta Redonda), no Rio, em 2017 (uma particular com mensalidades de R$ 9 mil), Giovanni conseguiu o título da especialização em anestesiologia em março de 2022. Mas ele não era servidor público. Dava plantão na rede estadual do Rio. Trabalhou em dez hospitais. Tinha o hábito de colocar nas suas redes sociais fotos de pacientes e bebês. Oito meses atrás ele legendou uma das fotos: "Vocês ainda vão ouvir falar de mim. Esperem!" Já havia trabalhado em dez hospitais. Só no dia em que o estupro foi gravado, aquele já era seu terceiro procedimento. Imaginem quantas outras vítimas ele pode ter feito. 

Como escreveu a professora Valéria Fernandes, "não pensem que ele é um doente, ainda que tenha um nível de covardia e perversão realmente alto. Estuprar é um ato de poder e afirmação de uma masculinidade violenta. Nada tem a ver com sexo, que sempre é consensual e uma troca entre os envolvidos, a culpa nunca é da vítima, das roupas que usa, do lugar onde está, da forma como fala". 

O estuprador Giovanni causa asco e revolta, mas infelizmente casos de estupro em hospitais não são nada raros. Só o Rio de Janeiro registra um estupro em hospital a cada duas semanas! Entre 2015 e 2021, foram 177 abusos sexuais em unidades de saúde (só no Rio!). A metade é estupro de vulnerável, mas não se sabe se o "vulnerável" se aplica a menores de 14 anos ou a pacientes (ou seus familiares) que não possam se defender por estarem sedados (ou em coma). Em 86% desses casos, as vítimas eram mulheres ou meninas.

Minutos depois de eu tuitar sobre o caso, uma seguidora escreveu que aquilo aconteceu com ela no seu primeiro parto. Ela também fazia uma cesárea e sentiu o médico anestesista esfregar seu pênis na mão dela. Depois ela contou a seus familiares e o pessoal não acreditou, afinal, ela não estava muito consciente. Talvez, se tivessem lido esta reportagem estarrecedora do Intercept de abril de 2019, acreditariam. O site levantou 1.734 casos em nove estados entre 2014 e 2019. E isso que provavelmente menos de 10% dos abusos foram denunciados.

Será que os misóginos de plantão, esses que se organizam para atacar mulheres e feministas, que juram que toda denúncia de estupro ou violência doméstica é falsa, já saíram em defesa de Giovanni? Acredite, esses grupos antifeministas de "direitos dos homens" existem. E, pra eles, não importa o número de vítimas ou o tipo de crime. Por exemplo, eles afirmam que Roger Abdelmassih, condenado por 52 violações, é inocente, assim como João de Deus, preso pelo estupro de centenas de mulheres, assim como o ex-marido de Maria da Penha (que a deixou paraplégica). São eles as verdadeiras vítimas de mulheres malévolas que se uniram para destruir suas vidas, tadinhos.

Certeza que os misóginos também culparão as enfermeiras pela destruição da vida de Giovanni. Pra quem defende as mulheres, elas são heroínas.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

UMA CADERNETA DA GESTANTE CONTRA AS MULHERES

Valéria Fernandes, do ótimo Shoujo Café, escreveu um texto sobre a mais recente maldade deste governo misógino contra as mulheres.
Quando estava grávida de Júlia e nos primeiros anos dela comigo, minha filha completa 9 anos em outubro, escrevi várias vezes sobre parto humanizado e violência obstétrica. Não me desinteressei do tema, mas confesso que me afastei um pouco dessa militância. Muito bem, sigo a professora e médica Dra. Melania Amorim e vi uma postagem dela falando contra episiotomia, ou ponto do marido, e manobra Kristeller. 

Eu passei batida e segui em frente, mas me deparei hoje com a matéria do Intercept sobre o lançamento da polêmica Caderneta da Gestante, como uma das ações comemorativas do Dia das Mães. Trata-se, ao que parece, de um show de horrores, mas que contempla plenamente ou interesses do grupo de médicos cesaristas, que odeiam as doulas, e adeptos de práticas duvidosas que configuram violência obstétrica, termo que eles querem banir, e que apoiaram fervorosamente a eleição do atual presidente. Cito parte da matéria do Intercept de autoria de Bruna de Lara: 

"O MINISTÉRIO DA SAÚDE, na figura do secretário de Atenção à Saúde Primária Raphael Câmara, anunciou na última semana o lançamento da sexta edição da Caderneta da Gestante. Serão distribuídos mais de três milhões de exemplares pelo SUS, todos com o preocupante estímulo a uma prática violenta e ultrapassada: a episiotomia, corte feito na vagina durante o parto para facilitar o trabalho do médico. Em 2018, a Organização Mundial da Saúde reconheceu que não há qualquer evidência científica que apoie a realização da episiotomia.  

"O documento ainda promove uma diretriz duvidosa ao ressaltar a amamentação exclusiva como método para prevenir uma nova gravidez nos primeiros seis meses após o parto, apesar de complementar que esta proteção não é plena. Raphael Câmara, vale mencionar, é um fervoroso defensor da promoção da abstinência sexual como contracepção para jovens, opondo-se ao ensino do uso de contraceptivos.  

"Pior: no evento que lançou a caderneta, Câmara defendeu abertamente não só a episiotomia – considerada uma 'mutilação genital' por Marsden Wagner, ex-diretor da área de Saúde da Mulher e da Criança da OMS – mas também a realização da manobra de Kristeller. Ela consiste em fortes empurrões e apertos na barriga da gestante feitos com as mãos, braços ou cotovelos durante o parto – isso quando o profissional de saúde não sobe na barriga da mulher. No mesmo documento de 2018, a OMS os destacou como uma fonte de 'grande preocupação' pelo potencial de 'dano à mãe ou ao bebê'." 

Eu estou realmente alterada por ter lido o que li.  A guerra contra as mulheres neste país não é somente contra as que não querem gerar, as que não querem parir e desejam interromper uma gravidez, mas contra todas sem distinção. O que o documento lançado por este governo defende é a legitimação da violência obstétrica mais grosseira e da desinformação, como no caso da amamentação exclusiva como meio eficaz de contracepção. Este post, portanto, tem o objetivo de informar, mas, também, de externar a minha indignação, meu horror, meu nojo.

E se você acredita que a sua episiotomia foi necessária como conforto já que seu/sua obstetra é tão bonzinho, trata-se de uma forma de consolo para a sua dor e, talvez, ele ou ela nem soubesse realmente do mal que estava lhe causando. Agora, tenha certeza de que seu bebê não foi salvo por um corte cujo intuito é apressar o parto e supostamente não alargar você e desagradar o seu marido, ou parceiro. Por favor, me poupe do seu comentário, ele será apagado. 

A violência contra as mulheres é algo que se perpetua, porque somos levadas a acreditar que é normal, ou que merecemos, ou que não pode ser diferente. Ser feminista é se preocupar com as mulheres e respeitar suas opções, gerar, u não gerar uma vida, não apoiar que sejam enganadas para não pensar sua condição de opressão. Se você quiser ver os posts que a Melania fez no Facebook, é só clicar: este é o primeiro. O segundo. O terceiro. O quarto. E o quinto.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

"ESCOLHI SER MÃE E SIGO DEFENDENDO A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO"

Faz alguns dias, um deputado federal podre, ex-assessor de Dudu Bolso e do mesmo (ex) partido, escreveu um tuíte asqueroso, jogando para o seu gado: 
"A deputada do PSOL q vive pregando o aborto agora está grávida e decidiu ter a filha. Espero verdadeiramente q a VIDA q ela carrega no útero, no momento q ela der a luz, faça com q perceba o quanto estava errada enquanto defendia a morte de inocentes q são NOSSAS consequências". 
Foi nada mais que uma senha para que os seguidores reaças xingassem todas as deputadas do PSOL, porque é assim que eles tratam as mulheres. Além do mais, eles acham que só feminista é que defende a legalização do aborto (o que eles chamam de "pregar o aborto", como se alguém pregasse isso!), que é só feminista que aborta. Milhões de mulheres de todos os credos e e ideologias (inclusive muitas mulheres conservadoras) abortam todos os anos, e muitas morrem, já que aborto clandestino, ao contrário de aborto seguro, pode matar. Mas reaças não ligam pra vida das mulheres. Só ligam pra vida dos embriões e fetos! E só até nascer. Depois de nascer, é cada um por si! Quem mandou fazer filho?
Mas o tuíte do deputadinho estava direcionado a uma deputada federal em particular, Talíria Petrone (Psol-RJ; não por coincidência, uma das poucas mulheres negras, feministas, defensoras da causa LGBT no Congresso). Ela respondeu lindamente, e sabem como o babaca interpretou? Como se ela estivesse falando do tamanho do pênis dele. Porque, pra eles, tudo gira em torno do pênis. 
No entanto, Talíria também respondeu mais seriamente numa thread no Twitter, que o Psol publicou em sua página. Reproduzo o texto da Talíria aqui, pois é importante.

Hora de falar sério e fazer o debate. Eu ESCOLHI ser mãe e sigo defendendo a legalização do aborto. A MINHA escolha não é a escolha de todas as mulheres. Do mesmo modo, o direito ao aborto seguro não obriga mulheres a interromperem a gravidez. E por que legalizar?
Defender a legalização não é defender o aborto. A fé e valores individuais devem ser preservados pra quem for contra, mas não podem motivar leis num Estado Laico e que deve servir ao bem comum. Evidências, ciência e estatística devem motivar legislações.
O aborto ilegal é uma das principais causas de mortes maternas, em sua maioria de mulheres negras e pobres. As ricas (parte delas religiosas, aliás) têm acesso ao aborto seguro porque podem pagar. Isso é questão de saúde pública, não de polícia. É papel do Estado garantir a vida das mulheres.
A ilegalidade do aborto não impede que ele ocorra. São quase 1 milhão por ano aqui. Mulheres abortam por desespero, medo, falta de condições. São tantos os motivos e nunca é algo confortável. Com tanto abandono paterno, a culpa é da mulher por que mesmo? Eu hein…
Não é verdade que se legalizar, o aborto será usado como método contraceptivo. Países onde o aborto é legal mostram o oposto. Esse argumento é absurdo e anti-evidência! Legalização aumenta informação, o acolhimento e o debate sobre gestação indesejada.
Os mesmos que mentem sobre o significado da legalização do aborto, dialogando com a desinformação e fundamentalismo, são contra a prevenção à gestação indesejada. Não querem falar sobre educação sexual nas escolas, interditam debate tão importante!
Defender que o aborto é questão de saúde pública e que interfere no corpo da mulher é defender a vida! Educação sexual pra prevenir, contraceptivos pra não engravidar, aborto legal, público e seguro pra não morrer!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, A EXPRESSÃO DE UM SISTEMA FALIDO E MISÓGINO

Esses dias o Ministério da Saúde pediu que o termo "violência obstétrica" fosse abolido.  É o jeito que este (des)governo encontra de enfrentar um grave problema: não vamos mais falar dele. Assim, ele desaparece sozinho.
Convidei Cintia Freitas, feminista, obstetriz e militante na área da saúde coletiva, para escrever este guest post sobre as implicações de mais este retrocesso.

Apesar da luta contra a violência obstétrica ter se popularizado com mais intensidade nos últimos anos, a busca por um parto respeitoso sempre foi uma pauta das lutas feministas, está presente nos estudos acadêmicos brasileiros pelo menos desde a década de 1980, e já era discutida nos programas de atenção à saúde das mulheres neste período, com o lançamento do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) em 1983.
Muitos avanços foram conquistados pelo movimento de mulheres na área da atenção ao parto e nascimento, como a lei do acompanhante (Lei 11.108/2005), a expansão dos centros de parto normal, casas de parto, incentivo à formação e contratação de obstetrizes e enfermeiras obstetras, doulas, bem como de quartos PPP (quartos privativos onde mulheres recebem cuidado e ficam com o acompanhante durante o pré-parto, parto e pós-parto). Entretanto, a busca pela consolidação dos direitos sexuais e reprodutivos, e por um parto respeitoso para as mulheres que desejam engravidar e parir, ainda apresenta muitos desafios.
A pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo em mais de 170 municípios brasileiros, revelou que uma em cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência no parto. Dentre as agressões mais frequentes estavam os xingamentos, gritos, toques vaginais dolorosos, constantes e sem consentimento, humilhações e negativa de oferta de atendimento ou uso de métodos de alívio da dor por parte dos profissionais. 
A violência obstétrica é uma violência de gênero, definida como qualquer tipo de abuso e violência no contexto da atenção à gestação, parto, cesariana, pós-parto e abortamento, sendo considerada uma violação aos direitos humanos das mulheres. Podem ser perpetuadas em diferentes esferas, como abuso físico, práticas clínicas sem consentimento e/ou inadequadas, como a manobra de kristeller (empurrar a barriga da mulher), episiotomia (corte no períneo), ocitocina para acelerar o parto (o famoso sorinho), violência verbal, emocional e sexual. 
Acontece também quando os serviços e profissionais são omissos, desrespeitam a lei do acompanhante, negam o uso de métodos para alívio da dor, ou os usam de forma inadequada, quando ignoram o plano de parto (documento no qual a mulher coloca os seus desejos para o parto e pós-parto) e não fornecem um ambiente com privacidade, além de contemplar qualquer tipo de discriminação com base na raça, nacionalidade, classe social, religião, idade ou características físicas das mulheres. Vale ressaltar que as questões de raça e classe também encontram-se atreladas à violência obstétrica, sendo que as mulheres negras são as que mais sofrem essa violência.
Conforme citado anteriormente, a luta contra a violência obstétrica é um assunto consolidado e reconhecido no movimento de mulheres e entre os profissionais que lutam pela melhoria da atenção às mulheres e recém-nascidos. Entretanto, despacho do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, de 3 de maio de 2019, posiciona o Ministério da Saúde (MS) contra o uso do termo violência obstétrica em publicações oficiais. 
Neste documento, cuja argumentação é rasa, descabida e contraditória, o MS afirma que a definição de violência obstétrica não possui consenso, e que o termo “não agrega valor e prejudica a busca do cuidado humanizado no continuum gestação-parto-puerpério”. Além disso, afirma que a violência obstétrica possui uma “conotação inadequada”, uma vez que os profissionais de saúde não “têm a intencionalidade de prejudicar ou causar dano” às mulheres.
Ora, como pode um termo que fornece visibilidade às violações contra as mulheres na gestação, parto, pós-parto e abortamento ser prejudicial à luta pela humanização do nascimento? Como ele não fornece valor ao movimento, uma vez que essa violência é cotidiana e ainda muito naturalizada? Com tantos artigos, documentários (por exemplo, Violência Obstétrica: A voz das brasileiras), matérias jornalísticas, ações judiciais, audiências públicas, gravações e relatos de mulheres retratando a violência obstétrica no Brasil e no mundo, qual a base material do MS para afirmar que os profissionais não possuem a intenção de nos agredir, humilhar, desrespeitar e mutilar no momento em que nos amarram, cortam, batem, silenciam e invadem nossos corpos? Somos mentirosas, ou mais uma vez seremos tachadas como exageradas e desequilibradas? 
Como mulher e profissional de saúde que presta cuidado a outras mulheres no ciclo gravídico e puerperal, afirmo categoricamente que a violência obstétrica existe, há intenção e principalmente conivência de instituições de saúde, gestores, conselhos e associações profissionais para que ela exista e se mantenha. Além do mais, mesmo que não houvesse intenção, isto não descaracterizaria a situação de violência, o que por si só já desmonta a argumentação do MS.
Práticas "radicais"
Por falar em conselho profissional, o Conselho Federal de Medicina elaborou no ano passado um parecer (nº32/2018) no qual ele afirma que a “expressão 'violência obstétrica' é uma agressão contra a medicina e especialidade de ginecologia e obstetrícia, contrariando conhecimentos científicos consagrados, reduzindo a segurança e a eficiência de uma boa prática assistencial e ética”. Eles afirmam no texto que a autonomia das mulheres deve ter limites e que as feministas e o movimento social incentivam o uso de novas práticas assistenciais que defendem a autonomia das mulheres, e que por isso os médicos obstetras estão sendo processados e estigmatizados por não adotarem essas práticas, que de acordo com eles são radicais. 
Bom, em primeiro lugar, a Obstetrícia é uma ciência e não uma área de atuação exclusiva da medicina. O termo vem do verbo latino “obstare” e significa estar ao lado, foi usado pela primeira vez em 1872 para designar a profissão de parteira ou obstetriz que assiste a parturiente, e hoje é um campo que abrange médicas obstetras, enfermeiras obstetras,  obstetrizes, fisioterapeutas obstétricas e qualquer outra profissão com atuação nesta área. 
Segundo, e mais importante, a luta dos movimentos sociais é por um parto respeitoso, centrado nas mulheres, com base nas evidências científicas mais atuais, e nossa luta é para que todos os profissionais, em todos os níveis de atenção, bem como as instituições e gestores sejam responsabilizados nos casos de violência. Dessa forma, por que o CFM é contrário ao termo violência obstétrica? Não queremos todos um cuidado seguro e de qualidade para as mulheres e recém-nascidos?
Agora, o mais grave é que foi justamente o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul que abriu o processo para que o MS se posicionasse em relação ao termo violência obstétrica. Fica então o questionamento: o MS está interessado em garantir um cuidado respeitoso e seguro às mulheres, reduzir as taxas criminosas de mortalidade materna, de prematuridade, de cesarianas eletivas e de óbitos neonatais que ainda vigoram no país, ou em defender um corporativismo médico que se nega a rever as suas práticas retrógradas e que teme a conscientização e protagonismo das mulheres?
Pautada em uma lógica capitalista, racista e patriarcal, a violência obstétrica mata e traumatiza a sociedade como um todo, e é uma forma de garantir a hierarquia dos profissionais de saúde, muitas vezes homens, brancos e de alta renda sobre as mulheres. Na mesma lógica, o discurso de que as pessoas que questionam o modelo intervencionista, centrado no médico e no hospital são radicais, é claramente uma tentativa de inviabilizar a busca por um parto natural, no qual a fisiologia do nascimento e a autonomia das mulheres são privilegiadas. A violência durante o parto é também uma estratégia do mercado para vender cirurgias cesarianas sem indicação clínica, prática que além de aumentar a mortalidade e morbidade de mulheres e recém-nascidos, ainda aumenta os custos e as inequidades do sistema de saúde.
Apagar o termo violência obstétrica, cunhado pelo movimento de mulheres, é mais um exemplo de censura e negação do conhecimento científico por parte do atual governo. É também uma forma de tentar calar os movimentos sociais, de impedir avanços na legislação sobre violência obstétrica à nível nacional, e de que nós mulheres tenhamos mais informações sobre os nossos direitos. Os grupos conservadores sabem que o movimento pela humanização do nascimento, ou pelo menos boa parte dele, defende que as mulheres possam realmente fazer escolhas informadas e verdadeiras em todas as áreas de suas vidas, e não apenas sobre a via e local de nascimento. 
Desejamos acesso a métodos contraceptivos, a serviços de abortamento seguro nos casos previsto em lei, e principalmente que avancemos no debate sobre o aborto no Brasil. Afinal, não existe humanização do parto e luta verdadeira contra a violência sem que as mulheres tenham autonomia plena sobre os seus corpos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A GRAVIDEZ INDESEJADA É CAUSADA POR HOMENS

Hoje, 28 de setembro, é o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto. 
Para marcar esta data de luta, decidi publicar duas visões "novas" sobre aborto (ou pelo menos que eu desconhecia ou não havia pensado muito naquilo). Por isso, ontem publiquei o post de um pastor sobre como o aborto pode, pelo prisma da religião, até ser visto como um erro ou um pecado, mas não como um crime. Portanto, não há argumentos para a criminalização do aborto. 
Hoje publico o ponto de vista de uma americana que é mãe e mórmon, Gabrielle Blair. Faz alguns dias ela começou uma thread interessante e provocadora no Twitter. Pedi pro querido Vinicius traduzir. Leia! Já consigo escutar daqui o mimimi de certos homens... 

Sou mãe de seis filhos e mórmon. Tenho uma boa compreensão das discussões sobre aborto, as religiosas e as demais. Tenho ouvido uma plateia de homens sobre direitos reprodutivos das mulheres, e estou convencida de que homens realmente não têm interesse em parar com o aborto. Eis o porquê...
Se você quer parar com o aborto, você precisa prevenir a gravidez indesejada. E homens são 100% responsáveis pela gravidez indesejada. Sério, eles são. Talvez você esteja pensando: PRECISA DE DUAS PESSOAS! E sim, é preciso duas pessoas para uma gravidez intencional. Mas TODA gravidez indesejada é causada por ejaculações irresponsáveis de homens. Ponto. Não acredita em mim? Deixe-me explicar. 
Vamos começar com: mulheres só podem engravidar por cerca de dois dias a cada mês [melhor trabalhar com a ideia de 5 a 6 dias por mês de período fértil]. E isso por um limitado número de anos. Isso significa 24 dias por ano em que uma mulher pode engravidar. Mas homens podem causar gravidez 365 dias por ano. Na verdade, se você é um homem que ejacula várias vezes por dia, você pode causar várias gravidezes por dia. Teoricamente um homem pode causar mais de 1000 gravidezes indesejadas em um único ano. E embora o esperma deles fique pior à medida que eles envelhecem, homens podem causar uma gravidez indesejada da puberdade até a morte. Então apenas começando com biologia básica + calendário, é fácil ver que homens são o problema aqui. 
Mas e a contracepção? Se uma mulher não quer correr o risco de uma gravidez indesejada, por que ela simplesmente não utiliza contraceptivos? Se uma mulher consegue descobrir como fazer um aborto, com certeza ela consegue utilizar contraceptivos, certo? Ótimas perguntas.
A contracepção moderna é possivelmente a maior invenção do último século, e sou muito grata por isso. É também brutal. Os efeitos colaterais para muitas mulheres são absurdamente perigosos. Tão absurdos que quando um contraceptivo oral para homens foi criado, não foi aprovado por conta dos efeitos colaterais. E a lista dos efeitos colaterais era cerca de 1/3 dos efeitos colaterais do contraceptivo oral para mulheres. Há muito a ser destrinchado apenas nessa história, mas vou simplesmente apontar (caso você não saiba) que enquanto sociedade, nós realmente não nos importamos se mulheres sofrem, física ou mentalmente, contanto que torne as coisas mais fáceis para os homens. 
Mas boas notícias, homens: mesmo com os efeitos colaterais horríveis, mulheres ainda estão muito dispostas a usar contraceptivos. Infelizmente é mais difícil de conseguir do que deveria ser. Opções de contraceptivos para mulheres exigem consulta médica e receita. Não é de graça, e frequentemente não é barato. 
Na verdade, há pessoas tentando torná-lo mais caro, batalhando para garantir que companhias de seguro se recusem a cobri-lo [nos EUA]. Contraceptivos orais para mulheres não podem ser adquiridos facilmente, ou de última hora. E eles não funcionam instantaneamente. Se estivermos falando sobre a pílula, elas exigem uso diário consistente, e não deixam muito espaço para erros, esquecimento, ou interrupções inesperadas na agenda diária. E de novo, os efeitos colaterais podem ser brutais. AINDA SOU GRATA POR CONTRACEPTIVOS; POR FAVOR, NÃO OS LEVEM EMBORA. 
Estou apenas dizendo que contraceptivos femininos não são simples ou fáceis. Em contrapartida, vejamos os contraceptivos masculinos, ou seja, as camisinhas. Preservativos são prontamente disponíveis a qualquer hora, baratos, convenientes, e não exigem receita. São eficazes e funcionam sob demanda, instantaneamente. Homens [e mulheres] podem armazená-los para o ato, então eles estão sempre preparados. Maravilhoso! Eles são muito mais fáceis do que opções contraceptivas para mulheres. 
Como bônus, de modo geral, mulheres adoram quando homens usam preservativos. Eles evitam que peguemos DSTs, eles não diminuem nosso prazer durante o sexo nem evitam que atinjamos o clímax. E a melhor parte? A limpeza é muito mais fácil –- nada de ir bamboleando até o banheiro enquanto sua porra escorre em nossas pernas. Então por que tanta gravidez indesejada no mundo? Por que homens simplesmente não usam camisinha toda vez que fazem sexo? Parece muito simples, certo?
Ah. Lembrei. Homens não adoram preservativos. Na verdade, homens frequentemente pressionam mulheres para fazerem sexo sem preservativo. E não é incomum ficar sabendo de homens que removem o preservativo durante o sexo, sem a permissão ou conhecimento da mulher. (Um toque: isso é estupro.)
Por que homens iriam querer fazer sexo sem preservativo? Boa pergunta. Aparentemente é pelos minutos em que eles estão penetrando suas parceiras, tendo uma experiência mais prazerosa não usando camisinha. 
Então... Há homens dispostos a correr o risco de engravidar uma mulher –- o que significa literalmente pôr em risco sua vida, sua saúde, sua posição social, seus relacionamentos e sua carreira, para que assim eles tenham alguns minutos a mais de prazer? Isso é sério? Sim. É sério.
Do que estamos falando aqui, em termos de prazer? Se há uma escala de prazer, com dor começando no zero e indo aos negativos, um arranhão nas costas um 5, e um orgasmo sem preservativo sendo um 10, onde o sexo com camisinha se encaixaria? Tipo um 7 ou 8? Então não é que o sexo com camisinha não é prazeroso, apenas não é tão prazeroso. Um 8 em vez de um 10. Deixe-me enfatizar isso de novo: homens regularmente escolhem pôr mulheres em grande risco ao não fazer sexo com camisinha, a fim de experimentar levemente alguns minutos a mais de prazer.
Agora, tenha em mente que, para os verdadeiramente avessos ao preservativo, os homens também têm um contraceptivo-sem-preservativo sempre disponível e pronto, chamado “retirar”. Não é perfeito e é uma piada, mas é também 96% eficaz[Atenção: outros estudos demonstram que coito interrompido têm 18% de chances de falha. Logo, não é um ato nada seguro]. Então claro, podemos esperar que homens que não estão usando camisinha ao menos retirem na hora H toda vez que têm sexo, certo?
Não.
E por que não?
Bom, novamente, aparentemente é levemente mais prazeroso atingir o clímax dentro de uma vagina do que, digamos, na barriga de sua parceira. Então homens estão dispostos a pôr em risco a vida, saúde e bem-estar de mulheres, a fim de experimentar um pouquinho mais de prazer por, tipo, 5 segundos durante o orgasmo.
É incompreensível e perturbador quando você percebe que esta é a escolha que homens estão fazendo. E honestamente, não estou tão furiosa quanto deveria em relação a isso, porque nós ensinamos homens desde o nascimento que o prazer deles é de extrema importância no mundo. (E para desassociar sexo e gravidez.)
Enquanto estamos aqui, falemos um pouco mais sobre prazer e biologia. Você sabia que um homem NÃO PODE engravidar uma mulher sem ter um orgasmo? O que significa que podemos concluir que engravidar uma mulher é um ato prazeroso para um homem. [Observação da Lola: Aqui discordamos. Um homem pode ejacular sem sentir prazer. Pode ter orgasmo sem ejacular. Pode ter prazer sem ter orgasmo. Ejacular não é mesmo que ter orgasmo. E, além do mais, o líquido seminal antes da ejaculação já é suficiente para engravidar]. 
"Nem toda ejaculação merece um
nome", disse o humorista
George Carlin
Mas você sabia ainda que homens PODEM engravidar uma mulher sem que ELA sinta qualquer prazer? Na verdade, é totalmente possível que um homem engravide uma mulher mesmo lhe causando dor excruciante, trauma ou horror. Em contrapartida, uma mulher pode ter orgasmos ininterruptos com ou sem um parceiro e nunca engravidar uma vez sequer. O orgasmo de uma mulher literalmente não tem nada a ver com gravidez ou fertilidade -– seu clitóris não existe para criar novos bebês, mas simplesmente para o prazer. Não importa quantos orgasmos ela tenha, eles não a engravidarão. Gravidez só pode acontecer quando homens têm um orgasmo. Uma gravidez indesejada só pode acontecer quando homens gozam irresponsavelmente. 
O que isso significa é que uma mulher pode ser a mais promíscua vadia do mundo que adora ter orgasmos dia e noite, e ela jamais irá se deparar com uma gravidez indesejada, a não ser que um homem apareça e ejacule irresponsavelmente. Mulheres desfrutando do sexo não equivale à gravidez indesejada e aborto. Homens desfrutando do sexo e ejaculando irresponsavelmente é o que causa gravidez indesejada e aborto. 
Falemos mais sobre responsabilidade. Homens frequentemente não sabem, não perguntam e não pensam em perguntar se eles causaram uma gravidez. Eles podem nunca pensar nisso ou associar sexo com fazer bebês. Por quê? Porque há zero consequências para homens que causam uma gravidez indesejada. Se uma mulher decide abortar, o homem pode nunca ficar sando que causou uma gravidez indesejada com sua ejaculação irresponsável. Se uma mulher decide ter o bebê, ou levar a criança para adoção, o homem pode nunca ficar sabendo que causou uma gravidez indesejada com sua ejaculação irresponsável, ou que agora há uma criança andando por aí por com 50% do seu DNA. 
Se a mulher conta a ele que ele causou uma gravidez indesejada e que ela terá o bebê, a coisa mais próxima a uma consequência para ele é que ele talvez tenha que pagar pensão. Mas nosso atual sistema de pensão é notoriamente uma piada. 61% dos homens (ou mulheres) que são legalmente obrigados a pagar simplesmente não o fazem. Com pouca ou nenhuma consequência. Seu crédito nem mesmo é afetado. Assim, muitos homens continuam como estão, causando gravidezes indesejadas com ejaculações irresponsáveis ​​e nunca pensando nisso.
Quando o tema aborto vem à tona, homens podem pensar: aborto é horrível, mulheres não deveriam abortar jamais. E nunca levam em consideração o homem que CAUSOU a gravidez indesejada. Se você não está responsabilizando homens pela gravidez indesejada, então você está perdendo seu tempo. 
Pare de protestar em frente a clínicas [isso nos EUA]. Pare de constranger mulheres. Pare de tentar derrubar leis sobre aborto. Se você se importa de verdade em reduzir ou eliminar o número de abortos, simplesmente RESPONSABILIZE HOMENS POR SUAS AÇÕES. Como seria isso? Como seria se houvesse uma consequência real e imediata para homens que causam uma gravidez indesejada? Que tipo de consequência faria sentido? Deveria ser algo tão difícil, doloroso, nauseante, assustador, caro, arriscado e alterador de vida como forçar uma mulher a passar pelos nove meses de uma gravidez indesejada? 
Pela minha experiência, homens gostam mesmo dos seus testículos. Se ejaculações irresponsáveis colocassem suas bolas em risco, eles parariam de ser irresponsáveis. Castração soa como uma punição cruel e incomum. Definitivamente. Mas é pior do que forçar 500 mil mulheres por ano a vomitar diariamente por meses, ganhar 18 kg, e então rasgar seus corpos ao meio no parto? Um punhado de castrações é pior que mulheres morrendo durante a gravidez e o parto?
Ponha uma lei de castração no papel, implemente a lei, deixe a mídia contar a história e em 3 meses ou menos, voilà!, abortos irão virtualmente desaparecer. Você pode imaginar? Sem mais abortos em menos de 3 meses, sem sequer retirá-los da lei. Incrível.
Vocês que consideram aborto assassinato, não concordariam com um punhado de homens castrados, se isso prevenisse 500 mil assassinatos por ano? 
Se não, isso é porque na verdade vocês se importam mais em policiar os corpos, a moralidade e a sexualidade da mulher do que vocês se importam em reduzir ou eliminar abortos? (É uma pergunta retórica.) Ei, os homens que serão castrados podem até ir ao banco de esperma armazená-lo antes da castração -- apenas para o caso de eles quererem ter filhos de maneira responsável um dia. 
Punição física para homens não entra na sua cabeça? Mesmo que você pareça estar mais do que bem com punições físicas para mulheres? Ok. Então que tal essa ideia de prevenção: no começo da puberdade, todos os homens nos Estados Unidos poderiam ser obrigados por lei a fazer uma vasectomia. Vasectomias são muito seguras, reversíveis e tão invasivas quanto um exame médico para uma mulher que recebe uma prescrição de controle de natalidade. Há alguma dor depois por cerca de 24 horas, mas isso é praticamente tudo em termos de efeitos colaterais (muito melhor do que a pílula, que é tomada por milhões de mulheres em nosso país, cujos efeitos colaterais são bem conhecidos e podem ser brutais). 
Se/quando o homem se tornasse um adulto responsável, e talvez encontrasse uma parceira, e eles decidissem ter um bebê, a vasectomia poderia ser revertida, e depois refeita uma vez que o processo de gravidez estivesse concluído. E cada homem poderia armazenar seu esperma no banco, por via das dúvidas. Não é uma ideia tão radical. 80% dos homens nos EUA são circuncidados, a maioria quando bebês. E isso não é reversível. 
Não gosta das minhas ideias? Tudo bem. Tenho certeza que há outras melhores. Vá em frente e sugira suas próprias ideias. Meu argumento é que não faz sentido focar em mulheres se você está tentando acabar com abortos. Aborto é a “cura” para gravidez indesejada. Se você quer acabar com abortos, você precisa prevenir a “doença” -– ou seja, a gravidez indesejada. E o único modo de fazer isso é focando nos homens, porque: HOMENS CAUSAM 100% DAS GRAVIDEZES INDESEJADAS. Ou. EJACULAÇÕES MASCULINAS IRRESPONSÁVEIS CAUSAM 100% DAS GRAVIDEZES INDESEJADAS. 
Se você é homem, qual seria a consequência necessária para que você nunca mais ejaculasse irresponsavelmente? Teria a ver com dinheiro? Talvez a perda de direitos ou liberdade? Dor física? Se perguntem: o que seria necessário para que você valorizasse mais a vida de sua parceira sexual do que seu próprio prazer ou conveniência temporária? 
Você é do tipo que aprende melhor com analogias? Vamos tentar essa: pense em outro grande prazer na vida, digamos, comida. Pense na sua comida, sobremesa ou drink favorito. E se você descobrisse que toda vez que você se saciasse com aquela comida você correria o risco de causar grande dor física e mental em alguém que você conhece intimamente? Você poderia não causar nenhuma dor, mas seria um risco real. 
Bem, provavelmente você ficaria triste, mas jamais se saciaria com aquela comida, certo? Não vale o risco! Depois, e se você descobrisse que haveria uma simples coisa que você poderia fazer antes de comer aquela comida favorita, e isso eliminaria o risco de causar dor em alguém? O que é uma ótima notícia! MAS a coisa simples que você poderia fazer tornaria a experiência de comer um pouco menos prazerosa. Para esclarecer, ainda seria MUITO prazeroso, mas um pouco menos. Tipo comer usando um garfo ou uma colher que você particularmente não gosta. 
Você estaria disposto a fazer aquela coisa simples e eliminar o risco de causar dor a alguém que você conhece intimamente, toda vez que você comesse sua comida favorita?
CLARO QUE VOCÊ FARIA.
Camisinhas (ou mesmo retirar na hora H) é aquela coisa simples. Não coloquem mulheres em risco. Não escolham aumentar seus próprios prazeres se isto arrisca causar dor em mulheres. 
Homens comandam nosso governo em maioria. Homens fazem as leis em maioria. E homens podem eliminar o aborto em 3 meses ou menos sem sequer mexer em uma lei sobre aborto ou mesmo mencionar mulheres. 
Em suma: PAREM DE TENTAR CONTROLAR OS CORPOS E A SEXUALIDADE DAS MULHERES. A GRAVIDEZ INDESEJADA É CAUSADA POR HOMENS.