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sábado, 15 de novembro de 2008

CRÍTICA: EU, MEU IRMÃO / Crítica pouco inspirada sobre filme menos ainda

- Você já leu este livro? É mais memorável que muitos filmes por aí.

Estreou faz duas semanas no Brasil Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, que vi há treze meses nos EUA (em outubro de 2007), com o título de Dan in Real Life. Confesso que a gente não perderia muito se essa comédia romântica fosse direto pra dvd. É sobre um tal de Dan, colunista de família e assuntos do coração, que não consegue pôr em prática o que prega na teoria. Ou melhor, é sobre o Steve Carell se apaixonando pela Juliette Binoche, a namorada do seu irmão (Dane Cook). E isso é tudo que você precisa saber. Quem gosta do Steve e da Juliette deve dar uma espiada no filme. Já os outros...
Steve é muito versátil. Seu papel aqui é totalmente diferente do que ele faz tão bem em The Office, que é diferente do que ele fez em Agente 86, que é diferente do que ele fez em O Virgem de 40 Anos, que é diferente do que ele fez em Pequena Miss Sunshine. O cara é realmente bom. Mas me chame de distraída, só que nunca tinha notado o tamanhão do nariz dele.
Juliette é mais ou menos o símbolo sexual dos intelectuais. Ela tá mais bonita agora do que antes, e é sempre simpática e inteligente. Mas seu papel é ingrato. É do tipo que vai rir de todas as piadas sem graça que seu amor faz. O Steve diz “Oi”, e ela gargalha. Já notou como nessas comédias românticas nunca é o contrário? Que quando entra uma musiquinha pra combinar com as imagens, nunca mostram o homem achando algo que uma mulher diz engraçado? É o homem que deve ser divertido. A mulher precisa ser atraente e rir das piadas, pra provar que tem senso de humor. Mulher não pode ser engraçada, porque pra ser engraçada tem que ser ativa - falar, escrever, fazer cócegas. Rir é um ato passivo, se bem que mexe vários músculos faciais que depois deixam linhas de expressão e a gente vai gastar os tubos em cremes pra disfarçar essas linhas. E tem a parte de entender a piada. Ou de fingir que entende. E também tem o fato que homem não é criado pra ouvir. Então se o homem não vai ouvir a piada, como vai rir? Melhor pular direto pras cócegas.
Mas, sobre o filme, o grande enigma é o Dane Cook, que personifica o irmão do Steve. É verdade que até pouco tempo eu nunca nem tinha ouvido falar do sujeito. Aí vi na TV um show de stand-up comedy que ele fez num auditório lotado em Boston, e de cara percebi que ele é engraçado e sexy. Outras pessoas devem achar o mesmo, porque ele tá se aventurando no cinema. Mas seu papel em Eu, Meu Irmão... é um zero à esquerda. O cara não tem agente não? Não dá pra imaginar que alguém que deseja se tornar o novo Jim Carrey aceite um personagem tão bobo e secundário. Ele não tá nem bonito (obviamente, essa era minha opinião antes do Dane estrelar Maldita Sorte - que pulei - e o abjeto Amigos, Amigos, Mulheres à Parte. Eu ainda não sabia que Eu, Meu Irmão... seria o ponto alto de sua carreira).
Outra no departamento dos desperdiçados/desesperados: Dianne Wiest. No caso dela até dá pra entender, já que os papéis pra mulheres depois dos 40 rareiam. Tadinha. Ela faz a mãe do Steve. Na vida real, é apenas 14 anos mais velha que ele... Mas chegou aos 60 e pode fazer papel de mãe até os 65. Depois, só avó.
A única surpresa, pra mim, foi a Emily Blunt. Como aquela moça feinha de O Diabo Veste Prada (a assistente invejosa) se transforma tanto, fisicamente falando? (é que vi esta comédia antes de Jogos de Poder e Clube de Leitura Jane Austen).
No fundo, Emily faz uma das várias personagens coadjuvantes que poderiam desaparecer sem deixar saudades, porque não acrescenta nada à trama. Que, aliás, é simplérrima: Steve se apaixona à primeira vista por Juliette, que conhece numa livraria (como em Harry e Sally), sem saber que a mulher é a namorada de seu irmão. Quando Steve e Juliette se reencontram, pra um fim de semana em família, ficam se encarando o tempo todo. Um fica pasmado na frente do outro... e ninguém nota! Até eu que sou a pessoa mais sem simancol do mundo y sus arrededores teria percebido. O roteiro sempre encontra uma brecha pro casalzinho ficar junto sem mais ninguém em volta, e o que se segue, entre montes de músicas pra cobrir a falta de história e os diálogos fraquinhos, é totalmente previsível. É óbvio que ela vai optar pelo Steve, até porque não dá pra entender como o mala do Dane pode conquistar alguém.
Opa, esta crítica tá 100% sem inspiração, né? Isso que dá escrever sobre um filme nada marcante visto há mais de um ano. Eu tinha minhas anotações, claro, se não estaria perguntando “Eu vi mesmo essa comédia?”. Quer ver como é esse sentimento? Vou perguntar pro maridão, que foi comigo ao cinema.
- Amor, você lembra de um filme que a gente viu em Detroit, Dan in Real Life?
- Hmm... Fala qualquer coisa que vou lembrar.
- Tinha o Steve Carell e a Juliette Binoche.
-Steve Carell e Juliette Binoche. É, conheço os dois. O que que tem?
- Eles ficam juntos, mas ela namora o irmão dele.
- Tem certeza que eu vi isso?
- Viu. Queria saber suas memórias sobre o filme.
- Tá falando com elas.
Assim caminha a humanidade.