sexta-feira, 10 de março de 2023

ÚLTIMAS HORAS PRA APOSTAR NO BOLÃO DO OSCAR

- Filho, suas irmãs já fizeram as apostas no bolão da Lola. Só falta você.

E aí, quem vai ganhar o Oscar? Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, Os Banshees de Inisherin, Os Fabelmans ou Nada de Novo no Front? Brendan Fraser ou Austin Butler? Ou, ainda, Colin Farrell? Cate Blanchett ou Michelle Yeoh? E estamos falando só das categorias principais. Quero ver acertar maquiagem, som, design de produção!

Mas taí a graça de entrar no bolão do Oscar: você tem que apostar em todas as 19 categorias. E quem acertar mais, ganha o bolão. Pergunte pra quem já participou como é legal! E entre logo, nem que seja só no bolão grátis. Mas sugiro entrar no pago também. Todo ano tem gente arrependida por não ter entrado no pago. 

A cerimônia do Oscar é domingo à noite, mas as apostas pro bolão a gente encerra hoje às 23h59. Por quê? Pra ser totalmente transparente. Amanhã todos os participantes já terão as tabelas em mãos. Assim não dá pra mudar nada em cima da hora. 

- Estou confusa! Não sei no que apostar!

E com o pix ficou ainda mais fácil. É só transferir R$ 25 pra minha conta (a minha chave é o meu email, lolaescreva@gmail.com) e enviar o comprovante pra mim e pro Júlio César (jcaoalves@gmail.com). Mas não se esqueça também de apostar aqui.

Pra não entrar no bolão grátis não tem desculpa. É a coisa mais fácil do mundo, só entrar aqui e chutar. E daí que vc não viu quase nenhum dos filmes? É só chute mesmo!

Este ano eu não pondo nenhuma fé nas minhas apostas (que, aliás, eu ainda não fiz. Mas farei nas próximas horas!). Não faça como eu: não deixe pra última hora!

quinta-feira, 9 de março de 2023

DOMINGO JÁ É O OSCAR E VOCÊ AINDA NÃO ENTROU NO BOLÃO?!

 - Pai, a Lola me falou que o nariz de quem não participa do bolão do Oscar cresce!

Desculpem o sumiço, mas ando ocupadíssima. Domingo já é o Oscar. E aí, ainda não entrou no meu tradional bolão do Oscar? Ainda dá tempo! Mas só até as 23h59 de amanhã (sexta). Pra apostar no bolão grátis é muito fácil. É só clicar aqui. O Júlio César calcula que leva uns 7 minutos. Não tem desculpa pra não entrar. Você não perde nada além de uns minutinhos! Também não ganha nada...

Pra entrar no bolão pago é a mesma coisa, só que o questionário é outro (aqui, ó!). E aí precisa pagar R$ 25 no meu pix (a chave é meu email, lolaescreva@gmail.com) e mandar um comprovante pra mim e pro Júlio César (jcaoalves@gmail.com). Só isso! Pronto. Aí você já está dentro e no domingo a gente pode ver a cerimônia juntinhos.

Ah, pode entrar nos dois bolões também! Vamulá, pessoal, aposte!

terça-feira, 7 de março de 2023

ÚLTIMOS DIAS PRA ENTRAR NO MEU TRADICIONAL BOLÃO DO OSCAR

- Eu vou acusar vocês todos de não participar do bolão da Lola.

Domingo que vem já é o Oscar, sabia? 

E aí, você já entrou no meu tradicional bolão do Oscar? Dê seus palpites aqui no bolão grátis e aqui no bolão pago (nesse caso, você precisa, além de apostar, pagar R$ 25 pelo pix lolaescreva@gmail.com e enviar o comprovante pra mim e pro jcaoalves@gmail.com). 

Quem sabe eu colocando uma imagem do magnífico Argentina, 1985 você não se anima? Claro que estou torcendo por ele! Não deixe de apostar!

segunda-feira, 6 de março de 2023

UMA LINDA HOMENAGEM

Esses últimos dias tem sido de inúmeras entrevistas e mensagens de apoio e solidariedade. Isso porque o Brasil parece ter acordado para o movimento misógino red pill (que eu chamo de mascu), depois que um coach deles ameaçou de morte uma atriz que ousou zombar deles. Pois é, a masculinidade deles é tão frágil que, na primeira gozação, o cara manda mensagem mandando tirar o vídeo do ar. Senão, é "processo ou bala". E eles são tão misóginos que nem pensam duas vezes antes de atacar e ameaçar mulheres. 

Outro motivo para a solidariedade é que publiquei duas ameaças recentes no Twitter. Não são muito diferentes das que eu recebo há mais de doze anos, mas foram as primeiras que chegaram depois que fui nomeada para participar do grupo de trabalho criado pelo Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania para combater discursos de ódio e extremismo. 

Umas das belas homenagens que recebi foi esta (que abre o post) do desenhista Gilmar, também chamado "cartunista das cavernas". Durante a pandemia, ele já tinha me enviado um livro maravilhoso repleto de charges sobre o Brasil bolsonarista e a violência contra as mulheres. Muitíssimo obrigada a Gilmar e a todas e todos que me enchem de carinho. 

sexta-feira, 3 de março de 2023

A BALEIA É GORDOFÓBICO QUE DÓI

Faz dias que estou prometendo escrever sobre A Baleia, mas falta tempo. Vamos ver se agora eu consigo falar desse filme polêmico. Sim, eu sei que muita gente adorou e se comoveu com o protagonista. Mas imagino que a maior parte dessas pessoas não é gorda.

Antes de mais nada, eu sou gorda. Fui gorda a vida inteira, desde a puberdade, salvo um breve período em que consegui emagrecer à base de pílulas para suprimir o apetite. Também sempre fui saudável. Não tomo nenhum remédio, raramente fico doente, posso contar nos dedos de uma mão os dias em que tive que faltar ao trabalho em quase quatro décadas. Mas, com a idade (tenho 55 anos), o peso e o sedentarismo, foram surgindo alguns problemas, como esteatose e pré-diabetes. Meu principal problema no momento é a perda de mobilidade -- entrar em ônibus e subir e descer escadas ficou cada vez mais difícil. Pra reverter isso, agora estou fazendo ginástica.

Outra coisa: sou fã do diretor Darren Aronofsky. Boa parte de quem eu vi elogiando A Baleia faz isso apesar do que sentem pelo diretor. Já eu gosto, e considero este talvez seu filme mais fraco (Noé também é ruinzinho). Adoro Réquiem para um Sonho e Cisne Negro, e gostei até de O Lutador e Mãe!

Dito isso, vamos à Baleia, que pode dar o Oscar de melhor ator para o simpático (todo mundo gosta dele) e talentoso Brendan Fraser, na sua volta às telas depois de dez anos. No filme, ele faz Charlie, um professor de inglês de 270 quilos que nunca sai de casa e, à beira da morte, tenta se reconciliar com a sua filha adolescente, que ele meio que abandonou ao se apaixonar por um aluno. O trailer não menciona, mas Charlie é gay.

O filme é baseado numa peça de teatro (e dá pra ver claramente que é) de Sam Hunter com o mesmo título. A tagline da peça é "encontrando beleza nos lugares mais inesperados". O lugar mais inesperado para a beleza, pelo jeito, seria dentro do corpo e alma de um gordo (ao lado, foto de uma produção da peça).

Pois é, achei o filme muito gordofóbico, a começar pelo título. Tá, tudo bem que quem vê o filme (ou a peça) entende que é uma referência a um trecho de um ensaio sobre o livro Moby Dick. Mas eles podiam ter escolhido qualquer um entre milhares de livros que não são sobre baleias para retratar a vida de um obeso, não? Sei lá, imagina um filme em que o protagonista negro seja alvo de racismo de praticamente todos os personagens. E os criadores do filme colocam o título de “Macaco”. Mas calma aí, não é que os autores do filme estejam associando um negro a um macaco! Eles só incluíram um trecho sobre King Kong em que a palavra “macaco” é usada. Não seria problemático?

Então vamos ser honestos: se A Baleia tivesse a mínima empatia pelos gordos, não teria como título um dos insultos mais comuns usados contra gordos (eu sou chamada constantemente pelos meus inimiguinhos de baleia, jubarte, Jabba, porco. Não conheço algum gordo que nunca tenha sido chamado de baleia). 

Aliás, muitos dos aplausos para a interpretação de Brendan Fraser são justamente que ele faz uma pessoa gorda parecer humana. Gordos geralmente são xingados como seres não humanos -- baleia, porco, elefante, hipopótamo, Jabba the Hut (personagem intergaláctico de Guerra nas Estrelas) etc. Porém, como disse um dos muitos ativistas gordos que se sentiram ofendidos pelo filme, "Se a única maneira que você encontra para 'humanizar' uma pessoa muito gorda é vê-la ser humilhada, aterrorizada, envergonhada e dispensada de um jeito estereotipado, está na hora de refletir".

Sim, o movimento de aceitação do corpo ou body positive detestou A Baleia. Por uma série de motivos. Tipo: por mais que se goste do Brendan e se comemore a sua volta, por que não colocar um ator gordo de verdade para interpretar Charlie? Existem montes de atores obesos desempregados. Da mesma forma que hoje muitos ativistas LGBT criticam filmes que contratam atores cis para interpretar personagens trans, também poderia ser usado um gordo para fazer um gordo.

Porque quando se usa um ator não gordo para interpretar um gordo, o que ele precisa fazer? Usar um "fat suit" (uma espécie de roupa para aumentar o tamanho do ator). O "fat suit" hoje é amplamente condenado, porque quase sempre é utilizado para transformar pessoas gordas em piada. Pense em O Amor é Cego (filme odioso em que Jack Black é hipnotizado para ver a beleza interior e se apaixonada por uma mulher obesa, feita por Gwyneth Paltrow vestindo um fat suit), ou a Monica do passado em Friends. O fat suit é também um jeito de pessoas não gordas contarem histórias sobre pessoas gordas. Deixem que os gordos falem por eles mesmos.

A ativista Aubrey Gordon escreveu uma série de tuítes interessantes sobre A Baleia (que depois ela deletou). Por exemplo: "A Baleia mostra uma pessoa gorda 'humanizada' fazendo o mesmo que as pessoas esperam: vivendo vidas curtas, se matando de tanto comer, sentindo-se deprimido. Tudo que lembra como é trágico ser gordo, e como é superior ser magro". 

Uma das feministas americanas mais impactantes a surgir nos últimos tempos, Roxane Gay, que é gorda, bissexual e negra, escreveu um artigo para o New York Times chamado "O espetáculo cruel de A Baleia". Ela diz esperar que o público possa reconhecer que "esse retrato fílmico da gordura pouco se assemelha às experiências vividas por pessoas gordas. É, na melhor das hipóteses, uma ficção gratuita e exagerada". Ela não entendeu por que gente talentosa quis fazer um filme desumano sobre um ser humano. "O problema não é a aparência do protagonista ou os desafios do seu corpo. O problema é que os criadores do filme não escondem seu desprezo sempre que Charlie tenta satisfazer uma necessidade humana". Pra ela, ficou claro que o diretor e o roteirista veem ser gordo como o maior fracasso possível. Ela ficou para uma sessão de perguntas e respostas com o diretor depois do filme, e se surpreendeu que havia apenas quatro pessoas gordas no público e nenhuma no palco.  

A dançarina Thais Carla, que é obesa, disse no Twitter: "Que filme gordofóbico! Retrataram a obesidade como doença e um gordo homossexual obeso como um depressivo doente. Absurdo completo. Um obeso pode ser saudável". Milhares de especialistas apareceram para afirmar que a obesidade é doença e que obesos não são saudáveis.

Já um veículo de extrema-direita nos EUA (sempre gordofóbica) escreveu que A Baleia vai contra a corrente de Hollywood que lucra com a aceitação do corpo: "O filme é uma obra-prima da ilustração da miséria e é o filme mais eficiente a mostrar os horrores da obesidade severa desde Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador". Vale lembrar que no filme de 1993 com Johnny Depp e Leonardo DiCaprio, uma parte da história é sobre uma mãe que se torna reclusa depois do suicídio de seu marido e, deprimida, ganha tanto peso que seus vizinhos riem dela e seu filho a agride. Parece familiar? Depois que ela morre, os filhos queimam a casa com seu corpo dentro para que não riam dela no funeral. 

A Baleia
legitima o "concern troll". Não sei a tradução pro português. É aquele troll que tenta disfarçar seu ódio e repulsa "se preocupando" com a pessoa. Ou seja, não é que a pessoa te ache um gordo asqueroso ou que odeie obesos, ela até tem amigos que são, é só que ela se preocupa demais com a sua saúde e não quer que você morra amanhã. O "concern troll" não se considera um troll. Afinal, ele está do seu lado! Ele só quer o seu bem!

Pena não é empatia. A Baleia é ódio embalado como empatia, e será lembrado como o filme que possibilita que qualquer um diga a uma pessoa gorda: "Você não quer acabar assim, quer?"