Hoje eu não paro de sorrir desde que acordei.
Aliás, ontem já estava divertido. Primeiro a Folha disse que o ministro da Justiça Sérgio Moro iria pedir demissão porque Bolsonaro iria trocar a direção da Polícia Federal. Os bolsominions gritaram, em coro: fake news! Folha mente! Muuuuu! O ministro chefe da Casa Civil, Braga Netto, que é quem dizem que manda no governo, desmentiu. Disse que estava tudo bem. A deputada de extrema-direita Carla Zambelli ameaçou começar um tímido "Fica Moro!" (Moro, afinal, foi seu padrinho de casamento na maçonaria).
E hoje de manhã Moro fez mais que um pronunciamento -- fez uma delação premiada (disso ele entende). Alegou que Bolso queria interferir nas investigações da PF ("o presidente me disse mais de uma vez que queria alguém que ele pudesse ligar e pedir informações"), e que na época do governo Dilma a PF podia agir livremente. Porém, se Moro sabia dessa interferência e de outros crimes do seu chefe e nada fez, ele prevaricou. E pode ser punido por isso. Só falta alguém denunciá-lo.
No pronunciamento, Moro fez uma revelação bastante bombástica.
Negou ter aceitado participar do governo em troca de uma vaga no STF (como Bolso revelou meses atrás), e insistiu que sua única condição era que, caso acontecesse algo com ele, sua "família não ficasse desamparada sem uma pensão". Ora, isso é ilegal! Quem iria pagar essa pensão? Queiroz? A milícia? A fantástica loja de chocolate de Flavinho?
O procurador-geral da República, Augusto Aras, escolhido a dedo para proteger Bolso de qualquer processo, hoje já pediu inquérito ao STF para investigar as acusações de Moro contra o Capetão. Moro também já foi intimado a prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados.
Se está arriscado para Moro (afinal, ele não é mais juiz, não é mais ministro, não tem mais foro privilegiado, e não será mais indicado ao STF),
está pior para Bolso. Segundo políticos, a delação de Moro pode configurar sete crimes para o Capetão. E Moro diz ter provas, mensagens que ele já entregou para o Jornal Nacional.
Para coroar um dia emocionante (deve ter sido o primeiro desde que a covid-19 chegou ao Brasil que a pandemia não monopoliza as atenções), Bolso deu um longo pronunciamento cercado de quase todos os seus ministros, um pior que o outro. Pelo que eu ouvi depois de participar do gigantesco panelaço, Bolso gastou um tempão falando de Marielle. Por quê? Confissão de culpa?
Assumiu na cara dura (sem saber que era uma confissão) que mandou a Polícia Federal interrogar seu vizinho na Vivendas da Barra Pesada,
Ronnie Lessa (acusado de atirar na vereadora do Psol), para saber se o 04 (Renan, quarto filho de seu Jair) havia namorado com a filha de Lessa. Lamentou que a PF não tenha perseguido o porteiro ou descoberto quem foi o mandante de Adélio Bispo (responsável pela fakeada). Além disso, acusou Moro de dizer que Bolso poderia fazer a troca da PF em novembro, depois da indicação ao STF.
Se Bolso já andava fragilizado e isolado (como disse o haitiano que veio do futuro em 17 de março, "Você não é presidente mais"), depois da saída de Moro tudo ruiu de vez. Afinal, o ex-juiz da Lava Jato que proibiu Lula de ser candidato era o ministro mais popular e bem avaliado do desgoverno, a sustentação moral e ética da familícia. ![]() |
| Haja cinismo! Deltan, ex-cúmplice de Moro, reclama que uma pessoa em posição de poder possa interferir em investigações e ter acesso a informações sigilosas! |
Com sua saída atirando, a bolsa despencou e o dólar disparou, batendo novo recorde e chegando a quase 6 reais. Bolso perdeu o apoio do Instituto Brasil 200, um grupo de empresários que ficava ao lado do miliciano. Pra se ter uma ideia, as tags que dominaram o Twitter hoje foram #ForaBolsonaro, #BolsonaroTraidor, #BolsonaroEnlouqueceu, #TchauQuerido, e #BolsonaroAcabou. Só agora à noite o gabinete do ódio ensaiou um #FechadoComBolsonaro, muito longe de empolgar algum robô.
Segundo a mídia (uma reportagem da Veja diz que a gota d'água para Bolso querer tirar o diretor da PF foi um inquérito sigiloso apurando Carluxo como chefe do gabinete do ódio), o fim de Bolso também foi a percepção dos militares que compõem o governo. Eles não sabiam da mudança da PF. Ao assistirem o pronunciamento de Moro, alguns auxiliares militares choraram e diziam "Agora acabou" e "Este é o fim de muitas ilusões, inclusive as nossas".
Resta saber, depois da demissão de Mandetta e Moro, qual será o próximo "super ministro" a deixar o Titanic. Será Paulo Guedes? Ou Bolso cai antes? Como Bolso vai cair, através de impeachment (até o PSL entrou com pedido!) ou por renúncia? Pra mim parece improvável que um ególatra arrogante como seu Jair renuncie. Todos sabem que ele quer dar um golpe de Estado. E que, se ele já não tinha o apoio dos militares antes, agora é que não terá mesmo.
Ele certamente tem apoio de paramilitares, alguns policiais, milicianos e seguidores fanáticos, mas é pouco. Insuficiente para sustentar um golpe.
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| O entusiasmo da ex-bolsominion |
E por falar em golpe, a saída de Moro definitivamente foi um golpe duro nos bolsominions, a grande maioria dos quais via o ex-juiz como um herói (a narrativa deles era que Bolso seria reeleito em 2022, Moro em 2026 e 2030, e Dudu Bananinha e talvez outros filhos do miliciano a partir de 2034). Óbvio que vez por outra o gabinete do ódio de Bolso mandava bater de levinho em Moro, mas agora os ataques serão constantes e pesados, com direito a ameaças de morte. E Moro vai pedir proteção a quem, à PF? A terra plana dá voltas!
Por enquanto, até que os bolsominions nocauteados se recuperem do golpe de hoje, a narrativa parece ser: a gente gosta muito do Moro, mas votamos mesmo foi no mito, e nossa lealdade é a ele. Não precisa ser bidu pra saber que essa boa vontade não vai durar.
E Moro, que é um orador tão sofrível quanto Bolsonaro, e que também é um mau caráter e mentiroso de marca maior, foi esperto ao sair quando o governo prova ser insustentável. Assim, ele, que se humilhou e blindou Bolso durante quase um ano e meio como ministro, agora se coloca como opositor.
E já é candidatíssimo a presidente em 2022. Pra onde será que ele vai? PSDB, DEM, MDB, Novo? Muitos partidos de centro-direita e direita irão disputá-lo. Parece que ele já recebeu convites dos governadores do Rio e de Santa Catarina para ser secretário de Justiça dos respectivos governos estaduais. E tem ao seu lado toda a mídia tradicional.
Mas, enfim, hoje estou otimista: Bolso vai cair. O que virá a gente não sabe, e pode ser quase tão hediondo quanto ele. Mas chegando lá a gente vê. O importante primeiro é chegar lá. Fora Bolso!
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| Eu também, Rosângela |





































