Hoje de manhã eu cheguei na UFC para uma reunião e logo de cara ouvi uma notícia terrível: ontem à noite uma aluna da Unifor (a maior faculdade privada de Fortaleza, considerada a melhor particular do Nordeste) foi estuprada por um grupo de eleitores de Bolso. Falava-se em "estupro corretivo".
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| Repúdio ao racismo |
Essa aluna do curso de Psicologia é negra e ativista. Ela vinha sendo ameaçada e denunciou. No dia 11 de outubro, também na Unifor, uma aluna negra (provavelmente a mesma, mas não tenho certeza) ouviu ao entrar no campus de um grupo de homens: "Você não merece estar aqui", "Esse lugar não é para gente como você", e "Sua negra! Não quero conviver com pessoas do seu tipo aqui na universidade". A aluna fez BO.
Há poucos dias, a aluna que foi estuprada foi agredida fisicamente dentro do campus por estar com um adesivo do Haddad. Sei porque outra aluna da Unifor me contou. Por coincidência, antes de eu ir pra universidade hoje, essa moça havia me mandado um email me convidando para participar de um debate sobre aborto.
Sobre o estupro, a Comissão de Direitos Humanos da OAB Ceará cobrou "apuração célere", afirmou que o crime ocorreu "aparentemente por motivações políticas", e disse em nota: "É lamentável e repugnante o nível que se chega nessas eleições. É preocupante o empoderamento de grupos que repercutem o discurso de ódio".
Na reunião na UFC, o clima era de revolta com a interferência de ontem a mais de vinte universidades e institutos federais. O mais grave foi na Faculdade de Direito da UFF. O diretor da faculdade foi ameaçado de prisão por uma juíza se não tirasse uma faixa na entrada do prédio que dizia apenas "Direito Antifascista", sem citar qualquer candidato. A juíza entendeu que aquela faixa atacava a honra de Bolsonaro. Ou seja, a carapuça serviu.
Outro caso que foi citado na nossa reunião foi o de policiais militares que invadiram ontem à tarde a Universidade Estadual do Pará, campus Igarapé-Açu, porque o professor de Ciências Sociais de um minicurso falou em fake news. Uma aluna se sentiu ofendida, ligou para seu pai, policial, que foi ao campus dar ordem de prisão ao professor. Foi só depois que ele se recusou a ir à delegacia sem a presença do seu sindicato e de um advogado que os PMs deixaram pra lá.
E, lógico, na reunião na UFC houve muita indignação com o caso de estupro na Unifor.
Professorxs falaram do medo e desânimo dos nossos alunos, principalmente os LGBT. Um professor mencionou que alguns alunos gays falavam até em suicídio coletivo. Marcamos uma outra reunião na terça para vermos como podemos ajudar esses alunos, com a participação sempre presente do Departamento de Psicologia.
E não são apenas nossos alunos que vem sendo ameaçados e atacados. Nossos professores também. Na tarde de 9 de outubro, o professor Júlio Araújo foi abordado no estacionamento do CH1 por quatro homens que vestiam camisetas do Bolso. Eles gritaram para ele palavras como "bicha", "viado", "macaco", "todo negro tem que morrer". Um deles lhe disse: “Quero só ver como ficarão os professores viados e negros dessa porcaria de universidade! Deixe meu presidente assumir, sua bicha preta”. Outro tentou cuspir no professor. Ele fez BO e houve um ato de repúdio na UFC contra o fascismo.![]() |
| Carro de eleitor típico de Bolso |
É assustador. Ultimamente todo mundo parece ter uma história de horror pra contar. Uma história de ameaça ou ataque de algum eleitor de Bolso, ao ponto de ficarmos com medo ao nos depararmos com algum deles. Depois da reunião, conversei com várias pessoas. Elas me contaram que foram perseguidas por bolsonaristas por estarem com adesivos de Haddad em seu carros (ou no capacete da moto). Os caras seguem os carros com adesivos do PT por quarteirões, emparelham o carro ou moto, xingam, e fazem sinal de arminha, como se estivessem atirando.
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| Mais informações sobre o caso |
Que bom que as armas de fogo de verdade ainda não foram liberadas!
E lembrando: isso que Bolso ainda não foi eleito (e, se depender de nós e da nossa virada, não será). E isso que eu e as pessoas com quem falei vivemos em Fortaleza. Aqui pelo menos 70% da população vai votar no Haddad (espero!). Não podemos deixar o fascismo vencer. Vamos preservar a nossa democracia!
Hoje perto do meio dia a Unifor realizou um lindo ato contra o fascismo e em defesa da aluna que foi estrupada.
Reproduzo aqui um breve post que uma moça escreveu no FB:
Uma estudante negra é hostilizada na universidade onde estuda. Quando candidato tal ganhar, ela não vai mais poder estudar lá, brada o agressor. Ninguém é punido.
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| Uma das ameaças que aluna recebeu |
Sofre ameaças de estupro por meio de redes sociais. E então o pior acontece: é retirada de dentro do ônibus que tomava para voltar pra casa sob ameaça de uma arma branca.
A levam pra um carro e cumprem a macabra promessa. Odeiam mulheres livres, odeiam negras, odeiam feministas. Mais cedo enquanto eu panfletava com um grupo de amigos um homem que estava pra entrar em seu carro falou bem alto em nossa direção que "petista tem que ser fuzilado".
Semana passada, indo da praça do Ferreira pra Gentilândia de bicicleta com um adesivo do Haddad no peito, um homem gritou pra mim "é Bolsonaro, sua puta".
As ameaças estão virando agressões. A tendência é piorar. Quando alguém fala que "nenhum dos dois presta" eu me tremo inteira.
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| Houve um outro estupro na UFPR |
Porque ainda que esteja muito desencantada com a democracia representativa, eu sei que um desses projetos significa extermínio material e/ou simbólico de quem quer que se oponha a ele.
O outro não.
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| A mensagem de um pai hoje ao ver o meu tuíte sobre o estupro na Unifor me fez lembrar este vídeo. #EleNao |






















































