terça-feira, 24 de maio de 2011

CRISES, GRANDES OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS

O capitalismo não está funcionando. Um outro mundo é possível

O documentário A Doutrina do Choque, baseado no livro de Naomi Klein, tem seus probleminhas de ritmo, mas o conteúdo é interessantíssimo e me mostrou vários pontos que eu desconhecia (dá pra vê-lo inteirinho aqui). Ele começa fazendo uma associação entre choques elétricos testados nos anos 1950 para tratar pacientes (técnicas que foram logo incorporadas pela CIA), e a doutrina de um dos maiores pensadores do capitalismo, Milton Friedman (vencedor do prêmio Nobel de Economia em 76, e saudado por Bush no aniversário de 90 anos do economista). Friedman estava convicto que uma terapia de choque econômico seria mais aceita pela sociedade para implantar o capitalismo sem nenhuma regulamentação. Ele havia se oposto ao New Deal de Roosevelt na década de 30, um plano que permitiu o mínimo de sobreviência à população pobre durante a Depressão, oferecendo empregos no setor público e uma rede de seguridade social. Logo após a Segunda Guerra, a Europa abraçou a causa da proteção social. Friedman também vociferou contra isso, pois achava radical. O que ele defendia era que qualquer intervenção governamental era maléfica, e que a economia saberia controlar-se a si própria. Nos anos 50 essas ideias eram vistas como coisa de maluco. Governo deixar de providenciar serviços à população? Não intervir na economia? Não dar nenhum tipo de alento à população menos favorecida? Pois é. Só que três décadas mais tarde essa visão virou a predominante.
A primeira chance que Friedman teve para testar seu modelo foi no Chile. No 11 de Setembro alternativo, mas igualmente trágico, o de 1973, um golpe militar orquestrado e patrocinado pelos EUA derrubou o presidente eleito, o socialista Allende, e colocou o general Pinochet no poder. Em questão de dias, 13 mil opositores ao regime foram presos, a maior parte mantida dentro do Estádio Nacional. Após pressões internacionais, Pinochet desocupou o estádio. Pouco depois, a FIFA deixou que jogos de classificação para a Copa do Mundo ocorressem em Santiago ― no mesmo Estádio Nacional que havia sido palco de torturas e mortes um mês antes! A União Soviética, que devia disputar uma partida contra o Chile, recusou-se a ir. A partida foi jogada, com a equipe chilena chutando sozinha contra o gol vazio do outro lado! O Chile se classificou para a Copa.
Friedman e os Chicago Boys investiram pesado no país sul-americano. Muitos estudantes chilenos receberam bolsas para ir para a Universidade de Chicago aprender a doutrina liberal. Qualquer sugestão de estatizar alguma empresa foi rapidamente ceifada. O primeiro ano deste choque de capitalismo no Chile foi uma explosão de desemprego, um alto custo social para os pobres, e uma inflação de 375% ao ano, a maior do mundo no período.
Durante os 17 anos em que Pinochet foi ditador, Friedman (e os EUA) esteve ao seu lado. Mas isso não impediu que os Chicago Boys colaborassem ativamente com outros governos militares, como o do Uruguai e o do Brasil. Na Argentina, após o golpe de 1976, esses economistas americanos conseguiram postos-chave no governo. Um ano depois, os salários da população perdiam 40% de seu valor. E aí vem outro sinal de como futebol é o ópio do povo (veja Pra Frente Brasil): em 1978, a Argentina sediou a Copa do Mundo. A final ocorreu num estádio a poucos quilômetros de onde boa parte dos presos políticos eram torturados e mortos sob as ordens do ditador Videla. Essa foi a ditadura em que quinhentos bebês de desaparecidas foram adotados por militares e simpatizantes do regime (Videla foi derrubado pelas Mães da Praça de Maio e mais tarde condenado à prisão perpétua. Enquanto isso, outros países ainda não conseguiram enfrentar seus fantasmas e punir militares).
Em seus discursos, Friedman gostava de dizer que capitalismo e liberdade andavam de mãos dadas, que o capitalismo era uma luta contra a tirania. Este ainda é o discurso oficial.
A grande vitória de Friedman veio nos anos 80, quando dois países ricos finalmente passaram a seguir sua doutrina com afinco. Margaret Thatcher, no Reino Unido, e Ronald Reagan, nos EUA, cortaram gastos do governo, reduziram impostos e a propriedade estatal, e impediram a regulamentação da indústria. No primeiro ano de governo de Thatcher, o desemprego dobrou em alguns setores da economia, e houve muitas greves, a mais famosa a dos mineiros, que durou um ano (através da força policial, a dama de ferro derrotou o sindicato, e aproveitou para privatizar tudo). Naomi Klein diz que a impopularidade de Thatcher parecia provar que a doutrina liberal era detestada demais para ser implantada num país que dependesse de aprovação popular, tipo uma democracia. O que salvou Thatcher foi uma crise, a guerra. Embora a maior parte dos britânicos nunca tivesse ouvido falar nas Ilhas Falkland, Thatcher promoveu uma guerra lá nas Malvinas contra a Argentina, em 1982. Durou apenas três meses, mas gerou uma onda de patriotismo, o que fez com que a dama de ferro ganhasse a reeleição em 83.
Antes de Thatcher, um CEO (alto executivo) na Inglaterra recebia dez vezes mais que um trabalhador médio. Em 2007, ganhava cem vezes mais. Nos EUA pré-Reagan, um CEO ganhava 43 vezes mais que um trabalhador. Em 2005, já ganhava 400 vezes mais. Ou seja, é óbvio que o sistema funciona. Não pra todos, mas aí já é querer demais.
Quando o capitalismo chegou à Rússia, em 91, empresas estatais foram vendidas por uma pechincha, e pequenos grupos começaram a prosperar. Um terço dos russos caiu para abaixo da linha da miséria. A corrupção e a máfia tomaram conta do país. Com Yeltsin, que dissolveu o Parlamento ― com o total apoio do Ocidente ―, o número de pobres na Rússia explodiu, mas nenhum outro país no mundo teve tantos novos milionários. É uma compensação, né?
Com um inimigo de tantas décadas derrotado, era essencial que aparecesse um novo. Este novo inimigo surgiu em 2001, com o outro 11 de Setembro. Agora lutávamos contra um eixo do mal pouco especificado, sempre pronto para acolher novos inimigos na sua indefinição. Os conflitos que se seguiram foram vendidos como um choque entre civilizações, uma guerra contra o terror. Guerra esta que virou mais uma grande chance de negócios. A guerra no Iraque é a mais privatizada da história moderna. Em 2007 havia mais terceirizados que soldados, o que contraria até o que Friedman pensava (ele achava que as Forças Armadas não deveriam ser privatizadas).
A despedida de Friedman, em 2006, foi dizer que Nova Orleans depois do Katrina era uma terra de oportunidades. Poderia-se, por exemplo, privatizar toda a rede de ensino, então completamente destruída. Negócio imperdível!
Klein fala que o capitalismo é melhor implantado logo após um desastre (natural ou causado), quando as pessoas ainda estão anestesiadas pelo choque. No Sri Lanka, depois do tsunami, muitos habitantes foram impedidos de voltar as suas terras, que logo seriam vendidas para empreendores multimilionários que as transtormariam em hotéis de luxo.
Em setembro de 2008, como todos sabemos, o mercado implodiu, na mais grave crise desde o Crash de 1929. Nenhuma das duas quebras foi obra de comunistas. Pelo contrário, a crise é um resultado direto da política de privatização e da falta de regulamentação. Para tentar atenuá-la, dinheiro foi transferido do governo, dos impostos, para as empresas e os indivíduos que causaram a crise. Mas o documentário é otimista e diz que, da última vez em que o mundo se viu diante de uma crise tão grave, tivemos o New Deal e políticas keynesianas de seguridade social. Quem sabe aconteça de novo?
Eu adoraria ser tão otimista, mas acho que, se tem uma coisa que o capitalismo conseguiu fazer bem, foi vender pra maioria das pessoas a ideia de que este é o único modelo possível.

50 comentários:

Aoi Ito disse...

Wow, Lola, amei o texto. Gosto muito quando você fala da situação política e econômica mundial. Gostei muito, parabéns. Vou ver se pego pra estudar essa figura simpática do Friedman pra tentar entender o que se passa na mente de uma pessoa que prega uma coisa dessas.

♪ ewerton M. disse...

Rapaz... Devo dizer que esse foi um dos melhores texto que li aqui, desde que virei uma assíduo leitor do Blog, digo também que é um dos melhores paralelos que li sobre o embate capitalismo e o socialismo/comunismo. De certo que ponderações outras se fazem necessárias, até porque se não o maniqueismo tomaria conta do embate, coisa pouco louvável para um discussão tão intrigante e ampla, mas ai também seria pedir de mais e se alongar em demasia.
Parabéns! Mil parabéns!

Disseminando por todas as vias nas redes sociais...

:)

Joel Bueno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joel Bueno disse...

Vou ver o filme. Desde já, compartilho da "falta de otimismo" da Lola. É só olhar Grécia, Portugal, Espanha - a transferência de renda para o setor financeiro quebrou os estados. A solução é mais do mesmo - arrocho, desemprego, cortes nos gastos sociais, privatizações.

lola aronovich disse...

Gente, tá dando pra comentar? A Aiaiai disse pelo Twitter que não conseguiu, daí pensei que o Blogger deu outro chilique. Espero que esteja tudo bem.
Abração!

Pentacúspide disse...

A trilogia Zeitgeist (http://migre.me/4CJiil) é uma outra boa ferramenta para perceber os males e as cordas que os capitalista puxam para nos fazer dançar. E no primeiro filme, ou no segundo, não estou já certo, referiu à CRISE de 1929 como um ensaio de controlo, para obrigar as pessoas, as empresas e inclusive os países com economia emergente a dobrarem-se. O capitalismo quer saber da igualdade? Nã, não é rentável. Esta última crise, parece-me apenas uma reaplicação do GOLPE de 1929, uma maneira de baixar a bola da UE, em nome de lucro para uns poucos, e obrigando os países a foderem com os EUA, sem preservativo, e se tiverem um bastardo, tanto melhor. O plano MARSHALL que tinham usado para salvar a economia global só ajudou para fincarem a sua hegemonia, desta vez quando todos os países começarem a clamar por misericórdia não sei que plano vão inventar.
Portugal, aqui, por exemplo, está endividado até aos cornos, e para se salvar o que é que faz? Recorre ao FMI, pedindo mais metros de corda para se enforcar. Mas é essa a ideia. Meu deus!, por vezes espero mesmo que os idiotas de 2012 tenham razão.

Pentacúspide disse...

O mais fodido é que tínhamos a URSS para contrapor, agora nem isso.

Fernando Borges disse...

Temos exemplos de sobra de implantações do socialismo/comunismo e posterior falha do mesmo.

É muito fácil falar em mudança de sistema, difícil é dizer para qual sistema migrar... Porque comunismo já teve sua vez e se provou ineficaz.
Os poucos exemplos remanescentes de comunismo são de dar pena...

Acho muito mais interessante falar em reformas; acredito piamente que o capitalismo é o sistema mais adequado para o mundo moderno e que qualquer "revolução" culminaria apenas em desgraça e retrocesso.

Mas isso não significa que precisa ser um capitalismo selvagem ou inconsequente. É um sistema que está longe da perfeição, mas que aos poucos vai se auto aprimorando.

As crises (como a de 1929) ou a que se iniciou em 2008 não são motivos para descreditar o capitalismo, pelo contrário... Diferente do comunismo, o sistema atual predominante consegue passar por essas crises e sair fortalecido e aprimorado. Já no comunismo qualquer crise já era motivo pro fim do mundo.

Devemos nos lembrar que que já passamos por algo em torno de 46 grandes crises e que cada uma delas, embora tenha causado perdas, acabaram resultando no aprimoramento do sistema.
Em suma, o capitalismo e a democracia se adaptam e se fortalecem, enquanto o comunismo, quando sofre uma avaria, inicia um processo de desfragmentação.

Portanto, nesse caso, não poderia concordar mais com as seguintes frases de Winton Churchill:

"O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesses; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias."

"A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".

Daní Montper disse...

Muito doido!


Importantes informações, Lola, é legal informar para quem é leigo nisso tudo possa entender o porquê de certos problemas de hoje.

Tentarei ler mais sobre o tema começando pelo que você recomendou.


Obrigada!

allanpatrick disse...

Lola, sou um grande fã de Naomi Klein. Não perco um livro seu! Dela também tem um filme interessantíssimo: The Take, sobre um grupo de operários argentinos que retomam a fábrica onde trabalhavam (e que faliu) para colocá-la novamente em funcionamento.

No Doutrina de Choque (o livro) ela esclarece o que Milton Friedman entende por liberdade democrática: a liberdade de empreender. Então, para Friedman, a China é uma das maiores democracias do mundo, pois há um grau elevado de liberdade de empresa. As outras liberdades, para ele, são secundárias.

O livro é leitura obrigatória!

P.S.: tá bem difícil comentar!

Fernando Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Borges disse...

allanpatrick

China, uma das maiores democracias do mundo?

Só se for avaliando através dessa perspectiva que não possui nenhum critério realmente relevante para aferir a democracia.

lola aronovich disse...

Realmente tá com problema pra comentar no blog. O Patrick me disse no Twitter que só conseguiu postar seu comentário através do seu ID Wordpress. Ou seja, o Blogger tá dando erro de novo...

Roy Frenkiel me enviou um email que colo aqui:

"Sobre Milton Friedman so posso dizer que ele errou tanto, em coisas tao obvias, e em tempos onde seus erros ja eram explicitados (inclusive por Klein, militante ferrenha contra o capitalismo estadunidense), que e cansativo discuti-lo com liberais economicos.

Ao contrario do que se pensa, os impostos na era Reagan eram maiores do os de hoje. Reagan, que adotava a filosofia economica de Friedman dizendo que "a riqueza respingaria dos altos (os mais ricos) aos baixos (os mais pobres" atraves do capitalismo mais livre, estava obviamente errado (constatado, publicamente, por Obama e a base democrata local). Atualmente, ha muitos estudos economicos sobre o aumento da desigualdade social, comparado a epoca de menores tarifas e regularizacao do mercado internacional. E tambem constatado em muitos estudos que os paises com regularizacao mais moderada e concisa foram os menos atingidos pela crise (incluindo o Brasil, tendencia que esta mudando, postarei sobre isso no proximo Suma irracional, e a convido a participar do debate).

Sobre o futebol ser opio do povo, sempre discordei desse jargao. O futebol pode fazer um papel importante na luta politica, diplomatica e pacifica entre as nacoes. So depende da educacao domestica e como o entretenimento e, geralmente, acatado. Se nao voce retira tudo que da prazer ao povo, porque tudo que da prazer ao povo serve como "droga", nesse sentido, para esquecer, e nao participar, dos problemas.

Abrax

Roy
PS: No blog o comentario, nao sei pq, nao entra :-( Se quiser postar la em meu nome e puder, por favor. Beijos"

Masegui disse...

Quirida Lolinha,

Eu tava viajano e só hoje pude lê o post cocê botou o email da Angélica, digo, Dotôra Angélica. Num é purque ela é mineira e conterrânea, mas êta mimina porreta meu Deus do céu! Fala pra ela que eu assino debaixo de tudim que ela iscreveu e que eu amo ela!

Agora, licencinha que priciso continua leno pra tirá o atraso... Inté!

Masegui disse...

A propósito, o texto de hoje é uma beleza. Parabéns!

lola aronovich disse...

A Priscilla tb não conseguiu comentar e mandou este email, que coloco aqui:

"Excelente o seu texto, Lolita.
Como é maravilhoso ver estas palavras reverberadas aqui, onde eu sei que muita gente que entra não é muito fã de economia - em função da nossa cutura neoliberal - que propaga o individualismo, logo não interessa saber quantos pontos percentuais caíram na renda d@s trabalhador@s.
Me interessei muito por este filme e vou creditar em grau de prioridades os motivos.
1)POr ter partido de uma indicação feita neste excelente post.
2) Por acreditar que este modelo de economia e organziação da vida não é único que podemos construir
3)POr saber que estes projetos elaborados por tecnocratas (como o Friedman) tem rebatimentos direito na minha vida e doe meus pares (e aqui vale uma ressalva, sou mulher, assistente social, classe média baixa), tendo me vista que as mulehres são as que mais sofrem com arranjos econômicos excludentes e concentradores.
Enfim, tudo isso é para dizer que seu blog é muuuuito bom justamente por falar de assuntos que são negligenciados, sem contar que sua abordagem é muito didática e isso muda tudo. Afinal, ninguém merece ouvir Alexandre Garcia e Miriam Leitão dando dicas de como viver no modo de produção capitalista, né?
Abraços.
Priscilla Cordeiro"

lola aronovich disse...

Bruno Stern tb desistiu de postar e mandou este email (eta, Blogger! Até quando?!):

" "Acho bastante delicada essa associação direta entre um formulador de teorias e as ações benéficas ou maléficas de alguns governos.

Friedman foi o principal expoente, por muito tempo, de uma escola de pensamento econômico bastante relevante(hoje quase hegemônica). Não fosse ele, outros teriam chegado às mesmas conclusões.

Quem toma as decisões são os governantes, devendo considerar seu custo social e econômico.

De qualquer forma uma associação com Pinochet é o típico caso de "Diga-me com quem andas que eu te direi quem és".

Ainda assim, a ditadura brasileira não foi grande adepta de suas teorias na maior parte do tempo. Essas ideias estiveram mais fortes no Brasil no década de 90.

De qualquer forma, to dando pitaco sem ter visto o filme.

p.s. é a última vez que tento postar."

Ma Garib disse...

Fico sempre impressionada como vc consegue escrever tão bem sobre temas tão distintos.

Realmente, fico chocada como, cada vez mais, as pessoas parecem só pensar nesse modelo tão "perfeito" que é o capitalismo. Afinal, quem se interessa pelos mais pobres? Vamos ganhar dinheiro em cima da tragédia deles!

Pelo menos alguém tem coragem de dizer essas verdades...Parabéns Lola!

ps: respondi seu e-mail lá no gmail =)

Ma Garib disse...

Nem acredito que consegui comentar!! Estava tentando o dia inteeeiro!

Isabel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isabel disse...

que droga. escrevi um comentário longo e o blogger não postou. acabei perdendo.

Enfim, disse apenas que eu acreditava, quando mais nova, que o capitalismo era o melhor sistema porque eu sempre fui privilegiada por ele. Hoje, até por causa dessa crise atual, eu vejo claramente a necessidade de um Estado regulador para garantir os direitos do povo. Caso contrário, economias inteiras viram reféns de meia dúzia de banqueiros bilionários.

Se acreditar em um mundo mais justo é ser comunista, então podem me chamar de Camarada Lênin :P

Thiago Pinheiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago Pinheiro disse...

Em verdade, as receitas neoliberias se mostraram um verdadeiro desastre sobre diversos pontos como controle da inflação, crescimento econômico e desemprego. Creio que a persistência em adotar algumas medidas contra o que se observava à todos era resultado de vivo sentimento religioso.

Não é sem motivos que sua experiência piloto tenha sido realizada numa ditadura, pois um certo desprezo pela democracia se faz presente em muitos arautos destas ideias. Embora o antiestatismo seja o tom destes pensadores, os governos Reagan e Thatcher demonstravam bastante truculência para reprimir os trabalhadores e seus canais de representação e negociação coletivos.

Que o capitalismo se alimenta das suas crises, que são cíclicas, isso não há dúvida. Processo de destruição criativa, disse o Schumpeter. Bem como se apropria dos seus críticos, nada lhe é hostil hoje que não possa ser digerido amanhã. Capitalismo relaciona-se com liberdade, mas mostra-se em antitese com condições de vida digna para as maiorias nacionais, assim como se serve da discriminação para explorar os mais vulneráveis.

Se as experiência soviética revelou-se fracassada, nada impede que uma outra alternativa cobre o seu devido lugar na história, pois o que está posto não é o último ato de realização da humanidade.

O fundamentalismo de mercado é tão vil como qualquer outro, deixando-se que a busca pelo lucro torne-se um guia supremo só se produz a deteriorização do ambiente humano e natural.

Nefelibata disse...

Perguntas para o Fernando Borges:

Quais "exemplos de sobra" são esses de implantação do socialismo/comunismo? Eu não conheço nenhum.

O que signfica a "falha" de um sistema? Por que os "poucos exemplos" remanescentes são de dar pena?

Sem nenhuma "revolução" estamos livres de "desgraça e retrocesso"?

O que significa dizer que o sistema se aprimora, e penso agora principalmente no pós-2008. O que há de aprimorado no mundo após essa última crise?

E tem certeza de que capitalismo acompanha democracia? Mesmo?

Pentacúspide disse...

FERNANDO
As crises (como a de 1929) ou a que se iniciou em 2008 não são motivos para descreditar o capitalismo, pelo contrário... Diferente do comunismo, o sistema atual predominante consegue passar por essas crises e sair fortalecido e aprimorado. Já no comunismo qualquer crise já era motivo pro fim do mundo.

Amigo, ponto 1, o capitalismo protege empresas e não políticas, as políticas é que se têm de transvestir para se adequarem ao capitalismo. Exemplo mais caricato é dos maiores defensores do capitalismo, os EUA: entra democrata, entra republicano, quem continua a mandar na América são os grandes multinacionais que impulsionam campanhas: veja A VERDADE INCOVENIENTE de Al Gore, e leia as entrelinhas que ele tenta esconder, porque apoia o sistema, veja a 11ª HORA, ou os acordos do Kioto ou do Copenhaga, e diz-me que democracia existe em toda essa treta.

Capitalismo aprimora-se? Concordo contigo, porque hoje está de tal forma que parece que não existe alternativa; é certo que o comunismo teve os seus problemas, falemos da ex-URSS, porque os seus ideias foram pervertidos pelos homens que estiveram no poder, leia O TRIUNFO DOS PORCOS de Orwell, acabando o sistema a fazer uma concorrência capitalista com o capitalismo declarado dos EUA para o controlo do mundo; entretanto, houve um ideal que promovia a igualidade; entretanto o ideal capitalista é a lei da selva, sobreviva o mais forte. Não defendo o comunismo tal e qual existiu nos poucos exemplos que tivemos, mas defendo aquele idealizado por Marx, fazendo algumas limpezas nelas.

No entanto, uma coisa que concordo com esse tal de Friedman é: O FUTEBOL É O ÓPIO DO POVO.

Koppe disse...

"seus ideias foram pervertidos pelos homens que estiveram no poder" me pergunto quantos sistemas/ideologias/filosofias/etc essa frase poderia ser aplicada; mais ainda, pergunto onde acharemos pessoas santas para governarem em qualquer sistema, sem perverterem os ideais daquele sistema.

Talvez não seja exagero pesar sistemas político-econômicos numa lógica darwiniana, alguns sistemas se adaptam e prevalecem, outros se extinguem. Nisso o capitalismo tem se mostrado bastante maleável, se adapta bastante bem; pior que ele é o sistema chinês atual, que parece trazer o que havia de pior no socialismo e o que há de pior no capitalismo. Assustador pensar na hipótese de esse sistema se expandir pro resto do mundo (ainda que tenha muita gente por aí torcendo por isso depois de ver as taxas de crescimento econômico).

meumundoficariacompleto disse...

Comentei, o blogger engoliu e agora não tenho mais tempo pra escrever tudo de novo. Mas enfim, impecável como sempre Lola.
Só resolvi comentar de novo mesmo pra perguntar se você já assistiu a trilogia Zeitgeist. Os dois primeiros eu gostei muito, o último ainda não terminei mas segue a mesma idéia. Apesar de achar utópico, gosto da intenção, e principalmente de como esclarece certos fatos.

Fernando Borges disse...

Pentacúspide

Quanto ao filme que você indicou, já assisti.

Em relação aos acordos internacionais mencionados, também já estudei todos e não vejo relação com a minha argumentação anterior.

(...)é certo que o comunismo teve os seus problemas(...)

Não, o comunismo não teve apenas os seus problemas, ele – o comunismo - simplesmente nunca existiu. O que existiu foi o socialismo, que já nasceu fadado ao fracasso.

Quanto ao livro indicado, também já li. Ótima leitura.

(...)entretanto o ideal capitalista é a lei da selva, sobreviva o mais forte.(..)

Aqui você está fazendo um maniqueísmo tremendo. Não é assim que funciona.
Você entende o que uma alteração de sistema causaria para o nosso País? Seria algo inimaginável e, diga-se de passagem, se ocorresse (não vai ocorrer), seria apenas por determinado tempo, até que os alicerces desse sistema ruíssem e fôssemos obrigados a retornar ao capitalismo.
E lembre-se que pode existir capitalismo e ainda assim haver (e há) políticas sociais, políticas de integração etc. O caminho não é a revolução, mas sim reformas.

Fernando Borges disse...

Nefelibata

Respostas às perguntas de Nefelibata:

“Quais "exemplos de sobra" são esses de implantação do socialismo/comunismo? Eu não conheço nenhum.”

Não conhece nenhum caso de implantação do socialismo? Poxa, aí fica difícil discutir...
Faz assim, estuda a Revolução Russa de 1917, a formação da própria União Soviética e a forma como os países da Europa Oriental participaram disso. Preste atenção especial no NEP (mecanismo adotado por Lênin).
Estude também Mao Tsé-Tung e o nascimento da China comunista.
Recomendo que estude toda a Guerra Fria, a divisão da Alemanha em bloco capitalista e bloco socialista e a posterior queda do muro de Berlim. Ainda no contexto da Guerra Fria estude a transformação de Cuba em país comunista.
Estude também a relação entre China e Coréia do Norte, a situação atual de Cuba, situação dos trabalhadores russos durante o período Stalinista e a desfragmentação do império soviético.
Você encontra tudo isso na internet ou em livros de ensino médio.
Até recomendaria literatura e filmes, mas não quero te sobrecarregar.

“O que signfica a "falha" de um sistema? Por que os "poucos exemplos" remanescentes são de dar pena?”

Simplesmente não dá nem pra começar a falar do assunto aqui nos comentários. É muita coisa. Mas de forma resumida, cito Cuba, China e Coréia do Norte.
Coréia do Norte entra numa categoria mais singular...
A China, embora seja a 2° maior economia do mundo, possui um PIB per capta simplesmente ridículo. Lembrando que a China não é totalmente socialista; para sobreviver precisou abrir os braços para o capitalismo.

"revolução" estamos livres de "desgraça e retrocesso"?

Desculpa, não entendi essa pergunta. Pode reformular?

"O que significa dizer que o sistema se aprimora, e penso agora principalmente no pós-2008. O que há de aprimorado no mundo após essa última crise?"

Opa, calma, a crise nem terminou ainda rs
Aqui novamente é uma questão de história...
Como eu disse lá no outro primeiro comentário, nós já passamos por diversas crises e fomos nos adaptando a elas, nos aprimorando no sentido de corrigir determinados erros estruturais. A nossa compreensão do Free Market, Liberalismo, Neo Liberalismo e do próprios ideais de Kaynes foram se moldando no decorrer do século XX.
Mas vou ter que parar aqui, pois não é algo que dê pra discutir em 20 ou 30 minutos, ainda mais através de comentários no Blog rs

“E tem certeza de que capitalismo acompanha democracia? Mesmo?”

Em momento algum eu disse isso. Também disse que o sistema não é perfeito, longe disso. Mas te garanto que ele está muito mais perto de qualquer princípio democrático do que o comunismo jamais esteve ou estará.
Desculpa a demora em responder. Eu estava na faculdade e só cheguei em casa 00h00! rsrs
Abraços

Fernando Borges disse...

Concordo com o comentário do Koppe.

(...)pior que ele [que o capitalismo] é o sistema chinês atual, que parece trazer o que havia de pior no socialismo e o que há de pior no capitalismo.(...)

Cinthya disse...

Um ótimo exemplo do que o capitalismo pode fazer é a situação de Christchurch. A maioria da população tinha seguro contra desastres naturais-devia estar nas letrinhas pequenas. Então, o que o governo neozelandês fez? Socorreu as seguradoras para que elas paguem as apólices. Não sem dor. A população terá que ganhar o direito de receber o que lhe é direito na justiça. Enquanto isso, o governo coloca uns banheiros químicos para o povo ir se virando como pode. Belíssimo sistema econômico!

Beijo Lola!

P.S.: Coloca sarcasmo em todo comentário ... =/

Carmen Helena disse...

Não existe maniqueísmo, apenas um joguinho de riquinhos x pobrinhos.

Pentacúspide disse...

Koppe, também não tenho fé na humanidade, aliás a máxima dos porcos de Orwell é os meu guia: "somos todos iguais, mas alguns são mais iguais", e sei também que "o poder corrompe...", mas dou crédito a certas ideologias, e o capitalismo não é uma delas.

Fernando, é certo que qualquer mudança radical provoca mais problemas do que soluções. Tira-se a água quente de um copo e mete-se nele logo de seguida a fria, ele estala ou quebra. Porém, se houver uma mudança gradual não no sentido de "aprimorar" o capitalismo, mas de conscientemente substitui-lo, acredito que não haverá problemas como houve com os países socialistas. E sim, enganei-me, o comunismo é o orgasmo que o socialismo procura.

Porém, mais que certo é o capitalismo não ser o sistema ideal e deve ser substituído, pois é o capitalismo que alimenta as guerras, a fome, a doenças, em nome do lucro; é o capitalismo que deita comida ao mar, para não haver inflação, lixo tóxico no países pobres, para cumprir as normas do seu próprio, que produz milhões de electrodomésticos com a idade de vida de três meses que depois acabarão a fazer lixo num sítio qualquer. O capitalismo é tudo, menos humanitário e ecológico, é o darwinismo sem a componente humana, é o canibalismo puro e cru: vamos comer os nossos filhos para sobrevivermos.

Tatiana disse...

Pode-se discordar das idéias de Friedman, mas pintá-lo como um porco carente de inteligência, é alterar bastante a realidade. Como economista, contribuiu para o desenvolvimento da teoria neste século como pouquíssimos. Além das contribuições à macroeconomia, desenvolveu uma teoria do consumo que, posso dizer, mudou a forma como inúmeros problemas econômicos são analisados. Não bastasse, o estudo de dados históricos sobre variáveis monetárias resultou no livro "Uma história monetária dos EUA", de sua autoria com Schwartz. É nesse livro que está sua explicação para a grande depressão. Impossível resumi-la em um comentário destes, mas, em poucas palavras, pode-se dizer que sua conclusão é de que foi o excesso de intervenção econômica e não o contrário que provocou a crise e aumentou sua duração. A forma como se chega a essa conclusão, embora menos conhecida do grande público e por ele compreendida, é estudada por todo historiador econômico, que pode até dela discordar, mas não pode ignorá-la. Uma medida da importância da contribuição de Friedman pode ser aferida pelo resultado de pesquisa (Davis e outros, 2011, Econ Journal Watch, vol. 8, no2) feita com professores de economia dos EUA sobre seus economistas favoritos por época. Entre os economistas do século XX já falecidos, Keynes é o mais citado e Friedman, o segundo mais lembrado.
Além de cientista (que foi, sim, a principal ocupação de Friedman), aproveitou sua notoriedade para divulgar os valores nos quais acreditava. Muitos hão de se lembrar da série Free to choose, sucesso nos anos 80 nos EUA e que depois virou bester-seller. Friedman acreditava na liberdade - em todos os campos - e no ser humano. Sua fé no ser humano era tanta que acreditava que deixá-lo livre não só era um dever moral, mas o melhor caminho para o desenvolvimento de uma sociedade justa. Tentou, também, influenciar a definição de políticas públicas, não para por elas ser beneficiado, mas para que fossem empreendidas de modo a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Nunca deixou, porém, que sua crença no que deve ser influenciasse sua pesquisa. Ao contrário, em um dos discursos quando ganhou o prêmio Nobel, fez uma citação que exemplifica o modo como pensa. Disse que alguém (não lembro quem) lhe havia dito algo de que ele se apropriou: mesmo que você tenha uma ideologia, a forma de fazer ciência tem que ser positiva, para que você consiga averiguar se os caminhos que preconiza realmente levam ao fim almejado; afinal, de boas intenções o inferno está cheio.
Alguns dirão que essa citação é adequada a ele. O único problema dessa afirmativa é que não houve nenhum teste empírico de suas idéias. Nenhum governo adotou completamente suas idéias. Como citado no próprio post, a era Reagan foi marcada pela corrida espacial, um mecanismo para, entre outras coisas, aumentar os gastos governamentais. O capitalismo na Rússia está longe de ser liberal, além de ter sido implantado sem as bases institucionais que qualquer economista liberal considera necessárias (sim, são liberais, não anarquistas). Sobre o Chile, importante lembrar que o golpe aconteceu no mesmo ano da primeira crise do petróleo, que afetou o mundo inteiro, mas mais ainda um país que, além de ver os juros aumentarem, viu cair o preço de seus principais produtos de exportação. Vale dizer, ademais, que as ditaduras latino-americanas que adotaram políticas keynesianas não foram mais bem sucedidas. O milagre brasileiro, por exemplo, custou-nos a década de 80, na qual perdermos não apenas o vigor econômico, mas, em muitos casos, também a esperança. Enfim, é difícil dizer qual o melhor caminho a seguir, quando tantas experiências, em direções diversas, fracassaram no século passado e poucos países, atualmente, podem servir de modelo. Mas usar tintas que mudam completamente o objeto pintado para descrever um ou outro intelectual com cuja ideologia não se concorda não é o melhor modo de descobrirmos o que é uma sociedade justa e como fazermos para chegar lá.

Lucas disse...

18º tentativa...


Complementando o Pentacúspide...

Sobre a "adaptação" do capitalismo às crises, não sei se é o termo. O capital sobrevive em suas contradições, e a forma como o neoliberalismo lidou com as duas maiores é uma mostra disso. Os especuladores e as grandes multinacionais lutam por cada vez mais autonomia, menos impostos, mais livre mercado, menos interferência, blá, blá, blá. Buscando, através de um discurso de liberdade, os meios para lucrar o máximo possível. Essa é a única ideologia do capital. Não é democracia ou ditadura, é simplesmente lucrar, louca e predatoriamente.
Então, quando toda essa depredação insana e insustentável entra em colapso, o capital corre para os governos. Sim, aqueles que tinham que ser mantidos em cheque o tempo todo para "preservar a liberdade". E o dinheiro do povo tem que ser usado pra salvar bancos e empresas que apostaram tudo na especulação e na financeirização (capital não produtivo), apenas para lucrar mais.
E passada a crise, como houve no pós 29, a coisa é retomada. A intervenção do governo é bem vinda para salvar a insanidade do capital, mas uma vez que a coisa é reajustada, ele é empurrado e limitado de novo, enquanto a insanidade volta a crescer, até se tornar insustentável de novo e gerar uma nova crise e uma nova corrida aos governos.

Sim, não sou a favor de ditaduras nem de como as tentativas socialistas trabalharam. Mas elas não erraram em tudo, taí a saúde e a educação em Cuba que não me deixa mentir.
Mas qual o cerne do socialismo, em teoria? O social, a sociedade, as pessoas, o bem comum.
Qual é o do capital? O dinheiro, o lucro, o status.
E o controle ideológico, de fazer o povo acreditar que "o capitalismo é bom pra todo mundo", ao fazer os ricos ficaram bilionários e aumentar o salário mínimo do povo, dando a eles ilusão de melhora ao distribuir as migalhas dos empresários.

Transição em lugar de revolução? Acho que sim. Mas essa transição tem que ser pensada de mudar desse eixo do dinheiro para o ser humano, e não a ilusão de que "com o progresso tudo se acerta.""

lola aronovich disse...

Lucas me enviou este comentário por email e pediu para que eu o publicasse aqui:


"Complementando o Pentacúspide...


Sobre a "adaptação" do capitalismo às crises, não sei se é o termo. O capital sobrevive em suas contradições, e a forma como o neoliberalismo lidou com as duas maiores é uma mostra disso. Os especuladores e as grandes multinacionais lutam por cada vez mais autonomia, menos impostos, mais livre mercado, menos interferência, blá, blá, blá. Buscando, através de um discurso de liberdade, os meios para lucrar o máximo possível. Essa é a única ideologia do capital. Não é democracia ou ditadura, é simplesmente lucrar, louca e predatoriamente.
Então, quando toda essa depredação insana e insustentável entra em colapso, o capital corre para os governos. Sim, aqueles que tinham que ser mantidos em cheque o tempo todo para "preservar a liberdade". E o dinheiro do povo tem que ser usado pra salvar bancos e empresas que apostaram tudo na especulação e na financeirização (capital não produtivo), apenas para lucrar mais.
E passada a crise, como houve no pós 29, a coisa é retomada. A intervenção do governo é bem vinda para salvar a insanidade do capital, mas uma vez que a coisa é reajustada, ele é empurrado e limitado de novo, enquanto a insanidade volta a crescer, até se tornar insustentável de novo e gerar uma nova crise e uma nova corrida aos governos.


Sim, não sou a favor de ditaduras nem de como as tentativas socialistas trabalharam. Mas elas não erraram em tudo, taí a saúde e a educação em Cuba que não me deixa mentir.
Mas qual o cerne do socialismo, em teoria? O social, a sociedade, as pessoas, o bem comum.
Qual é o do capital? O dinheiro, o lucro, o status.
E o controle ideológico, de fazer o povo acreditar que "o capitalismo é bom pra todo mundo", ao fazer os ricos ficaram bilionários e aumentar o salário mínimo do povo, dando a eles ilusão de melhora ao distribuir as migalhas dos empresários.


Transição em lugar de revolução? Acho que sim. Mas essa transição tem que ser pensada de mudar desse eixo do dinheiro para o ser humano, e não a ilusão de que "com o progresso tudo se acerta."

André disse...

É bom lembrar que o nome correto das idéias que se propagam hoje como sendo capitalismo é liberalismo. E esse defende basicamente a liberdade dos indivíduos acima da liberdade do capital e do poder do estado (lembrando que o estado do Locke não era o estado atual). Portanto, assim como o comunismo nunca representou corretamente as idéias de Marx, o capitalismo atual não representa as idéias de Locke.
Acreditar que uma entidade chamada de livre mercado pode prover o bem comum da forma mais eficiente possível equivale a acreditar que jogar uma moça virgem dentro de um vulcão vai evitar sua erupção.

Giovanni Gouveia disse...

1- Antes de Friedmann, Heyek já se opunha aos modelos New Deal/Keynes
http://www.ordemlivre.org/files/hayek-ocaminhodaservidao.pdf
ou seja, nem original o miserávi conseguia ser.

3- Para o liberalismo a democracia não tem valor estratoégico, ela é válida enquanto estiver garantindo lucro, caso contrário deverá ser imediatamente descartada.

2 - A crítica que hoje se faz ao socialismo é exatamente a mesma que se fazia contra a democracia quando o modelo de referência era a experiência revolucionária francesa...

Thiago Leal disse...

Fernando, é exatamente por isso que é difícil discutir, porque o debate é sempre posto nos termos enviesados dos defensores do capitalismo. Observe:

Revolução Russa em 1917, União Soviética, Alemanha Oriental, Leste Europeu, China, Cuba, Coréia, Guerra Fria... Eu já estudei tudo isso, e não duvido que você também o tenha. Mas mesmo que você tenha estudado bastante história, tenho certeza de que faltou estudar o próprio conceito de comunismo. Qualquer um que tenha lido Marx a sério sabe que a União Soviética esteve longe do comunismo. Aliás, é curioso; você cita a NEP do Lênin. Lembra o que ele disse à época? "Estamos dando um passo para trás para depois dar dois para a frente". Você sabe me dizer o que foram esses dois passos? É o comunismo que nunca houve. O próprio elenco de países que você cita grita a contradição: comunismo significa que a abolição do modo de produção capitalista extinguirá o Estado. Como então pode haver Estados Comunistas como esses todos?

Nesse sentido, o que dá pena não é nenhuma remanescência de comunismo, e sim a completa e variada realidade do capitalismo. E isso é o que é chamado de "sucesso" do sistema.

Quanto à pergunta que você não entendeu, eu a fiz pensando no que você disse antes, que acredita "piamente que o capitalismo é o sistema mais adequado para o mundo moderno e que qualquer 'revolução' culminaria apenas em desgraça e retrocesso". Ou seja, a manutenção do sistema seria o único caminho para a graça e o progresso. Mas pego emprestado o que diz Derrida:

“Porque isto precisa ser gritado, quando neste tempo em que alguns têm a audácia de neo-evangelizar em nome de um ideal de democracia liberal que finalmente se realizou como um ideal de história humana: nunca haver violência, inegualdade, exclusão, fome, da forma como a opressão econômica afetou tantos seres humanos na história da Terra e da humanidade. Ao invés de cantar o advento de um ideal de democracia liberal e de mercado capitalista na euforia de um fim da história, ao invés de celebrar o 'fim das ideologias' e o fim dos grandes discursos emancipatórios, não podemos jamais negligenciar este fato macroscópico, composto de inumeráveis sofrimentos singulares: nenhum grau de progresso permite ignorarmos que nunca antes, em números absolutos, houve tantos homens, mulheres e crianças subjugados, famintos ou exterminados na Terra”.

E você tem razão: a crise não terminou. Na verdade, nunca terminou. O capitalismo depende da crise diuturna e de massivo custo humano para subsistir. Todas as crises históricas pelas quais ele passou exigiram a vida e a morte de incontáveis pessoas. Assim, é verdade, o sistema está muito, mas muito longe de ser perfeito.
Sobre a correlação entre democracia e comunismo, é impossível garantir, como você faz, que o comunismo não chega aos pés do capitalismo no respeito da democracia. Porque os exemplos que você toma não são exemplos de comunismo. Pelo contrário; são todos exemplos de tipos muito heterodoxos de capitalismo - mas mesmo sem eles, creio que alguém que conhece tanto a História como você sabe que são muito fartos, tanto no passado quanto no presente, os exemplos de que a democracia é somente um detalhe para o capitalismo. Se for conveniente para o sistema, a tirania será defendida como política pragmática.

Fernando Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Borges disse...

Thiago Leal

"Porque os exemplos que você toma não são exemplos de comunismo. Pelo contrário; são todos exemplos de tipos muito heterodoxos de capitalismo"

Como????
Olha, prove esse seu argumento e suspeito que seu nome será considerado para o Nobel.

Sim, não sei nenhum exemplo de comunismo, mas sim de implantações do socialismo.

O seu argumento é o argumento batido dos pró-comunismo que dizem que o pensamento de Marx não foi posto em prática de forma correta, como se ele - Marx - fosse alguma divindade possuídora de algum segredo fantástico que nós ainda não descobrimos.

Vou te dizer o motivo pelo qual o comunismo nunca foi e nunca será posto em prática: porque ele é utópico.
Simples assim.

Você fala de sofrimento, de miséria, daqueles que vivem à margem da sociedade e desconsidera totalmente o fato de que o sistema idealizado do qual você fala simplesmente não é aplicável.
É mais fácil demonizar algo e falar em mudanças do que de fato propor mudanças sérias e viáveis.

Olhe como a situação social no capitalismo se desenvolveu no decorrer dos últimos 110 anos. Você ficará surpreso. É inacreditável perceber como as coisas melhoraram, e não apenas para os ricos, mas de uma forma geral.
Então não venha dizer que o capitalismo é o inferno na terra, não é.

Mas as coisas não acontecem do dia pra noite e é isso que as pessoas não conseguem entender. Existe um imediatismo inconsequente, principalmente entre esses que clamam por uma mudança de sistema, enquanto estão confortavelmente sentados em suas poltronas, navegando pela internet (globalização), tomando uma Coca-Cola e pensando na balada marcada pra sexta-feira.

Então repito... Sim, capitalismo é melehor que qualquer idéia bonitinha e inviável.

Não me entenda errado... Comunismo é lindo, anarquismo também, mas só isso, nada além disso.

Thiago Leal disse...

Fernando,não tem novidade nenhuma no que eu digo sobre capitalismo heterodoxo."Capitalismo de Estado" é um termo quase secular.Você se espanta com isso e mostra que só conhece o comunismo pelo discurso -esse sim batido- herdado do Macarthismo e pós-queda do Muro de Berlim.Como você pode chamar meu argumento de batido se você claramente se coloca nesse debate sem conhecer a extensa crítica que há sobre esse ponto?Repito que é por isso que fica difícil discutir: as pessoas reproduzem a pseudocrítica ao comunismo sem sequer buscar estudá-lo antes.É fácil falar qualquer coisa do que não se sabe(e quando outros que sabem tão pouco quanto confirmam o discurso pseudocrítico).

Procure em meus comentários alguma divinização de Marx ou do comunismo e você não encontrará nada disso.Marx era um ser humano consciente de seus limites e por isso passou a vida inteira pesquisando,estudando e militando,inclusive revendo constantemente as próprias posições em nome de uma sociedade mais justa.Meu argumento é batido,você diz,mas isso entrega que você nunca leu "O Capital",que é a opus magnum dele.Não é "O Comunismo".Marx não foi um profeta nem um político;foi um pensador que criticou com a maior precisão até agora as contradições do capitalismo.Ele não propõe um plano político para o comunismo,apenas fundamenta as razões pelas quais não podemos aceitar o capitalismo.E só isso foi o suficiente para simplesmente revolucionar todo o saber humano antes dele.

Você,como a imensa maioria das pessoas,se contenta em deixar de lado o "sofrimento e a miséria daqueles que vivem à margem da sociedade" enquanto "toma uma coca-cola pensando na balada marcada para a próxima sexta-feira".A consciência encontra a paz achando "inacreditável perceber como as coisas melhoraram".Melhoraram onde?Em quê?Certamente houve progressos,mas novamente,retomo Derrida: apesar deles,nunca houve tanta gente,em números absolutos,pobre,esfaimada,violentada,exterminada.Para usar um termo de mercado,o sistema opera no vermelho.Isso sem falar dos que vivem sem violência direta,mas que sofrem ainda a exploração e o domínio ideológico no melhor estilo "Admirável Mundo Novo".Você acha que é livre, mas a diferença entre você e o escravo chinês é que sua gaiola é de luxo.Sem falar no gênero humano,temos até mesmo o planeta que está morrendo.Mas está tudo bem, as coisas melhoraram,somos confiantes no sistema, né.

(...)

Thiago Leal disse...

(...)

É essa atitude, antes de qualquer falha conceitual ou teórica do comunismo, que inviabiliza a superação do sistema capitalista. Como a Lola bem disse: "se tem uma coisa que o capitalismo conseguiu fazer bem, foi vender pra maioria das pessoas a ideia de que este é o único modelo possível". Para superá-lo, é preciso construir uma sociedade nova, pacientemente, entre erros e acertos sem jamais perder de vista o objetivo de justiça. Assim, é impossível pensar a priori num modelo de sociedade comunista tal como os detratores de Marx acusam-no de ter feito. Por outro lado, a superação do sistema jamais acontecerá se acreditarmos que ele não precisa ser superado, se acreditarmos que essas calamidades são aceitáveis, e que apesar delas, está tudo maravilhosamente bem. Essa é a atitude conservadora. A crítica sabe que um mundo menos injusto ainda é fundamentalmente injusto e irá lutar contra isso como puder. Como Saramago dizia:antes de tudo, "ser comunista é um estado de espírito".

Ah, se capitalismo é inferno na terra...Há uma alegoria na mitologia grega que diz que há no mundo dos mortos um lugar para as almas virtuosas. Esses são os Campos Elíseos. Para lá as almas bem-aventuradas vão sem ter consciência de que morreram, e por não terem corpo, não sofrem fome, sede, calor ou frio, experimentando uma eterna ilusão de felicidade. Mas não passam de almas adormecidas, inconscientes, mortas, que privadas dos sentidos não percebem o odor de podridão, os vômitos de fogo e os gritos do Tártaro. O capitalismo é o inferno na terra na medida em que pessoas, e você também, compartilham dessa ilusão sem perceberem o quanto já estamos todos amortecidos.

Lucas disse...

Fernando Borges,

Então, como exercício, quais seriam as mudanças sérias e viáveis a serem feitos no capitalismo para combater a miséria extrema, a poluição, a guerra e a exploração que fossem permitidas e aceitas pelas potências econômicas, sejam elas países ou multinacionais, que lucram com isso? Dentro de uma lógica de lucro, onde quem não se submete é engolido?

Fernando Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Borges disse...

Thiago
A sensação que eu tive de início foi a de que você estava simplesmente vomitando jargões ouvidos por aí, mas percebo agora que estava de certa forma errado.
Ainda assim devo ressaltar que em momento algum disse que você estava defendendo um termo seu, mas sim se apropriando de algo que não possui significação naquilo (ou parte daquilo) que eu estava dizendo.

Se engana ao pensar que me limito a estudar e pesquisar o modo de visão que exponho aqui, afinal não sou lobista do capitalismo; não tenho nada a ganhar defendendo um sistema assim, apenas por defender. Não estou sendo pago para isso.
Se digo o que digo é porque acredito nisso, até que me provem o contrário.

Também não disse que você estava divinizando Marx, mas sim que ele é tratado dessa forma por muitos e muitos reproduzem isso acriticamente.
Marx não era a figura caricata que muitos reproduzem por aí. Sei que foi e é de extrema importância para a nossa história, ainda assim não concordo com o sistema que é proposto (muita vezes de forma cega e idealizada) a partir de suas análises e afirmações.

Gaiola de luxo? Liberdade? Não vou discutir esse ponto pois aí teríamos que começar a filosofar muito aqui.
A alegoria que você citou é maravilhosa. Aliás, se você procurar o texto “Felipe Ramos de Paiva” no meu blog, perceberá que em um momento do texto eu confirmo parte do que você tencionou acusar ao apresentar a alegoria.
Nos demais aspectos, principalmente no que se trata do meu posicionamento em relação ao socialismo, a alegoria não corresponde ao meu comportamento. E se corresponde, bom, eu nunca poderia perceber, pois estaria (ou estou?) imerso num mar de passividade.

Proporcionalmente falando a miséria, a natalidade, a expectativa de vida, a participação social e outros aspectos melhoraram tremendamente.
Não faz sentido julgar a partir da linha de raciocínio que você faz. 60 anos atrás pouco menos de três bilhões de pessoas caminhavam sobre a terra, hoje, quase sete bilhões. Os números se modificaram e poderíamos dizer que hoje morrem mais pessoas do que em 1950, mas dizer isso desconsiderando a mudança na quantidade de pessoas seria um ato de parcialidade condenável. Portanto, proporcionalmente falando (eu falo de médias) hoje existe menos miséria que antes.

Quanto ao planeta, não se preocupe, ele não está morrendo. Quem está morrendo é a humanidade, aos poucos, de forma gradativa. Vou citar o exemplo do sapo na panela para representar isso.
Se você pega um sapo, coloca numa panela com água fria, ele permanece imóvel. Se aos poucos você começar a aquecer a água, ele permanecerá lá. Quando a água ferver, não haverá mais volta e ele morrerá. (Nunca fiz o teste, nem pretendo).
Se você pega o mesmo sapo e jogar na água já fervendo, ele sairá dela tão rapidamente quanto entrou. Nós (humanidade) somos esse sapo. Mas a terra... A terra está ótima. A não ser é claro que tentem explodi-la com as nossas reservas de ogivas nucleares.

Um dia entraremos em extinção e a terra continuará aqui e se recomporá. Da mesma forma que ela já fez outras vezes. De qualquer forma, acho que eu não precisava ter escrito todo esse parágrafo apenas para me opor a uma peque frase sua. Mas já foi.

Fernando Borges disse...

Lucas

Sou apenas um mero universitário. Não tenho tanta pretensão assim rs

Pentacúspide disse...

A terra está óptima. A não ser é claro que tentem explodi-la com as nossas reservas de ogivas nucleares.

NOSSAS? Nós não temos reservas, têm-nas os poderosos. Os que têm dinheiro para isso e que fazem o monopólio dessas reservas investindo (em todas as acepções do termo) belicamente contra os "mais fracos" que também queiram o mesmo. É isso o capitalismo.

Eu, aqui, confesso que quando nas duas tentativas de ler Marx, dois título, tive de abandonar os livros, acabando por me contentar apenas em ler aqueles que o leram, amigos e inimigos, recebendo, eu sei, tudo mastigado, e o que sei dele foi o que ponderei tanto dos seus defensores como dos seus deturpadores. Entretanto, a questão não passa pela divinificação de Marx, ou considerá-lo não falho, credo!, ele é humano, porém, Marx apresentou uma alternativa ao sistema corrupto que existiu há milhares de séculos, a parelha senhor/escravo que foi APRIMORADO e ficou o capitalismo tal e qual o conhecemos. Em quê o capitalismo é diferente do feudalismo?, senão em termos e leis.

Marx apresentou uma alternativa, UTÓPICA? claro que sim, para o sistema actual onde somos ensinados a pisar nos outros para subir? IMPOSSÍVEL, claro que não, se começarmos a trabalhar as mentes para esse fim.

Qualquer alteração que se fizer ao capitalismo para que ele contemple as pessoas e não o lucro, levá-lo-á ao comunismo. A igreja catolica, capitalista, começou por ser comunista, os primeiros cristãos tinham um ideal utópica e comunista... mas tu não precisas de aula de história.

O que me intriga é todos os defensores do capitalismo argumentarem contra quem o critica da mesma maneira: "vocês fumam Marlboro, tomam Coca-cola, usam Apple e vêm para aqui criticar o capitalismo". Quem disse que a Coca-cola, o Marlboro e a Apple (símbolos capitalistas) serão abolidos com o comunismo? Não, não serão, se são produtos de qualidade, continuarão, só que em vez de um par de gente apenas poder ter acesso a eles, teria quem quisesse.

Fernando Borges disse...

*pequenNA frase sua

Anônimo disse...

Acho engraçado como tem pessoas que falam que capitalismo é um inferno porque estamos alienados e amortecidos...o socialismo (que teve sim experiencias reais, sem essa de que russia nao era, China nao é, etc) teve contribuicoes mas tbem muitas desvantagens. inegavel! e falando em impacto ambiental capitalista, procurem ver o que os sovieticos fizeram com Arau e sobre a poluicao da China,sem falar que vi um cubano defendendo queima de cana como alternativa de combustivel limpo! he he
Mas nao, o socialismo nao amortece ninguem, ele ilumina!! oh.
igual crentes, a verdade está em marcuse, em sartre em lenin, em stalin, em foucault, em guevara fora disso, vc é um alienado infeliz que deve ser exorcizado! chamem frei Betto ! nao há outra escolha, quakquer outra coisa é ilusao de escolha. nao é mesmo?

capitalismo tem problemas e crises e deve ser alterado, sou a favor do Estado aonde ele tem que atuar (saude, edcuacao, etc mas nao como no brasil aonde , na epoca dos militares, tinha até hotel que era de propriedade do Estado! o Brasil nunca conheceu liberalismno, independente de que ele seja ruim ou bom! nem capitalismo temos aqui, o que tem é clientelismo, um pre capitalismo! O brasil é um país com pouquissima liberdade economica! é so ver a burocracia e impedimemtos para o pequeno emrpesario.
Outra, atribuir ao capitalismo o que de rumi vei à russia pós queda do regime comunista é de uma má fé ou ingenidade gigantes! a economia já tava uma merda la, por isso deu no que deu, assim como nas crises capitalistas, porem eles mudarasm de vez.
O Chile teve uma estabilizacao economica e previdencia privada melhor funcionando que antes, tanto que ate a socilaista Bachelet colheu frutos de melhoria economica do Chile, mas Pinochet foi um ditador fdp, assim como é Castro tbem,mas latinos adoram um ditadorzinho à mão.
Mas brasileiro é chegado