domingo, 27 de janeiro de 2013

GUEST POST: O QUE UM ANÚNCIO ME FEZ PENSAR

Gabi, uma historiadora em SP, me mandou um email que me fez lembrar muito de um lindo poema da Elizabeth Bishop. "Na Sala de Espera" fala de uma menina que, ao folhear uma National Geographic num consultório, percebe sua posição de mulher no mundo.
É bem interessante pensar em momentos assim em que a gente se descobre mulher (ou homem), ou que faz parte do mundo, ou o que significa ser mulher. Eis a epifania da Gabi.

Lembro-me de uma propaganda que a Duloren fez alguns anos atrás [acima], quando eu ainda era adolescente. Eu não lembrava da mensagem favorável à legalização do aborto, mas me lembro da cena da violência, de como eu me senti frágil perante o mundo ao ver aquilo! Tão branco e preto, tão agressivo, tão humilhante. A minha impotência em relação à violência veio à galope, e eu me senti reduzida a nada.
O que aquilo queria dizer? Se eu usar essa marca, eu estarei implorando para que os homens me estuprem e para que eu cometa um aborto? Se eu uso Duloren, eu procuro por essa violência dupla? É muito clara a lembrança de eu estar na sala de casa, segurando a revista aberta na propaganda por longos minutos, inconformada com a cena, mas sem saber o porquê! Qual era o motivo da mulher do anúncio estar apanhando?
Qual a ligação entre uma calcinha e um sutiã, itens que em geral exaltam a beleza e a feminilidade, serem motivos para uma mulher ser punida? Ou a mulher que usa Duloren é 'malvadona' e aborta pacas por ser moderna ou "estuprável"?
Senti um nó na garganta e um desespero (contido na marra) com tudo aquilo: uma que eu, ainda adolescente, não sabia me expressar ou argumentar com clareza, mas sentia que aquilo era absurdo. E outra que eu não tinha com quem conversar sobre o tema, pois os adultos que me cercavam não entendiam aquilo (criação católica, em que meninas direitas -- oi? -- não devem se preocupar com sutiã), ou estavam demasiadamente descrentes na vida para contestar!
Estava perdida.... o melhor foi engolir o nó da garganta e seguir em frente. A diferença é que a propaganda me atingiu tão negativamente que nunca comprei nada da marca. Medo de ser estuprada? Talvez. Não compactuar com aquelas ideias de violência? Talvez também! As duas coisas? Provavelmente! Prometi pra mim mesma que eu não compactuaria com uma marca que não me respeita, que me trata como algo que suporta violências por centímetros de renda. Entendi que a marca não falava comigo.
Lembro vagamente de ler uma outra notícia falando que a propaganda da violência estava gerando muito incomodo e seria removida. Mas aposto que brigaram contra a mensagem do aborto e não da violência do estupro, né? E chocadeira tem o direito de reclamar de alguma coisa?

FILMES INDICADOS AO OSCAR 2013

Vencedores estão em negrito.
 
MELHOR FILME
Amor
Argo
Indomável Sonhadora
Django Livre
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
O Lado Bom da Vida
A Hora Mais Escura

MELHOR ATOR
Bradley Cooper por O Lado Bom da Vida
Daniel Day-Lewis por Lincoln
Hugh Jackman por Os Miseráveis
Joaquin Phoenix por O Mestre
Denzel Washington por O Voo

MELHOR ATRIZ
Jessica Chastain por A Hora Mais Escura
Jennifer Lawrence por O Lado Bom da Vida
Emmanuelle Riva por Amor
Quvenzhané Wallis por Indomável Sonhadora
Naomi Watts por O Impossível

ATOR COADJUVANTE
Alan Arkin por Argo
Robert De Niro por O Lado Bom da Vida
Philip Seymour Hoffman por O Mestre
Tommy Lee Jones por Lincoln
Christoph Waltz por Django Livre

ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams por O Mestre
Sally Field por Lincoln
Anne Hathaway por Os Miseráveis
Helen Hunt por As Sessões
Jacki Weaver por O Lado Bom da Vida

DIRETOR
Michael Haneke por Amor
Ang Lee por As Aventuras de Pi
David O. Russell por O Lado Bom da Vida
Steven Spielberg por Lincoln
Benh Zeitlin por Indomável Sonhadora

ROTEIRO ORIGINAL
Amor (Michael Haneke)
Django Livre (Quentin Tarantino)
O Voo (John Gatins)
Moonrise Kingdom (Wes Anderson, Roman Coppola)
A Hora Mais Escura ( Mark Boal)

ROTEIRO ADAPTADO
Argo (Chris Terrio)
Indomável Sonhadora (Lucy Alibar, Benh Zeitlin)
As Aventuras de Pi (David Magee)
Lincoln (Tony Kushner)
O Lado Bom da Vida (David O. Russell)

FILME ESTRANGEIRO
No (Chile)
Amor (Áustria)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
Kon-Tiki (Noruega)
War Witch (Canadá)

ANIMAÇÃO
Valente
Frankenweenie
ParaNorman
Piratas Pirados!
Detona Ralph

FOTOGRAFIA
Anna Karenina: Seamus McGarvey
Django Livre: Robert Richardson
As Aventuras de Pi: Claudio Miranda
Lincoln: Janusz Kaminski
007 - Operação Skyfall: Roger Deakins

EDIÇÃO/MONTAGEM
Argo: William Goldenberg
As Aventuras de Pi: Tim Squyres
Lincoln: Michael Kahn
O Lado Bom da Vida: Jay Cassidy, Crispin Struthers
A Hora Mais Escura: William Goldenberg, Dylan Tichenor

DESIGN DE PRODUÇÃO
Anna Karenina: Sarah Greenwood, Katie Spencer
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada: Dan Hennah, Ra Vincent, Simon Bright
Os Miseráveis: Eve Stewart, Anna Lynch-Robinson
As Aventuras de Pi: David Gropman, Anna Pinnock
Lincoln: Rick Carter, Jim Erickson

FIGURINO
Anna Karenina: Jacqueline Durran
Os Miseráveis: Paco Delgado
Lincoln: Joanna Johnston
Espelho, Espelho Meu: Eiko Ishioka
Branca de Neve e o Caçador: Colleen Atwood

CABELO E MAQUIAGEM
Hitchcock
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis

TRILHA SONORA ORIGINAL
Anna Karenina: Dario Marianelli
Argo: Alexandre Desplat
As Aventuras de Pi: Mychael Danna
Lincoln: John Williams
007 - Operação Skyfall: Thomas Newman

CANÇÃO
Chasing Ice, de J. Ralph ("Before My Time")
Os Miseráveis, de Alain Boublil, Claude-Michel Sch  nberg, Herbert Kretzmer ("Suddenly")
As Aventuras de Pi , de Mychael Danna, Bombay Jayshree ("Pi's Lullaby")
007 - Operação Skyfall, de Adele, Paul Epworth ("Skyfall")
Ted, de Walter Murphy, Seth MacFarlane ("Everybody Needs a Best Friend")

EDIÇÃO DE SOM - Empate! 1a vez desde 1994
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
007 - Operação Skyfall
A Hora Mais Escura

MIXAGEM DE SOM
Argo
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 - Operação Skyfall

EFEITOS VISUAIS
The Avengers - Os Vingadores
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
As Aventuras de Pi
Prometheus
Branca de Neve e o Caçador

sábado, 26 de janeiro de 2013

GUEST POST: RACISMO NUM SITE DE MATERNIDADE

A Luiza, uma produtora teatral, me enviou uma ótima reflexão sobre um caso que rendeu muitas críticas esta semana. 
Na quinta, o site de uma maternidade publicou um post com o título "Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qual idade posso alisá-lo?". Escrito por uma empresa terceirizada, o site nem tocou na questão de que não há absolutamente nada de errado em ter cabelo crespo. Pra contrastar com a foto da menininha negra, no cabeçário do site vemos uma família branquinha e feliz.
Depois de vários protestos nas redes sociais (e depois dizem que ativismo de sofá não é importante), o site removeu o post. Fica o texto da Luiza:

Li aqui algumas vezes posts sobre racismo e sobre como isso agride pessoas (especialmente mulheres).
Eu sou branca, beeeem branca e tenho o cabelo muito liso e muito fino. Cresci ouvindo mulheres que diziam ter inveja do meu cabelo. E, claro, como nunca estamos felizes com aquilo que temos, meu sonho é ter cabelos volumosos e cacheados. Acho as mulheres negras estonteantes. Eu acho essa minha cor de lagartixa muito sem graça, pouco charmosa. Sei que é possível que se eu tivesse nascido diferente do que sou, e tivesse desde a infância aturado preconceitos e bullying racistas, talvez não pensasse dessa forma e vivesse alisando o cabelo.
Hoje [dois dias atrás, mas a Luiza escreveu isso no momento, antes do site ser retirado] vi um post no site de uma maternidade. O texto é pequeno em comprimento e imenso em estupidez, ignorância e preconceito. Em tese, serve como um alerta para a saúde das crianças que terão seus cabelos "crespos ou rebeldes demais" alisados. Ao ler, esperava que houvesse (para dizer o mínimo) algum questionamento do porquê de as mães terem a necessidade de alisar cabelos de bebês e crianças. Ao invés disso, me deparei com a seguinte frase: "Com a adesão cada vez maior às técnicas de alisamento, algumas mães recorrem a essas alternativas para deixarem as crianças mais bonitas." O que isso quer dizer? Meninas de cabelos crespos e rebeldes são não-tão-bonitas assim?
Ao invés de tentar conscientizar as mães, o texto da maternidade dá respaldo a esse comportamento e ainda assina embaixo de que as crianças de cabelos não-lisos poderiam ficar mais bonitas, caso suas cabeleiras não fossem como são. E, pra completar, em seguida fornece as opções de escova e de alisamentos que podem ser feitos em crianças, segundo eles, "sem causar danos".
Eu gostaria muito de saber desde quando a maternidade passou a ter, além dos médicos e obtetras, especialistas em estética infantil. Tenho certeza de que a maternidade não se acha racista, mas que apenas está zelando pela saúde das crianças, as quais teriam seus cabelos alisados de qualquer maneira pelas mães, que também querem o melhor para suas filhas -- ou seja, que querem que suas crianças sejam "mais bonitas" e que não sofram com a sociedade que não aceita o cabelo das mulheres de origem negra. 
Mas o texto da maternidade em momento algum questiona o porquê de sofrer por ter um cabelo crespo. É motivo para sofrer? Que tal questionar por que o sofrimento e a dor do alisamento, das escovas e das químicas, é preferível ante o sofrimento psicológico de não se enquadrar numa estética imposta e que não condiz com a realidade?
A meu ver, as mães que se perguntam "Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qual idade posso alisá-lo?" devem ter sofrido com seus cabelos ou são incapazes de reconhecer a beleza que a mídia, não declaradamente, não aprova.
Isso me lembra o vídeo "The colour of beauty", que vi aqui no seu blog, sobre como a indústria da moda não aceita mulheres negras e, quando aceita, são mulheres de traços caucasianos "tingidas" com a cor negra. Em um dado momento, a modelo chega ao casting que seleciona meninas para a semana de moda de NY e o produtor diz que as modelos negras tendem a ter mais curvas e "a little wild hips" ("quadris um pouco selvagens"; acho que nem preciso comentar a parte do "selvagens".
[Luiza, acho que precisa explicar, porque tem gente que nunca pensou no assunto: vemos poucas modelos negras na mídia, mas, em geral, quando elas aparecem, muitas vezes vêm associadas a algo animalesco, selvagem, que precisa ser domado. A questão de alisar o cabelo vai na mesma linha: equivale a querer domá-lo, pacificá-lo, dominá-lo, e a querer fazer o mesmo com a dona do cabelo].
Na minha livre tradução, o que esse produtor realmente quer dizer é "mulheres negras não foram feitas para o mundo da moda" ou "o mundo da moda não é feito e não se importa com as mulheres negras". Ele também diz que nunca ouviu "não queremos uma modelo negra", mas que já ouviu "queremos uma modelo negra, mas a modelo negra certa". Ou seja, como disse um cliente dele, "precisamos de uma modelo negra, MAS ela precisa ser uma menina branca banhada de chocolate".
Na minha opinião, querer uma modelo negra que pareça ser branca não é menos racista do que só aceitar modelos caucasianas. É um jeito de dizer "viu só? Nós não somos racistas, temos até uma modelo negra no nosso porfólio!" E a própria modelo do documentário diz que as grifes parecem fazer isso: contratar uma modelo negra só para despistar as acusações de preconceito.
O post da maternidade não é um caso isolado de racismo travestido de "dica de beleza". Ele apenas reproduz um comportamento típico da sociedade, o comportamento das mães que não aceitam a si mesmas e, portanto, também não aceitam o cabelo natural de suas filhas; o comportamento da indústria fashionista que só vende um padrão de beleza com a desculpa de que a cor negra não vende ou que negros não querem comprar determinados produtos (a fácil saída de "não é que a gente seja racista, é que o público negro não é nosso alvo").
No documentário um fotógrafo ainda diz "ninguém quer investir em uma modelo negra para fazer Gucci, Prada ou Valentino. Porque elas são negras, e negras não vendem. O dinheiro é verde, e os brancos é que têm dinheiro. Pessoas brancas comprarão de pessoas brancas."
É um ciclo vicioso e venenoso:
Brancos compram de brancos, porque modelos negras não vendem -> modelos negras não vendem porque negras não são o alvo da indústria -> negras não são público-alvo do mundo fashionista por terem "certos traços", como "quadris selvagens" -> "certos traços" não fazem parte do mundo da moda -> "certos traços" não fazem parte do mundo da moda, então a moda não é feita para mulheres com "certos traços" -> mulheres com "certos traços" só consomem uma mídia caucasiana, livre daqueles "certos traços" -> a mídia é caucasiana porque as mulheres negras tendem a ter "certos traços" que são um "problema de ajuste" no mundo da moda -> mulheres caucasianas se encaixam no mundo da moda por não terem "problemas de ajuste" -> mulheres "sem problemas de ajuste" vendem -> mulheres caucasianas, que não têm "problemas de ajuste", continuam comprando de caucasianos sem "certos traços".
Para mim a questão é: brancos e negros compram de brancos por não terem sequer a opção de ter um produto vendido por uma modelo negra, aquela que tem "problemas de ajuste" por causa dos "certos traços", como "quadris selvagens" e "cabelos crespos e rebeldes demais".
Me parece que, no que diz respeito à indústria da moda e à mídia, antes da ética e do bom senso, o que mais pesa ainda está nas mãos do consumidor. A mídia e o mundo fashion têm um papel de extrema importância na perpetuação do racismo, e de uma maneira muito sorrateira, que atinge diretamente o subconsciente do público em geral. Mas a indústria precisa servir ao público que tem. Acho que é trabalho de cada um entender quais as atitudes que podemos adotar como consumidorxs para ter uma mídia e uma indústria da moda menos racistas. Mas se a indústria fashion dita comportamento, como conscientizar os consumidorxs a mudar seu comportamento?
Não sei as respostas, e nem acho que seja a única solução -- afinal, educação, incentivo à cultura e projetos de conscientização são ferramentas mais do que valiosas. Talvez o mero  questionamento já seja um caminho.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

YAY! CINCO ANOS DE BLOGUINHO!

Preciso de férias

Pessoas queridas, hoje comemoro o quinto ano do bloguinho. Impressionante! Cinco anos, como passou rápido! Parece que foi ontem (ok, anteontem) que eu estava em Detroit pro doutorado-sanduíche e comecei o blog, da forma mais despretensiosa possível (sem nem saber o que era print screen).
Bem, por algum motivo desconhecido, o bloguinho cresceu muito do ano passado pra cá. No primeiro semestre de 2012, a média de visitas por mês já estava bem altinha (184 mil, e 290 mil pageviews; em 2011 a média foi de 150 mil visitas/mês). Mas agora, no último semestre, de agosto pra cá, disparou pra 275 mil visitas por mês, e 420 mil pageviews. O que soa como um montão prum blog feminista escrito por alguém que não vive disso.
Nov 2012: 5 milhões de visitas.
Faz um ano, o blog tinha acabado de chegar a um total de 3 milhões de visitas e 5 milhões de pageviews (durante os quatro anos de existência). Agora está com 5,790 milhões e 9 milhões de pageviews. Ou seja, praticamente dobrou.
Desculpem se esse amontoado de números está chato. É que é uma forma de registrar pra mim mesma o andamento do blog. E também, eu até que gostaria de ver blogs que leio fazerem um balanço anual, mostrarem os números. O meu sitemeter fica aí aberto pra qualquer um ver. Quantos blogs fazem isso? E será que todos os blogs que falam em milhões de visitas estão contando a verdade? Mistérios, mistérios...
Sobre o dinheiro recebido com o blog, é melhor nem falar. Foi R$ 2,368 em 2011, contra R$ 1,537 em 2012. Isso aí é tudo comissão do Submarino. O negócio não estava indo tão mal, mas em julho o Submarino mudou o sistema e passou a dar calote em toda a blogosfera brasileira. O que me salvou foi o livro de crônicas de cinema que publiquei. Comprando a tiragem da editora pela metade do preço e vendendo pra vocês pelo preço de capa, tive um lucro de R$ 2,517. Espero que saia a segunda edição e que vocês façam o favor de adquirir todos os exemplares.    
Junho 2012, 100 mil comentários.
O blog tinha 80 mil comentários faz um ano, e hoje vai chegar a 130 mil. Opa, sério, tudo isso? 50 mil comentários em um ano? E isso deletando um monte de mascutroll (a partir de junho comecei a moderar comentários pela primeira vez em todos esses anos)? Pareceu muito, mas fiz o cálculo. Dividi esses 50 mil comentários publicados por 395 (o número de posts no ano passado), e deu uma média de 126 comentários por post. Então tá certo.
O número de seguidores do blog foi de 3,429 em janeiro do ano passado para 4,724 agora. Me parece um número formidável (o mínimo que cada um desses seguidorxs pão-duros miseráveis podia fazer seria comprar um livrinho meu, né?). 
No Twitter, fui de 7,351 pra 10,738, o que acho incrível. Jamais pensei que alcançaria dez mil seguidores no Twitter. Pô, eu não conheço 10 mil pessoas! Mas também não conhecia 7,351.
Putz, tá totalmente burocrático este post, né? É que são três da manhã e amanhã, que já é hoje, tenho aula cedíssimo. Minha inspiração no momento está fazendo zzzzz.
Hmm, vamos ver se dá pra melhorar o post. 2012 foi um ano mais calmo em matéria de ataques e ameaças que 2011. Dois líderes mascus sanctos foram presos em março (e continuam presos), e a situação foi se acalmando. Recentemente recebi um grande elogio de um professor, que acha que minha insistência em falar nos mascus impediu que um atentado à UnB se concretizasse. 
Eu bati tanto na tecla mascu que as bucas no Google pelo termo que eu inventei é maior que as buscas pelo termo masculinismo. Este gráfico é uma prova (clique para ampliá-lo).
Aliás, só descobri o Google Trends (que, pelo que vi, só funciona no Chrome) esses dias, e viciei. Ele não mostra o número de visitas de cada blog, só o número de vezes que cada blog/site é procurado no Google. Mas isso é equivalente ao número de visitas -- um blog popular recebe muitas buscas. 
Fiz um teste: fiz um gráfico com alguns dos maiores sites/blogs de política do Brasil. Todos eles vão dizer que seu auge de visitas foi em outubro de 2010, mês das eleições presidenciais. É quando eles estouraram nas buscas do Google também. É só ver o pico no número de buscas: outubro de 2006 e de 2010. (Claro que há problemas em se basear nas buscas como parâmetro de popularidade. Nem todas as pessoas problemáticas que digitam "Reinaldo Azevedo" no Google querem ir ao blog da Veja onde ele escreve. Deve haver gente que só quer mais informações sobre o reaça-mor.)
Ao pesquisar as buscas pro blog de ódio Silvio Koerich, percebe-se que seu auge se deu em dois momentos -- no final de 2011, quando o blog foi tão denunciado que "viralizou", e em março de 2012, quando dois dois mascus sanctos responsáveis pelo blog foram presos, o que foi destaque em toda a grande mídia. Aproveitei pra comparar o meu bloguinho com o blog de ódio e com outros fóruns mascus. 
Como a curiosidade é grande, quis ver como está o meu blog em relação a blogs feministas famosos no Brasil. É interessante porque o Trends pesquisa as buscas desde 2004 (comecei o blog em janeiro de 08, mas as buscas só chegaram no final daquele ano).
Claro que, comparado a alguns dos maiores sites do Brasil, meu bloguinho é minúsculo. Mas, neste gráfico, ele não parece estar meio próximo ao blog machista mais popular do país?
E, finalmente, quis comparar o meu blog com blogs feministas gigantescos. Fiz só por fazer, porque é ridículo comparar um blog que só pode ser lido por gente que entende português com blogs "internacionais", escritos na língua franca que é o inglês. Tanto que, no Trends, tem que mudar o país de "Brasil" pra "Worldwide" (em todo o mundo). Mas qual não foi minha surpresa ao ver que, atualmente, meu bloguinho não está muito atrás do Feministing?
E isso tudo graças a vocês, que são super gentis em aparecer aqui todo dia (ou quase -- fins de semana e feriados vocês não são lá muito assíduos), que fazem comentários inteligentes e divertidos, que enviam links, que sugerem pautas, que escrevem guest posts maravilhosos (já publiquei quase 250 desde o início do blog; 113 só em 2012) que ampliam a abrangência do blog. Super obrigada, de coração!
Tento retribuir escrevendo e indo aos lugares que me chamam. Em 2012 participei de trinta eventos, entre palestras, mesas-redondas e debates. Agora pra março tenho vários convites, nada confirmado ainda. O bom é que estarei de férias, então posso viajar à vontade. Vamos ver se de repente dá pra aceitar todos os convites e ir pra Ribeirão Preto, Franca, São Paulo, Joinville, Santa Maria, Sobral e São Luís.  
Bom, vamos ver até onde vai o blog. Cinco anos é uma eternidade na internet, e já já as pessoas se cansam de mim. Não sei se eu vou me cansar. Acho que minha maior crise de "Estou cansando. E se eu parar?" foi no final de 2010. Mas não foi nada muito grave. E aí, quando a gente está quase desistindo, vem uma jovem dizer que se assumiu feminista por causa do seu blog. Ou chega um aluno bonitinho e afirma: "Professor, your blog is awesome!"
Ou aparece um mascu pra afirmar que as feministas estão acabando com a família tradicional, e a prova definitiva é que a namorada não faz mingau pra ele. 
E nem acho que esse comentário foi o mais estúpido dos últimos tempos. Teve um outro, não lembro de qual troll, dizendo que todas as mulheres só estão com todos os homens por interesse financeiro. E o cara cita como prova a... Gisele Bundchen. Ao ser lembrado que a Gisele ganha mais que o marido, o astro de futebol americano Tom Brady, o mascu não se deu por vencido: "Ah... Então ela se casou com ele pra conseguir o Green Card".
Essas coisas animam a gente, sabe?

Bom, esses foram os posts mais comentados de 2012:

Uma zona de perigo chamada friendzone - maio, 653 com.
O masculinismo como ele é - maio, 603 com. 
Feministas, nos deem uma chance - junho, 505 com.
Minha impressão: Niemi vive - agosto, 438 com. 
Guest post: Meu namorado não queria, mas fiz um aborto - L., nov, 402 com.
Estupro, um culto à masculinidade - junho, 397 com.
Guest post: A crescente onda alfacista - Robson, março, 396 com.
Muito além dos fetos - março, 383 com. 
Uma imagem antológica - junho, 382 com.
Bingo da gordofobia - fev, 348 com.
Por um Brasil sem hipocrisia - set, 341 com.
Elba Ramalho pede proteção divina contra feministas - junho, 337 com. 
Cultura de estupro? Não, imagine! - agosto, 325 com.
Mascus, os garotos perdidos - junho, 319 com. 
Manifesto da libertação das gordas - março, 315 com.
Guest post: Machismo islâmico contra brasileira em Berlim - Livia, junho, 313 com. 
Toda maneira de amor vale a pena - nov, 311 com.
Depoimentos sobre anencefalia e bebês malformados - abril, 309 com.
Guest post: Aborto, além do pró-vida x pró-escolha - Amana, abril, 303 com. 
Os republicanos e o direito do estuprador criar seu filho - out, 298 com.
Guest post: Meu pai, meu monstro - M., maio, 295 com.
Início de justiça. Até que enfim! - março, 292 com. 
A partida de Niemi - agosto, 283 com. 
Karina Veiga vai à júri popular - dez, 282 com.
Duas ou três opiniões controversas sobre estupro - maio, 279 com.
Guest post: A escravidão da aparência, o machismo invisível - Ariane, março, 277 com. 
O cara que quis impressionar com jantar caro - junho, 273 com.  
Por que o caso Kristen Stewart é importante - set, 270 com.
A visão do sistema sobre mulheres, homens e sexo - maio, 269 com.
Critérios para ser uma gordinha feliz - março, 264 com.
Guest post: Brasileiros reclamam demais - Ana Paula, abril, 261 com. 
Guest post: Gordofobia que vem de casa - M., maio, 259 com.
Comissão científica incentiva meninas a não serem cientistas - junho, 254 com. 
Estupros como presente de aniversário - fev, 252 com.
Oscar: é agora! - fev, 251 com.
Mulher rodada: 10 km por ano - agosto, 242 com.
Guest post: Superei um casamento machista - C., abril, 241 com. 
Retrato falado de um mascu típico - dez, 238 com.
Tolerância zero para a intolerância - abril, 230 com.
Guest post: As várias possibilidades do BDSM - Daniela, abril, 238 com. 
Guest post: As olimpíadas e o incômodo masculino - Livia, agosto, 230 com. 
Como reagir diante de um aluno misógino? - nov, 229 com.
Guest post: Meu marido mascu - S., 228 com.
Danilo Gentili, o prostituto do riso - junho, 228 com.
Guest post: Como são os flertes na Suécia - José Tarcísio, março, 225 com.
Meninas adolescentes estupradas: culpa do fogo delas - agosto, 225 com. 
Algo de errado no mundo - março, 223 com.
Guest post: Tantas escolhas e eu fui estudar - Vanessa, março, 222 com. 
Guest post: Meu estuprador não sabe que me estuprou - M., out, 220 com.
As declarações feministas de Valesca Popozuda - junho, 219 com.
De mascu pra mascu: até as baratas fazem sexo - março, 217 com. (Deve ser o post mais engraçado que já escrevi sobre os mascus) 
Bullying mata Amanda Todd, 15 anos - out, 216 com.
Guest post: Fui estuprada e preciso de ajuda - A., maio, 216 com.
"Tenho 22 anos e sou virgem. Sou normal?" - agosto, 215 com. 
Jogue sua submissão no trono e dê a descarga - dez, 213 com.
Xuxa, minha solidariedade - maio, 213 com. 
Guest post: A dança do ventre na novela das oito - Rayara, junho, 208 com. 
O passado sexual condena (os inseguros) - julho, 208 com. 
Guest post: Direito de resposta da autora de Amely - Pryscila, out, 206 com.
Guest post: Refutando idiotices mascus contra a Marcha das Vadias - Ana, junho, 206 com.
Guest post: É xenofobia ser contra coreano comer carne de cachorro? - Mayara, março, 204 com.
Guest post: mulher que estuprou um homem - S., dez, 204 com.
Troll muda de vida - set, 201 com.
Guest post: Como virei ateu, um testemunho de não fé - Robson, fev, 200 com.
Deus, fique longe dos meus sapatos - abril, 199 com.
Preso por uma mulher - março, 199 com.
Mulheres odeiam sexo ou odeiam sexo com mascus, eis a questão - fev, 198 com.
Eu, maquiagem, e minha cara de pau lavada - maio, 197 com. 
Falta quanto pros mascus assumirem sua misoginia? - set, 195 com.
Isso é tão século 14... - set, 194 com.
Comentaristas estúpidos e seus clichês de todas as horas - junho, 193 com. 
Professora trabalha gênero na primeira série - março, 190 com.
Guest post: Vizinho que mata animais de estimação - Carla, abril, 189 com. 
Guest post: Quer que eu emagreça? Pergunte-me como - Ana, agosto, 188 com.
Entrevista com Anônimos.Bra sobre mascus sanctos - junho, 187 com.
Guest post: Bicho? Ajude as crianças com fome, ora - Fiori, março, 186 com.
A repercussão do protesto contra Nova Schin - agosto, 186 com.
Guest post: Nunca pertenci à Heterolândia - Linda, fev, 185 com. 
Guest post: Reagi à violência - C., nov, 184 com.
Em quem você vai votar? - set, 183 com.
Estupro no BBB12 - jan, 181 com.
A beleza das olimpíadas não tem que ser uma só - agosto, 179 com.
Até pesquisa à moda antiga mostra mudanças - junho, 176 com.
É possível virar lésbica? - abril, 175 com.
Insultar ou aplaudir Mulheres Ricas, o culto ao capitalismo - janeiro, 175 com.
Guest post: Homens de confiança não estupram - S., nov, 173 com.
Guest post: Padrão, esse moço bipolar - Blanca, fev, 173 com. 
Minha opinião sobre o Femen - agosto, 173 com. 
Monogamia rima com monotonia - set, 172 com. 
Virar mocinha, a pior punição - nov, 172 com.
Canetas Bic para mulheres, uma nova era para o feminismo - set, 171 com.
Guest post: Sim, sou alguém e sou feliz sem deus - Robson, jan, 170 com.
Crítica: Precisamos falar sobre Kevin / É a mãe - abril, 159 com.