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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

PARA NOSSAS CRIANÇAS SEREM AS MILHÕES DE PEQUENAS REVOLUÇÕES QUE ELAS PODERIAM SER

Na sexta-feira o Brasil se chocou com mais um massacre em escolas. Foi em Aracruz, no Espírito Santo. Um adolescente de 16 anos vestido com roupa camuflada e portando uma braçadeira de suástica no ombro invadiu duas escolas e matou quatro mulheres. Outras vítimas seguem em estado grave no hospital. Ele foi apreendido. As duas pistolas usadas no ataque eram do pai, um policial militar. 

As vítimas fatais são três professoras (porque o rapaz entrou na sala de professores primeiro, durante o intervalo): Cybelle Passos Lara, professora de matemática, Maria da Penha Pereira Melos Banhos, professora alfabetizadora e de arte, e Flávia Amboss Merçon Leonardo, professora de sociologia. Uma aluna também foi morta.

Selena Sagrillo estava no sexto ano, tinha 12 anos, e logo iria se mudar para a Bahia. Thais, a mãe de Selena, perguntou comovida diante da câmera de TV: "Quantas outras vítimas em escolas a gente vai ter?" Ela divulgou uma carta no sábado, que reproduzo aqui:Escrevo este texto do computador e quarto de minha filha Selena, que agora amargam sua ausência. Escrevo, pois não tenho mais voz para falar, não tenho mais lágrimas para chorar.

O lamento, a dor e angústia que estavam no meu peito antes, agora, começam a dar lugar ao sentimento de entendimento, aceitação e saudade.

Sentada em meio ao pequeno caos criativo que era seu quarto, encontrei um texto que falou tão profundamente em meu coração que não consigo deixar de compartilhar com vocês, que tanto estão nos dando forças neste momento. O texto dizia:

‘Vai ter um dia em que o mundo inteiro vai estar do seu lado, e esse dia é hoje. Eu esperei minha vida inteira. E tudo está bem. Completei meus 11 anos e tinha voltado ao bairro e a escola que cresci depois de dois anos em São Mateus (ES), e eu disse: Vai um dia que o mundo inteiro vai estar do seu lado, e esse dia está próximo.’

Realmente o dia estava próximo para minha filha. Havia 1 mês e cinco dias que ela havia completado 12 anos. O dia de sua morte, dia 25/11, foi também o dia do aniversário de meu pai, e seu avô José. Dia 01/12 será aniversario de seu outro avô, Laudérico. Daqui a trinta dias será Natal. Minha filha não verá os próximos jogos da copa do mundo e nunca mais se empolgará com um gol como aquele do Richarlison, que ela achou ‘incrível’.

Jamais verei do que ela seria capaz. Ela estava se tornando uma mulher poderosa, alma livre, feminina. A promessa de uma vida inteira foi desfeita. Todo um futuro interrompido. A custo do ódio, do desamor, do terror. Não venho aqui clamar por retaliação, pois de ódio, estou farta.

Clamo por piedade e por segurança para nossas crianças serem as milhões de pequenas revoluções que elas poderiam ser. Segurança nas escolas, ruas, casas. Abrigadas e protegidas de todos os desterros do mundo. Longe da violência, drogas, armas e abusos.

Que a partida da Selena seja o início de uma nova revolução, assim como ela gostava, mas uma revolução baseada no amor e segurança para nossas crianças de todas as etnias, regionalidade, classe social e crença.

Esse é um lamento e um grito de uma mãe que padece com a perda de uma filha. Peço que nos mandem orações, amor, energias boas, seja qual for sua crença. Que o mundo se una pela Selena, assim como ela escreveu em seu texto, e por tantas outras Selenas pelo mundo.

Ass. Thais Fanttini Sagrillo Zuccolotto

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

TRÊS REPORTAGENS PARA ATESTAR A FALÊNCIA DO BRASIL DE BOLSONARO

Ontem eu li três reportagens muito boas que eu tenho que compartilhar. E acho que estão interligadas.

A primeira foi esta, sobre uma professora de uma escola particular para alunos ricos em Porto Alegre. Ela estava lecionando sobre iluminismo e a exclusão histórica das mulheres pra sua turma da oitava série quando um aluno a interrompeu gritando: "Onde tem mulher, só acontece m*rda!" Depois de mais confusão, ele acabou sendo convidado a sair da sala. Os pais do aluno misógino, provavelmente frequentador de chans incels, entraram com queixa contra a professora, e ela foi demitida. Ou seja, não pode falar sobre invisibilidade feminina das mulheres na política, que alunos bolsonarentos (e seus pais) não gostam! 

A segunda foi a excelente reportagem da repórter Ana Clara Costa na Piauí sobre a Jovem Klan. Há muitos detalhes saborosos sobre como o dono da emissora, Tutinha, faz tudo por dinheiro. E ainda nega que sua empresa seja bolsonarista!

Na matéria fica evidente a importância que Reinaldo Azevedo (hoje admirado por bastante gente de esquerda, o que não consigo entender) teve para promover o antipetismo e a extrema-direita no Brasil. Em 2014, por exemplo, vinte dias depois da eleição de Dilma, tio Rei entrevistou Aécio Neves, encampando a tese que as eleições foram fraudadas. Saiu da emissora em 2017, mas o estrago já estava feito. 

A matéria revela que o laboratório para a Jovem Klan virar TV foi o YouTube. Sabendo que tinha tratamento especial, e que seus canais no YT jamais seriam derrubados ou desmonetizados, a Klan passou a incluir cada vez mais fake news e discurso de ódio na sua programação. 

A TV (a cabo, não aberta) da Jovem Klan tem baixo custo de produção. Paga mal os seus apenas 500 funcionários (quase todos terceirizados). O assistente de produção do seu programa mais importante ganha apenas R$ 2,5 mil, e não vai à redação porque não há vale-transporte.

Não preciso nem dizer que os reaças em geral e a Jovem Klan em particular (nome melhor pra definir a linha ideológica da emissora não tem) ficaram furiosos com a matéria. Aí a Piauí fez um vídeo apontando a mudança de opinião dos comentaristas.

Mas a reportagem mais impactante que li ontem foi um furo do jornalista Guilherme Amado pro Metrópoles (haverá outras, é uma série). Ele teve acesso a mensagens trocadas num grupo de WhatsApp chamado Empresários & Política. Lá, bolsonarentos como o véio de Havan, o dono do Coco Bambu, do Mormaii, da Multiplan, da W3Engenharia, entre outros, defendem golpe de Estado caso Bolso não ganhe.

O dono do shopping Barra World, José Koury, escreveu no grupo: "Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como fazem com várias ditaduras pelo mundo”. 

O dono do Grupo Sierra (empresa gaúcha especializada em móveis de luxo), André Tissot, respondeu: “O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. Em 2019 teríamos ganhado outros dez anos a mais”. Ao ser questionado sobre a matéria, Bolso teve mais um chilique (o outro de hoje foi este, em que tentou roubar o celular de um youtuber que o chamou de "Tchucatchuca do Centrão). 

E claro que a opinião desses ricaços não é apenas um desejo. Eles têm dinheiro, o que compra influência e poder. É chocante quando um deles fala em dar bônus e prêmios a funcionários que votarem em Bolso. Outro empresário lembra que, apesar da ideia ser fantástica, isso poderia, sei lá, de repente ser visto como compra de votos. Como é difícil ser empresário no Brasil, pô!

Mas é isso: de um lado, existem 33 milhões de brasileiros passando fome. Do outro, meia dúzia de bilionários crentes de que podem continuar mandando no país. E eles se consideram patriotas! Sonegar imposto e tramar contra a democracia do seu próprio país é patriotismo agora!

Nunca foi tão fácil escolher um lado. 

terça-feira, 24 de maio de 2022

QUEM ODEIA A UNIVERSIDADE PÚBLICA QUER QUE ELA COBRE MENSALIDADE

Ontem sorrateiramente duas pautas muito parecidas ganharam evidência. Ambas visam cobrar mensalidades nas universidades públicas.
Por qual você quer começar? Um repórter do Estadão chamou atenção para o documento "Projeto de Nação, o Brasil em 2035", que tem 93 pags e foi elaborado por milicos. O plano foi lançado numa cerimônia semana passada que contou com discurso do vice Mourão, em que ele disse que esse era o "Destino Manifesto do nosso país". Pra ter ideia do nível, o principal autor é um milico que presidiu a ONG Terrorismo Nunca Mais, do famoso torturador ídolo de Bolso Coronel Ustra.  
O manifesto prevê o bolsonarismo no poder até no mínimo 2035. Entre os 37 temas há várias metas. Uma delas é o fim da obrigatoriedade do SUS. Outra é a cobrança quase imediata de mensalidades nas universidades públicas -- a partir de 2025. Isso para combater o que milicos chamam de "centros de luta ideológica e de doutrinação político-partidária".
Isso precisa ser muito bem espalhado durante a campanha eleitoral. A população precisa saber em que projeto de poder está votando. Quem é a favor do fim do SUS e do ensino superior gratuito deve sim votar em Bolso. Mas a maior parte da população é contra essas aberrações. Até quando os pobres de direita continuarão sendo enganados pelo messias?
E quem é realmente a favor que os milicos sigam sendo uma casta à parte, aqueles que compram com o nosso dinheiro leite condensado, picanha, Viagra, prótese peniana, lagosta e sabe-se lá quantos outros mimos que só ficam entre as mais altas patentes? Aqueles que preferiram manter os hospitais militares vazios a abri-los para o tratamento emergencial de pacientes com covid durante a pandemia?
O outro tema está altamente relacionado ao primeiro. O deputado bolsonarista General Peternelli é autor de um projeto para alterar os artigos 206 e 207 da Constituição e, assim, passar a cobrar mensalidades nas universidades públicas de todo o país. O relator do parecer é Kim Kataguiri do MBL, do mesmo partido do milico (ambos do União Brasil que hoje também abriga Sérgio Moro). A votação estava marcada para hoje na Câmara dos Deputados, mas Kim provavelmente percebeu que o projeto não passaria e meteu uma licença médica. Uma outra data ainda não foi marcada.
Esse pessoal que quer obrigar as universidades públicas a cobrar mensalidades é o mesmo que odeia as universidades públicas, que as vê como centros de doutrinação ideológica, que diz que seus professores são vagabundos que não trabalham, e que seus alunos são todos maconheiros e comunistas. É o mesmo pessoal que tentou passar (e falhou, ainda bem) o Escola sem Partido e que é contra as cotas.
Não entendo como gente que odeia universidades queira opinar sobre elas. Kim é aquele que, quando estudou na Universidade Federal do ABC, declarou que sabia mais que todos seus professores, e largou o curso. Espero que esse verme seja cassado assim como seu coleguinha do MBL, Mamãe Falei (e também Gabriel Monteiro).
E já passou da hora de milicos terem lugar na política. Eu sou a favor do fim das Forças Armadas. Que esses milicos piranhudos e viagrentos removam suas garras do Brasil. Educação não é mercadoria! #PEC206nao

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

ENEM FICA, BOLSONARO SAI

O pior governo de todos os tempos segue firme no seu projeto de destruir a educação. 2020 já foi o ano com o menor número de inscrições desde a criação do Enem. Agora, faltando menos de duas semanas para o exame nacional mais importante, dezenas de servidores do INEP pedem demissão, sabendo que a ideologia reacionária irá interferir na avaliação. 

O genocida, por sua vez, ri da cara de estudantes e professores: diz que o Enem está ficando com a sua cara. Qual cara seria essa? A do negacionismo? A da anti-ciência? Da terra plana? Da teocracia? De mais completa ignorância?

Reproduzo o texto indignado do coletivo Juntos!

Faltando 12 dias para a realização do ENEM 2021, somos surpreendidos por um pedido de demissão de mais de 30 servidores do INEP, órgão responsável por desenvolver e aplicar o maior exame do país. Dentre esses servidores, ao menos 29 deles estavam ligados ao ENEM, e ao menos 22 deles eram coordenadores do exame.

Em sua carta de demissão, os servidores denunciam uma “fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do INEP”, dirigindo a crítica à atual gestão de Danilo Dupas como presidente do órgão. Além disso, os funcionários relataram uma relação hostil no ambiente de trabalho, com assédio moral de seus superiores e perseguição aqueles que criticam seus métodos de censura.

O governo Bolsonaro desde sua posse em 2019 tem como sua prioridade o ataque e o desmonte da educação pública brasileira. Isso não é à toa. O setor da educação não dá espaço para seu projeto retrógrado. Nas palavras de Milton Ribeiro, atual ministro da Educação, as universidades devem ser espaço apenas para uma elite, numa falaciosa polarização entre ensino técnico e ensino superior, dizendo que o primeiro deve ter prioridade em relação ao segundo para gerar mais empregos. Sabemos que o projeto que representa o governo Bolsonaro pertence a uma burguesia que apresenta um futuro de empregos precarizados para gerar mão de obra barata à juventude da classe trabalhadora, sem que tenhamos oportunidade à educação de qualidade.

Milton Ribeiro esquece de dizer que as escolas técnicas, como os Institutos Federais, também estão sendo atacados por seu governo. O corte bilionário na educação feito em 2021 também afetou os IFs, especialmente a expansão para cidades no interior e regiões periféricas, tendo obras paralisadas sem perspectiva de retorno.

O último ENEM foi considerado o mais desigual da história, com evasão superior a 50%, tendo ainda em 2021 apenas 11% dos inscritos se autodeclarando pretos. Essa é a materialização de um processo de negação do direito à educação. Num momento em que cresce o número de bilionários que expandem seus lucros e enviam dólares ao exterior, crescem também os que passam fome e estão vivendo sob piores condições de vida. Precisamos ter a convicção de que o desmonte da educação é parte da necessidade de servir a um projeto de ampliação da exploração à classe trabalhadora mais precarizada, tendo a juventude como alvo e refém de salários mais baixos.

Mas nós viemos de longe e não calaremos diante desses ataques. Em 2022, faremos dez anos da Lei de Cotas, que transformou as universidades públicas e permitiu que a juventude preta pudesse também ter acesso a um espaço que sempre pertenceu apenas a uma elite branca. Lutamos muito para chegar até aqui, especialmente aqueles que são os primeiros das suas famílias a ingressar na universidade pública, e não permitiremos que sejamos a última geração. Precisamos garantir a existência do ENEM, mas também avançar na luta contra o desmonte da educação, um plano de combate à evasão escolar nas escolas e universidades, pela recomposição orçamentária e por um plano de assistência estudantil que reflita a atual realidade que estamos vivendo.

Enem fica, Bolsonaro sai!

Não aceitaremos censura!

Não tirarão nosso direito de estudar!

quinta-feira, 24 de junho de 2021

1a LIVE NO FALA LOLA FALA: NÃO DEIXE A DIREITA SEDUZIR SEU FILHO

Hoje às 17 horas farei a primeira live no meu canal do YouTube, o Fala Lola Fala. Muita emoção! 

Vou conversar com a educadora, anarquista e fundadora da Bibliopreta, Sueli Feliziani. Na segunda vi um vídeo dela no Instagram em que ela responde à pergunta: "Por que nossos filhos estão indo pra extrema-direita?" Ela conta a história de como ela perdeu seu filho para a direita. Com 15 anos, o filho se envolveu com o movimento ancap (anarco-capitalista), que o fez virar um mascu bolsonarista (redundância: todos são). SueliEnt adverte como as comunidades gamers recrutam jovens, muitas vezes para cometer massacres. De repente o adolescente estava levando uma faca pra escola... 

Eu sempre falo disso, e sempre me perguntam o que fazer para impedir esse recrutamento. Mas nada como conversar com uma especialista. Um bate-papo fundamental pra mães, pais, familiares, educadorxs e, lógico, jovens. 

Se você não puder assistir à live no horário, não tem problema. Ela fica gravada. Pode ver quando quiser. Mas espalhe o vídeo, siga a Sueli, veja seu canal no Insta. Precisamos falar sobre isso! Lembrem-se que apenas em maio houve o hediondo massacre na creche em Saudades, SC, e outros cinco planos (em diversos lugares do país) que foram parados pela polícia. Infelizmente, este tipo de coisa só tende a piorar. O que podemos fazer?

quarta-feira, 5 de maio de 2021

FILHO DE PORTEIRO: "MEU LUGAR FOI CONQUISTADO E NÃO SERÁ DE MIM RETIRADO"

Semana passada o ministro mais nefasto e poderoso do pior governo de todos os tempos deu outra declaração preconceituosa. Criticou o Fies (que permite estudantes com renda familiar de um a três salário mínimos a financiarem mensalidades em universidades particulares) e manifestou todo seu pensamento elitista ao lamentar que o filho do porteiro tirou zero nas provas e mesmo assim ganhou bolsa. 

Além do preconceito de classe, Guedes dá mais uma mostra de sua ignorância. Primeiro que ninguém tira zero e ganha bolsa. Segundo que nem se trata de bolsa, mas de financiamento. Depois de formado, o estudante deve devolver (sem juros) o que foi investido nele. 

A declaração do banqueiro Guedes indignou muitos universitários que vieram de pais pobres e que, nos governos do PT, foram os primeiros de suas famílias a cursarem uma faculdade. Publico aqui o relato de Rodrigo Almeida, que hoje faz especialização em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e mestrado em Geografia pela Universidade do Estado do RN (UERN). E é filho de porteiro.

Meu pai, ex-porteiro, atualmente servente de pedreiro e a minha mãe, dona de casa, sabem como agarrei as oportunidades que foram sendo apresentadas a mim durante os governos anteriores. Desde 2010, quando participei do PIBIC-Jr na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA/RN), soube da importância de estar em uma Instituição de Ensino Superior (IES). Todos aqueles espaços da instituição me encantavam com aprendizados múltiplos e instigantes de saberes diversos. 

Nesse período acordava na mesma hora que meu pai chegava do trabalho como porteiro. Ele fazia questão de me acompanhar até o portão da instituição. Isso me fazia querer cada vez mais estar ali. Logo após esse período, ingressei na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) pelo curso de Licenciatura em Geografia no campus Mossoró. Ter que trabalhar pela manhã e durante tarde, estudar a noite, aproveitar a madrugada e os fins de semana para complementar o conhecimento fizeram parte dessa construção como cidadão consciente do lugar onde estou e onde quero chegar. 

Mesmo sem tempo, fiz questão de participar em projetos e programas institucionais na universidade. Agarrei todas as oportunidades para estudar. Nunca me imaginei com um diploma, mesmo sabendo que iria alcançá-lo, mas quando eu consegui e vi que tudo aquilo era real, isso me fez acessar outros espaços da universidade.  

Hoje estou vinculado ao curso de Especialização em Geografia do Semiárido e Educação Ambiental no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e também me encontro cursando Mestrado Acadêmico em Geografia na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), tendo como trabalho dissertativo os deslocamentos diários dos estudantes para cursar o ensino superior na cidade de Mossoró, RN. 

Essa característica se dá pela cidade ter diversas IES em sua tessitura urbana, sendo elas públicas (estadual e federal) e privadas, que foram contempladas com uma gama de programas e projetos que fizeram milhares de pessoas como eu estarem nos bancos das universidades: pobres, pretos, periféricos, filhos de donas de casas, faxineiras, pedreiros, porteiros, auxiliares de serviços gerais e todos aqueles que dão sustento à elite do atraso brasileira.

Guedes, o seu projeto de atraso não irá nos tirar do lugar que conquistamos durante anos. Vocês não irão mais arrancar nossos olhos, cortar nossos corpos, matar nossos irmãos, roubar nossas conquistas e nos ver calados, sem antes ter que nos enfrentar e lutar contra todos aqueles que nos criaram e nos deram asas.

Não, não quero voltar de onde saí, ministro. O meu lugar foi conquistado e não será de mim retirado! Faço um agradecimento especial aos meus pais (Maria Vanuza e Manoel Almeida). Ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff a minha eterna gratidão.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

AGORA A DIREITA QUER TRANSFORMAR A EDUCAÇÃO EM SERVIÇO ESSENCIAL?!

Ontem a Câmara dos Deputados aprovou a urgência de um projeto de lei. Incialmente pensei que tivesse aprovado o projeto em si, proposto por deputadas do Novo, PSL e Cidadania, mas não. Só aponta que entrará em votação em breve. 

O PL 5594/20 define a educação básica e o ensino superior, tanto na rede pública quanto privada, como atividade essencial. O que isso quer dizer? Em primeiro lugar, é uma tentativa de fazer escolas e faculdades voltarem às aulas presenciais imediatamente. E dane-se que a enorme maioria dos professores no país ainda não foi vacinada. Ou que um estudo recente aponte que a incidência da covid entre professores da rede estadual de São Paulo seja três vezes maior do que entre a população adulta do estado. E lógico que o vírus não contamina apenas só professores e alunos, mas também merendeiras, pessoal da limpeza, motorista de van, segurança, inspetores etc.

Esse pessoal que até pouco tempo denunciava escolas e universidades como centros de doutrinação e vagabundagem (um sinistro do MEC que teve que fugir do país chamou de "balbúrdia") e saudava o homeschooling (ensino domiciliar, que o Ministério da Educação e da Família de Damares sonham em aprovar) como a salvação da lavoura agora, no meio de uma pandemia que já matou mais de 350 mil brasileiros e quase 3 milhões de pessoas no mundo, acha fundamental as crianças irem à escola. 

Um site bolsonarista especialista em fake news disse outro dia que a recusa dos professores em não voltarem às aulas presenciais é um "plano diabólico da esquerda de usar a pandemia para 'emburrecer uma geração de brasileiros". Puxa, até anteontem eles acusavam o Paulo Freire de ter feito isso! Segundo o texto, que não vou linkar aqui, tudo estava indo bem na educação com o governo Bolsonaro, "mas de repente veio a tal pandemia". E agora nós professores preferimos "retirar de crianças o direito de irem aos colégios" só pra acusar Bolso depois. Eu já vi algo parecido antes: a pandemia é só uma invenção comunista pra não deixar o homi trabalhar! Estão transformando o Brasil num pária internacional!

Logicamente, a preocupação da direita e extrema-direita com a volta urgente às aulas presenciais não é com as crianças, e muito menos com os jovens universitários, e sim com as entidades patronais donas de escolas e faculdades particulares. Com a queda-livre do salário do brasileiro, o aumento do desemprego, a volta da inflação, enfim, o empobrecimento geral da nação (ué, não era só tirar a Dilma?), o mercado do ensino está em crise. E, com a pandemia, cada vez mais a classe média tem tirado seus filhos da escola particular e colocado na pública (só no estado de SP, de março a dezembro do ano passado, foram mais de 15 mil alunos que fizeram essa migração). Não vamos nem falar ainda do que acontecerá com as escolas pública com esse novo inchaço, que nunca vem acompanhando de mais investimentos na educação. 

Bastante se falou sobre Tabata Amaral (PDT) ter votado a favor da urgência do projeto, e Alexandre Frota (PSDB), contra. Mas, em geral, os partidos de oposição são contra a reabertura imediata das escolas, enquanto partidos de direita (incluindo aí o PSDB e toda a base de apoio ao genocida), são a favor. Você pode ver como seu partido e deputadx votou aqui. 

O mais vil da tentativa próxima de aprovar o PL 5594/20 é que ele não diz que educação como serviço essencial vale apenas para esta pandemia. Diz que as escolas e universidades devem ficar abertas em qualquer pandemia, situação de emergência ou de calamidade pública. Assim, também tiram o direito de professores entrarem em greve! 

Concordo muito com o que diz o movimento Famílias pela Vida, que une famílias de alunos da rede pública de SP: "educação vira essencial por decreto, sem nunca ter sido prioridade". Gente que nunca viu educação como prioridade -- muito pelo contrário -- agora vem decidir que ela é essencial!

Enquanto isso, no Tucanistão, professores estão em greve pela vida há mais de 60 dias. Em represália, o prefeito, apelidado com justiça de Bruno Abre Covas, cortou o salário dos docentes. Vamos contribuir com o fundo de greve.