quinta-feira, 25 de agosto de 2022

HOJE ÀS 20:30 TEM LULA NO JN

Daqui a pouco, às 20:30, Lula vai passar por uma sabatina no Jornal Nacional!

A expectativa é gigantesca, como mostrou o analista em redes sociais Arcelino Neto. 

Existe a expectativa de uma grande audiência e repercussão, e também de que Lula tenha a chance de apresentar suas propostas. 

A última vez que Lula foi entrevistado pelo JN foi em 2006, dezesseis anos atrás! Sei lá, se eu fosse dona do maior telejornal do país, e no meu país vivesse um dos maiores estadistas do mundo, eu o convidaria pra falar lá com certa frequência. 

Pra quem acha exagero a frase "um dos maiores estadistas do mundo", eu pergunto: tem algum outro presidente que terminou o mandato com a aprovação de 87%?

Numa entrevista em 2002, Bonner perguntou a Lula por que ele achava que estaria preparado para governar o Brasil, já que não tinha experiência? Hoje, com muita experiência e a avaliação de que foi o melhor presidente da história do país, as perguntas serão outras, e provavelmente mais hostis. Espero que Lula, com todo seu carisma, brilhe mais uma vez e convença os indecisos a votarem nele já no primeiro turno.

Eu não perco essa entrevista por nada!

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

BOLSO NÃO SÓ NÃO CRIOU O PIX COMO FEZ TUDO PARA ATRAPALHAR

O Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) divulgou ontem uma nota de repúdio sobre o uso eleitoral do Pix. Na segunda, em entrevista do Jornal Nacional, o pior presidente da história se colocou como criador do sistema de pagamento instantâneo. Mais uma de suas milhares de mentiras, óbvio!

Quando o projeto de criação do pix começou, em 2018, Bolso não era sequer presidente. O pix nem foi citado no programa de campanha do candidato. O Sinal lembrou ainda que, em novembro de 2020, no cercadinho, ao ser parabenizado por um seguidor a respeito do pix, Bolso mostrou "completo desconhecimento sobre o assunto", associando o termo a algo da aviação civil. Tem vídeo disso!

Seis meses depois do lançamento do pix, em novembro de 2020, Bolso ainda não tinha feito um. Mas pelo menos ele já sabia o que era.

Imagina você ser servidor concursado do Banco Central, um analista ou técnico, e ver que um governo que não deu um mísero reajuste aos servidores públicos em quatro anos, que não fez concursos, que trata servidores com toda hostilidade (um de seus ministros -- um banqueiro! -- nos chama de parasitas), que o vagabundo da república que é chefe desse governo que odeia o servidor público, ainda inventa que foi ele que criou o pix. Deve dar uma baita raiva!

E mais: o governo de Bolso criou todo tipo de obstáculo para não implementar o pix. 

Tampouco é verdade que o pix tirou dinheiro dos banqueiros, como as fake news do Gabinete do Ódio insistem em divulgar. O que os bancos deixaram de arrecadar em taxas com o pix não chega a 2% do lucro das instituições financeiras. Aliás, o lucro dos bancos em 2021 foi de R$ 81,6 bilhões, o maior dos últimos quinze anos. 

Leia nota na íntegra do Sinal:

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central vem a público repudiar mais uma vez o uso eleitoral do Pix por certos grupos políticos. Tal sistema de pagamento instantâneo foi criado e implementado pelos Analistas e Técnicos do Banco Central do Brasil - ou seja, POR SERVIDORES CONCURSADOS DE ESTADO, não pelo atual governante ou por qualquer outro governo.

Primeiramente, é importante ressaltar que o início do projeto do PIX é bem anterior ao mandato do atual Presidente da República. 

A portaria do Banco Central n. 97.909, que instituiu o grupo de trabalho para desenvolver uma ferramenta interbancária de pagamento instantâneo, foi publicada em 3 de maio de 2018, muito antes da eleição do atual governo.

Outra coisa: não se tem notícia de qualquer referência ao Pix no programa eleitoral entregue em 2018 pelo então candidato Jair Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral. Ou seja, o projeto de criação e implementação do Pix não recebeu nenhum apoio (ou mesmo citação) durante a campanha eleitoral que elegeu o atual Presidente da República. Além disso, em discurso público realizado em novembro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro declarou que Pix era algo ligado à aviação civil, mostrando completo desconhecimento do assunto.

Faz-se necessário destacar a diferença entre políticas de Estado e medidas pontuais de governos. Desde a sua criação, o Banco Central do Brasil conta com servidores de alta qualificação e responsabilidade, e isso permitiu que diversos projetos considerados importantes pela Diretoria do BC, segundo critérios técnicos, pudessem ser conduzidos independentemente da vontade ou contrariedade política dos governantes de plantão.

Sobre o ponto acima, somos da opinião de que muitos governantes, no passado, já atuaram contra a autonomia técnica do BC ou tentaram tirar proveito eleitoral indevidamente. Isso não é nenhuma novidade... E, em seguida, opinamos no sentido de que muitos obstáculos foram criados pelo atual governo tanto contra a implementação do Pix pelo BC quanto contra outros projetos da Autarquia:

1) Desde 2019, o Orçamento do Banco Central do Brasil vem sendo reduzido ano a ano;

2) Durante a pandemia da Covid-19, período em que os servidores do BC concluíram o projeto do Pix e o implementaram, o atual Governo ameaçou os servidores públicos com cortes de salários de 25% e redução das suas jornadas de trabalho (isso teria retardado a implementação do Pix em muitos meses!);

3) Quando da tramitação do projeto de Lei Complementar da Autonomia do BC em 2020 e 2021, o atual Governo não permitiu que pontos técnicos importantes fossem discutidos no Congresso Nacional para ampliar a atuação autônoma dos servidores do BC, mas sim agiu politicamente para que todas as emendas diferentes do “mandato para os Diretores” fossem excluídas no Parlamento, fazendo com que a Lei aprovada ao final ficasse bastante incompleta; e

4) Quando da tramitação da PEC 32, em 2021, as garantias de atuação isenta e imparcial dos servidores do BC ficaram totalmente vulneráveis ao texto destrutivo encaminhado pelo atual governo (e que depois foi piorado por deputados da base aliada desse mesmo governo).

Por fim, ressaltando a imparcialidade do sindicato em relação a questões deste ou daquele partido político, pois nossa atuação é apartidária, deixamos clara uma coisa: o SINAL não vai permitir que nenhum candidato na campanha eleitoral de 2022 (seja de situação, de oposição ou independente) tente tirar proveito eleitoral indevido do trabalho feito por Analistas e Técnicos do BC. Governos passam; os servidores concursados do Estado brasileiro permanecem.

terça-feira, 23 de agosto de 2022

UMA ENTREVISTA PADRÃO SALLES

Ontem eu vi a entrevista inteira (40 minutos) que o pior presidente de todos os tempos deu ao Jornal Nacional. Foi a primeira das sabatinas. Hoje é a vez do Six Gomes. Quinta é o Lula.

Pelo que constatei nas redes sociais, teve muita gente de esquerda que deixou o ódio à Globo falar mais alto e pelo jeito se distraiu. Disse que foi uma conversa de comadres, que foi tudo acertado, que William Bonner e Renata Vasconcellos deixaram Bolso mentir à vontade e não fizeram nenhuma pergunta difícil ou importante... Acho que não viram a mesma entrevista que eu. 

Na entrevista que vi, o tom dos entrevistadores foi hostil desde o início, e o psicopata do planalto foi massacrado. Não que isso seja muito difícil, pois tá pra nascer um orador pior, mais incompetente, arrogante e mentiroso. O Estadão, aquele da escolha muito difícil, contou três mentiras por minuto, mas confio mais no levantamento de uma mentira por minuto. Ele não foi desmentido todas as vezes, mas foi em várias. Tem gente que fica esperando que, no momento da mentira, a TV coloque no ar a prova de que é mentira. Mas não é bem assim o jeito que as entrevistas funcionam, principalmente as que são ao vivo.

Pra quem tem dúvida se Bolso se saiu mal, é só ver a reação dos bolsonarentos, que reclamaram da cara de cínico do Bonner. O âncora começou perguntando sobre por que o presidente xingou ministros do STF. Bolso disse que isso era fake news, que ele não xingou. Mas sabemos que o Capetão chamou Alexandre de Moraes de “canalha” e Luís Roberto Barroso de “filho da p*ta”. Ele se embananou e não soube responder, apenas balbuciar "você falou ministros, não ministro". 

Em seguida, Bonner questionou os ataques que Bolso vem fazendo à democracia, e pediu um compromisso público de que o resultado das urnas seria respeitado, independente do vencedor. O golpista não conseguiu mentir sobre isso (o que já diz muito -- ele mente sobre tudo, exceto que não dará golpe). Emendou com um "desde que as eleições sejam limpas e transparentes". E quem decide se a limpeza e transparência das eleições? Ele, claro! Na sua falta de comprometimento, deixou evidente que não aceitará a vitória de Lula.

Outra falta de comprometimento surgiu com a pergunta da Renata, que acabou sendo o ponto que mais repercutiu de toda a entrevista. A troca foi mais ou menos assim: "Você se arrepende de ter imitado pessoas com falta de ar?" Bolso: "Eu não imitei". Renata: "Sim, imitou. Se arrepende?" (silêncio) Bolso: "Vamos mudar de assunto?" 

Teve muita gente no Twitter que opinou que lembrar Bolso zombando da falta de ar de pacientes com covid não tira voto dele. Preferem que as entrevistas foquem no Queiroz, nas rachadinhas, no cheque de 89 mil... Tudo assunto batido de três ou quatro anos atrás! Pra piorar, ao insistir em temas passados (e que não ocorreram durante seu governo), ficamos com a impressão de que não há corrupção no governo Bolsonaro, que é justamente o que ele quer que acreditemos!

Não é questão de opinião. Há pesquisas qualitativas que mostram que uma das piores coisas que Bolso fez foi imitar falta de ar de gente morrendo. Por exemplo, numa discussão em grupo, concluiu-se: "A cena do presidente Jair Bolsonaro no auge da pandemia imitando um paciente com falta de ar depois de dizer 'todos vamos morrer', foi o que mais provocou reações negativas em grupos de eleitores". Lembram de uma pastora, ex-apoiadora do genocida, que pediu desculpas publicamente após a imitação grotesca? Pois é. Quem acha que a pandemia não será muito explorada durante a campanha não está entendendo o jogo direito. São os quase 700 mil mortos, resultado da gestão desastrosa de Bolso, que mais impedem as mulheres de votar no Capetão. Por isso, a pergunta de Renata foi a mais bombástica pra Bolsonaro, do ponto de vista eleitoral.

Rapidamente a frase "falta de ar" virou uma das mais procuradas nos sites de busca. Por incrível que pareça, muita gente não sabia de mais essa barbaridade do genocida. Ele imitou pessoas com falta de ar nas suas lives em 18 de março de 2021 e 6 de maio de 2021. Desesperado com a repercussão negativa, ele agora deu a explicação oficial pra imitação: não era deboche, era uma denúncia do protocolo Mandetta, "que só recomendava ir ao hospital após sentir falta de ar. Foi justamente o contrário: eu defendi essas pessoas. Quem mandou ficar em casa é que desprezou suas vidas". Só sendo muito bolsominion pra acreditar numa cretinice dessas.

Entre outras mentiras e baboseiras, Bolso afirmou que virar jacaré faz parte da literatura portuguesa, que escalou ministros seguindo critérios (mencionando um "padrão Marcos Pontes, padrão Salles" de competência, ao mesmo tempo que, para tentar explicar os cinco ministros absurdos no Ministério da Educação, disse "as pessoas se revelam quando chegam"), culpou Sérgio Moro pela interferência na polícia federal, e os ribeirinhos e o Ibama pela destruição da Amazônia! 

Numa resposta ensaiada, parece ter agradado sua bolha. Bonner apontou que ele se elegeu prometendo uma nova política e xingando o Centrão, e hoje governa com o Centrão. Bolso respondeu acusando Bonner de querer que ele seja ditador para governar sem o apoio do Congresso. Nesse quesito, faltou perguntar sobre orçamento secreto. E óbvio que muitas questões fundamentais, como a volta do mapa da fome, ficaram de fora. 

Em seguida, no Jornal da Globo, Renata Lo Prete vaticinou que a negativa de Bolso sobre imitar pacientes com falta de ar foi sua mentira mais flagrante na entrevista do JN, mas que houve várias outras, como a insistência num tratamento precoce que nunca existiu, ou que o governo foi rápido em providenciar oxigênio pra Manaus, ou sobre as urnas eletrônicas (a Isabella elencou algumas das muitas mentiras do seu Jair). 

Como Lo Prete conclui, houve um "apagão do presidente diante de todas as perguntas que exigiam dele dizer o que pretende fazer com o país se for reeleito". Sim, ele não aceitou se arrepender por imitar pessoas com falta de ar, nem afirmar sem meias palavras que respeitará o resultado das eleições. Resta saber se os que ainda estão indecisos ou pretendem anular o voto perceberam não só o embuste que é seu Jair, mas também a destruição e o perigo que ele representa.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

GUEST POST: SOBRE CONSTELAÇÕES E ESTRELAS

Edvilson Castro Brasil é médico e eleitor do Lula 13. Eis seu guest post sobre constelações familiares:

Acompanhando o Twitter, vi um post endereçado a Lola sobre Constelação Familiar, em que ela oferecia o espaço para quem quisesse escrever sobre o tema. Acabei me oferecendo, inclusive como uma oportunidade de externar algumas opiniões e preocupações sobre o assunto.

Conheci a Constelação Familiar (CF) em 2013, num momento da minha vida em que as coisas não podiam estar mais caóticas. Estava em processo de saída de uma chefia que acabou com minha saúde mental (chefia da perícia médica do INSS em Alagoas) e desencadeou o que, hoje, identifico como a minha primeira crise de Burnout, sobre o que ainda posso escrever um dia. Tinha acabado de receber um diagnóstico clínico bastante complicado e ainda estava tentando descobrir o caminho para conduzir aquela nova condição na minha vida. Vida amorosa não existia. Enfim, tudo parecia conspirar para a manutenção e agravamento da minha condição de angústia.

Fui, então, convidado a conhecer a técnica através de uma amiga psicóloga. No início, estranhei e tentei fugir, mas depois acabei aceitando a ideia e me joguei de verdade. Participei ativamente de vários grupos de constelação, obtendo, sim, uma melhora geral do meu quadro, o que despertou o meu interesse a ponto de chegar mesmo a fazer uma formação e tentar atuar como terapeuta.

De forma simplificada, podemos dizer que a técnica se propõe a buscar informações que estão no inconsciente das pessoas e, por consequência, de suas famílias. Postula-se que exista um inconsciente familiar (bebendo no inconsciente coletivo, teoria de Jung), que seria uma espécie de repositório de informações, tornando possível acessar, através de um membro do sistema, as informações sobre todo o mesmo. Não carrego no peito a pretensão de esgotar o assunto ou de dar explicações definitivas sobre a técnica em si e seus fundamentos, se têm veracidade científica ou não. Inclusive, e principalmente, por considerar que um assunto dessa magnitude não pode e nem deve ser discutido na superficialidade.

O meu primeiro estranhamento foi em relação à qualquer pessoa poder se tornar um constelador, mas fui vencido pelo fato de que, para isso, era necessária uma formação que dura, em sua maioria, mais de um ano. E fomos tocando o barco.

Mas, escorpiano não consegue ficar muito tempo sem pensar e observar coisas. Em um desses cursos, em São Paulo, tive a oportunidade de ver o criador da técnica, o alemão Bert Hellinger. Naquela ocasião, ele já se encontrava, salvo engano, com 89 ou 90 anos. Uma constelação, em especial, chamou minha atenção. Um rapaz, que se encontrava sentado próximo de mim, até pouco tempo, era o cliente. O meu gaydar havia apitado no momento em que o vi, não me restando muitas dúvidas sobre o fato de ele ser gay também. Não me recordo qual o tema que ele queria tratar, mas lembro bem que não estava diretamente ligado à esfera sexual. 

Bem, de forma resumida, a coisa prosseguiu e o que se mostrou foi uma dificuldade de relacionamento com sua mãe, confirmada pelo cliente, e aí o rapaz foi colocado na situação de que, se não resolvesse internamente suas questões com a mãe, teria dificuldades na vida, e até aí, tudo bem, porque em quase todas as abordagens terapêuticas, mesmo na psicanálise, não conseguimos fugir muito do peso da nossa relação com nossos pais, e a mãe sempre tem um papel importante na formação de nossas psiquês, indiscutivelmente, mesmo as ausentes por qualquer motivo. Mas Bert falava que ele precisava se resolver com a mãe porque, só aí, atrairia a mulher que o completaria!. O constrangimento do rapaz era visível. 

Minhas amigas que estavam comigo também estranharam, mas permaneceram e permanecem até hoje dizendo amém. Neste mesmo evento, em relação a um caso de abuso sexual, foi reforçada a ideia de que, sempre que houver abuso, a culpa seria da mãe, que não conseguindo “cumprir o seu papel de esposa”, acabava por dar, de forma inconsciente, a permissão para o abuso. Voltei para Maceió com muitas caraminholas na minha cabecinha. Continuei lendo, estudando, e observando.

A primeira pergunta que fiz, e que me faço até hoje, é: quem definiu esses papéis? Qual o papel de esposa esperado e que aquela mulher que teve a filha abusada não conseguira cumprir? Quem estabeleceu esses papéis? E aí, precisamos historiar o processo um pouquinho. 

Como citado anteriormente, Bert Hellinger tinha, nessa época, perto dos 90 anos. Ele nasceu no dia 16 de dezembro de 1925, em  Leimen, e morreu no dia 19 de setembro de 2019, em Bischofswiesen. Ou seja, um cara que nasceu na Alemanha do pós-Primeira Guerra e pré-Segunda Guerra, e que em dado momento de sua vida, aos 20 anos (1945) foi ordenado pela Igreja Católica. Foi um jovem na Segunda Guerra, tendo inclusive lutado nesta (e ele era alemão!), e depois foi padre até o final dos anos 60, o que significa uma vida de quase 25 anos de sacerdócio em uma igreja e época onde os papéis sociais eram muito bem definidos, porque ainda não havíamos começado a colocar nossas cabeças, asas e unhas para fora. Era o patriarcado em sua forma mais pura, ainda.

As discussões sobre o feminismo, por exemplo, estavam começando. Simone de Beauvoir estava escrevendo O Segundo Sexo por essa época, e só veio a se declarar uma feminista publicamente em 1972. A rebelião de Stonewall só ocorreria em 28 de junho de 1969, deflagrando o pontapé inicial para termos Pabllo Vittar hoje em dia como um fenômeno de mídia mundial.

Outras pessoas contribuíram para a gênese da Constelação Familiar. Algumas delas, inclusive, divergiram em relação a certos pontos, que incluíam (só vim a perceber depois) alguma parte das interpretações desses “papéis” sociais. 

Tá, cara, mas onde você quer chegar com essa ladainha?

Eu quero apenas fazer perceber que, dadas as circunstâncias descritas acima, essas definições de papéis são, inevitavelmente contaminadas por uma época e uma história de vida de uma pessoa que, a partir de um certo momento de sua vida, começa a ser idolatrado como um novo Messias. E, sim gente, esse cara tinha 90 anos, e era alemão. Era a cabeça de um cara alemão viajado pelo mundo todo, mas de 90 anos. Não dá pra esperar que ele pensasse igual a quem tem 40 anos hoje. Mas era de se esperar que quem tem 40 anos hoje tivesse senso crítico em relação a algumas coisas, e não transformasse uma técnica que pode, sim, ser muito interessante, se bem usada, em algo próximo a uma seita.

Talvez o problema não seja a técnica em si, mas as definições de papéis utilizadas e suas interpretações dentro do campo fenomenológico. E não, não é pra ser uma seita, apenas um recurso de auto descoberta, que pode ser bem usado, ou mal usado. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

TRÊS REPORTAGENS PARA ATESTAR A FALÊNCIA DO BRASIL DE BOLSONARO

Ontem eu li três reportagens muito boas que eu tenho que compartilhar. E acho que estão interligadas.

A primeira foi esta, sobre uma professora de uma escola particular para alunos ricos em Porto Alegre. Ela estava lecionando sobre iluminismo e a exclusão histórica das mulheres pra sua turma da oitava série quando um aluno a interrompeu gritando: "Onde tem mulher, só acontece m*rda!" Depois de mais confusão, ele acabou sendo convidado a sair da sala. Os pais do aluno misógino, provavelmente frequentador de chans incels, entraram com queixa contra a professora, e ela foi demitida. Ou seja, não pode falar sobre invisibilidade feminina das mulheres na política, que alunos bolsonarentos (e seus pais) não gostam! 

A segunda foi a excelente reportagem da repórter Ana Clara Costa na Piauí sobre a Jovem Klan. Há muitos detalhes saborosos sobre como o dono da emissora, Tutinha, faz tudo por dinheiro. E ainda nega que sua empresa seja bolsonarista!

Na matéria fica evidente a importância que Reinaldo Azevedo (hoje admirado por bastante gente de esquerda, o que não consigo entender) teve para promover o antipetismo e a extrema-direita no Brasil. Em 2014, por exemplo, vinte dias depois da eleição de Dilma, tio Rei entrevistou Aécio Neves, encampando a tese que as eleições foram fraudadas. Saiu da emissora em 2017, mas o estrago já estava feito. 

A matéria revela que o laboratório para a Jovem Klan virar TV foi o YouTube. Sabendo que tinha tratamento especial, e que seus canais no YT jamais seriam derrubados ou desmonetizados, a Klan passou a incluir cada vez mais fake news e discurso de ódio na sua programação. 

A TV (a cabo, não aberta) da Jovem Klan tem baixo custo de produção. Paga mal os seus apenas 500 funcionários (quase todos terceirizados). O assistente de produção do seu programa mais importante ganha apenas R$ 2,5 mil, e não vai à redação porque não há vale-transporte.

Não preciso nem dizer que os reaças em geral e a Jovem Klan em particular (nome melhor pra definir a linha ideológica da emissora não tem) ficaram furiosos com a matéria. Aí a Piauí fez um vídeo apontando a mudança de opinião dos comentaristas.

Mas a reportagem mais impactante que li ontem foi um furo do jornalista Guilherme Amado pro Metrópoles (haverá outras, é uma série). Ele teve acesso a mensagens trocadas num grupo de WhatsApp chamado Empresários & Política. Lá, bolsonarentos como o véio de Havan, o dono do Coco Bambu, do Mormaii, da Multiplan, da W3Engenharia, entre outros, defendem golpe de Estado caso Bolso não ganhe.

O dono do shopping Barra World, José Koury, escreveu no grupo: "Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como fazem com várias ditaduras pelo mundo”. 

O dono do Grupo Sierra (empresa gaúcha especializada em móveis de luxo), André Tissot, respondeu: “O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. Em 2019 teríamos ganhado outros dez anos a mais”. Ao ser questionado sobre a matéria, Bolso teve mais um chilique (o outro de hoje foi este, em que tentou roubar o celular de um youtuber que o chamou de "Tchucatchuca do Centrão). 

E claro que a opinião desses ricaços não é apenas um desejo. Eles têm dinheiro, o que compra influência e poder. É chocante quando um deles fala em dar bônus e prêmios a funcionários que votarem em Bolso. Outro empresário lembra que, apesar da ideia ser fantástica, isso poderia, sei lá, de repente ser visto como compra de votos. Como é difícil ser empresário no Brasil, pô!

Mas é isso: de um lado, existem 33 milhões de brasileiros passando fome. Do outro, meia dúzia de bilionários crentes de que podem continuar mandando no país. E eles se consideram patriotas! Sonegar imposto e tramar contra a democracia do seu próprio país é patriotismo agora!

Nunca foi tão fácil escolher um lado.