Gente, como r
ealmente estou 100% sem tempo, e como Presságio é tão fraquinho que nem dá vontade de falar sobre ele, vou comentar rapidinho. Ok, o filme não é tão terrível quanto eu pensava antes de entrar no cinema, como indicava o trailer (veja aqui). Mas é uma ficção apocalíptica com o Nicolas Cage fazendo sua cara expressão única (a gente já se arrependeu de ter dado o Oscar pra ele ou ele o mereceu por Despedida em Las Vegas?), e isso já diz tudo. Aliás, acho que o título dado pelos distribuidores brasileiros é eloquente também. No original, o título é um inócuo Knowing (conhecimento, saber). E aqui traduziram pra Presságio. Qual a palavra que sempre vem associada à presságio? Ué, mau presságio! Raramente se diz “tive um bom presságio”. Então creio que há uma
mensagem subliminar da distribuidora falando pra gente chegar perto do filme com muita cautela. E sei que não tenho tempo, mas isso me lembrou muito uma das minhas tirinhas favoritas do Garfield. É uma bem antiga em que Jon conhece a garçonete da lanchonete onde vai sempre e lhe diz: “Waitress, this potato is bad” (“Garçonete, esta batata está ruim/má”). E a garçonete se aproxima,
pega a batata e lhe dá umas palmadinhas, dizendo “Bad potato, bad potato!” (“Batata má, batata má”). Este Presságio é como a batata: tudo coisa má.
O filme começa com uma menininha, meio século atrás, escrevendo números loucamente num papel. Ao mesmo tempo que tive péssimas lembranças (Número 23, anyone?), me identifiquei com a guria. Dizem as más línguas que eu também, pra economizar papel, faço uns rabiscos indecifráveis (calúnia!). Mas os rabiscos da garotinha não são tão indecifráveis assim, já que o Nic e seu filho-meio-malinha são capazes de entendê-los. As anotações mostram exatamente o di
a, o local e o número de vítimas de cada desastre global. O filme usa esse pretexto pra recriar os cenários de 11 de Setembro em várias cenas (sobreviventes saindo empoeirados de um metrô em Nova York, avião explodindo num acidente com carros etc. Pô, o Nic já não fez esse filme antes?). A história finge que pergunta se as coisas acontecem por acaso ou se já existe tod
o um destino traçado pra gente, mas é só reparar no mapinha dos acidentes pra saber a resposta. Por isso, e pelo fato de Presságio ser bem religioso em algumas partes, acho que o pessoal que acredita que a bíblia é literal ao falar de Adão e Eva e a Arca de Noé pode gostar.
Os críticos americanos não fazem parte desse segmento, imagino. Um disse que
Presságio não é profético, só patético. Outro, que Presságio é o caminho pra dor eterna. Mas um crítico importante, o Roger Ebert, amou, deu nota 10, e afirmou que este é um dos melhores filmes de ficção que já viu na vida. Espero que suas palavras não sejam colocadas numa cápsula do tempo para serem descobertas daqui a cinquenta anos, porque pega mal. 
Eu ri alto quando, lá pelo final, o Nic fala o understatement do século. O problema é que não sei traduzir understatement. É o contrário de overstatement, o exagero, a hipérbole. É como se understatement fosse uma narração incompleta, uma minimização de algo importante. Enfim, o Nic diz: “Sabe essa onda de calor que est
á assolando o planeta? Pois é, ela não vai melhorar”. Se você viu o filme, sabe ao que me refiro. Se não, não posso contar, sorry. Pelo menos não neste horário (daqui a algumas semanas, talvez, se eu ainda me lembrar da existência do filme).
Mas, sabe? Eu fiquei com pena dos alces em chamas. Isso não teve no World Trade Center.
- Cadê os alces? Cadê os alces?
ealmente estou 100% sem tempo, e como Presságio é tão fraquinho que nem dá vontade de falar sobre ele, vou comentar rapidinho. Ok, o filme não é tão terrível quanto eu pensava antes de entrar no cinema, como indicava o trailer (veja aqui). Mas é uma ficção apocalíptica com o Nicolas Cage fazendo sua cara expressão única (a gente já se arrependeu de ter dado o Oscar pra ele ou ele o mereceu por Despedida em Las Vegas?), e isso já diz tudo. Aliás, acho que o título dado pelos distribuidores brasileiros é eloquente também. No original, o título é um inócuo Knowing (conhecimento, saber). E aqui traduziram pra Presságio. Qual a palavra que sempre vem associada à presságio? Ué, mau presságio! Raramente se diz “tive um bom presságio”. Então creio que há uma
mensagem subliminar da distribuidora falando pra gente chegar perto do filme com muita cautela. E sei que não tenho tempo, mas isso me lembrou muito uma das minhas tirinhas favoritas do Garfield. É uma bem antiga em que Jon conhece a garçonete da lanchonete onde vai sempre e lhe diz: “Waitress, this potato is bad” (“Garçonete, esta batata está ruim/má”). E a garçonete se aproxima,
pega a batata e lhe dá umas palmadinhas, dizendo “Bad potato, bad potato!” (“Batata má, batata má”). Este Presságio é como a batata: tudo coisa má.O filme começa com uma menininha, meio século atrás, escrevendo números loucamente num papel. Ao mesmo tempo que tive péssimas lembranças (Número 23, anyone?), me identifiquei com a guria. Dizem as más línguas que eu também, pra economizar papel, faço uns rabiscos indecifráveis (calúnia!). Mas os rabiscos da garotinha não são tão indecifráveis assim, já que o Nic e seu filho-meio-malinha são capazes de entendê-los. As anotações mostram exatamente o di
a, o local e o número de vítimas de cada desastre global. O filme usa esse pretexto pra recriar os cenários de 11 de Setembro em várias cenas (sobreviventes saindo empoeirados de um metrô em Nova York, avião explodindo num acidente com carros etc. Pô, o Nic já não fez esse filme antes?). A história finge que pergunta se as coisas acontecem por acaso ou se já existe tod
o um destino traçado pra gente, mas é só reparar no mapinha dos acidentes pra saber a resposta. Por isso, e pelo fato de Presságio ser bem religioso em algumas partes, acho que o pessoal que acredita que a bíblia é literal ao falar de Adão e Eva e a Arca de Noé pode gostar.Os críticos americanos não fazem parte desse segmento, imagino. Um disse que
Presságio não é profético, só patético. Outro, que Presságio é o caminho pra dor eterna. Mas um crítico importante, o Roger Ebert, amou, deu nota 10, e afirmou que este é um dos melhores filmes de ficção que já viu na vida. Espero que suas palavras não sejam colocadas numa cápsula do tempo para serem descobertas daqui a cinquenta anos, porque pega mal. 
Eu ri alto quando, lá pelo final, o Nic fala o understatement do século. O problema é que não sei traduzir understatement. É o contrário de overstatement, o exagero, a hipérbole. É como se understatement fosse uma narração incompleta, uma minimização de algo importante. Enfim, o Nic diz: “Sabe essa onda de calor que est
á assolando o planeta? Pois é, ela não vai melhorar”. Se você viu o filme, sabe ao que me refiro. Se não, não posso contar, sorry. Pelo menos não neste horário (daqui a algumas semanas, talvez, se eu ainda me lembrar da existência do filme).Mas, sabe? Eu fiquei com pena dos alces em chamas. Isso não teve no World Trade Center.
- Cadê os alces? Cadê os alces?

