Em primeiro lugar, eu gosto do Brendan Fraser. Ele é fofinho e tem um bom timing cômico. A pergunta que ele faz no trailer, “Por que estou rindo?”, é a mesma que costumo fazer quando rio em alguma comédia americana sem graça. E é a mesma que muita gente vai se fazer ao ver A Múmia 3:
Tumba do Imperador Dragão. Mas a resposta é simples. Você tá rindo porque foi ao cinema com a maior boa vontade pra ser entretido(a). E você sabe que não terá muitas outras reações durante a sessão. Rir é o melhor remédio. Claro que se todas as piadinhas forem “Desculpe não ter cinto de segurança”, vai ser mais difícil.
Se você for uma chata como eu, ficará revoltada(o) que Hollywood esteja destruindo todo o patrimônio cultural da humanidade. Sabe, é um imperialismo enorme a Lara Croft usar a Muralha da China como seu playground particular. A gente pode encarar isso como pura diversão, mas ainda assim precisa notar que aí tem uma mensagem. E a mensagem é mais ou menos essa: “tudo é nosso”. Não preciso explicar a quem se refere o “nosso”. Se podemos destruir os históricos guerreiros de Xi'an por capricho, podemos também bombardear o Iraque e continuar participando de todos os golpes de Estado promovidos na América Latina. O mundo é nosso para ser usufruído como bem entendemos. Pensar no subtexto de todos esses filmes não significa que você não deve ir ao cinema se divertir. Mas é bom saber que tem coisa por baixo. E muita gente fecha os olhos pro subtexto. Praticamente toda vez que analiso um filme e comparo, sei lá, o Bush a um vampiro, alguém me envia um email perguntando: “Bush e sugadores de sangue? O que um tem a ver com o outro? Você fuma muito antes de escrever, sua viajante na maionese?”.
