segunda-feira, 26 de novembro de 2001

CRÍTICA: O TIGRE E O DRAGÃO / Eles são muitos, mas não podem voar

Sinto-me até meio constrangida comentando "O Tigre e o Dragão", já que não gosto de artes marciais, sou da paz, desprezo espadas, não sei falar chinês mandarim, minha vida romântica não é exatamente épica, e ainda não aprendi a voar. Ou seja, não me identifiquei com o filme que está sendo elogiadíssimo pela crítica internacional e meio desprezado pela local. Não que "TD" não seja interessante. É só que eu, Tartaruga Manhosa, não ligo pro gênero. E daí se este for o filme definitivo sobre lutas marciais? Me avisem quando fizerem o filme definitivo sobre jujubas amarelas, que dá na mesma.
Um breve intervalo informativo para parecer que consigo escrever algo inteligente. O wu xia é um mito chinês, similar aos samurais no Japão e aos faroestes americanos. Envolve toda uma tradição de guerreiros que, acredita-se, são tão bem treinados e iluminados que são capazes até de levitar. "TD" trata desta lenda, através das histórias de amor de dois casais – um formado por exímios lutadores quase se aposentando, que têm dificuldade em revelar sua paixão, e outro composto por uma princesa boa de combate e um pirata do deserto. É sabido que o diretor Ang Lee tentou vender "TD" como uma espécie de "Razão e Sensibilidade" (outro filme seu) com artes marciais. Pronto. Este é o último fato útil que você vai ouvir de mim. De agora em diante o artigo rola ladeira abaixo. Esteja avisado.
O que mais me impressiona nestes épicos são os apelidos dos personagens. A única vilã chama-se Raposa Jade, o pirata é Nuvem Escura, e deve
haver algum Dragão Escondido e Tigre Agachado como promete o título original, mas acho que perdi a concentração e as legendas naquele momento. Demorei um tempão pra descobrir que Destino Verde era uma espada, não um espadachim. É claro que meu marido, o Velho Touro Sentado, confundiu todos os nomes. Nas suas palavras, "tudo que me lembro é que tinha alguém chamado Chulé".
Também me recordei do maridão, que por ventura estava assentado ao meu lado, numa das
grandes cenas românticas do filme. O pirata e a princesa conversam, e ele conta que quando menino procurava uma estrela cadente. Agora ele é um homem, e encontrou a estrela mais brilhante de todas, diz olhando fixo pro seu amor. Bem que o Touro Sentado poderia fazer uma declaração dessas pra mim. Com sua dose de sarcasmo, ele não deixaria de apontar pro céu logo após o comentário e concluir: "aquela estrela ali, tá vendo?".
Como dá pra reparar, eu não prestei tanta atenção na película. Talvez porque o esquema diálogos-intercalados-com-luta me cansou um pouco. É como um musical: o pessoal fala, fala, fala, e
aí vem o número da dança, que foge totalmente da realidade. Em "TD", os melhores guerreiros voam, saltitam nos telhados e se equilibram sobre galhos de bambu. Isso tudo carregando uma espada e imitando os gemidos do Guga ao mesmo tempo. Eu já tinha visto isso em "Matrix" e em, óh Deus, óh vida, "As Panteras". O coreógrafo é um só. Mas, em "Matrix", o kung-fu virtual tinha alguma razão de ser, e acho que eles usavam mais câmera lenta, que permitia a compreensão dos movimentos. Em "TD" é tudo rápido demais. Só vi um monte de pernas e braços se mexendo.
"TD" claramente vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro, e quiçá uma ou outra estatueta técnica, se estas não forem pra "Gladiador". O que me leva a apostar minhas fichas em "Tráfico". Não é possível que o Oscar não tenha conseguido indicar um só grande filme. Ou é? Qual foi o grande filme do ano passado, se é que houve algum? "Tráfico" é minha última esperança. Deve ter havido uma safra pior na história do cinema do que o ano 2000. Hipóteses levantadas para esta coluna, por favor.
Mas "TD" valeu a pena por um motivo. Ao sair da sala de exibição, vi o gerente parodiando golpes de kung-fu. Muito divertido. Também presenciei um espectador despedir-se com um sayonara. Imagino que os chineses adorem ser confundidos com japoneses. Deve ser como chamar brasileiro de argentino. A Tartaruga Manhosa fica por aqui.

4 comentários:

Natascha Fox disse...

uahuaheueh Lola, morri de rir com teus comentários!! Tou aqui revisitando teus textos antigos, adorandoooo, mas por incrível que pareça, embora na maioria das vezes eu concorde contigo nas questões do feminismo, nas qustões cinematográficas temos opiniões completamente diferentes! Nada que diminuia minha admiração por você, claro. Agora, quanto ao filme, você não notou que ele tem uma mensagem super feminista? Raposa de Jade tinha tentado ser aceita como estudante de artes naquela escola famosa, na qual a menina fica no final (e onde ela se suicida). Nunca foi porque só permitiam homens. Por isso a vingança dela e da pequena ;) E não é possível que você não tenha apreciado a cena final, onde a consciência pesada leva a personagem principal ao suicídio! Enfim, esse é um dos meus filmes favoritos <3 Bjinhos

André Luiz Figueira Nascimento disse...

Apesar de admitir que você nem eu pelos motivos culturais da china. tigre agachado e dragão oculto e num chinês no daoismo de wudangsham onde ela se ilumina transcende o ódio e voa (ascenção a imortalidade). significa forças em potencia a serem desenvolvidas é uma expressão: long dragão yang que é ativo escondido como tigre é solitário representa o yin agachado ele esta invisível mas é violento. em sentido laico forças latentes são usadas tigreagachadodragãooculto eles estão te chamando de talento desperdiçado na vida negócios o que for vc é fracassado (em uso coloquial é uma ofensa)

André Luiz Figueira Nascimento disse...

Natasha fox ela trancende os sete falsos tesouros e os nove sentidos. ao aprender que odevir (dao) não dará paz nem vinguança. ao se aquietar. ela não se sicida literalmente ela ascende ao se desprender de seu ultimo apego.
A guria que escreveu a matéria o cinema chinês inventa a parada de câmera de combate ou até num toque de gu zhang ou num trope de cavalo e a vira (sem computadores na época) o maior diretor disto fez este filme quase outros milhares e foi o coreografo de artes e câmera marcial de matrix. as paradas mais longas e rotações pq não era um principio que vc queria passar só entendido em cultura chinesa, mas em matrix que tinha que demostar que o mundo era virtual o uso de paradas e rotações em eu ser maior. chinês usa isso em comedias chinesas ang lee não se decidiu se sua comedia iria ser uma comedia-drama chinesa com medo do ocidental fracasso

André Luiz Figueira Nascimento disse...

não vou entrar em detalhes que mulher não tinha há status social algum nos qing, só para daoistas, wudangshan até aceitava mulheres mas nenhum chinês ia mandar uma mulher nem deixa-la ir