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domingo, 15 de dezembro de 2013

BELA MANEIRA DE TERMINAR UM ANO DE 50 PALESTRAS

Pessoas queridas, um post bem rapidinho só pra hoje não passar em branco e pra vocês não esquecerem de mim totalmente. 
Fui pra Brasília sexta à noite, e voltei hoje à tarde. Pra variar, foi rapidíssimo, e nem poderia ser diferente, ainda mais no último final de semana do semestre na faculdade. Fui participar do I Encontro de Jovens Feministas da UJS (União da Juventude Socialista), que se realizou neste final de semana na UnB. Creio que este foi meu 50o evento no ano, entre mesas-redondas, palestras, debates, rodas de conversa etc. E foi uma bela maneira de terminar 2013, pelo menos no que se refere a palestras (porque, né, referente a todo o resto, o ano só termina quando termina, e eu nem tenho pressa que termine, porque, como todos os outros, foi/está sendo um ótimo ano). 
É sempre muito bacana fazer parte de um congresso vibrante e cheio de gente jovem e idealista. Meus recados pra UJS foram basicamente dois: assumam-se feministas, sem nenhuma vergonha, porque não podemos deixar que quem odeia o feminismo o defina; e vamos varrer o machismo, a homofobia, o racismo, a transfobia, a gordofobia, dos movimentos de esquerda -- vamos fazer todo um esforço para que os preconceitos sejam exclusivamente uma bandeira da direita. 
Tenho muito orgulho de ter sido convidada para o primeiro encontro feminista da UJS e, em outubro, em MG, do I Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta. Apesar de haver um pouco de rivalidade entre as organizações, porque a UJS é mais ligada ao PCdoB, governista, e o MML ao PSTU, oposição ferrenha, pra mim é tudo esquerda, é tudo feminista, é tudo gente que quer mudar o mundo. Então eu participo com gosto mesmo.
Nesta última viagem, tive um probleminha: abri o primeiro volume de Jogos Vorazes (uma leitora querida tinha me dado a trilogia no ano passado; o maridão e minha mãe já tinham lido, e eu, que não tive férias em 2013, não encontrei tempo pra ler muita coisa que não fosse teoria), comecei a ler no avião, e não consegui parar. O livro é absolutamente viciante. 
Eu já tinha amado o filme também. Ainda não li o segundo volume, nem fui ao cinema ver Em Chamas (cinema? O que é isso? Acho que vi dois filmes no cinema durante o ano inteiro, que vergonha!). Depois comparo um pouquinho o primeiro livro e filme. Enfim, só pra explicar por que o blog foi mais ou menos abandonado este final de semana: culpe Jogos Vorazes.
Mas eu já fui uma cronista de cinema, na época em que eu e o maridão tínhamos tempo e íamos ao cinema uma vez por semana, toda semana (bons tempos!). E tenho um livro repleto de crônicas divertidas pra provar. Compre que ainda dá tempo! Custa só R$ 30, com frete incluso, e rende um ótimo presente de natal, com dedicatória exclusiva e tal. 
Ah, uma coisinha pra registrar: olhem só a linda capa que uma revista feminista fez com uma foto minha de infância. Na realidade, a Dona foi o trabalho de conclusão de um curso de Jornalismo em SP, então não será publicada. A minha capa foi resultado de uma longa entrevista que dei pra duas alunas, na noite depois da minha participação da Casa TPM, em agosto. Foi engraçado, porque as lindas Carol e Jessica esperaram um tempão até que eu tirasse fotos com fãs e autografasse livros, e aí a primeira coisa que pedi a elas, quando finalmente ficamos a sós, era se elas podiam remover as dezenas de grampos que o cabeleireiro tinha posto no meu cabelo! A segunda foi: "Me levem pra jantar! Aí a gente pode conversar melhor". Lolinha, explorando estudantes de Jornalismo desde, ahn, 2013? (não, brinks, elas gostaram! Quem mais pode contar que salvou a entrevistada de trinta grampos aprisionando seu pobre cabelo?).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

DESCONSTRUÇÕES VORAZES DE GÊNERO

Pupilos tentam fisgar informações de seu orientador

Mesmo que Jogos Vorazes não fosse um bom filme (e ele é; é espetacular), ainda assim teria que ser celebrado. Isso porque sabe quantos filmes de Hollywood têm uma protagonista mulher? 16%. E esse número inclui comédias românticas, com aquelas protagonistas que só vivem em função do príncipe encantado. Se a gente for pensar em filme de ação, a esmagadora maioria não só é protagonizada por machos, como quase não têm personagens mulheres (não passa no Bechdel Test de jeito maneira). Talvez porque exista uma regra ridícula (e nunca provada) de que garotas vão ao cinema ver filmes “de homem”, mas garotos não seriam encontrados nem mortos numa sala que exibisse filme “de mulher”. Aí pense nos poucos filmes de ação que tinham, não vou nem dizer protagonistas, mas personagens femininas de destaque, e me diga: que roupa elas estavam usando? Aquela roupa, aquelas poses sensuais, tinham mais a ver com luta ou com o conceito de servir um banquete de bandeja pros espectadores?
Aí aparece Jogos Vorazes, que está rendendo fortunas na bilheteria, que tem Katniss como protagonista que não usa sainha grudada no corpo, e que, além do mais, é um filme feminista, questionador e de esquerda, pois faz a gente torcer pro povo, contra o império (e pare de me recomendar este post que alega que Jogos é um embuste anti-feminista. Já li e discordo de tudo, obrigada. E já escrevi sobre o que considero um filme feminista).
Uma das primeiras falas de Katniss é dirigida a um amigo que talvez um dia se transforme em friend with benefits: ela diz que não quer ter filhos. Ele responde que quer, desde que seja longe dali. Mas Katniss não se voluntaria pro jogo de vida ou morte pra conseguir homem, e sim pra substituir a irmãzinha. É verdade que bem mais pra frente Katniss irá se envolver com Peeta, um participante também do seu distrito, mas permanece ambíguo se ela o beija e o ajuda porque está interessada nele ou pra entrar no esquema e angariar simpatia dos patrocinadores.
De um jeito ou de outro, o relacionamento entre os dois é uma grande inversão de gêneros. Peeta é sensível, romântico, apaixonado -- todas essas características atribuídas só às mulheres. Pô, ele até faz decoração de bolo! E ela, que é durona e fria? Quantas vezes ela diz pro Peeta “Confie em mim”, e ele confia? Quantas vezes ela salva sua vida? Eu contei pelo menos quatro: ao encontrá-lo na caverna e ajudá-lo, ao trazer o medicamento (que não viria sozinho), ao atirar em Cato, ao não matá-lo assim que as regras do jogo são mudadas. Quantas vezes ele a salva? Nenhuma? Inclusive, o momento em que ela quase morre (quando Peeta se junta aos profissas) está mal-explicado. E no final, quando ela diz que “Nós nos salvamos um ao outro”, ocorre uma mistura de falsidade com prêmio de consolação. É um instante estranho, como um outro, antes, em que Peeta diz pra ela que ele levará o arco e flecha. Ela, exímia atiradora, olha estranho pra ele, e ele responde que está brincando. O que significa essa cena? Peeta nem parece ter senso de humor.
Tem gente que acha que Katniss é menos guerreira por salvar Peeta, e por se colocar em situações de perigo para salvá-lo. Desculpe, mas acho esse argumento besta. Primeiro que ela faria isso por outras personagens também que não fossem seu interesse romântico (Rue, por exemplo). Segundo que a gente gostaria menos dela, ela seria menos heróica, se não se sacrificasse pra salvar os outros. Terceiro que os heróis masculinos se sacrificam pra salvar os frascos e comprimidos o tempo todo, e ninguém acha que eles são menos heróicos por causa disso (pelo contrário: seria uma droga ter um herói que só se preocupasse com sua própria pele. Não seria herói!). Mas, por ser uma heroína mulher, ohhhhh, qualquer cena d'ela salvando um cara é render-se à heteronormatividade e à fábula do príncipe encantado! Não é por aí. Não tenho nada contra Katniss namorar um ou dois (pra quê desperdiçar um outro carinha bonitão afinzão nela?), casar com ele ou eles, ter filhinhos... desde que, no final do dia, ela ainda lidere a revolução pra derrubar o sistema.
E engana-se quem pensa que o final represente uma falta de autonomia de Katniss. O final, crítico e realista, mostra que a humanidade não tem jeito mesmo. O final feliz é extremamente infeliz. É feliz porque quem a gente queria que ganhasse, ganha. Mas é infeliz porque quem ganha de fato é o sistema, que se perpetua. Katniss é sugada pelo sistema, e no fim parece uma prom queen posando ao lado de seu tão admirado galã, muito mais que uma guerreira que vai libertar o povo explorado (fiquei esperando que o presidente Snow jogasse um balde de sangue de porco nela, à la Carrie). Mas este é o final do primeiro filme. Espero que, até o fim da trilogia, Katniss faça a revolução.
Este é um filme em que mulheres e homens lutam de igual pra igual. Não há um “jogos vorazes” pra cada gênero. Os uniformes são os mesmos. O treinamento é igual, e em nenhum momento as garotas sorteadas são vistas como inferiores ou menos competitivas que os rapazes. Até porque um combate não depende só de força bruta, mas também de estratégias. Rue é uma menina pequena, e ainda assim habilidosa em sobreviver. E a favorita nas apostas é Katniss. A fala de Peeta já diz tudo: “Minha mãe falou que o Distrito 12 finalmente tem alguém que pode ganhar os jogos. E ela não estava se referindo a mim”. Ai! Essa doeu, né, mascus?
Se as convenções de gênero são deixadas de lado durante os jogos, elas aparecem com tudo fora deles. Apesar de mulheres e homens serem iguais na batalha, aquela sociedade ditatorial é também patriarcal. Nos distritos, os “pais de família” trabalham fora, enquanto as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Todas as posições de comando estão nas mãos de homens. Na capital, os homens se maquiam e cuidam da aparência, mas as mulheres devem se vestir de um jeito hiperfeminino, com espartilho e boca em forma de coração (se as roupas do Distrito 12 lembram as dos miseráveis da depressão, as dos ricos da capital são da era vitoriana. Os homens parecem dandies).
E quem desponta como rebelde com causa e grandes chances de desafiar esse mundo patriarcal? Uma mulher, Katniss. Por enquanto, só ela e mais ninguém.
Fiquei muito otimista com Jogos Vorazes, e quero acreditar que alguma coisa está mudando. Além deste filme, que é uma revolução (o romance da mocinha é tratado como uma performance de gênero), nos trailers passaram À Toda Prova, em que uma agente enfrenta mil e um profissionais que querem matá-la. E a Pixar vai lançar Valente. Permita-me estar uivando pra lua neste momento de exaltação.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

AS INSPIRAÇÕES INSPIRADAS DE JOGOS VORAZES

Já falei de algumas polêmicas referentes a Jogos Vorazes, como as idiotices racistas de certos personagens serem interpretados por atores negros (vocês que me contaram que a Katniss deveria ser negra!), ou a Jennifer Lawrence ser gorda pro papel. O que não entendo muito bem são as comparações entre Crepúsculo e Jogos. Ok, as duas séries foram escritas por mulheres, estão fazendo grande sucesso, envolvem triângulos amorosos e contam com protagonistas mulheres (e devem ser saudadas por causa disso). Mas acho que as semelhanças a partir daí começam a forçar um pouco a barra. Até porque, a meu ver, o tema principal de Crepúsculo é sexo (ou desejo sexual, ou como esse desejo pode ser perigoso, ou abstinência sexual, mas enfim, tudo gira em torno de sexo). E o de Jogos é a manipulação da mídia e a derrubada de um sistema opressor.
Bom, a verdade é que acham que tudo é semelhante a Jogos. Por exemplo, Senhor das Moscas, grande romance de William Golding. Desculpe, não vejo semelhança alguma. Tem crianças lutando até à morte numa ilha deserta. As "crianças" de Jogos são mais velhinhas, e certamente não estão sem supervisão de adultos. Pelo contrário: haverá adultos olhando pra elas o tempo todo.Já vi gente acusando Jogos de ser plágio de Battle Royale, que eu nem conhecia. É um livro japonês de 1999, depois um mangá, depois um filme, em que os adultos, com medo dos jovens rebeldes, sorteiam uma classe de estudantes e os fazem disputar uma luta de três dias até a morte. Foi isso que saquei dos resumos.
Parece fascinante, mas pô, acusar Suzanne Collins de plágio é sacanagem. Ela alega que sua principal inspiração foi o mito de Teseu e o minotauro, e que nunca tinha ouvido falar em Batalha antes da primeira parte de Jogos estar no prelo. Não creio que hoje em dia exista algo 100% original. O que seria a obra do Taranta se não fossem todas as referências e os pastiches? Aliás, o que seria da obra do Shakespeare? O bardo copiou quase tudo de suas quarenta peças de outras fontes, principalmente de Hollinshed. Mas naqueles tempos não existia a palavra plágio e se inspirar em obras alheias era totalmente normal.
Uma das referências mais aparentes de Jogos encontra-se nas cenas iniciais do sorteio, que parecem tiradas de um dos contos clássicos da literatura americana, “The Lottery”, escrito por Shirley Jackson em 1948 (e que vopode ler aqui, na íntegra, em inglês. Não é longo nem difícil, e vale muito a pena). O conto, um libelo cruel contra as tradições, trata de um sorteio que acontece anualmente numa vila. Os chefes de família (todos homens) pegam um papel. A famíla sorteada então sorteia um de seus membros (filhinhos de cinco anos inclusos). O “vencedor” será apedrejado até à morte por todas as pessoas da vila. Assim como em "The Lottery", em Jogos a gente já pressente que o sorteio não rende bons prêmios.O que eu acho que a história tem de mais bacana não é a distopia, o sorteio, a luta até à morte, e sim a crítica à cultura do espetáculo. Mas óbvio que isso nada tem de original. O excepcional Truman Show já falava nisso. E há vários filmes de reality shows sangrentos. Existe O Sobrevivente, de 1987, em que Schwarzza faz um prisioneiro que precisa escapar da morte num show de TV (não é um mau filme, só que seria melhor se não fosse com o Schwarzza, musculoso e "heróico" demais pro papel).
Um que ainda não vi ninguém lembrar é um um outro Sobrevivente (em inglês cha
ma-se Series 7), este sem astros ou estrelas, em que um reality show sorteia seis concorrentes entre a população geral pra participar de um espetáculo de vida ou morte. É de mais de onze anos atrás, e a protagonista é a vítima gordinha de Silêncio dos Inocentes. Esses dois Sobreviventes foram bem proféticos. O que dói é constatar que, se na nossa vida real de hoje houvesse shows mortais como esses, e os participantes tivessem que se inscrever, em vez de serem sorteados e obrigados a participar, ainda assim haveria um monte de interessados. Tudo para ter seus quinze minutinhos de fama.
Aqui eu falo da questão de gênero em Jogos Vorazes.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

CRÍTICA: JOGOS VORAZES / Futuro não tão distante

Pedro Bial apresenta a participante gordinha do reality show

Desantenada que estou, só ouvi falar de Jogos Vorazes pelas polêmicas (ridículas) que causou. Já falo nelas. O nome me chamou a atenção porque gosto dessa palavra, voraz, se bem que se fosse eu num reality show com esse título, eu só seria voraz se fosse comendo chocolate. No resto do tempo estaria mais pra Jogos Avarentos, que talvez não atraia tanto público. Ahn, certo, as polêmicas. Depois das frases anteriores até essas polêmicas vazias passam a ser fascinantes. Uma surgiu porque um grupo de racistas americanos no Twitter reclamou que alguns personagens do filme eram interpretados por atores negros. Essa reclamação é absolutamente estúpida porque 1) não faz a menor diferença pra história a cor deles, e 2) no livro de Suzanne Collins (que ainda não li, mas tô morrendo de vontade de ler), enquanto que a narração não fala muito na raça de outros personagens, ela especificamente diz que Rue e Thresh têm a pele mais escura. Ou seja, mesmo a alegação que “no livro não é assim, seus infiéis!” não procede.
Quer outra polêmica absurda? A de que Jennifer Lawrence (a talentosa atriz que se revelou em Inverno da Alma, e que protagoniza Jogos) é “grande demais” pra interpretar Katniss. Ou seja, por ela não ser magérrima como a maior parte das estrelas de Hollywood, ela estaria meio gorda pra fazer uma personagem de um mundo faminto. E sem falar que ela é mais alta que seu par romântico (pelo menos um deles), como é que pode?! Daqui a pouco vão começar a se referir a Jennifer como atriz plus size, aguarde.
A outra polêmica é melhorzinha. Alguém no canal de TV ultraconservador Fox News se queixou que o filme ensina as meninas a serem violentas e pouco femininas. E o pior é que é verdade! Só que eu, como feminista, só tenho a celebrar quando camisas de força de gênero (o que é ser feminina pra você? É ser quietinha, passiva, arrumadinha, decorativa?) são destruídas. E sim, isso acontece no filme. Portanto, só esse motivo já é suficiente pra você que está com o pé atrás com Jogos correr pro cinema.Só um pouquinho da história, pra quem está tão desatent@ quanto eu. Em algum momento de um futuro distópico (e eu adoro distopias, o oposto das utopias), uma capital controla doze distritos. Na capital há fartura, muito tempo ocioso, alta tecnologia. E os distritos são paupérrimos e parecem cenas da depressão americana dos anos 1930. Uma metrópole super rica dominando e explorando todos os pólos a seu redor? Pois é, conhecemos o enredo. Só que, 74 anos antes, houve uma revolta dos distritos contra o império. E, pra variar, o império ganhou. Então, pra comemorar a versão dos vencedores, todo ano são sorteados uma garota e um garoto (entre 12 e 18 anos de idade) de cada um dos distritos. E esses 24 jovens lutarão até à morte. Com tudo transmitido pela televisão, é claro.
Não há dúvida pra mim que Jogos Vorazes faz uma crítica feroz à indústria do entretenimento e ao imperialismo. Por exemplo, um dos distritos menos desfavorecidos treina suas crianças desde pequenas para competirem. Daí, qualquer uma que for sorteada será uma das favoritas pra ganhar a competição. Dá pra fingir que as oportunidades são iguais pra todos os jovens de todos os distritos? Quando uma mulher da organização diz para os Tributos (é assim que são chamados os sorteados) do distrito 12, “Mas eles [do distrito privilegiado] não podem comer sobremesa hoje, e vocês podem”, parece aquele clichê da Maria Antonieta, “Por que não comem brioches?”O filme inteiro é feito pra gente empatizar com a heroína Katniss (o nome me lembra catnip, a erva que faz os gatos ficarem locões), com o distrito mais pobre, e pra torcer contra o sistema. Tanto que a única cena que me fez chorar não foi a da morte de algum Tributo, mas aquela em que uma rebelião começa a acontecer. O presidente Donald Sutherland é claramente um vilão, ainda que ele tenha frases interessantes. “Você gosta de fracassados e zebras? [Como traduzir underdogs?] Nos distritos está cheio deles”, diz ele a Boninho, o diretor do programa de TV (aqui interpretado por Wes Bentley, que parece ser lindo demais pra fazer qualquer papel que não seja de malvado. Ele fez o rapaz esquisitão de Beleza Americana, o que vendia catnip ao Kevin Spacey). Tá, não é exatamente o Boninho, porque todos os diretores de todos os BBBs e Survivors do mundo devem ser iguais. Mas que o Stanley Tucci (como apresentador do programa) me lembrou o Pedro Bial, ah, isso lembrou. Pena que o Stanley não faça longos discursos filosóficos pra justificar a “eliminação” de um dos participantes, senão seria idêntico.
Ish, este texto já tá longo demais. Vou precisar de outro post pra tratar das influências e inspirações de Jogos, e mais um só pra tratar da questão de gênero, que obviamente é uma questão riquíssima num filme como esse. Prometo pra próxima semana. Enquanto isso, dá tempo de você ver o filme pra depois não reclamar de possíveis spoilers.
E o que é aquele Lenny Kravitz (que faz o técnico de marketing da Katniss)? Eu quero um pra mim! Ele e a super pomada que cura todos os machucados em questão de segundos!Tributos mais iguais e letais que os outros. O carinha de trás é Jack Quaid, filho de 19 anos de Meg Ryan e Dennis Quaid (parece com o Dennis, não?).