Mostrando postagens com marcador frio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador frio. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de abril de 2008

COMO TUDO, O FRIO É RELATIVO

Ontem à noite, ao sair da faculdade, deparei-me com um rapaz vestido de short e camiseta. Eu tava com o meu já tradicional casacão, cachecol arco-íris, gorrinho, luvas e três calças. Ele olhou pra mim e eu pra ele. Não foi aquele olhar de “rolou um clima”. Não, se eu pudesse adivinhar o pensamento dele, seria: “Por que ela tá vestida de boneca de neve com esse calor?”. Já o meu pensamento foi algo nas linhas de “Vi num filme que quando a pessoa tá muito drogada não sente nada”. É óbvio que a razão é minha. Talvez ontem não estivesse mais tão frio pras roupas que eu usava. Na realidade, pode muito bem ter sido o dia mais quente dos últimos dois meses. Mas tava uns 8 graus positivos! Celsius! Tudo bem que qualquer temperatura positiva já é lucro, só que 8 míseros graus não é pra sair por aí como quem vai à praia! Ainda é frio pra chuchu. Quando faz 8 graus em Santa Catarina, ninguém fala em outro assunto. É só encontrar um conhecido que o papo que invariavelmente rola é: “Puxa, que frio horroroso que tá hoje, hein? Vou dormir com três cobertores... Topas?” (essa última parte foi minha imaginação fértil). E aqui em Michigan o pessoal sai de short!

Pra mim, é muito interessante ver como esses conceitos abstratos, frio e calor, são relativos. Apesar dos cinco meses consecutivos de puro inverno por aqui – mais gelado que o meu congelador, e isso não é exagero! -, até agora não experimentei a sensação de “estar morrendo congelada à la Shining com mil pedacinhos de gelo perfurando o meu rosto” que experimentei em Moscou. Lá tava 23 graus negativos. Lembro muito bem de duas coisas. Uma é que o maridão não acreditava que pudesse fazer tanto frio. Nosso hotel ficava em frente à Praça Vermelha, e o MacDonald's, que foi nossa salvação nos primeiros dias, ficava logo depois da praça. Como era perto, o maridão, um otimista inveterado (ou invertebrado), achou que dava pra chegar lá numa boa sem colocar gorrinho, cachecol e luvas. No meio do caminho ele parou e, meio imóvel, sem conseguir pronunciar as palavras direito, balbuciou: “Tenho que voltar”. A outra imagem é a de um sorvete de casquinha que alguém tinha derrubado no chão. O sorvete tava inteiraço no chão. Não derretia! Russo não sabe o que é sorvete pingando na roupa.

Em compensação, um amigo nosso da Finlândia, um país que deve ser tão ridiculamente gelado quanto a Rússia, disse que nunca passou tanto frio na vida como quando esteve no Paraná. Não acredito. Assim como não acredito na Andie, uma brasileira super querida que mora em Detroit e contou que uma amiga sua do Canadá mediu a temperatura num dia em fevereiro: 59 graus negativos! Eu insisti com a Andie que essa temperatura não faz nem em Netuno, mas ela não quis saber.

O pessoal do nordeste que lê o blog deve estar acompanhando este papo como quem acompanha dois ETs falando de física quântica em mandarim. Ah, algum dia eu quero morar aí!

domingo, 9 de março de 2008

ATÉ QUANDO?

Maridão tira foto do próprio pé na jaca, quero dizer, na neve. Quase meados de março, e tá nevando desde dezembro. Dizem que vai até o final de abril. Faça as contas. Pelas minhas, são seis meses de inverno (em novembro não nevou, só tava frio pra caramba). Mas o pessoal jura que agora é primavera. Quando eu penso em primavera, penso em passarinhos, flores, esquilinhos, verde... Não no branco total dominando o cenário. Quarta nada abriu por causa da neve. Ruas e calçadas bloqueadas, e a gente sem saber onde começa uma e termina outra. Tô falando das ruas e calçadas, mas podia estar falando das estações. Enquanto isso, é aniversário hoje em Joinville. Felicidades! Vocês são felizes e não sabem...

domingo, 2 de março de 2008

CASPA, EU?

E ainda tem gente que ama a neve e o frio...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O GELO E A ABOMINÁVEL BONECA DAS NEVES

Ahá! Eu não falei? Repare na foto do meu banheiro (é, tá meio sujinho, eu sei, ninguém limpa nada aqui em casa) o gelo entrando pelo lado de dentro da janela! Não é aterrorizante? Eu me lembrei imediatamente daquela cena do ótimo arrasa-quarteirão ecologista O Dia Depois de Amanhã, em que o gelo congela tudo em segundos, e o pessoal corre pra uma sala pra queimar livros e manter a fogueira acesa. Quando vi o gelo invadindo minha casa, gritei pro maridão: “Rápido! Vamos queimar aquela papelada que tem no meio do quarto!”. Mas ele só queria queimar as minhas coisas, começamos uma discussão, e acabamos não torrando nada.

Como podem existir alguns leitores(as) loucos que dizem adorar o frio? Hoje eu tive que sair e, bom, eu sou um espetáculo degradante. Consigo deixar apenas os olhos de fora, e ando como se fosse uma astronauta. Vou arfando como se fosse o menininho atrás da máscara no começo de Halloween (do John Carpenter). E sai mais fumaça dessa visão fantasmagórica que das fábricas da Londres do século 19. Não é uma imagem bonita, mas vou compartilhá-la com vocês. Espero que não tenham pesadelos à noite.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

DIRETO DO CONGELADOR

Se cadáver falasse, o Jack diria: "Eu sou o maridão amanhã".

Como o ser humano se adapta a tudo! Considere, por um momento, que eu e o maridão somos seres-humanos, e ainda por cima adaptáveis. Tô falando do frio. Ontem à noite saímos. Tava apenas um grau negativo e, claro, cobertos de casacões da cabeça aos pés, nem sentimos frio. O maridão atingiu um estado de demência tal que, quando tá um grau negativo, ele costuma dizer: “Hoje dá praia!”. Porque isso virou calorão pra gente! Ok, kidding, nunca vou me conformar em viver num congelador. Mas compare: pra hoje a previsão de temperatura vai de menos 5 a menos 13 (celsius, que é medida de gente. Ignoro os fahrenheit). E isso não é nada, se compararmos o que vem amanhã: de menos 13 a menos 18! Portanto, já comuniquei o maridão que amanhã não saio de casa nem se aparecer barata (não existe essa possibilidade. Barata pode sobreviver à hecatombe nuclear, mas não ao inverno de Michigan). Só que o maridão é teimoso. Ele diz que quer sair por aqui pertinho só pra tirar umas fotos (sim, essas fotos de altíssima qualidade que você conhece). Acho que 18 graus negativos é cenário de “O Dia Depois de Amanhã”, sabe? Da gente colocar um dedinho fora de casa, ele congelar em matéria de segundos e cair? É isso que eu vislumbro. Às vezes penso também no Jack Nicholson no labirinto de neve, na última cena de “O Iluminado”. Mesmo assim, já pedi pro maridão amarrar uma corda em torno de sua cintura antes de sair (à la “O Nevoeiro”; reze pra esse filmaço chegar aí). Desse jeito, eu consigo medir até onde ele conseguiu ir, e posso resgatar o cadáver congelado sem pisar lá fora, só puxando a cordinha.