quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

TODAS E TODOS PELAS VACINAS

Esses dias fui convidada para participar da campanha #TodosPelasVacinas, que não é uma campanha de vacinação, mas em prol da vacinação. Lógico que aceitei com o maior prazer. Embora eu não goste nada de injeções, sou grande fã de vacinas. 

No mesmo fim de semana em que a Anvisa aprovou o uso emergencial da Coronavac (Sinovac/ Butantan) e da Oxford/ Astrazeneca, o site Todos pelas Vacinas foi lançado. Você pode ver o site aqui, cheio de informação. Por exemplo, aqui tem muitas perguntas e respostas sobre vacinas em geral. 

A campanha é o resultado de uma grande rede a favor da vacinação. Grupos de divulgação científica como a Equipe Halo, a União Pró-Vacina, o Observatório Covid-19 Br, a Rede Análise Covid, o Blogs de Ciência da Unicamp se juntaram a outros divulgadores para postar conteúdo sobre a importância de se vacinar. 

A ideia é furar a bolha da academia, e também fazer um papel que deveria ser do governo (já que não se pode esperar uma campanha de vacinação de um governo negacionista que tem como única política oferecer um medicamento que não funciona para a covid -- e depois mentir na cara dura que nunca recomendou a cloroquina).

O Brasil, que já foi modelo em vacinação, agora com um governo catastrófico que é anti-ciência, perdeu sua posição. Por isso a campanha Todos Pelas Vacinas, para passar informação de modo simples, adequado para cada plataforma. Afinal, como combater teorias da conspiração que são criadas e espalhadas diariamente se não com informação?

É fundamental que o movimento antivacina (que não é apenas contra a vacina pra covid, mas contra todas as vacinas) seja parado, pois ele representa um grande risco à saúde pública. Ele ainda é incipiente no Brasil, mas, com o crescimento da extrema-direita, grupos que dependem de teorias da conspiração tendem a aumentar.

Esta excelente thread da doutoranda em genética Larissa Brussa Reis explica que o movimento antivacina surgiu já com a primeira vacina.

A discussão sobre a obrigatoriedade da vacina me parece bastante ridícula, pois a vacinação numa pandemia não é uma questão individual, e sim coletiva. Assim como temos que tomar vacinas para entrarmos em alguns países, empresas e instituições podem passar a exigir comprovantes de vacinação para que alguém possa entrar num espaço ou ser contratado. 

Não é exatamente obrigar as pessoas a tomar a vacina, mas as pessoas devem entender que há consequências para atos irresponsáveis e ignorantes. Porém, mesmo essa discussão parece inócua, já que a grande maioria da população quer a vacina. A gente até já começa a ver por aqui gente rica e poderosa tentando furar a fila. 

Meu palpite é que até bolsonaristas que vem fazendo propaganda contra as vacinas contra covid vão querer se vacinar, porque nessas horas de vida e morte a ideologia é deixada de lado. Tomara que haja vacinas pra todos, e rápido, pra estancar essa matança.

Tenho certeza que eu e todo mundo que respeita o distanciamento social está ansioso pra tomar a vacina.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O SONHO ROUBADO POR SER MULHER

Hoje publico este ótimo post da Chrislly Catta Preta Fulgoni, servidora pública federal, sobre algo que não acontece com os homens.

Deveria começar escrevendo que sempre fui uma mulher empoderada e determinada. Estaria mentindo. Quando mais jovem, era apenas uma menina insegura quanto ao sucesso que poderia ter, tanto na vida pessoal como na profissional. Todas as experiências que me forjaram ao longo dos anos tornaram-me mais forte, reservada e confortável com quem sou e com quem desejo ser no futuro. As reflexões sobre o que é ser mulher se intensificaram após o nascimento da minha filha, em 2017.

Conheci aquele que mudaria muito de mim em 2006: meu marido. Um entusiasta do serviço público que me ajudaria incessantemente a estudar para que eu alcançasse aquilo que passara a ser um sonho: ser aprovada em um concurso público. Foram anos de preparação divididos com faculdade e trabalho, anos de reprovações, anos de “fiquei por um ponto”. Muitas e muitas lágrimas. Finalmente, no dia 20/06/2016, meu nome estava no Diário Oficial: APROVADA no tão sonhado concurso público.

Não há como colocar em palavras a sensação que tive. Não era apenas uma alegria pela conquista profissional. Era como um bálsamo de alívio. Finalmente eu provava a mim mesma e para todos -- família, amigos, colegas de trabalho -- que eu também era inteligente como meu tão bem sucedido marido. Finalmente tinha conquistado algo.

Deixo claro que essa sensação de estar sendo julgada não decorre de atos explícitos. Na maioria das vezes vem dos que mais amamos. Lembro bem de um episódio peculiar que demonstra bem o julgamento do outro sobre nossa vida. Ainda na faculdade em que eu e meu marido (então namorado) cursávamos Direito, ouvi de um colega de classe em tom jocoso que eu era uma “Maria Concurseira”, porque tinha escolhido namorar o rapaz mais inteligente da sala, servidor público desde os dezoito anos. Esse comentário era tão absurdo e ofensivo que não tive reação. Ouvi calada. Cheia de raiva, mas calada. Estudávamos os três na mesma sala, minhas notas sempre foram excelentes, eu tinha desenvoltura nos trabalhos, mas, mesmo assim, um homem achava que era engraçado reduzir-me e reduzir meu relacionamento a um alpinismo ou oportunismo. As mulheres dividimos os mesmos espaços que os homens, mas é como se fosse um favor permitirem que estejamos lá.

Enquanto esperava minha nomeação, resolvi engravidar. Acreditava ser o momento certo, pois finalmente não estava sob o estresse da preparação para um concurso público e o decorrente desgaste físico e emocional. Engravidei. Nos nove meses de gestação ouvi coisas assim: “Não entendi por que você fez concurso. Você engravidou, vai trabalhar depois que ela nascer?” -- dita por uma jovem de 20 anos. “Esse salário aí que você vai ganhar é um bom salário para uma mulher!” -- dita por um tio amado.

O tempo passou e há dez dias da data prevista para o parto da minha primeira e única filha, recebi um telefonema de Brasília. Uma pessoa do recursos humanos me ligava para avisar que minha nomeação seria publicada e que eu deveria me antecipar e realizar os exames admissionais. A nomeação foi publicada numa quarta-feira e na quinta-feira, dia 01/07/2017, eu saía de casa para tomar posse no tão sonhado concurso público. Após muito sofrimento, a nomeação estava ao meu alcance. Como num conto de fadas eu estaria empossada no meu cargo e, em seis dias, nasceria minha filha. Como em um roteiro clichê, tudo daria certo.

No entanto, a perita recusou-se a declarar-me apta para o cargo sem um exame ginecológico chamado colposcopia, mesmo com uma declaração da minha obstetra informando que se tratava de  exame invasivo demais para ser realizado no nono mês de gestação. Saí aos prantos do prédio. Meu sonho estava escapando de minhas mãos. Liguei para meu marido. Na minha mente ele estaria mais lúcido e conseguiria me ajudar a resolver aquela situação. Ele e minha grande amiga Ludimila Poirier (advogada também) saíram da cidade vizinha onde ambos trabalhavam e vieram ao meu encontro, para me consolar e pensar no que faríamos. A decisão foi recorrer ao judiciário. Ingressamos com um pedido de tutela antecipada antecedente a fim de afastar a exigibilidade do exame. O juiz negou. Um juiz homem e jovem. Deferiu apenas a reserva da vaga para quando meu exame pudesse ser feito (segundo a obstetra, seis meses após o parto).

Com a negativa, voltei à esfera administrativa. Falei com o gerente executivo, com o chefe do RH local e com o chefe do RH em Brasília. Todos eram unânimes em afirmar que o que tinha acontecido era absurdo, mas que nada poderia ser feito, pois a perita tinha autonomia para decidir. Por fim, procurei a chefe do departamento de perícias. Ouvi da médica chefe: “Não sei por que você está com tanta pressa, você deu sorte de ser nomeada.”

“Sorte”. Após todo sacrifício da aprovação, após toda aquela situação no fim da gravidez, todo o estado emocional envolvido, tive de ouvir que não tive mérito algum. Foi “sorte”. 

Sem nada mais a ser feito e temendo perder a vaga, decidi conversar com minha obstetra sobre o que tinha acontecido. Aos prantos, contei toda a história. Ela deu a solução: “Consigo fazer esse exame em você com um pequeno risco de sangramento, o que é normal, mas sem risco para a bebê. No entanto, será um exame sem efetividade. É um útero todo alterado e ferido pela gestação avançada. Mas, se é um laudo que eles querem, um laudo eles terão.”

Terça-feira, dia 06/06/2017, um dia antes do parto, eu estava com todos os exames exigidos em mãos. Voltei à perita e fui recebida com a frase: “Hoje não posso. Vou ao dentista, volte depois de amanhã.” Indignada, respondi: “Não, doutora. Meu parto é amanhã. Vou sentar aqui e espero quantas horas for preciso.” E esperei. Depois que ela voltou, o exame foi feito. Durou cerca de dez minutos. Ela olhou os exames e disse: “Você fez a colposcopia? Deveria ter esperado.” Fiquei em silêncio, pensando como uma mulher, médica, podia ser tão desumana assim.
Tomei posse na véspera do parto e entrei de licença imediatamente. Não queria encontrar nenhum deles pelos próximos seis meses. Isso faz quase quatro anos e ainda hoje sinto muita tristeza e raiva dessa história. É como se tivessem roubado algo que não pode ser repetido. A experiência da conquista do primeiro concurso após tanto sacrifício. Mesmo vencendo outros, esse, o primeiro, roubaram. 

Quando finalmente comecei a trabalhar, após a licença maternidade, outra pergunta era constante, já que eu estava trabalhando na mesma entidade federal em que meu marido havia trabalhado. Era “óbvio” para as pessoas que nos conheciam que eu “só” estava lá, porque “ele” tinha “arranjado” para mim. “O Ricardo arrumou para você essa vaga?” No começo eu tentava explicar que concurso público não funcionava daquela maneira, que ele tinha me ajudado muito a estudar, mas eu tinha feito prova e conseguido a aprovação por meus méritos. Mas depois de algum tempo desisti e passei a responder: “Sim, foi ele mesmo que arrumou. Você acredita que eu sento até na mesma cadeira?” E a vida seguia.

A filha crescia e os objetivos da nossa família se tornavam maiores. Quando meu marido decidiu estudar para a magistratura eu sabia que exigiria um esforço coletivo ainda maior do que os anteriores, vivenciados em outros concursos. E tem sido assim por quase dois anos. Agora, novamente, a condição de mulher, esposa, profissional e mãe virou questão de debates. A eterna opressão para que eu, mulher, esteja em um cargo melhor, com mais títulos, para que eu permaneça interessante para ele e não seja trocada. O olhar da sociedade para a mulher é eternamente julgador e sem empatia. Novas perguntas surgem: “O marido vai ser juiz, você não vai fazer outro concurso? Vai ficar para trás?” Como se eu e ele estivéssemos numa eterna competição e precisássemos provar que merecemos o amor do outro pelo que conquistamos e não pelo que somos.

É cansativo ser mulher. Mas eu não desisto. Há um mundo a preparar para minha filha. Ela está crescendo, conhecendo esse mundo aos poucos. Precisamos lutar. A luta feminista não é por privilégio. É por igualdade. É por equilibrar a balança entre os ônus e os bônus femininos. O mundo que minha filha vai viver será melhor? Não sei. Mas farei tudo para construí-lo. Utópico? Talvez. Mas como meu marido gosta de dizer, é a utopia que nos faz caminhar. Caminhemos, pois! Lutemos! A mulher pode ser o que ela quiser.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

NOTÍCIAS DO PAÍS COM MUITA CLOROQUINA E POUCA VACINA

Fiquei muito assustada com a matéria do Uol sobre a "nova" fase (as aspas são porque ainda não há certeza se é novidade ou se ainda estamos na primeira onda) da covid-19 no Amazonas. A doença agora está mais rápida, mais letal, causando lesões mais graves nos pulmões. 

Segundo os registros dos últimos trinta dias, 4 em cada 10 vítimas fatais tinham menos de 60 anos. Uma infectologista relata que há mortes em todas as faixas etárias, mesmo em adolescentes sem comorbidades, e que o vírus não é o mesmo. Outro diz que, se antes chegava um paciente por vez ao hospital, agora chega a família inteira ao mesmo tempo. E, pior: muito da estrutura hospitalar em inúmeras cidades foi desmontado. 

Em outras palavras, cuidem-se! O que está acontecendo em Manaus pode se alastrar para outras cidades. Roraima e Pará já estão sofrendo seriamente com a falta de oxigênio. Nada de euforia com as vacinas, que ainda vão demorar muito pra chegar. Até ter a maioria vacinada, a situação pode ficar pior que no momento mais crítico de 2020! E, pra quem duvida que estamos em pior fase, fica a estatística: levou sete meses pro mundo chegar ao primeiro milhão de mortos, mas só três pra alcançar a tenebrosa marca dos dois milhões.

As outras notícias mais marcantes sobre a pandemia hoje são que o véio de Havan e seus familiares estão internados com covid. 

Em outubro, Luciano Hang causou uma enorme aglomeração em Belém ao inaugurar uma loja. Quantas pessoas ele ajudou a contaminar na ocasião?

Um mês depois, em novembro, o consultor de marketing da Havan e braço direito de Hang morreu de covid. Depois da vitória de Bolso nas eleições, foi dele a ideia de encenar o enterro do PT. 

Semana passada Luciano Hang convidou seus milhões de seguidores no Instagram para uma live sobre tratamento preventivo da covid. Ele ainda pediu para provarem que o tratamento precoce não funciona. Podemos considerar provado ou devemos esperar mais alguma coisa?

Ontem o sinistro da saúde negou ter recomendado cloroquina. Hoje há notícias de que Carluxo estava apagando as (muitas) fotos do pai fazendo propaganda da droga que não tem nenhuma eficácia comprovada contra a covid. Isso um dia depois do presida (abreviação para presidente, em breve -- espero -- para presidiário) tentar ser pai da vacina que ele difamou durante meses.

E não é só que o genocida tem um enorme estoque de cloroquina e nada de vacina. Sua relação com a China tem sido tão ruim que o país asiático não está priorizado o Brasil para enviar insumos. Sem insumos, o Butantan não tem como produzir as vacinas. 

Os próprios integrantes do desgoverno assumem que "incidentes diplomáticos" -- como o de Dudu Bananinha, em novembro, acusando o Partido Comunista Chinês de querer espionar o mundo com a tecnologia 5G -- fazem com que a China atrase o envio do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), o princípio ativo da Coronavac.

Mas, voltando à cloroquina, o médico francês Raoult, considerado o pai da cloroquina, será processado por charlatanismo e perderá o direito de exercer a medicina. Qual é a pena para um presidente que entope o país de cloroquina? Para o sinistro da saúde? Para os jornalistas que insistem que cloroquina salva?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

VEM PRA GENTE, VACINA!

Ontem foi a primeira vez em muitos meses que vi brasileiros animados e esperançosos. É que a Anvisa finalmente aprovou o uso emergencial de duas vacinas contra a covid, a CoronaVac, produzida pelo instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac, e a AstraZeneca, produzida pela Oxford com a Fiocruz. 

João Doria, governador de SP (PSDB), não perdeu tempo, e posou com a primeira pessoa a receber o imunizante no Brasil. Monica Calazans, 54 anos, viúva, negra, obesa, hipertensa, diabética, é enfermeira da UTI do hospital Emílio Ribas. É também um desses modelos de superação: trabalhou como auxiliar de enfermagem durante 26 anos, fez faculdade de enfermagem e se formou aos 47. 

Ela deu a letra: “Eu fui criticada com piadinha, memes, me chamaram de cobaia. Eu não sou cobaia, sou participante de pesquisa e tô muito orgulhosa. Meu nome tá aí no mundo todo, 54 anos, negra, brasileira e participante de vacina. Vamos nos vacinar. Não tenham medo".

E não foi só isso que aconteceu ontem. No pronunciamento, a Anvisa (acusada de ter sido aparelhada por bolsonaristas) deixou claro que está do lado da ciência, contra o negacionismo. Um médico infectologista revelou que ele e seus colegas sofrem ameaças de morte constantes da parte de negacionistas. Em quem será que esses covardes (que atacam médicos, gente que salva vidas!) se inspiram?

Como todo mundo sabe, eu detesto Doria e o PSDB e eles nunca teriam o meu voto. Mas verdade seja dita: eles não são negacionistas. O que fica evidente no embate entre Doria e Bolso é que um está entregando vacina. Outro continua dizendo que vacina faz virar jacaré e que só tratamento precoce salva.

Como disse a Louise em março, "O Doria já ganhou uns 20 pontos comigo nos últimos dias. Saldo atual agora é de -3475". Ha ha, meu saldo está parecido.

Foi mais uma derrota de um governo genocida que só coleciona fracassos. Para ficar na frente de Doria, Bolso tentou importar na última hora a vacina da Oxford/Astrazeneca da Índia, mas o país não permitiu a importação.

O lote de vacinas para o Ceará estava previsto para ser liberado hoje. O governador Camilo Santana (PT) viajou ontem para SP para acompanhar essa liberação. Espero que minha mãe de 85 anos possa ser vacinada esta semana em Fortaleza!

Hoje pela manhã, ao acessar a internet, fiquei confusa. Até ontem havia um presida dizendo que a vacina fazia virar jacaré, bolsobot jurando que a pandemia era só uma gripezinha e que só cloroquina salvava, hashtag de vachina dominando os trending topics, mas de repente o discurso do pior governo de todos os tempos é que foi ele que bancou a Coronavac?! Acredite se quiser: é isso que os bolsobots estão espalhando. Que nem o auxílio emergencial, lembram? Que Bolso e Guedes queriam que fosse de R$ 200? Assim que o Congresso decidiu que seria de 600, os picaretas comemoraram como se a ação tivesse partido deles!

Hoje Bolso orou, reforçou diferenças entre homens e mulheres, e soltou esta pérola: "Nós, militares, somos o último obstáculo p/o socialismo. Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as Forças Armadas". Mais um aviso de que ele tentará um auto-golpe. Aguardem notinhas de repúdio de Rodrigo Maia e do STF. 

Mas o Capetão não conseguiu esconder a tristeza e o ato falho do "apesar da vacina". Ele discursou: "Apesar da vacina... Apesar, não. A Anvisa aprovou, não tem o que discutir mais. Agora, havendo disponibilidade no mercado, a gente vai comprar. Então, está liberada a aplicação no Brasil. E a vacina é do Brasil, não é de nenhum governador, não".

Sério? AGORA a vacina é do Brasil? Não é mais a "vacina chinesa do Doria", como Bolso afirmou em outras ocasiões? Vou traduzir a fala do Coisa Ruim: "Aquela vacina que eu disse pra ninguém tomar, porque é a vacina chinesa do Doria, aquela que eu jurei pros meus apoiadores que não iria comprar de jeito nenhum, bom, agora que ela saiu, droga, não tem mais jeito, agora ela é do Brasil, tá, não é de nenhum governador não isso aí".

Só sendo muito gado pra cair nas mentiras tão facilmente desmentidas do excrementíssimo!

Parabéns ao Butantan e a Fiocruz e a todos os cientistas e servidores públicos do Brasil! Esta vitória contra o obscurantismo é nossa! Apesar de um desgoverno que tenta nos matar, que manda seus minions nos ameaçarem de morte, que corta nossos recursos, NÓS RESISTIMOS! Já pensaram o que seria do Brasil sem ciência, sem o SUS? Nós que respeitamos o isolamento social esperamos ansiosamente pela nossa vez de tomar a vacina!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR

Arte incrível do Cris Vector

O sistema de saúde de Manaus entrou em colapso pela segunda vez. A primeira foi em abril do ano passado. E parece que não se aprendeu nada com ele.

Ontem o horror em Manaus foi total. Pensem em 33 ventiladores apitando ao mesmo tempo. No visor de cada aparelho, mensagens indicando "Baixa de oxigenação". Pessoas entubadas para tentarem sobreviver à covid morrendo por falta de ar.

"Tivemos que escolher quem salvar. Optamos por quem estava lúcido, porque quem estava sedado não ia sofrer", conta chorando um médico de um hospital público que não quis se identificar. Imaginem o desespero das equipes de saúde, dos pacientes, das famílias que têm parentes internados. 

E engana-se quem pensa que "só" pacientes com covid estão morrendo. Todos os internados em hospitais que necessitam de oxigênio correm perigo. É o caso de pessoas em coma e de bebês prematuros, só pra citar alguns exemplos. O governo de Amazonas pediu a transferência de 60 bebês prematuros com risco de ficar sem oxigênio.

Em plena pandemia, o governo federal aumentou os impostos dos cilindros de oxigênio. Isenção de impostos só pra prioridades como games e armas de fogo! Pior: o genocida no poder tinha sido avisado ainda em dezembro que faltaria oxigênio em Manaus. Mesmo assim aumentou impostos. O Psol denunciou o presida à Organização Mundial da Saúde pela falta de oxigênio no Amazonas.

A solidariedade veio apenas da Venezuela. Maduro mandou disponibilizar oxigênio pra Manaus, o que fez muita gente se perguntar: e se fosse o oposto? E se Caracas estivesse morrendo asfixiada, Bolso ajudaria? Sabemos a resposta. Bolso não manda oxigênio nem pro próprio país que ele diz governar.

É injusto dizer que o governo da catástrofe não está fazendo nada. Ele convocou milhões de bolsobots para xingar e ameaçar de processo a quem chamar Bolso de assassino. Oxigênio pra pacientes da covid não tem, mas pra tentar manter um governo morto no poder, tem.

Uma leitora antiga e querida com 500 seguidores no Twitter ontem tuitou sobre o caos em Manaus. Recebeu vários ataques de bolsobots e até ameaça de morte. É tudo orquestrado! Pelo jeito, o Gabinete do Ódio está fazendo o que seu chefe não faz: trabalhando a todo vapor.

O que acontece em Manaus pode muito bem acontecer em outras cidades. E o governo genocida vai culpar todos menos ele mesmo, que nunca pode fazer nada. O lema de Bolso é mesmo "não posso fazer nada", que vem sempre junto do berrante do gado "Deixa o homi trabalhar". Não dá pra entender muito bem por que criaturas desprovidas de inteligência querem o inútil do "não posso fazer nada" pra não fazer nada por mais quatro anos.

Panelaço hoje às 20:30. Não me sinto muito bem em participar de qualquer evento apoiado por MBL e Amoedo, mas vou bater panelas. Aliás, mesmo diante da revolta geral, de tantas mortes que poderiam ter sido evitadas, um dos filhos do capetão, Carluxo, decidiu postar um vídeo em que um pênis de borracha bate numa panela. Deve ter tirado da gaveta do armário dele.

Olha, não dá mais. Não conseguimos respirar.