sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

AS "NOVAS" PRESEPADAS DA FAMILÍCIA BOLSONARO

Sabe quando você quer escrever um post desde cedo mas as notícias não param de chegar? E pior, é uma mais surreal que a outra? E isso num período bem morto, a poucos dias do Natal?
Pois é. É assim que estou me sentindo. Bom, em primeiro lugar há o escândalo que envolve Flávio Bolsonaro. Nenhuma grande novidade, embora seja sempre assustador o montante do que está em jogo -- ainda mais pruma famiglia que jurava não ser corrupta. 
Segundo o Ministério Público, Flavio Bolso, que hoje é senador e portanto está blindado, enquanto deputado estadual comandava uma organização criminosa que roubava os cofres públicos através de um esquema conhecido como rachadinha. Foram anos de esquema, entre 2007 e 2018, dedicados "à prática de dinheiro público e lavagem de dinheiro". Flávio contratou dezenas de funcionários fantasmas que repassavam a maior parte de seus salários pro Queiroz, que repassava a grana pro chefe. 
Mas Flávio nega o enriquecimento ilícito, claro. 
Ele diz não ser sua culpa ser tão habilidoso em investir em imóveis e franquias. Só que, ao contrário de outras lojas de chocolate, que têm o maior faturamento na páscoa, na Kopenhagen do Flavio quando entrava mais dinheiro era no período do pagamento do décimo-terceiro dos servidores da Alerj. Bem quando os salários são mais polpudos!
Um dos muitos nomes suspeitos de estarem ligados ao esquema Flavio/Queiroz é o sargento da PM Diego Ambrósio, que ontem deu uma entrevista inacreditável pra Época. Na entrevista exclusiva, recheada de machismo (o "jovem soldado de cabelo preto" diz que recusou trabalhar no gabinete do jovem deputado pois "estava bem em Copacabana, não ia sair de perto das minhas namoradas", e assegura que Flavio "me restituiu porque, meu irmão, não dou dinheiro para homem. Dou até para mulher, mas para homem não dou", e um lapso: "meu bico com o Flávio era pessoal"), ele tenta explicar como pagou um boleto de R$ 16,5 mil em espécie ao amigo, e se foi restituído. 
Ele acha que foi reembolsado, mas não lembra direito -- afinal, faz muito tempo (três anos), 
e também, não era um grande valor, né? Troquinho de panetone da Kopenhagen! (hoje um mascutroll veio defender o sargento da PM, que na época ganhava 4 mil reais mensais, e disse que eu, professora universitária, ganhava mais que desembargadora. Minha meta na vida passa a ser "emprestar" R$ 16,5 mil em cash para uma amiga e não me lembrar se ela devolveu o dinheiro). 
Bolsominions nunca vão se cansar de ter bandido de estimação? Olha que pra defender Flávio, Queiroz, seu Jair, Dudu, Carlos e tantos outros reaças é preciso um enorme empenho. 
Papai Bolso não está nada feliz com o ressurgimento do escândalo que envolve (muito mais que) seu primogênito. Hoje de manhã, naquelas coletivas de sempre em frente ao Palácio da Alvorada, com direito à claque, o milicano-mór comparou seu filho Flavio com Neymar (outro conhecido pela ética e sabedoria) e justificou ele ganhar muito mais dinheiro na loja de chocolate que o sócio porque ele "é o jogador mais importante" (é porque ele me-re-ceu!).
Mas lógico que não foi só isso que Bolso falou. Ele também disse a um jornalista: "Você tem uma cara de homossexual terrível, mas nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual” (isso na mesma semana em que uma lésbica bolsonarista que sempre negou que homofobia existisse disse ter sido vítima de um crime homofóbico). 
Outra resposta de Bolso à imprensa foi: “Pergunta pra tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai”. E por aí foi. Típico de um estadista, né? 
Lembram de quando a Dilma era pintada como desequilibrada? Nesse quesito de descontrole emocional, ela chega à unha do dedo mindinho de seu Jair?
Hoje tivemos que ouvir talvez a frase do ano: "Não tivemos nenhum escândalo de corrupção no governo", alegou Sérgio Moro, sinistro da Justiça do governo, insuspeito pra falar.
Só que depois lemos outra frase bombástica, esta vindo de André Mendonça, sinistro-chefe da Advocacia-Geral da União, explicando as declarações histéricas de seu chefe: Bolsonaro é um "homem íntegro e que sem dúvidas respeita a imprensa". Sim, sim, sem dúvidas. 
Mas isso foi ainda pela manhã. Foi um dia longo. 
Em entrevista à revista Veja que sai agora no final de semana, Bolso tentou te antecipar a uma nova bomba, desta vez gravações da polícia que o envolvem diretamente com -- que surpresa! -- milicianos: "Tem vários diálogos falando que no passado eu participava das milícias, pegava dinheiro das milícias, e agora, presidente, não participo mais -- um papo de vagabundo". O presidente miliciano culpa seu ex-aliado, o governador Wilson Witzel, de tentar incriminá-lo com olho nas eleições de 2022. 
Parece que na mesma entrevista à Veja, Bolso sugeriu que seu ex-ministro Bebianno estava envolvido no atentado de Adélio Bispo para matá-lo. Ué, não era obra do Psol e do PT, da Manu, do Jean, minha? Bebi já avisou que vai processar o presidente: "É um louco que coloca o Brasil em situação de extremo risco". Definitivamente acabou o amor.
E hoje Bebianno, o ex-secretário-geral da presidência, disse em entrevista a Jovem Klan que uma pessoa próxima a Bolso tentou sequestrar o colunista Lauro Jardim, do Globo. Assim, como quem não quer nada, sabe? Se isso for verdade, por que a Globo abafou o caso? Não é notícia relevante algum aliado do presidente colocar um jornalista à força num carro? 
Bom saber que vivemos num país democrático em clima de total normalidade.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

UMA MOSTRA DE QUE NEGAR A LGBTFOBIA NÃO TE SALVA DA LGBTFOBIA

Karol ficou famosa ao incomodar manifestantes do #EleNao em Gov Valadares

Anteontem eu estava em SP, participando de um evento, bastante incomunicável, quando vi vários comentários (não aprovados) na minha caixa de comentários aqui do blog. Era o de sempre: por que, sua vagabunda, você não está falando de uma youtuber lésbica bolsonarista que foi brutalmente espancada, sua baranga canalha?
Óbvio que a preocupação do comentarista não era com a moça lésbica, mas com o meu posicionamento. Pra ele (eles?) é fora de cogitação que eu não estivesse conectada à internet, que eu não soubesse do caso, que eu nunca tinha ouvido falar da tal moça.
Só ontem, ao entrar no Twitter, vi do que se tratava. Karol Eller, youtuber lésbica que fez campanha pró-Bolso e conseguiu um emprego na familícia (salário de 10 mil reais por mês), foi agredida enquanto estava num quiosque na Barra da Tijuca, no Rio, com a namorada. As versões variam: 
PM bolsominion divulgou foto do
agressor de Karol
ela e a namorada contam que foram abordadas por três homens com um discurso (elas não dizem, mas:) tipicamente homofóbico e transfóbico ("Está fazendo o quê com isso? Isso é um homem?"), e um deles deu um soco em Karol. Já os agressores dizem que Karol havia cheirado cocaína, estava alterada, e tinha uma arma de fogo na cintura.
Há uma outra versão circulando hoje através deste vídeo, dizendo que foi "agressão mútua", que Karol estava descontrolada e que se queimou por usar cocaína: "ele errou por ter se excedido, e bater numa mulher", diz uma voz feminina no vídeo. "Ela [Karol] errou, por estar portando arma, e por ter se drogado, e por ter ido pra cima dele". 
Creio que a foto que circula do rosto desfigurado de Karol não deixa dúvida alguma que ela foi agredida. A delegada responsável pelo caso já vaticinou: "Trata-se de um caso típico de homofobia". Pois é. O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo. Karol e o presidente miliciano que apoia negam isso, acham que homofobia é mimimi. E aí vem mais um caso provar que a homofobia existe. É como eu sempre digo: você, como mulher, ou como negro, ou como LGBT, pode ser machista, racista e/ou LGBTfóbica. Mas isso não vai te salvar do machismo, do racismo, da LGBTfobia. 
UPDATE à noite: A delegada voltou atrás na motivação do crime por homofobia após falar com testemunhas do quiosque, que confirmaram a versão do agressor de "agressão mútua". Assim, o acusado não será mais investigado pelo crime de perjúria por preconceito, mas por lesão corporal. Ele disse: "Sou pai de família. Não sou homofóbico, não sou esquerdista".
Karol e sua namorada, uma policial civil, serão indiciadas por denunciação caluniosa. Ou seja, segundo a delegada, não houve crime de homofobia. Karol brigou por ciúmes da namorada.
O Jornal Nacional fez um estrago ainda maior na imagem de Karol. Nesta reportagem, que mostra imagens da câmera de segurança, diz que Karol começou a briga com o acusado (que, pelas imagens, pode ser visto dando dois chutes nela). Uma testemunha narrou que, depois da briga, Karol bateu na namorada, e depois caiu e bateu o rosto no chão. 
A delegada conclui: "O que não podemos admitir é que você utilize uma delegacia, máquina administrativa do Estado, chegue aqui e minta, utilizando de uma causa tão nobre, de uma grande vitória, por parte dos homossexuais, e ela tava aqui banalizando isso e mentindo. Acho triste isso, isso é uma atitude criminosa, e a gente não admite esse tipo de coisa". 
O que me parece é que a esquerda e os movimentos LGBT agiram corretamente: acreditaram na vítima (que aparentemente era Karol), condenaram todo tipo de violência, disseram que homofobia existe sim (além do mais, é importante lembrar que os vídeos não têm áudio). Já a direita ficou como uma barata tonta, acusando a esquerda, e agora deve crucificar Karol. (Fim do update).
Uma coisa que vi ontem no Twitter foram reaças culpando a esquerda de espancar Karol (quando não há qualquer indício disso) ou de não se solidarizar com ela. Quer ver como a esquerda é solidária? Leia qualquer thread sobre o caso, e é raríssimo encontrar gente de esquerda comemorando a agressão a Karol. 
Compare com algo aparentemente sem ligação, mas que aconteceu ontem. Um asqueroso deputado federal do PSL, Carlos Jordy, lançou um tuíte pra sua manada, torcendo que a "decisão" de uma deputada do PSOL ter uma filha a faça ver como está errada em "defender a morte de inocentes". Os comentários são um festival de ignorância suprema e machismo. 
Reproduzo um ótimo post que o ex-deputado federal Jean Wyllys, ativista LGBT exilado, publicou na terça no UOL sobre o caso Karol: 
Ao saber da agressão homofóbica contra a youtuber bolsonarista Karol "Eller" em um quiosque na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, inevitavelmente me veio à cabeça o dito espanhol "cría cuervos y te sacarán los ojos". 
Lésbica, Karol fez e faz parte do time de LGBTs que se prestaram e se prestam a passar pano ou a negar a homofobia de Bolsonaro e da extrema-direita brasileira, e a atacar o movimento LGBT, negando a existência da homolesbotransfobia no Brasil e acusando as pessoas que denunciam essa violência de "vitimistas". 
Mas a vida é real e é de viés, e, por isso, assim como o vereador Fernando Feriado e o humorista Evandro dos Santos –- dois outros homossexuais cheios de homofobia internalizada e que uivaram e uivam com os lobos homofóbicos na esperança vã de que estes lhes poupem -– Karol aprendeu da pior maneira que, sim, a homofobia existe e que os homofóbicos estão se sentindo mais livres para perpetrar violências contra LGBTs desde que a extrema-direita se tornou hegemonia política e Bolsonaro venceu as eleições no Brasil. No rastro da notícia dessa agressão, identifiquei em circulação nas mídias sociais, de imediato, duas formações discursivas relacionadas entre si:
1) Políticos da extrema-direita e bolsonaristas -– que, assim como o próprio Bolsonaro, sempre negaram a existência de homofobia ao mesmo em que a perpetravam de diferentes formas -– cobrando solidariedade dos ativistas LGBTs em relação a Karol; uma solidariedade que esta nem eles nunca tiveram em relação às vítimas da homofobia, ao contrário; 
2) Fake news apócrifas acusando o movimento LGBT e a esquerda de serem os responsáveis pela violência homofóbica que desfigurou o rosto da youtuber lésbica.
Eu tenho estudado, na universidade de Harvard, o fenômeno das fake news e sua articulação com os discursos de ódio. 
Impressiona-me ainda a velocidade com que mentiras e distorções que favorecem a extrema-direita são postas em circulação nas mídias sociais. Ainda ontem em conferência na UQAM (Universidade de Montreal, no Quebec), analisando as fake news contra Marielle Franco divulgadas horas depois de seu assassinato, ressaltei o quanto os objetivos das fake news são (re)conciliar seus receptores com seus preconceitos, ódios e medos; impedir a conscientização e drenar a empatia.
No caso das fake news em relação à agressão contra Karol "Eller", aos objetivos acima mencionados, soma-se o de esconder a evidente motivação homofóbica da violência física que ela sofreu. A produção e a circulação imediata dessas fake news visam não só negar, para a base eleitoral de Bolsonaro, a existência da homolesbotransfobia, mas também criminalizar o movimento político que a denuncia e enfrenta.
Trata-se da estratégia mais perversa contra as pessoas LGBTs: ao mesmo tempo que negam a homofobia, acusando o movimento LBTQ de "vitimista" ou "gayzista" por denuncia-la, os bolsonaristas a perpetram de diversas maneiras. Porém, quando uma das vítimas dessa violência é um lésbica cheia de homofobia internalizada, ao ponto de ela mesma acusar ativistas LGBTs de "vitimistas" e se aliar ao bolsonarismo, servindo de pano para "limpar o trabalho sujo do fascismo", como disse a escritora Toni Morrison; quando isso acontece, desnudando a violência homofóbica antes negada, o sistema de produção e divulgação de mentiras dos bolsonaristas coloca imediatamente em circulação nas redes sociais digitais fake news responsabilizando o movimento LGBTQ e a esquerda pela agressão à lésbica que lhe serve de pano.
Não me espantará se a própria vítima aderir às fake news. Em post, ela disse que está sem condições de falar sobre o assunto, já que seu rosto está desfigurado pela violência. Karol já expressou antes e claramente sua homofobia internalizada ao se identificar com o discurso de um candidato como Bolsonaro. Se ela aderir às fake news acerca da violência que sofreu para não dar razão aos ativistas e para sustentar sua posição de cabo-eleitoral de Bolsonaro, não será uma surpresa! O fato de ser gay, lésbica ou trans não livra uma pessoa de ser mau-caráter e só pensar em si.
Esse caso é exemplar da dupla e simultânea violência produzida pela homofobia: por um lado ela é perpetrada, na maioria das vezes com uma violência chocante, e, por outro, ela busca se esconder em discursos e fake news que não só negam sua existência, mas, principalmente nos casos em que não pode se disfarçar, tentam culpar o movimento que se organiza contra ela, a homofobia.
E quase sempre a homofobia sai vitoriosa porque encontra, entre as suas vítimas em potencial (ou, em algumas situações, na vítima em particular ou nos familiares desta em caso de homicídio), os cúmplices desse ardil.
A homofobia é uma violência perpetrada sobre os nossos corpos por diferentes dispositivos e instituições, mas que nos afeta por dentro, sujeitando-nos desde a mais tenra infância e nos impedindo desde muito cedo a nos identificar com nós mesmos ou, dito de outra maneira, impedindo-nos de estar em sintonia com nosso desejo sexual ou com a percepção que temos de nós mesmos em se tratando das performances de gênero; fazendo-nos introjetar, desde crianças, um ódio mais ou menos inconsciente de nós mesmos e, portanto, uma desidentificação com aqueles que são como nós.
A homofobia se manifesta na forma do insulto e/ou violência física por parte de pessoas heterossexuais e cisgêneros contra nós LGBTs, mas também na vergonha de si cultivada por muitos homossexuais e transgêneros, em muitos casos até mesmo depois da inevitável "saída do armário".
A homofobia também se manifesta no silenciamento e na difamação de suas vítimas e/ou de quem luta contra ela. 
E, por fim, expressa-se na tentativa de impedir, por meio de mentiras e fake news, a identificação de LGBTs como o movimento político de emancipação e igualdade. Só a saída do armário (assumir-se!), o orgulho de si, o conhecimento e a solidariedade entre nós podem nos salvar desse horror. 
Seja qual for a postura de Karol "Eller" -– se vai despertar ou se seguirá uivando com os lobos –- deixo aqui minha solidariedade a ela, a solidariedade que ela nunca teve em relação a mim nem a outras vítimas da homofobia alimentada pelo governo que ele ajudou a eleger. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

ESTADO MÍNIMO É SÓ PROS POBRES

Vi esta notícia semana passada. Inacreditável. Luciano Hang, que infelizmente é conhecido no Brasil todo como "véio da Havan" 
(apesar de ter apenas 57 anos, a idade do Tom Cruise), perdeu na primeira instância um processo contra a TVT. 
A emissora exibiu uma reportagem que, além de citar Hang, também mencionava outros reaças como Flávio Rocha (dono da Riachuelo) e o governador de SP João Dória (PSDB) como empresários que cresceram graças à ajuda de empréstimos do BNDES. 
Hang odeia o PT e a esquerda em geral, mas foi justamente durante os governos do PT que suas lojas cafonas com a estátua da liberdade na frente tiveram sua maior expansão. Entre 2005 e 2014, Hang conseguiu 50 empréstimos do BNDES. Com isso, ele abriu quase 100 lojas em 13 estados. Uma reportagem do jornal Extra Classe passou essas informações, com base em planilhas, e foi processada por Hang. Ele já perdeu na primeira e segunda instâncias. 
Hang, conhecido também por sonegar impostos (foi condenado em 2003 por não pagar entre 1992 a 1999 contribuições previdenciárias do salário de seus funcionários, aqueles que ele obrigou a votar em Bolso), deve R$ 168 milhões para a Receita Federal e o INSS, mas conseguiu financiamento. Terá 115 anos para quitar sua dívida. Quando você fica endividado, é isso que acontece?
O juiz que julgou improcedente a ação contra a TVT alegou que não é ofensivo dizer que Hang e outros empresários usaram recursos (públicos) do BNDES, já que a intenção era "demonstrar a contradição entre o discurso de Estado mínimo e o uso de crédito proveniente de instituição bancária estatal". 
Pois é. Por isso que eu incluí o cartum aí em cima. Os empresários que repudiam o Estado e pedem Estado Mínimo não querem Estado Mínimo pra eles. Só pros pobres. 
Hang gosta da publicidade (positiva) que ganha entre bolsominions por ser um palhaço que traja ternos verde-bandeira, mas tenta censurar qualquer notícia negativa. 
Isso porque tem ambições de se candidatar a um cargo executivo. Ano passado, pensou em ser governador de Santa Catarina. Um dia ele chega lá. 
Duas notícias relacionadas: faz anos que a direita mente que os governos petistas usaram o BNDES para financiar obras em Cuba, Venezuela e Angola, mas basta ver qualquer lista para constatar que o maior beneficiário dos empréstimos (grande parte é para exportação de produtos) foi para os Estados Unidos. Nada menos que 44% dos empréstimos entre 1998 e 2018 foram destinados aos EUA. 
Tem um vídeo imperdível (de 2015) circulando que mostra a reação da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) ao se deparar com uma loja da Havan pela primeira vez, em Uberaba. Ela não aparece no vídeo, mas a voz é dela, e o cara que grava o vídeo (e promete que irão tirar as estátuas da liberdade da frente das lojas) diz que estão com Carla. Com a divulgação recente do vídeo, ela explicou que "caiu em fake news" mas que está tudo bem, porque já conversou com o Hang (tranquilo acusar filha de presidenta de lavagem de dinheiro!). 
A hoje deputada diz coisas muito interessantes no vídeo: que a Havan é da Paulinha, filha da Dilma ("fico impressionada como os filhos de presidentes do Brasil são milionários", diz ela -- a gente também fica, Carla!), que a loja tem um símbolo que lembra Cuba, por isso se chama Havan, de Havana, com a estátua da liberdade do lado ("quer chamar a gente de idiota, não é?"). Termina dizendo: "Olha pra onde está indo o seu dinheiro, ó meu amigo. Lavagem de dinheiro, simples assim!"