sexta-feira, 26 de junho de 2015

PRESSÃO PARA QUE O ENSINO DOMICILIAR (HOMESCHOOLING) SEJA APROVADO

Um assunto sobre o qual só comecei a ter opinião formada recentemente: ensino escolar, ou homeschooling. Hoje concordo com os argumentos contra, mas nunca publiquei nada sobre o tema aqui no blog. 
Felizmente, uma pessoa que muito admiro, a Valéria, que é professora e tem um blog ótimo há anos, me brindou com este guest post.

O Ensino Domiciliar deve ser aprovado pelo STF, afinal, há forte pressão para isso. Será mais uma forma de desonerar o Estado (menos crianças e adolescentes nas escolas sempre é bom, não é?) e algumas famílias. Existem dois tipos básicos de ensino domiciliar inspirados nos EUA, o homeschooling dos conservadores, que alegam questões morais e religiosas para rejeitar as escolas tradicionais, e o unschooling dos moderninhos, que questionam o modelo escolar e o currículo engessado. O primeiro parece ter mais adeptos, mas o segundo tem aparecido na mídia ultimamente. 
Para além de qualquer benefício, e quase sempre há benefícios em qualquer coisa, eu vejo a atitude como uma tentativa de isolar as crianças do convívio com outras que não sejam estritamente selecionadas pelos pais. 
A escola, seja boa ou ruim, nos obriga a conviver com a diversidade, dividir, entender que não somos o centro do mundo. Tenho uma filha de 1 ano e 8 meses, não poderia mantê-la em casa, não há avós por perto, mas optei pela creche -– depois de visitar várias -– pensando principalmente na socialização. 
Quem opta pelo ensino domiciliar normalmente não vê a socialização como importante e alimenta uma total descrença de que o ambiente escolar é importante para que valores sejam construídos sem a chancela integral dos pais, que ela serve para construir uma ideia de coletividade, de nacionalidade mesmo. Eu quero que minha menina possa crescer vendo que o mundo, as famílias, as pessoas, as crenças são plurais, ainda que nós, aqui em casa, passemos diretrizes básicas de certo e errado.
Obviamente, também questiono a competência de pais -– mães em sua maioria, porque ensino domiciliar é outra estratégia para colocar as mulheres (de classe média para cima) dentro do lar -– em lecionar e lecionar TODOS os componentes curriculares. Ser professor, e eu sou professora, parece que não é profissão, que não exige anos de formação e vocação. Lecionar não é, simplesmente, estudar um ou vários livros (didáticos) ou usar a internet como suporte. Fora, claro, que é muita presunção querer ser mestre em tudo. Talvez alguém consiga se sair muito bem com os conteúdos de 1º até o 5º ano, mas daí adiante é forçar a barra.
Eu sou professora de História, sei que poderia lecionar com segurança Sociologia, e quebrar o galho em Geografia, Artes, mas tenho certeza de que não poderia lecionar Física, Química, Matemática, ou mesmo Português com propriedade. Dizer que posso, assumir que posso, me parece grande desrespeito com meus colegas. No entanto, vejo muitos outros profissionais defensores do ensino domiciliar dizendo que podem. Inclusive, segundo a matéria, selecionando os conteúdos relevantes dos que não são...
De resto, depois do caso Duggar -– da família gigantesca do programa da TLC 19 Kids and Counting -–, vejo o ensino domiciliar como uma forma de colocar a criança sob risco de abuso. Resumindo o caso, o filho mais velho da família de 19 crianças abusou de meninas mais novas, suas irmãs inclusive, por anos. 
O caso foi mantido em segredo; o adolescente não recebeu tratamento adequado, tudo ficou entre a casa e a igreja, e as vítimas, bem, elas nem são assim tão importantes. Os conservadores nos EUA estavam desesperados com essa história até que apareceu o caso Rachel Dolezal para desviar a atenção da imprensa de lá... 
Deixo aqui também as matérias de Marcella Fernandes para o Correio Braziliense, publicadas em 23/6/15:
STF DECIDE SOBRE ENSINO DOMICILIAR
Cresce o número de famílias que optam por educar os filhos em casa. Modelo não é reconhecido pelo governo federal. Especialistas são contra.
Apesar de adotado por milhares de famílias brasileiras, não há unanimidade se o ensino domiciliar é legal ou não no país. Com o objetivo de dar uma palavra final sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu neste mês que vai deliberar sobre a questão, mas ainda há previsão de data para o julgamento. Cerca de 2.500 famílias adotam esse modelo de ensino, de acordo com a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned). A estimativa é que o montante seja ainda maior, uma vez que diversas pessoas preferem o anonimato, por medo de condenações.
A filósofa Camila Abadie, 33 anos, e o contador Gustavo Abadie, 33, escolheram, há três anos, ensinar os três filhos em casa, após uma experiência negativa de Chloe, hoje com nove anos, em uma escola pública no Rio Grande do Sul. Eles se queixam tanto da qualidade do ensino quanto da concepção pedagógica empregada. “Aquele que decide estudar em casa não é contra a escola. É contra a escola ruim. Eu consigo fazer melhor e educar meus filhos respeitando o ritmo deles e dando uma educação mais consistente”, defende o pai.
“Eu fui na página do Ministério da Educação, baixei os parâmetros curriculares, tirei o que achei supérfluo, consultei escolas e fomos construindo nossos parâmetros ideais de educação”, conta Gustavo. A família se mudou para o interior do estado para ficar mais próxima de outras com o mesmo estilo de vida, e Gustavo passou a trabalhar em casa. Desde 2012, é possível obter um comprovante de conclusão por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Autonomia
De acordo com a Aned, o ensino domiciliar é adotado em mais de 60 países e tem crescido no Brasil. Para Ricardo Iêne, cofundador da Aned, a tendência é de que o processo de aprendizagem se torne cada vez mais independente. “Depois de algum tempo, a criança ou adolescente vai ganhando autonomia no processo, e a supervisão dos pais vai diminuindo”, explica.
Foi essa uma das motivações da arquiteta Emília Lourenço, de 35 anos, ao tirar a filha Clarissa, 5, da escola, há dois anos, devido a dificuldades de adaptação. “Todos os dias ela estuda um pouquinho, isso ajuda muito a estabelecer uma rotina e se tornar autodidata, porque, com o tempo, a tendência é a criança começar a estudar por si só os assuntos de maior interesse”, diz Emília. 
Clarissa faz natação e tem aulas particulares de português, matemática e inglês. Já com a mãe, o aprendizado acontece em todo lugar. “Quando a gente vai ao parque, eu aproveito para trabalhar ciências, mostrando coisas do dia, como a formiga, os hábitos dela, para onde leva a folhinha que cortou. Procuro não ficar só na teoria”, conta Emília. Ela defende a regulamentação do ensino domiciliar, incluindo supervisão periódica por órgãos estatais.
Regulamentação
Esse é um dos aspectos previstos em um projeto de lei sobre o tema que aguarda parecer da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Como outras propostas similares já foram arquivadas pelo Congresso, é possível que a resposta venha do Judiciário. Para o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso no STF, o tema é de interesse coletivo. “A controvérsia envolve a definição dos contornos da relação entre Estado e família na educação das crianças e adolescentes, bem como os limites da autonomia privada contra imposições estatais”, observou em um dos documentos do processo.
O Ministério da Educação (MEC) é contra a proposta e reforça que “não há normativa que ampare esse tipo de ensino”. A Lei de Diretrizes Básica diz que é “dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula de crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade”. Já o Código Penal prevê detenção de quinze dias a um mês ou multa para quem “deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar”.
“A controvérsia envolve a definição dos contornos da relação entre Estado e família na educação de crianças e adolescentes, bem como os limites da autonomia privada contra imposições estatais” - Luís Roberto Barroso, ministro do STF.
EDUCADORES VEEM PREJUÍZO
Para a maioria dos especialistas em educação, o ensino domiciliar não é uma opção adequada, devido a limitações tanto no aprendizado de conteúdos quanto na formação social  dos cidadãos. “Quando as crianças vão para a escola, são obrigadas a conviver com pessoas com valores e crenças diferentes, conhecer novas realidades, e isso é um ganho cultural necessário para aprender a respeitar, tolerar e valorizar as diferenças”, explica a pedagoga especialista em psicologia educacional Livia Maria Ferreira da Silva, da Unicamp.
Sem essa vivência, podem surgir adultos com dificuldades de comunicação, negociação e empatia, segundo a pedagoga. “Acho muito difícil uma família conseguir ensinar todos os conteúdos que a escola ensina de forma competente. Ela não trabalha só a informação, mas a crítica, o debate”, completa. O professor Carlos Roberto Jamil Cury, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, lembra que em 2002 o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou contrário à questão e não aposta numa regulamentação. “Do ponto de vista legal, não há esta opção. Quem adere a tal iniciativa pratica a desobediência civil”, defende.
Ele acredita que o perfil religioso de grande parte das famílias adeptas do ensino familiar pode ter uma relação com a opção de evitar a convivência escolar. “Muitas orientações religiosas têm dificuldade em conviver com certas diferenças identitárias”, afirma. A proporção expressiva de cristãos se deve à difusão da prática no país por meio de líderes religiosos. O mesmo processo aconteceu nos Estados Unidos, país referência no assunto que conta hoje com mais de 2 milhões de crianças educadas em casa, de acordo com as estimativas.
“Quando as crianças vão para a escola, são obrigadas a conviver com pessoas com valores e crenças diferentes, conhecer novas realidades, e isso é um ganho cultural necessário para aprender a respeitar, tolerar e valorizar as diferenças” - Livia Maria Ferreira da Silva, pedagoga.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

GUEST POST: ENTRE ÁSIA E EUROPA, VOLTEI AO VERÃO DE 1415

Mês passado a mestranda em Literatura Rachel esteve na Geórgia, e o que viu não foi bonito:

Acumulei um mês de experiências em um país exótico, de paisagens deslumbrantes, que esteve em todas as manchetes do país na última semana. Quando cheguei, não sabia que a forma como as pessoas se relacionam era tão selvagem como o fato de animais andarem pela rua da capital após uma devastadora enchente. 
Em um país de maioria ortodoxa, as mulheres têm os lábios selados quando estão em público. Mesmo com diplomas e carreiras promissoras, falar sobre relacionamentos, sexo e liberdade ainda são tabus nesta sociedade. Após uma palestra que ministrei em uma universidade na capital do país sobre os direitos das mulheres no Brasil, um espaço para debate foi aberto com as locais e também com estrangeiras que participaram da conferência. 
Mulheres de uma família em Tbilisi
Os casos eram absurdos, mas tratados com uma naturalidade incrível em um grupo feito apenas por mulheres, já que, na ausência da figura patriarcal, elas se sentiam menos tímidas em contar experiências que passavam, simplesmente pelo fato de serem mulheres em uma ex-república soviética com uma influência religiosa acima de qualquer coisa. 
Turistas inglesas visitam igreja
Kashveti em Tbilisi, capital da Geórgia
Para começar, devemos ter algumas coisas pontuadas: 1) a tradição em casar-se virgem ainda tem força no país; 2) mulheres são ensinadas a não falarem sobre sexo e permanecerem totalmente submissas em seus relacionamentos; 3) o “rapto de noivas” ainda era uma prática muito comum nos últimos vinte anos; 4) após a iniciação sexual, é recomendado que as mulheres permaneçam com seus parceiros durante toda a vida, negligenciando qualquer tipo de relacionamento abusivo ou infeliz. 
"Qual a diferença entre venerar mulheres
por serem 'comíveis' e colocá-las num
pedestal de pureza? Em ambos os casos,
o valor das mulheres é baseado na sua
habilidade em agradar homens e de
formar sua identidade sexual em torno
do que querem os homens"
Com todos estes pontos muito bem explicados pela bancada mista entre locais e estrangeiras, notei uma tendência que afetava especialmente a segunda parte das ouvintes: nós, estrangeiras, éramos tratadas como produtos baratos e alvos de sexo fácil, por virmos de países com uma liberdade sexual muito maior e com tabus quebrados há tempos. Foi nesta conversa que ouvi pela primeira vez o termo “Madonna-whore Complex”, que é algo que acomete grande parte da população masculina local. 
"Se você não fez sexo, você é moralista.
Se já fez, é uma vadia. É uma
armadilha", diz Ally no clássico
Clube dos Cinco, de 1985
Para os menos entendidos, o fenômeno do “Madonna-whore Complex” pode ser explicado pelo desenvolvimento psicológico de homens que veem dois tipos de mulheres: aquelas prometidas, virgens, futuras esposas, em sua maioria locais, são as Madonnas [não a pop star, mas a mãe de Jesus], as quais são podem ser maculadas e muito menos sexualmente desejadas. As prostitutas são as “outras”, estrangeiras que chegam ao país com um “apelo sexual” incontestável e a liberdade de se entregarem por não terem amarras com tradições culturais e/ou religiosas. 
Mar de Tbilisi, grande lago artificial a
20 minutos de carro do centro da
capital do país
Para ser clara, os homens deste país acham completamente comum terem parceiras fixas e se aventurarem com as outras, para satisfação sexual. Localmente falando, os relacionamentos íntimos entre os casais locais são de péssima qualidade; as mulheres não têm muita educação formal e não possuem voz sobre seus desejos e interesses. Enquanto isso, os homens enfrentam problemas sexuais e o número de tratamentos para diversas “dificuldades” na vida a dois está aumentando gradativamente. 
A desculpa geralmente dada pelos homens locais é a de que se encontram em um “relacionamento aberto”, o que é claramente um artifício para atraírem mulheres que, mesmo pertencendo a culturas mais liberais, gostariam de firmar um relacionamento sério. 
Quando nos voltamos às mulheres, a questão levantada é a de que ou elas não sabem sobre esses relacionamentos abertos (elas não podem ter contato com outros homens, já que isso as deixaria maculadas), ou elas vivem um silêncio forçado por saberem o que seus parceiros fazem, mas não podem se expressar por medo de sofrerem violência ou rejeição por parte da comunidade (uma mulher em um casamento -– a qual não é mais virgem -– não pode voltar à sociedade como solteira, pois se tornara impura). 
Moças aproveitam o verão
Com isso, os relacionamentos se tornam cada vez mais abusivos entre os locais, e as estrangeiras sofrem com o estigma de serem “prostitutas” em um país livre. Para mudar a mentalidade de um país com tradições tão severas, são necessárias décadas de educação, que ensinem aos homens que mulheres não são posses ou objetos sexuais. É necessário também que seja dada voz às mulheres, que tentam se modernizar em uma terra que parece ter saído do período medieval, mesmo com os ares da globalização batendo à porta. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

QUE PERIGO PRA HUMANIDADE UMA MULHER DE TPM

Muitos e muitos anos atrás, quando eu vivia em Joinville, o governo local fez um grande congresso de educação. Fui ver algumas palestras porque estava cursando Pedagogia e porque a escola de inglês onde eu era coordenadora acadêmica tinha alugado um stand lá.
Eu me lembro de várias coisas desse congresso da década de 90. Lembro que só havia homem palestrando, por exemplo, o que era bizarro, já que 90% do público era feminino. Lembro que Pedro Bial era um dos palestrantes, o que não deixava de ser bizarro. Lembro que o barulho no pavilhão era ensurdecedor quando ele passava, tamanho era o berro das professoras-fãs (e isso foi antes de qualquer BBB). 
Lembro de um outro cara que fez um dos discursos mais reaças que já vi na vida, falando pra gente se afastar de pessoas negativas que, por exemplo, faziam protestos exigindo aumento de salário. Ele também disse que não havia provas de que os colonizadores realmente haviam matado índios no Brasil. Terminou mostrando um vídeo de sapateado irlandês (tipo este) pra provar como todo mundo deveria trabalhar junto sem reclamar. Foi aplaudido de pé.
E lembro de um educador (não faço ideia do nome hoje) que, falando pra um público só de mulheres, disse que os hormônios eram responsáveis pela nossa enorme instabilidade. Por isso que as mulheres tinham tantos dias ruins. Ele usou uma famosa letra de ópera pra validar seu conhecimento científico: La donna è mobile. Pelo jeito ele não conhecia a música, porque quem é inconstante na ópera de Verdi é o duque playboy. 
Mas, enfim, segundo o educador a gente era assim, doidinha, não confiável, não porque queria, mas porque a natureza quis assim. Não era nossa culpa. E o cara não falou brincando. Ele não estava sendo irônico, não falou rindo. Foi sério mesmo.
Toda vez que acontece um desses massacres armados nos EUA eu lembro dessa fala do cara dizendo que la donna è mobile. Porque a gente é tão desequilibrada mentalmente que sai por aí matando gente. Ainda mais quando estamos "naqueles dias". 
Eu penso também como tratamos todos esses caras que cometem massacres, todos esses serial killers, como exceções, psicopatas, doentes. Eles não representam o sexo masculino. Mas uma mulher com TPM (que nunca matou ninguém) representa todas as mulheres. Vivemos numa sociedade em que praticamente todos os serial killers são homens, todos os que cometem massacres são homens, mas que considera que quem tem um parafuso a menos mesmo é a mulher.
Dois terços das vítimas do massacre de Charleston pertencem ao gênero que nunca conduziu um massacre, disse o cineasta Michael Moore em seu Twitter. 
Mas não é nossa culpa, né? É natural. 
Quando eu ficava menstruada (agora está cada vez mais raro), eu só tinha TPM de vez em quando. E, obviamente, eu não saía por aí espancando pessoas ou atirando nelas. Mas eu ficava mais sensível. Por exemplo, se eu chorasse no mês (tirando vendo filmes, porque aí é sempre um dilúvio), calhava de ser em algum dos dias que antecediam a menstruação. Isso nunca me prejudicou em nenhum trabalho. E eu não assumo que a minha situação seja universal de todas as mulheres. Aliás, tem pesquisas dizendo que TPM é mito machista.
Semana passada, um tal de Rafael Cortez (never heard) protagonizou um inesquecível momento de vergonha alheia. Ao entrevistar para o CQC atrizes da série Orange is the New Black, fez várias perguntas machistas. Uma delas foi: "É difícil atuar principalmente 'naqueles dias'? Naqueles dias que vocês ficam mais bravas, mais furiosas...". As atrizes se irritaram com a pergunta. Deviam estar naqueles dias, decerto.
Rafael, que não parece ter dias específicos no mês para ser babaca, culpou o fracasso da entrevista no seu inglês: "Meu inglês é ruim, estudei em escola estadual". Ele justificou que a pergunta que queria ter feito era: "Como é trabalhar muita mulher junta? Não rola uns stress naqueles dias?"
Ou seja, a mesmíssima porcaria que ele perguntou. Mas, novamente, ele se desviou da culpa: "Não fui eu que inventei isso [piadinhas com TPM]. É uma convenção, praticamente uma piada de domínio público". 
Sem dúvida, é uma convenção de humoristas preguiçosos e sem criatividade serem machistas. Mas TPM é um discurso muito bem aceito pela sociedade. Mulheres falam "daqueles dias" com extrema naturalidade, como se virássemos bichos. 

Escrevo isso porque ontem a Dani me mandou uma postagem de uma página no FB. 
Era de uma moça que foi almoçar num restaurante, o Zapata, no Centro Cívico de Curitiba, e só reparou na toalha de mesa quando tiraram seus pratos. A toalha dizia "Para aliviar a TPM peça uma sobremesa". Ela chamou o gerente e manifestou seu descontentamento, mas não sabe se estava sendo radical demais.
Então, gente, estava? Sempre achei divertidos esses cartuns sobre TPM, mesmo sabendo o quanto são exagerados. Mas, por outro lado, não esqueci do pedagogo com seu ar blasé e autoritário usando "La donna è mobile" pra explicar por que metade da população mundial não é de confiança.