domingo, 24 de fevereiro de 2013

GUEST POST: FEMINISTAS PROTESTAM NO JULGAMENTO DO NEW HIT

Esta semana que passou, como muitxs de vocês sabem, começou o julgamento dos integrantes da banda New Hit.
No dia 26 de agosto de 2012, na cidade de Ruy Barbosa, na Bahia, duas adolescentes foram estupradas por nove homens integrantes da New Hit, dentro do ônibus do grupo. As meninas se dirigiram ao veículo para pedir autógrafos e parabenizar um dos integrantes, que fazia aniversário. Lá, foram violentadas de forma brutal, com a conivência e também violência de um policial militar. 
Entre os dias 18 e 20 de fevereiro, também em Ruy Barbosa, aconteceu a primeira audiência de instrução. É o momento em que a juíza ouve vítimas, testemunhas, defesa e acusação. Como não foi crime contra a vida, os estupradores não vão a Júri Popular, são julgados pela própria juíza a partir dos materiais colhidos na audiência de instrução.
O julgamento começou, mas está longe de ser concluído. Foi adiado para setembro. E, por mais vergonhoso que possa parecer, a banda continuará fazendo shows pelo nordeste. Sim, eles estão faturando alto em cima da fama que conseguiram. A repercussão foi ótima pra eles. O estupro compensa -- é a mensagem que está sendo passada pela lerdeza da Justiça e o habeas corpus para que respondam em liberdade. Por isso é fundamental que haja protestos e boicotes aos patrocinadores em cada cidade que a banda for se apresentar. Todo o nosso apoio nas redes sociais é essencial.
Houve muitos protestos em frente ao fórum esta semana. Pedi a essas feministas, essas minhas heroínas incansáveis, que escrevessem um guest post contando como foi estar lá, lutando contra os estupradores, dando força pras vítimas. Maíra Guedes, 26 anos, professora e integrante da Marcha Mundial das Mulheres, na Bahia, atendeu o meu pedido.
Só queria dizer, antes de lhe passar a palavra, que tenho muito orgulho de vocês. Parabéns a todas essas meninas lindas, que tão bem representam o feminismo. Eu me sinto um pouquinho aí em Ruy Barbosa através de vocês. Obrigada pela luta! 

  
Depois de quatro dias em Ruy Barbosa, voltamos para nossas casas. Mulheres vindas de diferentes lugares da Bahia: Salvador, Feira de Santana, Itabuna, Cruz das Almas, Cachoeira, Vitória da Conquista, Juazeiro... Todas com os olhos vibrantes, olhando umas para as outras com muita admiração, carinho e força. Seguiremos construindo ações em torno do caso New Hit. Firmamos um compromisso coletivo e não deixaremos que o caso caia no esquecimento, sabemos que é necessária a ação.
Chegamos em Rui Barbosa no dia 17, domingo, as 16h. Não imaginávamos como seria a recepção das moradoras e moradores da cidade. Assim que descemos do ônibus, colocamos nossas mochilas na escola municipal que ficamos alojadas, fomos pedir informações nas casas vizinhas. As moradoras saíram à porta e colocaram tudo a nossa disposição: panelas, chuveiros, gritos e punhos.
A decisão de ir a Ruy Barbosa foi tomada em outubro de 2012, quando o desembargador Lourival Trindade concedeu o habeas corpus aos nove integrantes da Banda New Hit e ao policial militar que foi conivente com a violência sofrida pelas duas adolescentes. Decidimos realizar um escracho feminista, inspiradas nas ações recentes realizadas no Chile, Argentina e Brasil para escrachar torturadores da ditadura militar. No caso dos escrachos contra torturadores da ditadura a palavra de ordem é: “Aqui mora um torturador” Em nosso caso, fomos até a casa de veraneio de Eduardo Martins, estuprador e vocalista da banda, e dissemos: “Aqui mora um estuprador!” Afirmamos que “Enquanto não houver justiça, haverá escracho feminista!”.
A possibilidade de mais uma vez os estupradores permanecerem livres e as vítimas encarceradas nos fez questionar, na ação, algumas questões: por que apenas 2% dos agressores de mulheres são condenados num país em que a cada 3 minutos uma mulher é violentada e que nos últimos 10 anos 43,7 mil mulheres foram assassinadas? Por que quando mulheres apanham, são estupradas, queimadas por homens, inúmeras são as justificativas aceitas pelo Estado de Direito Brasileiro para não condenar agressores e assassinos de mulheres? “Ela mereceu. Ela reagiu. Ela consentiu.” O caso New Hit traz mais uma vez à tona a discussão da conveniente culpabilização da vítima pela violência sofrida, da naturalização do estupro e das formas de prevenir e combater a violência contra a mulher.
Durante os quatro dias que ficamos em Rui Barbosa realizamos ações por toda a cidade.  Todo dia tinha operação lambe-lambe, teatro, batucada, música e debates. Fizemos formação política auto-organizada com diversos temas, teve análise de conjuntura, desafios do projeto feminista e popular, debate sobre violência contra a mulher, sobre política de encarceramento, sobre políticas públicas e racismo.
Nos utilizamos de linguagens diferentes para exigir a condenação dos estupradores. E a cada ação mais mulheres juntavam-se a nós e mais fortes ficávamos. Caminhando na rua encontrávamos também com os defensores dos estupradores, entre eles o empresário e produtor da banda, Sacramento, que num dos dias passou de carro por nós, soltou um beijo e disse: “Senta na minha pick-up!” Isso só fez aumentar nossa raiva e revolta. O argumento “elas entraram no ônibus porque quiseram, sabiam o que iria acontecer”, foi um dos que mais enfrentamos com a síntese: “Isso não é  sobre sexo, é sobre violência. Estupro é crime. A culpa nunca é da mulher.”
Na segunda-feira, dia 18, já em frente ao fórum, quando gritávamos palavras de ordem com punhos cerrados, uma senhora me disse: “Minha filha, pra que tanta raiva desses meninos? Eles erraram, mas são meninos bons.” Eu sorri e respondi: “Não minha senhora, eles não são meninos bons. Nove homens estupraram duas meninas. O que elas viveram foi uma sessão de tortura. Enquanto uma delas era penetrada à força, ao mesmo tempo era segurada por outro que se masturbava e tentava colocar o pênis na boca dela. Ela recebia tapas no rosto e na bunda. Sangrava. No mesmo momento, a outra menina era violentada no banheiro em alternância.” A senhora ficou em choque. Pediu que eu parasse. Eu olhava no olho dela sem piscar. E disse: “Minha senhora, isso é amor pela vida das mulheres, amor pela humanidade. Nossa luta é por justiça”. Ela ficou atônita.
Algum tempo depois os estupradores chegaram e de imediato, guiadas pela indignação, furamos o bloqueio policial e fomos pra cima deles. Nesse momento a força que explodia em nossas vozes e corpos fez com que 2, 3, até 4 policiais fossem necessários para segurar cada uma de nós. Quando fomos arrastadas de volta ao limite estabelecido pela juíza, a senhora que antes havia dito que os estupradores eram meninos bons, me ofereceu água com os olhos marejados e com a voz baixa agradeceu por fazê-la sentir viva.
Outro momento forte aconteceu depois da cena sobre estupro que fizemos em frente ao fórum. Foi quando uma fã do New Hit entrou em nossa ciranda. A amiga dela falou “Oxe! Sai dai!”, e ela respondeu “Eu não. Vou ficar aqui com as meninas.” O riso tomou conta. Cada mulher que conquistávamos era uma vitória. E todo dia a roda crescia.
Outro momento de muita beleza foi quando recebemos a carta das vítimas:

“Ei Meninas,
Como vocês sabem esses últimos seis meses não foram fáceis pra nós. Por causa da nossa coragem tivemos que abrir mão de muita coisa. Estamos longe da nossa família, de amigos e sem meios de comunicação.
Então aproveitei a oportunidade para agradecer a cada uma de vocês que saíram de suas cidades, de suas casas para vir até Ruy Barbosa nos dar força, mostrar que não estamos sozinhas e que temos que seguir esta batalha. Em vários momentos eu cheguei a mim (sic) culpar, a desisti de tudo. Mas sempre lembramos que não estamos sozinhas. Temos todas vocês nos apoiando e lutando junto com a gente (...)”.
Pulsávamos força, certeza, fogo e afago.
Vivemos um momento na conjuntura da vida das mulheres em que a classe dominante patriarcal tenta consolidar a ideia de que a igualdade já foi alcançada e a luta feminista não é mais necessária. Essa ideia tenta ser difundida principalmente nos países que, por exemplo, possuem mulheres na presidência, ou em outros cargos importantes do Estado.
Porém, os dados relativos aos índices de violência às mulheres da classe trabalhadora são alarmantes. O que aconteceu em Rui Barbosa acontece todos os dias. É preciso estar em luta todos os dias. A  conivência com a violência contra a mulher não está dissociada da forma como a sociedade se estrutura. Reagir é organizar-se em torno de um projeto de sociedade que garanta nossos direitos sociais, entre eles saúde, educação, reforma agrária... Para nós é preciso mudar a vida das mulheres para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a vida das mulheres.
Não podemos permitir a naturalização de atrocidades como essa cometida pelos integrantes da banda New Hit, de tamanha barbaridade e crueldade, fundamentadas no machismo que subordina, oprime e assassina milhões de mulheres. É preciso reagir de forma coletiva. É preciso ser Mulheres.
Uma das coisas mais importantes que aprendemos com a luta feminista é a solidariedade entre as mulheres. É revigorante a todo momento olhar para os lados e enxergar companheiras. É preciso que nossos corpos se tornem as armas contra o machismo, que nossa voz junte-se a outras tantas vozes. “Se antes éramos carne, é hora de ser a navalha”. Enquanto não houver justiça, haverá escracho feminista.
À ação,  mulheres! Sejamos nós raio, trovão e ventania. Porque sem feministas, não há feminismo!

Eu tô na rua, é pra lutar,
por um Projeto Feminista e Popular!

TODAS AS TABELAS DOS BOLÕES DO OSCAR 2013

A única certeza de hoje. Ou no mínimo a maior

Queridas pessoas do meu Brasil, apresento-lhes as tabelas do bolão do Oscar que o Júlio César tão amigavelmente organizou. 
Quem participou do bolão recebeu essas tabelas por email. Mas quem não participou também pode ver e acompanhar as apostas. Aqui está o link pra quem quiser imprimir a tabela do bolão pago. E eis a planilha no Excel pro mesmo bolão pago.
Quanto ao bolão grátis pra impressão, ele ficou tão grande que o Julio teve que dividi-lo em duas partes: uma aqui e outra aqui. Já a planilha pra todas as apostas do bolão não pago vocês encontram aqui.
Ficou imensa porque batemos todos os recordes de participação. Este ano foram 299 participantes no bolão não pago! Só pra efeito de comparação, ano passado foram 175; em 2011, 190; e em 2010, 105. Mas quase 300 é gente que não acaba mais, e por isso preciso contar com a ajuda de vcs pra marcar essas tabelas, porque eu, maridão e Julio certamente não daremos conta disso sozinhos.
Aliás, era pra ter um pouquinho mais de gente. É que seis pessoas apostaram no bolão pago mas... não pagaram! O certo seria transferir essa gente pro bolão grátis, mas infelizmente o Julio se esqueceu e deletou as apostas quando fechou o bolão pago. Desculpa, gente! Mas vocês também podiam ter apostado no lugar certo logo de cara, né? Mas não fiquem bravos que ano que vem tem mais! 
No bolão pago vocês costumam ser todos uns pão duros miseráveis com escorpião no bolso, e raramente são mais que quinze que têm coragem de pagar pra ver. Agora foram quinze, mas o André, um dos primeiros a pagar, não fez a aposta, então está fora. Logo, são quatorze participantes, o que dá R$ 210.
Com quase 300 participantes no bolão não pago contra 14 no pago, é previsível que alguém do não pago acerte mais que alguém no pago. Espero que essa(s) pessoa(s) se arrependam muito de serem muquiranas! Pô, gente, imagine só se todxs os quase 300 participantes do bolão grátis pagassem a mixaria de R$ 15? Seriam R$ 4.500, uma fortuna! (mas melhor não, poderia dar problema com meu imposto de renda).
Pelo que eu vi rapidinho das apostas, a maior unanimidade do bolão é a Anne Hathaway pra atriz coadjuvante. Daniel Day-Lewis pra ator, Spielberg pra diretor, Argo pra melhor filme, e Amor pra filme estrangeiro, também são as apostas da maioria. Logo, o que vai definir mesmo os vencedores do bolão, mais uma vez, serão as categorias menores, principalmente desenho animado (ninguém faz ideia de quem vai ganhar, não creio que haja favorita, está entre umas três animações), roteiros, trilha sonora, e as malditas categorias de som (em outras palavras: quantas estatuetas técnicas Aventuras de Pi levará?). A disputa pra atriz também pode ser decisiva.
Mas talvez a categoria mais imprevisível da noite (e que pode definir os vencedores do bolão) seja mesmo a de ator coadjuvante. Como todos os cinco indicados já têm um Oscar, o fator "ele ainda não tem, tadinho" é descartado. E pode colocar todos os cinco em igualdade de condições. Ou melhor, os quatro, pois eu descartaria de cara o Alan Arkin. Não que ele não seja um excelente ator (lembram dele como o avô de Pequena Miss Sunshine?); é só que seu papel em Argo é minúsculo. Aliás, até agora não dá pra entender como deixaram o Leonardo Di Caprio (Django) ou o Javier Bardem (Skyfall) de fora.
Eu acabei chutando no Tommy Lee Jones (Lincoln) no bolão pago, e no Robert De Niro no não pago (minhas apostas estão completamente diferentes nos dois bolões; assim, corro o risco de ir mal em ambos). O Oscar do Jones é de 1994 (por O Fugitivo), e ele tem as melhores falas do chatérrimo Lincoln. Mas De Niro faz um cara com alguns problemas (mentais?) em O Lado Bom da Vida, o que sempre ganha pontos entre os votantes, e seu último Oscar é de 1981 (Touro Indomável). 
Christoph Waltz está fabuloso em Django (pra mim, a melhor coisa do filme), e seu papel é quase de protagonista. Portanto, suas chances também são enormes. Mas ele ganhou há pouco tempo por um filme também do Tarantino, então talvez o pessoal considere repetitivo.
A melhor performance nessa disputa, na minha opinião, é a do Philip Seymour Hoffman por O Mestre, e creio que ele também tem boas chances. Só não apostei no ator vencedor por Capote em 2006 porque todos os outros quatro concorrentes vem de produções indicadas a melhor filme, e O Mestre é mais querido pela crítica que pelo público.
Mas pode ser qualquer um menos o Arkin, viu? Eu já tô meio arrependida de ter escolhido ontem o Jones pro bolão pago. Se eu pudesse mudar, colocaria o Jones no bolão não pago e o De Niro no pago. 
Bom, pessoas, apareçam aqui hoje à noite pra gente acompanhar o bolão juntos. Ainda não sei em que link verei o Oscar (deem sugestões nos comentários), mas estarei por aqui. Espero que vocês também.
Aqui, todos os indicados nas vinte categorias que concorrem no bolão, só pra facilitar. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SELINHO SELA A REPUTAÇÃO DE UMA MOÇA

Da série "Grandes escândalos da humanidade"

Confesso que nem saberia dessa história se não fossem meus inimiguinhos mascus: só acompanho futebol durante a Copa, e, portanto, nunca tinha ouvido falar de Fred, atacante de algum time aí (Fluminense, eu chequei).
Bem, o que aconteceu é que esse jogador Fred estava dirigindo com dois amigos em Belo Horizonte (não sei quando –- já ouvi que o vídeo é do ano passado), e para num viaduto para falar com uma motoqueira. Pelo jeito, ela já o conhecia de algum show. Fred pede um beijo pra ela, e ela lhe dá um selinho que dura dois segundos. Depois, ele diz pra que o amigo apague o vídeo, porque ela tem namorado.
Só que o vídeo foi parar no YouTube e virou sucesso. Já tem mais de um milhão e meio de visualizações. E, meu, fez um monte de machinho ficar furioso.
Não dá pra negar que, apesar da nossa pretensa liberalidade no carnaval, apesar de contarmos com 7 mil km de belas praias que permitem que andemos com menos roupa, somos um país moralista e machista. A situação está mudando, pro desespero dos conservadores, mas está mudando devagarinho, pro nosso desespero. E esse moralismo vem como um tsunami toda vez que o comportamento de uma mulher é escrutinado em rede nacional.
Pouco depois do vídeo aparecer, uma amiga da motociclista disse que o namorado a perdoou pelo selinho. Os machistas só faltaram sair pra protestar nas ruas. Como que pode um namorado permitir que sua garota beije um outro cara? Ela tinha mais é que ser apedrejada em praça pública, e o corno manso a perdoou?! Mas esse mundo tá perdido mesmo!
Pra um exemplo básico de misoginia, a gente sempre pode confiar num mascu (clique para ampliar):
A ira dos machistóides vem de que as mulheres tenham direito de escolher os parceiros. E aí acabamos escolhendo qualquer um menos eles, esses sim, verdadeiros merecedores da nossa atenção. Mas nem sei se isso se aplica, porque, sabe, a gente tá falando de uma droga de um selinho.
O eterno machista Renato Gaúcho parece ter ficado com inveja da fama de pegador de Fred e disse que fazia coisa pior vinte anos atrás, quando era mais difícil pegar mulher. Ele conta já ter se relacionado com cinco mil mulheres. Hoje, segundo ele, as moças “estão se dando cada vez menos valor. É um problema. Na verdade, problema para as mulheres, não para os homens”.
Não, sério, tem que ser muito, muito otário pra falar algo assim. Se você transou com milhares de mulheres, e você obviamente mede a sua importância pelo número de parceiras que teve, o que você deve fazer? (  ) Comemorar que tem um monte de mina que quer transar com você, ou (  ) Criticar as moças que quiseram exatamente o que você quis (sexo)? Quem colocou na cabeça desse ser abjeto que ele se valoriza por ter transado com uma multidão, mas que as moças que transaram com ele se desvalorizam? Tipo, com quem ele iria transar se essas moças não tivessem querido? Como ficaria sua frágil autoestima se não fossem elas?
O próprio Fred não gostou da repercussão: “Eu já conhecia ela, é uma fã. Não concordei com quem publicou, e acho que isso desgasta a minha imagem e a dela. Eu tenho família, ela também tem. Fica chato isso tudo”.
Mas se tem uma coisa que a gente aprende rapidinho é que a repercussão é sempre muito, muito pior pra mulher. Fred já tinha fama de garanhão, uma fama que a maior parte dos homens mataria pra ter. 
Já a menina, uma anônima (não que isso faça grande diferença), de repente tem todo seu caráter julgado por um bando de desconhecidos... por causa de um selinho que deu. Sabe, selinho? Tipo, a Hebe dava selinho em todos seus convidados! Mas mesmo que a motoqueira tivesse transado com Fred, o que isso tem a ver com a vida dos outros? Ela seria a primeira pessoa a ter um caso extraconjugal? Quer dizer, extranamorial?
Ou fidelidade só vale pra mulheres? Homens podem ter um relacionamento fixo e sair com muitas por fora, porque, né, é a natureza deles, igualzinho a seus antepassados das cavernas. Mas mulher não, mulher tem que ser vigiada e punida sempre! (eu nem entendo bem porquê, já que as pessoas que têm essa mentalidade tacanha são as mesmas que creem que mulher nem gosta de sexo).
Com a vida virada de cabeça pra baixo, a moça está pensando em processar Fred pelo vídeo. Bom, essa era toda a prova que os misóginos aguardavam pra poder afimar que ela é uma prostituta mesmo! Só quer o dinheiro dele! (Antes não era sexo?). Ora, ela beijou porque quis, não foi obrigada! Então como pode quer processá-lo?
Nessas horas as pessoas comprovam que não conhecem absolutamente nada de leis. Assim, gente: ninguém pode divulgar um vídeo ou imagens suas sem a sua autorização. Qualquer pessoa que já tenha aparecido na TV sabe que uma das primeiras coisas que pedem pra você fazer é assinar um termo de cessão de direitos para o uso de imagem. Sabe essas pegadinhas que a gente vê? Antes d'elas irem ao ar, pode ter certeza de que a “vítima” autorizou a divulgação.
Só não sei se é o caso da motociclista processar o Fred ou o amigo dele que filmou a cena (com celular) e a divulgou. Mas minha solidariedade está com ela. É ela que vem sendo sumariamente condenada. Por um selinho!
Estou tentando fazer falsas simetrias pra ver como seria a repercussão se a situação fosse diferente, mas até pra isso tá difícil. Vamos imaginar que fosse um motoqueiro bonitão e anônimo, porém com namorada. E aí para ao lado da moto dele um carro com três mulheres. E a que está dirigindo é uma bela, sei lá, musa do vôlei, com fama de pegadora e... Ish, não dá pra continuar, né? Desde quando mulher é aplaudida por ser pegadora? Mulher é condenada por ser vadia, vagabunda, piranha, vaca, galinha, biscate (insira aí o seu insulto preferencial para controlar a sexualidade feminina).
E o melhor: pra ser chamada de vadia não precisa nem transar. Um selinho já sela a sua fama.
Bonus track: os mesmos carinhas chamando a moça de vagabunda são os que se perguntam “Putz, por que será que mulher não faz sexo casual? Só pode ser prova que mulher não gosta de sexo!”.
A inteligência definitivamente não é o forte dos machistas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CORAGEM, PESSOAS! ENTREM NO BOLÃO DO OSCAR

- A Lola vai ser derrotada mais uma vez no bolão! Raawwwwrrrr!

Pessoas queridas, último dia pra entrar no bolão do Oscar! Vocês devem ter ouvido falar que domingo à noite acontecerá aquela cerimônia meio chatinha, né? Pois bem, este ano parece que há poucos favoritos, então tem tudo pra ser mais emocionante. 
E perguntem a qualquer pessoa que já participou de um bolão como a festa se torna super emocionante com uma aposta em mãos.
Portanto, participem. Você pode entrar no bolão não pago (é só dar seus pitacos aqui), no bolão pago (aí, além dos chutes, você tem que transferir R$ 15 pra minha conta e me enviar um comprovante), ou dos dois, por que não?
Tem um trollzinho me mandando declarações de ódio e pensando que o dinheiro fica comigo. Fica com quem ganhar o bolão! Quem acertar o maior número de categorias (são vinte no total), leva. Se houver o mesmo número de acertos, é empate, e o prêmio é dividido. Claro que eu gostaria de ganhar e ficar com toda a bufunfa, mas, como sugeriu o Júlio com a legenda aí de cima, parece que não tenho muitas chances. Chuif.
Não vi até agora e acho que dificilmente verei Indomável Sonhadora, As Aventuras de Pi e Amor, porque posso passar mal de tanto chorar. Ordens médicas me proíbem de ver filmes com animais, crianças e velhinhos. E tem o lado ambiental também. Já quase dei perda total num cinema devido a alagamento. 
Vamulá, gente! O bolão se encerra hoje à meia noite. Não fiquem de fora! Vai ter bolo!