sexta-feira, 30 de novembro de 2001

A MULHER QUE AMAVA FILMES

Um leitor muito amável enviou-me uma mensagem que dizia: “Acabei de ouvir a notícia que a crítica favorita da minha crítica favorita morreu”. Ele estava falando de Pauline Kael, que se foi desta para melhor no início de setembro, aos 82 anos, velhinha, acabada, vítima de mal de Parkinson. Se Pauline houvesse sido apenas a minha crítica favorita, ela não teria a menor importância, claro. Eu não sou ninguém, não existo, tenho este leitor caridoso e talvez, com sorte, mais meia dúzia (estou sendo generosa). Mas Pauline foi A crítica, com a maiúsculo, numa época em que isso tinha alguma influência.

Quando esta americana frágil e minúscula surgiu para abalar o circuito das resenhas, ela já estava na meia idade. Ela começou malhando um filme de Chaplin e depois massacrou “A Noviça Rebelde”, sem jamais temer ir contra a opinião da massa ou da crítica especializada. Em 1967, ela viu e amou “Bonnie e Clyde, Uma Rajada de Balas”, cuja exibição os produtores queriam restringir a drive-ins do Sul dos EUA. Pauline redigiu um artigo de nove mil palavras sobre o filme, elevando-o à arte e mostrando que não só os europeus faziam cinema de qualidade. A revista para qual ela escrevia na época recusou-se a publicar o artigo, e ele foi parar na prestigiosa “The New Yorker”, onde Pauline arranjou um emprego que durou décadas. O texto salvou “Bonnie e Clyde” do ostracismo e lançou Pauline como irrefutável formadora de opiniões.

Ela tinha seus preferidos, como Robert Altman e Scorcese, mas em geral era justa e seguia seus impulsos. Era extremamente pessoal nos seus artigos (ué, opinião não é sempre pessoal?) e escrevia brilhantemente, cheia de som e fúria, denunciando excessos de comercialismo e de pretensões. Não se impressionava com Bergman e teve a audácia de sair no meio da projeção de “Casanova” de Fellini. Ela colocava tantas análises e tiradas em seus artigos que, geralmente, eles eram muito mais divertidos do que os filmes em questão.

É lógico que, com tanto poder, ela não era fácil. Tinha inúmeros inimigos. George Lucas nomeou o vilão de “Willow” de General Kael, em sua “homenagem”. E quem liga pra “Willow”? Alguns produtores referiam-se a ela como “aquela vaca miserável”. Uma das lendas conta que, ainda no começo de sua fase na “New Yorker”, Pauline vociferou contra “Terra de Ninguém”, de Terrence Malick. Antes de publicar o artigo, o editor quis tentar dissuadi-la com um “acho que você não sabe que o Terrence é como um filho pra mim”. A resposta de Pauline foi curta e grossa: “grande m****”. O texto foi publicado rapidinho.

Mais recentemente, já aposentada, ela declarou que “a pior corrupção de um crítico é o desejo de manter seus leitores felizes a todo custo, elogiando filmes que o público irá adorar, como ‘Independence Day’”. Dá pra discordar? Pessoalmente, eu ficava orgulhosa quando, depois de tecer meu próprio comentário, lia em algum lugar que a Pauline pensava igual. Isto ocorreu, por exemplo, no nosso total desprezo pelo Oliver Stone e na paixão pelo Jim Carrey. Mas o que eu sinto é irrelevante, e a verdade é uma só: morreu a maior crítica de todos os tempos. Os cinéfilos sentirão saudades.

TAPINHAS NAS COSTAS

O Oscar 2001 de domingo à noite até que foi rápido – só três horas, ao invés das quatro habituais. Eu errei várias previsões, como era de se esperar, mas, de maneira geral, acho que minha promissora carreira como crítica cinematográfica está salva. Se você estiver lendo este artigo é porque eu ainda tenho esta boquinha.

Na contagem final, parece que todo mundo saiu ganhando. “Gladiador” levou cinco estatuetas pra casa, incluindo as prestigiadas melhor filme e ator. O pessoal deixou a reserva de mercado de lado e premiou “O Tigre e o Dragão” (ou, como os comentaristas não se cansavam de pronunciar, “O Trigue e o Dagrão”, eta nominho difícil) com quatro. E é possível que o grande vencedor da noite tenha sido mesmo “Traffic”, que, indicado para cinco categorias, ganhou em quatro – só perdeu na principal.

Surpresa de verdade só na categoria de atriz coadjuvante e, talvez, em escala menor, na de roteiro original. Na primeira, a estatueta escapou das mãos da favorita Kate Hudson e foi parar nas de Marcia Gay Harden, por “Pollock” (alguma chance deste filme chegar aqui?). E, na segunda, nem “Gladiador”, nem “Erin Brockovich”, e sim “Quase Famosos”, bastante inesperado.

Steve Martin se deu muitíssimo bem como o mestre de cerimônias, esteve à vontade, fez boas piadas... Uma delas dizia que um jantar reuniu Mel, Julia, Tom e outros “acima do título” (referência a quando o nome do astro aparece antes do do filme), e que foi uma noite agradável, onde Mel elogiou “Erin”, Julia elogiou “Náufrago”, Tom elogiou “Do que as Mulheres Gostam”, e todo mundo divertiu-se falando sobre ARTE. Tudo bem, talvez você não esteja rolando de rir no chão, mas a piada é ótima porque as produções citadas, apesar de legalzinhas, não tem nada a ver com arte. E também porque capta bem o espírito do Oscar, que é justamente esse de auto-congratulações. É um carinha dando tapinha nas costas do outro e dizendo “você está fantástico em...”. É um concurso de popularidade, o que pode ser constatado pelo histriônico-porém-sincero discurso de agradecimento de Julia Roberts. No fundo, todos os vencedores gostariam de gritar o que Sally Field berrou em seu lendário monólogo: “Vocês gostam de mim! Vocês realmente gostam de mim!”.

E é por isso que seria infinitamente mais interessante pra nós, público, ralé, extras e figurantes não-convidados, se a Academia divulgasse números. Tá, o Russell Crowe ganhou, mas ficou quantos votos na frente do Tom Hanks? Já que é mesmo uma corrida de cavalos, por que não transparência total?

E por falar no Russell, não deve existir em Hollywood um sujeito tão mal humorado, tão carrancudo, tão mala. Se ele não gosta de competir, se acha o Oscar uma babaquice, deveria fazer como tantos outros: não comparecer, inventar uma desculpa, mandar uma índia para fazer discurso político no seu lugar. A câmera não se cansava de focalizá-lo, e ele não sorriu nem quando venceu. Desse jeito vai ser difícil fazer papéis cômicos...

Outra que foi focalizada e citada do começo ao fim foi a Julia. Foi nesta previsão que eu mais me enganei: a verdadeira Erin nem foi convidada. Pouparam-nos do constrangimento. Este negócio de ninguém se lembrar do filme que deu o Oscar à Julia um dia depois da entrega não procede – ninguém se recordava do filme até antes da Julia ganhar.

Os números musicais foram aquela cafonice de sempre, mas pelo menos tivemos o sabor de um paladar diferente ao ouvirmos Bjork e Bob Dylan. Uhn, Bjork fantasiada de cisne. Mas não quero entrar no assunto de roupas, do qual não entendo bulhufas. Pergunte a mim e a qualquer homem hetero do planeta o que a atriz mais linda da festa estava vestindo e você receberá o mesmo olhar confuso. Não me lembro de um só traje. Ah, tinha um amarelo, né? Bom, é certo que o Armani não fica cada vez mais rico às minhas custas. Tão certo quanto malhar o Oscar e não perder nenhuma edição.

CRÍTICA: 13 DIAS QUE ABALARAM O MUNDO / Os badalados Kennedys

Acho bom que haja filmes “históricos”, até para que eles incrementem as aulas de História. O problema é que, geralmente, ou eles não são muito interessantes ou eles fantasiam demais os acontecimentos. Em “Pearl Harbor”, por exemplo, pode-se ter apenas uma vaga idéia de como foi a entrada americana na Segunda Guerra. Já “E o Vento Levou”, apesar de sua parcialidade e romantismo, oferece um ótimo retrato da Guerra Civil. Tudo isso só pra dizer que “13 Dias que Abalaram o Mundo” vale a pena ser visto, mesmo pra quem já tenha saído dos bancos escolares faz tempo.

Pra quem não se lembra bulhufas do que estudou, esses tais treze dias referem-se a outubro de 1962, quando os americanos descobrem que os soviéticos estão instalando mísseis bem no seu ex-quintal, Cuba. Era o auge da Guerra Fria. O muro de Berlim havia acabado de ser erguido, e os conflitos na Ásia cresciam. Evidentemente, os atuais donos do mundo (naquela época, só co-proprietários) não poderiam permitir bases nucleares bem no seu nariz. O presidente Kennedy tinha três alternativas para resolver o impasse: ou invadia Cuba e depunha Fidel (falando assim, parece que era fácil), ou bombardeava os mísseis antes que eles entrassem em funcionamento, o que geraria uma resposta soviética em Berlim, abrindo todas as portas para um conflito armado entre as duas superpotências, ou bloqueava os mares para que Cuba não recebesse mais ogivas. Optou pela terceira, embora a cúpula militar tanto americana quanto russa rezasse pela guerra. Militar é mesmo um bicho esquisitão – é o típico “trigger happy” (gente que tem uma arma e fica roçando o dedo no gatilho, sonhando em usá-la).

“13 Dias” tem ritmo ágil e um suspense que prende. Como disse o maridão, “por um minuto até pensei que a Terceira Guerra Mundial tivesse acontecido”. Mas é claro que é uma visão 100% americana, e o final é aquela patriotada de sempre. Não há vestígios de soviéticos e muito menos cubanos. E, como se pode esperar, há uma versão polêmica dos fatos. Os Kennedys – John e Bob – são pintados como mártires. São bonitinhos, carismáticos, vivem para servir à nação, enfim, estão mais badalados que propriamente abalados. Além do mais, são pacifistas. Sei, sei. Foi JFK que lançou os EUA no Vietnã. Foi ele que autorizou a patética invasão da Baía dos Porcos, em abril de 61, o que certamente empurrou os cubanos para um conluio com os comunistas. Foi ele que criou a Aliança Para o Progresso, um programa destinado a livrar a América Latina da ameaça vermelha. Ou seja, o homem podia ser tudo, menos um Gandhi.

Quem interpreta o JFK não é o Kevin Costner, mas um ator mais jovem e boa-pinta que ele. O ex-mensageiro é aqui o assessor do presidente e, justiça seja feita, ele está bem – abatido, humilde, nada heróico. Só não entendi a voz fanha. Parece a do Michael Douglas em “Garotos Incríveis”. O que ocorre com os astros de meia idade? Para serem levados a sério, eles precisam afinar a voz? Estranho.

É possível que, se eu fosse professora de História, ainda recomendaria que meus alunos vissem “Doutor Fantástico” que, além de ser um clássico incontestável do cinema, exemplifica com perfeição a paranóia da bomba nuclear. Mas não dá pra negar que “13 Dias que Abalaram o Mundo” seja um ponto de partida honroso para um bom debate.

quinta-feira, 29 de novembro de 2001

CRÍTICA: VIAGEM DE CHIHIRO / A maior viagem

Convidei minha mãe pra ir ao cinema com o maridão e eu. Ela perguntou pra ver o quê, respondi que era “A Viagem de Chihiro”, um desenho animado japonês, e ela disse: “Nem morta! Desenho nunca mais, desde aquele ‘Campo de Concentração dos Frangos’!”. Você entende, ela detestou “Fuga das Galinhas”. Confesso que tampouco nutro grande entusiasmo por animação. Não apenas porque a temática desses filmes tem de ser simples o suficiente pra ser compreendida por crianças de cinco anos, mas principalmente porque, pra quem não é fanático, é muito difícil escrever sobre um desenho. Eu vou falar do quê, dos atores? Só se for das vozes deles. Das legendas? Esses filmes geralmente são dublados. Dos diretores? Costumam ser um bando de desconhecidos. Nem da reação do público dá pra falar, já que eu e o maridão éramos as duas únicas almas na sala de exibição. Avisei o maridão: “Você tá sabendo que, se a gente não gostar, vai ter que ver ‘Garota Veneno’. ‘Cruzeiro das Loucas’ tá fora de cogitação”. E ele, com uma confiança surpreendente: “Não se preocupe, a gente VAI gostar”.

De fato, não tem como não gostar de “A Viagem de Chihiro”, um filme deslumbrante em todos os sentidos. Em pouquíssimo tempo eu já tinha esquecido que estava diante de um desenho. E isso que, antes do início, eu ainda murmurei pro maridão: “Hoje estou com vontade de ver um filme de terror, não um desenho”. Deu quinze minutos de projeção e o maridão virou pra mim: “Taí o seu filme de terror. Era isso que você queria?”. Pois é, “Viagem” é um filme de terror. E não é bem pra crianças, a menos que o objetivo seja causar trauma de infância. Começa com uma menininha medrosa no carro com seus pais. Papai dirige mal pacas, e eles vão parar na entrada de um túnel. Claro que entram no túnel, se bem que Chihiro, a garota de uns dez anos com pernas mais finas que as da Cameron Diaz, não quer ir. Do outro lado, encontram um parque de diversões abandonado. Numa das barracas há um monte de comida, e os pais vão comendo, comendo... até virarem porcos. Parece que tô contando a história inteira, né? Que nada! Estes são os primeiros quinze minutos. É ou não é de terror? O resto do filme mostra Chihiro tentando salvar seus pais e trabalhando numa casa de banhos pra fantasmas, uma espécie de spa de espíritos, pelo que captei. E dá-lhe bebê gigante, pássaros de papel, trem andando por trilhos sobre as águas, e outras passagens totalmente oníricas e até psicanalíticas.

“Viagem” é isso, a maior viagem mesmo. É uma mistureba de “O Mágico de Oz” e “Alice no País das Maravilhas”, com uma pitada de “Submarino Amarelo”. O filme chega a ser psicodélico, mas, graças aos céus, não como aqueles outros desenhos japoneses cheios de flashes que fazem as crianças terem ataques epilépticos. Também não tem nada a ver com “Pokemon”. Os desenhos são verdadeiras pinturas à mão. E “Viagem” segue a mitologia japonesa, com um ritmo próprio, sem gracinhas à la Disney. Deve ser esta a causa de Hayao Miyazaki ser considerado deus pelos animadores da Disney. Certo, eu nunca tinha ouvido falar do sujeito, mas fiz minha lição de casa e descobri que Hayao é um dos principais nomes dos desenhos no planeta. No Japão, “Viagem” fez tanto sucesso que desbancou o recordista de bilheteria “Titanic”. Depois foi colecionar prêmios mundo afora. Pela primeira vez em meio século de Festival de Berlim, o Urso de Ouro foi pra um desenho. Ganhou o Oscar de animação, essas coisas.

Portanto, o filme vem com altas recomendações, muito maiores do que as que eu posso dar. Vá vê-lo correndo, mas sem esperar entender tudo, que acho que a intenção de “Viagem” não é ser mastigado. E não sei se você deve levar criança pequena. Um dos espíritos é um monte de esgoto; outro é um sem rosto de quem dizem: “Ele já engoliu um sapo e duas lesmas”. E nossa heroína vive sob a ameaça constante de virar carvão. Ah, e vômito em desenho animado ainda é vômito, e é bem nojentinho. Nessas cenas eu só pude pensar: seria o Hayao um Cronenberg nipônico?

CRÍTICA: A PROMESSA / Promete e cumpre

Aproveite a maré alta. Quem diria que em pleno mês de férias da criançada haveria dois filmes adultos em cartaz? Estou falando de “Longe do Paraíso” e “A Promessa”. Vários leitores andam me escrevendo pra jurar que “Procurando Nemo” é uma maravilha, mas tenho trauma de desenho animado que todos adoram menos eu. Pensando bem, o que uma personagem diz em “Cecil Bem Demente” – que o termo “para toda família” nada mais é que um eufemismo pra censura – é pura verdade. Mas não quero polemizar. Quero é convencer você a ver “A Promessa” o quanto antes, pois duvido que ele fique mais de uma semana em cartaz.

O início traz o Jack Nicholson, um policial honesto, pronto pra se aposentar, e eu pensei, opa, tudo bem que o Jack tá velhinho, mas agora ele vai fazer papel de aposentado ganhando festa de despedida pro resto da vida? É que me lembrei do começo do excelente “As Confissões de Schmidt”. Eu nem sabia que “A Promessa” é anterior a “Confissões”. Então, acabou de acontecer um crime pavoroso na cidade onde ele mora: uma menina foi trucidada. Cabe a ele contar aos pais. A mãe da criança pede pra ele jurar que o assassino será preso. E logo aparece um suspeito, um índio com problemas mentais interpretado pelo Benicio Del Toro (“Traffic”), bem irreconhecível. Mas Jack não acredita que foi ele, e desvendar o crime será sua nova obsessão. Como não tem vida própria e nenhum outro prazer além de pescar, ele passa a investigar assassinatos parecidos e compra um posto de gasolina no meio do nada, crente que o serial killer atacará de novo por lá. Inclusive, ele faz amizade com uma garçonete que, por coincidência, tem uma filhinha que se encaixa direitinho no perfil das vítimas. Uma das coisas fascinantes do filme é que ele não deixa claro de cara se o Jack está usando a menina como isca. Ele coloca o balanço na frente do posto pra atrair os carros ou pra poder vigiar a guria, como ele alega? Quanto do que ele faz é premeditado?

Ou seja, “A Promessa” é um policial de primeira, mas não espere tiroteios, rachas de carro e explosões. Sean Penn, o diretor, se preocupa mais em desenvolver os personagens. Pessoalmente, não achei o filme lento em nenhum momento, mas imagino que tenha quem ache. Outro ponto em falta é a catarse coletiva. Não vou entregar o final, mas digamos que, pro espectador comum, acostumado a ver o herói matando o vilão de meia dúzia de formas diferentes, uma pra cada paladar, ele pode ser frustrante. Mas o que esperar de um filme tão supimpa que a gente até duvida do heroísmo do Jack?

Uma palavrinha sobre o Sean Penn. Como ator (“Os Últimos Passos de um Homem”), seu nome geralmente vem acompanhado do clichê “o melhor de sua geração”. Como diretor, esta é sua terceira tentativa – ele e o Jack já trabalharam juntos no irregular “Acerto Final”. E o Sean é tão, mas tão ousado que seu episódio em “11 de Setembro”, onde ele é o único representante americano entre os onze cineastas, consegue ser o mais ofensivo de todos. Hum, a história dele trata de um velhinho em Nova York cujo apartamento (e vida) fica muito mais iluminado após a queda das torres gêmeas. Não sei como o Sean ainda não foi expulso dos EUA. Eu me recordo dele na década de 80, já com uma super reputação como ator, mas com a vida em frangalhos por causa do escândalo que foi o casamento dele com a Madonna. Ele se separou, casou com a Robin Wright (de “Forest Gump”, que em “A Promessa” faz a garçonete 100% sem glamour), teve uma penca de filhos, e despontou como diretor com fama de auteur. Agora todo mundo quer trabalhar pra ele de graça. Aqui, Aaron Eckhart, Vanessa Redgrave e Mickey Rourke (sim, ele vive!) dão uma canjinha. Nada mal pro Sean, que em sua época de astro dos tablóides era mais conhecido por bater nos paparazzi. Minhas dúvidas cruéis são duas: por que um filme bom assim como “A Promessa” foi ignorado pelo Oscar? Por que ele só chega aqui dois anos após seu lançamento, se qualquer terrorzinho de quinta ganha distribuição imediata? Vai entender...