Mostrando postagens com marcador sorvete. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sorvete. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2011

O MELHOR SORVETE DA MINHA VIDA

Só queria deixar registrado que se houver sorvete no mundo melhor que o italiano, eu ainda não conheci. Os melhores sorvetes que tomei (eu geralmente digo comer sorvete, porque eu mordo mesmo) foram em Roma. Como foram cinco dias naquela cidade, foram muitos cascões de sorvete. A minha sorveteria favorita ficava perto do metrô que pegávamos para ir do nosso hotel ao centro. Não era muito agradável chegar lá, porque já falei que Roma mal tem calçadas? Mas pertinho do metrô havia uma sorveteria pequena, propriedade de uma família do Sri Lanka que morava no andar de cima (aliás, cheio de gente do Sri Lanka por lá). O sorvete não era produzido lá mesmo, mas em outra localidade em Roma. Aquele sorvete de chocolate amargo foi o melhor da minha vida. A gente pode ver quanto chocolate tem num sorvete de chocolate pela cor, e aquele lá era preto, lindo, delicioso (veja na foto que o maridão tirou -- o de chocolate amargo é o na extrema direita, caso único em que algo à direita é bom). Cada cascão custava três euros e cinquenta centavos (aproximadamente R$ 8,50) e dava direito a três sabores. O chato é que se eu pedisse todas as três quantidades a que tinha direito só em chocolate amargo, vinha menos sorvete. Então eu misturava com café e chocolate comum, que eram fantásticos também, mas sem comparação. Sinto muitas saudades de lá. Se algum dia eu voltar a Roma, não será por causa do Vaticano, do Coliseu, das inúmeras (e belas) igrejas. Será por aquela sorveteria familiar e seu sorvete hiper cremoso de chocolate amargo.
Diga aí: qual foi o melhor sorvete da sua vida? Tem em Fortaleza?

domingo, 8 de junho de 2008

ENTRE BOLOS E NINJAS

Acabamos comprando o bolo de sorvete. Custou 22 dólares, e você pode ver algumas fotos do negócio. Mas admito que estou decepcionada. O bolo, que parece e é bonito, não chega aos pés do sorvete que comemos na loja. Aqui eles usam um troço chamado Devil's Food, comida do demo, que é um bolo de chocolate bastante enjoativo. Não entendi a diferença entre comprarmos uma caixinha de Devil's Food no supermercado (que eu já comprei e fiz, e ficou bem ruim), uma lata de sorvete de qualquer marca, e misturar os dois. Acho que sai igual, e muito mais barato.

Não sei, a lembrança que eu tenho de bolo de sorvete vem da minha infância. Na época, no Rio, pelo menos, a Kibon comercializava uns bolos desses, que eram uma delícia (pro meu paladar infantil). Nem eram de chocolate, e ainda assim eu gostava.

O que puxa uma outra memória. Minha irmã uma vez comemorou seu aniversário num salãozinho do prédio onde morávamos, em SP. Ela era pré-adolescente, e decidiu fazer seu próprio bolo. Não lembro se era de sorvete – acho que não -, mas por algum motivo ele foi colocado no congelador. Durante a festa, o pai de uma amiga dela apareceu. Completamente bêbado. Quando o japonês ia começar a fazer um escândalo, nosso amado pai interviu (por isso que acho que minha irmã era pré-adolescente. Ainda não tinha vergonha de ter os pais numa festa). E ficou conversando com o pai da menina durante um tempão. Eu só via os dois andando de um lado pro outro do salão, o cara falando muito, e meu papi, atencioso, escutando. Assim que o japonês deu uma folga, comentei com meu pai: “Puxa, que paciência, hein? Sobre o quê vocês tanto conversaram?”. E meu pai: “E eu vou saber? Ele tava falando japonês!”.

Aí chegou a hora de servir o bolo que minha irmã tinha feito. Cantamos parabéns, ela soprou as velinhas, pegou uma faca – e simplesmente não dava pra cortar o bolo. Ele tava congelado. A faca não entrava de jeito nenhum. Vários tentaram, como se fosse a lenda da espada do Rei Artur, ao contrário. Quem conseguisse pôr a faca dentro do bolo seria o rei. Houve um momento de pânico quando o japonês veio correndo e gritou: “Deixe eu tentar!”. Ninguém o queria empunhando uma faca.

No final, foi impossível cortar aquele cubo de gelo redondo, e as amigas mais solidárias deram uma mordididinha cada uma no bolo.

Enfim, quando eu voltar pra Joinville, minha mãe já avisou que fará seu glorioso Sacher Torte pra comemorar meu aniversário atrasado. Aquele é o bolo mais achocolatado que existe no mundo. Se minha mãe só faz meia receita, gasta dez barras de chocolate meio-amargo. Tô chutando, mas acho que é por aí. Na ocasião, tirarei fotos pra vocês compararem com o fajutinho bolo de sorvete. Infelizmente, não tenho fotos do bolo congelado da minha irmã. Ou do perigoso ninja.

domingo, 1 de junho de 2008

O SORVETE QUE DERRETEU NOSSO CONSERVADORISMO

Por que, ó Deus, por que às vezes a gente não prova coisas novas logo? No nosso dia a dia, eu e o maridão somos muito conservadores. Se um prato nos agrada (tipo o frango com caju da cozinha chinesa), podemos comê-lo direto sem enjoar. Logo, após várias tentativas, quando encontramos um cinema em Detroit (bom, Birmingham, subúrbio de Detroit) que era fácil de chegar de ônibus e onde era possível ver dois filmes pagando um só ingresso, ficamos com ele. Vamos a Birmingham quase todo fim de semana. Às vezes comemos por lá, num restaurante chinês (a conta fica em torno de 8 dólares). E gostávamos de comer a sobremesa numa lojinha perto especializada em cupcakes (bolinhos? Veja foto, que não sei explicar). Eu não sou tão chegada a cupcakes. Prefiro brownies. É que cupcakes, no fundo, são mais bonitos que gostosos. Infelizmente, a loja fechou. O moço, que trabalhava sozinho, chegava à uma da manhã pra cozinhar tudo fresquinho, e só ia embora às quatro da tarde. Ele nos contou que era esforço demais pra pouco retorno, que pouca gente passeava na rua (e Birmingham é uma graça! É onde o maridão observa carros de luxo, e eu observo cães de luxo. Às vezes toco neles), e que, depois de oito anos tentando sobreviver, ele ia embora. E foi. E nós ficamos órfãos da nossa sobremesa. Só que, mais perto ainda do cinema, há uma doceria com um cartaz maravilhoso de um bolo de chocolate que eles colocam estrategicamente na calçada. Não tem como passar sem devorar o cartaz. Mas só entramos uma vez na doceria, olhamos em volta, nada pareceu tão atraente quanto aquele cartaz, e saímos, sem comprar nada. Até que, semana passada, decidimos entrar pra valer, determinados a provar alguma coisa. Eu achei tudo muito confuso, o que tava à venda, os preços, tudo, mas como minha mente estava se esforçando pra permanecer no módulo “dinheiro não é problema”, e como eu e o maridão íamos dividir uma sobremesa, insisti. E acabei pedindo um copo de sorvete (de chocolate, óbvio). Olhamos admirados porque veio um copão. Era muito sorvete. E era como sorvete de chocolate deve ser: escuro, nada daquela cor “água misturada com Toddy”, e cremoso. Tô salivando ao relatar isso. Foi sem dúvida o melhor sorvete que tomamos nos EUA, disparado, e um dos melhores de nossas vidas. Sabe quanto custou? US$ 3,91. Agora, por que deixamos pra experimentar isso só na semana passada, faltando dois meses pra voltar pro Brasil? Eu tô calculando quantos copões de sorvete a gente deixou de consumir. Vejamos, como vamos lá quase toda semana, uns trinta? Tudo bem, seriam uns 120 dólares gastos em sorvete, mas não seria por uma boa causa (nosso prazer degustativo)? O pior é que a doceria sabe que é boa. Na parede, perto da porta, há até uma placa, “See you tomorrow”. Pode apostar.