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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

PELO DIREITO DE PODER SER O QUE QUISER

Adoro um estudo que registra as reações de pessoas a bebês, ou melhor, ao mesmo bebê. Como a gente sabe, meninas bebês são muito parecidas a meninos bebês se não estiverem usando algo que as diferenciem (brinco na orelha, laço no cabelo, roupinha rosa). 
E como a gente também sabe, as pessoas costumam ficar muito ansiosas se não sabem o sexo do bebê. Elas precisam de algum código, como o nome do bebê (masculino ou feminino), para saber como agir com ele. Então tem mais de um estudo que mostra pessoas expostas ao mesmo bebê e vê como elas se referem a ele. Se são avisadas que o bebê é menino, elas dirão que ele é forte, grande, corajoso, teimoso, viril, másculo, pegador, vai dar trabalho quando crescer, hein?
Se são avisadas que o bebê é menina, dirão que ela é linda, fofa, pequena, quietinha, doce, uma princesa. Detalhe: é o mesmo bebê! 
E ela viveu feliz para sempre, fazendo
sexo com quem desejava, usando as
roupas que ela queria, e sem se
importar com as merdas que as
pessoas pensavam sobre ela
Esses estereótipos atribuídos a cada gênero não têm nada de natural e se perpetuam por toda a vida. Somos ensinadas que somos sexos opostos, que existem coisas de menina e coisas de menino, que não podemos ser tudo que quisermos ser. É uma camisa de força para todos. E quem sai perdendo é a sociedade, que limita seus indivíduos baseados em noções retrógradas.
"Ideologia de gênero", se existe, é exatamente isso: ditar o que meninas e meninos podem e não podem fazer, podem e não podem ser, como têm que agir, as oportunidades que terão na vida. Ou seja, é o que já vivemos.