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quinta-feira, 30 de novembro de 2006

CRÍTICA: PECADOS ÍNTIMOS / No íntimo todo mundo é igual

Faz quase um mês que vi “Pecados Íntimos” em São José, e só agora chegou a Joinville. Até iria ver o ótimo drama de novo, mas começo a suar frio só de pensar no estado da cópia (“Ponto Final” e “Vôo United 93” vêm à mente, cheios de cortes e com os rolos trocados!). Bom, “Pecados” foi um dos filmes importantes de 2006 preteridos pelo Oscar, assim como “Filhos da Esperança”, “Volver” e “O Grande Truque”: praticamente todos entraram nas listas dos melhores do ano, até receberam uma ou outra indicação, mas acabaram saindo de mãos abanando. Sinal de que houve uma boa safra, como há muito não se via.

“Pecados” é um desses raros filmes adultos, o antídoto de “Norbit”. Mais do que moralista, o drama aponta pra uma vida que é um inferno (como se a gente não sacasse isso vendo o trailer de “Norbit”). Eu me senti melhor vendo “Pecados”, porque constatei que os problemas de todo mundo são bem maiores que os meus. Ou talvez o que o drama represente seja igualzinho ao que acontece em outros subúrbios mais pobres. “Pecados” aponta o preconceito e o tédio vividos pelas famílias americanas de classe média alta. O adultério surge como algo inevitável (pesquisas afirmam que um em cada dois brasileiros já traiu a mulher, e como disse um amigo, o outro é um mentiroso). Essa é uma das historinhas: a personagem da Kate Winslet, que fez doutorado em literatura inglesa (parece familiar?), vive uma enfadonha rotina de dona de casa sem intimidade com o marido e sem carinho pra sua filhinha. Ela se envolve com o bonitão paradão Patrick Wilson (convincente também em “Meninamá.com”), cuja esposa, Jennifer Connelly (de “Diamante de Sangue”), é uma profissional de sucesso que não liga pra sexo. Pra completar, há um pedófilo no pedaço (Jackie Earle Haley, indicado ao Oscar de coadjuvante). Todo o elenco tá perfeito (gostei bastante do Noah Emmerich, que faz o melhor amigo do Jim Carrey em “Truman Show”) e, se houvesse uma estatueta pra melhor elenco, o deste filme concorreria com o de “Pequena Miss Sunshine” e o de “Infiltrados”.

O título original, “Little Children”, ou “Crianças Pequenas”, pra mim se refere aos homens, todos umas criancinhas que se recusam a crescer. O pedófilo vive com e para a mãe, o bonitão sonha em voltar à adolescência, seu amigo também, e o marido da Kate, idem. Não que a personagem da Kate seja muito madura emocionalmente, mas é diferente. Não é uma imaturidade do tipo “eu quero! Eu quero! Agora!”, é mais de acreditar em amor romântico. Eu fiquei com pena de todo mundo.

A adaptação é a mais literal possível. O diretor Todd Field, de “Entre Quatro Paredes”, pegou o romance de Tom Perrotta (que escreveu “Eleição”. Não li nada dele, mas o cara só pode ser bom), e incluiu até uma voz em off bem esquisita. Acho que o que me incomodou foi que fosse voz de homem. Ou talvez que fosse meio épica: uma voz de épico narrando coisas tão banais. Mas seria difícil deixar a voz de fora. Ao menos não é a voz em off tradicional, acompanhando apenas um personagem (o protagonista, em geral), mas todos. É uma voz onipresente, como a de “Dogville”. Ah, outra coisa que remete à “Dogville” são as estátuas, os brinquedinhos decorativos de gesso. Mas “Pecados” lembra mais “Beleza Americana” e, óbvio, “Felicidade”, que tem o melhor retrato de um pedófilo visto nas telas. Quando apareceu a Jane Adams num papel parecidíssimo ao dela em “Felicidade”, não tive mais dúvidas da inspiração de “Pecados”. É “Felicidade” com menos humor.

Aliás, a trama que fala do pedófilo é complicada. Lógico que a comunidade se foca no carinha pra não ter que lidar com seus próprios fantasmas interiores. Ou seja, pra gente é fácil condenar os suburbanos que tiram seus filhos da piscina pública assim que o sujeito entra (essa cena, além de “Tubarão”, também me lembrou de algum filme com a Halle Berry, em que ela entra numa piscina de um hotel luxuoso e todos os hóspedes saem, por ela ser negra. E só voltam a entrar na piscina depois de trocada a água!). Mas e se eu tivesse filhos, qual seria minha reação? Se há um molestador de crianças à solta na vizinhança, eu não gostaria de tê-lo por perto. Mesmo que eu esteja vigiando e dê pra ver que ele não está fazendo nada de errado na piscina, vai que ele se excita em ver crianças em trajes de banho. Eu odiaria que um molestador se excitasse pensando nos meus filhos. Assim como é irritante pra gente, que é mulher, receber telefonema de um tarado arfando do outro lado da linha e perguntando “O que você está vestindo?”. Se você é homem, só passou por isso na condição de predador. Por outro lado, o pedófilo já foi condenado e solto e tem todo o direito de circular por onde quiser. E ele não molestou nenhuma criança (ainda?), só gosta de se exibir pra elas. Mas seria conveniente se ele evitasse lugares cheios de guris, não?

“Pecados” tem seus pecadilhos, como o personagem do marido da Kate, um cara sem qualidades redentoras. Parece que tiraram algo da história. Mas é um drama pra lá de inteligente, que faz pensar. Só dói ouvir a Kate Winslet reclamar por não ser bonita. Vai te catar, diretor!

quarta-feira, 16 de março de 2011

POR QUE PECADOS ÍNTIMOS, O FILME, É MELHOR QUE O LIVRO

Jennifer Connelly e Patrick Wilson, casal com filho na cama.
Já falei que adoro Pecados Íntimos (Little Children), filme de 2006 do Todd Field? Já: até o escolhi um dos melhores dramas da década! Cada vez que revejo o filme, mais gosto. Decidi ler o romance do Tom Perrotta, que também é bem acima da média, mas prefiro o filme. O final do livro é totalmente diferente do do filme, e devo dizer que gostei mais da conclusão no cinema. No romance, é exagerado demais. (Spoilers, gente!) Tem gente sobrando no parquinho à noite. Por exemplo, o que Mary Ann está fazendo lá? A explicação que seu casamento está em crise e ela se dirigiu ao playground pra fumar um cigarrinho escondida não convence. Ela não tem nada que estar lá. Só o bando de acontecimentos numa só noite deveria bastar.Olha só: Todd (ou Brad no livro, acho que o diretor/roteirista mudou o nome do personagem pra que não levasse o seu nome, Todd), e Sarah vão fugir, a mãe de Ronnie morre, Ronnie, desesperado, vai ao parquinho, e Larry decide pedir desculpas a Ronnie no mesmo momento. Tudo isso está no livro e no filme. No livro ainda põem a Mary Ann na história. E tem mais: no livro, Ronnie acaba confessando aos três presentes que matou uma menininha alguns anos atrás (que estava desaparecida), porque ela havia ameaçado contar sobre ele. Os quatro fumam um cigarro juntos. E, quando perguntam a Sarah por que ela está lá com a filhinha (dormindo no balanço) à noite, o que é perigoso, ela ri e pensa: estou aqui porque beijei um homem neste mesmo espaço, e essa foi minha maior felicidade na vida adulta, e imaginei que seria uma pessoa especial a ponto de merecer um final feliz. Antes disso ela imagina virar advogada. Depois, vê que terá que estreitar os laços com sua filhinha.Já Todd se acidenta andando de skate. Ninguém encontra a carta que ficou no seu bolso, e Kathy, sua esposa, não aparece. Ele está bem, e pergunta ao policial (seu parceiro de futebol americano) se ele daria um bom policial. Está aliviado por não ter fugido com Sarah, porque percebe que só a ama no contexto de uma aventura de verão. Ah, Kathy fala com ele sobre Sarah. Ela sabe. Tá, isso tudo faz parte do final. Resoluções demais prum fim só. Parece novela, né?No filme, olha só como o final flui melhor: Ronnie, desesperado com a morte da mãe, destrói todas as bugigangas decorativas que vemos no começo (nada disso no livro). Ele vai até o parquinho. A conversa entre ele e Sarah é muito mais curta. Nem sinal de vida de Mary Ann. Lucy desaparece, e Sarah entra em pânico e vai atrás dela. Só quando Ronnie está só no parquinho é que surge Larry, e pede desculpas. É um momento bem comovente. Totalmente oposto ao do livro, em que, quando Ronnie vê Larry se aproximando, pensa: “Ah, que ótimo! Agora ele vai quebrar meu outro braço”. E Larry chega mesmo batendo nele.No filme o final transforma radicalmente os dois personagens. Ronnie se automutila, tenta se castrar. Sua mãe lhe pediu para ele ser um bom garoto, e essa é a única forma que ele encontra de resolver seu problema, sua doença (pedofilia). Quando Larry vê o sangue nas calças de Ronnie, o pega em seus braços e o leva, em sua van, com as luzes de emergência, a um hospital. Ele, que foi seu maior antagonista durante o filme todo, vê que salvar Ronnie é sua chance de redenção. Então é como se os dois se redimissem. Ambos se arrependem de seus atos e tentam não repetir seus erros. É muito interessante porque, no livro, Sarah olha pra sua filha, dormindo no balanço, e pensa: se estivéssemos sozinhas, pediria desculpas pra ela. No filme, elas estão sozinhas no carro, e Sarah pede desculpas e chora. E fica claro naquele momento quem é a criança e quem é a adulta. A filha a consola, diz: “It's okay, Mommy”. Gosto dessa parte. A garotinha parece tão madura!Quando vi o filme, tive certeza que Richard, o marido de Sarah, havia sido editado ao máximo. No livro ele aparece mais, mas não muito mais. É só que há uma resolução. Ele vai até a Califórnia conhecer seu objeto de desejo, Slutty Kay. Aquela do site pornô, das calcinhas. E decide ficar por lá. Liga pra Sarah só pra comunicar que vai se divorciar dela, mas que ela pode ficar com a casa e com o carro. Richard é um personagem mais trabalhado no livro, lógico. Porque ele é um viciado em pornografia. Existem muitos casos assim de homens que ficam tão acostumados com a pornografia que não querem (ou não conseguem) mais se relacionar com pessoas de carne e osso. Nem sexualmente nem emocionalmente. Ok, não precisa ser porn. A gente pode se viciar em trocar mensagens na internet e não querer mais contato com a vida real. Mas o vício em porn é uma realidade, e tão frequente que existem grupos de apoio para ajudar a se livrar do vício.No livro não está presente uma cena que eu nunca entendi direito no filme. É a da Jean, a vizinha de Sarah. Jean é uma mulher mais velha que caminha com Sarah e que se dá muito bem com Lucy. Ela some abruptamente do livro, o que considero um defeito. Mas no filme não entendo bem o que acontece. Quando Sarah viaja com Todd (sob o pretexto que ele vai prestar o exame dos advogados ― o livro descreve a fuga dos dois, o filme não), deixa sua filha com Jean. Ao voltar, tenta lhe dar algum dinheiro pra pagar pelo serviço de babá. Jean sente-se ofendida e não aceita o dinheiro. Mas só isso não é suficiente pra explicar seu mal-estar. Ela se zanga com Sarah pelo lance da grana, ou por que notou que Lucy é uma criança fofa e Sarah não é uma boa mãe, ou por que sabe que Sarah está mentindo e encontrando-se com o amante? Ou todas as respostas anteriores? Não fica claro. Não preciso nem dizer que recomendo muito que você veja ou reveja Pecados Íntimos (e leia o livro). Apesar de tratar de adultos infantilizados, que não sabem lidar com suas frustrações, é um dos filmes mais adultos da década.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

MINHAS CENAS FAVORITAS DE PECADOS ÍNTIMOS

Jennifer Connelly, desfocada, observa Kate Winslet

“Crianças pequenas” é um título inteligente pro que foi traduzido pro português como Pecados Íntimos, porque não se refere apenas aos filhos dos adúlteros ou ao objeto de desejo do pedófilo, mas também a como esses adultos se comportam. Eles são egoístas, querem sua satisfação pessoal e imediata antes de tudo e, no caso do Brad (Patrick Wilson), tem uma nostalgia excessiva pelo passado, como se nunca quisesse ter saído da adolescência. Esta é a cena mais bem filmada. Eu amo. Kathy (Jennifer Connelly) convida Sarah (Kate Winslet) pra sua casa, já que a filhinha de Sarah virou amiga do filhinho de Kathy. E ela fica desconfiada após tentar falar com Brad sobre essa mulher, e Brad dizer que nem se lembra o nome dela. Então ela chama Sarah e seu marido para um jantar.E Kathy nota que há uma tensão sexual no ar e que Sarah e Brad são amantes. Isso acontece principalmente nesta cena, em que Sarah reclama que “não sabia” que Brad era amigo de um ex-policial, ou que jogavam futebol americano juntos ― uma revelação de que Sarah sabe bastante da vida de Brad, tanto que sente-se no direito de se queixar por ele não ter lhe contado tudo. Adoro como a câmera se mantém em Sarah, apesar de toda a narrativa da cena centrar-se na desconfiança de Kathy, e só vemos ao fundo, desfocado, o rosto de Kathy. Mas dá pra ver claramente que ela não está nada feliz. Acho que essa escolha da câmera dá um toque irônico, e deixa a cena menos séria.A sequência de outro jantar, entre dois desajustados, sempre acaba com minhas defesas. O pedófilo ― que a história atenua para que seja apenas um exibicionista, não necessariamente um molestador de crianças ― sem dúvida é uma “criança pequena”. Tem 48 anos mas mora com a mãe, que faz tudo por ele. Ele é totalmente dependente. Sua mãe, sabendo que ela não tem tanto tempo de vida pela frente, quer que ele conheça uma mulher para cuidar dele, e coloca um anúncio pessoal. Quem entra em cena? A Jane Adams, ótima atriz que tem ampla experiência com encontros desastrosos (blind dates). Ela esteve no magnífico Felicidade, em que seu encontro catastrófico com um carinha abre o filme (e que acho que serviu de inspiração para o começo de A Rede Social).No início, Ronnie (Jackie Earle Haley, de Watchmen) e Sheila (Jane) estão num restaurante. Sheila está tão em outra, por estar medicada, que Ronnie precisa chamá-la à realidade (como a mãe do rapaz do vídeo em Beleza Americana). Ela é sincera demais (não uma boa ideia quando se tem depressão, um longo histórico de rejeição, e nenhum amor próprio), e o maior elogio que Ronnie lhe faz é dizer que ela não é tão horrível. Esse é um elogio e tanto vindo de cara sem nenhum traquejo social como Ronnie, e Sheila, que também é uma outcast, reconhece isso. Mas, no carro dela, quando estão voltando pra casa, Sheila conta que no seu último encontro, o carinha havia ido ao banheiro e fugido, deixando-a sozinha para que pagasse a conta. Portanto, a noite com Ronnie havia sido muito boa (olha os critérios de comparação!). Só aí ela, tímida, olha pro lado e vê que ele está se masturbando. Ela chora ao perceber que, mais uma vez, não terá sorte num encontro. E ele ainda a ameaça de ir atrás dela se contar sobre isso a alguém. Eu vejo essa cena e fico com muita, muita pena deles. Claro, mais da Sheila, óbvio, mas dele também. No livro Little Children, de Tom Perrotta, a cena não funciona tão bem. Ronnie mal fala com ela durante o jantar, boceja sem parar, e diz que esqueceu sua carteira para não ter que pagar a conta. O resto da noite é bastante parecido, mas mais eficaz no filme. Em compensação, no livro há este trechinho falando do classificado pessoal que a mãe de Ronnie põe pra ele: “O classificado pessoal de Ronnie funcionou como um ímã, atraindo mais de 27 cartas apenas na primeira semana. [...] Ronnie tinha lido as cartas em voz alta, e quase todas tratavam diretamente da frase 'Não sou perfeito e não espero que você o seja'. Devia haver muitos homens exigindo perfeição, a julgar pelo alívio que as mulheres sentiam pela ausência dessa exigência”. É de partir o coração.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

E SE O ELEITO DA ENQUETE FOSSE “ELEIÇÃO”?

Tenho a impressão que minha maior indecisão frente a dar meu voto de melhor filme adolescente pra Clueless (Patricinhas) ocorre por causa da existência de Eleição, que eu também a-do-ro. O personagem da Reese Witherspoon, Tracy Flick(que ainda parece ser o ponto alto de sua carreira, apesar do Oscar por Johnny e June), é americano até a medula. Tracy quer porque quer ser eleita presidente/representante dos alunos, e fará qualquer coisa pra vencer. Só que terá que competir com o atleta boa-praça Paul e a irmã dele, Tammy, que só entrou na competição pra atazanar a vida da namorada do irmão, por quem é apaixonada. Seu discurso pra escola é perfeito: “Quem liga pra essa eleição idiota? [...] Votem em mim, porque eu nem quero ir pra faculdade, não me importo com nada, e como presidente não vou fazer nada. 
A única promessa que faço é que, se eleita, imediatamente desmontarei o governo estudantil, pra que a gente nunca mais tenha que se sentar numa dessas assembléias estúpidas novamente!”. E os alunos: “Tammy! Tammy! Tammy!”.
Outra parte que adoro é na noite anterior à eleição, quando cada um dos três candidatos se ajoelha e pede ajuda divina. Primeiro a Tracy:
Querido Senhor Jesus, não costumo falar com o Senhor e pedir coisas, mas desta vez realmente preciso insistir para que o Senhor me ajude a ganhar essa eleição amanhã, porque eu mereço e o Paul não, como o Senhor bem sabe. Entendo que foi a Sua mão divina que desqualificou Tammy, e agora estou pedindo que o Senhor faça mais este eforço e me coloque no governo, onde eu pertenço, para que eu possa fazer a Sua vontade na Terra como no Céu. Se eleita, prometo rezar mais, ok? Amém”.
Tammy: “Querido Deus, sei que não acredito em você, mas como vou entrar pruma escola católica logo, achei que devia praticar. Vejamos... O que eu quero? Quero que as pessoas sejam mais legais umas com as outras. Quero que a Lisa note como ela tem sido horrível e se arrependa e peça desculpas por ter me machucado e saiba como ainda a amo. Apesar de tudo, ainda quero que Paul vença a eleição amanhã, não aquela nojenta da Tracy. Também quero uma calça de couro bem cara... e algum dia quero ser amigona da Madonna. Com amor, Tammy”.
Paul: “Querido Deus, obrigado por todas as graças. O Senhor tem me dado tantas coisas, como boa saúde, bons pais, uma caminhonete legal, e o que me disseram que é um pênis grande, e por isso sou grato. Mas estou preocupado com Tammy. [...] Por favor, ajude-a a ser uma pessoa mais feliz, porque ela é tão inteligente e sensível, e eu a amo. E também, estou nervoso sobre a eleição de amanhã, e acho que queria ganhar e tudo, mas sei que depende totalmente do Senhor. O Senhor vai decidir quem é a melhor pessoa, e eu vou acatar. E perdoe meus pecados, seja lá quais forem. Amém”.
Essa última frase, “Perdoe meus pecados, seja lá quais forem”, é a essência de Eleição. Paul é o mais bonzinho por ser o mais bobalhão, mas Tracy é uma víbora que realmente precisa acreditar que está fazendo o bem. O filme é provavelmente o mais adulto da enquete, porque ele dá grande destaque a um personagem que não é adolescente, o professor feito pelo Matthew Broderick. Se tudo isso não bastasse, Eleição é dirigido por uma pessoa cheia de talento, o Alexander Payne (de Confissões de Schmidt e Sideways), e baseado num romance do Tom Perrotta (responsável também por Pecados Íntimos). É coincidência que, pra mim, os melhores teen movies sejam adaptações de livros? Não sei, mas tanto Eleição quanto Clueless têm os roteiros mais inteligentes.
Vamos que ainda dá tempo de votar em Eleição pra melhor filme adolescente

terça-feira, 15 de julho de 2008

CRÍTICA: PECADOS INOCENTES / Que comam brioches e joguem golfe

Tabu por tabu, prefiro filmes com zumbis canibais

Não sei se é por andar vendo muito blockbuster americano, o que pode ter afetado meus neurônios, mas confesso: não tenho mais paciência pro tipo de filme independente, pretensioso, “artístico”, que é Savage Grace. Estranho que o drama só chegou a Detroit agora em julho, porque ele foi apresentado em Cannes no ano passado, e estreou no Brasil no final de abril, com o título Pecados Inocentes (agora deve estar estourando em dvd aí). Pode ser por causa do moralismo americano que tenha demorado tanto pra ser lançado aqui. Ele não foi bem recebido pela crítica dos EUA. Pra mim, o Metacritic deu uma média alta demais: 52. E não é que Grace (vou chamar pelo título original, já que a tradução é genérica demais, e lembra o muito bom Little Children, traduzido pra Pecados Íntimos) seja chato. Ele só é uma bagunça.

A trama é baseada numa história real sobre gente rica que nunca ouvi falar (e prefira não conhecer a tal história, pra não saber como o filme acaba). Julianne Moore faz uma mulher de classe média que se casa com um milionário, herdeiro de uma indústria de plástico. O casal vive em diversas cidades da Europa entre 1946 e 72. Não faz nada na vida além de receber alguns poucos convidados, também ricos. Tem um filhinho, que mais ou menos narra algumas partes. Bebê fofinho, adolescente bonito, ele cresce pra virar um Eddie Redmayne. Tá, você não sabe quem é, eu também não sabia, mas ele fez o filho do Matt Damon naquela outra bomba, O Bom Pastor. Você continua sem saber quem é, e eu te entendo. Deixa eu só dizer que eu o acho feinho pacas. Magro que dói, com grande gogó, sardas, branquelão... a espécie de modelo que faz anúncio da Calvin Klein, e todo mundo menos eu acha o máximo. Mas claro, não é a beleza (ou falta de) que está em questão, é a sua interpretação. Como não deu pra notar, tive que me ater a sua aparência. Porque Grace é o tipo de filme em que nem a atuação de uma grande atriz como a Julianne Moore diz a que veio. Os personagens não se desenvolvem, não têm profundidade psicológica, começam como estranhos e continuam sendo estranhos pro espectador até o final. E a gente nunca se importa com eles, por serem tão banais. O único personagem minimamente fascinante é o de um carinha gay contratado pra reintroduzir Julianne aos altos círculos. Ele aparece uns quinze minutos, se tanto. E o melhor momento da Julianne é gritar “En el culo!” num aeroporto, mas ela – e eu – poderia viver sem isso.

Ver um filme assim ou ler um livro sobre o vazio existencial dos ricos me faz ter devaneios e até pensar num absurdo – será que o trabalho realmente enobrece o homem? Será que esse pessoal, se tivesse que mexer uma palha pra ter o pão de cada dia, teria tanto tempo pra se dedicar a suas crises? Tá, não precisa ser rico pra ser extremamente infeliz, e deve haver rico extremamente feliz, imagino. Mas pensa só: se você nascesse milionário e não precisasse trabalhar nem um segundo da sua vida, você gastaria todo o seu tempo ocioso em ser tão ativamente infeliz? Ah, sei lá, vai jogar golfe, que seja! Mesmo num universo pré-internet como o deles, imagino que eles deviam ter mais o que fazer além de jantarzinhos enfadonhos com pessoas igualmente enfadonhas.

Acho que Grace não tenta fazer com que empatizemos, simpatizemos, ou antipatizemos com os personagens. Ele só mostra quase tudo pela metade, sabe? Os diálogos parecem ser pela metade, tipo “Por que você fez isso?”, sem explicitar o que é “isso”. O estilo é distante mesmo. Mas é tudo tão bagunçado que o diretor Tom Kalin não se decide se quer usar narração em off ou legendinhas como “Londres 1972”, ou frases escritas no final preguiçosamente explicando o que aconteceu, então usa tudo. E não diz nada. Talvez, com muita sorte, Grace fique conhecido como “o filme com a cena de incesto da Julianne Moore”, mas essa cena é até fraca se comparada à La Luna, do Bertolucci. La Luna é um drama interessante de 1979, e nele a mãe tem uma relação incestuosa com o filho pra tentar curá-lo do seu vício em heroína. Pelo que li de Grace, a intenção da mãe feita pela Julianne é “curar” o filho da sua homossexualidade. Mas só lendo pra deduzir isso. Pelo filme, eles só transam porque realmente não têm mais nada pra fazer. Pô, nunca ouviram falar em Banco Imobiliário não? Bridge? Canastra? Gamão?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

CRÍTICA: SINÉDOQUE, NOVA YORK / Por obséquio, não entendi lhufas

Philip limpa apartamento da ex sem ela saber que ele existe.

Vi Sinédoque, Nova York esses dias (mas não no cinema, que ele não chegou aqui de jeito nenhum), e lamento dizer que depois de “three strikes, you're out” (tá, é um termo de baseball, ninguém vai entender, tipo “três erros e você está fora”), e que agora é oficial: definitivamente não estou entre os fãs do Charlie Kaufman. A primeira vez que ouvi falar nele foi ao ler o roteiro de Quero Ser John Malkovich. Ri bastante com o script, achei bem escrito, mas o filme me decepcionou. Não o achei nada engraçado. Aí vi Adaptação, que eu até gosto - isto é, até a metade. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças tenho que ver de novo pra entender por que tanta gente (confiável, de respeito) acha o troço uma obra-prima. Quer dizer, adoro o Jim Carrey e a Kate Winslet, e o filme é fofo, mas não ao ponto de merecer ser posto num pedestal e eu gritar várias vezes por dia “Ave, Kaufman!”. Agora ele acaba de dirigir seu primeiro trabalho, Sinédoque. E não há como negar que Kaufman seja inventivo, original, um banho de alegria num mundo de água quente. E totalmente distante do cinemão americano. Ele tá mais pra Ano Passado em Marienbad e pro tipo de cinema que era feito (pela vanguarda) nos anos 60. Tem muita coisa que me agrada daqueles tempos, mas também me vem à mente alguns slogans, como “o diretor é um gênio; o filme é uma m****”. Porque alguns filmes eram bem ruins, ou pelo menos soam datadérrimos hoje em dia. Atualmente há diretores pretensiosos que fazem algo parecido. E eu não sinto atração alguma por, sei lá, Viagem a Darjeeling. Nessas horas eu só penso na gozação que fazem com o Michael Gondry, falando que Rebobine Por Favor foi o acontecimento cinematográfico mais importante desde Os Excêntricos Tenembauns.
Então. Não vou fingir que entendi do que trata Sinédoque (ou certas obras do David Lynch), porque estaria mentindo, e eu não minto. Sine começa bem, com o casamento em crise de um diretor de teatro feito pelo grande Philip Seymour Hoffman (que pra mim está meio contido aqui) com a cada vez mais linda Catherine Keener, que faz uma artista plástica que pinta quadros tão pequenos que é preciso vê-los com lupa. A filha deles é uma graça, e posso jurar que é interpretada pela menininha filha da Kate em Pecados Íntimos. E considero tudo uma enorme coincidência, já que estou escrevendo sobre Felicidade, que tem o Philip e a Jane Adams, que tá em Pecados também, e daqui a pouco vou ter que fazer os seis graus de separação com o Kevin Bacon. Tá tudo interligado. Bom, o casamento de Philip e Catherine naufraga, o tempo voa, e eu não consigo distinguir a Samantha Morton (de Minority Report) da Emily Watson (de Dragão Vermelho). Pensei que fossem a mesma pessoa. Eu acho legal que uma delas more numa casa pegando fogo, e é sempre um prazer ver a Jennifer Jason Leigh, ainda mais com sotaque alemão, e a Dianne Wiest (fingindo ser homem numa cena). Mas quando o filme passa da metade e chega um momento em que o Philip recebe um prêmio pra fazer o que quiser, e ele decide montar uma produção teatral que leva dezessete anos, o filme me perdeu. Eu desisti dele. Porque dá a impressão que os dezessete anos passam inteirinhos, na íntegra. Tem uns trinta finais, sabe? O filme não termina nunca, e eu pensando, “Dá licença? Sexta tenho que defender minha tese”. Eu não vejo problema em não entender um filme durante metade do tempo. Mas quando noto que o diretor/roteirista está discursando pra si mesmo e não tem o menor objetivo de clarificar alguma coisa, aí eu já fico com o pé atrás. Os dois pés.
Mas o que se pode esperar de um título como Sinédoque, que 99% da população precisa procurar no dicionário pra saber que significa a substituição de um termo por outro? Este é um filme pra poucos. Se você for um dos poucos, legal, sinta-se especial. Se não for, como eu, bem-vindo à exclusão total. Ando rimando muito ultimamente.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

P

Pagamento, O (Paycheck)
Paixão de Cristo, A
Paixão Proibida (Silk)
Panteras Detonando, As
Panteras, As (Charlie's Angels)
Paranóia (Disturbia)
Para Sempre Alice (Still Alice)
Partilha, A
Passagem, A (Stay)
Pássaros, Os
Patricinhas de Beverly Hills, As (Clueless)
Pearl Harbor
Pecados Inocentes (Savage Grace)
Pecados Íntimos (Little Children)
Pelé Eterno
Pele que Habito, A
Penetras Bons de Bico (Wedding Crashers)
Pequena Miss Sunshine
Persépolis
Perto Demais (Closer)
Pianista, O
Pierrot Le Fou
Pink Flamingos
Piratas do Caribe – No Fim do Mundo
Piratas do Caribe – O Baú da Morte
Planeta dos Macacos, filmes iniciais (1968, 71, etc)
Planeta dos Macacos (2001)
Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011)
Plano de Vôo (Flightplan)
Plano Perfeito, O (Inside Man)
Poderoso Chefão, O (Parte 1)
Poderoso Chefão, O (Parte 2)
Ponto de Vista (Vantage Point)
Ponto Final (Matchpoint)
Por Água Abaixo (Flushed Away)
Por um Fio (Phone Booth)
Por um Sentido na Vida (The Good Girl)
Por um Triz (Out of Time)
Poseidon (2006)
Preciosa
Precisamos Falar sobre o Kevin (We Need to Talk about Kevin)
Premonição 2 (Final Destination 2)
Premonição 3
Prenda-me se For Capaz
Presságio (Knowing)
Procuradas
Procurado, O (Parte 1)
Procurado, O (Parte 2)
Procurado, O (Parte 3)
Procurado, O (Parte 4)
Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo
Profecia (2006), A
Promessa, A (The Pledge)
Proposta, A
Prova de Vida
Psicopata Americano

sexta-feira, 27 de março de 2009

CRÍTICA: WATCHMEN / Só mais um pouquinho

Rosopadeletrinhas, fantasia do Batman, e Patrick Wilson de penteado esquizo.

Mais pontos que eu aprovei em Watchmen (primeira parte aqui).
- Adorei a tomada da placa do cemitério que enquadra, ao fundo, as Torres Gêmeas. Depois o “herói” é enterrado com a bandeira americana e vemos as Torres novamente, e no final também. Elas não caem. Nova York é destruída, mas elas não (sem falar que o discurso no final é praticamente idêntico ao do Bush em 11 de setembro).
- Gostei da sala de guerra com o Kissinger lembrando o Dr. Fantástico (do Kubrick, não do Quarteto Fantástico), e alguém explicando que, se a União Soviética for destruída, a poeira atômica atingirá o México. E um general diz “Isso não é tão ruim”. O Dia Depois de Amanhã pra eles, tá?!
- A trilha sonora inteira é excepcional.
- Jackie Earle Haley (o pedófilo de Pecados Íntimos - é uma metalinguagem irônica vê-lo aqui perseguindo pedófilos) está muito bem como aquele personagem que levo dez minutos pra escrever. Sua voz, principalmente.
- Este é o segundo melhor filme do Zack Snyder (foto). Gosto demais da refilmagem de Madrugada dos Mortos, e de menos de 300. Watchmen fica na coluna do meio.
- E é a segunda melhor adaptação de uma história do Alan Moore. Pra mim, é 300 vezes melhor que A Liga Extraordinária, e bastante superior a Do Inferno. Só perde pra V de Vingança.
- Estou viajando, ou o que acontece com o Dr. Manhattan não é parecido com aquilo do personagem do Bruce Willis em Pulp Fiction? Um carinha se sacrifica para resgatar um relógio, que significa muito pra ele. Em troca do sofrimento, ele se torna um homem mais durão e completo. Não? Nada a ver?
E mais do que não gostei:
- O filme é episódico, porque fala um pouco do passado de cada personagem. Alguns funcionam melhor que outros, lógico. Por exemplo, quando a Terra tá pra ser devastada por uma hecatombe nuclear, eu não dou a mínima que um personagem descubra quem é seu verdadeiro pai. Simplesmente não é importante. Morra.
- Matthew Goode que faz o Ozy ou algo assim, sei lá, o riquinho, tá muito mal e não inspira medo algum. Mas nem o reconheci! Ele é o melhor amigo do protagonista em Ponto Final, que eu amo.
- Porém, qualquer filme que mostra o Lee Iacocca (o Bill Gates dos anos 80) levando um tiro no meio da testa tem a minha simpatia. “Grátis é sinônimo de socialismo”, diz Lee no filme, antes de conhecer seu trágico fim.
- Transformei a tirada que li de um crítico americano em piada. Ei-la: Por que o Homem-Coruja guarda sua fantasia de super-herói num depósito? Resposta: pra não ser processado por plágio pelo Bruce Wayne. Boa, hein?