segunda-feira, 25 de agosto de 2008

CRÍTICA: PROCURADO / Humilhe sua chefa gorda. Ela merece

E a gordofobia continua a pleno vapor em Procurado. A chefe do James McAvoy na sua versão pré-herói é gorda, e fica claro que ela é gorda porque come demais. E é uma bully. Só na ficção gordas são chefes e bullies, porque, na vida real, há estudos que mostram que gordas são discriminadas nas contratações, e por isso ganham menos que magras. E além disso, gordas são muito, muito mais vítimas de agressões que agressoras. Essa deturpação da realidade lembra a bel hooks quando diz que, quase sempre que há um juiz nos filmes de Hollywood, ele é negro. Na vida real não existem muitos juízes negros, mas a ideologia é fingir que existem, pra criar uma ficção de que os EUA não são racistas. Pelo contrário, são a terra das oportunidades. Agora vamos brincar também que gordas são agressoras, não agredidas. O discurso do James contra a chefa é horrível. Ele diz que entende que a escola deve ter sido ruim pra ela, mas que isso não lhe dá razão para descontar em todo mundo. E que a vê comendo donuts escondida. E que sente mais pena que ódio dela. O que é isso, um manual da gordofobia? Ultimamente Hollywood vem pegando pesado com as gordas. De cabeça, lembro de Agente 86 e Wall-E. Procurado vem se juntar ao time do preconceito.

14 comentários:

Chris disse...

Eu achei Agente 86 extremamente preconceituoso, mas, Wall-E, para mim, caiu mais como um alerta à saúde do que à gordura como 'coisa feia' propriamente dita...

Beijocas mís

Cynthia disse...

Se fosse só nos filmes de Hollywood tava bom. O pior é que a gente vê que, em qualquer lugar, gordo só serve como motivo de piada, mesmo quando (ou principalmente quando) algo horrível acontece com ele. Caso contrário, ocorre o impensável : quanto mais gordo se é, mais invisível...

;o)

Santiago disse...

Lola: Sobre homens super musculosos.

O filho de um amigo começou tomar suplemento alimentar para ficar "forte". O pai dele começou perceber um cheiro muito forte e desagradável quando ele ia ao banheiro. Quando descobriu o que o menino (21 anos recém formado em educação física) estava fazendo, disse para ele parar imediatamente que podia fazer mal. O rapaz fingiu que parou e escondeu na casa do avô o tal suplemento e continuou tomando. Um mês depois, apos passar mal e ver que a barriga estava dura, foi ao médico. A resposta do médico aos pais foi fulminante. "Não adianta fazer nada ele vai morrer em um mês". Realmente não se pode fazer nada, mesmo contra a opinião do médico, arrumaram um doador as pressas, o médico mais caro do Albert Einstein, em São Paulo; mas, a caminho do hospital ele teve uma crise e morreu. 21 anos! E nem foi a sala de cirurgia. Isso aconteceu no começo deste anos de 2008.

Santiago disse...

Lola:

Esqueci de citar a doença que o rapaz tinha. Hepatite Medicamentosa; foi o que se supôs.

lola aronovich disse...

Eu sei, Chris, não é todo mundo que acha Wall-E gordofóbico. Aliás, nem Agente 86! Tem gente que vê a fala do Steve Carell pro grandalhão (“big people are people too”, ou algo assim) como uma defesa dos gordos! Obviamente eu não concordo. Mas mesmo dentro dos movimentos de fat acceptance que existem nos EUA há divergências sobre o quanto esses filmes são preconceituosos.


É verdade, Cynthia, é em todo lugar, não só nos filmes de Hollywood. Gordo é sempre pretexto pra piada ou invisível.


Ai, não sei, Santiago, morrer por tomar suplemento alimentar?! E em tão pouco tempo? Pode acontecer, mas...

Pernambucobebendoparaomundo disse...

Alguns amigos meus foram cursar disciplinas do mestrado no Arizona, e lá foram convidados para ir a um desses bailes de formatura estadunidenses* clichê de vários filmes. Lá chegando disseram que o salão estava dividido, de um lado o mainstream e do outro as demais pessoas, que eram maioria, diga-se de passagem.
Gordofobia (e outras xenofobias)nos isteites tá ficando semelhante ao apartheid sul africano, uma minoria querendo ser "superior" à maioria...



* Godard está certo quando diz que é triste um pais não ter nacionalidade, já que somos 35 países mais 19 colônias, ou dependências, nessas terras americanas, não há porque o monopólio do nome ser apenas dos suditos da casa branca...

Santiago disse...

Lola:

Se morre sim! Já ouviu falar em fungos? Se morre até mais rápido!
Fígado mata mais rápido que coração. Pode acreditar; eu tenho alguma especialização em hepatite c.
Fique longe de suplementos alimentares desconhecidos.
E nunca duvide de quem sabe mais que você. Se estou te contanto essa história é, principalmente, para que alguns que lêem seu blog fiquem informados.
Eu não perguntei o que você acha!

Santiago disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
lola aronovich disse...

Lá nos EUA é tudo bem apartheid mesmo, Gio! Isso porque eles separam as pessoas entre winners e losers. E esses grupos não se misturam, que os winners não querem ser contaminados pelos losers. Espero que o Brasil não siga esse caminho. Sobre o velho debate “americanos somos todos nós”, desculpe, Gio. Apesar de eu ser de esquerda, o termo “estadunidense” me parece muito estranho. Eu não ligo que eles se digam americanos. Podem ficar com o rótulo, por mim. Eu sou latino-americana. Ou sul-americana. Isso de ver todos os três continentes como uma só América implica que nós aqui, dos países pobres, do quintal, temos muitas conexões com o império. E não acho que temos não.


Santiago, é que este blog é muito democrático. Por isso, as pessoas dizem o que acham mesmo quando não perguntam pra elas. Mesmo quando elas não estão “autorizadas” a falar, sabe?

Santiago disse...

Ok!

Verônica disse...

eu sofri anos (e confesso: ainda sofro mesmo que em menor proporção) pelo meu corpo. sou gorda e desde que entrei na adolescência as pessoas (em sua grande maioria familiares) apontam a questão cotidianamente para mim, ressaltando que 'se eu emagrecesse a minha vida seria melhor, eu seria mais bonita e tudo mais'. isso criou no meu inconsciente uma enorme e conflitante imagem de mim mesma...difícil de superar e que só melhorou um pouco com anos de terapia.
hoje tenho uma filha e meu ex-marido vive dizendo que ela está gordinha, que ela ficará obesa e toda a mesma ladainha de sempre. faço o possível para minimizar isso para ela, não quero que ela passe pelo que passei e ainda passo.
a pior coisa que podemos fazer a alguém é destruir sua auto-estima.
e eu sempre me pergunto em que mundo eu estou.
abraços
ps. e sobre seus olhos, talvez mandões não seja o melhor adjetivo mesmo, mas não sei eles tem algo penetrante. eu confiaria em seus olhos.

lola aronovich disse...

É uma droga mesmo, né, Verônica? O nosso corpo parece ser propriedade pública pra todo mundo avaliar, querer consertar, opinar.... Certamente isso não acontece com os homens! Duvido que muita gente chegue pra um gordo e dê palpites pra ele emagrecer, como fazem com as gordas. Meu marido não é nada gordo, mas é careca, o que também está fora do padrão de beleza. Acho que nunca alguém na vida dele (e ele já tem uns 20 anos como careca) chegou e falou pra ele usar o tônico capilar x, fazer transplante de cabelo, usar peruca... Mas e a gente, quantas vezes ouvimos isso de “se vc emagrecer, sua vida seria muito melhor”? É mesmo uma destruição constante da nossa auto-estima. E eu acho esse pessoal burro. Primeiro, porque eles acham que estão ajudando, quando obviamente não estão. Segundo, porque eles fingem não saber que uma mulher gorda passa a vida inteira tentando emagrecer. Ah, não deixa o seu ex-marido traumatizar a sua filha. Ainda bem que é EX... Apareça sempre, Verônica.

Samara L. disse...

O mundo realmente pega pesado com as gordas. E ainda assim a gente consegue arrancar muita felicidade do mundo. Acho fantástico.

great mineral makeup disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.