terça-feira, 11 de agosto de 2020

30 ANOS JUNTOS!

Hoje eu e meu amor Silvinho, vulgo maridão, completamos três décadas juntinhos. 
Uma das nossas fotos mais antigas, de 1990 ou 91, provavelmente em São Sebastião, SP
Sei que é mais tempo que a idade de muitos de vocês, e que tanto tempo de relacionamento não é tão comum. Mas, enquanto estiver bom, a gente vai continuando.
Eu e Silvinho jovens na Rua das Palmeiras, em Joinville, em 1994
Eu já falei várias vezes de como nos conhecemos e de otras cositas más, e não aguento mais falar. Bom, a gente falou hoje num vídeo que gravamos agora à tarde pro Fala Lola Fala. Era pra ser um vídeo curtinho, mas deu vinte minutos. 
Vou colocar aqui neste post algumas das minhas fotos preferidas com o Silvinho. 
Um beijo pra dar sorte embaixo da árvore do amor nas eleições 2018. Infelizmente não deu muita sorte
Triste porque nossas últimas fotos juntos devem ser de janeiro em Alagoas, que foi a única vez no ano que viajamos juntos. Desde março estamos confinados em casa, e quem é que tira foto em casa? (bom, algumas pessoas. Não a gente!).
Eu, Graciliano Ramos e Silvio em Maceió, janeiro 2020
No Museu da Revolução em Havana, dezembro 2017
Andando de ônibus pra turista (teto aberto e tal) em Cuba
Silvio abraça Lola no quintal da nossa casa em Joinville, 2004
Privatizando um banco em Roma, julho 2011
Silvinho faz careta em restaurante em Fortaleza, 2012
Na casinha da minha mãe em Joinville, talvez em 2005
Aracaju, janeiro 2019

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

GUEST POST: O DUPLO PADRÃO DO JULGAMENTO SOCIAL

Tássia Veríssimo é produtora editorial (UFRJ) e mestra em Literatura Brasileira. 
Trabalha na Assessoria de Comunicação do Arquivo Nacional, além de escrever para a revista Kurumat'á e para o jornal Sul Fluminense Notícias. Uma carioca amante dos pinguins e dos abraços apertados. Fiquem com ela!

Poucas coisas incomodam mais a sociedade do que a mulher que transa. Se gozar, então, pior ainda. Apesar de sermos sexualizadas desde cedo, não é visto com bons olhos que essa sexualidade seja usada a nosso favor. Devemos emular um comportamento sexy-pornô para satisfação masculina, mas não tomar as rédeas do nosso prazer.
E é muito fácil perceber isso. Quando numa discussão sobre aborto ou mesmo sobre formas dignas de parto e necessidade de se combater a violência obstétrica, a gente lê e ouve argumentos do tipo “na hora de fazer gostou, então aguenta”; “quem mandou abrir as pernas?”. Dói no fundo da alma quando eu vejo alguém –- principalmente uma mulher -– falar isso porque não passa de misoginia internalizada. É moralismo puro. É dizer que a nós cabe punição por transar. Se for fora do sagrado matrimônio é ainda pior. Engravidou do peguete aleatório? “Bem feito”. 
Ninguém lista para os homens os métodos contraceptivos ou lhes diz que “na hora de comer foi bom, agora aguenta”. A eles é cobrado apenas o pagamento da pensão quando se vai para a justiça –- o que não acontece em todos os casos, principalmente quando a mulher é pobre e sem acesso a advogado particular. Se pegar a criança a cada quinze dias e postar foto em rede social já é considerado herói.
Percebem o duplo padrão de julgamento social? Os homens podem transar livremente, com quantas quiserem e inclusive abrir mão da camisinha sob o argumento de que incomoda o prazer deles. As mulheres devem transar com o mínimo de caras possível e a elas cabe o “se cuidar” pra não engravidar, o que geralmente significa entupir o corpo de hormônios e lidar com as consequências disso na saúde e na libido. E ainda correr o risco de pegar uma doença.
Num mundo igualitário a contracepção e criação dos filhos seria algo compartilhado de fato. O prazer feminino e masculino estaria no mesmo patamar de importância. No mundo que temos hoje resta a nós mulheres, enquanto classe, o ônus da contracepção, da gravidez compulsória, da maternidade solo. O fardo é pesado e somos nós por nós. Isso não é sobre mim ou sobre você. 
Não é sobre os companheiros maravilhosos que algumas temos. Precisamos pensar no macro. Não julguemos a coleguinha. Cada uma sabe o abacaxi que descasca todo dia para ser mulher num mundo de homens.

domingo, 9 de agosto de 2020

VÍDEO: 75 ANOS DE HIROSHIMA E OUTRAS BARBARIDADES

Sexta marcou 75 anos de Hiroshima, um fato terrível que nunca deve ser esquecido para que não aconteça de novo. 
No meu novo vídeo eu falo deste massacre que matou 70 mil pessoas na hora e de outras atrocidades, como as "mulheres de conforto" (coreanas como as da foto, chinesas, filipinas etc que foram escravizadas sexualmente pelo exército japonês durante a Segunda Guerra). Vá lá no canal, inscreva-se, comente, e espalhe! Obrigada!
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O DIA EM QUE BOLSO QUASE DEU GOLPE

Não pode passar batido de jeito nenhum este artigo revelador da Monica Gugliano na Piauí
Ela conta como, no dia 22 de maio, ­o excrementíssimo presidente, revoltadíssimo com a possível apreensão do celular de Carluxo pelo STF, se reuniu com três generais de seu governo e anunciou que iria mandar tropas para o Supremo, destituir os onze ministros, e colocar gente de sua confiança. Em português mais simples, golpe! Um dos generais, o Heleno, disse que não era o momento. Tem momento pra dar golpe! 
O país está tão acostumado com essas ameaças frequentes que desta vez não houve nem nota de repúdio. 
Nem o Planalto, nem o STF, nem o Congresso se manifestaram. Fingiram que a reportagem não existiu. Os generais negaram que a reunião aconteceu. 
E a vida segue. Reproduzo aqui a coluna Diário do Bolso de José Roberto Torero sobre este evento. Pra aguentar o país, só rindo mesmo! (ah, mais uma arte certeira do Cris Vector lá em cima).

Quem será que contou? Será que foi um garçom? Será que algum general falou pra uma garota de programa e ela abriu o bico?
Se eu pegar quem foi, boto na rua com um pontapé no meio dos fundilhos! Encho de ozônio o furico do sujeito!
Não sei qual o nome do infeliz, mas alguém contou pra revista Piauí (aquela dos banqueiros comunistas) tudo que aconteceu no dia em que eu quase acabei com o STF! O dia em que eu quase dei um golpe.
Foi em 22 de maio. Aquele urubu do Celso de Mello tinha dito que queria meu celular. Tá louco? É nunca! Nem minha mulher encosta no meu telefone!
Quem estava no meu gabinete era: o Braga Netto, da Casa Civil, o Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e eu. O General Heleno chegou atrasado. Tinha ido no médico. Não lembro se era covid ou exame da próstata. Mas não interessa. Eu estava fulo da vida e disse: “Vou intervir!”
Minha ideia era mandar as tropas tirarem aqueles onze corvos do STF. Nem sei quem eu ia colocar no lugar, mas que ia fazer um furdunço, eu ia.
O Luiz Eduardo achou uma boa ideia, porque aquele negócio do Alexandre de Moraes impedir o Ramagem de ser o chefe da Polícia federal já tinha sido um absurdo. Se eu quero colocar um cupincha lá, eu tenho que poder colocar, pô!
O Augusto Heleno, que geralmente é meio nervosinho, veio botando panos quentes. Ele achava que não era pra tanto. Deve ter passado no médico da próstata, porque estava muito manso.
Aí chegaram o André Mendonça, que hoje é meu despachante, quer dizer, ministro da Justiça, o Fernando Azevedo, da Defesa, e o André Levi, da Advocacia-Geral da União.
A gente ficou debatendo pra ver se dava pra dar uma cara de legalidade pra coisa. Só comecei a me acalmar quando me explicaram que ainda não havia ordem pra pegar meu celular.
E me tranquilizei de vez quando o Heleno fez uma nota em que ameaça dar o golpe, dizendo que pegar meu celular traria “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.
Acabou que não entreguei meu celular e, por causa daquela frase de macheza, os colegas militares do Heleno deram um monte de tapinhas nas costas dele.
Bom, Diário, eu até quis, mas não foi dessa vez. Na próxima, quem sabe...?

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

BANDO DE FDP

É compreensível a revolta do historiador e professor Fernando Horta na sua página no FB

O Brasil tem 57.797.847 de filhas da puta. E isso é preciso que entendamos bem.
São 57.797.847 de filhas da puta que jogaram o país nas mãos de um psicopata imbecil que seria incapaz de governar uma cocheira sem que as mulas precisassem buscar uma forma de sobreviver por elas mesmas, em desespero pela incompetência do idiota.
Que fique bem claro, são 57.797.847 de filhas da puta que continuam achando que fizeram "o certo" mesmo quando 94.130 brasileiros morreram da maior pandemia dos nossos tempos. 
Morreram deixando filhos, filhas, irmãos, irmãs, esposas e maridos sozinhos neste mundo com o país governado pelo maior e mais incapaz ser que andou sobre a Terra.
São 57.797.847 de filhas da puta que trocaram um país com algo próximo ao pleno emprego em 2014 por um país com com quase 13% de desemprego. Entre esses 57.797.847 de filhas da puta certamente há jovens. E o desemprego entre eles deve atingir quase 40% durante o governo daquele que relincha.
Esses 57.797.847 fizeram tudo isso por "não querer o Pêtê". E por pura vilania obtusa e burrice congênita elevaram um ruminante ao posto de presidente que, além de patentemente corrupto e incompetente, ainda transmitiu isso aos filhos. Prole geneticamente incapaz que aquele que relincha acha que pode colocar inclusive como embaixador.
Veja, não sei se já disse, mas são 57.797.847 de filhas da puta que mesmo com todas as ligações daquele que relincha com grupos criminosos e assassinos no RJ seguem defendendo o impossível. São 57.797.847 de filhas da puta que por pura vaidade não reconhecem que jogaram o país no maior buraco da sua história e são responsáveis DIRETOS pela morte dos mais de 94 mil brasileiros.
A pandemia era inevitável, mas ser governado por um ungulado ruminante foi uma escolha "soberana" de 57.797.847 de filhas da puta que fariam melhor ao país se se declarassem incapazes para qualquer coisa que não for fazer suas próprias necessidades. Até porque fizeram-nas na urna eletrônica naquele fatídico dia. E como 57.797.847 de filhas da puta incapazes, são os adultos responsáveis -- o resto da população -- que terão que limpar a merda que esses idiotas fizeram.
Não sei se fui claro, o país tem 57.797.847 de filhas da puta que são DIRETAMENTE responsáveis pela ruína da nossa economia, pelo galopante desemprego, pela destruição dos nossos biomas e florestas, pela ruína da nossa política externa, pelo crescimento da violência contra a mulher, contra a população lgbt e a destruição da nossa educação pública.
São 57.797.847 de filhas da puta que são completamente responsáveis pelo genocídio brasileiros que ocorre em todo território quando aquele que relincha se mostra cada dia mais incapaz de cuidar de sua própria bunda, que dirá do país.
São, volto a dizer, 57.797.847 de filhas da puta que DEVEM ser responsabilizados totalmente pela morte de 94.130 brasileiros até hoje. E, provavelmente, pela morte de mais 94 mil até que este criminoso recalcado e incapaz que nos governa seja apeado do poder.
De Bolsonaro tenho certeza que nos livraremos e, não sou cínico, espero que ele morra em agonia desesperada. A pergunta é: conseguiremos nos livrar dos 57.797.847 de filhas da puta que o elegeram?

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

A TRÁGICA HISTÓRIA DO ROBÔ MACHISTA

É pra chorar, mas eu só consigo rir. É uma história que eu não conhecia, e talvez muitas e muitos de vocês não conheçam também. Ela mostra o estado de calamidade pública do nosso mundo.
É sobre Tay, um programa de inteligência artificial da Microsoft designado para aprender das pessoas. As primeiras letras correspondiam a "thinking about you", ou "pensando em você". O programa foi lançado em 23 de março de 2016. 
E foi tirado do ar menos de um dia depois. 
Um jornalista definiu Tay como "um papagaio com conexão à internet". Ou seja, ele imitava o comportamento humano nas redes sociais. Em outras palavras, "o Twitter ensinou o robô de inteligência artificial da Microsoft a ser um babaca racista em menos de um dia".
Pra ser mais específico: "16 horas depois de seu lançamento, Tay estava proferindo sua admiração por Hitler, seu ódio por judeus e mexicanos, e solicitando sexo explicitamente. Ele também culpou o presidente Bush pelo ataque terrorista de 11 de setembro. Em um tuíte, Tay expressou seus pensamentos sobre feminismo, dizendo 'Odeio feministas pra c*ralho e elas deveriam morrer todas e queimar no inferno'."
Foi um ataque orquestrado, claro. A Microsoft pediu desculpas e deletou 96 mil tuítes escritos por Tay. Só que o sentimento de fracasso ficou, até porque a Microsoft havia divulgado Tay dizendo: "Quanto mais você conversa com Tay, mais esperto ele fica". 
Em 30 de março de 2016 Tay voltou, falou um pouco de drogas ("Estou fumando maconha na frente da polícia"), e acabou tuitando a mesma coisa repetidamente ("Você é rápido demais, descanse, por favor"). 
Foi substituído por Zo.
Pelo jeito, de nada adianta adotar inteligência artificial se a inteligência real de boa parte da humanidade está seriamente comprometida...

terça-feira, 4 de agosto de 2020

VOLTA ÀS AULAS: O ANO LETIVO SE RECUPERA, VIDAS NÃO

Cresce a ideia de que, sem vacina, sem volta às aulas presenciais. O risco é grande demais, inclusive para crianças. 
Um estudo publicado mostrou como se espalhou rapidamente um surto de coronavírus num acampamento para crianças em junho, nos EUA. Dos quase 600 participantes do acampamento, mais da metade fez o teste e 260 (ou 76% dos testados) descobriram estar contaminados em menos de uma semana. O relatório concluiu que crianças de todas as idades são tão suscetíveis a pegar covid e tão infectantes quanto adultos. 
Um estudo da Fiocruz no final de julho já apontou que a volta às aulas no RJ em agosto pode causar até 3 mil novas mortes. Mais de 9 milhões de pessoas do grupo de risco convivem com crianças e adolescentes em idade escolar na mesma casa em todo o país.
Publico hoje o artigo do deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), que fala da volta às aulas em SP.

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, com apoio de 36 vereadores, o projeto apresentado pelo prefeito Bruno Covas que autoriza a reabertura das escolas da rede pública municipal para aulas presenciais. A segunda votação deve acontecer nesta semana.
A retomada das aulas nesse momento, em que o coronavírus ainda não está sob controle, é um grave erro, que expõe a riscos a vida de professores, profissionais da educação e até mesmo dos próprios alunos e seus familiares. O perigo objetivo é que, algumas semanas após o retorno, tenhamos mais mortes a prantear, inclusive de crianças. O prefeito carregará a responsabilidade por elas.
Como a atestar a irresponsabilidade da medida, a prefeitura faculta aos pais a escolha sobre a volta ou não de seus filhos às escolas -– ou seja, o governo lava as mãos e joga nos ombros das famílias uma decisão que compete à administração e deveria ser guiada por critérios estritamente médicos e científicos.
O projeto elenca uma série de medidas sanitárias que devem ser observadas nas unidades para guiar o retorno, mas, ainda que todos os cuidados sejam tomados, não há como garantir que não haverá ampliação do contágio. Estou curioso para saber como o governo pretende que crianças mantenham a distância necessária umas das outras ou não compartilhem brinquedos e material escolar. Basta ter filhos, netos, sobrinhos para saber que é inviável.
Incluídas as conveniadas, São Paulo possui quase 4 mil unidades escolares e, sendo uma rede tão grande, pulverizada e complexa, é impossível atestar que as condições sanitárias ideais sejam cumpridas diariamente em todas as elas. Muitas conveniadas, por exemplo, funcionam em casas ou prédios adaptados, às vezes sem áreas abertas e ventiladas.
Além disso, as escolas não são ilhas, que se podem isolar da dinâmica da cidade. A reabertura escolar pode causar inclusive um repique de crescimento na disseminação do vírus, que, insisto, não está controlado.
Imaginemos que, todos os dias, milhares de profissionais, pais e alunos terão de se deslocar, muitas vezes através de transporte coletivo, para ir e voltar. Não estamos falando de poucas pessoas: são mais de 60 mil professores, um milhão de alunos, além de outros profissionais e os responsáveis por levar as crianças. Ainda que apenas uma parte dos estudantes compareça, é como se uma cidade de grande porte voltasse a circular diariamente dentro de São Paulo.
Sem contar que o projeto enviado pelo Executivo tem uma série de contrabandos que abrem as portas para a privatização do ensino público paulistano, como a contratação de até 20% de profissionais sem concurso e a compra de vagas em colégios da rede privada. Ou seja, o governo aproveita a pandemia para colocar em curso um plano muito mais ambicioso, contra o qual há enorme rejeição entres os trabalhadores e grande parte da sociedade, sem realizar o amplo e necessário debate público.
Há uma questão incontornável: a volta às aulas presenciais, na prática, soterra qualquer tentativa de manutenção do isolamento social. E o faz sem que se realize testagem em massa para fazer a busca ativa dos novos casos ou que sejam implementadas novas medidas para tentar inibir o contágio. Em suma, é uma temeridade.
Não podemos conceber que São Paulo, cidade que tem 225 mil pessoas infectadas e quase 10 mil vidas perdidas, queira retomar as aulas sem controlar a pandemia. O ano letivo pode ser recuperado, as vidas, não.