Nessas horas gostaria de ter poderes telekinéticos e usá-los contra panacas que tacam sangue em feminista
Olá, pessoas queridas! Só algumas notícias rápidas que merecem registro. Infelizmente, estou sem tempo pra escrever sobre elas com mais detalhes.
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| Perfil fake pra divulgar hoax |
Algo que tem me deixado indignada é a rapidez com que os meios de comunicação compraram a mentira de que realmente existe uma nova tendência no movimento feminista que se chama free bleeding, que consiste em não usar absorventes e deixar o sangue correr livre, pra celebrar nossa feminilidade. Ah, e porque OBs são patriarcais. Algo assim.
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| Anúncio francês de Tampax |
É um fato que o corpo da mulher sempre foi (e continua sendo) avaliado com sujo e impuro. É um fato que menstruação ainda é um tabu, e que as pessoas odeiam falar sobre isso. É um fato que um dos objetivos de muitas correntes feministas é fazer com que meninas e mulheres desconstruam a narrativa que aprenderam e não mais se envergonhem do seu próprio corpo. Mas nunca ouvi falar de garotas andarem por aí espalhando seu sangue.
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A prova do crime: hoax sendo criado no 4Chan (clique para ampliar) |
E sabe por que a gente desconhecia essa "tendência"? Porque ela não existe. Porque tal "movimento" foi criado pelos channers, esses rapazes com muito tempo de sobra, ideias reacionárias, e desejo de "gerar LULZ" (dar risada). Como são preconceituosos, seus alvos-preferenciais são grupos historicamente oprimidos e quem combate preconceitos. Ou seja, eles adoram tirar sarro de feministas.
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| R7 acreditou e divulgou |
Portanto, inventaram essas imagens e criaram perfis falsos pra espalhar o free bleeding. Até aí, normal. É o que eles (e demais machistas) fazem o tempo todo. O surpreendente é como veículos da mídia tradicional publicaram essa besteira sem a mínima pesquisa (é só fazer a mínima investigação! Em janeiro, por exemplo, escrevi sobre um vídeo antifeminista forjado por mascus).
Ano passado o Chan tentou criar outra falsa polêmica, uma chamada "bikinibridge" (que inventava que as feministas estariam furiosas com um novo padrão de beleza). Não deu muito certo, ninguém deu bola. Mas tem algumas criações que colam.
Durante anos circulou o hoax sobre a "líder do movimento feminista brasileiro" (esqueci o nome, mas ninguém nunca ouviu falar nela, porque... ela não existe; aliás, desde quando feminismo tem líder?) que, no Programa do Jô, deu a entrevista bombástica de que mulheres não devem fazer sexo "de quatro", porque essa seria uma posição submissa.
Apesar da total falta de fontes (a mulher não existe, nunca ninguém disse isso no Jô, feministas -- ao contrário de machistas -- não se metem na vida sexual alheia, etc), essa lendinha urbana até hoje circula com desenvoltura na internet, e fora dela. Um dos vários colunistas reaças da Folha, o Pondé, até citou o hoax (seriamente, é claro, porque esse filósofo não brinca em serviço).
Um mínimo de senso crítico, por favor. Pra começar, desconfiem de qualquer notícia, sobre qualquer assunto, que fale de "tendências". Isso quase sempre é o jornalista de veículo querendo gerar hype. É assim: putz, observei dois amigos meus dando, sei lá, beijinho no ombro, então obviamente esta é uma nova tendência. Vamos escrever uma matéria sobre a moda do beijinho no ombro!
E desconfiem em dobro se for alguma tendência de um movimento de luta, como o feminismo. Vocês já devem ter ouvido falar que os insultos usados contra as primeiras feministas (mulheres que tiveram a ousadia de exigir poder votar) são os mesmos usados até hoje. Por que será que feministas incomodam tanto o status quo que precisam ser destratadas constantemente pela mídia?
Agora, algumas boas notícias: o comovente discurso da atriz Ellen Page (Juno, Origem) na Conferência Time to Thrive (Tempo para Crescer), da Human Rights Campaign. Ellen se assumiu lésbica, esperando que mais e mais pessoas, principalmente jovens, possam se aceitar e ser aceitos como são.
Outro vídeo que está dando muito o que falar é um curta francês, Majorité Opprimée (Maioria Oprimida), que inverte os papéis de gênero (agora já com legendas em português).
Eu não curti tanto assim porque, apesar do tom leve do começo, ele contém uma cena de violência sexual que pode ser bem triggering (sem falar que o vídeo vê feministas como oposto de machistas). Mas é um bom exercício pros homens tentarem se colocar no lugar das mulheres (muitos juram que iriam gostar de ser apalpados na rua, mas, lógico, a realidade é totalmente diferente).
A premissa do filme é imaginar uma sociedade em que todo o mundo fosse homossexual, e héteros é que seriam discriminados e perseguidos (ou seja, a sociedade que os reaças dizem que a gente vive hoje, ha ha).
Mais uma boa notícia! O Facebook deixou de lado o binarismo de gênero e decidiu oferecer 56 opções de gênero pras pessoas escolherem. Por enquanto, a iniciativa só está em inglês (entenda algumas das opções oferecidas).
Os reaças já estão chiando, e não dá pra entender porquê. Liberdade não é algo legal? Não é bacana poder escolher entre 56 opções, e não apenas entre duas? Se você estivesse numa sorveteria, preferiria escolher entre 56 sabores ou só entre dois? E você sairia pregando que apenas dois sabores deveriam existir, porque Deus quis assim, e em sua infinita sabedoria (porém limitada criatividade) criou baunilha e morango? (Chocolate não é de deus, todxs sabemos).
Confirmado! Segunda que vem (não amanhã, a próxima), dia 24 de fevereiro, estarei em Floripa. Vai ser uma corrida, pois chegarei aí à uma da manhã, participarei da banca do Filipe na UFCS às 10 horas, de um seminário à tarde, e 18:30 já pego o voo de volta pra Fortaleza.
Como a UFSC ainda estará de férias, faremos a palestra no auditório do Sindicato dos Bancários, no centro de Floripa, às 13:30. As meninas do Coletivo Somos Pagu, do Movimento Mulheres em Luta, bolaram este cartaz inspirado no meu livro (obrigada, lindas!). Mas não serei só eu falando. Estamos tentando organizar uma mesa redonda com quatro pessoas (uma delas moizinha) pra falar sobre vários tipos de violência.
Assim que tudo estiver mais organizado eu aviso a vcs. Mas, por favor, pessoal de Floripa: reserve um horário na sua agenda, porque sabe-se lá quando voltarei a Floripa (é longe, tá caro!).
Deixo aqui também o meu cartaz pro meu curso de extensão, na UFC, que começa em janeiro. É só se inscrever pelo meu email.
E, pra finalizar (ufa!), peço encarecidamente que vocês deixem de frescura e participem do meu tradicional bolão do Oscar.
Entendi nessa última enquete que muitxs de vocês odeiam o Oscar, ou odeiam o bolão, ou ambos. A pergunta era: "Por qual filme vc está torcendo pra ganhar o Oscar de 2014?", e devo dizer que 12 Anos de Escravidão ganhou por apenas dois votos de vantagem sobre o segundo colocado, "Nenhum, odeio o Oscar" (Lobo de Wall Street ficou em terceiro, com 15%, e Gravidade em quarto, com 12%). Pessoas, Oscar é só uma vezinha por ano. Vamos lá, parem de partir o coração da Lolinha em mil pedacinhos amanteigados.