quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A LINDA PELE QUE HABITAMOS

Uma pessoa fisicamente linda assiste a outra.

O mais recente filme de Pedro Almodóvar é o máximo. Aliás, o diretor espanhol é o máximo, um dos cineastas mais adorados e criativos da atualidade (das últimas três décadas, pra ser franca). E ele deve ser o mais ousado -– não é qualquer um que consegue transformar o melodrama em obras de arte. Infelizmente, é duro falar de A Pele que Habito (título maravilhoso que diz muito sobre aceitação do corpo) sem entregar a trama. Então minha recomendação é que você vá correndo ver o filme sem saber de nada (se quiser arriscar, veja o trailer). Saiba apenas que Antonio Banderas não consegue um papel desses desde... bom, desde que largou a Europa e foi pra Hollywood. E que Pele trata de uma história imperdível e rocambolesca. Com ela é possível fazer umas cinco tramas principais de novelas. E que Pele se tornará no futuro próximo o tema de dezenas de teses e dissertações sobre gênero. Opa, falei demais? Ficarei esperando vcs verem o filme pra poder escrever sobre ele com spoilers.

60 comentários:

aiaiai disse...

por sua própria recomendação, ñ vou ler nem comentar....tentarei ver o filme antes.

Shoujofan disse...

Está passando em três cinemas de Brasília, todos de elite. Em um deles, na sala VIP que tem entrada inteira de quase 50 reais... Eu realmente não devo conseguir ver no cinema... Tsc... Tsc...

Cheshire cat disse...

Lola, sua definição é impecável: Almodóvar transforma melodrama em arte. Sempre.
Assisti ao filme na pré-estréia, não resisti. É incrível e mais um pouco, pena que não podemos falar muito mesmo.

Mariana. disse...

E isso é tudo por hoje? :/

Fernanda disse...

Aguardo os comentários sobre o filme. Eu amei. A loucura artística do nosso queridinho Almodovar foi além de que já vimos ou esperávamos.... ;)

luciana disse...

eu assisti há duas semanas na pré estréia e fiquei assim: querendo comentar com todo mundo e esperando que todos assistissem.

é genial, realmente. eu adorei, recomendo, e aguardo ansiosamente o post com sua opinião!

Dayane Ok. disse...

Eu não gosto de tudo do Almodóvar, mas um dos meus filmes preferidos é dele:Fale com ela.Acho o estilo dele legal, mas acho que exagera no dramalhão mexicano.

karina disse...

Quem não viu este filme, NÃO LEIA MEU COMENTÁRIO.

Lola, pelo visto finalmente uma leitura de "A Pele que Habito" que coincide com a minha. Tenho lido resenhas na internet que destacam o tom noir do filme, a mudança de uma estética vermelha pra uma estética azul, as referências (claro) a Les Yeux sans Visage, o clima de suspense. Mas nada sobre uma leitura de conteúdo. E não se trata de uma tentativa de não entregar o roteiro,não, que tais resenhas até entregam. Mas sem nenhuma leitura.

Depois de assistir ao filme, seu título tomou outro sentido. A pele que habito não sou eu. É apenas a pele que habito. Moldada, torcida,desvirtuada. Mas eu ainda respiro...

Adriana Karnal disse...

estou com a urgência desse filme.

Lord Anderson disse...

Lola criando suspense :)

Somnia Carvalho disse...

lolissima! quanto tempo sem vir aqui!
dica otima que eu vou tentar por tudo conseguir alguem para ficar com a criancada e ir com renato.

beijos

Flavia Vianna disse...

Recomendação anotada!

[.ingrid.] disse...

Vou esperar você contar a história pra assistir rsrs

Cl. disse...

Ih Lola... to vendo que esse filme vai ser mais uma guerra de opiniões TOTALMENTE opostas, sem meio termo, sabe? Tipo como foi com Cisne negro. Até agora nenhum crítico que eu leio gostou do filme, todos acharam que ficou evidente a inexperiência do diretor no estilo que se propôs a fazer, rancando risadas nas cenas que supostamente seriam mais tensas. O que todos concordam até agora é a direção de arte do Antxón Gómez. Mas pelo jeito não deu pra salvar o filme né... enfim, ainda tenho que ver. É bom ter um equilíbrio de opiniões assim, muitos odiando de coração e muitos amando. Geram bons debates.

L. Archilla disse...

Sério que é bom? Não gostei do último, Abrazos Rotos... o Volver eu ainda não vi (shame on me) e Má Educação é muuuito legal, mas perde o encanto quando a gente percebe q é praticamente uma regravação de outro filme mais antigo dele (não lembro, parece q é A Lei do Desejo). Mas, se vc ta falando, eu vou dar um voto de confiança!

Bruno S disse...

Tenho que ver.

Para mim, filme do Almodovar sempre vale o ingresso.

Um Almodovar menor ainda será maior que a maioria dos filmes que entram em cartaz.

Apesar dos estilos diferentes, também acredito nessa regra de ouro para Woody Allen.

Bárbara disse...

Ai, Lola! Assisti ao filme no sábado e agora fiquei louquíssima para saber a sua opinião sobre ele :-)

LisAnaHD disse...

Eu não sou cinéfila, raramente gosto de filme americano... prefiro o cimena europeu e assistiria esse (europeu) se não fosse que li sobre cena ou cenas de estupro... como o enredo foi baseado num livro de um escritor francês (traduzido pro inglês), arrisco a ler o livro.

O filme foi apenas inspirado no livro e não reproduzido... há filmes que são inspirados num livro e outros são reproduzidos tão bem que pra quem leu o livro ver o filme é como estar relendo o livro, coisa rara isso acontecer.

Agora, cá entre nós, que diabos acontece com esses charmosos galãs espanhóis que queriam ser jogador de futebol, sofreranm um acidente, e dão certo como celebridades na música (Julio Iglesias) e no cinema (A. Banderas)...?

ana_alice disse...

eu não vi o filme, não to querendo ver e já vou dizer o pq (mas qm não gosta de SPOILER, não leia)
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ai, gente, eu sou tão fraca pra ver cena de estupro e tortura... não aguento, não. eu já perguntei pra "ene" pessoas se o filme só insinua ou se ele explora essas imagens, mas ninguém me diz.

eu sei a sinopse do livro e li uma resenha sobre o filme há alguns meses, sei sobre oq se trata. fiquei curiosa quando vi o teaser oficial mostrando o banderas psicopatando uma atriz e li a sinopse do imdb ("famoso cirurgião vinga o sofrimento da filha torturando seu algoz"). n entendi como alguém se vinga de um homem machucando uma mulher. daí saquei logo q era sobre mudança de sexo compulsória.

e mesmo sabendo q o cara é um estuprador (por quem eu não sinto a mínima empatia), eu sei q as cenas vão mostrar são com uma mulher.

bom, vamos ver oq a lola achou, de repente, eu repenso e vejo.

Nane Ulsan disse...

Eu assisti, quero ver de novo e digo novamente, Almodóvar é o melhor diretor da atualidade.
É incrível como ele consegue tirar sorrisos, lágrimas e gargalhadas, sem falar na cara estupefata.
Mesmo 'dando a letra' do que vai acontecer, ele faz com maestria.
E vamos combinar, senhor Banderas só é bom, quando fala em espanhol. Ele mesmo já declarou que dizer 'I love you', não é a mesma coisa que dizer 'te quiero'.
Só Almodóvar consegue tirar o melhor dele.


Beijos Lola!
P.S.: Comenta o filme em off... hehehe

LisAnaHD disse...

Ana Alice, tb estou me sentindo assim como vc... até pensei em ler o livro quem sabe seja menos pesado, mas a resenha me deixou assustada... vou aguardar os comments da Lola sobre o filme.

Jac disse...

GENTE DO CÉÉÉÉUUU!!!!!!!! Eu não sabia que tinha filme do Almodóvar na área O___O Isso porque eu me digo fã e blablabla

Vou tentar ver no cinema (igual vi Abrazos Rotos)

Mannï~ disse...

A pergunta que vai ser respondida com um "não" e que vai me fazer chorar:

~Vai chegar em cartaz em Vitória?~

Esses cinemas de bosta daqui, que tem coragem de deixar uns filmes 3D tosquíssimos por mais de 4 semanas em cartaz, e que é capaz de exibir esse filme uma vez, numa terça feira as 15h, na sessão de trerreáu, que nem no jornal anunciam =ppp

Acontece...

Amana disse...

É demais, demais... vou esperar vc escrever o outro post pra comentar, mas pensei muito num primeiro momento do filme sobre as questões ligadas ao estupro, que sempre debatemos aqui - e Almodóvar é sempre surpreendente, né? Como ele consegue sempre fazer algo incrível, inesperado, e melhor do que poderíamos sonhar! Nossa, o filme é demais.

Queria só fazer um desabafo: assisti à película numa sala de cinema na zona sul do Rio, supostamente "cult", com "público seleto" (aspas, aspas). Seja como for, fiquei surpresa com o fato das pessoas GARGALHAREM em momentos completamente tensos, tristes, violentos. Na boa, vou ter que nascer de novo pra entender o que se passa na cabeça das pessoas...

Bia disse...

Eu gostava do Almodóvar, até ele assinar o Free Polanski. Não consigo mais. Dá uma mistura de raiva e tristeza quando alguém que você admira justamente pelas idéias dá uma dessas... se coloca a favor da impunidade contra o estupro e a pedofilia :-(
Aliás, acabei de ler a sua opinião a respeito do caso e fiquei bem triste. Não esperava.
Mas continuo lendo e recomendando quase tudo o que vejo por aqui. Um abraço, Lola.

aiaiai disse...

Quem perguntou se vai chegar a Vitória:
se é Vitória (ES), já chegou! Eu vi ontem em VV e sei q está em cartaz em Vitória também. É só googlar q vc acha...

Caio Ricardo disse...

Assisti o filme há umas 2 semanas e ao fim da sessão já queria revê-lo. Almodóvar é realmente incrível, apesar de alguns deslizes.

Amana, as mesmas gargalhadas que tiveram em sua sessão, houveram em Cannes, na sessão em que fui e possivelmente em todas as outras. Esse foi o único deslize que percebi no filme, a injeção de humor.

Já estava com saudades das críticas da Lola.

Rubens da Cunha disse...

Oi Lola, eu vi... ainda estou digerindo essa escolha estética do Almodóvar pelo sombrio. Sei lá, acho que ele tá ficando um velho meio triste :)

Gêneros Textuais disse...

Fui ontem mesmo. Fantástico.

Saí de lá pensando tanta coisa... inclusive lembrei de uma distopia que (acho) a Deborah Sá escreveu (não estou achando o link) de uma situação em que as mulheres desaparecem do mundo e um homem, que antes se apropriava da violência física para submeter outros ao seu prazer, acaba sofrendo uma tremenda reviravolta.

Se alguém lembrar do link, peço que postem.

Mas é um filme fantástico.

Francisca disse...

Almodóvar, sempre. Rio tanto assistindo os filmes dele! São divertidos, tocantes, ousados. Inteligentes, mas não chatos. Ainda não vi esse último. :(

karina disse...

Amana,

Eu ri muito, muitíssimo em determinada sequência, digamos... de adaptação. Ri tanto, que acho que perdi a sequência seguinte.

Alex disse...

Eu gostei do filme. Mas achei que a partir de um certo ponto a estória ficou previsível. Terminou exatamente do jeito como eu achei que terminaria, e acho que se o final tivesse sido diferente o filme ficaria completamente sem sentido. Enfim, achei um bom filme, mas não surpreendente. Senti até um pouco de pena de Vicente: o pai-vingador conseguiu ser mais cruel do que ele, que praticou um abuso horrendo, mas motivado pelo calor das circunstâncias e por características da vítima que ele desconhecia por completo. Já o pai-vingador não, foi premeditado, meticuloso, e no final da estória acabou completamente impune. Pra muita gente a morte não é punição, é libertação, principalmente pra quem não acredita que exista vida após a morte. A vítima de Vicente também morreu, ou seja, libertou-se. Já Vicente terá que sofrer na carne uma punição que vai durar a vida inteira, e sem a menor possibilidade de justiçamento. Ou aprende a redefinir sua identidade e a ser feliz com um novo eu, ou morre em vida. Eu acho que Vera Cruz vai ter uma bela estória de amor com a atendente lésbica da loja de roupas. Mas isso Almodovar vai ter que contar noutra película.

Alex disse...

Uma coisa de que não gostei foi que os olhos de Vicente não são sequer parecidos com os de Vera Cruz. Os olhos, "as janelas da alma", e o olhar, tinham que ser pelo menos parecidos.

Francisca disse...

Bia,

Talvez o Almodóvar acredite na versão do Polanski, ou seja, que não houve estupro. Muitas pessoas acreditam! Pessoalmente, admiro muito o Polanski. O Pianista é fantástico, primoroso! Nem tenho palavras para elogiá-lo!

Acredito na versão dele de que não houve violência, mas considero que sexo com uma garota de 13 anos é estupro, sem discussão. O próprio Polanski vem admitido isso nos últimos anos. Porém, também fui contra a extradição dele para os EUA. Os americanos não queriam julgar o Polanski, mas fazer um show midiático. Queriam fazer dele um Judas, recebendo todas as pedradas, por todos os criminosos sexuais do mundo, para representar nosso repúdio a esses crimes. Isso não seria uma forma justa de julgá-lo pelo crime que ele efetivamente cometeu. Até a vítima achava isso. Ela era contra a extradição dele e a favor de encerrar o caso.

Lola,

Aproveitando o assunto, obrigada pela indicação do Wanted and Desired. Muito bacana! Estou curiosa para assistir ao Polanski: A Film Memoir.

Bia disse...

Francisca,

Talvez o Almodóvar acredite que não foi estupro, como muita gente acredita. É exatamente isso que me assusta.
Você disse que considera sexo com alguém de 13 anos estupro. Imagino que seja pelo mesmo motivo que eu: porque entre um homem de 40 anos e uma menina de 13 não existe igualdade na tomada de decisões, não existe sexo "consensual", mas sim relação de poder. Logo, trata-se também de pedofilia.
Se a idade já não fosse o suficiente para caracterizar estupro, bastaria ver o depoimento dela. Foi alcoolizada e drogada por ele; disse "não" várias vezes(apesar de que uma só vez deveria ser o necessário, "no means no" é uma das palavras de ordem do feminismo. E, no caso, não devia ter precisado falar nem uma única vez, já que ela era menor e ele não devia ter feito sexo com ela nem se ela tivesse dito "sim", certo? Porque, como já disse, não haveria CONSENSO. No mundo em que vivemos, seja no Brasil ou nos EUA, hoje ou há 30 anos, crianças de 13 anos não decidem as coisas juntamente com adultos de 40 - elas OBEDECEM); e para refutar de vez a hipótese de que teria sido confundida com uma mulher adulta, novamente no depoimento ela relata que Polanski, após a penetração vaginal, perguntou se ela já era "mocinha" e, diante da resposta afirmativa, decidiu pelo coito anal. Ou seja, ele considerava a possibilidade dela ser tão nova, que nem teria menstruado ainda. Se isso não é violência, não sei o que é.
Também acho inválido apelar para o perdão da vítima como motivo para encerrar o caso. Já não se trata mais só dela, nem cabe mais a ela. É um caso de justiça, e o abafamento representa uma injustiça contra todas as vítimas de pedofilia/estupro.
A suposta genialidade de Polanski, o apreço do público por seu trabalho, ou sua trágica história de vida, não deveriam ser usados para tentar atenuar ou relativizar sua condição de criminoso.

Um abraço.

Francisca disse...

Bia,

Sim, eu considero que fazer sexo com um menor é crime, porque ele não está maduro para ter uma vida sexual. Ele não sabe decidir e a sociedade não deve deixar que decida. Mas não gosto do termo pedofilia. Pra mim, ele faz o criminoso parecer um doente. Porém, eles não são doentes e não precisam de tratamento, precisam de punição.

Porque devemos acreditar a priori que tudo foi exatamente como Samantha contou? Ela não pode ter mentido em alguns aspectos? Que versão uma adolescente contaria para a mãe, a dela ou a de Polanski?

Claro, num julgamento justo o juiz levaria em conta a personalidade, os antecedentes e a conduta social do acusado.

Há uma grande diferença entre punir e destruir. Às vezes, a Justiça americana é abominável. Eles simplesmente descartam as pessoas. Lá, já vi condenarem a 50 anos um garoto de 20, porque ele assaltou uma loja, mesmo sem ter atirado em ninguém. Ele errou, claro, e devia ser punido. Mas a 50 anos?

Entendo que você ache que Polanski não pagou pelo que fez. Acho que o próprio reconhece isso. Talvez ele tivesse aceitado ser condenado a alguns anos, mas não a 50! Ele não fugiu no início. Foi às audiências e passou 90 dias preso, mas fugiu quando percebeu que a Justiça ia condená-lo a uma pena maior que a do Manson.

Punir alguém de uma forma injusta, pra mim, é pior que não puni-la. Não falo isso porque gosto dele. Falaria o mesmo se ele fosse meu inimigo.

Bia disse...

Francisca,

Também não considero um molestador como doente, e sim criminoso. Vamos trocar "pedófilo" por "abusador de crianças" então.
Não acreditar no depoimento da vítima sem nem mesmo ter o depoimento do acusado pra contrapor... desacretidar por desacretitar? Por ser difícil demais ver alguém que se admira como uma pessoa horrível?
Sobre se a sentença era justa ou não, se pretendia "punir" ou "destruir", eu não sei porque não sou da área do direito, ainda mais direito americado. Então nem me arrisco a fazer comparações do tipo "o Manson pegou menos tempo de cadeia do que o Polanski", não sou juíza. Mas sei que quando não consideramos a pena justa, devemos recorrer e não fugir.
E se será que, se fosse um estuprador qualquer do seu bairro, você teria essa mesma compaixão caso ele fugisse por considerar a pena injustamente maior do que, por exemplo, a do assassino em série que matou sua mulher grávida? Ele podia decidir se a pena era exagerada? E você se sentiria confortável em dizer se ele já havia pago pelo que fez?
A questão não é se a pena foi justa ou não, é que o caso não foi resolvido. Isso pra mim se chama impunidade.
E gente influente que o apóia e pede por sua libertação, está justamente querendo passar por cima dos trâmites legais. Exatamente como ele.
Mas a questão pra mim é que essas pessoas, e todos os fãs do Polanski que tentam relativizar o que aconteceu, só o fazem porque não consideram estupro algo muitíssimo grave. Isso que eu não entendo.

Abraço
Bia.

Francisca disse...

Bia,

Eu conheço a versão do Polanski. Ela está por aí em livros, filmes, sites. Acho até que a Lola já fez um post sobre isso. Eu não conheço muito o Direito americano. Pra ser sincera, nem mesmo o Direito brasileiro, embora eu tente conhecê-lo melhor. Mas eu sei que, quando julgamos um crime, nós devemos levar em conta todas as circunstâncias, pois há muitas formas de cometer o mesmo crime. É diferente julgar um cara que vai num parquinho e ataca uma criança ou julgar um cara que vai tirar fotos sensuais de uma garota, com o consentimento dos pais, e transa com ela. Se nós não virmos as circunstâncias, seremos muito injustos.

Essa é, sim, uma questão sobre a Justiça, porque não posso te dizer que eu não fugiria se um dia acreditasse que a Justiça seria terrível comigo. Mesmo que eu fosse inocente, poderia fugir, porque sou humana e sinto medo.

Sobre o estuprador no meu bairro, depende das circunstâncias. Acho que eu julgaria de uma maneira se ele tivesse abusado de várias crianças ou se tivesse agido com violência, mas de outra maneira se ele fosse um vizinho quarentão meio cafajeste que seduziu uma garota de treze anos.

Eu não vejo o Polanski como uma pessoa horrível. Ele cometeu um erro horrível, mas isso não é a única coisa que se pode dizer sobre ele. Cometer um erro não tornar alguém um ser do mal. Erros podem ser punidos e reparados, mas o mal só pode ser destruído.

Enfim, o mais importante é que nós concordamos que fazer sexo com menores é um crime.

Abraços!

Bia disse...

Francisca,

Muitos pais disponibilizam seus filhos para a prostituição. Isso não exime os "clientes" da responsabilidade pelo abuso. Eles não foram obrigados a transar com as crianças.
Dizer que Polanski é menos estuprador que o maníaco do parque porque estaria em uma situação supostamente... o quê... tentadora?, só corrobora com a idéia de que a sexualidade masculina é incontrolável e que cabe às mulheres e/ou seus responsáveis protegê-las de abusos.

Um abraço.

Bruno S disse...

Vi o filme no fim de semana e é muito bom.

Uma coisa que talvez tenha faltado, ou me passou desapercebido, é aceitação da identidade feminina do Vicente e o início do "romance" com o sequestrador.

aiaiai disse...

quem não viu o filme ainda, NÃO LEIA MEU COMENTÁRIO

Bruno, eu não achei q houve aceitação da identidade feminina ou início de romance. Para mim, ele estava jogando com as armas q tinha. Precisava se libertar do opressor e para isso manipulou até conseguir se libertar. A pista para isso é a "incapacidade" de finalizar a relação sexual. Se ele realmente tivesse aceitado e estivesse em um romance, teria transado. Era uma manipulação para ganhar confiança e dar cabo do opressor. Foi assim que eu interpretei.

UFC disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ítalo Tavares disse...

Realmente A pele que habito é muito bem dirigido. Fazia algum tempo que não assistia a um filme que me deixasse tão ansioso pra vê-lo novamente. Talvez A pele em que habito seja só um exteriorização do que muitas pessoas sentem no âmbito piscologico. Talvez todos estamos em peles que de fato não são nossas por natureza.

Francisca disse...

Bia,

Eu não disse que ele estava numa situação tentadora. Sim, há pais que disponibilizam os filhos para a prostituição e a atitude dos outros adultos deveria ser combater esse crime.

O que eu disse foi que a situação, desde o início, já era um abuso. Uma menina de 13 anos tirando fotos nua para uma revista! Porém, a sociedade e os pais dela, na época, achavam normal. Assim como o próprio Polanski. Aparentemente, todo mundo a via como adulta e achava normal que ela fizesse parte de situações sexuais como essa.

A verdade é que foi preciso um longo aprendizado para que todos, inclusive o Polanski, entendêssemos os adolescentes como indivíduos em formação e que, portanto, não podem ser tratados como adultos. Porém, nós agimos como se só ele, na época, pensasse diferente.

Abraços

Bia disse...

Comentando o que você disse antes, eu nunca li um depoimento do Polanski. O que vi foi um texto elaborado durante o tempo que ele precisou (talvez nem mesmo escrito por ele), que omite tudo o que poderia depor contra ele, e que tenta dividir a culpa com a menina fazendo referência à sua experiência sexual e artimanhas de sedução... Nenhum depoimento em que ele respondesse e perguntas sistematicamente elaboradas, como fez Samantha.
Concordo com você que a situação toda foi um abuso, desde o início. Mas discordo que a conivência dos pais e de grande parcela da sociedade sirvam para diminuir a responsabilidade dele pelo o que fez.
E é importante dizer novamente: essa prática não era tão amplamente aceita, pois já havia legislação a respeito. Generalizado podia ser o sentimento de relativa tolerância e impunidade (especialmente para alguém grande dentro de Hollywood).

Mas a sua consideração a respeito de todos terem levado muito tempo para entender os adolescentes como indivíduos em formação (com a qual concordo parcialmete, não aceitando como justificativa para crimes de 30 anos atrás quando, como já disse, também eram considerados crimes), nos leva de volta ao ponto inicial da discussão. Meu primeiro comentário foi justamente sobre a perplexidade diante de pessoas que, hoje em dia, procuram contextualizar e relativizar temas já tão bem-definidos e cuja gravidade a sociedade ocidental, mais do que nunca, considera enorme: pedofilia e estupro.
A minha perplexidade é maior quando vejo que há um esforço para perdoar aqueles que se considera importantes; maior ainda quando vem de defensores dos direitos humanos, como as feministas.

Um abraço.

Francisca disse...

Bia,

A questão não é perdoá-lo, é a punição.

Como já disse, não conheço os trâmites da Justiça americana, porém não entendo por que eles não julgaram Polanski a revelia.

Depois de cumprir algumas etapas, Polanski, em liberdade depois de pagar fiança, fugiu para a França. A Justiça, então, poderia ter prosseguido, considerando-o revel. Até porque o processo já estava bastante avançado, pendendo apenas a decisão do juiz sobre a pena cabível ao réu.

Entretanto, a Justiça manteve a decisão em suspenso e insistiu na presença do réu. Ora, seria melhor ter decretado a pena e apenas requerido que o réu fosse extraditado para cumpri-la. Assim, sabendo a qual pena o réu foi efetivamente condenado, a Justiça suíça poderia se pronunciar com mais acerto e Polanski não poderia alegar temer que a Justiça americana o condenasse a uma pena terrível.

Porém, parece que a Justiça americana estava mais interessada em manter o circo que em dar um desfecho ao caso. Então, é difícil para muitas pessoas, feministas ou não, defender que um país extradite o Polanski para que a Justiça americana faça o que quiser com ele.

Quem defende a extradição dele parece não se importar com o que a Justiça americana fará com ele. Se o prenderia por 1 ou 50 anos. Porém, esse é um aspecto importante, porque o fato de ter cometido um crime não torna o condenado uma pessoa sem nenhum valor, de cuja vida a Justiça pode dispor como quiser. Devem existir regras muito claras sobre o que o Estado pode fazer mesmo contra esses que cometeram crimes. Caso contrário, esse não será um Estado de Direito.

Aliás, o caso inteiro é meio absurdo. My consort está aqui me lembrando que Samantha Geimer, a vítima, entrou com um pedido na Justiça para que o caso fosse encerrado, alegando que o sexo foi consensual. A Justiça americana entretanto rejeitou o pedido de Samantha. Até onde eu sei, na época, a Califórnia não tinha uma lei, como a brasileira, que considerasse sexo com uma menor estupro, independente de consenso. Então, não entendi qual foi o argumento para rejeitar o pedido dela.

Bia disse...

Francisca,

Se você quer que eu concorde com você em relação à corrupção na Justiça americana, eu concordo. Mas se que eu me preocupe com quantos anos Polanski vai pegar de prisão, caso volte, sinto muito... ele tem excelentes advogados para cuidar disso. Não cabe a mim ou a você escolher a pena justa, mas ao juiz (poderíamos discutir a competência desse, mas realmente não vem ao caso).
Samantha Geimer retirou sim o processo e seus motivos para tanto podem ter sido vários, mas o que me parece mais óbvio é que ela não aguentava mais ser lembrada e julgada pelo o que aconteceu. Mas nunca disse que fora consensual. Em entrevista aos 25 anos, ela disse: "Ele [Polanski] me deu champanhe e um pouco de Quaalude [droga de efeito sedativo]. E depois tirou vantagem de mim. Não foi consensual de maneira alguma".
Ao contrário do que você acredita, na época existia uma lei californiana contra sexo com menores. Existiam também contra estupro por uso de drogas, perversão, sodomia, cometer atos lascivos e dar drogas a menor. Polanski foi acusado de cometer todos esses crimes mas, mediante acordo espúrio (que tal criticar a arbitrariedade da Justiça aqui?), reduziram a apenas “sexo com menor”. Ele confessou esse crime mas, acreditando que poderia pegar mais tempo do que merecia, fugiu. Simples assim.
Você diz que não se trata de perdoar, mas de punir. Exato, e é exatamente a não-punição que alguns pedem. O “Free Polanski” pede que, depois de se já ter retirado as acusações iniciais, retire-se também aquela da qual ele é réu confesso e, de lambuja, perdoem a fuga. Para além do que você ou eu desejamos, Polanski não é acusado de estupro (triste, na minha opinião), mas acusado e culpado de sexo com menor (triste, pra você) e fuga (idem). O que os nomes nessa lista querem é passar uma borracha nessa história, valendo-se de argumentos estapafúrdios como: “ele já pagou pelo que fez, tendo que passar tanto tempo longe dos EUA” – ei, ele é um foragido!; “já faz tanto tempo, ele se endireitou” – não importa quanto tempo passou e a vida que ele leva hoje, não muda o que ele fez.
E o mais importante, e foco dessa discussão é que a mensagem que se passa com o “Free Polanski” é que estupro não é algo assim tão grave, mas relativo (sempre existe um contexto, um atenuante, uma parcela de culpa da vítima ou da mãe, uma ressalva por se gostar do estuprador...)

Abraço

Francisca disse...

Bia,

Não é triste pra mim que ele seja culpado de sexo com menores. Já reconheci isso, mas eu não odeio uma pessoa porque ela cometeu um erro e não uso esse ódio para defender uma punição desproporcional.

Já disse que não acredito em tudo que Samantha contou. Existem duas versões. Ela não fez corpo de delito nem exames para confirmar o uso de drogas.

Eu o condeno por ter feito sexo com uma menor, mas não creio que ele usou da força, de ameaças ou a entorpeceu.

Samantha falou isso aos 25 anos? Pois meio mundo comenta que há três anos, com 43, ela disse à Justiça que foi consensual. Você teve acesso ao pedido dela? O que ela alegou então?

"Sorry, ele me estuprou, mas faço campanha pública para que ele viva livre e feliz na França."

Estou brincando, mas agora a sério, ela pediu mesmo que a Justiça reconhecesse que houve um crime, mas não punisse o culpado e encerrasse o caso? Exatamente como alguns dos adeptos do Free Polanski? Esse caso é realmente espetacular!

Tenho minhas dúvidas de que ela tenha feito isso. Ela teria que ser muito ingênua para acreditar que encerrar o caso assim ia fazer a imprensa esquecer o assunto. Por outro lado, alegar sexo consensual para encerrar uma acusação de estupro faz sentido.

Não, ele não pagou por não poder ficar nos EUA, foi mais uma benção. E sim, eu posso julgar o que considero ser uma pena justa.

Nós estamos andando em círculos nessa discussão. Temos visões distintas. Você considera Polanski apenas um cretino que abusou de uma menor e deveria ser condenado pra sempre. Eu o considero um ser humano que cometeu um erro e teve o processo transformado em um show.

O Tyson passou três anos na cadeia por estupro e hoje vive normalmente na sociedade, mas em Hollywood nada pode ser comum. O juiz poderia ter punido o Polanski de cara, ele nem teria chance de fugir e a coisa estaria encerrada, mas quem quer perder a chance de brilhar deixando a vida do culpado famoso em suspense? Não certos juízes!

Porém, nunca vou concordar em transformar ninguém num exemplo de como nós agora "levamos o crime de estupro a sério". Como se a punição desse culpado não fosse pelo que ele fez, mas para expiar a culpa de todos os outros que não foram punidos e pacificar nossa revolta. Ora, isso não é Justiça, é um linchamento judicial.

Au revoir!

Bia disse...

Francisca,

Está claro desde o início que a sua admiração pelo diretor a impele a uma inversão de papéis: Polanski pobre coitado, vítima das circunstâncias, do sistema judiciário e da mídia; Samantha, ninfeta mentirosa.
Também tenta dizer que aqueles que gostariam que ele fosse julgado pelo o que cometeu E CONFESSOU, são um bando de moralistas raivosos.
Ela retirou a queixa mediante indenização e alegou não aguentar mais a pressão da mídia (porque tem muita gente, até hoje, colocando a versão da vítima em dúvida). Ela não disse que não foi estupro, apenas não aguentava mais.
Podiam ter feito a lista "Polanski, go back and be judged"... Porque, se ele virou uma espécie de símbolo da impunidade contra violência sexual, foi por seus próprios méritos. Foi por estuprar e fugir do julgamento.

Boa vida.

Francisca disse...

Bia,

As coisas não foram assim. Em dois processos, Polanski e Samantha foram partes: um penal e outro cível.

No penal, ela apresentou os fatos ao Ministério Público. Aquela versão que nós já conhecemos. Porém, o MP sabia que não podia provar todos os aspectos da história dela e concordou em reduzir a acusação para sexo com menor, Polanski confessou isso e foi declarado culpado. Então, começou a novela. O juiz do caso deveria ter determinado uma pena para Polanski, mas depois de muitas idas e vindas, ameaçou condenar Polanski a até 50 anos e o cineasta fugiu.

Recentemente, Samantha pediu que esse processo fosse encerrado. Porém, a Justiça negou, porque só existem duas formas de fazer isso. A primeira é antes do processo penal ser iniciado, a outra pode ser depois, mas só se ela declarasse que mentiu para o MP. Apenas declarar que foi consensual não resolve o caso dela, porque o crime é de sexo com menor e independe de consensualidade. Então, ela teria que dizer que não houve sexo, o que é um absurdo, porque o próprio Polanski já admitiu que houve.

No processo cível, Samantha pediu danos morais ao cineasta. Alegou que o processo penal lhe causou sérios transtornos. Nesse processo, eles fizeram um acordo. Ela aceitou uma indenização e encerrou o caso.

Não, Bia. Minha admiração por Polanski não me fez inverter nada. Também admiro Tyson e não o vitimizo porque ele passou três anos preso. Eu apenas fui contra a extradição porque achei os termos em que os EUA o fez pretensiosos e idiotas.

Primeiro, porque Polanski passou anos saindo e entrando de países com os quais os EUA tem acordo de extradição, mas ele só resolveram lembrar do caso quando o cara está com 76 anos.

Depois, porque queriam que a Suíça o extraditasse, mas se recusaram a dizer se o falecido juiz determinara a pena que Polanski deveria cumprir ou se a pena ainda seria definida. Além disso, rejeitaram o pedido suíço a diversas outras informações do processo. Não sei como eles esperavam que dessa maneira a Justiça suíça decidisse se o pedido de extradição cumpria os requisitos objetivos e subjetivos determinados pela lei suíça.

A forma como tudo foi feito foi um show de arrogância. A clareza com que as informações são colocadas no processo, quando se quer tirar a liberdade de alguém, é um das regras mais básicas do sistema democrático. Seria muito ruim para todos nós se um país concordasse que os procuradores de certos países não precisam respeitá-la.

Boa vida pra vc tb!

Bia disse...

Francisca,

Faça as manobras de consciência necessárias para justificar o injustificável, acredite no que quiser, se isso faz sua existência mais tranquila e seja feliz :)

Abraço.

Luiz Prata disse...

Ingorando quase totalmente a discussão da Franscica e da Bia sobre Polanski (o quase é pra frisar que: 1-Concordo 100% com a Bia e 2- A Lola vem frisando em outros postd o absurdo que é culpar uma vítima de estupro pra relativizar o crime, por isso fica difícil concordar com a Francisca) e partindo direto pro assunto deste post (A Pele que Habito):

Pra quem não viu, recomendo sem medo;

Atenção, SPOILERS adiante!
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Impressionante em todos os sentidos. Concordo com a aiaiai sobre a motivação da Vera em relação a seu captor.

E também concordo com o Alex sobre a possibilidade de romance entre Vera e Cristina. O lance do "eu/você nesse vestido" pode ser considerado sugestivo nesse sentido, bem como Cristina ter deixado claro seu interesse exclusivo por mulheres ante as investidas de Vicente.
Ao final do filme, eu pensei: "Pelo menos agora, o Vicente/Vera vai ter alguma chance com a Cristina".
Quanto aos risos dos espectadores: pode ser uma reação de defesa ou de tentar dar alguma leveza à tensão do filme.

Francisca disse...

Bia,

É uma pena que você considere que minha opinião é uma manobra de consciência para viver feliz. Deve ter tudo a ver com o fato dela ser diferente da sua, que, claro, é a única opinião verdadeira e justa.

É triste, porque demonstra que você rejeita o debate franco e respeitoso e prefere agredir os que discordam de você.

Luis Prata,

Tenho apenas duas coisas a dizer sobre o seu comentário.

1. Em nenhum momento culpei Samantha pelo ocorrido, nem relativizo o crime que Polanski cometeu. Isso está muito claro em tudo que eu já falei, mas você tem todo direito de ler e interpretar como quiser.

2. Raramente debato para tentar convencer os outros do meu ponto de vista e esta não foi uma dessas ocasiões. Debato apenas para expor um outro ponto de vista e demonstrar, principalmente para aqueles que se julgam os donos da verdade, que existem outras formas de pensar a questão e que elas não são necessariamente o oposto, ou seja, se A diz que Samantha é a vítima e Polanski é um canalha, B não precisa dizer o inverso para expressar uma opinião diferente.

Abraços

Francisca disse...

Bia,

Tentei em toda a nossa discussão expor um ponto de vista simples, mas parece que não consegui.

O que eu quis dizer, e penso ter dito desde o início, foi que Samantha é uma vítima. Ela era uma adolescente de 13 anos e o adulto da situação errou em fazer sexo com ela. Isso é fato. Também concordo que transar com alguém de 13 anos é estupro, mesmo que ela queira, mesmo que seja com o namoradinho de 17 e a família aprove. Inclusive já defendi isso em outras discussões com pessoas que defendiam o contrário.

Porém, é possível considerar que Polanski cometeu um crime, não tentar inverter as coisas acusando a vítima e, mesmo assim, ser contra a extradição dele. É possível dizer: “sim, ele é culpado e gostaria que o juiz o tivesse condenado a uma pena razóavel, mas hoje, ele tem quase 80 anos e não preciso concordar em romper regras básicas de direito público só para expor todo o meu repúdio ao crime que ele cometeu. Acho que toda essa questão pode ser pesada sem tanta passionalidade”

Não sei que razões levaram Samantha a pedir que o caso fosse encerrado, mas é possível que ela também veja as coisas dessa maneira e por isso tenha defendido tanto que ele permanecesse em liberdade.

aiaiai disse...

Luiz Prata,

(alo pessoal q ainda não viu o filme, não leiam)
.....





Eu também fiquei achando q numa continuação da história, Vera e a Cristina têm grandes chances de terem um romance. Vera é um homem, na verdade, que sempre desejou a Cristina. E a Cristina, se estiver sem amor neste momento, tem tudo para se apaixonar por vera, um homem de quem ela gosta muito, agora em Pele de mulher.

Também concordo qd aos risos. Puro nervoso diante da tensão q é a coisa toda.
Eu mesma ri durante o estupro do tigrão. Almodovar tem isso, faz a gente rir de nervoso e raiva e impotência diante da miséria humana.

Po, lolinha, cadê o post sobre o filme????

LisAnaHD disse...

Lola, nem sei como cheguei a esse link aqui http://borboletasnosolhos.blogspot.com/

será que foi pelo seu blog? bem, é sobre cinema e outros assuntos que vc costuma abordar.

Bia disse...

Francisca,

Regras básicas do direito público (?), um fugitivo se eximir do julgamento de um crime confesso porque algumas pessoas têm pena/ acham ele genial demais pra isso/querem impôr a sua opinião de que ele já pagou o bastante? Isso sim é pesar a questão com passionalidade. Aliás, comparando com o que você disse acreditar e defender, isso é ter dois pesos e duas medidas.

Aquele abraço.

Talita disse...

Assisti hoje, é demais!!

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Assisti ontem e mal posso esperar pelo seu post.
Há tempos não me empolgava tanto com um filme, me animei também com a possibilidade de escrever e ler artigos, dissertações, analisando a obra. Esse filme cria tantas possibilidades de discussão, reflexão, sobre tantos assuntos pertinentes, gênero, construção cultural, crime e castigo... ufa... e tanto mais... Almodóvar é gênio.
A famosa frase da Beauvoir, aquela mesma, não me saía da cabeça na metade final do filme... rs
Abçs

Binha disse...

Assisti ontem em DVD por recomendação de uma amiga. Realmente o filme é f@d@, e muito incômodo, angustiante, tenso.