terça-feira, 26 de agosto de 2008

A MELHOR MANEIRA DE CONTROLAR OS OUTROS? MATANDO-OS, UÉ

Procurado termina com o James McAvoy dizendo como é importante tomar controle sobre a própria vida e perguntando “O que você tem feito ultimamente?”. É um incentivo à violência. Cá entre nós, precisa matar gente pra ter controle sobre a sua vida? Essa é uma mensagem perigosa numa terra onde pessoas são fanáticas por armas, participam de guerras, e costumam cometer chacinas em escolas e lanchonetes. O público (negro) em Detroit, onde vi o filme, amou a fala, e só vibrou mais na cena em que o Morgan Freeman faz um discurso enorme e sóbrio e de repente joga a palavra “motherf***er” no meio. A platéia foi ao delírio, riu pra caramba, aplaudiu, adorou. E eu pensava: em que planeta estou?

16 comentários:

Pernambucobebendoparaomundo disse...

Num forum de discussões que eu participo, os gringos (de várias partes do mundo) ficaram horrorizados com uma entrevista em que Jane Fonda, falando de sua peça, Vagina Monologues, falou, em rede nacional a tal da C*** word...
Acho que esse taboo (dos palavrões) já tem uns 30 anos ou mais que foi "imobilizado" no cinema/entretenimento brasileiro, mesmo assim ainda choca/delicia alguns incautos.

Voltando ao cerne do filme, nunca fui fã de filme violento (salvo alguns de guerra que são praticamente historiográficos, ou os de gangsters, da era dry law, que são hilários)

Suzana Elvas disse...

Sei lá, Lola. Eu já não penso mais nisso - pelo menos, não muito.

Americano hoje pra mim quer dizer "decadência". Em quase tudo relacionado a eles sobe aquele cheiro de coisa que já se desgastou, já não tem mais sentido. Eles nem mesmo sabem onde começaram esses medos, essas fobias.

Deve ser muito cansativo, hoje em dia, ser americano. Muito, mesmo.

Agora que você está por aqui continua seguindo o rumo das eleições americanas? E se animou a assistir "The West Wing"?
Bjs

lola aronovich disse...

Ah, eu li sobre isso, Gio. É um escândalo usar “the c-word”. Mas nos filmes r-rated todo mundo usa. E quase sempre é pra xingar uma mulher. Quando a Jane usa, deve ter um sentido mais feminista que o comum. Aí não pode!
Não sei, palavrão vem sendo usado com muita frequência no Brasil? Na TV? Nos filmes eu sei que sim, e é uma coisa que me incomoda. Não pelos palavrões em si (que eu não uso; é hábito, nunca usei), mas porque eles são colocados estrategicamente pra chocar e fazer rir. Isso tem direto em peças de teatro. DETESTO! Porque pra mim usar um monte de palavrões não faz rir. E também não choca. Mas funciona com a maior parte do público...

lola aronovich disse...

Su, a maior parte das pessoas que usa esse termo, estadunidense, é de esquerda. Geralmente é da História ou Sociologia. E eu sou de esquerda também, então tenho afinidade com eles. Mas não tem jeito, eu acho a palavra horrorosa, troco as sílabas, e não vejo nada de errado em deixar que eles se chamem “americanos”. Por mim, a América é deles. Aqui é Latino América. Não entendo bem esse desejo de “se unir a eles”. Porque não é que esse pessoal queira que os americanos parem de se considerar americanos, apenas que não seja só eles. E pra mim me parece um desejo inconsciente, oculto, de pertencer ao império. Sabe como Puerto Rico decidindo por plebiscito se quer ou não ser o 51o estado americano? É mais ou menos por aí. Por mim, eles podem continuar sendo americanos, que nós somos diferentes, e não fazemos parte do império.
Dá pra ver pelo tamanho dos comentários que eu não tô escrevendo minha tese como deveria...

Patricia Daltro disse...

Lola, o pior é que essa ode a violência não pertence só a essa nação, aqui no Brasil, o que ouço de pessoas defendendo a violência como forma de acabar com a, (totalmente, non-sense) própria violência! E, no mais, continuamos nós no meio disso tudo, apenas pedindo aos céus, que poupe a nós e a quem amamos dessa sociedade violenta.

Suzana Elvas disse...

Eu... não entendi bem a sua resposta ao meu comentário - eu não falei nada de "estadunidense" (que eu também acho mnedonho) mas... tudo bem, né?

Mi disse...

eu adorei o filme, achei q a última fala foi simplesmente para sacudir o pessoal da inércia, fazer a vida valer cada segundo, já que é tão preciosa... para não ser um simples funcionário medíocre como o Wesley no início do filme...

tbém li a tua outra crítica sobre o filme que era contra mulheres e tal, e também discordei, apesar de achar a tua análise interessante. eu levei o filme mais para o lado da diversão, onde acontecem milhares de coisas completamente improváveis, mas achei q enquanto filme de ação, atingiu o seu propósito. eu me diverti muito.

gostei muito do teu blog. voltarei!

bjos!

mi

Mi disse...

agora li tbém o post sobre a "vilã"gorda do filme. realmente, pegaram pesado nesta parte. mas a realidade é q qquer vilão que se pegue vai ser homem, mulher, magro, baixo, gordo, alto, infelizmente sempre vai ter alguma característica desse tipo que vai ser focada... ainda que eu acho que em vários filmes e na TV, o gordo é muitas vezes mostrado como bonachão, o cara querido com o qual a gente pode contar... sempre tem o contra ponto...

bjos!

mi

Chris disse...

Lolinha, acho que não penso mais nisso, não... abstraio, abstraio.

;)

Aliás, acho que a abstração está fazendo parte do meu cotidiano, mas ainda não sei se isto é uma coisa positiva ou não. Só sei que de nada sei...

Sério agora, eu rí muito com a Vagina Monologues e o falso moralismo americano... Ô povo, viu?

Beijos enormes

Pedro disse...

Ho ho ho um dos melhores filmes do ano, Lolinha deixa de ser chata. Muito foda, as cenas de ação, uma melhor que a outra, a Jolie fodona, a violencia massa...

E realmente, eu mesmo senti vontade de sair mandando bala hahahahha.

Lúcia disse...

hummmm...vou ver este filme,gosto muito da Angie...apesar de concordar que ela não é la grande coisa como atriz...vi um tralier desse filme realmente as cenas de ação são demais!
Realmente essa cultura de violência americana nos filmes é repetitiva...heheheh " a melhor maneira de controlar os outros e matando é demais"...rs.rs.rs
Isso funcionou muito bem em "Tropa de Elite"...e "Cidade de Deus" em que a matança rolou solta.

lola aronovich disse...

É verdade, Patricia. Muita gente reivindicando violência pra “acabar” com a violência. Não é assim que funciona...


Su, desculpe, achei que o seu “Eu já não penso mais nisso - pelo menos, não muito” se referisse ao negócio todo de chamar americanos de estadunidenses.

lola aronovich disse...

Mi, é, a última fala é pra sacudir sim, mas tem um contexto. Quando ele fala de tomar controle da vida, ele tá com uma arma na mão, atirando em alguém! Vai muito além de não se contentar em ser um funcionário medíocre...
Sobre os gordos, sim, às vezes eles ainda conseguem algum papel como bonachões. Único papel! Mas esse também é um estereótipo, né? E as gordas? Gordas não são “bonachonas” na TV ou no cinema. Ou elas não aparecem ou, quando aparecem, são vilãs ou seres desprezíveis.
Sabe, eu também achava isso sobre os vilões – que é meio que uma besteira se concentrar na raça, gênero, nacionalidade, orientação sexual, nacionalidade do vilão... até que vi o excelente documentário The Celluloid Closet, que conta como Hollywood trata os homossexuais. Antes eu achava ridículo os gays criticarem um filme que eu amo, como Silêncio dos Inocentes, só porque o serial killer quer ser travesti. Mas aí vc começa a pensar: pô, os gays raramente são retratados no cinema, e quando são, aparecem como serial killers?! Então é aquele negócio: se as gordas aparecessem frequentemente nas telas, e tivessem uma variedade de papéis, tudo bem ter um filme em que uma gorda fosse uma chefa bully. Mas não é o que acontecesse. As gordas são invisíveis no cinema, e quando aparecem, é pra fazer esse papel tão desprezível? Por isso, precisamos sempre levar em conta o contexto.
Apareça sempre, Mi!

lola aronovich disse...

Chris, eu gostaria de me asbrair menos e me centrar mais na tese... E a mudança, já foi?


Pedrinho, pra quem considera aquele filminho C sobre os ícones do terror um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, vc ter adorado Procurado não me surpreende. Aproveita o seu desejo de matar renovado pelo filme e, quem sabe, acerte o ACM Neto? Ele deve passear na Bahia de vez em quando.


Lucia, a Angie não faz muito nesse filme, fora as cenas de ação. Ela meio que entra muda e sai calada, sabe? Mas veja sim. Pra quem gosta de filme de ação pode ser divertido.

Mica disse...

O que, confesso, mais me irritou é que a Angie é a única mulher na organização toda.

lola aronovich disse...

Mica, eu nem tinha reparado que a Angie era a única mulher na organização. O que eu notei é que ela é uma das 3 únicas mulheres do filme. E todas as três são traidoras e mandonas. E a primeira vítima do filme? É uma mulher tb. Que leva um tiro bem no meio da cara, pra parar de ser boba.