segunda-feira, 26 de novembro de 2001

CRÍTICA: CORRENTE DO BEM / Corrente por um filme sem a Helen Hunt

Logo no início de "Corrente do Bem", Kevin Spacey, um professor de Estudos Sociais, pede aos seus alunos da sétima série para pensarem numa boa idéia de melhorar o mundo e colocá-la em prática. Se eu exigisse isso dos meus adolescentes, eles perguntariam "vale nota?" e talvez, com sorte, passassem a fazer a lição de casa. Mas um dos pupilos do Kevin leva a sugestão a sério e cria uma corrente: ele ajuda três pessoas, cada uma dessas três ajuda outras três, e assim sucessivamente, até que – oremos – uma das boas ações atinja um produtor de Hollywood que, misericordioso, decida investir num filme menos LBV do que este.
Depois do final lacrim(in)oso, o maridão me beijou. Entendi isso como uma mensagem. Quando surgir a oportunidade, beijarei mais três caras. Se cada um dos sortudos beijar três moças, e assim sucessivamente, teremos um mundo cheio de paz e amor. Ou, pelo menos, com mais sexo.
Cansei de ser cínica. É claro que o dramalhão me tocou. Quase levei um sem-teto pra tomar banho em casa, como faz o garotinho de "Corrente". Teria feito isso se não estivesse tão preocupada com o Haley Joel Osment. É esse o nome? Já sugeri que, se ele ambiciona mesmo a fama, deve adotar apenas dois nomes, pois ninguém se lembra de três. Escrevi isso na ocasião de "
O Sexto Sentido" e um leitor perspicaz me enviou uma lista cheia de atores famosos com três nomes, dos quais eu nunca havia ouvido falar, o que corroborou minha tese. Minha apreensão com a carreira do Haley se justifica. Além d’ele nunca ter pai, seu destino parece ser acordar no meio da noite em todo santo filme para ir ao banheiro. O que será do futuro deste menino? Primeiro ele vê pessoas mortas, agora ele vê a Helen Hunt. Visivelmente, o Haley está traumatizado.
A Helen merece alguns capítulos à parte. Acho que ela está tentando tirar o atraso de quando ficou mofando na TV. Em menos de um ano, esteve em "Náufrago", "Do que as Mulheres Gostam", "Dr. T. e as Mulheres", e neste "Corrente". Seu agente deve estar trabalhando horrores. Não se pode dizer o mesmo dela, coitada, que nem precisa ter três nomes para não ser lembrada.
Quiçá seja uma corrente. A Helen estrela um filme. Este filme capta mais três filmes, e assim suc
essivamente, até que todos os filmes tenham a Helen nos créditos. É aterrorizador: imagina o que pode acontecer com a incansável produção de Hollywood se a Helen – Deus proíba – entrar em greve ou pegar uma gripe e ficar sem filmar durante um mês?
Na verdade, nota-se claramente que estou com inveja da Helen. Quisera eu contracenar com Tom Hanks (se bem que a bola de vôlei recebe mais atenção que a Helen em "Náufrago"), Mel Gibson, Richard Gere e Kevin Spacey, mesmo excessivamente maquiado. Bom, contracenar não é bem a palavra adequada para o que eu gostaria de fazer com estes senhores. Tomara que o Tom Cruise não leia isso, ou ele pode ficar com ciúmes. Tomara também que a Helen não atue com o Tom.
A pergunta que não quer calar é: "o que o Kevin está fazendo num filme desses?". De fato, nada. Sair
de "Beleza Americana" e entrar numa fria como "Corrente" é um erro e tanto. Será que ele não leu o roteiro? Será que ele não prestou atenção no nome da diretora? A Mimi Leder tem talento. Primeiro, ela destruiu o mundo em "Impacto Profundo". Depois, explodiu dezenas de carros e prédios para celebrar a paz mundial em "O Pacificador". E atualmente ela quer mudar o mundo pra melhor em "Corrente". Agora é tarde, Mimi. Por favor, deixe o mundo em paz.
Portanto, da próxima vez que me convidarem para assistir a um filme da Mimi com a Helen, eu, que sou educada, responderei: "não, obrigada, nem morta". Aliás, anseio pela primeira produção na história recente do cinema sem a Helen. Durante a exibição de "Corrente", dois rapazes entediados não pararam de conversar. Pensei em promover uma corrente do mal em homenagem a eles. Eu faria uma má ação para três pessoas, cada uma para mais três, e assim sucessivamente. Acho que esta crítica é um bom começo.

2 comentários:

Anônimo disse...

consideram Encaminhar é um grande filme, humilde, deixando-nos muitas lições. Além de ser uma grande produção, eu acho que é uma grande história.

layan lima medeiros disse...

Mimi leder pode não ser otima com filmes, alias ela só dirige e não os escreve, mas é otima na tv e nas series que dirigiu, dizer pq ela aceitou dirigir esse filme assim como os outros não posso, mas ela faz bem o trabalho, otimos jogos de camera, a edição deles é otima é só uma pena não ter senso critico quanto aos roteiros.