sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

SIM, SOU GORDA. E TUDO BEM

Este excelente artigo de Sarai Walker publicado na revista do The New York Times foi traduzido por Renata Vilarinho (super obrigada, Renata!).

"POR QUE você usa a palavra 'gorda'”?
Não faz muito tempo uma mulher num encontro do clube do livro me fez essa pergunta. Eu tinha sido posta numa sala para conversar via Skype sobre meu romance com um grupo de mulheres profissionais que bebiam vinho e beliscavam esperando pela minha resposta. Eu sabia que minha cara estava num monitor flat-screen gigante, sorri para esconder meu pânico e respondi a ela e ao resto do grupo no piloto automático.
Eu já fui questionada pelo uso da palavra com G muitas vezes, por leitores e jornalistas. Às vezes, eles tropeçam na palavra, como se ficasse presa na garganta.
A maioria das pessoas fica chocada pelo meu uso desavergonhado da palavra “gorda” não apenas para descrever a heroína do meu romance, mas também para descrever meu corpo. Para muitos não há possibilidade de “gorda” ser qualquer coisa além de insulto. Então eu expliquei e expliquei que xs ativistas usam a palavra com orgulho num esforço de desestigmatizar não só a palavra em si, mas, por extensão, o corpo gordo.
No começo eu ficava entusiasmada com esse tipo de conversa, mas não posso negar que me desiludi. Depois de meses presenciando tamanha ansiedade por causa de um inofensivo adjetivo, ficou claro que gorda -– não só a palavra, mas o "ser" gorda –- é aparentemente tão ruim que é impronunciável. 
Mês passado a Matel lançou uma nova “Barbie Curvilínea” –- “curvilínea” sendo o único eufemismo elogioso para uma mulher “gordinha”. Uma Barbie gorda seria, óbvio, o fim da picada. Em uma história de capa da revista Time sobre a boneca, garotinhas testando o brinquedo na sede da empresa riam entre si por causa da Barbie gorda. A nova Barbie na verdade não passa de uma aproximação  do que seria o corpo natural de uma mulher comum, mas parece gorda em comparação às proporções irreais da Barbie original. As meninas enxergavam a nova Barbie como gorda, mas vacilavam em dizer a palavra na frente dos adultos. Uma das meninas soletrou a palavra “G-O-R-D-A”, como fazemos com outros palavrões. “Eu não quero magoar ela”, disse. 
Americanos são obcecados com obesidade, ainda que factualmente pessoas gordas não estejam representadas no nosso panorama cultural. Com poucas exceções, a maioria dos gordos que vemos na mídia e cultura pop odeiam seus corpos -– desde os concorrentes de shows como O Grande Perdedor em que são exibidos como animais de circo até celebridades que se vendem barato em comerciais de redução de peso em rede nacional. Americanos esperam e divertem-se com o espetáculo do gordo infeliz, então desafiar essa narrativa é um ato radical. 
Falar com as pessoas a respeito do meu livro me ensinou que, apesar de acreditarmos viver numa época em que é impossível se chocar com alguma coisa, um romance sobre uma mulher de 136 kg que aprende a amar seu corpo como ele é –- sem perder peso –- é um tremendo tabu. Como eu não apenas me atrevi a escrever tal livro, mas também a aparecer em público como mulher obesa eu mesma –- me recusando a pedir desculpas pela minha existência ou me escondendo num saco de estopa -– acabei virando sem querer uma embaixadora dessa ideia revolucionária de que não tem nada de errado em ser gorda e mulher. 
A autora do artigo, Sarai Walker
Então, respondo perguntas que seriam melhor dirigidas a um terapeuta ou nutricionista do que a uma romancista. Perguntam-me sobre meu histórico de dietas e de luta com minha autoimagem. Sou molestada por bandos de trolls online dedicados a praticar bullying contra mulheres gordas. 
Alguns meses após a publicação do meu livro nos Estados Unidos, eu viajei para a Austrália para promover o livro lá. 
Sarai com Will Self, escritor que
acha pessoas gordas feias e doentias
No meu primeiro dia, durante uma entrevista ao vivo no rádio, um outro escritor, Will Self, monopolizou a discussão para me palestrar sobre como pessoas gordas eram doentias e feias. Citou o Holocausto para provar seu ponto sobre a relação entre tamanho corporal, exercícios e consumo de alimentos (“Você nunca viu um gordo sair de Auschwitz”, ele disse, citando um consultor sobre abuso de drogas); e para espalhar horror acerca do iminente apocalipse gordo, declarando, entre outras coisas, que “estatisticamente, no lugar onde moro na Inglaterra, até 2030 ninguém mais vai conseguir andar.” 
Em outro show eu debati com um especialista em obesidade e ainda em outro tive de responder chamadas ao vivo de ouvintes sobre se era ok ser gorda –- um debate que se seguiu depois de uma discussão sobre a a guerra na Síria. 
O último evento da minha turnê na Austrália foi um discurso no Festival de Ideias Perigosas. No palco do Sydney Opera House eu abri minha fala sobre como era ok ser gorda dividindo um exemplo da minha própria vida. Alguns anos atrás eu postei no Twitter um link para uma entrevista de 1969 de Jim Morrison em que ele dizia “gordo é lindo”. Minutos depois uma amiga me respondeu, furiosa, que ser gordo não é saudável porque causa pressão alta e outros problemas de saúde. Esse tipo de resposta, eu disse aos presentes, é um exemplo do que chamo de “Síndrome da Desordem Gorda”, onde até pessoas que se consideram mentes abertas, pensadoras críticas, ficam perplexas se o assunto "ser gordo" seja tratado de maneira positiva.
Durante a sessão de perguntas e respostas, as pessoas se levantavam uma após a outra fazendo comentários negativos sobre meu corpo. Me senti como uma bruxa cercada por aldeãos com tochas. Era claro que, mesmo para sofisticados cosmopolitas que pagaram para estar num festival sobre ideias difíceis, pensar em gordura como outra coisa que não fosse ruim era impossível. Como a minha protagonista percebe no romance, uma pessoa nunca pode ser simplesmente gorda; um corpo gordo precisa sempre ser consertado. 
Nos bastidores, membros da turnê me perguntaram se eu estava bem. Não era  a primeira vez que alguém me puxava num canto para me perguntar a mesma coisa. Eu disse que sim, mas de volta ao hotel, eu simplesmente me enfiei na cama, aliviada de não precisar me apresentar como gorda profissional. Eu queria ir pra casa e me esconder. Tenho vergonha dessa reação. Escrevi um romance para dar voz às mulheres gordas, mas me esgotei usando a minha. Eu começava a me sentir como aquela mulher gorda num freak show -– exibida em público para divertimento. 
As trincheiras do debate sobre obesidade são um péssimo lugar para quem quer que desafie a retórica onipresente do “gordura é ruim” e alegue que o principal problema das pessoas gordas não são seus corpos, mas o ódio e o abuso da sociedade. Em um dos lados do debate está a multibilionária indústria de perda de peso e cuidados de saúde, além do preconceito enraizado. Do outro lado está um pequeno grupo de ativistas relativamente sem poder.
No centro deste debate sobre obesidade está um declarado cuidado de saúde, como se a dignidade de qualquer grupo devesse se atrelar à condição de seus membros serem saudáveis. Mas assuntos de saúde não são preto-no-branco e movimentos como “Health at Every Size” (Saúde em Qualquer Tamanho) oferecem uma crítica legítima das abordagens simplistas de perda de peso para saúde.
Numa cultura em que a maior parte das pessoas gordas na mídia não têm cabeça -- os borrões anônimos, decapitados, intercaláveis cujas fotos acompanham notícias assustadoras sobre obesidade -- uma mulher gorda com voz pode ser ameaçadora, não apenas para bullies, misóginos e "guerreiros" anti-obesidade, mas para muitos daqueles que se consideram iluminados. Às vezes penso que seria mais fácil ser uma dessas pessoas gordas anônimas e sem cabeça. Mas se você não tem cabeça, você não pode falar alto. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

BOLÃO DO OSCAR: SÓ ATÉ HOJE À MEIA NOITE!

- O quê? A Lolinha vai ganhar o bolão sozinha de novo?!

Pelo jeito vai ser sozinha mesmo, porque tem pouca gente participando! 
Vamulá, gente! Primeiro que eu não tenho muitas chances de ganhar este ano. Minhas apostas estão fracas, e o Oscar, bem imprevisível. 
Segundo que entrar no bolão é a coisa mais fácil do mundo, e leva 5 minutos (se você for lerdinhx): é só apostar aqui.
Pra participar do bolão pago talvez leve muito mais tempo (digamos, uns 15 minutos?). 
Deposite R$ 20 na minha conta no Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760, ou pague R$ 22,20 no PayPal. Depois é só mandar um email pra mim (lolaescreva@gmail.com) e pro Júlio César (jcaoalves@gmail.com), com cópia do comprovante, e fazer as apostas nesta tabela. 
Pra entrar em qualquer um dos dois bolões, ou nos dois, é só até HOJE (sexta), até meia noite. A cerimônia é no domingo à noite, mas Júlio César, que tão pacientemente organiza o bolão há anos, tem que encerrar seu expediente na sexta pra ter tempo de mandar as tabelas completas com todas as apostas pra todo mundo que participar do bolão.
Não fique de fora!
Ah, eu achei Divertidamente fofo. E pelo menos tem protagonistas mulheres!

GUEST POST: CRISTÃ E FEMINISTA, GRAÇAS A DEUS

Simony é cristã e, segundo ela, sempre teve uma educação machista. "Há um tempo venho me aproximando dos ideais feministas, por causa de pessoas como você", diz. 
Ela, que tem um blog, escreveu sobre essa relação entre sua religião e o feminismo.
Update em setembro 2020: Conheci Simony dos Anjos pessoalmente em novembro de 2019, em SP (foto ao lado pra provar). Ela é encantadora! E semana passada fiquei sabendo que essa professora incrível, mãe, negra, cristã e feminista será candidata à prefeitura de Osasco! 

Chamo-me Simony, sou cristã e vou contar um pouco da minha aproximação com o feminismo. Minha igreja é de tradição reformada e, na nossa história, temos um exemplo de que nem sempre nos ensinam tudo o que devemos saber: Lutero. Martinho Lutero foi um dos pais da Igreja Reformada e após ler a Bíblia atentamente se deparou com um texto bíblico de Romanos 17:1: "O justo viverá pela fé".
Durante toda a sua vida, Lutero não sabia qual era o verdadeiro sentido da graça de Deus; ele (e tantos outros católicos) achava que devia fazer coisas para alcançar a salvação. A Igreja Católica se dava bem com isso: as pessoas compravam a saída do purgatório para parentes que já haviam morrido, um terreno no Céu, uma absolvição de um pecado, uma graça desejada. Essa prática configurava as famosas indulgências.
Em que a história de Martinho Lutero tem relação com a minha recente aproximação com o feminismo? Pois bem, durante toda a minha vida eu tive uma educação repressora e castradora, e não falo de vida sexual, apenas, mas de tudo. A mulher tem que se dar o valor; se o lar está destruído foi a tola que destruiu; a mulher tem que ser submissa ao homem; a mulher não pode ter cargos importantes na Igreja, etc (na minha denominação apenas muito recentemente as mulheres puderam ser ordenadas Pastoras). 
Qualquer fé que põe homens acima
de mulheres é uma fé mal orientada
De um tempo para cá comecei a ler a Bíblia com uma atenção para a participação das mulheres e, ainda, sobre os textos que eram utilizados para justificar a opressão da mulher na igreja. A minha nova visão da fé foi libertadora. Passei a ver que, na verdade, a minha fé não fundamentava o que me ensinaram, mas o fundamento de tanta opressão era a interpretação (e descontextualização) que os líderes da igreja davam para a Bíblia.
Há muitos livros que
falam de feminismo e
cristandade. Eu que
não conhecia!
Passei a desconfiar da manipulação que faziam dos textos bíblicos para calar as pessoas, principalmente as mulheres. Comecei a perceber que a “mansidão” (que para mim é, na verdade, uma apatia desejável para a manutenção das relações de poder dentro da Igreja) só servia para um lado da relação: os oprimidos -- para a mulher ou o pobre que não concordava com alguma coisa na Igreja. Ou seja, para atacar o “pecado” utilizavam o texto em que Jesus expulsava os vendedores do templo. Quando uma mulher se levantava para denunciar um machismo sofrido no lar ou um desrespeito de um irmão da igreja, utilizavam o texto que devíamos ser mansos como Cristo.
Comecei a me perguntar: quando eu teria o direito de expulsar os machistas da minha vida, como Cristo expulsou os mercadores da sinagoga? Passei a me perguntar: por que alguns podiam ser agressivos e outros (ou melhor, outras) não? Passei a me perguntar: por que minha igreja nunca tinha tido, e ainda não teve, uma presidente mulher? 
"Eva foi incriminada": capa da
revista Life em 1971
Por que a maioria dos conselhos das igrejas é formada por homens (poucos têm mulheres na sua formação)? Se, quando Jesus apareceu após a ressurreição, se apresentou para uma mulher (Maria Madalena). Se foi uma mulher (Débora) que dirigiu Israel quando Baraque teve medo da guerra. Se duas mulheres (Eunice e Loide) foram consideradas exemplo de fé, segundo Apóstolo Paulo… Sem contar outras histórias de mulheres que devem ter sido silenciadas nesses milhares de anos.
Jesus me fez feminista
Descobri que a minha fé não é machista, foi a religião que a fez assim. Acredito no casamento cristão, no sacrifício de Jesus e em todas as coisas que têm na Bíblia, mas fui liberta de regras que homens colocaram para nós, mulheres, por causa de relação de poder e não por causa de Deus! Ao me aproximar do feminismo, aprendi que a minha fé não deve me aprisionar e nem ao próximo, que não acredita nela. 
Aprendi que Jesus jamais julgaria alguém com credo ou condutas diferentes da Dele (acreditem, li a Bíblia toda e não há um momento sequer que Jesus julga a fé alheia ou o comportamento, todas as exortações de Cristo eram para as pessoas que compartilhavam a fé Dele). O feminismo me possibilitou entender melhor o mundo e a amar, independentemente de quem ou quando, exatamente como o amor de Cristo. 
Camiseta que existe de verdade:
Jesus ama uma feminista
Voltando à história de Lutero, ele descobriu que os líderes da Igreja manipulavam as pessoas com meias verdades e, até, com algumas mentiras. Eu descobri que o machismo incrustado dentro da igreja é o que aprisiona e causa sofrimento às mulheres. A partir de então, digo que a verdade é o caminho para a verdadeira libertação. E como nós nos libertamos? Quando desconfiamos de uma verdade que causa opressão e buscamos a verdade do amor e da igualdade!
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8, 32).

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

FEMINISTAS NÃO DEFENDEM MISÓGINOS DE NENHUMA RELIGIÃO

Uma anônima deixou um recadinho pros reaças que ficam cobrando posição de feministas. Mais claro que isso, só desenhando:
Pessoal, deixa a titia soletrar pra vocês.
Feministas não defendem misóginos.
Feministas não defendem estupros.
Feministas não defendem que estupradores misóginos fiquem impunes.
Feministas não defendem imunidade criminal porque o misógino estuprador é pobre, psicopata ou veio de algum lugar ou cultura específicas. 
Mas:
Feministas não defendem nazismo.
Feministas não defendem preconceito.
Feministas não defendem racismo.
Feministas não defendem xenofobia.
Feministas não defendem misóginos islâmicos sendo usados como "cortina de fumaça" pros misóginos europeus e americanos (que cada um pague pela sua misoginia igualmente).
Eu não preciso do ambientalismo
porque... não culpo todos os
humanos pelas ações de uns
poucos #NemTodosHumanos
Entendeu? Se os refugiados estão cometendo crimes misóginos então eles tem mais é que ser presos -- junto com os misóginos europeus que estão cometendo os mesmos crimes. Molestou? Cana, não importa se o cara é europeu ou imigrante. Estuprou? Cana. Passou a mão? Cana. Os imigrantes fizeram esse joguinho de estupro? Cana, junto com os estupradores europeus que atacaram a colega bêbada na festa da faculdade. Cometeu crime vai em cana e pronto, não interessa se é imigrante ou europeu. Não é tão difícil assim de entender.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

GUEST POST: SUGESTÕES DE ANIMES, PARTE 2

O post da Laura com várias sugestões de animes rendeu várias discussões instigantes. Publico hoje a parte 2 e, semana que vem, a terceira e última parte.

- Code Geass e Code Geass R2. Cerca de um terço do mundo foi conquistado pelo Império da Britannia, incluindo o Japão (onde grande parte da história se passa). Ao ser conquistado, o Japão foi renomeado como Área 11, e transformado em uma colônia da Britannia. Ainda assim, vários grupos japoneses continuam oferecendo resistência e se opondo ao poder do Império. 
Nesse contexto temos Lelouch, um jovem estudante do ensino médio, que vivia com sua amada irmã caçula Nunnally. Logo no primeiro episódio, Lelouch acaba se envolvendo sem querer em um conflito entre os soldados da Brittania e um grupo de resistência japonês (chamado de terroristas por Britannia). Ele é confundido com um "terrorista" japonês e quase morto pelo soldados, mas é salvo pela misteriosa feiticeira C.C., que lhe dá um poder chamado Geass, que permite a Lelouch dar ordens absolutas às outras pessoas. 
Aos poucos, Lelouch vai aprendendo mais sobre esse poder. É mostrado ainda nos primeiros episódios que Lelouch é, na verdade, um príncipe deserdado do Império da Britannia, que mantinha oculta sua verdadeira origem. Movido por motivos morais e pessoais (guarda um grande rancor de seu pai, Imperador Charles), e também pela promessa que fez à sua irmã (de um mundo mais gentil), Lelouch cria a identidade Zero, reunindo um grupo de japoneses rebeldes que formam a Ordem dos Cavaleiros Negros. 
Eu acho esse anime muito interessante. O protagonista Lelouch, por mais que eu ame o personagem, está mais próximo de um anti-herói do que de um herói, embora mantenha sempre objetivos nobres. Ele tem uma filosofia bem maquiavélica, de que os fins justificam os meios. Na verdade, é difícil definir a maioria dos personagens desse anime como "bons" ou "maus". O anime mostra muita guerra, e é um anime mecha (o que significa que tem robôs gigantes). Eu particularmente não gosto muito de animes mecha, mas esse anime me conquistou pela história. 
Apesar de ter fanservice, as personagens femininas de Code Geass não são objetificadas e tampouco estão lá só de enfeite. Temos Kallen, uma japonesa (na verdade ela é mestiça, mas se identifica como japonesa) que faz parte da Ordem dos Cavaleiros Negros, e é uma jovem forte, feroz e corajosa, extremamente habilidosa como piloto. 
Temos a Princesa Cornélia, irmã mais velha de Lelouch, que também é uma ótima líder nas batalhas. É uma mulher inteligente e uma guerreira, foi chamada de "Deusa da Vitória" da Britannia. 
Temos Sayoko, habilidosa em artes marciais, leal, prática e disciplinada. Rakshata, que é uma cientista, também faz parte da Ordem. C.C., a feiticeira que salva Lelouch no primeiro episódio, é misteriosa e irônica, e mantém-se em uma postura neutra por boa parte do anime. Sua origem e seus objetivos são revelados depois, e ela é um dos personagens mais importantes para a história. 
Mesmo personagens como Euphemia e Nunnally, que são princesas meigas, dóceis, delicadas e femininas, mostram que têm suas próprias opiniões e estão dispostas a defenderem seus ideais, demonstrando grande coragem apesar de não serem guerreiras. 
Também vale lembrar que Lelouch, ao contrário da maioria dos protagonistas de animes, se sobressai não pela força, e sim pela inteligência. O anime, na minha opinião, vai se tornando cada vez mais envolvente e tem reviravoltas inesperadas. Também é um anime com o objetivo de nos fazer refletir sobre os conceitos do bem e do mal.
- Claymore: esse é recomendado para quem gosta de histórias com ação, lutas e sangue. Se você não gosta de ver sangue, é melhor não assistir. O anime se passa em um mundo onde humanos são ameaçados pelos demônios youma. Nesse mundo, uma misteriosa organização criou um grupo de guerreiras, que são conhecidas pelos humanos como guerreiras Claymore (embora elas não se identifiquem assim). 
A personagem principal é Clare, e ao longo do anime são mostradas outras guerreiras. As minhas favoritas são Teresa e Irene; infelizmente, elas são da geração anterior. Eu achei o anime muito bom, adoro lutas com espadas (o tipo de luta que mais gosto de ver na TV. Me perdoem, animes mecha, mas vocês jamais poderão superar isso). 
Porém, Claymore tem um defeito: está inacabado. Explicando melhor, a maior parte dos animes são inspirados em mangás (para quem não sabe a diferença, mangá é a revistinha, anime é a série animada). E o mangá continuou, mas o anime, por algum motivo, não. Assistir o anime praticamente te obriga a ler o mangá se você quiser saber o que acontece depois.
- Death Note: é um dos animes mais famosos, mesmo tendo apenas 37 episódios. Eu gosto bastante, mas perde parte da graça depois do episódio 25 (por uma razão que quem assistiu sabe qual é). O anime mostra os Shinigamis, deuses da morte da mitologia japonesa. 
Nesse anime, cada shinigami possui um caderno com o qual é possível tirar a vida de um humano apenas escrevendo o nome do humano no caderno. A história começa quando o shinigami Ryuk, que estava se sentindo entediado, para se livrar do tédio, joga seu caderno no mundo dos humanos, só para ver o que aconteceria em seguida. 
Yagami Light, o protagonista do anime, é um estudante de dezessete anos. É muito inteligente e tem um futuro promissor, mas não está feliz. Ele, desde o início, parece enxergar as pessoas ao redor com tédio ou desprezo. Sendo filho de um policial, ele cresceu ouvindo sobre as injustiças do mundo, como crimes, violência e assassinatos. É ele quem encontra o caderno de Ryuk, no pátio do colégio. 
No começo, Light não acredita que o caderno seja real, atribuindo a uma brincadeira de alguém desocupado. Mesmo assim, por pura curiosidade, decide testar o caderno misterioso. Sua "cobaia" é um sequestrador que ele vê ao vivo na televisão do seu quarto. Para a sua surpresa, funciona. A partir desse momento, Light resolve "fazer justiça com as próprias mãos", eliminando os criminosos do mundo. 
Mas as mortes repentinas de tantos criminosos não passam despercebidas. As pessoas começam a chamar o autor desconhecido desses assassinatos de Kira (variação da palavra em inglês "killer"). Logo, 'Kira' chama a atenção de L, outra figura misteriosa. L é, dentro do universo do anime, o maior detetive do mundo, e monta uma armadilha pela qual consegue provar que Kira existe, e que as mortes misteriosas dos criminosos são mesmo assassinatos. 
Não há lutas nesse anime; o conflito é intelectual, e não físico. O anime também traz um questionamento sobre ética, nos levando a questionar se o que Light fazia estava certo ou não (eu particularmente torcia para L, mas tire suas próprias conclusões).
- Mirai Nikki: o Diário do Futuro. O anime se foca em um garoto de catorze anos chamado Yuki, um menino introvertido que tem como hábito escrever um diário em seu celular, narrando tudo o que vê ao seu redor. Ele tinha uma vida relativamente normal, sem saber que era observado por uma garota chamada Gasai Yuno. Yuno é da mesma sala que Yuki, e é platonicamente apaixonada por Yuki. Até aí, tudo bem. 
A questão é que Yuno é uma verdadeira stalker, obcecada por Yuki. E, como ele, ela também mantem o hábito de escrever um diário. Mas no diário de Yuno ela escrevia tudo o que observava sobre Yuki. A história começa quando, contra sua vontade, Yuki é envolvido em um jogo de sobrevivência com 13 participantes. O vencedor do jogo se tornará o Deus (ou Deusa) do tempo e espaço. 
A partir do momento em que Yuki é escolhido como participante, seu diário começa a prever o futuro. Todos os participantes possuem um diário que prevê o futuro, por isso o nome do anime. Logo, Yuki descobre que Yuno também é uma participante do jogo, e a garota promete protegê-lo dos outros participantes. 
Uma curiosidade é que os diários são diferentes entre si. Os diários dos protagonistas se completam. O diário de Yuki mostra tudo ao seu redor, mas não mostra o que acontece com o próprio Yuki, enquanto o diário de Yuno mostra tudo o que acontece com Yuki. Apesar de Yuki ser o protagonista, a personagem mais interessante é Yuno. Seu passado e as razões por trás de seu comportamento (muitas vezes assustador) são reveladas depois.
Os outros participantes também são bem interessantes, cada um à sua própria forma (na verdade, o único que eu não gosto é o Yuki mesmo). A personagem que mais me cativou foi Minene. Enfim, o anime tem várias cenas de morte (afinal, é um jogo de sobrevivência). Mas eu realmente gosto bastante da história, e da forma como os sentimentos dos outros personagens são mostrados.