terça-feira, 29 de novembro de 2005

CRÍTICA: A SOGRA e PENETRAS BONS DE BICO / Comédias estúpidas para fugir do country

Tem bastante gente jurando que “Dois Filhos de Francisco” tem uma primeira metade boa, que é comovente; o gerente do cinema me contou que o filme atrai espectadores incomuns, essas coisas. Mas não consigo vencer meus preconceitos e ir ver um produto onde os heróis são cantores sertanejos. Sempre tem o risco que eles comecem a cantar! E aí ao invés de prestigiar o Zezé di Camargo e seu irmão hiper produzido pra ficar menos feinho, eu acabo entrando em altas roubadas, tipo “A Sogra” e “Penetras Bons de Bico”. Certo, você acha que quem assiste a essas estúpidas comédias românticas não tem moral pra falar mal de dupla country. Você tá certo.

“A Sogra” pelo menos tem a Jane Fonda. Apesar d’ela estar mais conservada aos quase setenta anos do que eu tava aos trinta, eu devo dizer, sem maldade, que ela tá a cara do pai em “Num Lago Dourado”. É sério. Há uma cena com ela acamada num hospital em que eu pensei: Henry, você vive! Mas fora ver a Jane em seu primeiro papel em uma década e meia de ausência, “Sogra” não tem o menor atrativo. Só pra quem é fã de carteirinha da Jennifer Lopez. Deve ter algum por aí, perdido.

A bola da vez foi “Penetras Bons de Bico”, que eu fui ver no sábado, e tô pensando até agora se o que o pessoal de teatro diz sobre o público de sábado se aplica ao público de cinema. Ou talvez eu devesse rever o filme numa sexta pra conferir se a reação é diferente. Mas rever algo como “Penetras” pode causar danos cerebrais permanentes, então prefiro ficar na dúvida mesmo. Bom, esta comédia fala de dois amigos que adoram ir a casamentos sem ser convidados pra catar mulher e beber. Quando um deles dança com uma daminha de honra – acho que é esse o nome –, uma moça atrás de mim exclamou “Ai, que gracinha!”. Quando o irmão gay de algum interesse romântico de algum dos protagonistas tenta beijar algum homem, a moça gritou, em pânico, “Ai, que nojo!” Seu namorado confirmou: “É tudo viado mesmo”. O resto do respeitável público também fez barulhos de “Eca!” e “Argh!”. Foi uma comoção coletiva em plenos embalos de sábado à noite.

Enquanto isso, eu refletia sobre o que tava fazendo ali. Eu, que odeio casamento, que os evito até quando sou convidada, que sei que o bolo é sempre branco, nunca de chocolate. Eu, que por algum motivo nunca fantasiei em me vestir de noiva e ouvir a marcha nupcial. Pra quem ter um maridão é morar junto com ele, sem precisar firmar contratos ou trocar alianças. Esses rituais todos são universos estranhos pra mim. E estranho também é saber que “Penetras” vem sendo elogiado pela crítica americana simplesmente por ser R-rated. O que isso significa? Que não é pro público-alvo de Hollywood, meninos de doze, treze anos. E como que a gente sabe disso? Ué, porque o filme tem alguns palavrões e, audácia das audácias, seios! (o que não deve ter passado desapercebido pra quem deu o título em português). Os protagonistas continuam se portando como adolescentes, claro, mas como surgem peitos com mamilos na tela (o diferencial são os mamilos, lembre-se da Janet Jackson), o censor já decreta: proibido para menores! Ô sociedade puritana essa dos americanos...

No fundo, nisso de querer agradar homens e mulheres, a comédia acaba sendo bem esquizo. O começo é puramente masculino, depois vem a baboseira romântica que tanto agrada ao paladar feminino. Vamos nos ater à parte pros machos. Há uma seqüência em que moças semi-nuas (isto é, peito de fora) caem numa cama de braços abertos, olhando pro espectador. A isso se junta uma montagem com cenas de champanhe sendo aberto. Moça na cama, champanhe espumante, entendeu? Cinco décadas atrás pipocavam na tela fogos de artifício e trens penetrando túneis. E o que mudou nesse tempo todo, pós-revolução sexual? Os mamilos.

“Dois Filhos de Francisco” não pode ser pior, pode?

CRÍTICA: V DE VINGANÇA / P de panfletário

Puxa vida, é o que posso dizer após ver “V de Vingança”. Junto com “O Dia Depois de Amanhã”, “V” deve ser o arrasa-quarteirão mais crítico que eu me lembro. Só pra resumir o tom subversivo: o herói é um terrorista. O filme reclama de um governo que utiliza um vírus mortal contra seus próprios cidadãos. O Alcorão é um livro proibido. O governante máximo manda os direitos humanos às favas sob o pretexto de combater a barbárie. Uma lésbica pergunta, “Por que eles nos odeiam tanto?”. Ah, e tem também um padre pedófilo. Preciso falar mais alguma coisa?

É impressionante esse pacote tão ferrenhamente anti-Bush num filme comercial com origem nos quadrinhos. Mas fica menos impressionante quando a gente pensa que “V” é obra dos irmãos Washowski. Se alguém tem dúvida sobre o caráter subversivo do primeiro e único grande “Matrix”, basta prestar atenção na música do final, que conclama para atos de ódio contra o sistema. Bom, nem foram os irmãos W que dirigiram “V”, mas o roteiro e a produção é deles. Tá certo que a história em quadrinhos (perdão, graphic novel) foi escrita nos anos 80, e que os Washowski a adaptaram pras telas quando Bush Pai ainda dominava o planeta, muito antes dos aviões derrubarem as Torres Gêmeas. Mas não tem jeito, tudinho na trama cai como uma luva pra atacar o Bush Filho. Tem até um momento em que o governo lança uma epidemia de pânico pra alienar a população (a gripe aviária entra na jogada). Michael Moore deve estar orgulhoso.

V, o superherói do negócio, usa uma máscara baseada num sujeito que tentou explodir o parlamento inglês no século XVII. O carinha foi preso e condenado à morte, e sua trajetória virou um hino pra reforçar o Império Britânico (isso tudo é real). Só que como a gente julga esse sujeito depende do ponto de vista, né? Ele foi um terrorista ou um revolucionário? Por exemplo, quem derruba governos que os EUA não gostam é sempre visto como revolucionário. Tem até um termo pra isso, freedom fighter. Ou seja, a pessoa que luta de acordo com os interesses americanos luta pela liberdade. No entanto, acho razoável adivinhar que a CIA não considera o Osama um freedom fighter.

Já o V declara que “dá pra mudar o mundo explodindo um prédio”. A trama se passa mais ou menos em 2020, após os EUA começarem uma guerra que arrasa o globo. O John Hurt faz uma espécie de Grande Irmão, e isso é interessante porque ele esteve em “1984”. A Natalie Portman é a mocinha que V acolhe. Aliás, não sei se vai ter seqüência, mas espero que não, porque terei dificuldade em engolir alguém tão frágil e esquelética como a Natalie virando superheroína. E a gente podia viver sem ouvir uma moça que acabou de ser violentamente torturada perguntando, “Foi você que cortou meu cabelo?”. Mas a verdade é que a interpretação da Natalie cresce na sua versão Joana D’Arc/Anne Frank. E o V? Dizem que é o Hugo Weaver (agora famoso por toda a eternidade como o agente Smith de “Matrix”) por trás da máscara, mas podia ser qualquer um.

Adorei as cenas com o discurso lotado de aliterações em “v” e com as centenas de dominós. Apesar de ser pelo menos meia hora mais longo que deveria, o filme tem ritmo. Mas pra mim ficou bem claro que construíram todo um espetáculo caríssimo pra passar uma mensagem. Por isso, gostar ou não de “V” depende de onde você se situa no espectro político. É um produto incendiário contra a direita. Não sei se tem a força pra nos fazer levantar da cadeira, colocar máscaras bonitinhas e sair por aí explodindo troços, mas dá a maior vontade de fazer aquilo com os dominós. Eu posso imaginar tranquilamente a direita cristã planejando ataques terroristas, digo, atentados pela liberdade, contra as salas que exibem o filme.

CRÍTICA: TERAPIA DO AMOR / Terapia pra fugir do desenho animado

Meu querido editor recomendou que eu escrevesse uma crítica conjunta sobre “Carros” e “Os Sem-Floresta”, mas eu avisei que, se estreasse qualquer atração ligeiramente mais adulta, seria nessa que eu iria. E eis que chegou “Terapia do Amor”, que até que é bacaninha. No mínimo o elenco chama atenção: Uma Thurman como uma divorciada de 37 anos, Meryl Streep como sua psicóloga, e um tal de Bryan Greenberg como o personagem mais descomplicado da trama, um rapaz de 23, filho da Meryl, que se envolve com a Uma. Na realidade o filme só funciona, e mais como romance que comédia, por causa do carinha. Ele tem um quê de Treat Williams. Treat Mané quem? Eu sei, eu sei, pode ser que apenas eu me lembre do ator de “Hair”. Mas o Bryan é tão fofinho que quase deu saudade de transar com um menino de 23 anos (o “quase” é porque este é um espaço familiar e sempre corro o risco do maridão ler este texto).

Não há como negar que rapazes recém-saídos da adolescência e mulheres beirando os quarenta estão ambos no auge da sua vida sexual. Mas confesso que tive problemas pra engrenar na história. Ok, eu tava mais enturmada que o maridão, que fantasiou os pombinhos se casando numa igrejinha no meio do deserto e quatro assassinos de aluguel trajando preto invadindo o recinto. Eu pelo menos não pensei em “Kill Bill” em momento algum. Mas não entendo por que um adulto precisaria da aprovação dos pais pra namorar alguém. Ou como uma terapeuta insistiria tanto para que o filho se juntasse a alguém da mesma religião. Aliás, às vezes você não sente que mostrar os maneirismos de uma família judia produz o mesmo efeito pra nós aqui do Brasil que enfocar futebol americano? A gente não saca bem o que tá acontecendo e nem se importa muito. Só quando o eixo mudou e começaram a tratar dos conflitos da idade é que consegui me envolver.

O triste é que se a comédia não enfatizasse tanto a diferença de idade, não daria pra perceber que a Uma é 14 anos mais velha que o Bryan. Ele não parece ter 23, e a Uma não parece ter 37 (inclusive porque, na real, a diferença de idade entre eles é de apenas oito anos). Mas é aquele negócio: o que importa a idade se os dois se dão tão bem? O desafio surge logo que eles decidem levar o relacionamento pra além do sexo. Aparecem disparidades no projeto de vida, no ritmo, nas expectativas de cada um. Tudo pode ser resumido no que chamo a falta de papel higiênico. Desenvolvi esta hipótese após ver um episódio de “Sex and the City” em que a protagonista se relaciona com um rapaz de vinte anos. Ela até suporta a bagunça do apartamento e a imaturidade. Só quando falta papel higiênico no banheiro é que ela nota que o relacionamento não tem futuro. Um homem mais velho sempre tem papel higiênico.

Algumas piadas em “Terapia” fazem rir, como a Uma dizendo pro carinha que tem roupas com mais idade do que ele, ou uma amiga advertindo a Uma que, se ela preza sua vida sexual, não deveria presentear o amante com um videogame. E gostei da psicóloga e paciente conversando sobre o pênis do sujeito, se bem que se eu tivesse que gastar uma nota com uma terapeuta em Nova York, não sei se falaria sobre isso. Ah, gostei até da psicose do melhor amigo, que sente compulsão por jogar torta na cara das suas paqueras. Mas não achei os personagens tão espertos como o filme quer que a gente ache. Tipo assim: o que adianta os pombinhos se conhecerem na fila de um festival Antonioni se eles perdem a sessão inteira papeando no banheiro? Posso estar enganada, mas aposto que em “Sem-Floresta” ninguém vai a um festival Antonioni.

CRÍTICA: SYRIANA / Proibido se divertir

Eu adoro filme político que faz o meu anti-americanismo escorrer pelo queixo, mas sorry, periferia, não gostei de “Syriana”, que aqui recebeu um subtítulo, “a indústria do petróleo”, na vaga tentativa de elucidar alguma coisa. Com esse nome soa como um documentário, mas acredite, não é. Sabe por quê? Porque até os documentários podem entreter, mesmo tratando de temas áridos (pense no Michael Moore). Em “Syri” o diretor Stephen Gaghan, que foi roteirista de “Traffic”, parece dizer: “Olha só, gente, eu tô apresentando um tema sério, então o tratamento vai ser pesadão. Vocês estão terminantemente proibidos de ser divertir!”. Ele tenta contar umas quatro histórias ao mesmo tempo, nenhuma delas altamente interessante. A gente vê um pedacinho aqui, outro ali, aí volta no tempo, aí avança. E o espectador lá, perdidaço. Tudo é complicado de propósito. Até a morte de um menininho numa piscina é motivo pra confusão. Ele morre afogado? Tem algo na água? O maridão disse que sentiu um trouxa. Pra mim, que tenho Q.I. muito superior, a sensação foi de que peguei todos os papos pela metade.

E não deveria ser tão complicado. Aliás, em retrospecto, nem é tanto, mas que parece, parece. Não há grandes novidades: a gente já sabia que as empresas são corruptas, só ligam pra dinheiro, e têm o aval do governo. E que os americanos são os maiores gastadores do mundo, precisam de muito petróleo pra sobreviver, e não aceitam de bom grado que os árabes passem a vender o líquido precioso pros chineses, por exemplo. Pra manter seu poder no Oriente Médio, os EUA interferem nos governos, pregam a discórdia, promovem guerras e, se necessário, mandam agentes da CIA matar um ou outro sheik mais saidinho. Nada muito distinto do que fazem no resto do planeta, mas a palavra-chave lá, e na Venezuela, claro, é petróleo. Agora, vários filmes, como “Short Cuts – Cenas da Vida”, usam e abusam do estilo fragmentado, pós-moderno, pra construir um mosaico. O problema é que “Syri” corta o diálogo bem quando uma idéia ameaça se desenvolver. No começo eu até dei um desconto. Pensei, ok, esse troço tá atrapalhado, e essa certamente não é a melhor forma de apresentar personagens, mas já já o filme engrena. E no final a maior parte das situações se encaixa, sim. Mas até chegar lá, que sufoco! Vi muita gente bocejando alto, alguns deixando a sessão, outros pipocando nas poltronas. Se bem que os críticos americanos amaram “Syri”. Pode ser porque o estúdio enviou um guia pra eles explicando os personagens.

“Syri” conta com um elenco de peso: Matt Damon, Christopher Plummer, William Hurt numa aparição relâmpago, Chris Cooper no mesmo papel de sempre, Amanda Peet como a única mulher do filme. E tem o George Clooney, indicado a ator coadjuvante por esta obra (nesse tipo de espetáculo, todo mundo é coadjuvante). Isso mostra o prestígio que o cara tem, porque o papel dele é um zero. Eu também adoro o George. Lindo daquele jeito e ainda consegue dirigir um filme em branco e preto! E ele engordou 17 quilos pro papel. Mas não sei, eu também engordo um monte e ninguém me indica pro Oscar. Tudo bem, tem uma cena de tortura horrenda em que o George é vítima, mas se alguém entender como o sujeito muda tão rapidamente da água pro vinho, me explique.

Desculpe o clichê, só que é preciso mais que boas intenções e uma mensagem politicamente correta pra se fazer um bom filme. E, cá pra nós, não tenho certeza sobre a mensagem. “Syri” não é de esquerda nem de direita, é apenas cínico e arrogante. A que fica é que um agente da CIA pode ter um surto de consciência e se arrepender, enquanto um terrorista homem-bomba vai ser um cabeça-dura até o fim. Ué, os dois não sofrem o mesmo tipo de lavagem cerebral? Eu só sonho em ter um carro movido à energia solar.

CRÍTICA: AMEAÇA INVISÍVEL / A última do país mais bélico do mundo

Deu cinco minutos de “Ameaça Invisível – Stealth” e eu já tava chorando, puxando o braço do maridão e querendo deixar o cinema. Não sabia do que se tratava aquela gosma, ou senão não teria entrado, mas pensei, no alto da minha ingenuidade, que houvesse algo parecido com uma história. Não há. É um mero comercial dos fuzileiros navais americanos, nossos bravos guerreiros. Tem um quê de “Top Gun”, mais bastante de “2001: Odisséia no Espaço” – eles praticamente plagiam o Hal, meu computador de cabeceira –, e mais um tantinho de “Dr. Fantástico”. A trama, se é que posso usar esse termo, é mais ou menos nesse nível: americano explode cinco caminhões seguidos com um só míssil super potente. Americano vibra e grita: “Na mosca! Bingo! Iupi! Eu sou o bom!”.

A ameaça, que de invisível não tem nada, fala inglês, é musculosa e dotada dos melhores brinquedinhos de guerra que o dinheiro pode fabricar. São dois caras e uma mulher, pilotos de elite, e mais um avião que voa sozinho. O mundo é o playground desses americanos, e eles se divertem pra valer explodindo coisas em vários pontos do planeta. Por onde passam deixam um rastro de destruição em nome da liberdade. Não tem erro: há ogivas nucleares em toda santa tendinha no meio do deserto. Parece que ninguém tem mais nada pra fazer a não ser planejar ataques terroristas ao solo ianque. Então nossos heróis jogam armas químicas em solos alheios, e é óbvio que eles não estão cometendo atos terroristas. No caso deles é patriotismo.

Quando eu não tava vertendo lágrimas, pude me concentrar em diversas partes hilárias. Por exemplo, um aviador diz ser contra o avião auto-pilotante porque aí a guerra se transformaria num jogo de videogame. Hã, só aí?! O que esse pessoal anda fumando antes de explodir povos que não comem hambúrguer? Também é uma gracinha quando nossos heróis bombardeiam um país e se preocupam que a radiação vai causar alguns danos colaterais (eufemismo pra vítimas). A pilota pede pra que os EUA mandem socorro médico imediatamente. Esses americanos têm um coração do tamanho do mundo! O mais engraçado ocorre quando um piloto tem o mapa-múndi inteiro pra desabar em cima, e cai logo na... Coréia do Sul! Isso proporciona ao filme a oportunidade de reviver a década de 70 e matar alguns malditos vietcongues.

O avião que voa sozinho tem desvarios de poder mas no fundo é um cara legal. Só um americano é malvado, um que alardeia fumar charutos “embrulhados nas coxas de mulatas” (nessa hora eu passei mal, confesso). Não entendo bem essa lógica bélica. Digamos que um americano armado invada a minha terrinha e atire em quem vê pela frente. Como que a terrinha vira a vilã da história? Olha, que a CIA não me leia, mas esse tipo de filme faz aumentar muito o meu anti-americanismo. Mais uma lavagem cerebral dessas e eu passo a achar o Osama o homem da minha vida.