terça-feira, 27 de novembro de 2001

CRÍTICA: FALCÃO NEGRO EM PERIGO / Mais um documentário sobre o patriotismo americano

A vantagem de se assistir à “Falcão Negro em Perigo” é que a gente se convence que guerra é definitivamente uma coisa hedionda... e chata. Muito chata. Os americanos gostam de batalha e de filmes batalhentos. Mas eles compõem um dos povos mais bélicos do mundo. E nós, o que temos a ver com isso? Brasileiro é bonzinho. De guerra, só conhece a urbana do dia a dia. Já os ianques-go-home se metem até nas lutas dos outros, até (principalmente?) quando não são chamados. Tenho certeza que eles não fazem idéia de que a Somália existe. Mas em 1993 lá estavam eles pra caçar um sanguinário e garantir a paz. Equipados até os dentes, que paz, a gente sabe, se faz com armamento pesado e montes de tiros.

“Falcão” traz a marca de qualidade do produtor Brukheimer (estou sendo sarcástica; o cara só comete arrasa-quarteirões) e do diretor Ridley Scott (último filme: “Hannibal”, penúltimo: “Gladiador”). Começa com intermináveis legendas explicando a situação da Somália na época e advertindo que esta é uma trama verídica. Como é verdadeira, posso contar tudo, até o final, ueba. É o seguinte: soldados americanos são enviados para uma missão. Um helicóptero é abatido e o comandante manda uma tropa de resgate, que deverá enfrentar uma população pra lá de hostil. Resultado: 19 militares americanos mortos. Que horror, não? Ahn, nesta mesma empreitada são chacinados mil civis somalis. Sei que é um pormenor, mas o placar final é de 19 a mil. Parece placar entre judeus e palestinos. Aí entra a derradeira narração do protagonista afirmando que os americanos nunca quiseram ser heróis. Mas acontece, sabe como é. A moral da história vem resumida numa cena em que um médico diz prum soldado ferido: “Vou fazer você sofrer ainda mais. Vai doer, mas é pra te ajudar”. Esta é a síntese da intervenção americana na Somália. Detalhe: o soldado morre.

Tecnicamente, “Falcão” é perfeito. Tem quilos de cenas de ação, algumas cheias de sangue. Mas é no campo ideológico que o filme é mais eficiente. Embora os militares americanos usem capacete, há closes e mais closes deles, e eles recebem diálogos (banais). São brancos e fortes, prontos pra luta. Já os somalis não têm rosto. De soslaio, vemos que eles são negros e esquálidos. A impressão que fica é que os ianques estão lutando sozinhos. Alguém muito feio e mau atira neles, e eles revidam, ué. Enquanto isso, um comandante acompanha o confronto em vídeo. O tempo inteiro, ele cobre a boca com a mão e balança a cabeça. Notei que eu, sem querer, estava imitando seus movimentos. Às vezes eu bocejava também, ou revirava os olhos. Quando o segundo helicóptero cai, não escondi um “Ih, pronto! Vai começar tudo de novo!”. Mais bocejos.

Se você reparar bem, verá o Ewan Mcgregor servindo cafezinho, entre outros atores sem ter o que fazer. O Josh Hartnett, praticamente um veterano depois de “Pearl Harbor”, é quem tem o papelzinho maior. Há mais dois ou três coadjuvantes de “Pearl”, que, por coincidência, também é um produto Brukheimer. O que é isso, franquia? O que veremos a seguir, Josh, Bruk e cia. no Afeganistão, caçando o Bin Laden? Ou a intrépida equipe a bordo do outro avião em 11 de setembro, aquele que reagiu aos terroristas ou foi abatido pelo Pentágono, não se sabe ainda? Já sei, a equipe fantasiada de bombeiros nos escombros do World Trade Center! A lista é infinita. Estamos na terra das oportunidades, onde os heróis acontecem.

Lá pelas tantas, um soldado do bem é feito refém pelas forças do mal. O legal é que “Falcão” termina no melhor estilo “esqueceram de mim”. Quase nenhuma palavrinha sobre o refém. Em compensação, antes mesmo dos créditos finais, temos direito a um legítimo memorial. Aparecem todos os nomes dos nossos queridos 19 soldados mortos em combate. É por isso que o filme concorre a quatro Oscars, imagino. Isso e porque o Oscar tá cheio de bombas este ano. Uma a mais não faz diferença. Agora, com todo o respeito aos mortos, “Falcão” é de uma chatice monumental, né?

CRÍTICA: INIMIGO EM CASA / Acidentes domésticos

Cheguei ao multiplex (três salas!) e o bilheteiro, um doce como sempre, perguntou: "Qual filme você vai ver? 'Triplo X'?", ao que respondi: "Quequié, tá me estranhando? Não vou descer tanto assim", e me dirigi orgulhosamente à sala que passava, ahn, "Inimigo em Casa".

Tudo bem, se você nem desconfia que produção é essa, tá como eu. O título em português me lembra de longas fraquinhos, como "Dormindo com o Inimigo", "Morando com o Perigo" e "Um Dia a Casa Cai", e o original é pior ainda – "Domestic Disturbance", ou "Distúrbios Domésticos", que, imagino, é a descrição exata do que acontece quando arremesso pratos em direção à cabeça do maridão, ou de quando o cãozinho se põe a latir sem parar contra o gato do vizinho. Mas não, parece que "Inimigo Doméstico" é um thriller com o John Travolta. Se eu contar o comecinho da trama, você pode adivinhar o resto sem esforço nenhum. Ok. O Travolta é o pai divorciado de um garoto de 12 anos. A mãe do guri está prestes a se casar com o Vince Vaughn, o psicopata de "Psicose". Todo mundo na cidadezinha gosta do Vince por algum motivo (provavelmente porque não viram "Psicose"). Menos o menino. E todo mundo gosta do Travolta. Até o menino. Mas ele é um pirralho chato e mentiroso que se revolta ao ouvir que terá um irmãozinho e se esconde no carro do padrasto. Premissa equivocada número um: sinceramente, se alguém de 40 quilos (chute) se deitasse na parte traseira do meu Uno, eu repararia. Mas o Vince nem nota. Um outro sujeito entra no carro e o menino continua invisível, como se fosse um tapete. De repente, o Vince mata o sujeito e o moleque vê tudo, sem que, claro, o Vince veja o moleque que, a essa altura, já virou acessório opcional do carro. O menino procura a polícia e ninguém acredita nele. Só o Travolta, pai é pai, mas não basta ser pai, tem que participar. Mais tarde, ele tentará ganhar a custódia do filho. Mas ele perde, e sabe por quê? Ué, porque, se o menino se mudasse pra casa dele, o filme terminaria e todos viveriam felizes para sempre. E ainda falta uma meia hora de distúrbios domésticos pra gente suportar.

O público teria que ser muito ingênuo pra não sacar o final, que envolve uma caixa de fusível em curto-circuito e o vilão segurando uma barra de ferro. Adivinha quem leva um choque? Bidu! Este deve ser o 5,673o policial americano que assisto cujo lema é "família que mata unida permanece unida". Problemas de relacionamento familiar? Que terapia de casal, que nada! Já matou alguém hoje? Apague um cara grandão e traga paz e harmonia de volta para o seu lar! O maridão, porém, tolinho como só ele, insiste que o derradeiro assassinato não foi um assassinato – foi um acidente. Não entendo como certas pessoas apreciam tirar o mérito dos envolvidos. Vamos reconhecer o talento da família Travolta pra se reconstruir.

Por falar em família, outro membro que foi ao cinema comigo foi minha mãe. Desta vez, eu não tinha o menor interesse em ler os créditos até o final, já que não havia animais no filme, com exceção do diretor (Harold Becker, pobrezinho, responsável pelo bom "Vítimas de uma Paixão"). Mas minha mãe quis ficar até o finzinho da projeção para ler em que parte do Maine o troço foi rodado. O projecionista se controlou pra não jogar um rolo na gente. Ao finalmente sair da sessão, minha mãe comentou: "Uau, e pensar que o John Travolta esteve por baixo durante tanto tempo, até fazer 'Pulp Fiction'!... E hoje...". Não me contive e completei: "E hoje ele faz coisas como 'Inimigo em Casa' e 'Reconquista'".

Mas, pra que não digam que estou de má vontade, aprendi uma lição valiosa com o filme. Vou compartilhá-la com você. Seguinte: se você é um bandidão que saiu da cadeia, ficou com a grana dos crimes, mudou de nome e foi recomeçar a vida numa cidadezinha, mas ainda tem contas a prestar com outros pilantras, não deixe que sua foto apareça nas colunas sociais. O que, você achou óbvio?! Avise Hollywood.

CRÍTICA: ENTRE QUATRO PAREDES / A beleza do filme inútil

Prepare-se que é hoje que vou estragar um filme inteirinho pra você. Como? Contando a história. É que não dá pra não contar algo surpreendente que acontece após a meia hora inicial de “Entre Quatro Paredes”, já que é este o tema. Então, vamos lá. Não reclame, que depois ainda resta uma hora e quarenta minutos pra você se surpreender por conta própria. Bom, numa cidadezinha litorânea dos EUA, um jovem envolve-se com uma mulher bem mais velha, separada, com filhos. Os pais dele detestam a idéia. Pra piorar, a moça ainda tem um ex meio violento. Um dia, sem grande premeditação, o ex mata o jovem.

Não é esquisito este resumo todo? Afinal, se você já ouviu falar no drama, foi por causa das indicações de Sissy Spacek e Tom Wilkinson para o Oscar. Eles fazem os pais do rapaz, e são os protagonistas da trama. Já é anti-convencional um filme começar com uns personagens centrais e, depois de trinta minutos, deslocar totalmente seu foco. Mesmo que você conheça a história, esta ruptura causa um choque enorme, pois o rosto do moço assassinado aparece em primeiro plano. Pois é, “Entre Quatro Paredes” não é o típico dramalhão que segue fórmulas fáceis. Não é um filme de arte, já que não existem filmes de arte no cinema americano, e decididamente não é um filme comercial. O que é, portanto? É um filme independente, este híbrido que de vez em quando é lembrado pela Academia. Se vai ganhar um dos cinco Oscars a que foi nomeado? Nããão, difícil. Talvez tenha alguma chance na categoria de roteiro adaptado. A Academia já considera uma honra que uma película intimista e de baixo orçamento esteja entre os indicados a melhor filme.

Pessoalmente, gostei muito de “Entre Quatro Paredes”, chorei baldes, e me recordei de “Gente como a Gente” (há várias semelhanças: ambos são dramas dirigidos por atores, ambos tratam da dor da perda entre a classe média, ambos expõem mães manipuladoras), que, milagrosamente, recebeu quatro Oscars em 1980, mas aqueles eram outros tempos, menos blockbusterianos, digamos. Desconfio, no entanto, que fui uma das poucas a aprovar “Entre Quatro Paredes” na sessão que presenciei. Tinha gente saindo, uma moça riu cinicamente no fim, e, o que é pior, acho que quase ninguém encharcou lencinhos, fora eu. Hoje em dia, o público quer ir ao cinema pra rir ou pra chorar (“Patch Adams”, massacrado pela crítica, é imensamente popular entre os espectadores), ou pra se entreter com explosões e rachas de automóveis. É a era do cinema (e da crítica) útil, que cumpre sua função pré-definida, e convenhamos que boa parte da platéia não veja utilidade em produções como “Paredes”. É um filme contido, lento – não chato –, longe de oferecer alguma forma de catarse, baseado em belas interpretações. Agora, compare com os outros indicados. “Uma Mente Brilhante” faz derramar lágrimas e narra uma vida real; “Moulin Rouge” tem musiquinhas famosas e também comove (dizem); “Assassinato em Gosford Park” é resquício de cinema de autor; e “Senhor dos Anéis” é o filme-evento em cima de um clássico literário. Tadinho de “Entre Quatro Paredes”, o azarão do ano. Perto das outras gemas, é um inútil. Estou torcendo por ele desde criancinha, claro.

CRÍTICA: O DOM DA PREMONIÇÃO / Vidente evidente

Nunca consegui distinguir mais que três linhas na mão de alguém e nunca ninguém leu o meu destino. Não acredito nessas coisas de Nostradamus, previsões, feitiços... Mesmo assim, fui ver “O Dom da Premonição”, e até que encontrei um suspensezinho maneiro, não muito criativo, mas eficiente. Por coincidência, depois assisti a um vídeo que continha o trailer de “O Sexto Sentido” e pude constatar: “Dom” tenta copiar vários momentos de “I see dead people”. Colocaram uma mãe de família no lugar do menininho atormentado, esperando repetir o sucesso. Não deu.

Sai Haley Joel Osment, entra Cate Blanchett (de “Elizabeth”). Ela faz uma vidente viúva, com três bocas pra alimentar, que lê a sorte numa cidadezinha do Sul dos EUA. Uma de suas clientes mais assíduas é uma pobre coitada interpretada pela Hillary Swank, aquela que levou o Oscar fingindo ser uma menina que finge ser rapaz em “Garotos Não Choram”. Não dá pra entender o que uma moça que apanha regularmente do marido pode esperar do futuro, mas a Hillary vai até a Cate e ouve sempre o mesmo estribilho: largue aquele crápula. O crápula não gosta da sugestão e ameaça a Cate. Enquanto isso, uma dama da parte mais proeminente da vila é achada no fundo de um lago pela Cate. O crápula é condenado. Evidente que não foi ele. Adivinha quem faz o crápula, o vilão unilateral da história? O Keanu Reeves, de barba. Seu personagem é um extremista americano, um racista que bate em qualquer exemplar do sexo feminino, assusta criancinhas, esfola esquilos e, nas horas vagas, persegue gatos de rua. Merece mofar na cadeia.

Nossa heroína não é exatamente um modelo de inteligência. Parece que ela jamais foi ao cinema para aprender que não se deve visitar o banheiro à noite, quanto mais tomar banho de banheira à luz de velas, especialmente depois de presenciar um cadáver sendo retirado de um lago. Tá certo que é um filme pra sentir medo, mas ela não devia exagerar. Na hora H, o clima é temperado com uma trilha sonora cheia de batidas de coração. Os sustos são um tanto previsíveis, mas assustam.

Outra da nossa intrépida vidente – um dos principais suspeitos a convida para um passeio no pântano onde ocorreu o assassinato. Tá a maior escuridão, com chuva, sozinha com um cara perigoso... e ela vai?! Gostei do thriller, mas não é preciso ser nenhum bidu pra saber o que vai acontecer, né?

A mensagem subliminar é que todos os homens são maníacos dementes e todas as mulheres são vítimas, o que a gente, aliás, já desconfiava. Curioso é que o roteiro é do Billy Bob Thornton, aquele um de “Na Corda Bamba”, atual marido da Angelina Jolie (se bem que faz umas semanas que não leio revista de fofoca; eles podem ter se separado neste ínterim). A direção é de Sam Raimi, que havia trabalhado com Thornton antes em “Um Plano Simples”. Sam é cultuado por seu pavor de baixo orçamento, “Uma Noite Alucinante”. Mas sua passagem para os megadólares ainda não rendeu nada de muito memorável, vide “Rápida e Mortal” e este “Dim-Dom”. É tudo morninho.

Pois é, algum vidente infalível precisa urgentemente ler a palma de Hollywood. Já sabíamos que premonição não é um dom desde o estupendo “A Hora da Zona Morta”, talvez antes. Agora a dúvida é: depois de “O Sexto Sentido”, não tem mais suspense que não veja pessoas em decomposição?

CRÍTICA: CARTADA FINAL / Aprenda e faça você mesmo

Ufa! Até que enfim um filme de ação sem rajadas de metralhadora, sem perseguições de carro ou explosões que arrasam quarteirões. Assim é “A Cartada Final”. Vou dizer com todas as letras: adorei a película. Não, não é sobre meu último e fracassado jogo de pôquer. Mas mexeu comigo.

“Cartada” é praticamente um manual passo a passo do crime. Fala de um ladrão profissional altamente competente que possui uma boate em Montreal e quer deixar de ser bandido. Pretende casar e levar uma vidinha normal. Porém, antes disso entra num roubo arriscado a uma aduana canadense. Será sua derradeira falcatrua. Eles sempre prometem isso, né? Todo mundo que ele conhece o manda cair fora desta, mas, por seis milhões de dólares, ele é capaz até de suportar seu novo parceiro, um carinha que se passa por deficiente para espionar a aduana. Quem junta os dois é um velho gordo e endividado, que vive encomendando mercadorias pro larápio furtar.

Meu Deus! Nunca contei tanto da história de um filme. Viu como estou entusiasmada? Mais ou menos resumi a trama inteira. Não há mais do que isso. Não há surpresinhas mirabolantes ou dezenas de personagens incompreensíveis, daqueles que só servem pra complicar o enredo e fazer parecer que, uau, o roteirista realmente pôs a cabeça pra funcionar desta vez. O script de “Cartada” é simples e eficiente. Vai direto ao ponto, não enche o estofo de lições de moral, e é deliciosamente didático.

Eu fiquei na beira da cadeira o tempo todo. Pergunte pro maridão, que está com o braço roxo. Não sei por que torci pros bandidões. Talvez fosse por causa dos atores. Acho que torceria por eles mesmo se interpretassem a minha sogra. Imagina se os filmes, daqui pra frente, fossem estrelados por astros top de linha, como estes. O que seria da carreira do Ryan Phillipe, só pra ficar num nome? “Cartada” reúne os melhores atores de suas gerações, como Robert de Niro e Edward Norton, e, só de lambuja, o Marlon Brando. Os três estão brilhantes. Bom, o maridão me explicou, com veneno escorrendo da boca, que o Marlon está tão obeso que não há nenhuma cena dele subindo uma escada, por exemplo. Ou que o De Niro usa máscara durante suas aventuras porque assim a gente não enxerga o dublê. Tudo calúnia daquele invejoso, claro. Desconfio que ele seja um ladrão frustrado.

Aliás, uma das coisas que eu mais amo nas produções com o De Niro é que só nelas temos a chance de ver relacionamentos inter-raciais, um dos grandes tabus hollywoodianos. A bela Angela Basset, o par romântico dele nesta ocasião, não tem muito o que fazer. É a mulher do filme. Já no trailer, onde ela aparece por um milésimo de segundo, dá pra reparar que seu papel é insignificante. Mas, pra defender a falta feminina em “Cartada”, vou citar o Tarantino quando criticaram o incriticável “Cães de Aluguel” – “Pô, é a história de um roubo. Você não leva a namorada pra um assalto”.

Ah, e não adianta inventar que a gracinha do Edward Norton tá imitando o Kevin Spacey em “Os Suspeitos”. Nada a ver. Ele tá é a cara do Daniel Day-Lewis em “Meu Pé Esquerdo”, só que com um penteado melhor.

Pra você ter uma idéia de como fui afetada pelo filme, eu saí da vaga no shopping em alta velocidade, dirigindo na contramão, e por pouco não deixei o estacionamento sem pagar o ticket. Assim que acabar de redigir esta crítica, começarei a calcular meu infalível plano de arrombar a bombonière da esquina. Talvez tenha que usar um ou outro explosivo, e, para isso, estarei recrutando um cúmplice. Sabe, um que execute todo o trabalho braçal e siga minhas instruções direitinho, sem jamais discutir o salário. Cartas com foto, currículo e ficha criminal para este jornal, por favor. Não precisa ter o corpinho do Edward Norton. Ahn, nem o do Marlon Brando.