sexta-feira, 18 de julho de 2008

CRÍTICA: ILHA DA IMAGINAÇÃO / ...mas sua filha gosta

- Foi aqui que pediram pra entregar uma crítica sem imaginação?

Eu e o maridão fomos ver A Ilha da Imaginação (Nim's Island), que estréia hoje no Brasil, numa sessão pros críticos que no fundo era uma promoção pra montes de crianças. Acho que elas gostaram, não sei. Quem eu mais ouvia rir eram os pais. Antes de chegarmos, havia uns animadores de torcida fazendo as criancinhas mexerem o esqueleto. Mas tudo isso soa como uma memória distante, já que vimos A Ilha em abril, e é fácil esquecer um filme levinho como uma pluma, e curto também. Felizmente, tenho algumas anotações (não muitas). Vamos ver o que dá pra aproveitar.

Nim, feita pela hiper simpática Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), mora com seu pai cientista numa ilha distante de tudo. Ela tem alguns poucos amigos animais (que graças a Deus não falam em língua de gente), muitos livros, e é fã número um de um herói, Alex, criação de um autor chamado Alex também. Nim nem desconfia que esse escritor é na verdade uma escritora, a Jodie Foster. E eu passei o filme todo achando que o ator que faz o pai e o herói era o Brendan Fraser. Ahn, era o Gerard Butler (de 300). Cof cof. Melhor não divulgar isso pra não fazer minha carreira de crítica de cinema naufragar de vez. Ah, vai, Gerard e Brendan são parecidos!

Como fui ver a aventura sem saber de nada, pra variar, pensei que talvez a Abigail iria virar a Jodie quando crescesse, ou coisa do gênero. Assim como acredito que o Brendan e o Gerard sejam a mesma pessoa, acredito que a Abigail é o focinho da Jodie quando jovem. A guria podia interpretar a menininha que faz a Jodie em Silêncio dos Inocentes. Isso é, se a Abigail fosse nascida na época. Pra onde que essa crônica tá indo mesmo?

Bom, presta atenção que você está prestes a entrar na seção inteligente desta crítica. Tipo, eu gostei do lagarto, que lembra mesmo um dragão. Aliás, gostei de todos os animais, que parecem verdadeiros (com exceção do pelicano), não gerados por computador. O leão marinho é uma gracinha, e eu queria ter um pra nadar junto. Okay, eu posso fazer melhor. Que tal dizer que A Ilha lembra A Tempestade do Shakespeare? Tem um pai e sua filha, sem o Ariel e, principalmente, sem uma ameaça como o Calibã. A maior ameaça mesmo são os turistas que invadem a ilha de Nim e que são pintados como uma praga. Não há como negar que turistas afetam o equilíbrio ambiental de um lugar. Porém, se fossemos nos abster de ir a novos lugares por causa disso, a maior parte de nós jamais conheceria outras partes do mundo. Claro que dá pra ser turista e respeitar o meio ambiente. Ou não? Lá em Porto de Galinhas, Pernambuco, só o pessoal pisando nos corais já representa um dano irreparável.

Mas, voltando ao filme, é interessante que o menininho invasor não seja vilanizado na história. Seria fácil, já que ele (e a família) é gordo. O principal atrativo é que é raro uma aventura infanto-juvenil comandada por uma menina, e ainda mais em sintonia com uma outra personagem feminina forte. Eu adoro a Jodie, que está à vontade em A Ilha. Ela faz uma agorafóbica (sabe, pessoa que tem medo de sair de casa?), e a gente tem certeza que, em algum momento, ela terá que vencer a fobia e chegar à ilha. E ambas se viram bastante bem sozinhas. Não precisam do homem-provedor pra defendê-las. Além de dar poder às mulheres, o filme também ama os livros. Repare como, em A Ilha, todo mundo procura alguma coisa numa enciclopédia de papel antes de partir pra internet.

O filme é fofo e divertido e traz mensagens feministas, ecologistas, pró-leitura, a Jodie, que é a atriz mais inteligente do cinema, e o Gerard, que você pode fazer como eu e fantasiar que seja o Brendan. O que mais eu posso querer? Se bem que nem toda a defesa do meio ambiente de A Ilha me faria mudar pra lá. A comida parece absolutamente tenebrosa, e todo mundo na sessão fez “Aaaaargh” quando a Jodie experimenta a gororoba preparada pela Abigail. E lá não tem pinta de ter muitos cinemas. E, comigo morando num lugar sem cinema, o mundo não leria críticas indispensáveis como esta. Cof.Eu não moraria numa ilha deserta nem por todos os leões-marinhos do mundo.

5 comentários:

nita disse...

eu vi o trailer desse filme esses dias atrás no cinema e na hora pensei: me parece um filme agradável, mas nada muito memorável, pelo visto estava certa. Vou conferir assim que tiver uma oportunidade.

Masegui disse...

Eu gosto de filme assim... aliás, tirando terror tipo "serra elétrica" eu gosto de quase tudo. Também, gosto de cada coisa...

lola aronovich disse...

Nita, não é memorável, mas é um programa muito agradável. Principalmente pra quem gosta de filme infantil. Daqui a uns anos vai ser cult na sessão da tarde.


Mario, também, pra quem bebe tanto...
Leva seus filhos pra ver A Ilha. Mas, opa, seus filhos já não são adolescentes?
E eu gosto do Massacre da Serra Elétrica!

Mica disse...

Fala sério...mil vezes o Gerard que o Brendan (que eu também gosto). E por falar no Brendan, ele está no Viagem ao Centro da Terra. Ambos os filmes eu queria assistir, mas não deu para ver um e provavelmente o outro também irá dançar. Como não são tipos de filmes que eu pegue em DVD, o mais provável é que vá lutar com a sorte e torcer para assistir na TV quando sair.

lola aronovich disse...

Ah, não sei, Mica. O Brendan tem o tipo de beleza meio pateta, sabe? Dessas que não são necessariamente belas, mas são divertidas. É bem atraente. Com o Gerard, até agora vi pouca coisa dele, por isso não consigo identificá-lo bem. Ele certamente ainda não me conquistou.
Pois então, o trailer de Viagem ao Centro da Terra era tão sessão da tarde... Talvez eu fique com Hellboy mesmo. Um dos dois eu vou perder, e não ficarei nem um pouco arrependida, pra ser franca.
Se bem que eu veria Viagem se fosse num cinema em 3D! Mas não são muitos aqui que estão oferecendo isso e, pelo que sei, o ingresso é mais caro!