terça-feira, 27 de dezembro de 2011

RESOLUÇÕES DE ANO NOVO

Lolinha na Prainha. Só levei dois anos pra pisar numa praia cearense

Quando a vida é boa, todos os anos são bons. 2011 foi, ou está sendo -– não vamos acabar com ele antes do tempo. Porém, qualquer ano que marque meu primeiro encontro com a dengue e com um (mini) escorpião não pode ser de todo maravilhoso. O principal problema foi que trabalhei demais (ainda não acabou) e, portanto, detalhes como dormir e se alimentar direito foram deixados de lado. Tenho que corrigir isso imediatamente. Então vamos as minhas resoluções para 2012:
- Voltar a dormir seis horas por noite. Este deve ter sido o ano em que dormi menos em toda a minha vida. Não sei como não adoeci. Foram muitos dias seguidos dormindo duas, três horas. Eu não dava conta de fazer tudo que precisava fazer em tempo hábil, e tinha que compensar o prejuízo não dormindo. Quero muito controlar melhor o meu tempo, voltar a ter fins de semanas, feriados, tempo de lazer.
- Voltar a me alimentar direito. Claro que quando a gente não tem tempo pra nada, fica sem tempo pra fazer comida também. E, sem tempo pra fazer comida, acaba comendo qualquer porcaria. Houve dias em que eu comia só sanduíche e chocolate. Não dá. E o certo é comer pelo menos cinco pequenas porções durante o dia. Não uma ou duas grandonas como ando fazendo.
- Ir à praia uma vez por mês. Demorei quase dois anos pra pisar numa praia de Fortaleza desde que cheguei aqui. É vergonhoso, eu sei. E quando fui a Prainha, amei. Fica a uns 40 minutos de onde moro. Ou seja, não tem desculpa pra não ir. Falarei mais dela no domingo.
- Escrever mais. Escrever pro blog não é problema, como qualquer um que acompanha o ritmo frenético daqui pode ver. Mas eu preciso escrever academicamente. Preciso publicar. Nestes primeiros dois anos de faculdade, minhas aulas foram bacanas, dei cursos de extensão, minicursos, palestras, participei de mesas redondas, etc etc. Mas publicar, que é o que realmente importa no currículo, muito pouco. E também preciso ler mais, pesquisar mais.
- Voltar a ir ao cinema uma vez por semana. Não é fácil. Realmente ando correndo demais e falta tempo. Mas me parece um desperdício ter tantas salas de cinema à disposição e ficar tanto tempo sem ir. Quando eu e o maridão morávamos em Joinville (que então só tinha cinco salas de cinema), fazíamos um sacrifício monumental pra frequentá-las toda sexta. Até Garfield 2 a gente acabava encarando pra cumprir nossa meta. Qualquer sacrifício que fizermos em 2012 parecerá pequeno, em comparação.
- Agora que minha colaboração de quatorze anos na Notícia terminou, chuif, gostaria de encontrar um outro veículo impresso para publicar minhas ideias. De preferência que pague uns trocadinhos. Se souber de alguma coisa, avise.
- Fazer mais sexo. Pode ser com o maridão mesmo. Ha ha, depois de fazer propaganda institucional da monogamia no post de domingo, acho que posso me dar ao luxo de fazer essa piadinha. Enfim, como quase todo casal junto há muito tempo sabe, por mais que o sexo seja incrível, muitas vezes dá preguiça de começar... E claro que, num ano em que faltou tempo até pra dormir e comer, também faltou pra sexo. But no more! Os coelhinhos terão inveja de nós, amore!
- Sexo vale como ginástica? Deveria valer! De todo modo, outra resolução é voltar a fazer ginástica. Ok, o “voltar” forçou um pouquinho a barra. Estou bem sedentária, e não tão ágil quanto antes. Não irei a uma academia nem morta (se não vou a igrejas, irei a templos de culto ao corpo?), mas quero comprar uma esteira. Já falei pro maridão cinco vezes e ele ainda acha que estou falando de esteira de praia (isso me lembra quando eu estava me preparando pro exame de seleção de mestrado e vivia falando pra ele "Não vou passar!"... E ele levou meses pra notar que eu não estava falando da roleta do ônibus)! Em Joinville eu tinha uma bicicleta ergométrica usada, tão enferrujada que nem trouxe pra Fortaleza. Eu a usava de vez em quando. Agora quero uma esteira. Não que eu goste, mas se eu puder fazer algo de útil enquanto ando na esteira, tipo ler, aí beleza.
- Jogar mais pôquer e papear mais com amig@s.
- Continuar o bloguinho. Eu gosto muito daqui! Mas gasto tempo demais na internet...
De resto tá tudo ótimo. Estou ganhando bem, guardando dinheiro (nenhuma novidade), viajando mais, tendo 45 dias de férias pagas garantidas (um privilégio, sem dúvida). O principal é mesmo aprender a administrar o tempo, porque olha, professor universitário trabalha demais. Quer dizer, ou aprender a manejar o tempo ou arranjar dias de 30 horas. Eu adoraria!
E as suas resoluções? Se faltar inspiração, estas costumam ser as mais populares.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ESSES DETALHES NÃO ME INCOMODAM

Eu vi este quadrinho num Tumblr que conheci recentemente e que rapidamente se tornou um dos meus lugares favoritos na internet. Já falei de outra charge perfeita do Ampersand. Minha tradução falha:
Homem: “Admita, não precisamos mais de feminismo. Temos igualdade!”
Mulher: “Mas só 15% do congresso (americano) é mulher”.
Homem: “Não seja sexista! Quem liga se deputados ou senadores são homens ou mulheres?”
Mulher: “Quase todos os donos de empresa poderosos são homens...”
Homem: “A maior parte dos homens não é dono de empresa, mas não reclamamos”.
Mulher: “Homens ainda são mais bem pagos pelo seu trabalho”.
Homem: “É assim que o mercado funciona. Dinheiro não é tudo, sabe”.
Mulher: “Sem o feminismo, meus direitos reprodutivos desapareceriam num segundo!”
Homem: “Olha, as mulheres são iguais em tudo que importa. Você só precisa aprender a não se incomodar com todos esses detalhes”.
Mulher: “Eu não deveria me incomodar que as mulheres têm menos poder político, menos dinheiro e menos direitos?”
Homem: “Exatamente! Isso também não me incomoda!”
Talvez os peixes também deixaram de precisar de água.

domingo, 25 de dezembro de 2011

TRÊS DIAS ESPETACULARES EM PARACURU

Eu, maridão, mar à espreita

No final de semana passado eu não estava aqui, em Fortaleza. Eu e o maridão fomos passar três dias maravilhosos numa cidade linda do Ceará chamada Paracuru. Não é longe, dá mais ou menos uma hora de Fortaleza. Ficamos nesta colônia de férias da Associação de Jornalistas. Parece que a Lívia, futura médica, vai sempre pra lá com a família. Desta vez ela decidiu levar alguns amigos, como esta sortuda que vos fala.Ficamos praticamente numa praia particular, porque não tinha mais ninguém naquele longo trecho, com exceção de um pescador simpático (e seus três cães com quem tentei fazer amizade, mas não fui bem sucedida) que tecia sua rede à tarde. Ainda não falei isso pra ninguém, mas eu pensava na promessa que Clarice Starling fez pro Hannibal Lecter caso ele colaborasse com as investigações –- uma semana por ano de praia numa ilha com centro de doenças de animais. “Every day of that week you may walk on the beach, you may swim in the ocean, for up to one hour, under Swat team surveillance, of course” (“Todo dia dessa semana você poderá andar na praia, nadar no mar, por no máximo uma hora, vigiado pelo Swat, é claro”).
Certo, nada a ver esse pensamento! É que não era fácil chegar à praia. Tínhamos que descer uma longa escada. Até a metade, tudo bem. Mas depois começava a ficar cheia de musgo que escorregava. E o último degrau era um degrauzão. 1a etapa das escadas. Ao fundo, no alto, porta que dá pra nossa casa.

Mas valia super a pena, porque a praia era um paraíso. Tinha sombra de árvores, um mar lindo e cristalino (com algumas algas na parte da tarde, mas nada perigoso, como tubarões ou águas-vivas), e até algumas bicas de água doce. Eu provei, dava pra beber numa boa.
Agora, não sei porque os navegadores insistem em dar nome aos oceanos. É só pra confundir as pessoas que nunca sabem se é o Atlântico ou o Pacífico ou o Ártico, nas praias do sul. Todos os mares do mundo podem ser divididos em duas categorias: mar com ondas de afogar Lolinhas, e mar sem ondas de afogar Lolinhas. Infelizmente, a maior parte dos oceanos no planeta encontram-se na primeira categoria.Essa praia particular em Paracuru parecia ser calma e não ter ondas de afogar Lolinhas, mas era pura ilusão. Era só eu entrar na água que uma onda se quebrava em cima de mim e me levava pra longe. O Heltinho, namorado da Lívia, foi super gentil e virou meu BFF (best friend forever). Ele me deu a mão e me puxou pra lá longe no mar, onde a gente só fazia pé na ponta dos pés, na maioria das vezes. A vantagem é que ficávamos num ponto antes das ondas quebrarem. Quer dizer, quase sempre. Ás vezes elas conseguiam se organizar pra quebrar em cima de mim, e era terrível. A Manu também tinha medo, mas ela é durona, e fingia que não tinha. Quando vinha uma onda grande, eu gritava “Salvem a Manu!”.Mas geralmente eu gritava “Mayday! Mayday!”, e isso servia pra alertar os incautos. Então o maridão, do jeito pessimista dele de ser, ensinou que o ideal era gritar “Jacaré!”. Por que jacaré? Porque a pessoa esperava uma onda enorme pra poder fazer jacaré, mas aí vinha uma ondinha de nada e frustrava suas expectativas. Pior é que quase sempre funcionava. Num momento calmo, pedi pra ele falar japonês romântico comigo. A gente tem essa brincadeira em que ele imita (que nenhum falante de japonês o ouça) algumas palavras de forma que lembre japonês, e que sejam românticas. Um dia eu gravo pra vocês, porque é imperdível. Mas desta vez lá estava ele e eu no mar, e de repente, no meio do japonês romântico, ele grita um “Tenaka!”. Era uma ondona vindo em nossa direção.- O que é Tenaka?, eu perguntei.
- É jacaré em japonês, inventou ele.Lalá, e eu no meio, segurando a mão do Helton, num quase Mayday.

Mas na maior parte do tempo eu ficava mais romântica era com o meu BFF, que segurava a minha mão pra eu não ser levada por uma onda de afogar Lolinhas. Por conta disso, tive que ouvir sem parar da Lívia que roubei seu namorado. Eu dizia que não, que só peguei emprestado! E se mais gente fosse menos egoísta e compartilhasse seus namorados (tô pensando na Manu), eu não teria que ficar segurando mão do Helton o tempo todo. Não que eu esteja reclamando, Heltinho!E alguém pode perguntar: onde estava o Silvio, vulgo maridão? Pois é, quando ele não estava se empaturrando de caju (que ele pegava das árvores) e fotografando pedras ou pegando tenakas, digo, jacarés, ele e o Helton até disputaram um campeonato de nado pra ver quem ficava com a minha mão. Até seria romântico, se o Helton, ao chegar milhas depois do maridão, não tivesse me dado uma braçada bem em cima da minha cabecinha. Deu galo e tudo. Acho que isso foi represália por eu ter acabado com ele no gamão (placar: Lolinha 10, Heltinho 3. Isso porque chegou num ponto que paramos de jogar). Aí ele ensinou Monopoly Deal pra gente. É muito, muito legal (compre e jogue. Custa só uns dez reais). É quase um Banco Imobiliário, só que com cartas. E pra quê, né? Assim que o maridão e eu aprendemos, não perdemos mais. A gente só se revezava nas vitórias. É muito triste isso. A pessoa vem, toda entusiasmada, ensinar um joguinho pra gente, e nunca mais ganha. E daí a pessoa, pra tentar justificar, diz que é sorte nossa, que somos as pessoas mais rabudas do universo, que deveríamos jogar na Mega Sena.
Na volta, o maridão até falou pra mim: “O Helton foi um paizão pra você. Mas, meu anjo, a gente precisa deixar a Lívia ganhar de vez em quando”.
É uma pena que nunca mais serei convidada pra ir a Paracuru, porque amei o lugar.
Manu, Livia, eu, Laís. Duas são futuras médicas e uma já é enfermeira. Eu não ia me afogar lá nem que o Helton não me desse a mão.

Dois dias depois, já de volta a Fortaleza, fomos à vernissage do Diego (que também esteve em Paracuru). Diego é fotógrafo profissional e ganhou um concurso para expor suas belas fotos no Dragão do Mar. A gente de vez em quando faz um jogo de mímica de filmes em casa, mas quando dividimos as equipes em meninas vs meninos é uma covardia. A gente ganha de lavada. Na exposição, em foto da Manu: Livia, Silvio, Helton, Caio, eu, Diego.

Adoro todos esses amiguinhos com metade da nossa idade. E sabe como conheci essa gente? Através da Manu, que era leitora do blog (ela diz que ainda é; eu duvido). Ela foi generosa o bastante pra me apresentar a sua rede de amizades. Mas emprestar o namorado que é bom, até agora, nada!

sábado, 24 de dezembro de 2011

COMO SE DIZ FELIZ NATAL EM FINLANDÊS

Natal é amor: dois papais noeis se beijam no Stephen Colbert

Olá, pessoas incríveis! Não sou religiosa, mas não me importo que me desejem Feliz Natal. Natal não significa muito pra mim. Penso que é importante quando a gente é criança, ou quando a gente tem filhos, pelo aspecto de ganhar presentes mesmo. Eu, como alguém não consumista, raramente dou presentes. Maridão e eu nunca nos presenteamos, nem nos nossos aniversários (salvo uma ou outra surpresinha, tipo assinatura da Caros Amigos, se bem que isso foi no ano passado). Pra minha mãe eu prefiro dar dinheiro. Aliás, mil vezes dar e receber dinheiro, porque dinheiro é a pessoa que decide o que fazer, o que comprar, se comprar, quanto poupar. Desculpe se não contribuo com você, capitalismo.
Natal traz aquela melancolia que é a da felicidade forçada. Imagino que é por isso que tanta gente detesta. Se você está só, se você tem um probleminha na sua vida (e quem não tem?), parece que pronto: melou o natal. Como eu já desisti do ideal de perfeição faz algumas décadas, aprendi a gostar de natal. Virou dia de comer o que quiser, e sem culpa. Claro que “o que quiser” é muito limitado pra uma pessoa com a minha criatividade -- é sempre uma bela torta de frango e Sacher Torte, o bolo com mais chocolate por metro quadrado, ambos feitos pela minha mãe. Como se essa comilança não fosse já uma orgia, ano passado ela incluiu uma mesa de frios e uma cesta de frutas. Pra três pessoas (ela, eu, maridão).
Pior que natal, só escrever sobre natal. Então, vejamos: no natal passado eu estava um pouco revoltada com a minha casa porque, depois de uma grande reforma em abril, o piso da sala levantou em dezembro. A gente adiou até fazer outra reforma (só em outubro), e agora a casa está tinindo. Estou adorando a casa de novo (ainda mais depois da dedetização. Recomendo!).
Ok, e acabou oficialmente o que mais eu poderia falar sobre natal. Oh zeus, esta é a quarta vez que preciso falar desse ritual desde que comecei o blog! Talvez alguns dos meus posts de natais passados sejam mais interessante. Neste dou receitas de como fazer queijos (quem poderia imaginar que eu cozinho?). Neste falo de filmes não exatamente de natal, mas que tem cenas natalinas. Neste comparo natais passados. Este continua atual, porque, por incrível que pareça, todo natal algum reaça americano diz que, tadinho, vive numa ditadura gayzista/feminazi em que não pode comemorar sua festa cristã (aqui a propaganda do candidato republicano a presidente, Rick Perry, ironicamente vestindo o mesmo casaco de Brokeback Mountain! E aqui a resposta do grande Stephen Colbert. Aqui um dos meus símbolos sexuais, Jon Stewart, se divertindo pacas com Rick. Ridicularizar esse pessoal é definitivamente o melhor caminho. Isso que eu tento fazer, e continuarei fazendo, com os mascus e demais reaças).
Gostaria também de fazer algo assim, como uma lista das canções de natal mais sexistas (ou elitistas). Mas mal conheço canções de natal. E também prefiro coisas mais divertidas.
Deixo as resoluções de ano novo prum post na semana que vem. Por enquanto, aproveito pra desejar a tod@s um ótimo natal, com muita comida boa. Principalmente a você, Niemi. Uma das comentaristas mais queridas e perspicazes do bloguinho está se recuperando de um quase-câncer (um cisto no intestino, tumor benigno, mas precisa de quimio) e vai passar o natal e o ano novo no hospital. Felizmente, cercada da família. Ni, lindona, fique boa logo. Hyvää joulua! (feliz natal em finlandês. A Ni é uma finlandesa aqui no Brasil há anos).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NA PRÉ-HISTÓRIA NÃO HAVIA MARIDOTECA. EVOLUÍMOS!

Algumas leitoras pediram que eu comentasse uma reportagem do Fantástico do último domingo (veja aqui), e como eu tardo, tardo, tardo, mas não falho (ahan), tô na área. A matéria era sobre maridotecas, um espaço nos shoppings feito pra que os homens relaxassem enquanto suas esposas percorressem todas as lojas como as malucas incontroláveis que somos. O estranho é que eu já tinha lido algo sobre essa “tendência” bem antes da reportagem. Mas, enfim, algumas mulheres são entrevistadas pra provar que o senso comum está absolutamente certo: “Ah, eu adoro gastar!”, diz uma. “Toda mulher gosta demais de um shopping”, diz outra. Eu ouço essas coisas e meu cérebro faz cálculos: eu sou mulher. Eu não gosto de shopping. Logo, eu não sou mulher?
Puxa, mas como assim? Como uma mulher pode não gostar de shopping, ainda mais de shopping completamente lotado em época de natal? É o paraíso na terra!
Não. É ponto pacífico pra reportagem que 1) mulher adora shopping, e 2) homem odeia shopping. Então, pra eles, há um espaço com atendentes jovens e bonitas (não aquelas umas que eles têm em casa), massagem, pebolim, TV com jogos -– sabe, que nem tem brinquedoteca pra deixar as crianças? Nada como infantilizar os homens também e deixar alguém cuidando deles! “Mas antes de entrar, tem pedágio”, diz o repórter. E a câmera mostra os maridos dando dinheiro e cartão de crédito pras suas respectivas. Porque, óbvio, mulher não trabalha! Mulher não tem seu próprio dinheiro, já nos ensinou a Gisele naquele comercial! A preocupação do repórter com os maridos é genuína: “Vocês não 'tão lá pra controlar! E o prejuízo depois?” Pois é, como deixar sua mulher solta por aí? Coleira nela!
Não consegui prestar atenção no resto da reportagem porque ficava pensando como eu gostaria de receber massagem, comer petiscos e jogar pebolim (é tão legal!) enquanto o maridão vai às compras. Exceto que nenhum de nós dois compra muita coisa, graças aos céus. Mas eu queria entender a causa da matéria não fugir nem um tiquinho do senso comum e da vontade de fazer gracinha. Queria que a matéria tentasse resolver esse grande mistério: por que homem vai às compras com a mulher (que em geral, e principalmente no natal, não compra presentes pra ela, mas pros outros)?
Possíveis hipóteses:
- Pra controlar a mulher.
- Pra carregar as sacolas de compras.
- Pra, no caso de um pote de azeitona aparecer na frente deles, o macho conseguir abri-lo.
- Pra olhar feio pra esposa e lembrá-la que o sagrado matrimônio só é sagrado pro papa.
- Pra estacionar o carro (mulher não sabe dirigir; mulher nem tem carro, como já disse o comercial da Gisele).
- Pra participar de um ritual sofrido e sentir-se mais que um provedor -- um grande caçador.
Pode ser isso? Fui atrás de mais informações, e só encontrei um post antigo num blog que parece ser de marketing. O nome do post é “Porque as mulheres gostam tanto de comprar?”, que também poderia se chamar “Por que a reforma ortográfica não reduziu as quatro formas de porque a apenas duas?”
E a resposta é científica. Quer dizer, de um jeito PsicoEvo de ser:
“Na pré-história, cabia ao homem a tarefa inglória de ir à caça, buscar carboidratos para alimentar sua família. À mulher, cabia a missão de cuidar do lar, ou melhor, da caverna. Sua rotina era limpar o ambiente, cuidar dos filhos, preparar a comida. Por sua iniciativa, a mulher também gostava de sair da caverna e buscar, na natureza, objetos, vegetais e frutas que pudessem ampliar a dieta da família. Uma frutinha aqui, uma lenha ali, a mulher era a grande colhedora da natureza. O tempo passou, mas este hábito ficou na gene feminina. Hoje, o hábito de consumir representa uma evolução daquela mulher colhedora da pré-história. Não podendo simplesmente colher, a mulher de hoje compra, e adora comprar! Portanto, caras leitoras, não se sintam culpadas por gostarem tanto de um shopping. Isto é genético!”

Não é possível, eu devo ter vindo com um cromossomo Y! Defeito de fábrica!
Puxa, a julgar pelo post (puro senso comum), as mulheres já eram parasitas desde a mais tenra idade da humanidade. Enquanto os machos iam com suas potentes clavas buscar carne de mamute, uma tarefa inglória, as fêmeas tinham a tarefa obviamente gloriosa de limpar a caverna, uma caverna sem luz elétrica e alguns séculos antes da invenção do aspirador em pó. A rotina tranquila das fêmeas deixava tanto tempo livre que elas, por sua sua vontade mesmo, e pra se distanciarem do choro dos Bambans e Pedritas, saíam por aí em busca de coisas absolutamente fúteis, porque, né, quem precisa de frutinha se seu homem vai trazer um mamute? Mas hoje sim somos evoluídas: não colhemos, compramos! E pagamos com o cartão de crédito do marido! Uau! E não é pra se sentir culpada, Wilma Flintstone! Você não consegue sair de um shopping porque foi geneticamente programada pra isso!
Como esse tipo de pensamento está arraigado na sociedade! As pessoas acreditam nessas baboseiras sem piscar. Afinal, é ciência! Outro dia uma amiga minha, a Manu, contava o que viu num programa de TV verspertino, cujo público-alvo é composto de mulheres. Um especialista explicava que a gente não pode querer discutir a relação com o companheiro nunca, porque homem não gosta mesmo de ouvir, mas, nos raros casos em que a gente de repente quiser se comunicar com nossos machos, deve escolher a parte da manhã. Por quê? Ah, porque é genético. Na pré-história, os homens saíam pra caçar, geralmente de manhã (por isso, já explicou um psicólogo evolucionista, a cor preferida do homem é azul. Céu azul, sacou? Nós amamos rosa por causa das frutinhas). E à noite os machos estavam exaustos, após tanto esforço físico. Só queriam se jogar no sofá, ver uma partida de futebol na TV, e beber cerveja. Mas, na falta disso tudo, só lhes restava dormir mesmo, pobrezinhos. Nós mulheres precisamos compreender nossos provedores.
Pois é. Cadê o meu mamute?