domingo, 22 de março de 2009

3) VIAGEM AO SUL DO SUL: FONDUE E PATOS

Nessa terceira parte da saga da nossa viagem ao sul do Sul, fui praticamente chamada de gentinha, pata e baleia de uma só vez. Sacanagem! (leia a primeira e a segunda partes antes). E tente não salivar em cima do teclado porque pode dar um curto-circuito no computador.

COMO DIZER FONDUE EM FRANCÊS


Numa das paradas da nossa viagem ao sul do Sul, eu e o maridão conversávamos sobre a célebre revista francesa "Cahiers du Cinèma", quando ele não gostou da minha pronúncia. Apesar dos meus quatro anos de francês na escola no século passado, falo "carriê" porque senão nem dá pra saber a que me refiro, mas o maridão queria que eu dissesse "caiê". E ele pediu isso de forma romântica: "Quequié?! Você pulou aquela aula?!". E acrescentou: "Já não bastou a humilhação do garçom corrigir o seu francês?!".
Meu francês é pífio, confesso, mas preciso explicar que garçom nenhum me corrigiu. O que aconteceu é que, em Gramado, fomos saborear uma seqüência de fondue num restaurante chamado Swiss Cottage (Chalé Suíço). É maravilhoso. Primeiro vem um fondue de queijo com pão e batatinha cozida, depois um fondue com quatro tipos de carne – frango, filé mignon, porco e peixe (sendo que quando o peixe chegou eu comecei a gritar: "Não! Não! Peixe não! Tira daqui!") e, como sobremesa, fondue de chocolate. Você está salivando? Pois é, este foi um dos pontos gastronômicos altos da viagem. Claro que o fondue de chocolate podia ser melhorado. Eles trazem um monte de fruta, e todos sabem que chocolate é bom sozinho, então eu pedi uma colher. Mas isso não vem ao caso. Comemos até estourar e nos arrastamos até o hotel, enquanto o maridão resmungava: "Não devia ter comido tanto... Estou de dieta a partir de hoje. Nunca mais como nada". No dia seguinte, tenho até vergonha de contar, fomos a uma outra seqüência de fondue, esta num lugar mais em conta, mas igualmente ótimo, em Canela. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que o dono do restaurante havia trabalhado como garçom no Swiss Cottage. Como "swiss" está em inglês, pronunciei "cottage" também em inglês, ou seja, "cótaje". E, na hora, o garçom revidou: "côtáj". Não importa que eu estava certa. Assim que saímos, o maridão comentou: "Aposto como o garçom tá pensando, ainda barro essa gentinha do meu restaurante...".

O PATO E O MESTRE

Eu adoro São Lourenço do Sul, na Lagoa dos Patos. Não sei se já falei das vantagens da água doce sobre o mar, mas, pelo menos na Lagoa, não tem água viva, não tem aquele bicho pontudo, como que se chama mesmo? Ouriço? Chorizo? Não, isso é lingüiça em espanhol. Voltando, não tem tubarão e não tem onda de afogar Lolinhas. Torres, por exemplo, tem ondas de afogar Lolinhas, aquelas ondas imensas que vêm e me levam pras profundezas do oceano ou afundam o meu nariz na areia. Sem falar que a Lagoa dos Patos não fica no Oceano Ártico, como Torres e outras praias gaúchas. É mais quente. E tem muito menos argentino. Eu prefiro. Claro que tenho de agüentar certas piadinhas do maridão, como esta.
Eu: "Eu queria dizer pra Lagoa dos Patos..."
Ele: "Que você se sente um pato na água? Que você se sente em casa?"
Eu: "Antes de ser bruscamente interrompida, eu estava dizendo que..."
Ele: "Quá! Quá! Tradução simultânea."
Eu: "...Que gosto muito daqui e..."
Ele: "Quá!"
E depois eu recebo cartas de leitoras afirmando que adoram o maridão e perguntando se ele não vai se sentir muito sozinho quando eu estiver fazendo o mestrado em Floripa e colocando-se à disposição, ó almas gentis. Mas não quero entrar nesse assunto. Então, lá estava eu em São Lourenço, tentando caber no maiô – que eu não uso biquíni faz tempo, em respeito aos banhistas –, quando iniciei um monólogo em homenagem a minha fabulosa auto-estima. "Vão me ver de maiô e dizer que é raro uma baleia encalhar em água doce. Ainda por cima, meu maio é azul. Já tô até vendo engraçadinho gritando, Olha lá a baleia azul! E eu sou muito franca também. Vão dizer que nunca tinham visto uma baleia franca nesta região. Ah! E a gente não vai pra Imbituba depois, porque lá vão dizer que não sabiam que as baleias apareciam nessa época do ano".
Mas o maridão jurou que ninguém ousaria dizer nada disso. Por quê? Por causa da camiseta que ele vestia. Era alguma coisa envolvendo capoeira e Mestre Bigodinho. Seja lá o que for isso.

Nota: Minha autoestima está bem mais elevada hoje, obrigada.

14 comentários:

asnalfa disse...

Nunca comi fondue na minha vida... aqui no interior de Goias nao existe essas coisas....
Mudando de assunto: Vc ja assistiu "O castelo animado"?? é do mesmo criador de "A viagem de Chiriro". Lola... assisti faz um mes e chorei tanto!!! nossa foi maravilhoso. Acho q vc deve assitir e resenha-lo aqui pra gente!! Tem la no orkut os link pra baixa-lo!!
Bjo!!!

Masegui disse...

Uma das coisas que eu mais admiro no companheiro maridão é a sutileza...

Cristine Martin disse...

Adorei o relato, Lola!

Lembro de quando estive no sul (há alguns séculos) e tenho boas lembranças das casas de café colonial e dos fondues...(ai!) Gramado é a perdição pra quem gosta de chocolate!

Beijão!

Andrea Cristina disse...

Obrigada por contribuir com as risadas deste domingo!
Adoro a saga das viagens de vcs!!!

Ana disse...

Oi Lola!
adoro viajar, adoro quem viaja, adoro saber sobre a viagem dos outros e, portanto, adorei o post,rs
Depois dá uma visitada lá no meu cafofo e diz o que acha? um beijo
PS: Parabéns pelo blog, faz tempo que vc está linkada lá no cafofo

Ana disse...

Saudade de viajar sem ser a trabalho...
Aproveita!!

m. disse...

adorei o post, estou com agua na boca. nunca comi fondue "de verdade", só aqueles feito em casa que blergh, nao ficam la essas coisas (pq a pessoa q fez nao sabia fazer HEH).
hehe meu namorido é sutil assim tb, a ultima vez que eu disse que queria comer algo light (surto de querer emagrecer por pura pressao social) ele me disse pra comer uma lampada. haha.

Masegui disse...

Afinal, como se pronuncia "fondue"?

lola aronovich disse...

Desculpe, gente! Esta semana ficarei devendo muitas respostas aos comentários, eu acho. Preciso acabar a tese. Mas, aproveitando que hoje teve bem pouquinhos:

Asnalfa, dá pra fazer em casa e fica bem gostoso. Pelo menos o de chocolate... Não, não vi O Castelo Animado. Não sei se tenho muito interesse...


Mario, pra vc ver...

lola aronovich disse...

Cristine, é, esses fondues vão ficar na minha memória pra sempre. Eu adoro chocolate, sabe, mas não achei Gramado nenhuma maravilha nesse quesito. Os chocolates lá são todos caros, “artesanais”, daqueles que se importam muito mais com o formato que com o sabor. E, pra uma viciada em chocolate como eu, o mais importante é a quantidade. E chocolate em forma de bichinho só atrapalha!


Andrea, que bom que vc gosta! Foi bom eu ter escrito isso tudo. É uma boa maneira de lembrar.

lola aronovich disse...

Ana, obrigada pelos elogios! Eu dei uma passada rápida no seu cafofo e fiz umas perguntinhas. Estou sem tempo!


Ana (outra Ana), esse post é antigo, de 6 anos atrás. Mas, agora que temos carro, espero repetir a dose em dezembro ou janeiro. Faz tempo que a gente não faz uma dessas viagens deliciosas ao sul do Sul. Acho que a última foi no início de 2006.

lola aronovich disse...

M, olha, fondue de queijo em casa eu nunca me arrisquei fazer (ou talvez tenhamos tentado uma vez, e não ficou bom). Mas já fiz diversas vezes em casa com uns pacotes de queijo especificamente pra esses fins. Acho que custa uns 15, 20 reais, e rende muito bem. Aí é só complementar com pedacinhos de pão, biscoito e batatinhas cozidas. Fica ótimo. O de carne em casa fica bom, e é ultra simples: pedacinhos de carne no óleo quente. Agora, o mais fácil, e o que fica melhor em casa é mesmo o de chocolate. É só derretar uma barra de chocolate meio amargo em banho maria e colocar um pouco de creme de leite. Fica cremoso, delicioso. Aí é só separar alguns pedacinhos de fruta, biscoito, essas coisas, pra comer junto com o chocolate. (esse eu fico até com preguiça de usar a panelinha do fondue).
Há, há, adorei a resposta do seu namorido. Vou me lembrar dessa.


Mario, é mais ou menos “fondi”, mas com o i mais leve, tipo “fondee”.

Chris disse...

Lola, entre sequencia de fondue e de camarão, fico com a do crustáceo... principalmente nos muitos restaurantes de Camboriú - ô delícia!!!

Gentem, seu maridão n'existe pas!

Aqui no estado do Rio, na serra, tem uma cidadezinha chamada Penedo, de origem filandesa. Acho que numca comi fondue de queijão tão deliciosa como lá... MAS, vou ter que tirar a prova no Swiss Cotage, quando for para as bandas do sul.

Beijos

mateussz disse...

Lola!
Acabei encontrando teu blog através do Cidade Cultural. Por coincidência, nesse post, que tu falas da minha cidade, São Lço. Eu sou suspeito em falar dela. Então, quando vejo pessoas de fora fazendo altos elogios pra Pérola da Lagoa, isso me emociona! Saudades de lá. Adorei revistar minha terra através de tuas palavras!
Abração
Voltarei mais vezes!!!