sexta-feira, 3 de junho de 2011

GUEST POST: DUALIDADE. A VIDA NÃO É PRETO NO BRANCO

Niemi é uma comentarista frequente e querida por aqui. Quando a Aoi Ito publicou seu guest post, a Niemi perguntou se podia dar a sua visão. E claro que eu topei.

Antes de iniciar o texto, gostaria de agradecer primeiramente a Lola pelo espaço e em segundo lugar às queridas Larissa, Jac e Mia pelas suas valiosas considerações.
As pessoas de modo geral vêem o mundo claramente dividido em dualidades, bem e mal, homem e mulher, certo ou errado; a vida se resume a preto no branco e não há espaços para tons de cinza.
No meio de tudo isso está nossa sexualidade. As pessoas entendem que há duas opções a se seguir, homo ou hétero, mas quando alguém se manifesta 'bissexual' essa pessoa parece transgredir a dinâmica de 0 e 1. Numa alusão tosca, imagine um sorveteiro que pergunta se você quer sorvete de morango ou de chocolate. Ao responder que quer um pouco de cada um, ele se espanta e diz com petulância: “Como assim? Não tem como você gostar dos dois! Você precisa escolher um”. [Nota da Lola: essa conversa me lembra a cena deletada de Spartacus sobre gostar de ostras ou escargot].
Ser bi é ser guloso, desejar mais do que se tem para oferecer. A bissexualidade (ou biafetividade?) na maioria das vezes é percebida como a indecisão de alguém que só quer chamar a atenção, mas será mesmo?
Desde que me descobri biafetiva aos 14 anos, quando tive coragem para me declarar para a primeira garota, passei a me perguntar se isso não era apenas curtição, um ato de rebeldia adolescente. O tempo passou e eu percebi que não.
Creio que para a maioria das pessoas independente da sua orientação sexual o que importa mesmo em uma relação é a companhia da pessoa com quem você está; sexo é um complemento (muito bom aliás, mas não é tudo num relacionamento). A necessidade de se sentir amado e amar alguém é que nos atrai, isso não muda.
No meu caso que sou mulher, tenho que enfrentar a diminuição da minha sexualidade por homens que a reduzem a um fetiche. Eles pensam que beijo outras mulheres para ganhar pontos, mostrar que sou safada e que topo tudo, tudo para agradá-los. Fica difícil entenderem que a minha biafetividade é algo para mim. Eles ignoram a minha individualidade e acham que estou beijando outra mulher para atender a sexualidade deles.
Quando o homem se diz compreensivo, a dita compreensão vem quase sempre acompanhada de um interesse. O companheiro que se acha dono deixa claro: “Eu, seu dono, deixo você ficar com mulheres porque não fere meu orgulho de macho alfa e ainda satisfaz a minha sexualidade”. Outros perguntam se você topa uma brincadeira a três. Claro, ser bi é nunca dizer não, afinal, se está na dúvida, por que negar? Experimentar, experimentar, experimentar.
Isso sem contar que muitas vezes a pessoa biafetiva carrega a imagem de alguém que é promíscua e tem tendência a ter relações ‘clandestinas’. Não basta querer morango e chocolate -- enganar o sorveteiro e levar um pouquinho da calda de menta é a regra se você é bi.
Mas essa confusão da parte dos homens é culpa daquela visão de que a sexualidade feminina não existe, ou existe para ser objeto da sexualidade masculina. Para eles a vagina é um acessório que deve estar sempre acompanhada de um pênis. A nossa cultura mesmo fortifica isso demonizando meninas que sentem vontade de descobrir seu corpo. Uma bi resolvida com seu corpo e sexualidade para alguns machos é vista como uma mulher que aprendeu a gostar de sexo igual homem, já que mulher nunca descobre por si mesma que sexo é bom ,né? (e uma vez que ela aprendeu que gosta de sexo, automaticamente quer fazer sexo com qualquer pessoa, como um homem faria). A idéia de que bi é promiscua vem daí.
Deveríamos ter o direito de levar nossa vida sexual do jeito que bem entendermos, sem esse julgamento soberbo. Não importando nossa afetividade.
Nas baladas da vida há meninas que beijam esporadicamente outras meninas. Para algumas pessoas, essas meninas querem apenas provocar os homens, e aceitarão de bom grado se algum deles quiser se juntar na brincadeira. Não digo que algumas não estejam de fato experimentando, se descobrindo ou então fazendo isso por pressão social, acreditando que serão mais procuradas por rapazes, e isso as agrada.
Na minha humilde opinião não adianta ficar taxando essas garotas de falsas. Elas se envolvem com quem quiserem. Se a pessoa em questão procura uma relação séria, hétero ou homo, que seja, com uma mulher e detecta que a outra está apenas de curtição, acho que cabe o bom senso de seguir seu caminho. Falso ou verdadeiro é muito subjetivo e não serão esses rótulos que vão fortificar o movimento LGBTTT. Se pessoas héteros que se passam por bi contribuem para uma imagem estereotipada de lésbicas, cabe a nós continuarmos vivendo da nossa maneira e mostrar que somos diferentes do que nos pintam. Combater o nojo enrustido que as pessoas têm do sexo seria muito mais eficaz do que ir atrás de uma “falsa lésbica”, acreditem.
Agora contando um pouco da minha própria experiência como bi. Quando me relaciono com outras mulheres, costumo ouvir a constante ameaça: “ou você para de sair com homens ou nosso namoro acaba”. Vejo nessas palavras a dedução de que eu como bi não consigo controlar meu desejo insano, já que devo amputar minha gula. Infelizmente, vejo muita lésbica preocupada demais com extremismo, que não enxerga que só reforça a heteronormatividade copiando a sua dinâmica de ‘pureza’.
Muitas ainda acham que se estou em um relacionamento com uma menina não posso depois sair com um rapaz, pois isso significaria que mudei de lado e não apoio mais o “movimento”. Espera ai, não é porque uma pessoa biafetiva decide ter um relacionamento com alguém do sexo oposto que ela vai deixar de ter empatia pela causa LGBTTT e que vai esquecer todos os pesadelos que ela e outras pessoas vivem por conta do preconceito! Estamos apenas procurando afeto, carinho, atenção, sexo. Para ter empatia por alguém, acho que não é preciso necessariamente viver a mesma situação, correto?
Algumas pessoas biafetivas podem acabar estabelecendo uma relação hétero duradoura. Elas sabem que isso representa uma série de privilégios, acreditem. Mas a biafetividade não pode ser considerada algo ruim por representar uma zona de conforto para elas. E quem é definitivamente homoafetivo e não tem coragem de ‘sair do armário’? ‘Conforto’ é uma palavra de significado complicado neste contexto; tenho certeza que a pessoa não se sente realmente confortável em nenhuma dessas duas situações. Vamos culpá-las?
As pessoas não têm coragem ou vontade de discutir a biafetividade porque o próprio termo ‘bi’ parece surreal demais para ser discutido. Preferem inventar termos toscos como “Flex” do que se perguntar qual é a necessidade que leva uma pessoa a amar homens e mulheres.
Vão por mim: há pessoas que não têm dúvida alguma de que gostam de meninos E meninas.

92 comentários:

Pentacúspide disse...

A idiotia não tem sexo ou sexualidade, nem o ciúmes, tanto namorados gays como heteros conseguem ser tão estúpidos e exigentes que põem em risco qualquer relação.
As mulheres e homens homos que se relacionam com bis geralmente ficam com receio de serem largados porque a heterossexualidade parece mais fácil, por isso até compreendo esse ultimato de ou deixas de sair com a outra equipa ou acabou.
E sim, esse erro de pensar que um bi é mais promíscua e alinha em tudo é muito comum, e confesso, com vergonha, que já caí nele e fodi uma relação.

Eu aqui, invejo os bis, porque vocês tem o dobro de chance de não voltar para a casa sozinhos quando saem para o engate.

Vanessa Peres disse...

Otimo texto! Sinto falta de saber um pouco mais do mundo bisexual.

Pedro @snoopy_xxy disse...

Eu acredito que uma pessoa bissexual possa ser fiel sim. Eu conheço um rapaz bissexual que sempre foi ligado em meninas, namorou por 4 anos uma e anos depois, quando o namoro tinha acabado, ele se apaixonou por um amigo meu e já estão juntos por uns dois anos. E ele não deixou de desejar meninas, mas o amor fala mais alto e ele é fiel ao namorado.
Eu sempre fui gay, mas tive atitude bissexual até os meus 21 anos. Aí experimentei o sexo hétero e nunca mais quis hahahahaha!
Fico satisfeito de ter me dado a oportunidade de ver se eu curtiria ou não, de qualquer forma XD

»»Luh«« disse...

Muito bom o post!! Raramente vemos na web posts lúcidos e inteligentes sobre a bissexualidade (ou biafetividade? rsrs)

Parabéns!!!

Sexo c/ Amor? disse...

a bisexualidade está aí! escancaradamente, é o futuro.

http://camanarede.terra.com.br/

beijos

Pedro @snoopy_xxy disse...

Ah sim, infelizmente posso também confirmar que no mundo gay as pessoas vivem muito na base dos estereótipos e isso é lamentável... Muitos casais de homoafetivos, assim como os héteros, não se ligam na importância de criar sua própria filosofia de casal. E acho bisonho gays seguirem uma linha de raciocínio héteronormativo. Aliás são esses que também criticam a irreverência da parada gay ¬¬.
LGBTTT, não tenham vergonha da sua própria maneira de pensar. Tenham ousadia e acreditem: Há como ser irreverente e ser elegante. Essa postura pode mudar o pensamento de muitos que são contra nós. Felizmente eu já constatei isso.

Escarlate disse...

Eu assumo que já caí nessa de julgar "bis de modinha", mas pelo menos eu já sei mais do assunto e acho ridículo julgar a vida alheia. Eu sempre achei que a maioria das pessoas tem o potencial de ser bi. Eu disse POTENCIAL. Pode ser que nunca aconteça, mas só porque pênis e vagina juntos fazem bebês que vamos seguir isso forever.

O amor é independente de raça, credo, religião, nacionalidade, e tb independente de sexo. Conseguirmos encarar com naturalidade e respeito as diversas formas de relacionamento nos torma mais humanos e racionais, já que o que o outro faz com sua vida não nos prejudica de nenhuma forma.

Fernando Borges disse...

Eu sempre achei engraçado o comportamento dessas pessoas que se recusam a acreditar no bissexualismo.
Me parece extremamente normal que uma pessoa goste de Coca-Cola e Pepsi, de Cine e Restart (gostar desses já não é tão normal assim...), de Mortal Kombat e Street Fighter, Mário e Sonic etc.

Não há nada mais normal que possuir múltiplos gostos, mesmo que seja sobre coisas que supostamente são antagônicas entre si.
Ainda assim muitos se recusam a aceitar que uma pessoa possa gostar de homem e mulher. Que bobagem...

Mas confesso que bate uma certa insegurança, de fato... Se às vezes temos medo de ser trocados por outro cara (mais inteligente, mais bonito ou sei lá), imagine então quando a concorrência duplica.
Mas aí é uma questão de insegurança própria a ser trabalhada e de forma alguma representa uma crítica ao bissexualismo.

Fernando Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Borges disse...

Uma dúvida...
Entendo o que representa o sorvete de dois sabores, mas o que seria a calda de menta?

roar disse...

Seria interessante um texto sobre pansexualidade, que é um termo diferente da bissexualidade, mas ainda sim é bastante usado ('lá fora').

Aline disse...

A calda de menta me lembra o termo que fetichistas usam para se referir a pessoas que fazem sexo "sem pimenta". Chamam essas pessoas de baunilhas, por que a baunilha é algo sem graça...
Pode ser que não tenha nada haver, mas a calda de menta, me lembra esse apimentado. Tem gente que tem medo que a outra pessoa busque essa "Calda de Menta" mas não quer tentar deixar de ser baunilha.

adélia disse...

sempre tive essa dificuldade de delimitar a partir de qd a pessoa eh gay/hetero/bi. se interessou/beijou/ficou com mesmo sexo? gay, temporariamente gay. voltou atrás e se interessa por sexo oposto? ex-gay, bi, hetero arrependido. acho essa coisa de classificar afetividade/sexualidade taaaao impossivel. só consigo dizer que levanto a bandeira e me identifico com a causa. :)

Flávia_Cola disse...

texto realmente interessante, intelgigente e desprovido de preconceitos. parabéns pelo bom senso!
quando as pessoas entenderem que o amor (e consequentemente o sexo) serve pra unir duas pessoas, duas mentes, fica muito fácil entender a biafetividade. by the way, adorei essa palavra!
virei leitora do blog por causa do texto sobre amamentação, pretendo voltar todos os dias! aliás, eu meti o pau no CQC no meu twitter, já não gostava deles mesmo...

Pan disse...

Muito bom ^^ Fico feliz de ver esse assunto num blog tão bom e importante.
E sobre dobro de chances de ser dar bem... temos dobro de chances de levar fora também, naõ se esqueçam disso. Ser bi é só ser bi, não é nenhuma alteração na lógica de vantagens do mundo

Leticia disse...

Concordo TOTALMENTE com o post. Já vi muita gente olhar feio ao me assumir bissexual, como se fosse uma brincadeira. Ou, como ouvi certa vez, que "estava em cima do muro". O título desse texto já diz muita coisa. Devemos parar de rotular as coisas.

Dani disse...

Sou bissexual assumida a 12 anos e sou dona do perfil @bidadepressao que uso para brincar com a quantidade de absurdos que um bissexual é obrigado a ouvir ao longo de sua vida.

Sim, o mais comum que ouvimos é a tal promiscuidade atribuída aos bissexuais e o preconceito de ambos os lados hetero e homossexual a respeito de nossa sexualidade.

Quando se trata de sexualidade e relacionamentos pra mim não existe uma regra, um manual de como heteros, homos e bissexuais devem se comportar, nós simplesmente sentimos e vivemos.

Vivo numa relação heterossexual a 11 anos mas sempre mantive meu posicionamento bissexual. Dentro desta MINHA relação temos a liberdade de nos envolver com outras pessoas, como disse anteriormente, não existe uma regra que diga que todo bissexual só pode viver relações abertas para saciar o seu desejo sexual, mas na minha EU POSSO.

Não sei se com todos ocorrem isso, mas eu sinto falta física tanto do sexo oposto quando do mesmo sexo. Isso me faria uma pessoa promíscua? Não.

Já tive relacionamentos monogâmicos e totalmente heterossexuais como totalmente homossexuais sem sentir vontade de outro parceiro. Mas como disse anteriormente, na minha relação atual eu POSSO viver isso.

E mesmo assim, vivendo uma relação de total companheirismo, sinceridade e compreensão, muita gente ainda me julga como uma aventureira que na verdade topa qualquer coisa. Até alguns bissexuais não se vem numa relação assim, já perdi as contas do número de preconceitos quanto a minha sexualidade e relacionamento já vivenciei.

Já fui obrigada a ouvir de uma garota homossexual a máxima conhecida pela maioria dos bissexuais. "Bi é Bi de biscate." O resultado foram horas de uma conversa explicando o tamanho da hipocrisia dela querendo igualdade e berrando seus direitos na parada gay, para em seguida apontar o dedo para mim e me dizer um absurdo desses.

Homens em sua maioria sempre verão bissexuais como aquelas dos filmes de sexo à 3 que eles baixam na internet. Pouco respeito se dá, e até mesmo os que se dizem mais "modernos" que sonham namorar uma garota bissexual, impõem regras onde a mulher só tem o direito de se sentir atraída por outras mulheres e ele ser o grande garanhão de olho na sua amiguinha gostosa.

Esses mesmos "moderninhos" nunca teriam coragem de chegar em casa e te apresentar para os pais: "Olá esta é minha namorada, Fulana, Bissexual." A sexualidade dela não poderia ser aberta e deve apenas servir ao seu prazer pessoal.

Homens bissexuais sofrem ainda mais preconceito, visto que uma vez que assumirem seu desejo por outros homens sempre serão vistos apenas como gays. A maioria das mulheres heterossexuais nunca admitiria que o namorado pudesse se sentir atraido por outros homens, isso é ser gay, apenas gay, sempre.

Falta muito a ser falado, admitido pelos próprios bissexuais e se ter a mente aberta para homos e heteros.

Faltam as pessoas se assumirem bissexuais, independentemente de como te julguem, vc é o que se é.

Acredito que é muito mais fácil vc conformar sua familia de que é homossexual do que dizer que é bi.

Minha mãe acredita até hoje que foi uma fase.rs

Boa sorte aos Bis, pq eu digo, não é mole não.

Beijos e parabéns pelo post. @joanahdark

Daní Montper disse...

Gostei bastante do poste, mas só me deixou cansada disso tudo, pois é uma mania muita da chata ficar questionando a maneira como a outra pessoa encara e vive a própria sexualidade...seria tão bom que a sexualidade não tivesse rótulos.

Sexo é sexo, paixão é paixão, que importa o sexo dos envolvidos ou a dinâmica da relação?

Nunca passou pela minha cabeça que bissexuais estavam em cima do muro ou que eram promíscuos, aliás, queria muito ser bissexual, pois enjoo muito fácil das pessoas e assim teria mais opções, mas não rola química entre mim e outra mulher, sinto nada, nem uma faiscazinha =/


Outra questão é a monogamia, tão parecida com monotomia... não consigo me imaginar anos e anos com a mesma pessoa por mais apaixonada que esteja, e nada me faz ver monogamia como algo natural, que quem ama vai querer aquela pessoa para todo o sempre etc.

Mariana Krewer disse...

Excelente texto, como sempre!!

Pra compartilhar uma pequena dose de felicidade: anteontem passei por uma vitrine de loja aqui no centro de Porto Alegre, com decoração temática para o dia dos namorados, com um adesivo bem grande da primeira imagem do texto (o design era outro estilo, mas a ideia era aquela ali). Não pude deixar de sorrir na hora que vi, e sorrir de novo quando entrei aqui no blog e me lembrei :D

Daní Montper disse...

Ah sim, esqueci de falar sobre essa obrigatoriedade de assumir-se algo.
Eu nunca me assumi hetero e não vejo motivo para que um bi ou homo tenha que assumir o que é para outros que não para ele.
Mas claro eu posso andar na rua com meu parceiro que ninguém vai olhar feio, xingar etc também, então nesse sentido entendo quando a comunidade LGBT pede que a galera LGBT se assuma, que é para alçar voz e tal, mas não acho legal quando querem forçar alguém a "sair do armário" ou criticam a demora de alguém que 'saiu' (tipo o Rick Martin) - aliás, para mim, o gay/lésbica/bi deveria assumir sua sexualidade para si mesmo e vivê-la intensamente como bem quiser, sem ter que dar satisfação ou receber rótulo, como disse no meu outro comentário.

Giovanni Gouveia disse...

Hoje é flex, antes era gillette ("corta dos dois lados"). Da mesma forma que "tem" sapatão, frango, piche, alemão, sarará, saúva, fuba, baleia, cabeludo, polaco, carcamano, piolhento, "nordestistos", bóia fria, ceará, paraíba, bahiano, cabeça chata, quenga, vagaba, japa, china, turco, salim...
A alteridade sempre assusta os que têm preconceito, ou pelo menos os que são susceptíveis ao preconceito.
Se me permitem um trecho bíblico: "olha o cisco no olho do outro, mas esquece a trave do próprio olho", mudar isso é condição sine qua non para melhorar a vida humana.

P.S> ALô, comunidade LGBTTT, embora tenha saído da sigla, ainda há "S" em apoio à causa ;)

Luíza disse...

Sei bem como é isso. Me sinto diminuida, não pelo meu namorado e sim pelos meus amigos que acham que é um capricho idiota, que "é a nova moda", ou que vc é lés ou hetéro. Bullshit.

Niemi Hyyrynen disse...

Ola pesso@s

Respondendo a indagação sobre a metáfora co o caldo de menta:

Eu quis apesar dramatizar um pouco a idéia de que Bi é furtivo, que nós gostamos de fazer as coisas por debaixo dos panos, ali o texto trata de levar vantagem.

Escolhi o lance com os sorvetes e calda de menta, justamente como a Aline deduziu, por eu ser fetichista adepta do BDSM, chamamos aqueles que buscam sexo sem a "apimentação" de baunilhas. Por ser a baunilha um sabor muito comum.

@Pentacuspide

Não tenha inveja dos bis, como disse bem a pan, temos o dobro de chances de levar um fora tambem! ^^

Quem se descobriu bi de fato, não é bi para querer levar vantagem, essa pessoa admitiu apenas que pode encontrar afeto e sentir tesão por ambos os sexos.

@Dani Montper

Tb me canso das pessoas fácil! =p mas quando estou gostando de uma pessoa de verdade, procuro sempre deixar tudo bem claro, acho que um relacionamento só será bacana quando as duas partes acertarem estes detalhes em comum acordo.

@Lola

Vi seu email pedindo para eu traçar um perfil somente agora =/ estou mega enrolada aqui no trabalho... mas obrigada pelo espaço! E que tenso hein, logo após a polemica do Tas... tomara que ele não me processe por ser bi.

t+

Pili disse...

ou também sou bi e to louca pra ver essas chances todas aumentarem.
Na verdade elas vão diminuindo muito à medida que diminui a minha vontade de viver com quem discrimina.

Roberta disse...

Tipo Renato Russo :D

Joel Bueno disse...

Simplificações, simplificações...

"O certo é ser hétero" é a simplificação máxima. "Tem hétero e homo", simplificação 2.

A autora também simplifica. Para ela tem a tríade "hétero, homo e bi".

O desejo é muito mais complexo do que essa vã estereotipia.

Daní Montper disse...

Niemi, também sou bem sincera em meus relacionamentos, tanto que mantenho um bom contato com meus ex, e alguns até se tornaram amigões.

Sobre a bissexualidade, lembrei que a maioria das mulheres que conheço toparia fazer um ménage à trois se o namorado pedisse, mas só se a terceira pessoa fosse mulher. E elas são heterossexuais, ou pelo menos dizem que nunca sentiram atração por mulher, ou seja, seria mais para satisfazer o parceiro. Algumas também disseram que se for uma outra mulher se sentiriam menos putas (ou seja, puta de qq jeito ela seria, só que se não tiver um segundo pênis, é uma puta leve).

Enfim, não tem a ver com o tema proposto, mas me lembrou dessa situação.

Calíope disse...

Eu já caí na asneira de achar que os bis eram pessoas apelativas, já achei que eles tinham o dobro de chance de não voltar pra casa sozinhos, como disse o Pentacúspide, já acreditei que ser bi era um jeito de chamar atenção.
Hoje, felizmente, sou capaz de perceber que estava enganada. Que os bis sofrem em dobro na hora de "levar alguém pra casa", porque só é bi quem consegue ver o sexo como complemento, como expressão do amor. Pessoas assim, pra mim, são muito sentimentais, extremamente emocionais, o que dificulta na hora de encontrar uma pessoa "certa".
Admito que haja bis de modinha por aí, que muitas meninas de fato beijam amigas para atrair os homens; mas admiro DEMAIS os bis por atitude.
No assunto bissexualidade, só tem uma coisa que acho terrível: o cônjuge de um bi deve sofrer horrores, se for ciumento! hahahahahahahahaha

aiaiai disse...

muito bom e claro o texto. O grande lance mesmo é a liberdade...isso é que ninguém quer que o outro tenho e que todo mundo quer ter. Estranha contradição!
Eu quero ter liberdade para ser o que eu sou, mas será que dou liberdade para os outros serem o que são também?
Se amo alguém, deveria ser capaz de respeitar a liberdade do meu amor...e seus desejos.
Uma pergunta: as mulheres que, para ficar com você, querem que você não saia mais com homens aceitam que você saia com outras mulheres? O ciume é só da outra "equipa" - como diz o pentacuspide - ou é ciume de todo mundo?

Niemi Hyyrynen disse...

@Dani Montper

Desculpe acho que me coloquei mal, imagino que vc seja sincera nos seus relacionamentos.Tb mantenho otimas amizades com ex's ! :)

Quanto ao ménage, no meu caso, eu faria tanto com dois homens quanto com duas mulheres, e não me sentiria 'puta', como a perjoração do termo prega. Mas entendo que muitas mulheres não tem a mesma relação de liberdade com o seu corpo e sexualidade e ainda estão presas nessa dicotmia de julgamento machista puta/santa, é a tal da dualidade que eu falo.

@Aiaiai

As companheiras lésbicas com quem me relacionei acham que eu não vá trai-las com outra mulher tão facilmente como eu faria com um homem, para elas tb há a preocupação da "traição do movimento". Imagino que seja o caso de uma pessoa hetero que descobre que seu parceiro(a) lhe traiu com alguem do mesmo sexo.

Dária disse...

Lindo texto Niemi. Escreves com uma delicadeza quase poética: se tiveres um blog, deixa o link, que creio que muitos aqui irão querer te seguir.

Sentia mesmo falta de pessoas comentando o bissexualismo. Me parece que vocês acabam sendo discriminados por ambos os lados: os héteros por gostarem do mesmo sexo, e os homo que comumente taxam de indecisos aqueles que se relacionam com os dois. Tenho alguns amigos gays e já presenciei este tipo de discriminação feita por eles... taxar quem se diz bi de indeciso, quando não de covarde. Mesmo entre os homossexuais há muitos que tentam confirmar este tal mundo em preto e branco e isto sempre me incomodou.

Assim como o Pedro, também conheço um bissexual apaixonado e fiel. Mas e se não fossem? E se houvesse um acordo diferenciado com seu parceiro? E se eles se permitissem ter outras relações? Tampouco estariam cometendo um crime. O próprio conceito de namoro e fidelidade que usamos aqui é uma construção social, que para mim pode ser alterada pela vontade dos envolvidos. Eu em um momento alterei. Mesmo em um namoro hétero fiz uma opção por relacionamento aberto que me era satisfatória, e deu certo.

Sexo é a individualidade de cada um, independentemente de convenções sociais. Sexo para mim só tem de ser liberdade e desejo. Relacionamentos: honestidade e respeito.

No mais, precisamos também cessar um pouco as críticas a quem é hétero e já teve algum relacionamento homossexual, seja beijinho em boates, seja algo a mais. Esta pessoa não necessariamente o fez para chamar atenção ou atrair alguém, mas talvez por mera curiosidade, envolvimento, atração momentânea, vontade de experimentar... Nada disto é errado afinal. O que nos motiva a ter uma relação não interessa a ninguém. Não é o mero motivo da atração que originou o movimento LGBT, mas sim a luta pelo direito de ter sua sexualidade respeitada independente de como for, por quem for e porque for... Desta luta não deveríamos excluir ninguém.

Eduardo Marques disse...

Bom. Acho que é assim que se combate o preconceito, com informação. Não que eu discorde da lei anti-homofobia, mas é que há poucos anos atrás, homossexualidade era tabu completo. Era bom fazer as pessoas se acostumarem um pouco mais.

AdrianaGiglio disse...

sabe qual o problema? as pessoas não sabem mais cuidar da própria vida.

como o nome já diz, é "opção" sexual, ou seja, uma escolha particular. que compete a quem decide, é pessoal. Não interessa a mais ningupem além de si próprio.

Clarice disse...

A vida sexual de cada um deveria interessar a cada um...e ponto. Acho essa questão de rótulo muito complicada, pois enquadra, delimita e aprisiona os desejos dos sujeitos. E o bissexual termina sendo o que mais sofre, nesse sentido.

Já ouvi uma psicóloga dizer que não existe bissexual. Que a pessoa ou é homo ou é hétero. Que o que define essa condição não é o objeto do desejo, mas, sim, o objeto de amor. E que o bissexual, no fim das contas, teria, sim, uma preferência no gênero do ser amado. Será?

Segundo essa teoria, se fosse pelo objeto de desejo, e se pudéssemos todos nos liberar dos mandatos culturais e sociais, seríamos, sem exceção, bissexuais, pelo menos em potencial. De novo: será?

Eu pessoalmente não acredito em opção sexual. Acredito que somos o que somos, e acabou. É como nascer com os olhos puxados, com o cabelo crespo, com a pele clara, em tal grupo cultural/religioso, etc. Dá para escolher a condição relativa ao nascimento? Acho que não.

Se há alguma "escolha", seria no plano álmico, e aí entramos um pouco no terreno da crença de cada um...enfim, um tema muito interessante de ser tratado. E muito importante para quem quer ser pai/mãe: aprender a criar seu filh@ sem enquadrar o desejo/impulso sexual del@ como certo/errado, aceitável/condenável, etc. Isso pouparia muitos problemas!

Parabéns pelo texto.

Niemi Hyyrynen disse...

Eu também não acredito em "opção" sexual, eu não escolhi um belo dia gostar de mulheres, acho que sempre gostei de ambos os sexos, o que houve foi o reconhecimento de um fato.

O Joel falou de simplificações, as pessoas tendem a darem nomes para os objetos de sua fala, pois dialogos se referindo somente a coisas sem nomes seriam praticamente impossiveis de se entender.

O problema está quando damos mais valor para nossas implicações e delimitamos o significado de um simbolo, nossa sexualidade é muito mais complexa do que nomes como hetero, homo ou bi, mas fica dificil tentar entender mesmo assim.

Para quem quiser conferir meus poemas:

http://universo-in-verso.blogspot.com/

Lá estão alguns poemas bobos que escrevo sem pretensão de serem verdade.

Carina Prates disse...

Gente, bissexualidade, plis.

Gostei do texto Niemi.

elen mars disse...

vc ta certa,eu já disse aqui uma vez que tenho uma prima lésbica.
e ela diz que bissexualidade é safadeza.

eu n entendo isso,ela sendo da minoria,deveria ter a mente mais aberta; algumas pessoas tb acham que lésbicas e gays são um bando de safados,que vivem em orgias, mas ela n é assim.

então pq alguém bi é safado?

isso n quer dizer q um homem vai juntar mulheres e homens pra transarem com ele ao mesmo tempo.

só q pode gostar dos 2 genêros.

o mundo é ridiculo,querem padronizar tudo,uma vez fui zuada só pq disse que gostava dos beatles e do aeromisth.
pq era impossivel gostar de bandas de estilos diferentes.

parece q as pessoas ficam cada vez mais burras, sinceramente torço para q o mundo acabe em 2012.

Lali disse...

Sou bissexual (ou biafetiva - amei o termo..). O que posso falar?
Já tive amigas lésbicas que me diziam que é uma fase, ou que eu era uma minininha mimada que tinha que sair de cima do muro. Já tive amigas hetero que diziam que eu só queria chamar atenção ou (de novo) que era uma fase.
Quando fiquei apaixonada por uma amiga e, chorando, contei pra minha mãe, ela simplesmente não aceitou, porque já tinha me visto namorar por um ano com um menino. Aliás, alguém já viu o filme "adivinhe quem vem para o jantar"? Apesar de tratar do preconceito racial, descreve perfeitamente a minha situação, que achava que tinha uma mãe livre de preconceitos, mas descobri que, quando se trata da filhinha, todos os preconceitos surgem.. No fim, decidi que ela achasse o que queria e parei de discutir meus relacionamentos com ela. Às vezes acho que deveria ter insistido, mas não aguentava mais os meses (sim, isso durou seis meses) de discussão, choro e ameaças..
Teve uma época, antes disso, em que fazia terapia, que minha psicóloga disse que, se eu era bi, deveria simplesmente estimular meu lado hetero.. Logicamente, mudei de psicóloga na semana seguinte.
Já tiveram garotas que não quiseram me namorar "porque bissexuais sempre acabam voltando pra homens". Parei de falar pros meus namorados que sou bissexual porque ele sempre insistem em mènage, "afinal, você gosta de meninas tb, não?".
Mas, no fim das contas, com todos os problemas (tem uma amiga minha que diz que os biafetivos e os trans são os mais discriminados.. fato!) não sei como deixar de gostar de um ou de outro, de sair de cima do muro. Afinal, não existe como controlar por quem me apaixono

bjs

Pentacúspide disse...

CALIOPE, não santifiques os bi que eles são pessoas como qualquer outras, a inclinação sexual não tem a ver com amor "ágape", ou qualquer outra coisa, tem a vez com o amor "eros". Por isso, dizer que os bis são os puros no amar não é verdade, porque eles são simplemente gente. O que acabaste de dizer é simplesmente o inverso do que o PEDRO disse: "eu acredito que os bis são capazes...", isso soa como a "eu acredito que a avestruz são capazes de voar", é pura esteriotipação. lembrem-se bis são pessoas com orientações sexuais diferentes de vocês e só isso, no resto da sua humanidade essa orientação não pesa.

AIAIAI, eu não disse que os bis têm ciúmes da outra equipa apenas, mas que a outra equipa cria maior insegurança no parceiro homossexual de um bi.

Recentemente andei com uma bi, e estava inclinado a crer que a monogamia não estava no dicionário deles, e quando percebi que não é pelo facto de ser atraída por homem ou mulher é que se vai envolver com eles, tal como eu não me envolvo com qualquer mulher que me atraia, foi tarde demais, já tinha sido demasiado sacana.

NIEMY eu não disse que se é bi para levar, se fosse por isso eu seria tri, tetra, ou melhor penta, para fazer jus ao meu nome.
E, dizer que a sexualidade não é opção pode ser verdade, porém dizer: eu nasci gay, homo, hetero, pedo, necro, etceterófilo, é inverdade, isso são construções da personalidade que se adquire depois, ninguém nasce coisa alguma, tirando o Cristo que nasceu deus.

Pentacúspide disse...

errata: que se é bi para levar vantagem

Aoi Ito disse...

Bem, lá vou eu falar como alguém que tem uma história MUITO estranha pra contar. Eu acho que a idéia de que bi é na verdade um homo enrustido tem uma explicação, mas não justificativa. Falando por mim, pela minha história de vida, que eu vim a entender o motivo disso.

Eu me considerava bi quando menor. Já gostava de meninas, mas bi era "menos pior" na minha mente - Significava que se eu encontrasse um garoto, não teria que passar por todo o drama de apresentar namorada à família, não poder casar, etc (O que não está errado por si só). Mas aí eu fui notando que não era bem isso que eu gostava, não gostava do corpo masculino. Decidi deixar minha identidade de bi de lado, já com esclarecimento - Eu sou lésbica.

Agora, quantos homos imagino que não tiveram uma história parecida? E como homos têm mais espaço na mídia que bis, acho que forma uma idéia dessa. Imagino que um monte de homos tenham se identificado como bis por puro medo de sofrer preconceito, por ter uma idéia que não estavam "completamente perdidos" e ainda gostavam do outro sexo, por falta de esclarecimento sobre si mesmo, por qualquer coisa. Claro que é uma idéia babaca achar que isso se aplica a todos os bis. MUITO babaca.

Então, eu queria falar sobre a idéia de "opção/orientação sexual". Eu não gosto do termo opção - É muito "caralho, hoje tô com vontade de ser gay" "pow, hoje tá um dia lindo, perfeito pra ser bi" "hmmm acho que hoje rola uma pan hein". Mas também, eu não acredito que sexualidade seja escrita na pedra desde que uma pessoa nasceu e não muda mais. Eu acho que sexualidade, além de algo genético, biológico, é também cultural. Uma pessoa que é bombardeada com casais heteros, uma pressão pra ser hetero, uma idéia de que hetero é certo, vai ter uma maior propensão a se entender como hetero e nunca passar pela cabeça dela que ela pode não ser hetero. Falo isso como sociólogo chato pra caralho. É a mesma lógica da aparência feminina: Uma mulher que é bombardeada com idéias de que o bonito é ser magra, loira, peituda, etc, pode viver sua vida toda sem nunca perceber que ela É bonita sem se encaixar nisso tudo.

Não digo que esse é o único motivo. Mas não influenciaria, também? Já vi disso acontecendo - Mulheres que sempre se consideraram heteros ferrenhas, diziam que preferiam ler obras de necro e pedofilia a contos lésbicos, etc, começarem a frequentar meios onde mulheres são maioria e sexo e homossexualidade são vistos como natural (No caso, "fandoms". Quem manja dos mangás e animes sabe o que é... Um monte de fãs juntos que muitas vezes têm como prioridade seu objeto de fanzice) e começam a namorar mulheres. Isso significa que elas sempre foram bis/lésbicas e só não tinham percebido? Não é meio "No true scotsman" ao contrário? Nesse caso, não podia ter tido "uma exceção", ou sua sexualidade ser fluida? Tipo, de acordo com momentos de sua vida, mesmo que haja um desejo bi/hetero/gay, a cultura e o lugar onde frequentam "puxam" mais pra um lado ou pra outro.

Digo isso porque, como todo mundo sabe, aconteceu comigo! Nem fodendo (Mas foder é bom, opa) eu me considero bi ou hetero, não vejo beleza no corpo masculino como vejo no feminino, não boto homens no quadro "possível futuro cônjugue na questão sexo". Ainda assim, estou namorando um cara. Me identifiquei como lésbica a vida inteira, e ainda me identifico. Só que tenho uma exceção, por mais surreal que isso pareça. Se eu terminar com meu namorado (deuzmelivreguarde), eu dificilmente voltaria a pegar um cara, a não ser que ele seja muito perfeito. Uma coisa que isso me ensinou, porém, é a não ter preconceito com relacionamentos heteros :p

Aoi Ito disse...

Aliás, é interessante isso... Esse preconceito não apenas com bis, mas com relações diferentes das que são comuns pro seu meio (wuuuut) estraga a vida de muita gente, viu. Se você é um cara hetero que se apaixona por um homem, ferrou, agora você virou "o outro". Se você é um cara gay que se apaixona por uma mulher, ferrou também, você agora é "o outro". Em especial na comunidade LGBTTT(+), onde podem entender como "traição", "desistência". Mas sério, a dor que dá no coração quando alguém passa a te tratar diferente porque você não é igual a ele e o grupo é muito foda. Creio que se cria todo um preconceito que acaba se internalizando. Entre heteros E homos. Acaba se criando um nojinho pelas relações que não sejam as suas, que sejam as "outras", por pura insistência e osmose, então quando alguém próximo se mostra ser "o outro", tem sempre um choque muito grande. ): Acho que é muito importante tentar acabar com isso, pra tentar acabar com o preconceito contra bis por heteros e homos. Acho que é daí que vem ele. Um "outro". Há uma necessidade tão grande de se firmar e mostrar diferente dos heteros por parte dos homos, para reforçar a necessidade de seus direitos básicos e respeito, que isso acaba acontecendo. E heteros a gente já sabe né?

Não nego que é capaz que, no futuro, eu comece a me considerar bi.

Tô me sentindo malzão por ter falado de tudo menos do post. Desculpem ): Eu apóio totalmente a causa bi, mas não sou então me sinto como um estranho no ninho.

Sério, tô me sentindo uma pessoa mega escrota, perdão a todo mundo desde já.

GAVETAINDUBITÁRIA disse...

Gente, vejam aqui, saiu no blog oficial da presidenta Dilma:

http://blogdadilma.blog.br/2011/06/lola-blogueira-cearense-pode-ser-processada.html

Nos processe, tal mesmo de quê? Ah, sei, sei...

Fernando Borges disse...

Quero aproveitar esse post da Lola pra fazer uma pergunta aos homossexuais de plantão.

Vou escrever no meu blog sobre algumas peculiaridades no que se trata do comportamento gay de alguns indivíduos.
Percebo que alguns homossexuais se comportam de forma afetada, alterando a voz (às vezes deixando-a mais arrastada e(ou) com tom diferente) e gesticulam de uma forma característica. Gostaria de saber o motivo disso e é exatamente sobre essa questão pretendo escrever.
Trata-de de uma forma de se auto-afirmar?
Entendo que existe muito preconceito e discriminação e talvez essa - esse comportamento - seja uma maneira de eles, os homossexuais, mostrarem que estão ali e que possuem uma identidade.

Enfim... Ainda é algo um pouco confuso para mim. Agradeceria muito se vocês pudessem responder minha pergunta.

Lola, desculpa por usar seu post para isso. Espero que não se importe.

Aoi Ito disse...

"Entendo que existe muito preconceito e discriminação e talvez essa - esse comportamento - seja uma maneira de eles, os homossexuais, mostrarem que estão ali e que possuem uma identidade."

Acertou em cheio. Eu vejo como uma identidade. Alguém que age de determinadas maneiras já passa que é gay, mesmo que de forma estereotípica, sem abertamente falar que é gay. Não é necessariamente invisível. Há toda uma identidade LGBT(+) que alguns seguem e preferem se identificar, ou alguns simplesmente se identificam porque é a única referência que têm de como demonstrar sua identidade e mostrar que existe.

Pode ter também que homossexuais, por já desafiarem o gênero, começam a pensar bem no que é gênero e por que deveriam se comportar estereotipicamente machos, e "adotam" maneirismos femininos para si. Tipo, se eu sou lésbica e vejo que não tem nada de errado, então não deve ter nada de errado em eu usar uma roupa masculina, usar um cabelo curto... Desafiar o que é feminino e o que é masculino.

Acho que é bem um misto dos dois. É o famoso "meio", identidade... Alguma coisa pras pessoas se associarem e tal. Não sem bem.

Fernando Borges disse...

Aoi Ito

Muito obrigado por responder!
Não queria escrever sobre o assunto sem antes perguntar a alguém sobre essa questão.

Luis Henrique disse...

Eu acredito que toda pessoa 'nasce' bisexual, e a sexualidade de cada um - se é hétero, homo, ou permanece bi - é uma construção social que é forjada ao longo da vida.

Aoi Ito disse...

Não sei, Luis, acho que tanto o social quanto o biológico são importantes. Então eu acho que uma pessoa pode nascer com tendências a ser homo ou hetero - Não exatamente bi - E bi também, e o social reforça. Até porque já tem estudos sobre a parte biológica.

Perigoso isso de generalizar que "todo mundo nasce X", imo.

Niemi Hyyrynen disse...

Aoi Ito

Acho que sua explicação esbarra no problema da transição, já conversei com muitas pessoas homo e grande parte confessou ter tido uma fase bi, é como eu falei no texto a bi afetividade/sexualidade pega esse estigma de experimentação justamente por não ser um extremo. É dificil para as pessoas entenderem que vc pode sim parar no meio termo, gostar de ambos os sexos e se relacionar com alguem pela pessoa em si,não excluindo a possibilidade por questao de identificação de genero, atração sexual e etc.

Vejo em muitos amigos/conhecidos bi que uma boa parcela desse pessoal não assume maneirismos do outro genero, elas as vezes nao se identificam como o genero oposto, isso tb é algo peculiar.

E o preconceito sempre vai existir, lembro que ja tive uma fase mais "butch" e fui criticada pq estava perdendo minha "feminilidade", isso dentre as proprias bi! Não tem para onde correr, as pessoas nao entendem que nossa sexualidade é algo individual.

Niemi Hyyrynen disse...

Acrescentando:

Tb não concordo com a visão de opção e de "nasci assim".

Podemos até nascer com fatores geneticos que favoreçam a nos direcionar para um lado, mas acredito que o meio em que nós vivemos influencia muito no caminho que vamos seguir.

Páua disse...

É tão complicado, eu sou hétero, minha melhor amiga é lésbica, e há 5 anos atrás, ela tava nessa pressão, sou bi, sou lésbica, ela é lésbica, com certeza. No começo, ficava com homens pq era o normal... Mas foi bacana, ela assumiu para mim e todas as amigas (todas hétero), todas respeitamos e hoje em dia, todos respeitam muito ela, a sinceridade dela em assumir foi o mais legal, ela é honesta, ela namora uma menina, todas gostamos da namorada dela (mto gente boa), são duas pessoas normais, conversam coisas normais, convivem com amigos hétero normais.

Eu vejo uma coisa na minha cidade, Teresina-Pi. Quem é gay, só convive com gay, acho que isso as vezes pode ser o princípio da exclusão. Acho que você tem que conviver com todos, respeitar todos e assim ser respeitado tmbm.

Claro que tem mto hétero cabeça dura, durissima. Meu pai é um. Embora respeite todos que conhece, não aceitaria se eu, ou minha irmã, ou um sobrinho fosse gay. Minha mãe não, ela sabe da minha melhor amiga e acha normal, ela para e pensa, antes era até estranho, hoje é normal. Alguns "mais velhos" tem dificuldade de aceitar por tudo que viveram no passado, mas se souber conversar, eles saberam entender e respeitar.

Acredito que bissexualidade existe, pq como eu converso mto com minha amiga.
Você não se apaixona por um pênis ou vagina, se apaixona por uma pessoa, um ser humano que te encanta com suas qualidades, defeitos, manias.

Acho que o amor, não é uma coisa para dizer, homem ama mulher e pode amar homem, mulher pode amar homem e amar mulher.

Amamos pessoas, com suas particularidades, isso independe de sexo.

ótimo texto!

Pentacúspide disse...

FERNANDO

"Entendo que existe muito preconceito e discriminação e talvez essa - esse comportamento - seja uma maneira de eles, os homossexuais, mostrarem que estão ali e que possuem uma identidade."

AYO ITO
Acertou em cheio. (...) Tipo, se eu sou lésbica e vejo que não tem nada de errado, então não deve ter nada de errado em eu usar uma roupa masculina, usar um cabelo curto... Desafiar o que é feminino e o que é masculino.


Eu não diria que esse comportamento é afirmação de uma identidade gay, não me parece tão simples assim.
Há homo-gays todo masculino e macho-man (com a diferença do usualmente chamado macho-man no facto de pegar homens e não mulheres), tal como há femo-gays superfemininos. Estes, eu diria, estão bem no seu "sexo fisiológico" e no "padrão social(?) (falta-me um termo adequado)" desse sexo, os gays homens afeminados ou gays mulheres homenizados já são um caso diferentes, são pessoas que não estão à vontade no tal "padrão social" para o seu sexo, e preferem o padrão do sexo oposto; e quando não se sentem bem nem no seu "sexo fisiológico", nem no seu "padrão social", são travestis ou, nos casos mais extremos, transexuais.

Pentacúspide disse...

E isso me leva a questionar, lembrando uma discussão que tive aqui, se a um transexual devemos chamar mulher porque ele assim o quer, será que devemos chamar a um transexual de homossexual?

Giovanna Oliveira disse...

Li o texto, e como alguém aí disse, também sinto falta de infos sobre o universo bissexual.

Até ler esse texto eu era totalmente preconceituosa, apesar de sempre guardar essa opinião para mim porque acho que apesar do meu preconceito, não há o que fazer, todos vivem sua vida como quiser.

Esse texto me fez pensar melhor e estou analisando minha opinião. É complicado para uma pessoa 'baunilha', como vcs dizem, entender que não é uma indecisão, mas sim a decisão de ter as duas coisas. Espero que minha franqueza de opinião não cause comentários furtivos e/ou agressivos, só estou expressando abertamente minha opinião. Mas como disse, estou pensando melhor, obrigada Niemi.

Niemi Hyyrynen disse...

Giovanna

Que bom que vc esta revendo seus conceitos! ^^ isso mostra que vc tem apesar da sua "franqueza de opinião" uma mente aberta para novas possibilidades de pensamento.

Nós bi enxergamos a possibilidade de viver um amor verdadeiro independente do sexo da pessoa. :)

Só retificando aqui, "baunilha" é um termo usado por fetichistas, adeptos do bdsm (sado masoquismo), para se referir a quem não curte um sexo "apimentado". Esse termo baunilha não é da linguagem dos bi.

abçs

Osvaldo Santos disse...

Gostei do comvite para aparecer e adorei e o blog.

Hernesto disse...

Eu só não entendi uma coisa: você é bi e por ex., tem uma namorada e você se dá o direito de sair com homens mesmo namorando uma mulher e ela deve aceitar isso, pois afinal você é bi e tem atração por homens também. Ela deve permanecer fiel a você. E no caso de um homem heterossexual que é casado e tem tesão pela bunda da secretária ele deve se privar desse desejo só por ser um desejo heterossexual? Digamos que ele tenha tesão pelo secretáriO, nesse caso ele tem o hálibi e pode satisfazer seu desejo. O desejo bissexual é mais intenso que o heterossexual, logo ele não conhece controle e fidelidade? O bi, portanto pode ter mais parceiros?

Niemi Hyyrynen disse...

Hernesto releia o texto com atenção.

Em nenhum momento disse que uma pessoa bi pode sair com alguem do sexo oposto msm vivendo uma relaçao homo so por ser bi.

Tb não estou discutindo a normas de uma relação hetero, isso é problema de vc's, cada um estabelece a melhor relação para si, desde que se respeite os limites do parceiro (a).

Este seu exemplo da secretaria me parece muito mais o tipico fetiche que homens tenham por mulheres que exercem essa profissão, se vc tem vontade de trair a sua companheira com uma secretaria da "bunda" bonita esteja à vontade.

Só não vá botar culpa nos bi e dizer que faz isso por inveja do "direito de promiscuidade" dos bi, msm pq ele nao existe.

Tb não digo que uma pessoa bi tem mais desejos do que uma pessoa homo ou hetero, o texto se encaminha para o outro lado, o desejo é algo individual e nao deve ser atrelado a "escolha" que a pessoa fez.

Tb não estou dizendo que a pessoa pode ou nao pode ter casos exporadicos de relacionamentos homo afetivos, isso vai da cabeça de cada um.

Pentacúspide disse...

Hernesto, para entender um bi, um homossexual, ou qualquer outra pessoa com sexualidade diferente, põe-te no lugar dela, e pensa assim: "eu sou eu mas com essa orientação sexual", e veja o que mudou, nada!, só a orientação, a forma de pensar permanece, a inteligência ou estupidez não altera nem um grau, os desejos de trair, de respeitar etc, a sacanice, a santidade, tudo mantém-se igual.
Se bi não é característica para ser "swinger", todos podem ser swingers, se tiverem equipamento para tal.

Aoi Ito disse...

Penta, nãããão! Um transsexual só é uma pessoa que deseja fazer transição e troca de sexo biológico, ser homo ou hetero não vem ao caso. Tem transwomen lésbicas e transwomen heteros. Tem transmen gays e transmen heteros. Tem ambos bis, ambos pans... Tem de tudo. Orientação sexual não depende do corpo.

Só passando pra dizer que EU NÃO SOU BAUNILHÃO! WOOOOOOOOOOOO (Aí, já estou transformando as pessoas em "outro")

Aliás, acho que o certo seria falar que uma pessoa nasce com uma propensão a ser não bi nem hetero, mas panssexual, já que um ser humano nasce com a capacidade de amar pessoas. Há toda a questão da binária de gênero: Homem/Mulher. Panssexuais rejeitam essa idéia. Alguns amam simplesmente "pessoas", sem se importar se é mulher, homem, transwoman, transman, two-gender, third sex, andrógin_, genderfuck, genderfluid... E aí a sociedade e influência puxariam uma pessoa com a capacidade de amar a todos (Não digo panssexual porque parece que traz a identidade pan junto, e não tem como um bebê ter identidade) pra um lado ou pro outro do espectro.

Eduardo disse...

"Se você acha que ama duas pessoas ao mesmo tempo, escolha a segunda. Porque se você realmente amasse a primeira, não teria uma segunda opção."

Johnny Depp
_

Não sou de meios termos.Ou sim,ou não...E não.Não namoraria um cara bisexual,porque sou muito inseguro pra arriscar meu coração em mãos indecisas.

E que sejamos todos felizes!É o que importa!

Aoi Ito disse...

Eduardo, uma pessoa bissexual não necessariamente ama duas pessoas, e nem é indeciso.

Fernando Borges disse...

Já fiz o post do qual falei que pretendia fazer.
Eu, particularmente, achei meio fraquinho (isso que é saber fazer marketing rs); fiquei com a sensação de que ficou faltando algo. Talvez um aprofundamento maior.
Para quem quiser ir lá, expor as falhas e tal, deixo o link logo abaixo:
Estereótipo e Homossexualidade

Niemi Hyyrynen disse...

Eduardo pessoas bi não necessariamente vão amar duas pessoas ao mesmo tempo.

O inverso tb é verdadeiro, há pessoas hetero e homo que se apaixonam por duas pessoas simultaneamente e acabam as vezes ficando com as duas, escondendo uma da outra.

Isso não é exclusividade nossa.

Por favor releia o texto e reflita.

Alê disse...

Sou bissexual e costumo dizer que as vezes me sinto naquela incômoda posição: no meio de duas cadeira. Não sou hétero o bastante para os héteros e nem lésbica o suficiente para os LGBTTs. Homens acham que minha bissexualidade deve servir ao prazer deles. O movimento gay muita vezes e acusa de comodismo, de ser enrustida. Como se bissexualidade fosse assim tão fácil.
Ah...e quando saio pra balada não tenho só duas vezes mais chances de encontrar alguém, tenho duas vezes mais chances de levar um não.

Pentacúspide disse...

Ayo Ito, talvez a pergunta não tenha sido bem explícita, mas queria referir-me a um contexto em particular: se o transvesti homem que quer ser mulher estiver numa relação com um homem será uma relação homossexual ou heterossexual?

Aurelio Coelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aurelio Coelho disse...

Havia lido o outro post na semana passada onde a Niemi apresentou essa questão do preconceito sobre os biafetivos.

E desde então estava ansioso esperando pelo Guest post...

Pra mim (sou homo) é complicado entender do assunto, sem efetivamente estar envolvido ou sentir o que vocês passam.

Considero que a partir de então, comecei a formular uma nova opinião, pois até então, nunca tinha ouvido outro ponto de vista (ponto de vista de um biafetivo , espero não ser confuse demais).

Vou explicar meu raciocínio...
Também pensava que essa questão de ser bi era mesmo "ficar em cima do muro", mas acompanhando os posts e comentários sobre sexualidade e feminismos aqui do blog, vieram várias pessoas apresentando, explicando e exemplificando várias outras questões de sexualidade e caráter muito além da simples escolha de “com que genêro fazer sexo”.

Me convenci que biafetividade existe, e a parte mais bonita disso tudo, é entender o seu conceito de "amar a pessoa" , como disse a Pauá:
“Você não se apaixona por um pênis ou vagina, se apaixona por uma pessoa, um ser humano que te encanta com suas qualidades, defeitos, manias.“

A exploração da sua nossa sexualidade é uma questão mesmo de cada indivíduo, cada uma tem o seu jeito de se entender (não é escolha, consider que seja aceitação compreensão reconhecimento). Eu sou homo, e mesmo assim não vejo no sexo a primeira ou segunda "característica" a ser analizada em um relacionamento. Escolhi fundamentar meu atual relacionamento (de 8 anos), no companheirismo e na sinceridade, no afeto que temos um pelo outro e na confiança das nossas conversas (ele por outro lado, nas minha manias, na minha sinceridade e na minha chatice, kkkkkkkk). Porque vejo que foi assim que mais nos agradou explorar nossa sexualidade. Não tenho muitos fetiches ou vontade de sair explorando sexo com outras pessoas , porque não imagino como é SEXO sem AMOR. E assim, foi encontrar uma pessoa com quem eu “combinasse” nas escolhas ou nas minha maneira de ter minha sexualidade “explorada”.

Porém não excluo outas possibilidades, acredito que realmente existem pessoas (independente de homo/bi/pan/hete) que exploram sua sexualidade de outras maneiras, conseguem separar o SEXO do AMOR, ou seja, mantêm a mesma relação de afeto e sinceridade com uma única pessoa (será que assim também conta monogamia? kkkkk) , enquanto exploram o SEXO com várias outras (ambos os sexos), uma prova disso são os chamados Relacionamentos Abertos.

Pra mim, no fim, o que realmente importa são as coisas boas que você tira de um relacionamento. SEXO deve mesmo é fazer parte do entretenimento (eu sendo meio idiota), comparo isso ao entretenimento de ir ao cinema ou mesmo de cozinhar junto de uma pessoa que você goste (compartilhar bons momentos). Sendo assim, biafetivos teríam apenas uma forma diferente de se divertir…

Aurelio Coelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aurelio Coelho disse...

Outro ponto que acho importante ressaltar, (AOL e Niemi já comentaram isso) é que eu também vejo muito mais preconceito entre homos x biafetivos do que heteros x biafetivos. A imensa maioria (da qual eu também fazia parte), tem esse estigma de que “bi quer ficar em cima do muro para sofrer menos”.

No caso dos homo eu imagino que seja a sensação de insegurança num relacionamento, homo X bi por exemplo, porque sempre fica a sensação de que a qualquer momento o BI vai sentir falta de alguma coisa (penis / vagina). Mas considerer apenas isso seria aceitar que um relacionamento é apenas sexo.

Eu lançaria uma sugestão aqui, nas próximas campanhas de concientização GLBT, seria ótimo que o tema da Biafetividade fosse abordado e apresentado, pois quem mais se involve nas campanhas são justamente aqueles que mais discriminam, que muitas vezes acabam por excluir os BIS da sua causa. Se o movimento é para juntar as pessoas e desestruturar os preconceitos, vejo isso igualmente importante.


A respeito do que falou o Fernando Borges, imagino que a questão da voz ou dos trejeitos da pessoas, seja uma questão muito além apenas da sexualidade, involve muito também a questão de gênero e papéis sociais que foram construídos para cada grupo (paradigm do homem alpha e mulher submissa influencia bastante também o universe GLBT). É importante considerar sim que parte dessa postura social é para aceitação em um determinado grupo.
Porém, existem gays que se identificam mais com mulheres femininas (Lola desculpe se isso soa como preconceito meu) e com homens machos, pois esses gays se sentem “mulheres”. Travestis e transexuais, que crescem com a sensação de estar no corpo errado (não creio que eles possam ser chamados de gays, e sim de mulheres). E gays que se sentem homens atraídos por outros homens.
A imagem social que a pessoa apresenta pro seu grupo, acaba influenciando na aproximação entre os genêros e a sexualidade pela qual cada um se interessa.


Parabéns Niemy pelo texto, e obrigado pelo esclarecimento. Escreva mais para nós.

Mostrei o pau e matei a cobra. disse...

Por isso que sempre que leio seus posts nunca me decepciono, Lola. Eu, antes de ler seu post (ou post da querida leitora), tinha um super preconceito sobre bissexuais. Acreditava, por senso comum, que a bissexualidade era a dúvida entre o "lado" a escolher do indivíduo, criando assim um certo bloqueio e preconceito com as pessoas que se declaram assim. Agora, graças a seu post conseguirei analisar melhor os bissexuais que conheço e conseguir diferenciar quais realmente são e os que se tornaram devido ao modismo.

Aoi Ito disse...

É AOI ITO, galera! Não AOL ou AYO! "Linha azul" em japonês! XD

Penta, se @ travesti se identifica como mulher, então ela é uma mulher. Então, seria uma relação hetero. Se @ travesti não se identifica como mulher, então é uma relação gay. Depende de como a pessoa se identifica.

Aurelio, acho que você está falando de panssexualidade aí em vez de bissexualidade. Como eu disse antes, enquanto um bi pode não querer namorar um transman, uma transwoman, genderqueer, a-gênero, etc; um pan não vai ver problema nisso. Panssexualidade é que se estende realmente a todo mundo, que tem o conceito de "amar a personalidade". É aquela questão de gênero binário: Só existem mesmo homens e mulheres? Podem todos ser enquadrados ou em homens ou em mulheres?

Plus, nem tod@ travesti é transgênero, nem tod@ travesti se sente mulher.

Gênero é uma questão moooooito complicada.

Eduardo disse...

A frase que citei do Johnny Depp foi apenas para mostrar que não há meio termo.

Desculpem,mas eu não acredito nisso.

Uma mulher bi,sentirá mais desejo por mulheres;e homens bi,por outros homens.São homosexuais da mesma forma,a diferença é que,provalmente,têm algo a mais que os fazem gostar,nem que seja um pouco,do sexo oposto.[Me refiro a atração sexual.]

O desejo que sinto por mulheres é infinitamente menor que por homens,ainda assim o tenho,mas acho uma certa hipocrisia acreditar que isso me faça bisexual.Se não há o mesmo tesão por mulheres,para que me relacionar.Pela metade? Não.

Eu penso assim! :/

Aoi Ito disse...

Eduardo, você pensa assim mas você está errado. Uma mulher bi não necessariamente se atrai mais por mulheres, e um homem bi não necessariamente se atrai mais por homens, e eles NÃO são homossexuais.

Também acho que o seu desejo mínimo, porém existente, por mulheres, não te faça bissexual. Você deve cair, como eu, na pontinha da escala Kinsey (http://en.wikipedia.org/wiki/Kinsey_scale). Também acho ruim o pessoal querer colocar as "pontinhas" em bissexualidade, quando não é, mas só porque VOCÊ acha que coisa é assim ou assado ou ocorreu com você não quer dizer que aconteça e valha para todo mundo - É só uma experiência de vida que pode se aplicar a algumas pessoas. Não todas. ;)

Niemi Hyyrynen disse...

Aurelio

Que bom que meu post ajudou vc a ver a biafetidade de modo mais claro. E que bom que vc vive uma relação tao bacana *_*

Eduardo

Afetividade, atração, carinho não se quantifica, não dá pra acordar e dizer "Ah hoje eu acordei 75% a traida por homens 24% por mulheres e 1% por orelhoes telefonicos" kkk

No meu caso que sou bi há muitos anos percebo que minha atração vai variando muito, depende do meu momento pessoal, das pessoas com quem convivo...as vezes por puro fetiche, (teve uma época que só me relacionei com orientais, independente do sexo) por exemplo.

Já aconteceu de ir numa balada querendo ficar com homens e terminei conhecendo uma menina maravilhosa por quem me relacionei por um bom tempo, nada disso foi planejado.

A sua dinamica de que bi mulher gosta mais de mulher e de bi homem que gosta mais de homem segue dois erros:

Um que vc ta copiando a velha dicotomia heteronormativa do mundo binario."quem torce pro palmeiras nao pode se simpatizar pelo corinthians", coisas toscas assim.

Outra, que há bis que sentem quase que predominantemente mais atração por pessoas do sexo oposto, aliás acho que isso é beeeem comum.

Aoi Ito

Que legal teu nick! rs *_____*

Luciana disse...

Espero o dia em que todos esses "rótulos" vão cair em desuso. Homo, hetero, bi, tri, tetra... Espero o dia em que os valores maiores serão o amor, o respeito, a harmonia. Em que uma menina ou um menino não precisem viver um inferno pessoal por perceberem estar atraídos por uma amiguinha ou amiguinho do mesmo sexo. Que não se sintam pressionados a serem de um jeito ou de outro, nem a "assumirem", "saírem do armário", "escolherem o time". Fico feliz de supor que este dia está chegando e que ainda vou testemunha-lo.

Pentacúspide disse...

Ayo Ito, isso em qual legislação?

Aoi Ito disse...

Penta, é AOI, meldels :p

Nenhuma legislação. Não sei se você se referia ao jurídico (um transman e uma mulher podem se casar? etc), mas no quesito pessoal, por respeito, bom-senso e tal, por exemplo, um transman e uma mulher são um casal hetero. Socialmente, ainda há aquela idéia de que uma pessoa não pode ser nada além do que a sorte escolheu para si, então provavelmente achariam que é um casal lésbico. Mas um transman se sente homem, se identifica como homem, provavelmente quer uma operação pra corrigir o sexo (se não já o fez) e faz grande esforço para deixar claro que é um homem.

Juridicamente, acho que só depois de um transman demonstrar seu interesse em ajeitar tudo, trocar nome, ajeitar documentos, e coisa e tal, ele será considerado 100% homem perante a lei. Não sei o impacto que um ajeito de sexo tem na visão jurídica, se tem diferença no tratamento de pós-OP e pré-OP. Não sei porque não sou transsexual, só transgênero. :p

Lorena disse...

Esse foi um dos posts sobre sexualidade que mais gostei de ter lido aqui no blog da Lola (e acompanho o blog há quase um ano, já li mtos posts antigos, apesar de não comentar muito). Adorei a forma como a Niemi escreveu o post dela e amei a discussão nos comentários. Acho até que o ibope todo da questão Lola x Tas deixou os trolls de sempre longe desse post, preocupados demais com a outra questão, o que enriqueceu ainda mais o debate. Vejo uma discussão mto madura sobre sexualidade, bastante livre e aberta... ADOREI muito! Parabéns a Niemi pelo belo post, por todos que participaram da discussão e pela Lola, por abrir o espaço. :)

Partindo pro pessoal: eu já me identifiquei como bi também, e acho que todo homo, um dia, se identificou assim. Primeiro porque todos nós experimentamos a heterossexualidade em algum momento, muitas vezes vivemos como heteros muitos anos das nossas vidas, até nos darmos o direito de assumir quem somos. Acho, inclusive, que isso é mais comum entre lésbicas do que entre homens gays. A pressão social do casamento é mto grande sobre as mulheres, então tentamos, de todo jeito e por muitos anos, pertencer à maioria hetero. Nós, homossexuais, sim, podemos dizer que nossa fase bi foi "ficar em cima do muro", pelo conforto de ainda acreditar na possibilidade de ter um relacionamento hetero (querendo ou não, essa possibilidade é mais confortável do que o extremo oposto).

Acho que daí vem o preconceito dos homos com os biafetivos. Porque como quase todos nós passamos por uma fase bi, temos a tendência a pensar que o outro está na mesma fase, mas vai acabar "se descobrindo". Num primeiro momento, é isso que nós pensamos (estou generalizando, porque vejo que é o mais comum entre homos, mas claro que há exceções). Mas eu sempre acreditei sim que a bissexualidade existia, que existem pessoas que não estão em cima do muro porque tem medo de descer pra um dos lados, mas porque gostam e podem escolher pra que lado ir (metáfora tosca??). Na verdade, eu acredito que toda sexualidade é fluida, ainda que a maioria das pessoas só se permita ser uma coisa. Não é que todos somos bissexuais, mas como já disseram, também não acredito que nascemos com um destino traçado: "serás hetero" ou "serás homo". Acho que, durante um tempo, transitamos entre os dois, ainda que não experimentemos os dois, há a possibilidade. Até que descobrimos nossas preferências e tendemos a permanecer nela.

Mas nada impede de, um dia, nos apaixonarmos pelo outro extremo. Como aconteceu com a Aoi ito (acertei???), que é lésbica mas namora um rapaz, ou como aconteceu com minha namorada, que é hetero e se apaixonou por mim a ponto de me pedir em casamento e tudo mais! Rsrs. Ela não se vê como bissexual, até hoje, porque nunca havia se sentido atraída por mulher alguma. E continua não se sentindo, por outra que não eu (o mesmo não acontece com homens). Ela me diz que tenta entender como ou porque se sentiu atraída por mim, como se apaixonou, até tenta me "dessexualizar" pra entender... mas não entende. E, ainda assim, sente. Como explicar isso?? Não sei. Mas, também, pra que explicar??

Também espero, um dia, viver num mundo onde esse monte de rótulo seja inútil. Que as pessoas se amem como pessoas, e não como gêneros, e que ninguém se importe com quem fazemos sexo. Até porque isso só diz respeito a nós mesmos.

Robson disse...

Nieme

A sua dinamica de que bi mulher gosta mais de mulher e de bi homem que gosta mais de homem segue dois erros:

Um que vc ta copiando a velha dicotomia heteronormativa do mundo binario."quem torce pro palmeiras nao pode se simpatizar pelo corinthians", coisas toscas assim.
[Entre o PT e PSDB,encontra-se o PV.Acabei de criar essa!rs]

Outra, que há bis que sentem quase que predominantemente mais atração por pessoas do sexo oposto, aliás acho que isso é beeeem comum.
[Não disse isso.Justamente falei o contrário.Sentem mais atração pelo mesmo sexo,e não,pelo oposto.]

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Aoi Ito

Eduardo, você pensa assim mas você está errado. Uma mulher bi não necessariamente se atrai mais por mulheres, e um homem bi não necessariamente se atrai mais por homens, e eles NÃO são homossexuais. [Se fossem homo não haveria o prefixo bi.]

"[...]mas só porque VOCÊ acha que coisa é assim ou assado ou ocorreu com você não quer dizer que aconteça e valha para todo mundo - É só uma experiência de vida que pode se aplicar a algumas pessoas. Não todas. ;)"

uahauahau
Não.Não é só por experiência própria que digo isso.

Faça uma pesquisa você mesmo e comprove o que estou dizendo.
De cada cinco pessoas,quatro dirão que sentem mais desejo pelo mesmo sexo.

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Lorena


"Partindo pro pessoal: eu já me identifiquei como bi também, e acho que todo homo, um dia, se identificou assim. Primeiro porque todos nós experimentamos a heterossexualidade em algum momento, muitas vezes vivemos como heteros muitos anos das nossas vidas, até nos darmos o direito de assumir quem somos. Acho, inclusive, que isso é mais comum entre lésbicas do que entre homens gays. A pressão social do casamento é mto grande sobre as mulheres, então tentamos, de todo jeito e por muitos anos, pertencer à maioria hetero. Nós, homossexuais, sim, podemos dizer que nossa fase bi foi "ficar em cima do muro", pelo conforto de ainda acreditar na possibilidade de ter um relacionamento hetero (querendo ou não, essa possibilidade é mais confortável do que o extremo oposto)."


Disse tudo!

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E sobre um mundo sem rótulos sexuais,ou seja lá outro qualquer.É com certeza utópico demais para minha pobre mente quase ateia.

O ser humano tem necessidade de ser diferente,isso é o que o torna único.Sempre se perguntará o por quê de estar aqui e ser quem é.Questionamentos inevitáveis![pelo menos para alguns.rs]

Niemi Hyyrynen disse...

Robson ou seria Eduardo? (pq eu respondi ao eduardo, e agora um Robson responde pelo Eduardo, mas blz...)

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[Entre o PT e PSDB,encontra-se o PV.Acabei de criar essa!rs]

Você acredita msm que o PV seja um meio termo? Parabens...
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[Não disse isso.Justamente falei o contrário.Sentem mais atração pelo mesmo sexo,e não,pelo oposto.]

Pois foi vc que não entendeu, eu respondi ao Eduardo (ou Robson?) que a afirmação dele de que bis sentem mais atração pelo msm sexo não deve ser tida como uma regra, pq a sexualidade das pessoas é muito variada.Releia o texto e os coments.
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[Se fossem homo não haveria o prefixo bi.]

Pois é...se não fosse bi ou homo seria hetero...nossa.
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"uahauahau
Não.Não é só por experiência própria que digo isso.

Faça uma pesquisa você mesmo e comprove o que estou dizendo.
De cada cinco pessoas,quatro dirão que sentem mais desejo pelo mesmo sexo."

Uhuahauahu me mostra ai as tais pesquisas, e não vale psicologia-evolutiva hein.
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"(querendo ou não, essa possibilidade é mais confortável do que o extremo oposto)."

Disse tudo!"

Foi como eu falei,há pessoas que dizem estar no conforto, mas será mesmo? Pq conforto pra mim envolve tb não ter vergonha do ato, praticar livremente algo é não ter que esconde-lo, eu chamo isso de receio, medo, precaução, tudo menos conforto.
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"E sobre um mundo sem rótulos sexuais,ou seja lá outro qualquer.É com certeza utópico demais para minha pobre mente quase ateia."

O que está faltando pra sua mente ser totalmente atéia? Mais utopia ou ideologia, ou um rótulo que vc se adeque melhor?

Sim as pesoas rotulam tudo, para tentar entender o mundo a sua volta, o problema é quando as pessoas passam a brigar por causa das exceções que teimam em não se encaixar em tais rótulos.
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"O ser humano tem necessidade de ser diferente,isso é o que o torna único.Sempre se perguntará o por quê de estar aqui e ser quem é.Questionamentos inevitáveis![pelo menos para alguns.rs]"

Se ele é único então ele não deveria ter a necessidade de ser diferente né?As pessoas procuram afirmar sempre que são diferente pq há sempre idiotas falando que todo mundo é igual, rótulos lembra?

Questionamentos são inevitáveis, o problema é quando alguem quer impor sua opnião em forma de "pergunta", daí a coisa complica.

Lorena disse...

Niemi,

respondendo ao Robson/Eduardo vc acabou respondendo a algo que eu disse, e não sei se me entendeu. Quando falei que é mais confortável (ou seja, nos conforta) pensar que existe a possibilidade de ter uma relação hetero, eu não me referia aos bissexuais reais, mas aos homossexuais que que ainda não se assumiram, e ainda se dizem biafetivos. É uma fasse que quase todo homossexual passa na vida. Não quis dizer que é confortável essa negação, não é mesmo, é uma tortura. Mas a gente tenta se iludir, achando que é fase, que da mesma forma que nos sentimos atraídos por alguém do mesmo sexo logo vamos encontrar alguém do sexo oposto, casar e viver feliz para sempre, e não vamos ter que enfrentar o "martírio" em nos assumirmos gays. Mas a ilusão acaba um dia e temos que encarar os fatos.

E eu também não quis dizer que ser biafetivo é mais confortável que ser homoafetivo, porque eu realmente não acho. Concordo com os bis que reclamam do preconceito dobrado, é uma barra mesmo! E imagino que, se para um gay se assumir gay é difícil, as pessoas já pensam que é "opção"... imagina um bissexual?? Muito complicado e eu me solidarizo totalmente com vocês. Já discuti com um cara que achava ser "legítimo" discriminar alguém que se compreende bissexual e está numa relação homo, só porque aquela pessoa tem a possibilidade de estar em uma relação hetero e, se não o faz, é porque é "pervertido", "promíscuo". Como se o desejo funcionasse dessa forma, como se escolhêssemos por quem nos atraímos ou nos apaixonamos... E como se a bi/homossexualidade tivesse qualquer coisa a ver com promiscuidade ou perversão! Infelizmente, muita gente pensa que sim.

Espero que vc tenha me compreendido!

Aoi Ito disse...

O que eu penso sobre ser confortável ou não é algo bem simples: Não é confortável não ser hetero. E essa confortabilidade vem em duas ou três partes: No legislativo (poder casar, etc) e no social de acordo com a pessoa com quem você está e no social de acordo com o que você se identifica. Heteros têm toda a confortabilidade nos três, homos estão conquistando a primeira e ainda têm um longo caminho para a segunda e terceira. E, dependendo da relação que um bi está tendo, ele pode ter tudo ou não ter nada no jurídico, pode estar mais pra hetero ou pra homo na segunda, e está sempre ferrado na terceira.

Eu acho que essa é a questão complicada. Sem querer começar uma razor war, um homem bissexual que está com uma mulher vai poder casar, não vai ser olhado feio na rua, mas vai ter todo o preconceito dado a bis se alguém o conhecer e saber que ele é bi, se ele abertamente se identificar como bi (O que eu acho complicado pra qualquer pessoa, afinal ninguém carrega uma plaquinha escrito "eu sou hetero/homo/bi"). Se uma mulher bi está com um homem, a mesma coisa. Então eu acho que é explicável esse medo de lésbicas/gays que namoram bis - Explicado, mas não justificado.

Senta que lá vem a história... Eu uso muitas experiências pessoais como exemplo porque eu senti isso na pele e sei como é ser uma lésbica que foi "trocada" por um homem e ser uma lésbica que "trocou" fulana por um homem. Eu curtia muuuito uma mina (Daqui a pouco eu vou dizer que o broto era bacana, pqp) que era lésbica até segunda ordem. Nos amavamos muito, mas não tínhamos coragem de contar. Um dia, ela conheceu um cara, foi se aproximando... E pá, namorou ele. Foi um choque pra mim. Pra mim, naquela época, ela estava escolhendo pelo "mais fácil". Antes ela dizia que não queria casar de jeito nenhum, depois cogitou casar com ele "pra ganhar treco a trabalho", depois foi pensando mais coisa, mais coisa... E realmente não é mais fácil namorar um homem que uma mulher? Se você for moça e namorar um rapaz ganha todos os bônus de poder ser mais livre perante a sociedade. Eu não podia beijar minhas namoradas em público, mas agora eu posso demonstrar meu amor pelo meu namorado, posso apresentar ele à família...

É realmente mais fácil e acho que ninguém pensaria o contrário. Então eu entendo que algumas pessoas mais ciumentas ou inseguras tenham medo de seus namorados bis, pela capacidade deles amarem o outro sexo e, com isso, levarem junto o jurídico e uma parte do social.

Claro que é uma questão de insegurança. O amor (momento dramático) vai manter duas (Ou mais, não esquecendo da poliamoria (parece várias armaduras que l0k0) hetero, homo ou bi (: Tenho amigos polis e tal) pessoas juntas, então desde que haja amor e confiança, ninguém será trocado por ninguém.

Não quero diminuir o preconceito que bis sofrem, mas queria dizer que dependendo da sua sorte você acaba se apaixonando por uma pessoa do outro sexo e aí chovem benefícios, simplesmente por ser um casal hetero ): Isso não anula o horroroso preconceito que bis sofrem tanto por heteros quanto por homos, só mostra que não é todo horroroso ser bi. Agora, se um bi der o "azar" de ficar com alguém do mesmo sexo, vem o mundo abaixo porque além do próprio preconceito e revezes sociais de estar numa relação homo, você NÃO é homo, e tem gente que não entende isso.

Aoi Ito disse...

Apesar de terem relações monogâmicas homos e heteros, nem todo mundo é ou homo ou hetero...

Acho que os problemas e desentendimentos partem daí: Há um milhão de orientações sexuais (OK, acho que umas 5 mainstream - Homo, hetero, bi, pan, assexual), mas dentro da binária de gênero/sexo, que isso ainda não mexeu - E não existe sexualidade que abertamente inclua outros gêneros além de homem/mulher além de panssexual - As relações podem ser homo ou hetero. Não há relações bi, pan ou assexuais. Ninguém olha na rua um homem e uma mulher juntos e acha "um deles é bi/pan/a". Reduz automaticamente pra "se a relação é homem+mulher, então é uma relação hetero, então fulanos devem ser hetero".

Não sei se estou conseguindo fazer sentido... Ou se minhas reflexões sobre gênero, sexo, sociedade e relacionamentos estão completamente l0k4s.

Niemi Hyyrynen disse...

Lorena

Não se preocupe, eu compreendi o que vc quis dizer com "conforto", eu respondi foi a má utilização que o Robson/Eduardo fez das suas palavras, pegando parte do SEU discurso e tirando do contexto. Isso pra mim é meio apelativo... e eu não gosto.

A fase "Bi" é um período de experimentação que praticamente todo homoafetivo passa por ela, digo praticamente pq há pessoas que já formam uma convicção de que sejam homo sem precisar passar por essa fase de "testes", os casos são raros mas existem para comprovar a regra. :)

E não vejo mal algum nisso! Magina, como poderia criticar alguém que está querendo se descobrir? Gostaria muito que os homo afetivos também pensassem assim, não há razões para criticar uma pessoa que procura respostas, o metódo empírico ainda é o melhor ... =p

Eu já tive a fase de achar que eu era lésbica e que eu iria me "estabilizar". Nessa mesma época eu tive vontade de querer ser "normal" e forçar a minha predominancia hetero, o meu "conforto" era justamente pensar que sofreria menos, conforto nesse contexto está mais para conformismo, pq procuramos uma resposto que nos traga paz para nossa angústia.

Aliás não falei de modo mais minuscioso sobre a angústia de estar "em cima do muro" pq só isso já renderia um post! Eu acho que as nossas angústias e nossos medos vêm das nossas incertezas, msm quando percebemos algo ruim como certo, deixaremos de ter um certo tipo de medo, as vezes criamos até coragem.

Concordo contigo quando vc diz que ser bi não é mais "confortavel" do que ser homo, ambos sofrem preconceitos em diversos niveis. Até vindo de uns para com os outros.

Que bom que vc gostou do post! Fico agradecida pelos seus comentários, sua experiência aqui exposta tb ajudou muito a enriquecer o assunto

Niemi Hyyrynen disse...

Aoi Ito

Insegurança tod@s nós temos não é mesmo? Mas é como vc mesma disse, se há respeito e confiança e além de tudo sinceridade, não haverá 'traições' de nenhum dos lados.

Essa insegurança das pessoas homo com relação aos bi é explicável como vc ja pontuou aqui, mas o problema é quando essa insegurança via o estopim para ação ofensiva.

Dizer uma opnião mal criada por exemplo, só para o bi se sentir mal.

Outro problema que eu vejo é essa procura das pessoas de identificar quem é isso ou aquilo, claro que para pessoas heteros isso não faz lá muito diferença, pq se deduz que a pessoa sendo do outro sexo, ela é hetero e são os homo e bis que procuram relações homo que fazer uso dessa mecanica de reconhecimento para achar potenciais parceiras (os).

E dai entra nesse bolo todo bi, feminina e masculino que não se identificam muito com o outro genero e não fazem a emulação do outro tipo, confundindo quem está a procura.

Mas isso não é algo ruim que elas devem estar na obrigação de ter que corresponder não é mesmo? (sei que vc não quis dizer isso).

Jac disse...

O problema de ser uma minoria é que o comportamento de uns poucos acaba refletindo em todo grupo.

Existem bissexuais promíscuas ou de modinha? Existem. Da mesma forma que existem lésbicas e heteros promíscuas (engraçado eu usando esse termo pq eu estou longe de ser uma conservadora defensora da moral e bons costumes). Só não podemos julgar que toda bi é assim ou assado.

Quando algum heterossexual trai, ninguém sai falando "heteros são todos uns sem-vergonhas". Da mesma forma que quando um branco rouba, ninguém associa o crime a todos os brancos. Da mesma forma que quando um homem faz barberagem no transito, ninguém comenta que ele é um homem (e não uma mulher).

Coisas de minorias...

Enfim, ótimo post =)

Gisela Blanco disse...

Pessoal, procuro personagem para uma matéria de revista: mulher entre 20 e 35 anos que teve experiência sexual com outra mulher e não tem problemas com isso. Quem quiser participar, me mande um e-mail: giblanco@gmail.com
Valeu!

Felipe F. disse...

Acho que o amor está pra todos e de todas as formas. Acho que o indispensável é não maltratar o outro. Acho que tem que ter valores como respeito em qualquer tipo de relação.

Débora Baroudi disse...

Há muitos tabus em torno da biafetividade.
Uma delas é achar que ser biafetivo é ter o dobro de chances de se relacionar. A ideia embutida aí exclui muitas outras afinidades estabelecidas numa relação que perpassam a sexualidade. Não é qualquer homem que atrai uma mulher hetero. Não é qualquer mulher que atrai uma mulher homo. Não é qualquer homem e mulher que atrai uma bi. A estatística não cabe aqui.
Outra questão é que ser bi e fiel é impossível. Como se numa relação homo ou hetero, os parceiros jamais desejassem outros que não aquele com quem se está.

Marcos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos disse...

Li seu protesto ao CQC e apoio você!
A demonstração do tal Rafinha Bastos de furor misogino contra a apresentadora Daniela Albuquerque é demonstração de total desreipeito e arrogância. será que tudo se resolve com " eu tava so fazendo uma piada"!